Cronicamente (In)viável: Parem ‘1984’ que eu quero descer…

‘1984’ já foi levado ao cinema duas vezes, por Michael Anderson, em 1956, e por Michael Radford, em 1984. A imagem é da versão dos anos 1980 e mostra o ator John Hurt, que vive Winston, o protagonista da história

O mundo respira ares de Idade Média e o obscurantismo domina o que antes era busca por conhecimento. No Brasil, nas universidades federais, bolsas de pesquisa são cortadas porque a prioridade do atual governo não é a educação, o avanço da ciência ou o estímulo ao pensamento crítico e criativo que fazem as sociedades evoluírem. Cortes na educação infantil tiram, literalmente, a merenda da boca de estudantes pobres. Crianças que, muitas vezes, tinham a refeição da escola como a única do dia. As ciências humanas são execradas, como se a matemática, a física e a química não tivessem também suas origens na capacidade humana de questionar, investigar e experimentar.

Nesse mundo medieval do século XXI, livros didáticos devem ser reescritos porque a história é a mãe da memória e a memória é o impulso que nos torna humanos, críticos, questionadores e capazes de fazer escolhas sensatas. Então, para nos apagar enquanto indivíduos e assim minar as somas que fortalecem as comunidades e suas justas lutas por reconhecimento e respeito, é preciso agir como o ‘Ministério da Verdade’ criado por George Orwell no livro ‘1984’, e distorcer os fatos, fazer a mentira mais deslavada e sem lógica vestir o manto da verdade, que nua, busca abrigo na voz dos poucos humanos de bom senso que ainda restam.

Esse povo que atualmente nos governa detesta o conhecimento, acha inteligência algum tipo de doença e intelectuais seres altamente perigosos e ofensivos. Tanto que preferem dar ouvidos a criaturas perversas que usam o dom da palavra para alienar e não para educar. Gente que prefere jogar as discussões mais sérias no ringue rasteiro dos xingamentos gratuitos, criando polêmicas esdrúxulas que só afundam o país numa lama podre. E há quem aplauda esse circo e coloque caminhões de lenha nessa fogueira.

Gente mesquinha, preconceituosa e tacanha que dissemina na internet boatos infundados sobre vacinas, ressuscita equívocos há muito esclarecidos sobre o formato do planeta e sobre a evolução das espécies, desmerecendo milênios de estudos, pesquisas, observações e esforço intelectual. Porque tudo o que a humanidade é, deve aos indivíduos que, geração após geração, não aceitaram apenas o que seus olhos mostravam e foram em busca de entender as origens e os porquês da vida.

Essas criaturas abissais dessa idade das trevas em que, infelizmente, fomos jogados pelo desvario e os preconceitos de milhões de brasileiros que transformaram seus títulos de eleitor em pistolas calibre .44, servem de ‘gurus’ do apocalipse, perdidos em delírios, seitas e visões do inferno alimentadas por uma pudicícia forjada em desejos recalcados e muita hipocrisia. São seres malignos, que sofrem de deformidades da alma que mil encarnações ainda são poucas para reabilitar.

Nesse mundo de 2019 que parece saído de uma ficção científica distópica, teorias da conspiração substituem o que antes era fato histórico ou constatação científica. Pais e mães desinformados por grupos mal-intencionados de Whatsapp, incapazes de refletir e enxergar para além de suas bolhas, arriscam as vidas de suas crianças e epidemias antes praticamente extintas, renascem com o poder de mutação de vírus cada vez mais letais. Enquanto isso, médicos sanitaristas, cientistas e pesquisadores têm seus alertas desacreditados por correntes de grupos que reúnem desesperados e também os perversos que só querem criar o caos e assistir a miséria se espalhando.

Com os humanos regredindo na mesma proporção em que consomem as últimas reservas do planeta, a religião, nas suas formas mais preconceituosas, ditam muito ódio ao invés de pregar o amor, o respeito e a tolerância que, em tese, deveriam inspirar quem tanto apregoa estar imbuído de fé. Em nome de Deus não só se mata, como também e, principalmente, se aliena os indivíduos.

Por que 1984?

O livro de George Orwell é de 1949. O escritor criou uma fábula ambientada no distante futuro de 1984 (em comparação a 1949), quando os seres humanos viveriam em uma ditadura global, comandada pelo Grande Irmão (Big Brother), sem liberdades individuais ou direitos civis. O livro começa com o mundo dividido unicamente em três super países que se agruparam após uma guerra catastrófica. Esses super países ora brigam entre si, ora se aliam na proporção de dois contra um, ora se fundem como um único império. A inspiração de Orwell é o contexto da Europa após a II Guerra Mundial. Antes do conflito, porém, a Europa foi varrida por uma onda de ultranacionalismo, conservadorismo e autoritarismo. Nos últimos anos, a onda nazi-fascista vem se erguendo de novo e não só no ‘Velho Mundo’.

>>Leia resenha comparativa entre 1984 e Admirável Mundo Novo

Tenho me sentido dentro das páginas de ‘1984’ cada vez que abro o noticiário do dia e não paro de comparar a história do livro com a realidade atual do Brasil e do mundo. Às vezes, as semelhanças são tantas que até assustam.

No Ministério da Verdade, funcionários treinados para obedecer sem questionar são encarregados de reescrever a história do mundo de acordo com as conveniências de quem exerce o poder no momento ou de acordo com os jogos de guerra dos três super países da história. Se a gente pensa nas redes sociais de agora e no compartilhamento de notícias falsas, ou seja, de mentiras vestidas de notícia, e na forma ignorante como as pessoas afirmam essas mentiras como se elas fossem a mais cristalina verdade, a sensação é de que o planeta virou uma das seções do ministério de Orwell.

Em ‘1984’ também somos apresentados ao Ministério do Amor, que existe para torturar física e psicologicamente os indivíduos que não se ajustam ao comando do Grande Irmão. O Ministério do Amor usa a força bruta, quebra o corpo para quebrar o espírito, tal qual a polícia ou as milícias de agora. Cada vez que vejo comentários nas redes sociais de gente pedindo pena de morte ou desejando ter porte de arma, também sinto como se os torturadores desse ministério tivessem escapado das páginas do livro.

Para exercer o controle social dos cidadãos em ‘1984’ há a vigilância das teletelas, aparelhos instalados nas casas que se assemelham a uma televisão e que, além de só passar a programação permitida pelo Grande Irmão, também filma o dia a dia das pessoas e envia os dados para o alto comando. Não existe privacidade no mundo futurista imaginado por George Orwell. Também não existe mais privacidade com a inteligência artificial em smartphones e eletrodomésticos. E a tendência é piorar, até porque, toda uma geração nasceu com as redes sociais borrando as fronteiras entre vida pública e privada.

Mas, o que mais aproxima ‘1984’ do contexto político e social do Brasil e do mundo atual, para mim, é o ‘Dia do Ódio’, um evento que o Grande Irmão promove para que os cidadãos subjugados, humilhados, frustrados e vigiados possam exercitar a violência em sua forma mais primária e brutal. Nesse dia, as pessoas são estimuladas a gritar e dizer ofensas impublicáveis e a machucar umas às outras sem culpa. Mas, obviamente, elas não se voltam contra o Grande Irmão, mas contra vizinhos e contra, claro, o inimigo oculto, o outro, o estrangeiro representado no livro pelos moradores dos outros dois super países.

A crise migratória global e toda a raiva e xenofobia que levam, por exemplo, a atentados como os ocorridos este ano na Nova Zelândia ou no Sri Lanka dão uma ideia do que seria ‘O Dia do Ódio’ da vida real. Os xingamentos e o desprezo, que muitas vezes culmina também em agressão física, de moradores do sul e do sudeste do Brasil contra nortistas e nordestinos também ilustra bem o quanto um governo que legitima o preconceito se assemelha com o Grande Irmão do livro.

E o que fazer para sair desse looping?

O final de ‘1984’ é trágico e pessimista como reza a cartilha das distopias que George Orwell e outros autores anteriores, contemporâneos e que vieram depois dele ajudaram a consolidar e que Black Mirror apresentou à geração Z. Mas, em 2019, resistir é o único recurso para sobreviver à onda de obscurantismo e conservadorismo que ameaça afogar o mundo. E resistir significa muitas coisas, desde ir para a rua protestar até ler e analisar criticamente as informações que chegam. Mesmo com os seres abissais que por agora governam o Brasil querendo nos tirar o direito à educação, é preciso apostar no conhecimento como a única arma que realmente pode nos salvar das trevas.

*Publicado originalmente em mardehistorias.wordpress.com

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De volta à sala de aula

11Hoje o post é um pouquinho diferente, vou contar da minha volta à sala de aula, após seis anos distante. Quem é novo aqui no blog não deve saber que alguns anos depois de concluir o curso de jornalismo da Ufba, voltei à faculdade para cursar direito. Formei em direito em 2010, e desde lá que não volto à sala de aula. Não faltou vontade, sempre quis voltar, mas várias coisas aconteceram e esse plano foi adiado por tempo indeterminado.

Isso até o ano passado, quando tive acesso a um edital de seleção da Escola de Direito da Ufba, para integrar o grupo de pesquisa com tema “A Construção Constitucional do Conceito de Família”. O tema me interessou muito, a equipe de orientadores idem (Pablo Stolze, Salomão Viana e Gabriel Marques) e decidi me inscrever. O resultado saiu alguns meses depois, eu já estava desanimada achando que não tinha passado.

Mas passei! Fiquei feliz da vida com o novo desafio. E lá fui eu para minha primeira aula. Gente, como tudo evoluiu em seis anos!!! Entrei na sala e me deparei com os alunos carregando 111computadores ou Ipads… E eu carregando meu caderninho e caneta azul BIC! A esmagadora maioria com carinha de 20 anos, e eu me sentindo a tia da turma. Foi meio engraçado esse primeiro impacto.

Até que as discussões começam, as opiniões começam a aflorar e tudo isso fica pra trás num instantinho. É muito bom estudar, se aperfeiçoar, aprimorar o conhecimento. Minhas aulas acontecem um dia por mês, uma rotina bem menos cansativa que na faculdade, mas a quantidade de leitura é imensa. Já tenho alguns desafios e vou precisar escrever um artigo até o final do ano. Estou bastante animada!

É isso, meus amores, queria compartilhar esta novidade com vocês, especialmente para incentivá-los a nunca desistirem de seus sonhos. Persista, e eles se realizarão!

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Uma homenagem pelo “Dia do Professor”

Por Carolina Carvalho

Taí um dia que deve ser muito comemorado, 15 de outubro – Dia do Professor. Esse profissional que é tão esquecido na nossa sociedade, que desvaloriza a educação e a cultura. Esse profissional que ajuda pais a construirem um futuro mais digno e honesto para suas crianças. Essa pessoa que se prepara para preparar adultos, que se educa para educar. Os professores merecem todo o nosso respeito e adimiração.

Para quem não conhece a história, o 15 de outubro foi inicialmente a consagração à educadora Santa Teresa de Ávila – religiosa espanhola que ficou famosa pela reforma que realizou no Carmelo, uma ordem religiosa católica. No Brasil, o Imperador Pedro I aproveitou o 15 de outubro de 1827 para baixar o Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar, mas somente em 1947 a data passou a ser realmente comemorada como Dia do Professor.

Nos dias atuais, a comemoração acontece de forma insipiente nas escolas de todo o país. Isso mesmo, de forma quase simplória, principalmente quando comparada ao Dia das Crianças, uma das principais datas do calendário comercial brasileiro. Calendário comercial porque (me parece) as coisas hoje só possuem alguma importância quando alguém está lucrando. Em outras palavras, o dia das crianças é considerado importante, porque o mercado de brinquedos e entretenimento se movimenta de forma extraordinária, em contrapartida, o dia dos professores passa praticamente em branco, porque ninguém mais compra presentes para os professores.

Eu vou aproveitar esse espaço para agradecer aos educadores de plantão, que tanto ajudaram e ajudam na educação das minhas pequenas. A Fabiana Dantas, pedagoga fundadora da Engenhoca (www.engenhoca.com), o meu muito obrigada. É bacana saber que existe em Salvador um espaço para acolhimento das crianças nos primeiros passos de socialização. A Engenhoca é uma iniciativa real, lúdica e segura para quem busca confiança, espaço para expressão e convivência infantil. E vai além, oferece orientação de babás, acompanhamento psicopedagógico, eventos recreativos. Em resumo, educação e animação para a garotada.

Meu agradecimento às escolas Lua Nova e Tempo de Crescer, que se mostraram, cada uma a seu modo, opções seguras para a educação formal e informal. Que acolheram tão bem minha menina. Ao Colégio Antônio Vieira, que esse ano completa 100 anos de tradição em educação de qualidade. Foi lá o “forninho” onde fui moldada. Olho para trás com saudades e com um grande respeito pelos grandes orientadores e professores que tive por lá.

Aproveite você também para agradecer a todos os seus professores pelo trabalho, carinho e dedicação.

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Trânsito: não seja o mais esperto, seja o mais educado

Normalmente dirigimos exclusivamente para chegar ao destino. No trajeto, vamos pensando na vida, ouvindo música, conversando com o carona ao lado. Nos estressamos, xingamos o motorista vizinho, buzinamos para sinalizar o descontentamento com o vacilo de um outro motorista. E assim a gente segue em frente, pensando em tudo no trânsito, menos na rotina de tráfego. Reclamando de todos, mas sem melhorar a nossa própria postura no trânsito.

Não podemos generalizar, essa é a regra. No entanto, observando o trânsito nos últimos dias tenho percebido que são raras as exceções. Todo mundo quer ser o mais esperto no trânsito. Além disso, cada um se acha com mais direito, com mais pressa que o outro. É uma situação em que o egoísmo e individualismo mostram todas as suas faces mais cruéis. E sem pena. Ando frustrada com essa situação toda, diria até triste e decepcionada de ver o quão mal educados somos enquanto motoristas.

As situações são variadas. Posso exemplificar, e quem mora em Salvador vai entender. Faço com uma certa constância o percurso da Avenida Tancredo Neves para o Caminho das Árvores, passando pela Magalhães Neto e entrando na via que dá acesso ao Hospital da Bahia. Em um determinado momento, a via única se transforma em dupla: uma para quem vai seguir em frente de volta à Av. Tancredo Neves, e outra para quem quer virar à esquerda, rumo ao Hiper Bompreço.

A situação é essa. São duas sinaleiras, cada uma para quem quer tomar um rumo. Os carros fazem uma fila, aguardando a sinaleira que permite entrar à esquerda abrir. Como a via é estreita, a fila às vezes cresce ao ponto de nem todos os carros conseguirem passar antes de a sinaleira fechar novamente. E aí, os “espertinhos” entram em ação. O sinal abre, os que estão lá atrás da fila começam a cortar a via, tomando o caminho de quem seguiria reto, para lá na frente cortar os veículos e entrar à esquerda.

É tanta falta de educação, que fico pensando. Discutimos tanto sobre a educação formal, sobre o problema das nossas escolas. E temos um outro problema educacional, tão grave quanto. A educação doméstica, aquela que não se aprende apenas na escola, mas que se aprende na vida. A educação que é fundamental para conseguirmos viver em sociedade. A educação que gera a gentileza e a compreensão. Essa faz falta inclusive aos mestres, doutores e pós-graduados vida afora.

Outro caso típico acontece na Rua Djalma Dutra. A saída da rua dá duas opções ao motorista: seguir em frente, pela Sete Portas, sentido Aquidabã, ou virar à direita, no sentido Dois Leões. Para quem quer seguir em frente, há uma sinaleira. Mas para quem quer virar à direita, a mão é livre. Novamente os espertinhos enchem os olhos. Apressados e irritados com a fila que se faz para aguardar a sinaleira, eles se sentem no direito de invadir a via da direita e engarrafar a vida de quem não precisaria esperar pelo sinal.

Estes são apenas dois dos inúmeros casos que vivencio diariamente. E a falta de educação não é apenas de um motorista em relação ao outro. Acontece de forma muito mais agressiva com relação ao pedestre. Quantas vezes vejo um motorista acelerar o carro ao perceber que um pedestre tenta atravessar uma via, obrigando a pessoa a correr, acelerar ainda mais o passo. Para que? Muito mais educado é diminuir a velocidade, respeitar o pedestre, que é o lado infinitamente mais vulnerável da relação.

Faixa de pedestres, então, serve para que em Salvador mesmo? É preferencial do pedestre, será que é tão difícil compreender isso e respeitar? Poderíamos ter uma vida muito menos estressante no trânsito se todos sempre tentassem se colocar no lugar do outro. Se você não quer que cortem a fila na frente do seu carro, não faça o mesmo com o outro. Se você quer conseguir atravessar uma rua sem riscos, pense nisso ao visualizar um pedestre tentando enfrentar a loucura do tráfego para chegar ao outro lado.

Os órgãos de fiscalização também não ajudam. Lembro bem do caso da Baixa de Quintas, um bairro que concentra uma grande quantidade de lojas de peças de veículos, mas não possui estacionamento apropriado. Os motoristas fazem o que querem ali. Quando todas as vagas à frente das lojas estão ocupadas, eles param no meio da rua, do jeito que bem entendem, engarrafando tudo. E isso acontece diariamente, aos olhos dos fiscais. E ninguém faz nada. Um dia após o outro, a situação é exatamente a mesma.

A mudança de comportamento não é algo difícil. Basta a conscientização. Ela é fundamental. A vida é tão corrida, já temos tantos problemas, tantos leões para enfrentar diariamente, para que procurarmos mais um motivo de estresse? O que acontece é que estas atitudes acabam irritando no trânsito. Não precisamos ser os mais espertos. Precisamos ser os mais educados. Não basta ir à escola, fazer uma universidade, se especializar. É preciso ser educado na vida, educado nas relações sociais.

Se você teve a curiosidade de ler este texto até aqui, peço, de coração, que leve estas palavras para o seu comportamento no trânsito. Que se esforce para tentar conscientizar os mais próximos sobre a importância de ser educado e gentil. Não sou de levantar bandeiras, mas abraço qualquer causa que objetive a melhoria e a evolução das relações pessoais. E essa é uma delas.

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Bel Borba assina ecobags da ong Anjos do Mar

O artista plástico Bel Borba assina as ilustrações das ecobags (ou sacolas retornáveis para compras) produzidas e vendidas pela ONG Anjos do Mar. Trata-se de uma forma de captar recursos para os projetos de qualificação profissional de adultos e educação de jovens e crianças mantidos pela entidade. Além das ecobags, a Anjos do Mar também produz e vende panos de prato confeccionados pelas alunas e instrutoras dos cursos de artesanato, customizados com a marca da ONG; e temperos e condimentos especiais, produzidos pela diretora e gourmet Vera Bittencourt.  A Anjos do Mar nasceu voltada para a educação ambiental, de olho na preservação da Baía de Todos os Santos, a maior do país, com cerca de mil quilômetros quadrados, e na atração do turismo consciente.

Cursos gratuitos – Para as crianças e adolescentes com idades entre 10 e 16 anos, a ONG oferece o Projeto Corpo e Mente, com aulas gratuitas de inglês e esportes – natação, remo, karatê e futebol. Cerca de 100 crianças são atendidas pelo projeto, atualmente. Para os adultos, a Anjos do Mar oferece cursos de qualificação de turismo e hotelaria, inglês, massoterapia e depilação. Há também o atendimento psicológico para as mulheres do projeto “Não Provoque”, que passaram por uma separação recente e precisam reconstruir suas vidas do ponto de vista emocional e, muitas vezes, financeiro; e para as crianças do projeto “Corpo e Mente”.

Serviço:

Ong Anjos do Mar

Endereço: Rua Polydoro Bittencourt, 02, transversal da Avenida Luiz Tarquínio, Boa Viagem (no prédio da antiga fábrica da Souza Cruz).

Telefones: (71) 3019-3963 / 3019-3885 / 9618-2919

Email: diretoria@anjosdomar.net

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Revisando a polêmica sobre livro do MEC

Demorei a tocar no assunto para ter tempo suficiente de formatar minha posição, e como nunca é tarde para se discutir educação, decidi trazer o tema e abrir a discussão aqui no blog. A motivação deste post foi a recente polêmica envolvendo o livro didático de português “Por uma Vida Melhor”, adotado este ano pelo Ministério de Educação e Cultura (MEC) em mais de quatro mil escolas públicas em todo o Brasil.

Li bastante a respeito do tema. Imprimi um capítulo do livro, inclusive, para analisar cuidadosamente a forma como a autora organiza suas colocações e ensina a língua portuguesa, antes de vir aqui abrir a discussão e expor minha opinião. E para começar, vou contextualizar, colocando logo abaixo uma das partes consideradas polêmicas no livro e alvo de grande comoção da mídia:

Você pode estar se perguntando: “Mas eu posso falar ‘os livro’?” Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico. Muita gente diz o que se deve e o que não se deve falar e escrever, tomando as regras estabelecidas para a norma culta como padrão de correção de todas as formas linguísticas. O falante, portanto, tem de ser capaz de usar a variante adequada da língua para cada ocasião“.

A primeira pergunta a se fazer é: “A autora está falando alguma inverdade?” Não, de fato ela não está. Mas a meu ver o problema é outro. Eu entendo que é fundamental desenvolvermos uma compreensão crítica referente às diferentes formas linguísticas. Precisamos mesmo conseguir visualizar que a comunicação pode funcionar ainda que não estejamos nos expressando por meio da norma culta.

No entanto, também é indispensável conseguir entender que tudo tem o seu tempo, inclusive quando estamos tratando da educação. Para que possamos começar a discutir formas de expressão linguística, entendo eu, precisamos, primeiramente, dominar a norma culta. O cerne da questão é que temos um problema sério na educação brasileira e, antes de polemizar, precisamos resolver este problema.

Não estou aqui para discutir Paulo Freire ou as teorias acerca da educação. Meu objetivo é simplesmente expor o que penso sobre o assunto e abrir espaço para que vocês entrem no debate e se posicionem. Primeiramente, entendo que a criança, inicialmente, precisa de limites e de regras. Antes de levantar qualquer questionamento sobre formas linguísticas, a criança precisa aprender a norma culta.

Não acredito que crianças e adolescentes tenham maturidade suficiente para discutir preconceito linguístico. Até porque, as bancas que corrigem redação do Enem, do vestibular ou de qualquer concurso público, por exemplo, não vão considerar o argumento do preconceito linguístico para aumentar a nota de aluno algum. Também se quiserem prestar um exame em outro país de língua portuguesa, tampouco este argumento será viável.

A meu ver, esta é uma discussão que precisa existir, mas em um outro momento. Em uma fase posterior, em que o indivíduo já tenha consciência da importância de dominar a sua língua. A partir daí, sim, ele poderá desenvolver uma consciência crítica sobre linguística e formas de expressão, sem, entretanto, cair na perigosa armadilha de confiar no argumento do preconceito linguístico.

Eu não sou contra que um livro sobre a língua seja abrangente a ponto de incluir discussões tão relevantes sobre as variedades linguísticas e formas de comunicação. O que eu repudio é que isto seja ensinado às crianças antes mesmo de elas terem o domínio da norma culta. Acredito que a fase da infância e adolescência é fundamental para a formação. Neste momento, ela precisa ter a base. Ela precisa conhecer a norma.

Hoje, os brasileiros mal sabem falar, mal sabem escrever. Concordância, regência e crase, por exemplo, viraram bicho-papão. Difícil hoje em dia ler um texto inteiro sem que identifiquemos um erro de português pelo menos. E precisamos, sim, de um parâmetro, que é a norma culta. E, ao meu ver, precisamos dominá-la antes de levantarmos qualquer bandeira.

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Crianças e fashionismo: Um papo sobre a noção de limites

*Texto e reflexões de Andreia Santana

Já era para ter escrito esse post, mas o tempo nem sempre favorece a vida de blogagem. O tema porém, é daqueles que sempre vale a pena meter a colherzinha e, recentemente, dois bons “ganchos”, como se diz no jargão jornalístico, me fizeram pensar bastante sobre a relação das crianças com o universo da moda e a noção de limites que os adultos precisam estabelecer para evitar distorções na educação da meninada, principalmente das meninas.

Duas amigas acabaram favorecendo minha “filosofagem” sobre o assunto. Uma delas me enviou link do site do Estadão, com reportagem sobre as “mini socialites fashionistas” e uma outra, com a frase “para você, que milita na causa” (referindo-se ao meu interesse por educação infantil, embora eu não seja educadora, apenas mãe), me trouxe um exemplar da Folha de São Paulo do último dia 07 de abril, com reportagem sobre marcas de lingerie que estão fabricando sutiãs com enchimento para meninas de seis anos!

Na primeira reportagem, do Estadão, sobre as fashion kids, o leitor é apresentado a um grupo de meninas na faixa dos cinco aos dez anos, junto com suas respectivas mães. O texto mostra como essas meninas, devidamente estimuladas pelas mães, frequentam semanas de moda e consomem – ou ao menos desejam avidamente – marcas top de linha como Prada e Dior. Uma das mães chega a dizer, em tom casual, que não imagina a filha vestindo uma roupinha das lojas de fast fashion (ela cita a Renner) nem para dormir! Outra, empolgada com a matéria, diz que se considera uma pessoa bem humilde, pois dirige um Vectra, embora more em um apartamento de dois milhões de reais. Mais adiante, uma terceira mãe, questionada sobre de que forma o consumo de alto padrão é tratado na escola das crianças, responde, igualmente de forma casual, que este é um problema muito sério, que na escola discute-se “o que fazer com as crianças que não tem condições de viajar à Disney todo ano”!! Preciso dar mais exemplos?

Cena de concurso de beleza infantil no belo filme Pequena Miss Sunshine. A pequena Oliver (Abigail Breslin), é discriminada pelos organizadores do concurso por ser "fora do padrão"

O objetivo aqui não é criticar os ricos ou bancar uma Robin Hood de saias, porque seria hipocrisia e leviandade. Não tenho absolutamente nada com a vida alheia, não me considero palmatória do mundo e tampouco quero ensinar a quem tem dinheiro como gastá-lo. Só digo que esta não é a minha realidade e nem a de milhares de pessoas. Mas, se alguém tem cacife para pagar luxos, pequenos ou grandes, que os pague. Não sou contrária ao consumo dos itens do universo de beleza também, seria uma contradição, já que mantenho um blog feminino que fala entre outras coisas, de consumo e produtos de beleza, que eu uso, bastante. Também não sinto inveja das socialites que podem vestir as grifes internacionais. Pessoalmente, gostaria até de ter algumas peças que me falaram ao senso estético, mas como meu bolso não permite, sou bastante feliz garimpando peças nas fast fashions e demais lojas ou marcas que se adequam à minha realidade financeira, inclusive nos magazines e sacoleiras da vida. Isso não significa que não admire o trabalho dos deuses da moda. Mas para mim, por enquanto ao menos, é como admirar uma bela obra de arte em um museu: posso ver, desejar, mas não dá para levar para casa. Simples assim.

O que me leva a refletir aqui no blog sobre essa reportagem das mini fashionistas e a outra sobre os sutiãs com enchimento para meninas que sequer tem peitos ainda não é a questão de ter ou não roupa de grife, mas a noção de limite, da formação cidadã das crianças, do tipo de mundo que está sendo mostrado para elas e que só se sustenta dentro de uma bolha, do microuniverso onde elas gravitam, mas que, fatalmente, vai resultar em choque com a realidade aqui de fora. Até porque, em algum momento, as crianças crescem e saem da bolha. O choque é tanto para elas quanto para quem sofrerá o preconceito. Até porque, nem todo mundo vai circular na mesma rodinha. “O que fazer com as crianças que não podem ir à Disney todo ano”, lembram?

Foto tirada de reportagem sobre vaidade infantil no site da Abril

Exclusão, dificuldade em aceitar a diversidade do mundo, incapacidade de interferir em uma realidade desigual e divergente daquela da “bolha”. Isso é o que me assusta.

Me preocupa muito, por exemplo, que uma sociedade combata a pedofilia com tantas campanhas e ao mesmo incentive a sexualização precoce das meninas, vestindo-as como miniadultas, fazendo-as comportar-se como mulheres e consumir produtos que seriam mais adequados depois que elas tivessem maturidade suficiente para administrar as consequências. Não sou a favor que meninas de dois, cinco, sete anos de idade pintem as unhas, façam progressiva no cabelo, usem maquiagem. Me dá sempre a sensação de que estão roubando uma fase importante da vida dessas meninas, que estão abreviando suas infâncias e levando-as a parecer maduras, quando na verdade são apenas o simulacro de um adulto que, por amadurecer praticamente à força e antes da hora, acabará infantilizado.

A indústria da beleza quer vender e não importa para quem. E quanto mais cedo o consumo começar, melhor. Essa é a lógica do capitalismo, que é antropofágico, se alimenta de si mesmo. E isso aqui não é discurso político e nem fui eu quem inventou a roda. Séculos antes de eu meter minha colherzinha enxerida nesse angu, filósofos e teóricos da economia já haviam decifrado a lógica que rege a nossa sociedade. Principalmente no ocidente.

A pequena Sure Cruise se tornou celebridade badalada não apenas por ser filha do casal de astros de Hollywood Tom Cruise e Katie Holmes, mas por "ditar" moda para menininhas e até interferir no guarda-roupas da mãe

Portanto, lógico que donos de marcas de cosméticos e lingeries vão dizer que não tem nada demais vender seus produtos para meninas recém-saídas dos cueiros. E, ironia, vão jogar com os arquétipos da psicologia para empurrar cada vez mais produtos, para criar cada vez mais “necessidades” urgentes de ter algo que seria perfeitamente dispensável se a coisa fosse pensada de modo racional. Mas o consumo, e nós mulheres adultas que vez por outra caímos em tentação e compramos mais do que nossos cartões aguentam, bem sabemos, não é racional, mas emotivo. É a busca por prazer que nos leva a adquirir coisas que, racionalmente, não temos necessidade de possuir. É uma massagem no ego, um alento, um refinamento de gostos, ou de alma (cada um busca suas desculpas), cobiçar o belo, estar bela. É questão de autoestima – eu acredito nisso –  e de projeção: o que queremos mostrar aos outros? Nosso melhor lado, claro! Ninguém quer parecer mal na fita, nunca.

As crianças, tanto quanto nós, também querem a sensação de prazer. Se são ensinadas a tirá-la apenas do consumo, vão consumir como formigas saúvas na plantação, vorazmente. A diferença é que enquanto nós – na maioria das vezes – sabemos quando parar, nem que seja porque o limite do cartão acabou, elas não sabem. A menos que a gente ensine.

Freud e cia. explicam melhor que eu, inclusive, essa relação/necessidade que temos do prazer e da busca pela felicidade para dar sentido à vida, que a bem da verdade, ninguém descobriu ainda o que é.

Quando digo sexualização precoce, não estou falando nas teorias da psicologia que já demonstraram que as crianças possuem sexualidade latente, que o ato de mamar, por exemplo, é prazeroso e é preciso que seja assim, para que o bebê empregue a força necessária na sucção e com isso sobreviva, cresça, e a espécie garanta sua perpetuação. Se mamar fosse repugnante, os bebês fatalmente não vingariam. Se fosse um tormento indizível para as mães, o lado primitivo do ser humano, que foge da dor, iria impedi-las de alimentar suas crias. Então, tem componentes biológicos envolvidos aí, óbvio, e tem também toda uma construção de identidade, que é subjetiva e gradativa. Mas existe um ritmo próprio tanto para a natureza ancestral quanto para que a identidade atuem e se consolidem. Minha angústia é que esse ritmo natural vem sendo atropelado pelo consumo sem qualquer reflexão e consciência.

A personagem Mabi, da novela Ti Ti Ti. Aos 11/12 anos, era uma blogueirinha de moda super influente e um ícone de fashionismo. Mas revelava visão crítica tanto da moda quanto das posturas nada éticas que algumas pessoas adotam nesse meio

Quando éramos meninas, muitas vezes imitávamos nossas mães. As crianças aprendem por imitação – outra teoria científica já bem batida – e seus primeiros jogos e brincadeiras reproduzem o que veem no universo adulto. Brincam de escritório, brincam de mamãe, de papai, de guerra, de policia, de desfile, de salão de beleza e por aí vai… As meninas vestem as roupas das mães desde sempre. Vesti muito as da minha, suas camisolas de seda e renda eram as minhas preferidas, nas minhas brincadeiras elas viravam sempre vestido de princesa, lençóis viravam cabelos de sereia.

Mas há uma diferença – e essa é a noção de limite do título do post – entre uma criança espontaneamente reproduzir e interpretar o mundo adulto em jogos lúdicos e esse mundo ser empurrado para cima dela por meio de sutiãs, cintas ligas, estojos de make, concursos de beleza quase selvagens e que servem mais para satisfazer egos frustrados das mães do que de fato beneficiar as filhas. Há uma diferença gritante que está na inocência da criança que, aos cinco anos, olha maravilhada para o corpo da mãe e o dela própria, captando as mudanças de forma sutil; ou que veste um sutiã achando aquela peça engraçada; ou até o coloca na cabeça porque não sabe direito para que serve; e a malícia da indústria, que se apropria dos jogos infantis e os adapta a essa lógica muitas vezes perversa, que faz a roda do consumo girar e, fatalmente, excluir, segregar.

E quem pode dar um basta nisso? Provavelmente ninguém. A ideia não é estabelecer censura ou patrulha ideológica, abolir a indústria que gera empregos ou pregar o politicamente correto; mas apenas advertir que crianças que crescem depressa demais fatalmente vão se tornar adultos com problemas de autoestima. Não é uma regra, lógico, mas dados sobre anorexia nervosa ou dismorfia corporal em garotas de 14 anos, gravidez precoce por uma entrada na vida sexual antes da hora e sem preparo, índices de doenças sexualmente transmissiveis e Aids aumentando entre o público jovem, transtornos compulvisos, aumento no consumo de drogas pesadas (na maioria das vezes como muleta para aguentar a crueza do mundo), crises depressivas e uma infinidade dos chamados “males da civilização moderna” estão aí para provar que alguma coisa de grave está sendo feita com a formação das nossas crianças.

O sutiã infantil com enchimento está no centro da polêmica. Para especialistas em psicologia, o sutiã em si, que já foi símbolo de dominação machista, reconfigura-se em fetiche e erotização, símbolos esses que ainda não se adequam ao repertório das crianças de seis anos, mesmo num mundo de informação ultraveloz e ao alcance como o nosso

Não é preciso ter lido todos os psicanalistas para saber que quando se cria uma criança numa bolha, fazendo-a acreditar que o mundo se curvará ao seu desejo, não se está preparando essa criança para as frustrações da vida adulta, que de uma forma ou de outra sempre virão. A menina rica poderá comprar Dior e Prada a vida inteira, botar botox, morar em coberturas de milhões de dólares, ter todos os assessórios e cosméticos que seu dinheiro puder comprar, fazer lipo, botar silicone, mas nada disso irá livrá-la de uma possível rejeição, ou decepção amorosa, ou da solidão e da velhice. A tecnologia, até agora, só conseguiu retardar, mas parar o tempo ainda não é possível.

Me pergunto: as crianças erotizadas precocemente (porque tem diferença entre a sexualidade infantil latente e o erotismo adulto imposto às crianças), acostumadas a julgar as pessoas pelo ter e não pelo ser, criadas para cobiçar sempre as super marcas e desprezar os coleguinhas que não podem vestir Dior ou passar férias na Disney, essas crianças estarão preparadas para a vida e seu eterno jogo de ganha aqui, perde ali? Saberão lidar com a frustração? Conhecerão o que é respeito, solidariedade? Estarão livres dos preconceitos que vêm agregados à  essa ideia – excludente em si – de perfeição?

Me pergunto sempre no que essa fúria consumista que não poupa nem o curso natural da infância irá nos levar. Por que os pais perderam a capacidade de dizer não aos filhos, criando pequenos ditadores que se acham acima de tudo e de todos?

Não tenho as respostas e nem quero culpar a indústria da beleza pelas mazelas da sociedade, mas quando leio reportagens em que menininhas competem entre si para saber qual delas é a mais it girl dentre as its, com suas mães deslumbradas incentivando a voracidade infantil, confesso que tenho um certo medo do que está por baixo da ponta desse iceberg!

*Andreia Santana, 37 anos, jornalista, natural de Salvador e aspirante a escritora. Fundou o blog Conversa de Menina em dezembro de 2008, junto com Alane Virgínia, e deixou o projeto em 20/09/2011, para dedicar-se aos projetos pessoais em literatura.

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Especial Dia da Criança: “ser” criança

No terceiro artigo da série Especial Dia da Criança, a diretora do Instituto Canção Nova, Shirleya Nunes de Santana fala sobre a missão dos educadores na formação da meninada e relembra a figura da educadora Zilda Arns, morta no terremoto do Haiti, ano passado, e de sua importância para mudar a forma como a pedagogia brasileira passou a encarar a infância depois das ações pioneiras da pesquisadora e militante em prol das causas infantis. Zilda Arns, que era também médida pediatra, tinha um importante trabalho no combate a mortalidade infantil e materna, não só no Brasil, mas em diversos países. Confiram:

E nesta terça-feira, os últimos quatro artigos da série!

A riqueza imensurável do “ser” criança

*Shirleya Nunes de Santana

É impressionante como o conviver com crianças nos leva muitas vezes a lembrar de quão belo é ser criança e de como elas se aventuram nas coisas e situações da vida com todo entusiasmo, sem medo de errar. Amam, choram, caem, sorriem, são amigas, brigam e fazem as pazes rapidamente, pois o ser criança implica em ser “livre” para demonstrar esses e tantos outros sentimentos e ações. Criança é criança e ponto!

A valorização dessa fase é primordial e faz toda a diferença na formação do futuro adolescente, do jovem, do homem ou mulher. E essa preocupação nos ajuda a tocar em tudo o que ela exige. É uma fase de cuidados e descobertas, para cada criança e para cada educador. Quem trabalha com crianças lida com o “novo” e com o “desprender-se” todos os dias. Entender sentimentos e ações é simples. O desafio é amar e demonstrar esse amor. E muitas vezes nós, educadores, premidos pelas responsabilidades do dia a dia, nos distanciamos dessa pureza e decisão de amar.

Pediatria social era uma das especialidades da médica e educadora Zilda Arns, incansável militante no combate a mortalidade infantil

A atividade educacional vai além do cotidiano escolar, estendendo-se a atividades nos finais de semana e inserindo o educador diretamente na vida e família de cada aluno. É uma missão envolvente, de grandes descobertas e de riqueza incalculável. Passam os anos, as turmas se renovam, mas o espírito de dedicação e de mútuo aprendizado é sempre o mesmo. O educador sempre ganha com as crianças a oportunidade de resgatar em si mesmo a “criança” que com o tempo acaba adormecida, impedindo o adulto de ser verdadeiro como os pequenos.

Houve uma mulher em nossa sociedade que foi e é referência para o Brasil e o mundo no que diz respeito à busca do entender e respeitar a criança como um todo. E sempre sem olhar onde, como e a quem serviu. Bastava ser uma criança e lá estavam ela e aqueles que com ela acreditavam na ajuda real, afetiva e concreta aos pequeninos. Zilda Arns Neumann, arrancada de nosso convívio durante um terremoto no Haiti, é o nome dessa mulher. Como médica, ensinou a educadores e pais o respeito e o amor pelas crianças, vistas como “um todo” em formação. Isso fez e faz a diferença.

Comemoramos o “Dia da Criança”, mas precisamos comemorar diariamente o dom da vida de uma criança, que se traduz na sua liberdade e simplicidade. As crianças carregam a mais bela forma de amar e o ato de construí-las é um dos mais nobres gestos de amor. Portanto, quando formos comemorar ou pensar na criança, olhemos mais que brinquedos ou travessuras, olhemos o belo presente que é ter uma criança perto de nós. Amor, atenção, educação, saúde e respeito são bons presentes para esses pequenos que se tornarão grandes homens e grandes mulheres, a exemplo da nossa querida Zilda Arns.

*Shirleya Nunes de Santana é diretora do Instituto Canção Nova – Unidade 2 da Rede de Desenvolvimento Social da Canção Nova.

**Material encaminhado ao blog pela Ex-Libris Comunicação Integrada

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Leia os posts anteriores da série:

>>Especial Dia da Criança: Preservação ambiental

>>Especial Dia da Criança: Avós e netos

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Artigo: Como lidar com o medo em crianças

O artigo que selecionei para vocês nesta quarta-feira é de autoria da psicóloga Walkyria Coelho e ensina aos pais maneiras de ajudar as crianças a superar os medos típicos da infância, muitos ditados pela forte imaginação dos pequenos, como por exemplo: o pavor de ficar no quarto à noite ou a “certeza” de que de dentro do armário saiará um bicho papão! Inclusive, gosto muito de um desenho da Disney-Pixar que transforma os mitos e medos infantis em uma trama divertida, que ao mesmo tempo em que diverte, ensina a aceitar o diferente e a lidar com o desconhecido. Por isso, escolhi para ilustrar o belo texto de Walkyria, algumas imagens da animação Monstros S.A. Aproveitem as sugestões da especialista, principalmente se tiverem crianças pequenas, pois há dicas valiosas para compreender o medo como um processo natural do desenvolvimento e um mecanismo de defesa que nos prepara para a vida. E se não viram Monstros S.A ainda, vale a pena!

Como lidar com o medo em crianças
*Walkyria Coelho

O medo é uma reação instintiva essencial, que nos prepara fisiologicamente para lutar ou fugir diante de situações ameaçadoras. É um estado emocional que ativa os sinais de alerta do corpo diante dos perigos.

Todos nós sentimos medo, muitas vezes sem qualquer sentido ou razão lógica. A criança vive a maior parte do tempo no mundo da imaginação, da fantasia, confundindo muitas vezes as duas realidades, expressando medo muitas vezes sem um motivo aparente.

Os adultos às vezes não sabem lidar com essas situações e não dão a devida importância ao fato. Com a melhor das intenções chegam até a repreender a criança, achando que se trata de “manha”, principalmente se não encontram uma razão que justifique aquela reação.

A pequena Boo desenha o monstro que a assusta antes de dormir

Quando a criança tem medo do escuro, acorda assustada e vai para a cama dos pais, a reação mais comum é permitir que ela fique e durma junto com os adultos, o que pode virar um hábito. Quando tem medo do mar ou da piscina, muitos pais pensam que a melhor maneira de tranquilizar a criança é mostrar que não há nada a temer, obrigando-a a enfrentar a situação.

Essas atitudes podem provocar alguns desequilíbrios psicológicos e emocionais, piorando ainda mais o quadro. É importante ouvir a criança, entendendo que o que diz é verdade para ela. É preciso saber ouvir e respeitar o sentimento da criança, para depois buscar a melhor forma de conversar com ela sobre aquilo que a amedronta.

Sulley é um dos funcionários da Monstros S.A. Ele morre de medo de crianças

Expor a criança a situações nas quais ela se sinta insegura só vai causar sofrimento, ansiedade e insegurança. Um medo que poderia ser superado no processo natural de desenvolvimento, pode se transformar em um medo fóbico, deixando-a mais assustada e agitada.

É natural que o medo apareça mais forte quando acontece algum evento: quando a criança escorrega e cai na piscina funda ou se perde dos pais na praia. Dependendo do tamanho do susto e do excesso de preocupação dos pais, ela pode ter uma reação exagerada diante de situações simples. Criança também aprende por imitação e, por perceber o desespero dos adultos diante da situação, pode desenvolver um padrão de resposta fóbico.

É necessário mostrar que algumas coisas são realmente perigosas e que devem ser evitadas, pois estabelecer limites faz parte do processo educacional. Orientar que escadas, piscinas, tomadas ou janelas podem representar riscos é fundamental, mas sempre com firmeza, congruência, segurança e carinho.

É importante evitar a utilização do medo da criança como meio de poder, para obter obediência, como por exemplo: “se você não me obedecer vou deixar o bicho te pegar” ou “o monstro vem te assustar porque ele não gosta de criança desobediente”.

Boo e Sulley, que a menina chama de "gatinho". Aceitação das diferenças e lições para lidar com o medo

O diálogo e a paciência são ferramentas importantes no processo de desenvolvimento emocional e psicológico da criança, principalmente quando ela ainda não consegue se expressar e dizer o que sente.

É responsabilidade dos pais ajudar a criança a enfrentar esses temores e procurar identificar a origem ou mesmo a existência do medo, tarefa que exige muita atenção e dedicação. Brinque com a criança, entre na fantasia dela. Com experiências lúdicas os adultos entendem melhor os anseios dos pequenos e esses aprendem a enfrentar várias situações onde o sentimento de medo aparece.

Em geral, a criança supera a ansiedade, a insegurança e medos menores com o apoio e amor dos pais. Um simples abraço é suficiente para afastar perigos reais ou imaginados, pois os adultos significativos representam criaturas poderosas, capazes de protegê-las de qualquer coisa que as ameace.

*Walkyria Coelho é psicóloga e instrutora da SBPNL – Sociedade Brasileira de Programação Neurolinguística

**Texto enviado ao blog pela SBPNL e publicado mediante autorização, desde que citada a autoria e respeitada a integridade do material.

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Traça de Biblioteca: série especial do mês da criança – II

A série Traça de Biblioteca, excepcionalmente, não foi publicada nesta terça-feira porque abrimos espaço no blog para divulgar a vencedora da promoção Necessaire Conversa de Menina. Mas hoje, as dicas de leitura voltam, sendo que este mês, a série é especialmente dedicada a literatura infanto-juvenil. Na próxima semana, a Traça será publicada no seu dia habitual, terça-feira, 12 de outubro. Até o final do mês da criança, continuaremos falando de livros para os “petits”.

E as dicas de hoje são da Revista Crescer, que publicou em seu site uma lista de 30 obras infantis recomendadas pelo conselho editorial da publicação, em parceria com 40 especialistas em educação. No site da Crescer, é possível conferir os títulos e resumos de cada obra, bem como sua aplicação pedagógica. Há ainda um vídeo com trechos de cada história e dicas de como os pais podem incentivar o gosto da leitura nos filhos desde cedo.

Este é o quinto ano seguido em que a Crescer indica uma lista de livros que atendem jovens leitores em formação. As obras selecionadas falam sobre preconceito, amizade e família, entre outros assuntos, mas sempre de forma lúdica. Os autores e ilustradores, além de um troféu, também ganham o direito de exibir um selo de qualidade nos trabalhos.

Revista Crescer
– Líder no segmento infantil há 16 anos, a publicação traz dicas, orientações, informações e conselhos para mães e pais desde que planejam engravidar até que seus filhos completem 8 anos. Ou seja, toda a fase da formação da criança. Apresenta ainda histórias pessoais inspiradoras e informações de especialistas que orientam os pais que desejam cuidar de seus filhos da melhor maneira sem deixar de lado o relacionamento afetivo, a profissão, a casa e realizações pessoais. No site Crescer: www.crescer.com.br, há ainda atualizações diárias e utilização de ferramentas multimídia, com conteúdo sobre temas como gravidez, saúde, nutrição, comportamento, educação e cultura.

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Acompanhe a série completa:

>> Traça de Biblioteca: Série especial do mês da criança – I

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Veja mais sugestões de livros infantis:

>>Incentivo à leitura no Dia das Crianças

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