O Destino de Uma Nação – Crítica do filme

O Destino de Uma NaçãoA chegada de Winston Churchill (Gary Oldman) ao cargo de Primeiro Ministro da Grã-Bretanha ocorre em um momento historicamente turbulento e de maneira fortuita. Seu nome surge como opção ao cargo por se tratar de uma pessoa com facilidade de acesso ao Parlamento e o Rei. O filme O Destino de Uma Nação (Joe Wright) retrata exatamente esse período, quando a Grã-Bretanha está prestes a ruir diante da Alemanha na 2ª Guerra Mundial, lá na década de 40.
Em meio às avassaladoras derrotas no front, surge a possibilidade de negociar um acordo de paz com Hitler, que seria capaz de colocar um ponto final no conflito. E cabe a Churchill tomar a decisão que vai interferir diretamente no futuro do país.
Antes de qualquer coisa, preciso destacar a atuação de Oldman no filme, é simplesmente espetacular. A caracterização e transformação do artista no personagem foi extraordinária, Oldman está irreconhecível, inclusive fisicamente. Some-se a isso sua brilhante interpretação, que já lhe garantiu o Globo de Ouro de melhor ator em filme dramático. E que deve também lhe garantir o Oscar, aqui vai minha aposta!
O Destino de Uma Nação
E ainda em relação ao personagem Winston Churchill, O Destino de Uma Nação traz às telonas um forte vértice humano do personagem. A fragilidade do Primeiro Ministro Inglês é explorada com delicadeza, mas de forma bem clara. O filme, no entanto, não se trata de uma biografia de Churchill, é um recorte de um momento histórico específico.
O Destino de Uma NaçãoO Destino de Uma Nação explora os recursos cinematográficos de uma maneira muito aprazível. Os planos, a iluminação, os movimentos de câmera, toda a estética e plasticidade são muito belas. No decorrer do filme, quando o exército britânico está sendo dizimado aos poucos, todos parecem render-se à ideia de que o melhor seria ceder à pressão e tentar um acordo com a Alemanha. Até o próprio Churchill, sempre contrário a essa alternativa, chega a pensar no acordo como única saída.
Até que, e aí vem o que considero um apelo emocional exagerado, o Primeiro Ministro decide ouvir o povo e volta atrás, mantendo a posição de que a Grã-Bretanha não irá se render. Esse pequeno trecho do filme traz um cunho muito patriota e pouco verossímel. Mas isso não tira o mérito da produção, que tem um ritmo e um conjunto que merecem ser vistos.

Ficha técnica O Destino de Uma Nação

Titulo origina: The Darkest Hour
Gênero: Drama
Duração: 125 min
Direção: Joe Wright
Roteiro: Anthony McCarten

Elenco: Gary Oldman, Stephen Dillane, Lily James

Distribuidora: Universal
Classificação: 12 Anos

Estreia no Brasil: 11 de janeiro de 2018

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120 Batimentos Por Minuto – Crítica do Filme

120 Batimentos Por MinutoUm filme intenso, tenso, emocionante e sensível. O diretor francês Robin Campill voltou à ativa quatro anos depois , com um enredo avassalador. 120 Batimentos Por Minuto saiu do Festival de Cannes com o Grande Prêmio do Júri e Prêmio da Crítica. O longa já acumula 19 premiações por todo o mundo. A história revive os anos 90. A Aids já era epidemia e ceifava a vida de centenas de pessoas.

O grupo ativista Act Up Paris, do qual o diretor do filme fez parte, intensifica suas ações. Ele tenta conscientizar e sensibilizar a sociedade, o Governo e a indústria farmacêutica sobre a doença. Mas 120 Batimentos Por Minuto não fala apenas de ativismo. O filme fala de amor, fala de luta, de uma dura e árdua luta pela vida, o filme fala de esperança.

Por trás da militância, a história de amor entre os personagens Nathan (Arnaud Valois), o novato do grupo, e o ativista Sean (Nahuel Perez Biscayart), vão costurando o enredo de uma maneira sólida, mas sensível, mostrando o universo homossexual soropositivo, com seus prazeres, suas dores e seus riscos. Destaque para a atuação intensa e comovente de Sean, um personagem que reúne alegria e tensão, força e fragilidade na dosagem certa. 120 Batimentos Por Minuto recria o cenário da Aids no início da década de 90 com bastante precisão, época em que a doença era deixada de lado pelas autoridades e ignorada pela população.

120 Batimentos Por MinutoSobre o diretor de 120 Batimentos Por Minuto

Este é apenas o terceiro filme de Campill. O primeiro, Eles Voltaram (2004), fala sobre o universo dos zumbis. O segundo, Meninos do Oriente (2014), traz como pano de fundo uma história de amor homossexual. A proposta em 120 Batimentos Por Minuto foi resgatar a importância da atuação da Act Up na mobilização social. É um filme que reescreve lembranças e memórias, que coloca a mulher em um papel importante na liderança militante da época, que mostra inclusive como a doença afetava as pessoas. É um filme que fala também sobre a morte, de uma maneira direta, objetiva, sem romantismo. As pessoas morriam da Aids, e isso está no filme. As pessoas queriam viver com a doença, e isso também está no filme.

Cenas intensas

As cenas de sexo chamam a atenção em 120 Batimentos Por Minuto, não pela sexualidade em si. Destacam-se pela relação construída ali, entre os personagens. É um filme que humaniza e personifica a Aids, que a coloca como uma real ameaça à vida, às relações, às pessoas. Essa parte humana da história é forte e comovente. O espectador não acompanha apenas as ações políticas do Act Up, acompanha o drama de seus membros, as dúvidas que os cercam, acompanha inclusive a fragilidade que toma conta deles, acompanha inclusive as discordâncias em suas reuniões.

120 Batimentos Por Minuto

O filme é forte, traz uma temática bastante importante e comove. O filme retrata a Aids da década de 90, mas a doença ainda está aí, ainda causa a morte de centenas de pessoas. É um filme que nos traz um alerta. A Aids tem tratamento, mas continua sem cura. E o filme toca no dilema do que é viver com Aids. Vale muito a pena ver.

Ficha técnica 120 Batimentos por Minuto

Título original: 120 battements par minute
Gênero: Drama
Duração: 140 minutos
Direção: Robin Campill
Roteiro: Robin Campillo, Philippe Mangeot
Elenco: Nahuel Perez Biscayart, Arnaud Valois, Adèle Haenel
Distribuidor: Imovision
Ano: 2017
Classificação: 16 anos
Estreia no Brasil: 4 de janeiro de 2018

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Dica de filme: Sem Filtro, porque as mulheres querem falar sem censura

No filme Sem Filtro, a atriz Paz Bascuñán vive Pia, uma mulher em busca de liberdade

O filme chileno Sem Filtro, dirigido por Nicolás López, foi minha escolha para a sessão “cinema no sofá” no fim de semana. E porque a produção diz muito sobre as mulheres e suas aflições, trago a dica para vocês.

Sem Filtro (Sin Filtro), disponível no catálogo da Netflix, é uma comédia dramática que conta a história de Pia (Paz Bascuñán). Publicitária de 37 anos, sua rotina é atribulada e ela sofre de ansiedade, falta de ar e dores no peito. Está a beira de um colapso. Seu ex-namorado é o confidente com quem troca mensagens via Whatsapp. O cidadão é o típico ex metido a ‘príncipe encantado’. Mesmo já envolvido em outro relacionamento, fica rondando e não deixa espaço para ela se libertar e seguir a vida.

Com a língua solta

Ao procurar um tratamento experimental com um acupunturista, Pia recebe a orientação de deixar suas emoções fluírem. Ela deve dizer o que sente, ao invés de esconder o que incomoda para agradar os outros. Suas dores são o reflexo da repressão externa e de uma severa autocensura.

O filme foi lançado em 2016 e tornou-se uma das películas mais vistas do cinema chileno. O sucesso se deve a atualidade da obra. Além de tocar na questão da dificuldade das mulheres para fazerem-se ouvir, também traz temas contemporâneos, como a medicalização da vida. Pia começa o dia engolindo um coquetel com diversos tipos de calmantes.

A produção discute ainda as redes sociais e as celebridades instantâneas; e o contato de adolescentes com a pornografia violenta que circula na internet, criando nos jovens a cultura do abuso e estimulando a misoginia.

Não somos neuróticas, só estamos cansadas!

Um dos momentos interessantes de Sem Filtro é quando Pia tem coragem de se impor diante do chefe e do marido. Os dois, chocados com o fato dela assumir o protagonismo da própria vida, querem saber se ela está ‘con las reglas’. A personagem, cansada de imposições, questiona: “Por que, toda vez que uma mulher se irrita, os homens acham que ela está menstruada?”

Acredito que muitas mulheres se identificam com Pia. Em algum momento da vida, já carregamos mais peso do que deveríamos, iludidas pelo mito da Mulher Maravilha. Não são poucas as que adoecem e usam remédios para suportar abusos variados. Ou que vivem com maridos que não as valorizam e nem dividem obrigações cotidianas.

Muitas têm familiares e amigos que as sobrecarregam com problemas e raramente retribuem esse cuidado. E elas aguentam as situações porque foram condicionadas desde a infância a serem “boas meninas”.

A Pia do filme percorre seu caminho em busca da própria liberdade, errando e acertando, disposta a seguir em frente. Que a sua jornada inspire outras mulheres a se livrarem de tudo que oprime o peito e as faz adoecer!

……

>>Veja o trailer de Sin Filtro:

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Kubo e as Cordas Mágicas – Crítica do filme

Kubo e as Cordas MágicasKubo e as Cordas Mágicas é a mais recente animação do estúdio Laika, que responde também pelas produções A Noiva Cadáver (2005) e Coraline (2009). A produção foi criada a partir da tecnologia stop motion. O uso de imagens fotografadas em sequência simulam o movimento do objeto. Foram precisos longos cinco anos até que o filme ficasse pronto e pudesse ser lançado. Isso já mostra todo o cuidado e minúcia que cercou a produção. O filme apresenta a jornada do menino Kubo, que vive escondido com sua mãe em um morro, após a morte de seu pai Hanzo. Ele precisa manter-se distante dos espíritos malvados de suas tias e avô que querem arrancar-lhe o olho que restou, após o outro ter sido extirpado quando era ainda um bebê.

O filme se passa no Japão. Diariamente, Kubo desce de seu esconderijo, para encantar os moradores da vila com suas histórias cheias de aventura, que nunca chegam ao fim. Ao tocar seu shamisen, os poderes mágicos das cordas dão vida a bonecos e monstros de papel, animando os fantásticos relatos. Mas Kubo precisa voltar para casa antes de o sol se pôr. Um belo dia, durante o festival de honra aos mortos, Kubo tenta se comunicar com seu pai. Mas anoitece sem que ele retorne para casa. Acaba descoberto pelos espíritos que sua mãe tanto temia. Para conseguir se proteger de seus perseguidores, precisa encontrar uma poderosa armadura. Nessa jornada, conta com a ajuda da Macaca, do Besouro e do origami de um samurai.

kubo e as cordas mágicasA trama é bastante densa e coloca na pauta temas fortes, como a morte, o autoconhecimento,a perda e as relações familiares. Apesar da narrativa tensa, a animação traz homeopáticas pitadas de humor, quebrando a carga dramática da produção. O filme tem uma história bastante envolvente e um visual impressionante. A reconstrução da cultura japonesa é feita de forma belíssima. Kubo e as Cordas Mágicas tem um apelo emocional bem intenso. No filme, o épico, a aventura e a fantasia caminham de braços dados em um ritmo harmônico e criativo, equilibrando tristeza, aventura e humor.

kuboA produção cai tão bem para o público adulto quanto o infantil, seja pela beleza de suas cenas (alegres ou sombrias), pelo dinamismo das aventuras ou pela sensibilidade com que a narrativa é conduzida. A trilha sonora também merece ser mencionada. O final do filme é brindado com nada mais nada menos que uma versão de While my Guitar Gently Weeps, dos Beatles. A trajetória do nosso jovem heroi nos fala da importância do caminho, do ato de se relacionar. Nos fala da beleza da contação de histórias recheadas de detalhes e emoções. Kubo é uma animação bem construída, original, inteligente e divertida, que não dá para perder.

Ficha técnica Kubo e as Cordas Mágicas

Título original: Kubo and The Two Strings
Gênero: Animação
Duração: 102 minutos
Direção: Travis Knight
Roteiro: Chris Butler, Marc Haimes
Elenco: Charlize Theron, Matthew McConaughey, Art Parkinson, Ralph Fiennes
Distribuidor: Universal Pictures
Ano: 2016
Classificação: Livre

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O Bebê de Bridget Jones – Crítica do filme

000A pausa de seis anos dos trabalhos no cinema só fez bem a Renée Zellweger. Ela voltou aos holofotes em grande estilo, em O Bebê de Bridget Jones, segunda sequência de seu grande sucesso de 2001, O Diário de Bridget Jones. A atriz está simplesmente divina no papel de Bridget, a solteirona que descobre uma gravidez aos 43 anos e está em dúvida sobre a paternidade do bebê. A direção da produção é assinada por Sharon Maguire, também responsável pelo primeiro filme da série.

O roteiro de O Bebê de Bridget Jones traz a personagem em outro momento de vida, mas madura e segura: ela agora é produtora do jornal em que trabalha, está com o corpo esculpido e possui um círculo de amizades mais amplo. Durante uma viagem a um festival de música, conhece o charmoso Jack (Patrick Dempsey), com quem tem uma tórrida noite de amor. Dias depois, ao encontrar seu ex, o advogado Mark Darcy (Colin Firth), se rende a uma recaída. Basta para, ao receber a notícia da gravidez, encarar o dilema de não ter a menor ideia de quem é o pai de seu bebê.resenha bebê de bridget jones

O filme é leve, com diálogos bem construídos e muito, muito divertido. Eu diria, sem receio, que esta é uma das melhores comédias românticas dos últimos tempos. O mulherengo Daniel Cleaver (Hugh Grant) não integra o elenco desta continuação, mas faz uma “participação” especial. Nos Estados Unidos, o filme não foi bem recebido. Angariou míseros US$ 8,24 milhões no final de semana de estreia. Fora do país, no entanto, foi sucesso absoluto, liderando a bilheteria em mais de 20 países, arrecadando US$ 29 milhões.

O Bebê de Bridget Jones se iguala em qualidade ao filme de estreia da franquia. Eu o considero o melhor dos três filmes. Apenas a primeira sequência, Bridget Jones no Limite da Razão, de 2004, não teve tão boa receptividade, foi pouco criativo e monótono. Aliás, o terceiro filme não é adaptado de livro, vai tomar o caminho contrário. O roteiro é da escritora Helen Fielding, que prometeu transformar o filme em livro.

bebê de bridget jonesO roteiro aposta na versão da mulher moderna, independente, que deixa para ter filho mais tarde, que não espera o príncipe encantado e consegue administrar sozinha a gravidez, o trabalho e a vida pessoal. E, o mais importante, não apela a piadas sórdidas para arrancar gargalhadas.

Ficha técnica O Bebê de Bridget Jones

Gênero: Comédia romântica
Duração: 96 minutos
Direção: Sharon Maguire
Elenco: Renée Zellweger, Patrick Dempsey, Colin Firth, Emma Thompson
Roteiro: Helen Fielding, Emma Thompson e Dan Mazer
Distribuidor: Universal Pictures
Ano: 2016

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Esquadrão Suicida peca no ritmo, mas diverte

Esquadrão Suicida cartazO filme Esquadrão Suicida chegou às telonas cercado de expectativas, especialmente porque por trás dele estava o diretor David Ayer. Ele havia ganhado os holofotes após a calorosa recepção de seu longa anterior, “Corações de Ferro”. A tão esperada superprodução reuniu os famosos vilões da DC com a promessa de mesclar muita ação e referências do universo pop.

Temendo a ação de poderosas forças enigmáticas e sobrenaturais, o governo norte-americano põe em prática um plano audacioso, arquitetado pela inescrupulosa oficial da inteligência, Amanda Waller (Viola Davis). Convocar os criminosos encarcerados mais perigosos, para formar uma equipe de combate a serviço do País. Caso consigam realizar as missões, eles terão as penas reduzidas. E para que cumpram seu papel, têm chips instalados em seus corpos, capazes de explodir com um simples comando.

E é assim que Capitão Bumerangue (Jai Courtney), Pistoleiro (Will Smith), El Diablo (Jay Hernandez), Arlequina (Margot Robbie), Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje) e Amarra (Adam Beach) se unem ao agente Rick Flag (Joel Kinnaman) e à ágil espadachim Katana (Karen Fukuhara), formando o esquadrão suicida. Quem também aparece na trama é o Coringa, interpretado por Jared Leto, cuja participação ficou bastante tímida, se limitando a tentar resgatar seu grande amor, a Arlequina.

Depois de todo o burburinho em torno das dificuldades durante a montagem, dos cortes grandiosos, das reedições e das refilmagens, não tinha como “Esquadrão Suicida” passar despercebido. Fato é que o filme efetivamente oscila entre altos e baixos, deixando claro que algo não deu tão certo. Se algumas cenas mostram-se bastante frenéticas e aceleradas, outras parecem ter sido filmadas para outra produção. Em alguns momentos, a criatividade impera, imponente. Em outros, há um abuso exagerado de clichês. E nessa inconstância segue o filme.

esquadrão suicida

As atuações são boas, o roteiro não é de se jogar fora, mas esta desaceleração leva o espectador da excitação à monotonia e faz o filme deixar a desejar. Alguns personagens, no entanto, recompensam o ingresso de entrada. Arlequina é um deles, rouba a cena. Intensa, convincente e divertida, a excelente caracterização de Margot Robbie ganha destaque no desenrolar da trama, com a coragem aliada a um toque bem dosado de ingenuidade.

Com um papel de liderança no grupo, o Pistoleiro de Will Smith ficou bem formatado e dinâmico. O Coringa, que prometia uma atuação marcante, teve diversas cenas cortadas. Certamente Jared Leto tinha muito mais a contribuir com o resultado final da produção. A postura impiedosa e sem escrúpulos da agente de Amanda Waller também merece menção. Sem falar na Magia/June Moon de Cara Delevingne. No conjunto, as atuações são bem expressivas e conquistam o espectador.

esquadrão suicida filme

Por fim, é indiscutível que, apesar de todos os pequenos problemas, “Esquadrão Suicida” diverte. É possível sair da sala do cinema meio confuso e em dúvidas sobre o que aconteceu ali dentro. Até um pouco decepcionado, achando que o filme poderia render mais. Mas isso certamente será acompanhado de algumas boas gargalhadas e entretenimento. Além, claro, de reacender as expectativas quanto ao que a DC ainda tem a oferecer. Sem falar na animada e bem escolhida trilha sonora, que tenta manter a produção no ritmo que ela merecia.

Ficha técnica de Esquadrão Suicida

Gênero: Aventura, Ação
Duração: 130 minutos
Origem: Estados Unidos
Direção: David Ayer
Roteiro: David Ayer, John Ostrander
Distribuidor: Warner Bros. Pictures
Ano: 2016

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Mostra de curtas revelará novos talentos

Carine Araújo, coordenadora da Mostra Curto Encontro

Abro um espaço entre as notícias de beauté e outras feminices do blog, para divulgar uma iniciativa cultural bem bacana que acontece em Salvador, agora em agosto e que, para não perder o vínculo com a proposta “universo feminino” desse espaço, é coordenada por uma mulher, uma realizadora da área de cinema  – um setor onde a participação feminina vem crescendo bastante -. Trata-se da Mostra Curto Encontro, que promoverá a exibição gratuita de curtas-metragem na capital e mais 12 cidades baianas, entre os dias 22 e 27 de agosto, e que também vai realizar um concurso para estudantes de cinema e realizadores da área audiovisual. O concurso se chama Um curta sobre curtas e o objetivo é a criação de um filme de aproximadamente 20 minutos sobre o evento, com foco nas atividades desenvolvidas em Salvador.

Os interessados em participar do concurso podem se inscrever, individualmente ou em grupo, até o dia 15 de agosto, no site: www.tabuleiroproducoes.com.br. Os candidatos passarão por uma entrevista, onde apresentarão suas ideias para elaboração do curta. As propostas serão analisadas pela equipe promotora do evento e  por Lázaro Faria, presidente da Casa de Cinema da Bahia e diretor do longa 2 de Julho, ainda em produção.

A proposta vencedora será divulgada na noite de 17 de agosto. O autor da proposta escolhida receberá um prêmio de R$ 1 mil, certificado de participação e terá seu filme exibido na TVE-Bahia, juntamente com os 10 mais votados do evento e os dois curtas produzidos durante as oficinas de capacitação de animação e documentário que também integram o evento.

A Mostra Curto Encontro é realizada pela Tabuleiro Produções, com patrocínio do Correios e apoio da Fundação Cultural do Estado (Funceb), Irdeb e Dimas.

Serviço:

Anote na agenda, para não perder: Mostra Curto Encontro, de 22 a 27 de agosto. Em Salvador, os filmes serão exibidos no circuito de salas da Biblioteca Pública dos Barris, no Centro da cidade, com entrada gratuita. O encerramento oficial do evento, com a festa de premiação, será no dia 28 de agosto, com shows de David Moraes e Lucas Santtana.

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Wilson Simonal – Só ele mesmo sabe o duro que deu…

Divulgação
Simonal foi um artista único que acabou sendo arrancado de si mesmo e largado à própria sorte

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

*Texto da jornalista Giovanna Castro

Estou atrasada quase dois anos, é certo, mas o comentário que se segue ainda vale muito em tempos nossos de superficialidade. Não pude ir ver quando passou nos cinemas, mas finalmente consegui assistir na televisão o documentário “Simonal – Ninguém sabe o duro que dei”, filme do Casseta Cláudio Manoel, co-dirigido por Micael Langer e Calvito Leal, lançado em 2009. Eu sempre tive curiosidade por essa figura da MPB, de quem tinha forte na memória, infelizmente, apenas as músicas “Meu limão, meu limoeiro” e “Sá Marina”.

Em casa, muito embora meu pai e minha mãe sempre tenham ouvido muita música – ele com LPs e, mais recentemente, CDs – e ela, no dial do rádio mesmo – não me lembro de ter ouvido Simonal na infância ou adolescência. Meu pai não tinha disco de Wilson Simonal, confirmei depois, mas minha mãe disse que o acompanhava pela TV e por revistas. “Ele era muito charmoso”, ela fez questão de ressaltar. E era mesmo, pude atestar nas cenas antigas do documentário. Um sedutor nato.

Me interesso muito por documentários. Por histórias de vida de pessoas que, de uma forma ou de outra, fizeram a diferença em algum momento da vida para pouca gente no seu entorno, ou para multidões, como foi o caso de Simonal, pioneiro na função de animador de auditório, por assim dizer. Isto porque, antes dele, segundo conta Miele, outra figura lendária da história da MPB, artistas se apresentavam em pequenos espaços. Simonal regia multidões em ginásios lotados. Ele brincava com a plateia e as dividia em partes que cantavam pedaços e tons diferentes de cada canção, fazendo um animado côro. Impressionante!

Lembro que, durante as entrevistas de divulgação do filme, me chamou muito a atenção o fato de a carreira de Simonal tem caído num terrível declínio em decorrência de sua suposta colaboração com o governo militar, naquele tempo, em seus anos mais duros e cruéis. Simonal teria sidou um X-9 do governo militar e teria delatado artistas da MPB, naquela época sombria em que ser delatado poderia significar literalmente uma sentença de morte. Claudio Manoel, um dos diretores, disse que, no filme, preferiu apenas registrar os comentários das pessoas sem fazer nenhum juízo de valor, e ele consegue o seu intento.

Toda a polêmica teria começado depois que Simonal descobriu que o seu então contador teria surrupiado dinheiro seu. Segundo se comentou, ele teria mandado uns fortões darem uma coça no contador, homens que seriam ligados ao temido DOPs, Departamento de Ordem Política e Social, responsável por controlar e reprimir movimentos políticos e sociais contrários ao regime. Não fica claro no documentário se houve realmente a tal coça, principalmente dada pelos durões do DOPs, mas fato é que depois disso, Simonal ficou marcado como aliado dos militares.

A partir daí, foi ladeira abaixo. Especialmente depois que o jornal O Pasquim começou a publicar charges em que atribuía a Simonal a pecha de dedo-duro. Foi quando o showman que arrebatou multidões começou a receber sua “overdose de ostracismo”, como descreve a viúva do artista. Segundo ela, ainda no leito de morte, Simonal tinha esperança de ter sua imagem desvinculada da delação que jamais foi comprovada.

Ele mesmo correu atrás e conseguiu um documento do governo federal que atestava que ele nunca havia sido colaborador da ditadura. Me senti constrangida de ver aquele homem de tamanho talento, que anos atrás conseguira hipnotizar plateias com seu carisma, olhos brilhantes e sorriso arrebatador, sentado num sofá de programa de televisão tentando limpar a própria imagem já completamente consumida pelos radicalismos políticos da época que coincidiu com o auge da carreira.

Simonal foi vítima do acirramento de posições, conforme o próprio cartunista Jaguar, uma das figuras proeminentes de O Pasquim, tentou explicar. Entendo o ponto de vista dele, que aparentemente não hesitou, na época, em vincular nos seus desenhos o nome de Simonal à figura do dedo-duro. Ele fala que a conjuntura política levava a essa polarização e O Pasquim estava do lado contrário à ditadura, daí ter assumido uma furiosa posição contra o cantor. No entanto, sob toda esta capa política que é parte da história do Brasil, na minha opinião, como também é sugerido no documentário, está a sombra do racismo.

Como era possível um homem negro, de origem humilde, ex-militar, fascinar tanta gente, envolver a todos com seu carisma e conseguir do público amor, paixão e devoção, gratuitamente, sem pressões ou imposição de medo e ameaças? E mais do que isso, ganhar muito dinheiro mesmo. Naquele tempo até se disse que Simonal estaria alinhado com a cartilha do governo de tentar distrair o povo do que acontecia nos porões do regime. Creio que foi uma infeliz coincidência.

Na época, ninguém buscou verificar a verdadeira história e nenhum artista se levantou, ao que tudo indica, em defesa de Simonal. Não houve sequer quem se apresentasse como tendo sido delatado ou dedurado pelo cantor. Foi mais fácil deixar as coisas como estavam… Fato é que a sombra resultou na dilaceração do artista, morto há quase 11 anos.

Um homem que, amargurado pelos acontecimentos e pela impotência em reverter a situação, entregou-se à bebida como se com litros de álcool pudesse afogar a vergonha, a injustiça e a incompreensão por ter sido arrancado de si mesmo, do talento em seu estado mais puro, poesia etérea que sucumbiu à força bruta da inveja, do ressentimento, do pré-julgamento e do pré-conceito.

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Os diversos tipos de orgasmo na definição de Ingrid Guimarães

A comédia De pernas pro ar (direção de Roberto Santucci), protagonizada pela atriz Ingrid Guimarães terá pré-estreia nos cinemas de Salvador a partir desta sexta-feira, dia 24. A estreia nacional do longa que conta a história de Alice, uma workaholic que aprende a levar a vida com mais leveza após perder o emprego, será dia 31 de dezembro. A data é meio ingrata, véspera do Reveillon, mas o tema tem apelo principalmente junto ao público feminino, já que nós mulheres estamos eternamente nos dividindo entre os papeis de mãe, profissional, amantes, amigas e o que mais apareça. Por aqui, quem quiser conferir a pré-estreia deve ficar atento aos horários dos cinemas. Boa parte das redes, como a UCI Orient só terá sessões iniciadas até 17h nesta véspera de Natal ou começadas após às 14h, no dia 25, feriado natalino. A classificação indicativa é 14 anos.

E já que falei nos múltiplos papeis femininos, vale destacar o teaser hilário que já está no canal De pernas pro ar do Youtube. No vídeo, que vocês conferem abaixo, Ingrid Guimarães brinca com alguns estereótipos da femininilidade e toca no tema tabu do orgasmo. Claro que, ao invés do ar professoral de sexóloga, ela encarna a “psicológa de almanaque” e nos explica direitinho os diversos tipos de orgasmo que existem e de que forma o gozo define a personalidade da mulherada. Vale a pena rir um pouco e começar a descontrair para o feriadão que se inicia. De repente bate uma inspiração… Divirtam-se:

Veja o vídeo dos “orgasmos” de Ingrid Guimarães:

Visite também o site oficial do filme De pernas pro ar.

Para quem ainda não sabia, o Conversa de Menina foi um dos blogs femininos da web contemplados com convitinho especial da atriz para conferir De pernas pro ar nos cinemas. Em um teaser gravado com exclusividade para a gente, Ingrid convida “a galera do blog Conversa de Menina” para prestigiar seu novo trabalho.

E então, vamos ao cine!

Assistam também ao teaser da atriz feito especialmente para o nosso blog…

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Trailer do filme De pernas pro ar

Depois do nosso blog receber o convite da atriz Ingrid Guimarães para a estreia do filme De Pernas pro ar, fiquei curiosa em conferir o trailer oficial. São Youtube dos Cinéfilos, lógico, já está com diversos teasers, trailers, vídeos de entrevistas com o elenco e toda aquela infinidade de prévias que despertam o interesse para uma nova produção.

Pelo que conferi no trailer, o filme parece brincar com os estereótipos da feminilidade nos dia de hoje, mas embora seja uma comédia despretenciosa, imagino que renderá pano para a manga das reflexões. Por ser comédia, a intenção é nos fazer rir dessas pequenas situações do cotidiano que envolvem carreira, marido, filhos e ser mulher. Confesso que o convite vip da atriz (ainda estou meio boba com isso, não vou mentir!) e o trailer atiçaram minha curiosidade ao extremo.

Fiquei ainda mais curiosa é em conferir se de fato o tratamento vai ser leve, mas sem ser raso. Tenho em mente que a função principal do filme é entretenimento, mas vocês bem sabem como as mulheres são, até na diversão existe aquele irrestível impulso para uma boa DR!

Além do mais, quem disse que comédia não pode fazer pensar?

Confiram aqui o trailer:

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