Pesquisa mostra o perfil dos consumidores baianos às vésperas do Natal

Basta circular pelos principais centros de compras de Salvador para constatar na prática que o Natal (ao menos no seu aspecto de consumo) já chegou: é um tal de gente andando para lá e para cá que me lembra aquelas formiguinhas cortadeiras. Confesso, me divirto muito observando o entra e saí das lojas. Mas me irrito também, porque não sou muito fã de multidões e nem de correrias.

Mas, para quem é chegado a gravitar nesse universo de shopping center (pessoalmente, só vou quando tenho algum motivo, nunca apenas para “bater perna”) e gosta de números e dados (jornalista é doido por um percentual), a Potencial Pesquisas realizou um estudo com 413 pessoas maiores de 18 anos, de todas as classes sociais e regiões administrativas de Salvador e constatou que as compras natalinas serão realizadas a partir deste início de dezembro para 47,98% das pessoas. Apenas 3,63% já compraram seus presentinhos. O motivo, acredito, é o décimo terceiro, cuja segunda parcela deve ser paga até 20 de dezembro pela maioria das empresas, ao menos as privadas.

E quem não gosta de ganhar presentinho?

O levantamento verificou que para as compras de Natal, os soteropolitanos pretendem gastar em média R$ 311,55, sendo a classe A1 R$ 694,12, A2 R$ 550,00 e classe D R$ 83,90. O pagamento será realizado à vista por 48,43%, enquanto 36,32% pagarão com cartão de crédito.

Segundo o diretor e estatístico da Potencial, José Carlos Martins, esse é o período em que as pessoas mais consomem. Não é à toa que entidades como a CDL (Câmara dos Dirigentes Lojistas) definem o Natal como a melhor data do ano para o comércio, seguida de Dia das Mães.

A pesquisa mostrou ainda que 46,2% dos consumidores ainda não sabem o que comprar. Já para quem sabe, roupas e brinquedos lideram a preferência com 42,1% e 20,3%, respectivamente. Imagino que “mulheres e crianças primeiro” é uma máxima válida também na hora de dar presentes.

E os dados não negam minha teoria. Entre os futuros presenteados, pais e mães somam 50%, os filhos 47,2% e maridos e esposas 29,8%. Enquanto 9,4% ainda não sabem para quem vão comprar o presente e 2% não vão presentear neste Natal.

...ou de festejar com os amigos?

A pesquisa revelou também que 59% das compras são realizadas nos shoppings e 30,5% em lojas encontradas nas ruas. Acredito que o fator segurança influencie a decisão dos consumidores, sem contar na praticidade do shopping concentrar diversos outros serviços. Quando faço minhas compras de Natal, por exemplo, que sempre antecipo antes do início da temporada oficial, aproveito para resolver coisinhas no banco e usar outros servicinhos disponíveis no shopping, como assistências têcnicas, alfaiataria e etc.

Ainda sobre os dados do estudo da Potencial Pesquisas, entre os entrevistados, 83,54% dizem que vão comemorar o Natal em Salvador, enquanto 13,80% vão viajar e 2,66% ainda não decidiram.  Entre os que pretendem viajar, 10,53% irão para a Ilha de Itaparica. Não fui ouvida na pesquisa, mas estou entre os que passarão o Natal na capital, trabalhando.

Além do Natal, a pesquisa também analisou o comportamento no Reveillon e verificou que 76,27% vão passar a virada do ano na cidade. Dos 21,79% que vão viajar para a virada do ano, 21,11% irão também para a Ilha de Itaparica e 11,11% ainda não se decidiram.

Para ler os detalhes da pesquisa, acesse o site: www.potencialpesquisa.com.br.

*Com informações da Cibermídia Comunicação.

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Artigo: Dificuldades das mulheres no mercado de trabalho

O mercado é ingrato com as mulheres que optam por serem trabalhadoras e mães. Pelo menos esta é a análise do advogado e professor do Centro Brasileiro de Estudos e Pesquisas Jurídicas, Marcos Vinicius Poliszezuk, autor do artigo que publicamos abaixo. O texto traz dados do IBGE e da Catho On Line sobre a situação de empregabilidade das brasileiras. Sim, ainda ganhamos menos que os homens, embora isso seja inconstitucional. E ainda somos discriminadas na hora de disputar uma seleção – separadas em: com filhos e sem filhos – embora isso seja ilegal e imoral. O importante de divulgar esse tipo de análise é contribuir para conscientizar as mulheres e os homens sobre a importância de romper antigos tabus. Apesar de todo o avanço tecnológico da pós-modernidade e de toda a revolução dos costumes, o peso da tradição ainda é grande na nossa sociedade. Ainda há quem defenda, nos dias de hoje, que lugar de mulher é em casa lavando, passando, cozinhando e criando os filhos. Sem contar com aqueles que endossam afirmações absurdas como a de que as mulheres que tornam-se lideres e se destacam na profissão, masculinizam-se para competir de igual para igual com os homens! Talvez, diante de estatísticas como as apresentadas no artigo do professor Marcos, realmente existam mulheres que abrem mão da maternidade ou da feminilidade para mostrar que são tão capazes quanto os homens. No entanto, quem foi que disse que ser agressivo no mercado é prerrogativa masculina? E quem disse que a agressividade ou a competitividade não são também características das fêmeas? Onde está escrito que para ser feminina tem de ser mãe? O problema com o preconceito, qualquer que seja ele, é que cria categorias e rotula as pessoas, confinando-as aos estererótipos, sendo que a diversidade é cada vez  mais a norma no mundo, graças a Deus! Eu, particularmente, não quero ser igual, melhor ou pior que nenhum homem.  E espero que nenhum deles queira ser melhor, pior ou igual a mim. Quero respeito nas minhas diferenças.
 
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**Dificuldades das mulheres no mercado de trabalho

*Marcos Vinicius Poliszezuk

Todos são iguais perante a lei. É o que estabelece o artigo 5° da Constituição Federal. No entanto, deparamo-nos com realidades distantes daquela prevista pelo nosso constituinte. Prova disso é o tratamento dispensado às mulheres trabalhadoras, em que a discriminação ainda é notadamente patente.

mulher_trabalhando_01Importante destacar que várias foram as legislações com o intuito de proteger o trabalho da mulher. Prerrogativas e direitos lhe foram assegurados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que dedica um capítulo inteiro de medidas protetivas ao trabalho feminino. A nossa própria Constituição Federal também assegurou salário idêntico ao dos homens, além de outras benesses conferidas em razão da maternidade. Hodiernamente, observa-se que tais medidas são inócuas, uma vez que a própria sociedade desrespeita a legislação. Lei é lei, evidente, mas não somos educados a respeitar a dignidade do trabalho feminino. Isso sem enfocar a dupla jornada cumprida pelas mulheres, ou seja, o trabalho fora e o dentro de casa.

Saliente-se que o Brasil, seguindo a legislação e a tendência mundial, ratificou Convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que tratam de forma direta ou indireta da desigualdade de gênero nas relações de trabalho, são elas, a nº 100 (Salário igual para trabalho de igual valor entre o Homem e a Mulher, ratificada em 25/04/1957, com vigência nacional em 25/04/58), a nº 103 (Amparo à Maternidade, ratificada em 18/06/65 e com vigência nacional em 18/06/66); a nº 111 (Discriminação em matéria de emprego e Ocupação, ratificada em 26/11/65, com vigência nacional em 26/11/66); e a de nº 117 (Objetivos e normas básicas da política social, ratificação em 24/03/69 e vigência nacional em 24/03/70).

Todavia, tornar-se mãe, período tido como o ápice da maturidade feminina, é o principal entrave na colocação dessas mulheres no mercado de trabalho. Aí, pouco importa a dupla jornada, a dedicação extrema, o salário defasado e o mister maternal. Infelizmente, o que mais pesa ao empresariado é o aumento do custo para manter essa trabalhadora e o seu filho. A matemática é simples: os empregadores calculam o aumento dos encargos (salário, convênio médico, creche, farmácia, etc.) e, com isso, perde-se o interesse na colaboração dessas candidatas. Além disso, outro empecilho, na visão dos empregadores, é a maior probabilidade de a mulher-mãe ter de ausentar-se do trabalho para cuidar das crianças.

Apesar de toda a mentalidade contrária a contratação de mulheres,  pesquisas revelam que nos últimos anos a inserção da mulher no mercado de trabalho tem sido crescente e visível, assim como o percentual de mulheres em cargos de comando de grandes empresas.

Segundo dados do IBGE, em janeiro de 2008, havia aproximadamente 9,4 milhões de mulheres trabalhando nas seis regiões metropolitanas onde foi realizada a pesquisa: São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre. Este número significa 43,1% das mulheres. Em 2003 esta proporção era de 40,1%. O que comprova o aumento da representatividade feminina no mercado de trabalho.

Entretanto, elas se encontravam em situação desfavorável à dos homens, pois não chegavam a atingir o percentual de 40% de mulheres trabalhando com carteira de trabalho assinada, sendo que entre os homens esta proporção ficou próxima de 50%. Além disso, o rendimento delas correspondia a 71,3% do rendimento dos homens.

Na visão machista ainda vigente, infelizmente, mulher só é multitarefas dentro de casa
Na visão machista ainda vigente, infelizmente, mulher só é multitarefas dentro de casa

A mesma pesquisa deixou claro que quando o contexto é mercado de trabalho, a maioria dos indicadores apresentados mostrou a mulher em condições menos adequadas que a dos homens. Outro ponto alarmante é a desigualdade na contribuição previdenciária, quando se constatou que mais de um terço das mulheres não contribuem. Isso de uma forma geral e não pontuando mulheres com filhos e menores de quatro anos. Com isso, torna-se mais notável que a dificuldade da mulher no mercado de trabalho existe independente de ser mãe, mas agrava ainda mais com a maternidade.

Neste patamar, já não importa as lutas de tantas Marias (da Penha), de Helenas (de Americana) e de todas aquelas engajadas na promoção da dignidade do trabalho da mulher para valerem os direitos conquistados com duras batalhas, uma vez que, repita-se, somos os primeiros a desrespeitar as leis que nós mesmos criamos.

Talvez por essa razão já não nos impressiona as pesquisas como a recentemente divulgada pela Catho on Line, empresa de recrutamento e seleção, segundo a qual mulheres com filhos de até quatro anos têm mais dificuldades para conseguir emprego. Fomos educados para aceitar essa realidade – diga-se de passagem, ilegal, com normalidade.

*Marcos Vinicius Poliszezuk é sócio-titular do Fortunato, Cunha, Zanão e Poliszezuk Advogados, especialista em Direito Empresarial pela Escola Superior de Advocacia da OAB-SP e em Direito do Trabalho pelo Centro de Extensão Universitária; além de professor do Centro Brasileiro de Estudos e Pesquisas Jurídicas e integrante da Comissão dos Novos Advogados do Instituto dos Advogados de São Paulo.

**Artigo recebido por email pela assessoria de comunicação de Marcos Poliszezuk.

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