Mulheres e Compras: O segredo dos quatro “Ps” do consumo feminino

O Conversa de Menina recebeu mais artigos interessantes em alusão a Semana da Mulher. Como boa parte do material refere-se ao tema mulheres e consumo, criamos uma nova série de quatro textos sobre o assunto. Agora, além de acompanhar o Especial Semana da Mulher, até sábado, dia 13 (aguardem o terceiro artigo mais tarde), os interessados em entender essa relação “misteriosa” entre as meninas e as compras, poderão seguir também a série Mulheres e Compras. E o primeiro texto é de Stella Kochen Susskind, que reflete sobre os estereótipos atribuídos às mulheres, como o que diz que para curar uma depressão, por exemplo, lançamos mão da “comproterapia”. Confiram:

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Mulher & Compras: O segredo dos quatro “Ps” do consumo feminino

* Stella Kochen Susskind

Mulheres sempre encontram prazer em comprar; elas adoram a “comproterapia”! Será que essa máxima, repetida à exaustão pelos homens, tem algum fundo de verdade? A experiência profissional e emocional, coordenando um exército de clientes secretos no Brasil e no exterior, ensinou-me que as consumidoras, sobretudo as brasileiras, têm um conjunto de características que ultrapassam as fronteiras dos esteriótipos apregoados. Em pesquisa recente com mulheres de 35 anos a 60 anos, realizada pela Shopper Experience, colocamos em debate os motivos que determinam a compra. Embora o emocional seja extremamente relevante no consumo feminino, o elemento determinante é a presença dos quatro “Ps” – paquera, pesquisa, pechincha e prazer.

A paquera é aquele espaço no qual a sedução que o produto exerce sobre a mulher envolve elementos como apresentação da loja, abordagem de venda e adrenalina da novidade. Na pesquisa, a mulher se certifica do custo-benefício do produto; questiona se a paquera tem potencial para se tornar “algo mais”. A pechincha é o momento em que põe em xeque o “valor”, a qualidade de uma relação embrionária… No prazer, a conclusão de um ritual sedutor que envolve emoções complexas e extremamente femininas. Embora o emocional esteja presente em cada um dos “Ps”, há muito do racional em cada etapa.

Em todas as pesquisas, um axioma impera – o atendimento de excelência determina e direciona uma venda de qualidade, peça-chave para a construção de uma relação duradoura entre consumidoras e marcas. As mulheres já equivalem a 51% da população brasileira, além de influenciar e inspirar o consumo masculino. E como nada indica que o contrário seja pertinente, é essencial para o sucesso do negócio entender quais são os elementos que compõem o que as mulheres associam a um bom atendimento. É nesse contexto que entra um quinto P – o pré-atendimento.

As mulheres que participaram da pesquisa não economizaram elogios ao pré-atendimento, ou seja, aos vendedores que se apresentam com cortesia, colocando-se à disposição para ajudar. A partir dessa apresentação simples e eficaz, esse profissional cede espaço para a “paquera”, para aquele primeiro “P” que desencadeará todo o encantamento que envolve uma experiência de compra perfeita; uma experiência que envolve conquista, prazer, alegria, surpresa…

Mais do que tudo, é preciso abrir mão da lógica cartesiana para entender que o aspiracional feminino pode ser objetivo e prático, sem perder a emoção que permeia cada etapa da compra. Essa é a singularidade feminina, mostrando que o prazer não é inerente a ou um atributo de todo tipo de compra. As mulheres são mais elaboradas do que essa visão simplista. Saiba que a mulher que está paquerando a vitrine pode desistir desse “namoro” a qualquer momento se associar o atendimento ao descaso do objeto de desejo. As mulheres sabem que as paixões são efêmeras…

*Stella Kochen Susskind preside a Shopper Experience, empresa de pesquisa especializada em hábitos de consumo

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Especial Semana da Mulher: Papel feminino nas organizações ainda é restrito

Dando continuidade à série iniciada no domingo sobre o Dia Internacional da Mulher, publico hoje uma reportagem com o administrador de empresas Josias França Filho, em que ele comenta sobre as dificuldades que as mulheres ainda enfrentam no mercado de trabalho, principalmente na posição de líderes das organizações. A série continuará ao longo de toda a Semana da Mulher. Diariamente, um artigo ou reportagem será publicado em alusão ao centenário do 8 de Março. Confiram:

*Papel feminino nas organizações ainda é restrito

Especialista comenta atuação da mulher no ambiente empresarial e dá dicas de empregabilidade em tempos de crise

Cena do filme Uma secretaria de futuro. Segundo o especialista, "embora algumas áreas ainda sejam focadas no público feminino (recepcionista e secretária, por exemplo), as mulheres podem ocupar qualquer espaço na organização".

Um século após a instituição do Dia Internacional da Mulher, renovaram-se os pedidos por maiores condições de igualdade entre os gêneros. Segundo dados do governo federal, os efeitos da crise econômica mundial no mercado de trabalho afetaram mais as mulheres do que os homens. O estudo revela que as brasileiras perderam 3,1% do total de postos de trabalho nos últimos dois anos, contra 1,6% do público masculino, no mesmo período. Para o administrador e consultor de empresas, Josias França Filho, essa realidade evidencia o preconceito que ainda existe em algumas organizações. “É um equívoco colocar a mulher em segundo plano em relação ao homem, especialmente, desconsiderando habilidades femininas importantes para o desempenho profissional, como a conciliação de múltiplas tarefas e a sensibilidade nas relações interpessoais”, observa.

Entre as razões que podem motivar a postura discriminatória de algumas corporações o especialista destaca especificidades como a licença maternidade. “A conquista, que agora abrange seis meses, faz com que muitas empresas repensem a contratação feminina devido ao período extenso de afastamento e a oneração da empresa com um funcionário substituto”, afirma. Outro item é o fato de alguns homens não saberem lidar com mulheres em cargos de chefia. “Para alguns homens é difícil ser chefiado por mulheres. Por uma questão cultural, eles se sentem inferiorizados”, avalia o consultor, que, em contrapartida, destaca o equilíbrio emocional como grande diferencial feminino na liderança. “Para liderar é preciso entender de gente. Pesquisas mostram que a mulher tem maior habilidade para compreender emoções. E como a empresa não é uma máquina, e sim um organismo composto por pessoas que possuem valores, essa habilidade passa a ser um diferencial importante”, avalia.

Diante do contexto de desigualdade entre os gêneros, o consultor diz o que as mulheres devem fazer para conquistar mais espaço no mercado de trabalho. “Mostrar resultados mensuráveis trabalhando de forma alinhada com os objetivos da organização, reduzir gastos, aumentar a produtividade e estar comprometida são condições essenciais”, destaca o especialista, lembrando que as dicas de empregabilidade valem para os dois gêneros. “Liderança, criatividade, experiências múltiplas em outras organizações, perseverança e energia, controle emocional, são requisitos que fazem a diferença na hora da contratação e da conservação do emprego”, enfatiza e cita ainda entre os diferenciais competitivos, possuir sólida formação acadêmica e, dependendo da empresa, ter domínio de outro idioma.

Sobre quais áreas se mostram mais promissoras para o público feminino, o consultor é taxativo. “Todas. Embora algumas áreas ainda sejam focadas no público feminino (recepcionista e secretária, por exemplo), as mulheres podem ocupar qualquer espaço na organização. O que não pode é existir um tratamento diferenciado entre homens e mulheres que exercem a mesma função”, conclui Josias França, destacando que essa postura contribui para fortalecer a discriminação entre os gêneros.

*O material foi elaborado e encaminhado ao blog pela jornalista Aline Lobato, da assessoria do administrador Josias França Filho.

**Josias França Filho é administrador e consultor de empresas, mestre em Administração Estratégica, professor em cursos de pós-graduação nas disciplinas de Planejamento Estratégico e de Empreendedorismo e diretor da Êxito Consultoria Empresarial.

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Acompanhe os outros posts da série:

>>Especial Semana da Mulher: Sexo frágil e a Aids

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