Saúde & Fitness: Dia de prevenir a gravidez precoce

A série Saúde e Fitness, deste domingo, destaca um assunto que tem relação com o corpo, mas não no sentido de atividade física. Embora a gravidez altere bastante o corpo feminino, é na alma que as transformações acontecem com mais impacto. Na adolescência, quando tanto corpo quanto alma estão em formação, a gravidez precoce e não planejada pode causar impactos para a vida toda. Hoje é o Dia Mundial de Prevenção da Gravidez na Adolescência e o blog recebeu uma contribuição fantástica do Instituto Kaplan, especializado em educação sexual. Confiram e ajudem a disseminar:

Educação sexual e atuação dos pais podem
reduzir os índices de gravidez na adolescência

O Dia Mundial da Prevenção da Gravidez na Adolescência, 26 de setembro, é de extrema importância como reflexão sobre a educação sexual para a redução do índice de jovens “grávidos”. Sexo responsável é o maior enfoque da proposta de trabalho educativo que o Instituto Kaplan desenvolve na capacitação de professores e técnicos que trabalham nas questões de métodos contraceptivos, os riscos das doenças sexualmente transmissíveis, além do impacto de uma gravidez nesta faixa etária.

Maria Helena Vilela, diretora do Instituto Kaplan (Centro de Estudos da Sexualidade Humana), comemora este dia com dados expressivos conquistados através do Projeto Vale Sonhar, uma ação de política pública de conscientização na prevenção de gravidez na adolescência. “Conseguimos obter, entre 2008 e 2009, uma diminuição de 50% do número de gravidez nas escolas das cidades de Serra e Cariacica (ES). Em Alagoas este índice foi de 35%, o que é significativo para um estado nordestino. O Vale Sonhar também foi implantado nas escolas públicas do ensino médio do estado de São Paulo, na disciplina de Biologia, e alcançamos uma redução de gravidez em torno de 20%, o que equivale a 60.000 jovens que deixaram de engravidar na adolescência. É como ter um estádio do Morumbi lotado. No Brasil, este índice caiu em 8 pontos percentuais”.

A conscientização do impacto de uma gravidez indesejada é fundamental para que os jovens entendam a necessidade de prevenção: “É natural que havendo estímulo sexual, os jovens se desejem e, portanto, precisam ser bem preparados para esta liberdade em relação à questão sexual que a própria sociedade criou. Daí a importância do trabalho de educação nas escolas, com informação de credibilidade via internet, nos postos de saúde, enfim, onde os jovens estiverem”, ressalta Maria Helena Vilela.

A educadora e diretora do Kaplan acredita que, no Dia Mundial de Prevenção de Gravidez na Adolescência, a mensagem não é para os jovens, mas para os pais: “precisamos começar a refletir sobre a vida sexual como algo positivo, na qual nós devemos de fato estimular os nossos filhos a buscar consultas médicas e usar corretamente os métodos contraceptivos. A ajuda da família e de toda a comunidade é fundamental para que percebamos que hoje em dia, não dá mais para as meninas largarem a escola por causa de uma gravidez fora de hora”.

Veja vídeo com uma mensagem de Maria Helena Vilela:

Prevenção de Gravidez na Adolescência:

A gravidez na adolescência regrediu 34% na década passada, segundo dados do Ministério da Saúde, mas ainda é preocupante. O Instituto Kaplan, por exemplo, tira dúvidas sobre sexualidade de qualquer pessoa, por MSN (veja aqui no site deles como se conectar). Abaixo, perguntas e respostas de Maria Helena Vilela sobre o trabalho da ong:

A gravidez na adolescência tem diminuído no Brasil?
O trabalho com os adolescentes está tendo uma resposta positiva. Em 2004, quando nós começamos o trabalho do Projeto Vale Sonhar, o índice de gravidez na adolescência no Brasil era em torno de 28%. Hoje, a última referência que nós temos do DATASUS é de 2007, e estes dados nos mostram que houve uma diminuição de quase 8 pontos percentuais. Então atualmente, esse índice está em torno de 20% de gravidez na adolescência no Brasil.  Isso mostra que todo o trabalho com a educação sexual, de prevenção que vem sendo feito, pode ter tido sim, um impacto positivo na vida desses jovens e contribuído para a redução desses números de gravidez na adolescência.

É essencial que haja educação sexual nas escolas?
Sem dúvida. A gravidez na adolescência tem muitos fatores, mas sem dúvida nenhuma, a educação sexual é um dos principais que interferem na decisão ou na condição de uma jovem de engravidar na adolescência. É fundamental que os adolescentes não apenas saibam, mas de fato tenham consciência do porque este corpo se reproduz, o impacto que uma gravidez pode trazer na vida deles, e como evitar em um momento que eles não estão prontos para isso. Portanto, o trabalho com educação sexual é imprescindível na vida desses jovens. Vale ressaltar a informalidade com que a questão sexual é tratada hoje em dia e muitos jovens não estão preparados para viver neste ambiente liberal criado pela própria sociedade. A facilidade que veio com o avanço da ciência, como exames de DNA e pílulas anticoncepcionais permite que o sexo não mais seja visto apenas com o objetivo de reprodução. Se sexo faz parte da vida do homem, portanto é natural que, se houver estimulo sexual, estes meninos reajam a estes estímulos e se desejem. Portanto, eles precisam ser bem preparados para esta realidade em que eles vivem hoje, daí a importância do trabalho de educação nas escolas, via internet, nos postos de saúde, enfim, onde os jovens estiverem. O que eles precisam é de um espaço para que eles tenham consciência de que adolescência não é o melhor momento para eles terem um filho.

Essa liberdade de informação da internet não atrapalha os jovens a dividir o que é o joio do trigo? Como o Instituto Kaplan está usando essas novas ferramentas de informação para também balizar o jovem?
A internet abre o espaço para que os jovens tenham acesso a todo o tipo de informação e obviamente, separar o joio do trigo para o jovem é muito difícil. Então o papel do Instituto Kaplan como uma instituição educadora nesta área de sexualidade é já dar o joio separado do trigo. E é isso que nós procuramos fazer no nosso trabalho, buscar a atenção do jovem para aquilo que ele de fato precisa saber: usar a sua sexualidade em seu benefício e não contra ele mesmo. Por isso, não negamos a nenhum jovem qualquer tipo de informação que eles queiram saber e sempre nos baseamos em critérios científicos e de investigações que nós ou outros profissionais de outras instituições tenham feito que embasam o nosso trabalho e as nossas observações a fazer para eles.

O Instituto Kaplan tem um trabalho pioneiro, que é o Projeto Vale Sonhar. Em alguns estados como Alagoas, São Paulo e Espírito Santo já há uma política pública que é o ensino da educação sexual com base no futuro, com os sonhos do futuro, dentro da disciplina de biologia. Quais têm sido os resultados efetivos dessa ação?
Os resultados são bem animadores! Nós conseguimos obter por meio de um trabalho de multiplicador (em que instruímos o coordenador pedagógico para que ele prepare os seus professores para realizar as oficinas do Vale Sonhar), uma diminuição de 50% do número de gravidez nas escolas das cidades Serra e Cariacica (ES) em 2008 e 2009. A partir dessa experiência, esse trabalho foi expandido para todo o estado do Espírito Santo. No estado de Alagoas que foi um trabalho desenvolvido em 2008 e 2009, também por este meio de multiplicador, conseguimos obter um resultado em torno de 35% de diminuição no número de gravidez na adolescência. Este trabalho, que foi o primeiro realizado na Secretaria de Educação do Estado de Alagoas, foi implantado em todas as escolas estaduais do estado, onde todos os municípios puderam desenvolver um trabalho monitorado pelo Instituto Kaplan em todos os momentos. São Paulo, que já é uma rede infinitivamente maior, (enquanto em Alagoas nós temos 187 escolas no estado inteiro de Ensino Médio, em São Paulo nós temos uma rede de 3.668 escolas), é um universo fantástico e o Instituo Kaplan fica muito feliz que esta secretaria tenha implementado a metodologia do Vale Sonhar dentro da matéria de biologia. E com isso, a gente conseguiu nesta primeira avaliação de 2008 e 2009, uma diminuição em torno de 20% do número de jovens que deixaram de ficar “grávidos” após as oficinas do Vale Sonhar. Isso é um dado muito significativo, já que na rede de São Paulo, são 600.000 alunos e podemos inferir que aproximadamente 60.000 jovens deixaram de engravidar nesse ano de 2009. É um resultado muito gratificante não só para o Instituto Kaplan como para todos nós que queremos que os nossos jovens e nossa população tenham uma melhor qualidade de vida.

Qual a reflexão que o Instituto Kaplan deixa nesse Dia Mundial da Prevenção da Gravidez na adolescência?
A reflexão é para os pais e não para os jovens. Embora os adolescentes tenham vida própria, eles são frutos de uma educação, isto é, boa parte do que fazem e acreditam ainda está no núcleo familiar. O que eu gostaria de dizer para os pais é que sexo faz parte da vida da gente, é uma necessidade como outra qualquer e não é por si só ruim, pelo contrário sexo é uma coisa boa. Agora se ele não for bem trabalhado, se a pessoa não souber como lidar com a questão sexual, isto pode trazer conseqüências negativas para a vida delas. Ou nós começamos a refletir sobre a vida sexual como algo positivo, na qual nós precisamos de fato olhar para ela com carinho e estimular os nossos filhos a buscarem consultas médicas, e usarem os métodos contraceptivos ou o que nós vamos ter aí é uma dificuldade que vai além das possibilidades do Instituto Kaplan. Nós vamos até um ponto, mas agora, nós precisamos da ajuda das famílias, de toda a comunidade, para que a gente perceba que hoje em dia não dá mais para as meninas largarem a escola por causa de uma gravidez na adolescência.

Saiba mais:
INSTITUTO KAPLAN – www.kaplan.org.br

*Material elaborado e encaminhado ao blog pela jornalista Vera Moreira, usando como fonte Maria Helena Vilela, diretora do Instituto Kaplan. A publicação no blog é mediante autorização, desde que respeitados a citação dos créditos e a integridade do texto.

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Leia mais textos de Maria Helena Vilela no blog:
>>Artigo: *É possível evitar gravidez na adolescência (publicado em 26/09/2009)
>>Um papo sobre sexualidade, menarca e dúvidas na “gineco” (publicado em 02/02/2010)
>>Artigo: Verdades e mitos sobre a homossexualidade (publicado em 06/06/2010)

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Evento sobre pesquisa, ativismo e políticas LGBT em Salvador

Neste domingo, enquanto a Parada Gay bomba no centro de Salvador reunindo homo e heterossexuais que defendem a cidadania e o direito a livre expressão da diversidade sexual (veja fotos aqui), aproveito para anunciar um evento nacional que a capital baiana vai sediar esta semana, sobre pesquisa, ativismo e políticas LGBT.

A partir da próxima quarta, dia 15, até a sexta, 17, a Saladearte Cinema do Museu, no Corredor da Vitória, vai sedir o Stonewall 40 + o que no Brasil?, promovido pelo Grupo Cultura e Sexualidade, da Universidade Federal da Bahia (CUS/CULT/UFBA). A atividade irá discutir e avaliar o movimento LGBT, os estudos acadêmicos sobre a temática e as políticas públicas e identitárias desenvolvidas no Brasil após o marco histórico que deu origem ao Dia Mundial do Orgulho LGBT, em 28 de junho de 1969. Nessa data, a comunidade homossexual que frequentava o bar nova-iorquino Stonewall se rebelou, pela primeira vez, contra a agressão gratuita e constante dos policiais.

Quem quiser participar do evento pode se inscrever até esta segunda-feira, 13, através do email extensaoihac@gmail.com. A programação completa está disponível no site: www.cult.ufba.br/cus.

O Stonewall 40 + o que no Brasil? reunirá pesquisadores e ativistas de diversos estados. Ao longo dos três dias do evento, os especialistas discutirão temas como os estudos e movimentos LGBT no Brasil pós-Stonewall, marcadores sociais da diferença (raça, gênero, classe, idade), direitos sobre o corpo e a saúde e desafios políticos atuais. O evento contará ainda com programação paralela que inclui bate-papo com pesquisadores e performances artísticas.

O Stonewall 40 + o que no Brasil? é patrocinado pelo Fundo de Cultura da Bahia, através do Edital LGBT da Fundação Pedro Calmon (Secult).

Aqui, um resumo da história do Stonewall, passado pela equipe de Leandro:

The Stonewall Inn – Na segunda metade da década de 60, o bar nova-iorquino The Stonewall Inn se consolidou como um espaço de homossociabilidade, sendo freqüentado por gays, lésbicas e travestis. Assim como outros clubes gays da época, o local era foco de constantes batidas policiais sob qualquer pretexto. Mas, na madrugada de 28 de junho de 1969, pela primeira vez, as pessoas presentes no bar se rebelaram contra a repressão do Estado. Foram quatro dias de conflito com a polícia que resultaram não somente em diversos manifestantes agredidos e presos, mas no surgimento de um marco para a luta por direitos LGBT em todo o mundo.

Quem promove o evento?

O Grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade – Ligado ao Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (CULT/UFBA) e coordenado pelo Prof. Dr. Leandro Colling, iniciou suas atividades em março de 2008. A partir de obras fundamentais do feminismo, da teoria Queer e dos Estudos Gays e Lésbicos, o grupo estuda questões de gênero, identidade e sexualidade. Desde setembro de 2008, tem pesquisa financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) sobre a representação dos personagens não-heterossexuais nas telenovelas da Rede Globo e no teatro baiano.

Serviço:

O quê: Stonewall 40 + o que no Brasil?

Onde: Saladearte Cinema do Museu (Museu Geológico da Bahia, 2105, Tel: 3338-2241)

Âncora do Marujo – Av. Carlos Gomes, 804, Centro. Tel: 3329-1833

La Bouche Creperia – Rua Dias D´Ávila, 25ª, Barra.

Bahia Café Aflitos – Largo dos Aflitos, s/nº – Mirante dos Aflitos Tel: 3329-0944

Quando: 15 a 17/09/2010

Quanto: Entrada gratuita na Saladearte, Bahia Café Aflitos e La Bouche Creperia. Os ingressos no bar Âncora do Marujo custam R$3.

Realização: Grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade (CUS)/UFBA

E-mail: stonewall40anos@gmail.com

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Artigo: Namoro virtual? É real?

Uma data como  a deste sábado, Dia dos Namorados, sensibiliza para a reflexão. Para ajudar que quer pensar no tema “os relacionamentos na contemporaneidade”, publico aqui no blog – com a devida autorização – o excelente artigo de Cristina Romualdo, psicóloga e integrante da equipe do Instituto Kaplan, entidade que atua em prol da capacitação de professores para tratar o tema sexualidade e também no atendimento aos jovens. De forma muito lúcida e didática, a autora analisa o comportamento sexual humano ao longo dos últimos 60 anos e traça paralelos entre os avanços tecnológicos e as mudanças nas formas de interação entre as pessoas. Texto mais que recomendado!

Namoro virtual? É real?

*Cristina Romualdo

Com a chegada do dia dos namorados é natural que temas envolvendo os relacionamentos afetivos venham à tona, seja entre as pessoas, comemorando tal data ou lamentando-se não ter motivo para comemorações; seja pela maior movimentação comercial que gera ou por sua ampla divulgação na mídia. Diante deste quadro, a proposta da equipe de profissionais do Instituto Kaplan é escrever uma série de artigos sobre a evolução dos relacionamentos nos últimos 30 anos.

Para tanto cabe uma breve contextualização histórica. A pós-modernidade marca uma fase de muitas mudanças ocorridas na sociedade a partir da década de 50, notadamente os avanços científicos e tecnológicos, produzindo-se cada vez mais e mais rápido, com o objetivo de facilitar a vida das pessoas.

Na era da informática, codifica-se e manipula-se o conhecimento e a informação, que invadem o cotidiano com uma infinidade de serviços a serem consumidos, descartando a necessidade do experimento físico. O que nos leva a lidar mais com dígitos e signos do que com coisas concretas.  Já parou para pensar que o dinheiro que você tem no banco não passa de números em seu extrato bancário?

Nasce, assim, a realidade virtual, nossa atual realidade social. Se nosso dia a dia muda, obviamente que nossa sexualidade também sofre mudanças. A medicina permitiu o sexo sem procriação e a procriação sem sexo, possibilitando à mulher o domínio sobre seu corpo, conferindo-lhe o direito ao prazer sem o ônus de uma gravidez não planejada e colocando-a em igualdade com o homem, ao torná-la livre para projetar seu próprio futuro.

Beleza Roubada, delicado filme sobre o primeiro amor

Na década de 80, o advento da AIDS nos leva a um novo olhar sobre a sexualidade. Incrementam-se pesquisas e estudos sobre o comportamento sexual, novos conceitos ganham popularidade: sexo seguro, vulnerabilidade, parceria de risco. A camisinha vira a grande protagonista das campanhas publicitárias. Revela-se a realidade do sexo com múltiplos parceiros e da estabilidade dos relacionamentos homossexuais.

Interessante observar que neste pequeno intervalo de 30 anos, da década de 60 para o final dos anos 80, se por um lado a mulher ganhou uma maior liberdade sexual com a contracepção, ao homem coube, em grande parte, a responsabilidade da prevenção, pois, até o momento, é o uso do preservativo masculino, a forma mais eficaz e acessível de se evitar a transmissão das DST (doenças sexualmente transmissíveis).

Neste contexto, a chegada dos anos 90 traz ao centro das atenções o papel sexual masculino. E mais uma vez se faz presente a tecnociência na manipulação da sexualidade humana. Pois agora o fantasma da impotência pode ser rapidamente afugentado com o uso da “pílula do prazer”. Se antes o homem deveria ser infalível, jamais admitir qualquer tipo de dificuldade, principalmente na esfera sexual, agora ele poderia falar de seus problemas e também buscar tratamento para os mesmos.

Nessa mesma década, em 1992, foi criado o SOSex – Serviço de Orientação Sexual,  uma das áreas de atuação do Instituto Kaplan, com o objetivo de atender pessoas que buscam esclarecimentos de questões sexuais, por meio de atendimento sigiloso e personalizado. Desde 2008 a orientação dada ao público tem sido feita através da internet, seja respondendo e-mails ou esclarecendo dúvidas através do MSN.

Em 2009 respondemos 943 e-mails e, pelo MSN, atendemos 1956 usuários, sendo que aproximadamente metade (46%) destes tinha idade inferior a 21 anos. Esse jovem público é, em sua maioria, formado por garotas (75%), e suas principais dúvidas estão relacionadas à gravidez e aos métodos contraceptivos, principalmente a pílula anticoncepcional.

Muitas vezes, nossos usuários, também pedem conselhos ou dicas para suas relações afetivas e/ou sexuais. Neste artigo, através da análise da fala de três usuários, sem qualquer identificação dos mesmos, pois garantimos o sigilo de quem nos consulta, vamos levantar alguns pontos que podem apontar para mudanças nos relacionamentos atuais ou, ao contrário, revelar que algumas atitudes persistem com o passar dos anos.

Denise está chamando, de 1995, é um filme que aborda relacionamentos virtuais. Numa época anterior à popularização da internet, do msn e das redes sociais, um grupo de amigos acompanha as vidas uns dos outros, sofrendo, alegrando-se e até começando e terminando namoros apenas pelo telefone, sem nunca interagir pessoalmente

“Estou namorando há algum tempo… e eu ainda não tive relações sexuais, e estou pensando em ter. Mas tenho um pouco de medo, em
relação à dor, queria saber se dói? algumas pessoas que falam que depois da primeira relação sexual, o corpo da mulher muda, (…)! queria saber se isso é realmente verdade”

Os sentimentos frente ao novo, a curiosidade e o medo fazem-se presente. Isso não mudou e talvez nunca mude na existência humana. A virgindade não é mais uma condição necessária, muitas meninas questionam quando e não se devem iniciar a vida sexual. Mas o que nos chama a atenção é que, apesar de todas as informações às quais os jovens têm acesso hoje em dia, há ainda dúvidas sobre temas básicos, como por exemplo, o que acontece com o próprio corpo. O que nos leva a pensar que falar sobre sexualidade é ainda algo muito difícil para as pessoas, principalmente entre pais e filhos.

“Olá, tenho 15 anos, bom não é bem uma pergunta, e sim um conselho…Tô numa situação estranha, a menina que eu gosto está namorando um rapaz só que isso pela internet (os dois nunca se viram), ela diz que gosta dele mais não sabe, ela ta meio confusa…Minha dúvida é: como posso fazer para tentar conquistá-la ?Devo chegar nela e me declarar pessoalmente ou por msn, ou sair com ela e arriscar um beijo ?”

O clássico romântico de 1980, A Lagoa Azul, conta a história de um jovem casal que descobre o amor e o sexo numa ilha deserta

Que belo exemplo de nossa realidade virtual! Nosso usuário gosta de uma garota concreta, que existe fisicamente. Mas, a mesma diz gostar de um rapaz virtual, cuja existência se dá via computador. E qual é a sua dúvida, ele permanece físico ou se torna virtual para conquistá-la! Namoro virtual? É real?

“Serviu em muito, para esclarecer minhas dúvidas, os artigos aqui do site. No entanto, ainda tem sido difícil para mim e meu namorado decidir o momento certo para ter a primeira transa. Conversamos muito sobre o assunto, (…) mas não sabemos exatamente o que estamos esperando. Talvez seja o medo, pela idade jovem demais para isso. Para mim, os principais obstáculos são meu corpo e o local para se ter a relação. Em nossas casas seria quase impossível… tudo isso é tão chato! Sinto-me mal porque temo, também, estar sendo levada pelos hormônios à flor da pele e desejar tanto ter esse momento com ele. Bom, termino mais com um pedido de conselho do que com uma pergunta. Como poderia resolver isso?”

Acho essa fala a mais emblemática dos tempos atuais, ela traz todos os conflitos que os jovens vivem no início de seu relacionamento sexual. O desejo é reconhecido e aceito naturalmente, o casal conversa sobre o mesmo, mas é o momento? E onde concretizá-lo? Ela sabe que não pode ser na casa dos pais, pois como na fala de tantas outras jovens atendidas em nosso serviço, ainda não há aceitação por parte destes. Ao contrário, muitas que já iniciaram vida sexual temem que suas mães descubram, sendo esse um dos motivos para não ir ao ginecologista, pois entendem que esta é uma forma de se exporem. Infelizmente, é aí que muitas não recebem uma orientação correta sobre os métodos contraceptivos, sobre seu corpo, sobre a primeira vez…

E aqui podemos entender o papel que a internet, ou a orientação sexual vem exercendo na atualidade. Se antes a jovem se calava em sua dúvida e esperava chegar o momento para ver o que acontecia, ou perguntava para uma amiga mais próxima, ou delegava ao parceiro a responsabilidade de lhe dar respostas, atualmente, busca a orientação de especialistas. E, sem dúvida, esperamos contribuir para que esses jovens tenham uma vida sexual mais segura, responsável, satisfatória e muito prazerosa!

*Cristina Romualdo é psicóloga, terapeuta e orientadora sexual do Instituto Kaplan: www.kaplan.org.br

**Texto encaminhado ao blog pela Vera Moreira Comunicação

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Artigo: Verdades e mitos sobre a homossexualidade

Conversa de Menina, em defesa da diversidade, coloca a colherzinha em um tema tabu: a homossexualidade. Frequentemente, discuto com amigos o porque do ser humano ter tanto interesse na sexualidade alheia, sua orientação, e as escolhas que faz na vida: se opta por assumir determinado comportamento, se o esconde, se fala ou não do assunto, com quem dorme ou deixa de dormir. Pessoalmente, creio que a sexualidade de cada um é tema de interesse próprio e privado. Mas, diante do preconceito dominante, algumas bandeiras precisam ser carregadas e estratégias de luta estabelecidas. Luta essa para que se conquiste o direito tanto à livre expressão pública quanto a manter o assunto na esfera do pessoal, se essa for a vontade de alguém. Luta para que uma pessoa não seja julgada por sua sexualidade, mas pelo caráter e postura ética na vida. Certa vez, motivada pelo comentário de um leitor do jornal onde trabalho, travei longo debate com um colega sobre se o correto é dizer “orientação” ou “opção” sexual. Minha resposta, na ocasião, acabou meio parecida com a opinião da Maria Helena Vilela, que preside o Instituto Kaplan, focado em educação e sexualidade. Orientação é o termo que define, enquanto opção é o que vai marcar a escolha do indivíduo em assumir ou não determinada orientação. No fim das contas, são termos complementares, que vêm sendo usados como sinônimos ou mesmo confundidos e reconfigurados para depreciar, ao invés de incentivar a compreensão e aceitação.

Neste domingo, dia 6, acontece a 14ª Parada do Orgulho LGBT, em São Paulo, manifestação pela diversidade sexual que é considerada a segunda no mundo em tamanho e importância. Motivada pela data, Maria Helena Vilela escreveu um artigo sensível e, em certa medida, didático, desconstruindo alguns mitos sobre a homossexualidade. A linguagem educativa tem razão de ser: o Instituto Kaplan trabalha há 18 anos com capacitação técnica de professores para abordar a educação sexual nas escolas, mas também direciona seu foco ao público jovem. Aqui no blog, por exemplo, já publicamos um artigo da Maria Helena, sobre gravidez na adolescência, que é um dos nossos posts mais lidos.

Confiram o novo texto da pesquisadora:

*Verdades e mitos sobre a homossexualidade

**Maria Helena Vilela

Quando se trata de comportamento sexual, a lógica pode significar preconceito. A probabilidade de se fazer uma avaliação errada é muito alta. Cada pessoa é única e traz consigo histórias e circunstâncias de vida, das quais nem sempre é capaz de dar conta.

Dia 6 de junho, realiza-se em São Paulo a 14ª Parada do Orgulho LGBT. Um marco nos direitos civis. No trabalho de estudo da sexualidade humana, o Instituto Kaplan defende, no desenvolvimento de metodologia para capacitar professores e técnicos de saúde, a aplicação da educação sexual nas escolas e empresas, sem preconceitos, explicando os direitos sexuais de todos cidadãos.

É preciso deixar claro que a homossexualidade é o desejo de se vincular emocional e sexualmente com alguém do mesmo sexo. Ou seja: um outro jeito de ser, no que se refere à pessoa por quem se sente tesão. Apesar de ser um fenômeno aparentemente simples, ainda há muitas idéias erradas sobre ele. Até bem pouco tempo, a homossexualidade era considerada uma doença. Hoje já se sabe que não é.

Muitas teorias tentam explicá-la, mas ainda não existe um consenso. A mais aceita das teorias é aquela que fala sobre a combinação entre uma predisposição genética e fatores psicológicos (a forma como cada pessoa registra fatos, sentimentos e impressões) e sociais (o meio em que vive, a forma como a família lida com a valorização sexual e a cumplicidade entre os sexos).

O objetivo deste texto é esclarecer alguns tabus e preconceitos que existem sobre o tema. E existem muitos: homossexualidade seria uma escolha, ou resultado da falta ou do excesso de sensibilidade, ou ainda da frustração amorosa em relação às pessoas do sexo oposto. E ainda há os que pensem que a homossexualidade é uma doença mental, ou um desvio psicológico.

Os preconceitos:

1. Uma questão de escolha?!

Ninguém é capaz de escolher por quem sentirá tesão. Não conheço nenhum trabalho que traga o depoimento de um único homossexual que faria a escolha da homossexualidade, se pudesse, porque, mais que ninguém, o homossexual sente o peso da discriminação social. Do mesmo jeito que as pessoas não escolhem suas preferências entre loiros ou morenos, “sarados” ou barrigudos, sérios ou divertidos, elas também não conseguem determinar se o desejo é por alguém do mesmo sexo, do sexo oposto ou de ambos. Apenas realizar ou não o desejo afetivo-sexual, pôr em prática o relacionamento é que é uma questão de opção que pode ser feita ou não pelo indivíduo.

2. Uma questão de sensibilidade?!

Existe uma crença popular de que um homem sensível e delicado é homossexual. A sensibilidade é a capacidade de sentir e perceber o que está acontecendo a nossa volta e não tem nada a ver com a orientação sexual de uma pessoa. A garota pode ter um jeito mais grosseiro de lidar com as pessoas e nem por isso ser lésbica, ou o garoto ter certo trejeito e não ser gay. O papel sexual, ser masculino ou feminina, não tem nada a ver com a orientação sexual (a orientação do desejo). Muitos meninos agressivos e meninas delicadas podem ser homossexuais.

3. Frustração amorosa?!

Muitas pessoas acreditam que as lésbicas são mulheres que não conseguiram arranjar namorado, ou que sofreram algum trauma com homens. Esta explicação existe, porque é difícil para as pessoas heterossexuais imaginar que o prazer sexual feminino seja possível sem a presença do pênis. Quanto aos gays, muita gente acha que a homossexualidade é decorrente de uma experiência traumática nas primeiras relações sexuais com uma mulher. Os homossexuais não são heterossexuais frustrados! São pessoas, cujo desejo sexual está no outro, que é do seu mesmo sexo.

4. Homossexualidade é doença mental ou desvio psicológico?!

Nem uma coisa e nem outra! Durante muito tempo, a homossexualidade foi interpretada pela medicina como uma doença. Mas, na década de 70, todas as associações de profissionais de saúde mental, inclusive a OMS (Organização Mundial de Saúde) concluíram que não se tratava de uma doença mental ou de distúrbio psicológico. Portanto, não existe tratamento para uma pessoa “deixar de ser homossexual”. O que a medicina ou a psicologia podem fazer é prestar ajuda para que o homossexual aprenda a lidar com o seu jeito de ser, sexualmente diferente do que a sociedade deseja para ele, sem deixar que isto atinja as outras características pessoais. Ou seja, é possível ser homossexual e ser, ao mesmo tempo, um profissional competente, um filho amoroso, um amigo corajoso, um cidadão que conhece e respeita seus direitos e deveres, uma pessoa divertida, feliz e que pode e deve conquistar o respeito de todos.

Cena do filme O Segredo de Brokeback Montain, de Ang Lee

Mudar o rumo da História

Muitas pessoas não se conformam com a existência da homossexualidade, principalmente quando o homossexual é alguém próximo e querido. Todos querem saber o que podem fazer para conseguir ajudar alguém a “não ser homossexual”. Não existe esta possibilidade. Até o momento, ainda não foi cientificamente comprovado nenhum tipo de procedimento que faça de alguém homo, bi ou heterossexual. O que nós sabemos é que, na nossa sociedade, existem jeitos sexuais diferentes de ser. E o que se pode fazer é aprender a lidar com as diferenças. Diferença não é sinônimo de deficiência! É um outro jeito de ser humano.

A sexualidade se desenvolve em contextos diversos, a partir de experiências distintas. Portanto, é inútil se ter o desejo de que todas as pessoas correspondam ou se ajustem a um único modelo para ser sexualmente feliz.

*Material encaminhado ao blog pela jornalista Vera Moreira

**Maria Helena Vilela é diretora do Instituto Kaplanwww.kaplan.org.br

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Especial Semana da Mulher: Sexo frágil e a Aids

Em 2010 o Dia Internacional da Mulher é um pouco mais especial porque a data completa 100 anos de sua criação. Não vou comentar a importância deste dia para as lutas femininas, pois já escrevi sobre isso no ano passado, no post “Por que existe Dia Internacional da Mulher?”. E também porque acredito, sinceramente, que quem questiona essa data não tem ideia do que seja história, preservação da memória, herança cultural e muito menos o que significa ser mulher nos dias de hoje ou no passado, quando a opressão machista sobre as nossas avós era muito maior. Este ano, ao invés de filosofar, reuni alguns artigos que foram enviados ao blog por especialistas de áreas diversas, – todos com autorização para publicação – que refletem sobre saúde, mercado de trabalho e comportamento das mulheres. A partir deste domingo e até o final da Semana da Mulher, cada dia publicarei um dos textos, assim, teremos muito material para reflexão e talvez desta forma, não seja mais preciso questionar a existência do 8 de Março. Espero que gostem!

E para começar a série, abaixo publico o artigo assinado por Maria Helena Vilela, do Instituto Kaplan. Confiram:

Centenário do Dia Internacional da Mulher – Sexo frágil e a Aids

*Maria Helena Vilela

As mulheres lutaram por seus direitos sexuais, pelo direito de estudar, desenvolver uma carreira profissional e conquistar sua autonomia econômica e pessoal. Não era assim até a época de minha mãe! D. Lenita, mesmo sendo uma mulher muito estudiosa, foi impedida de realizar seu sonho profissional – ser médica – porque, em Maceió, onde ela morava, ainda não havia faculdade de medicina. Para poder estudar, ela teria que ir para Salvador, e isso nem pensar! A moça só podia sair de casa, se fosse para casar. Estudar, formar-se, ganhar dinheiro e fazer escolhas era coisa de homem. Mulher tinha que ser dependente, submissa, inocente, e confiar no homem acima de qualquer coisa.

Hoje, a garota pode decidir sobre a sua vida e realizar seus sonhos. O mundo mudou bastante e a nossa realidade é outra, muito distante daquela que D. Lenita viveu. Mas, quando a questão é amor e sexo, a menina volta no tempo, e ainda se comporta submissa aos desejos do namorado e dependente da iniciativa dele para decidir, literalmente, sobre a sua vida – usar ou não a camisinha. É isto que se pode deduzir do crescente aumento da Aids nas jovens e das pesquisas que mostram a dificuldade de a garota negociar o uso da camisinha por medo de perder o namorado ou por medo de ser julgada “galinha”. Há meninas que não usam preservativo em nome do amor pelo namorado, acreditando que “quem ama confia”. Tais comportamentos fazem da mulher o verdadeiro sexo frágil.

Fragilidade – A infecção pelo HIV se dá pelo contato direto com o sangue, o sêmen e as secreções vaginais, e isto pode acontecer no sexo oral, mas principalmente, na relação vaginal e no sexo anal. O ânus e a vagina são órgãos muito vascularizados, revestidos por um tecido delgado chamado de mucosa. Na relação sexual, especialmente durante a penetração, o pênis provoca atrito na vagina ou no ânus, mesmo que a garota esteja lubrificada. Este atrito, por sua vez, causa micro-fissuras (aberturas muito pequeninas) nas paredes das mucosas, aumentando o risco de que o HIV presente no esperma entre na corrente sangüínea.

Além disso, a mulher é mais vulnerável à Aids, porque a menstruação aumenta o risco de contaminação. Quando a mulher está menstruada, o útero fica completamente desprotegido e exposto ao HIV, por causa da descamação de sua parede, característica da menstruação. Fazer sexo menstruada é “entregar o ouro para o bandido”, pois o vírus atinge a corrente sangüínea sem precisar fazer esforço.

Como se não bastasse tudo isso, o canal vaginal é um órgão interno, o que dificulta à mulher perceber qualquer alteração na vagina. Muitas vezes, ela só descobre que tem uma infecção, ou mesmo uma DST,  se consultar um ginecologista, ou quando a doença já está bastante adiantada. Uma infecção agrava ainda mais a fragilidade da parede vaginal, aumentado a vulnerabilidade da mulher à Aids.

Meninas, fiquem espertas! Se existe sexo frágil, estes são o sexo anal e o vaginal, quando o assunto é Aids. Portanto, alguns cuidados são fundamentais:

– Usar camisinha em todas as relações sexuais;
– Fazer a higiene da vulva com água e sabonete, pelo menos uma vez por dia;
– Não ter relação sexual desprotegida, enquanto estiver menstruada;
– Consultar o ginecologista pelo menos uma vez no ano, mesmo que não esteja sentindo nada.

Meninas, sejam donas de seu corpo! Estejam atentas ao que seu corpo precisa e fiquem fora desta estatística da Aids. Quem se ama, se cuida!

*Maria Helena Vilela é diretora do Instituto Kaplan de Sexualidade Humana

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Homem de Palavra: nova sessão

Inauguramos nesta sexta-feira mais uma série no blog, trata-se da Homem de Palavra, espaço que destinaremos aos meninos, para que eles escrevam artigos e comentem fatos do universo feminino e da vida em sociedade. O olhar de homens e mulheres, não importando se heteros ou homossexuais, sobre a vida, é bem diferente, porque a forma de estar e relacionar-se no mundo varia muito de pessoa para pessoa, de cada cultura, da educação recebida, de cada sexo. A ideia é mostrar um pouco do pensamento dos rapazes para quem frequenta o nosso blog. Lógico que não iremos recusar textos enviados por meninas, mas elas não terão uma sessão específica, uma vez que o blog já é feminino, ou seja, originalmente, o espaço é nosso moças! Jornalistas ou não jornalistas, amigos, conhecidos, vizinhos e até você, querido leitor, podem enviar artigos para publicação em regime colaborativo. Os interessados em participar podem enviar os textos para o nosso email: conversademenina.blog@gmail.com, identificando “Para a série Homem de Palavra”, que iremos avaliar o material e dar um retorno sobre a publicação. O autor, que terá seu nome ou pseudônimo no topo do artigo, poderá ainda, se essa for a sua vontade, enviar uma foto para publicarmos junto com o texto.

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“Lobo Mau”: um crime contra a ingenuidade infantil

Roubar a ingenuidade das crianças deveria ser crime. Hediondo. Inafiançável e com pena máxima, sem direito à liberdade condicional ou qualquer outro benefício, como a progressão de regime, por exemplo. Eu não levanto a bandeira contra o pagode baiano. Respeito os estilos musicais e danço o que toca. Não tenho CDs, não é um ritmo que toca no som do meu carro, mas eu vou a um show tranquilamente. E me divirto. Não vejo qualquer problema com o fato de cada um se divertir da forma que gosta. O que eu repudio são alguma letras que, por exemplo, abusam da nossa inteligência, ou, pior ainda, “coisificam” as mulheres. E minha revolta desta vez é por causa de uma música que está estourada aqui na nossa terrinha, e que brinca com a personagem da Chapeuzinho Vermelho, infelizmente intitulada “Lobo Mau”.

Eu bem sei, como muitos de vocês, que a fábula original da Chapeuzinho Vermelho é muito diferente daquela versão que contamos às nossas crianças. Aliás, muitos dos contos de fadas não foram originariamente escritos para os pequeninos. Ao longo do tempo acabaram ganhando adaptações direcionadas a auxiliar no crescimento e desenvolvimento deles, com direito a lições de moral no fim. No livro “Os 7 pecados capitais nos contos de fadas: como os contos de fadas influenciam nossas vidas”, de Sheldon Cashdan, o autor esclarece que as edições primárias nasceram como “entretenimento para adultos… e eram contadas em reuniões sociais, nas salas de fiar, nos campos e em outros ambientes onde os adultos se reuniam”. Era inclusive muito comum encontrar temas como erotismo, voyerismo e estupro nas entrelinhas dos escritos.

Lembro bem de uma das versões da história da Chapeuzinho, a de Charles Perrault, em que a menina fazia um streaptease para o Lobo Mau, além de comer a carne e beber o sangue da avó morta pelo animal. No final, acaba ao lado do lobo na cama e é comida por ele. Então, não vamos falar de ingenuidade literária aqui. A questão é que nossos pequenos ouvem as histórias de outro modo. Os livrinhos cheios de cores e desenhos da Chapeuzinho mostram a eles que eles não devem desobedecer a mamãe. Chapeuzinho se depara com o lobo, porque não seguiu as instruções de sua mãe e seguiu para a casa da vovó pela floresta. E lá estava o lobo, de “butuca”, seguindo seus passos. Na versão infantil, um caçador tira a vovó da barriga do bicho e também salva a menina.

Quando ouvi a letra da música a que me referi no início do post, fiquei bastante incomodada. A letra, em minha opinião, tem um apelo sexual muito forte. Mas o que mais me choca é a incitação nua e crua à pedofilia. Na música, o Lobo Mau é personificado. Mas a Chapeuzinho continua uma menina. Muitos de vocês podem pensar que eu estou “viajando na maionese”, que minhas observações são exageradas. Aí cabe a cada um refletir e tirar suas próprias conclusões sobre a polêmica, e eu respeitarei todas elas. Mas acho um verdadeiro absurdo brincar com a ingenuidade das crianças desta forma. A dança é erótica, a música toca o tempo inteiro, e ainda que você tenha o maior cuidado com o que seu filho, sobrinho, etc ouve, não dá para manter tudo sob controle. Entre quatro paredes, e entre adultos, aí sim, pode até valer tudo. Mas um mínimo de pudor público é essencial.

A ingenuidade é a coisa mais bonita que pode existir em uma criança. E me preocupa o fato de tratarmos isso com descaso e negligência. Não importa se os contos surgiram em um contexto em que tentava-se controlar o comportamento humano, principalmente o feminino. O cerne do problema discorrido neste texto é outro. É impossível desconsiderar essa nova função incorporada pelos contos de fada, de encher de ludicidade e de imaginação a vida das crianças. Até que alguém tem a “brilhante” ideia de jogar todo esse processo de reconstrução literária no lixo, apenas para tentar ganhar fama a partir da exploração e do apelo sexual envolvendo o universo das fábulas.

No Carnaval de Salvador, a música já virou polêmica. A intenção era ter publicado este post antes. Mas acabou sendo bom o atraso, afinal pudemos acompanhar a atitude dos artistas. Nos blocos infantis, nem sinal da tal canção. Carla Perez, que puxa o Algodão Doce, anunciou para todos os cantos que não cantaria a música. Que bom! Eliana e Tio Paulinho, que animam o Happy, não tomaram partido da discussão, mas também não entoaram a letra de mau gosto no circuito da Barra. Quanto aos astros e estrelas do axé, Ivete Sangalo, uma das musas do ritmo baiano, fez questão de fazer ecoar o refrão pelas ruas. Logo ela, que tem um público infantil tão forte. Pior, que fez um CD para crianças e acabou de colocar no mundo uma delas. Fico pensando por onde anda a assessoria da moça, que não fez qualquer observação a respeito  do assunto. Ou será que fez? Lamentável.

Aqui, deixo meu apelo. Vamos cultivar a ingenuidade infantil. A vida adulta já nos arranca esta mesma ingenuidade a fórceps. Não deixem que façam isso com nossas crianças. A música não destrói apenas a imagem da Chapeuzinho Vermelho, destrói, aos poucos, os sonhos infantis.

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Uma conversa sobre Aids, Carnaval e juventude

Durante estes dias de cobertura carnavalesca pela mídia, ouve-se muito falar em Aids e fala-se muito da importância da camisinha, principalmente porque o Carnaval é uma festa que tem fama de mais permissiva. Toda a ênfase no beijar na boca, na “ficação”, no curtir o momento, todo o mito da máscara e do não saber como e com quem, é excitante, sem dúvida. Existe um fetiche na “festa da carne”, isso é inegável e a intenção aqui não é ser moralista. Sexo é bom sim, mas quando feito com consciência, ainda fica melhor. Quando digo consciência, quero enfatizar o conhecimento do próprio corpo, das próprias necessidades e também das necessidades da pessoa com quem compartilhamos esse momento, seja parceiro (a) fixo ou não.

Embora se divulgue mais a escalada da epidemia de Aids entre os brasileiros em datas especiais, perto do Carnaval ou no Dia Mundial dedicado a conscientização sobre a doença, por exemplo, os números não são fantasia e nem estratégia de marketing para comover. Eles refletem a condição de milhares de pessoas reais. Liberar a informação perto ou durante o Carnaval, acredito, tem intenção de aproveitar sim que as pessoas estão focadas no sexo, mas ainda assim, os fatos existem, a epidemia existe, continua a crescer silenciosamente e atinge uma faixa etária cada vez menor.

Segundo o último boletim que recebemos (via email) do Ministério da Saúde, na faixa etária de 13 a 19 anos, o número de casos de Aids é maior entre as mulheres.  Dos 20 aos 24 anos, a divisão por gênero é semelhante e atinge tanto eles quanto elas (independente da orientação sexual) em percentagens iguais. Já entre os homens jovens, ainda segundo o MS, há maior incidência de infecção nas relações homossexuais. Vê-se com isto que a Aids nunca foi uma doença restrita a um gênero ou opção sexual, mas é alarmante o fato de tanta gente jovem adquirir o vírus. É falta de campanha? Acredito que não é só isso. Ainda assim, este ano, o foco da campanha pró-camisinha do MS durante a folia de Momo tem como alvo os jovens.

Acredito que, além da necessidade de se divulgar com mais frequência os números e as estratégias de prevenção, existe também uma falta de consciência corporal, um excesso de fé no outro (principalmente daqueles que tem parceiro (a) fixo), uma grande subserviência das mulheres (que ainda não aprenderam a agir de igual para igual com seus parceiros na relação) e, diante de tantos jovens ainda em tenra idade contaminados, um desejo até meio mórbido de desafiar a morte e dizer: “comigo não acontece”. Só que pode acontecer. E, até o momento, ainda não inventaram método mais simples de prevenção do que a camisinha.

Outro dia, respondi um comentário de alguém que dizia não gostar de sexo com camisinha. Ela revelava que não conseguia sentir prazer com a camisinha, mas acredito que sentir ou não prazer em uma relação está além da camisinha, porque está além da penetração. Cada casal deve buscar nas suas preferências e práticas, fazer o joguinho de sedução, caprichar nas preliminares, descobrir outras zonas de excitação no corpo do parceiro (a), para não limitar o sexo só ao ato da penetração. Ser criativo na vida é fundamental e o sexo faz parte disso. Então, para mim, esse aumento do número de casos de Aids entre gente jovem demais, ou de HPV, ou de outras doenças sexualmente transmissíveis (e aqui vale lembrar que a Aids se transmite por outros meios que não apenas o sexo), tem um pouco também de relação com falta de maturidade para gerenciar uma vida sexualmente ativa.

Os jovens se iniciam no sexo mais cedo, mas não estão preparados para administrar a situação, negociar o uso do preservativo, ainda não possuem aquela consciência corporal que já falei acima, as meninas mais novas são ainda mais vulneráveis à vontade do parceiro, sobretudo nas relações heterossexuais, que é onde a carga machista da sociedade traz toda aquela ideia de que a iniciativa é deles e só deles e que elas devem se submeter, espera-se até que se submetam. Creio que tudo isto ocorre porque a adolescência (e são pessoas de 13 a 19 anos se contaminando), é uma idade de tantas incertezas em tantas áreas da vida, porque não seria neste fator, o sexo?

Os pais, a escola, a sociedade, todos precisam atentar para o fato de que existe um alerta (e não é dos números do Ministério da Saúde) quando tantos jovens se contaminam em tão grande proporção com o vírus da Aids. Existe um alerta que perpassa a educação recebida em casa, a educação recebida na escola, a falta de diálogo, a erotização precoce de crianças que sequer foram alfabetizadas ainda mas estão expostas a letras de música e programas na tv acima da sua capacidade de compreensão. É uma cruzada social impedir que tantas vidas precoces se comprometam com algo tão complexo quanto ser portador de HIV. Todos, de alguma forma, temos de contribuir!

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Confira a íntegra do Boletim do Ministério da Saúde divulgado em fevereiro:

*Epidemia de Aids atinge jovens entre 13 e 19 anos

Mariângela Simão, do Ministério da Saúde. Crédito da imagem: Agência Brasil

Os números mais recentes da Aids no Brasil mostram que a epidemia, na década de 2000, comporta-se de forma diferente entre os jovens. Na população geral, a maior parte dos casos está entre os homens e, entre eles, a principal forma de transmissão é a heterossexual.

Considerando somente a faixa etária dos 13 aos 24 anos, a realidade é outra. Na faixa etária de 13 a 19 anos, a maior parte dos registros da doença está entre as mulheres. Entre os jovens de 20 a 24 anos, os casos se dividem de forma equilibrada entre os dois gêneros. Para os homens dos 13 aos 24 anos, a principal forma de transmissão é a homossexual.

Diversos fatores explicam a maior vulnerabilidade dos jovens para a infecção pelo HIV. Entre as meninas, as relações desiguais de gênero e o não reconhecimento de seus direitos, incluindo a legitimidade do exercício da sexualidade, são algumas dessas razões.

No caso dos jovens gays, falar sobre a sexualidade é ainda mais difícil do que entre os heterossexuais. “Eles sofrem preconceito na escola e, muitas vezes, na família. Isso faz com que baixem a guarda na hora de se prevenir, o que os deixa mais vulneráveis ao HIV”, explica Mariângela Simão, diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.

Feminização – O aumento de casos de Aids entre as mulheres se deu em todas as faixas etárias. Em 1986, a razão era de 15 casos em homens para cada um caso em mulheres. A partir de 2002, a razão de sexo estabilizou-se em 15 casos em homens para cada 10 em mulheres. Na faixa etária de 13 a 19 anos, o número de casos de Aids é maior entre as mulheres jovens. A inversão apresenta-se desde 1998, com oito casos em meninos para cada 10 casos em meninas.

Entre 2000 e junho de 2009, foram registrados no Brasil 3.713 casos de Aids em meninas de 13 a 19 anos (60% do total), contra 2.448 em meninos. Na faixa etária seguinte (20 a 24 anos), há 13.083 (50%) de casos entre elas e 13.252 entre eles. No grupo com 25 anos e mais, há uma clara inversão – 174.070 (60%) do total  de 280.557 de casos são entre os homens.

A Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira, lançada pelo Ministério da Saúde em 2009, também ajuda a explicar a vulnerabilidade das jovens à infecção pelo HIV. De acordo com o estudo, 64,8% das entrevistadas entre 15 e 24 anos eram sexualmente ativas (haviam tido relações sexuais nos 12 meses anteriores à pesquisa). Dessas, apenas 33,6% usaram preservativos em todas as relações casuais, que são as que apresentam maior risco de infecção.

Nos homens, 69,7% dos entrevistados eram sexualmente ativos. Entre eles, porém, o uso da camisinha é maior: 57,4% afirmaram ter usado em todas as relações com parceiros ou parceiras casuais.

Homossexuais – Na faixa etária de 13 a 19 anos, entre os meninos, houve mais casos de Aids por transmissão homossexual (39,2%) do que heterossexual (22,2%), no ano de 2007. Essa tendência é diferente do que ocorre quando se observa todos os casos de Aids adquiridos por transmissão entre homens – 27,4% homossexual e 45,1% heterossexual.

Nas escolas – O carro-chefe das ações de prevenção à Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis é o programa Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE), uma iniciativa dos Ministérios da Saúde e da Educação. Criado em 2003, o SPE tem como objetivo central desenvolver estratégias para redução das vulnerabilidades de adolescentes e jovens. As ações se dão de forma articulada entre escolas e unidades básicas de saúde. Hoje, 50.214 escolas de todo o país participam do programa.

A iniciativa trabalha a inclusão, na educação de jovens das escolas públicas, dos temas saúde reprodutiva e sexual. O SPE reúne ações que envolvem a participação de adolescentes e jovens (de 13 a 24 anos), professores, diretores de escolas, pais dos alunos, e gestores municipais e estaduais de saúde e educação. É no âmbito deste programa que se disponibiliza preservativos nas escolas.

*Fonte: Assessoria de Comunicação do Ministério da Saúde – Brasília

Saiba mais:

Para ver material da campanha do MS durante o Carnaval, que este ano está focada nos adolescentes, visite: www.aids.gov.br.

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Um papo sobre sexualidade, menarca e dúvidas na “gineco”

A jornalista Vera Moreira enviou ao blog um pingue-pongue com oito perguntas mais frequentes que as mães fazem no consultório ginecológico, quando precisam levar as filhas pré-adolescentes à uma consulta pela primeira vez. Quem responde às dúvidas é a ginecologista e obstetra Denise Coimbra, que tem uma experiência de atendimento em consultório de mais de 20 anos. Segundo a especialista, junto com a primeira menstruação, ou menarca, de uma menina, é preciso refletir sobre a educação sexual que ela recebe, a saúde e os cuidados que ela precisará ter ao entrar na idade reprodutiva e que garantirão qualidade de vida até ela tornar-se avó. Geralmente, a primeira menstruação acontece entre os 10 e os 13 anos. Mas há casos de meninas que menstruam pela primeira vez antes ou depois desse período.

Confiram as perguntas dos pais e as respostas da Drª Denise:

1 – Como o corpo da criança indica que a menstruação está  próxima?

R= Antes da menarca (primeira menstruação) acontece a pubarca, o aparecimento e o engrossamento dos pelos em região pubiana, com distribuição triangular que recobre o Monte de Vênus. Em seguida acontece o desenvolvimento mamário com crescimento das mamas, muitas vezes com assimetria.

2 – Qual é a idade natural para começar a menstruar?

R= Entre 12 e 15 anos, mas hoje tem meninas que menstruam aos 9 anos.

3 – Ao menstruar, o que muda no corpo da menina?

R= Muda tudo! Alterações na distribuição de gordura para coxas e quadris, que dão o formato arrendondado, e o afinamento da cintura. É comum depois de alguns ciclos anovulatórios (sem ovulação) a menina apresentar um muco cervical, que faz apresentar umidade na calcinha no período ovulatório, que se confunde com um corrimento. E as modificações psicossociais, fazendo a menina ter atitudes mais delicadas e sensuais.

4 – Quais as conseqüências da menstruação precoce?

R = Menarca precoce pode atrasar o crescimento, além de gerar conflitos com o papel social da menina.

5- Em quais casos é recomendável retardar a menarca?

R = Se a estatura não está adequada, respeitando o padrão genético dos pais, ou se ela ocorrer muito precocemente entre 5 e 9 anos.

6 – Como é feito o retardamento da menstruação?

R = Com o uso de hormônios para bloquear a ação da hipófise sobre os ovários por meio de medicação oral ou implantes subcutâneos.

7- Por que as meninas estão menstruando mais cedo?

R = A poluição e os agrotóxicos devem ter uma interferência direta nesta mudança de idade para a precocidade da menarca.

8 = Como devo deve proceder se estou preocupada com a menarca da minha filha?

R = É importante saber das mulheres da família (irmãs, tias e mãe) qual foi a idade da menarca. Não tenha preocupação se acontecer entre os 12 e 15 anos, mas a mãe deve se preocupar se: o histórico familiar apontar antecipação para 10 anos, vendo também a estatura e o desenvolvimento de caracteres secundários; bem como a menarca tardia, depois dos 16 anos. Nesses casos, deve-se procurar um ginecologista para orientação e investigação, necessitando muitas vezes de um cariótipo por causa de mosaicismo (alteração cromossômica) em algumas síndromes.

Saiba mais:

Denise Coimbra, além de ginecologista e obstetra, é especialista em fertilidade humana. Ela mantém um site com informações importantes sobre adolescência, menopausa, hpv, saúde reprodutiva e com reportagens em texto e video. Há ainda uma sessão para contato com a especialista. Para conferir: www.dradenisecoimbra.com.br

Em tempo – Quem se interessa pelo tema sexualidade na infância, como pais e educadores devem lidar com a questão, o instituto Kaplan – publicamos aqui no blog um excelente artigo da entidade sobre gravidez na adolescência -, está promovendo o curso “Sexo também é coisa de criança”, nos dias 23 e 24 de abril, em São Paulo.

O curso tem carga horária de 16 horas, apostilas e material lúdico-educativo. Os temas abordados serão: Sexualidade e suas funções; Educação sexual e cidadania; O papel do educador no desenvolvimento da criança; a construção da sexualidade na infância; a preparação da criança para a puberdade; Sexualidade e prevenção e um módulo com propostas de ações em educação sexual na infância.

Interessados em se inscrever devem entrar em contato pelo telefone (11) 5092-5854 ou email: vendas@kaplan.org.br

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