Papo de Mulher: encontros mensais em Salvador

Niliane Brito e Erika Saab idealizaram o projeto

O projeto Papo de Mulher, idealizado pelas psicólogas Niliane Brito e Erika Saab, promoverá encontros mensais, em Salvador, para discutir temas como autoestima, relacionamentos, feminismo e assuntos nos quais as mulheres tem dúvidas, interesse ou que geram alguma angústia. A ideia dos encontros é proporcionar um espaço de acolhimento e compartilhamento de experiências entre mulheres, com a mediação das duas profissionais.

O primeiro Papo de Mulher já tem data, será em 19 de junho, no Itaigara, com o tema “E foram felizes para sempre”, que vai abordar as relações amorosas, as crises de relacionamento e as diferentes linguagens do amor.

Os encontros vão ocorrer uma vez por mês e o ingresso de cada sessão custará R$ 60. Segundo as organizadoras, há a possibilidade de planos com pacotes promocionais.

Para obter mais informações e fazer inscrição acesse o site Eventbrite ou mande e-mail para: projetopapodemulher@gmail.com.

Serviço:

O quê: Projeto Papo de Mulher

Quando: 19 de junho, às 19h

Onde: Rua das Hortênsias, número 740, Edf. Comercial Itaigara, sala 602/603 – Pituba

Quanto: R$ 60 por encontro (aceita cartão de crédito)

Contato: (71) 99948-6979 ou 99922-1003

Inscrição: Eventbrite ou projetopapodemulher@gmail.com

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Análise: Eu não sou um homem fácil (ou de como um filme ajuda a reforçar preconceitos)

SPOILER: esse texto é uma análise do filme e contém descrição de várias cenas.

O filme francês Eu não sou um homem fácil, produção original da Netflix dirigida por Eleonore Pourriat, é daqueles que promete revolução, mas descamba para a mais pura decepção. A ideia é interessante, mas a execução ficou aquém das expectativas. O filme promete mostrar aos homens como é difícil e sofrido ser mulher em um mundo machista, mas na verdade reforça estereótipos tanto machistas quanto masculinistas. Fiquei muito triste que uma coisa tão misógina foi dirigida por uma mulher.

O mote do filme é criar uma realidade paralela, onde os homens fazem o papel de mulheres na sociedade e as mulheres fazem o papel de homens. A inversão acontece depois que o protagonista leva uma pancada na cabeça e desmaia, acordando nesse mundo alternativo onde o poder pertence a mulheres masculinizadas e os submissos são homens feminilizados.

Os erros já começam dessa forma binária e estereotipada de definir o que é papel de homem e o que é papel de mulher como um tipo de ‘ordem natural’ das coisas. Sendo que, em nenhum momento, o filme questiona o erro que é considerar os papéis femininos como inferiores. Feminilidade e masculinidade estereotipadas da forma mais rasteira são a base do filme. Como se as mulheres precisassem virar homens – e ainda por cima do tipo mais torpe, que é homem machista – para serem respeitadas. A concepção do filme parte da crença equivocada e apregoada por machistas e masculinistas em uma ‘natural’ inferioridade feminina.

O título já dá indícios da bomba. Mas confesso que resolvi dar uma chance mesmo sabendo que o modelo de mulher a ter o papel invertido com o de um homem no longa é aquele que se convencionou chamar de ‘difícil’, em contraste, óbvio, com as mulheres ‘fáceis’, aquelas que segundo os machistas: ‘estão pedindo’. E nem é tradução infeliz, como muitas vezes acontece nas adaptações para o português. Nesse caso, o nome original do filme é Je ne suis pas un Homme Facile. A tradução foi literal.

A produção se pretende sátira social com tons de comédia, mas é rasa e destila diversos outros preconceitos, como homofobia e lesbofobia, daí que não tem a menor graça. O problema maior é que faz isso de forma disfarçada. O filme se vende como feminista, mas confunde de maneira tosca a luta por igualdade de direitos e por respeito das mulheres com o mais rasteiro femismo.

A mistura de conceitos entre feminismo e femismo é feita de forma tão sutil que eu tive a tristeza de presenciar, nas discussões da rede de cinéfilos Filmow, da qual faço parte, dezenas de mulheres caindo no engodo da proposta e defendendo esse filme. Inclusive, parte do texto que escrevi nos meus comentários sobre a produção lá na rede social, uso para rechear essas reflexões no blog.

Damien vai trabalhar de moleton porque no mundo invertido, ele considera suas roupas ‘afeminadas’. A palavra hot (quente e gíria para gostosa/o) só transforma a objetificação feminina em piada

Veneno mortal

Eu não sou um homem fácil tenta dar aos homens um pouco do próprio veneno, mas só desrespeita ainda mais as mulheres e o feminismo, fazendo de uma luta justa uma caricatura. O feminismo não existe para transformar as mulheres em um outro tipo de homem. O feminismo existe para reivindicar que as mulheres sejam livres, respeitadas e tenham oportunidades iguais às dos homens para ser e fazer o que quiserem, sendo elas mesmas.

Ao confundir feminismo com femismo, o roteiro reforça argumentos falaciosos dos machistas e masculinistas para deslegitimar e destratar o feminismo e para minimizar as reivindicações das mulheres por um mundo de oportunidades iguais e de respeito igual, sem que para isso nós tenhamos de reproduzir justamente os comportamentos que abominamos nos machistas.

O roteiro cai no engodo de que as “mulheres tem inveja do falo”, algo que já caiu por terra. “Falo” aqui usado para representar poder e não o pinto no sentido literal. Mas já vimos ao longo da história que um mundo onde o poder é majoritariamente masculino, é um mundo doente. A forma masculina, machista e patriarcal de exercer poder faz mal às mulheres e aos próprios homens.

A cena inicial do filme mostra o quanto o machismo é doentio com bastante clareza. O personagem Damien, protagonista da história, vivido por Vincent Elbaz, aparece inicialmente na infância, em uma peça da escola. A menina que faria o papel da Branca de Neve na peça adoece e uma professora pergunta para as outras crianças do elenco quem gostaria de usar a roupa de princesa. Damien pede para usar e, ao entrar no palco, é ridicularizado.

Todos os adultos que assistem ao espetáculo, supostamente os pais e mães das crianças, apontam para Damien e gargalham, humilham uma criança pequena que ainda não tem nenhuma ideia do que seja identidade de gênero. Criança só quer brincar e ser feliz.

A socialização das crianças ainda acontece de uma forma muito errada, com a escola, as famílias e a sociedade em geral estabelecendo normas diferentes para meninos e meninas, separando desde os tipos de brinquedos à cor das roupas. Pais e mães, infelizmente, ainda exigem dos filhos uma postura máscula e das filhas que sejam delicadas. (Se quiser saber mais sobre o assunto, recomendo reportagem do jornal Correio* sobre ‘crianças viadas’).

Um dos discursos dos masculinistas é o de que homens que assumem suas responsabilidades no cuidado da casa e dos filhos são emasculados (perdem a virilidade). O filme reforça essa ideia absurda

Clichês infelizes

Infelizmente, esse filme engana muita gente com a falácia de que a inversão de papéis faz os homens sentirem na própria carne o que é ser mulher. Mas ele não faz, só reforça o preconceito e a noção equivocada de que a mulher é mais frágil e, portanto, tem menos valor.

O filme é um acumulado de clichês infelizes. Os homens com papéis inversos são colocados em posição inferiorizada porque os machistas e masculinistas acreditam que mulher é um ser inferior. O aspecto de feminilidade mostrado nesse filme é o tempo todo menosprezado e isso não cria consciência do inferno que nós mulheres vivemos, apenas reforça convicções equivocadas de que valemos menos que qualquer homem.

Todos os homens em papéis inversos são colocados em posição afeminada de forma pejorativa, como se ser afeminado fosse algo desqualificante, por isso o filme é absurdamente homofóbico. Mostra ainda que um pai assumir a paternagem tira a virilidade dele. As mulheres pegadoras do filme precisam ter atitude de ‘macho alfa’ para serem admiradas. O filme desconsidera que uma mulher tem todo o direito de ter quantos parceiros sexuais ela quiser sem precisar se masculinizar.

Tem outras cenas de dar vergonha alheia. Em uma delas, um rapaz entra aos prantos na casa de uma mulher que o teria trocado por outro e começa a quebrar objetos e a pichar as paredes com xingamentos. Precisa explicar que a tal sátira sai pela culatra porque atribui às mulheres – lembre que no filme os papéis são inversos – um temperamento histérico, inseguro e lamuriento? Tudo o que os caras que aprontam  perversidades em relacionamentos abusivos querem é passar a ideia de que as ex são loucas. E o filme dá munição para eles.

Outro exemplo de matar: o melhor amigo de Damien é casado e chega à academia de ginástica revoltado porque a mulher dele o estaria traindo. O detalhe sutil, ele vai fazer Pilates, como se a modalidade não fosse ‘coisa de macho’. No filme, as mulheres fazem boxe e musculação, porque essas modalidades no mundo invertido são atributos exclusivamente masculinos. Só aviso que o Pilates foi inventado por um homem, inclusive, para tratar sequelas de feridos em batalha. E me decepciono com o fato do filme ser tão sexista que estabelece até quais atividades físicas são de homem e quais são de mulher. No mundo de quem escreveu esse roteiro não existem rondas rouseys.

O marido traído em questão, diz que pretende tirar satisfação com o rival porque “ninguém toma o que é dele”. Mais uma vez, se os papéis são invertidos, o filme está dizendo literalmente que as amantes é que são as culpadas pela traição dos maridos safados que existem por aí e que esposas traídas deveriam ter ódio dessas amantes, porque afinal, seus maridinhos coitados, são homens e por isso seus pecados devem ser todos perdoados pelas ‘leis da natureza.’ Afinal, pinto não pensa e homem é imaturo, tsc tsc!

Paródia desrespeitosa com os grupos feministas que utilizam a nudez como ferramenta de protesto

Cada um com sua responsabilidade

Não digo que mulheres que se envolvem com homens que elas sabem ser comprometidos não tenham sua parcela de responsabilidade na infelicidade alheia. Elas têm. Embora sejam solteiras, poderiam ser mais solidárias com as outras mulheres e não dar trela para homem escroto que desrespeita a pessoa com quem é casado. Mas daí a vilanizar amantes e absolver os homens que têm até mais culpa porque eles é que são os casados na história, definitivamente, não dá! É agressão demais à inteligência das expectadoras.

Outras cenas que me deixaram triste, aliás, eu queria ‘desver’ esse filme: quando a mulher do amigo de Damien está assistindo futebol na TV e usa palavras como ‘biscate’ e ‘vadias’ para xingar as jogadoras do time adversário; quando o filho mais velho do amigo de Damien sai de casa para ir à aula de balé (como se meninas adolescentes só pudessem fazer balé na vida!); quando, em um bar, Damien bebe demais e começa a ser molestado por um grupo de mulheres e a esposa do amigo dele chega para ‘defendê-lo’ e cai na porrada com outras mulheres, mais uma atitude de ‘macho alfa’ invertida; as cenas de homens se depilando, colocando máscara facial e cuidado da beleza física com o objetivo de ser mais atraentes para suas mulheres, partindo da ideia de que mulher só se arruma para agradar homem e não para ela mesma; e, por fim, as mulheres no banheiro do boteco mijando em pé com a tampa do vaso abaixada e arrotando, como qualquer homem ogro que se preza.

O olhar desse filme sobre diversidade e respeito é tão distorcido que também desconsidera todas as outras possibilidades de vivência da identidade de gênero e da sexualidade humana para além de homens e mulheres e das relações heterossexuais. Um exemplo de lesbofobia que vi nos comentários do Filmow: mulheres dizendo que a personagem Alexandra, a namorada de Damien, é sapatão, como se ser lésbica fosse desqualificante.

O mais irônico é que as mesmas pessoas que acharam a reinvenção da roda ver mulheres bancando as opressoras, também acharam estranho a atitude masculinizada da personagem e já rotularam de sapatão como se ser sapatão fosse ofensivo!

Ou seja, o filme só complica mais ainda o parco entendimento da média da população sobre gênero, sexualidade e identidade. Ao invés de desconstruir preconceitos, reforça estereótipos. A sensação que dá é que quem escreveu o roteiro milita na causa masculinista, que tem como foco justamente desacreditar o feminismo e pregar que as mulheres desejam ‘subverter a ordem natural’ e dominar o mundo, oprimindo os ‘pobres coitados’ dos homens. Masculinistas são misóginos e o filme prega a misoginia disfarçando o discurso em sátira e humor duvidoso.

Damien e o uso equivocado do shortinho. Um reforço do filme à cultura do estupro

O outro lado da moeda

Em outra cena, Damien vai trabalhar de shortinho e recebe cantadas bizarras na rua, como a maioria das mulheres recebe diariamente. Só que ele ri dos comentários grosseiros e ainda passa a ideia errada de que mulher, ao sair de roupa curta, ‘está pedindo’ para ouvir baixarias! Damien veste o shortinho com o intuito deliberado de seduzir a nova chefe. O filme transmite outra ideia totalmente errada, pois mulher não veste roupa curta para se objetificar deliberadamente. Vestimos o que gostamos e o que nos deixa confortáveis, de acordo com a estação do ano, o humor, a nossa vontade. Quem lança olhares objetificadores sobre nossos corpos são os homens, que com isso querem nos controlar e tolher. 

Mulher também não ri de cantada grosseira, ela fica constrangida e amedrontada, porque os índices de estupro alarmantes estão aí para nos mostrar que vivemos em um mundo cruel, onde as mulheres que vestem roupas curtas ‘estão pedindo’ (olha o discurso machista aí de novo) e onde o espaço da rua é hostil para as mulheres porque convencionou-se de achar que a rua é lugar de homem e o lar é o lugar da mulher.

Desonestidade intelectual e má fé

Damien é um personagem consciente da inversão dos papéis. Ele é o único personagem do filme que lembra de como era o mundo antes da troca de posições e, na maioria das vezes, suas reações diante da opressão das mulheres e da submissão dos homens no mundo invertido é uma atitude de ‘macho alfa’ que se sente ameaçado e que quer que as coisas retornem a ser o que eram.

A inversão do mundo, e atentem que para haver uma ideia de inversão é preciso antes haver a ideia de uma ‘norma’, é um delírio do protagonista, mais uma prova de que ele é o alter-ego de todo machista e masculinista de plantão que morre de medo de virar a presa, ao invés do predador.

Do meio para o fim, o filme junta Damien com um grupo de homens que militam no ‘masculismo’ contra a opressão feminina. O ‘masculismo’ do filme seria o feminismo inverso. E é aí que o roteiro, mais uma vez, erra rude! Os caras preparam um ato de protesto vestindo próteses de silicone que simula seios femininos, em uma paródia de mau gosto dos grupos feministas que utilizam o corpo nu como arma de resistência.

Tentei assistir a Eu não sou um homem fácil com o coração aberto, apesar desse título infeliz e da cena inicial que me partiu a alma. Mas dei um voto de confiança e achei que no avançar das cenas, a produção poderia ser educativa para homens que insistem no machismo e para mulheres que ainda reproduzem julgamentos machistas sobre outras mulheres. Mas, infelizmente, a produção só utilizou a opressão vivida por nós mulheres como pano de fundo para tecer uma narrativa perigosa, que menospreza o tamanho das nossas dores e faz propaganda antifeminista e misógina. Deseducativo para homens e mulheres até dizer chega!

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Cinema espanhol: filmes dirigidos por mulheres

A dica vai para os amantes do cinema. O Instituto Cervantes de Salvador, realiza, entre os dias 4 de maio e 8 de junho, sempre às sextas-feiras e às 18h30, mais uma edição da Mostra Espaço Feminino: Mulheres Diretoras no Cinema Espanhol. O objetivo da mostra é apresentar a cultura cinematográfica da Espanha a partir de filmes dirigidos por mulheres.

Os filmes escolhidos em cada edição, que tem organização e curadoria da Coordenação de Festivais de Cinema Feminino TRAMA (para longas-metragem) e da CORTOSFERA (para os curtas), propõem um diálogo entre cultura cinematográfica e as discussões de gênero.

A programação é gratuita e as produções, exibidas no auditório do Instituto Cervantes, têm áudio em espanhol e legenda em português.

Programação

MAIO

Dia 04

A Noiva (La Novia), de Paula Ortiz (Espanha, 2015, 93 min) – Classificação: 16 anos

Desde pequenos, Leonardo, o noivo e a noiva formam um triângulo inseparável, mas à medida que se aproxima a data do casamento, as coisas começam a se complicar entre ela e Leonardo, porque entre os dois sempre houve algo além de amizade. A crescente tensão entre eles é como um fio invisível, impossível de explicar, e tampouco romper. Inspirado na peça teatral Bodas De Sangue, de Federico García Lorca.

Dia 18

Requisitos Para Ser Uma Pessoa Normal (Requisitos para ser una persona normal), de Leticia Dolera (Espanha, 2015, 81 min) – Classificação: 7 anos

María de las Montañas é uma mulher de 30 anos a quem a vida não sorri: ela não tem emprego, foi expulsa de seu apartamento, não tem parceiro e vive longe de sua família. Em uma entrevista de trabalho lhe perguntam que tipo de pessoa ela é e, ao perceber que não cumpre nenhum dos requisitos para ser considerada “normal”, ela começa a reunir esforços para isso: se tornar uma pessoa normal.

Assisti esse no ano passado, na Netflix, e recomendo para quem gosta de comédias leves e meio nonsense, com protagonistas ‘gente como a gente’.

Dia 25

Riot Girls: Espanholas em Curta

Senhora Wamba (Miss Wamba), de Estefanía Cortés (Espanha, 2017, 17 min)

Classificação: 7 anos

Uma mulher atormentada pelo passado conhece um idoso com o qual tem uma empatia imediata. Oásis, de Carmen Jiménez.

Oásis, de Carmen Jiménez (Espanha, 2014, 15 min)

Classificação: 16 anos

Nieves é contratada como porteira de um edifício em meio de ruínas na cidade de Nova York. O trabalho fica mais difícil que o previsto quando descobre o segredo que esconde um dos apartamentos.

Sara à Fuga, de Belén Funes (Espanha, 2015, 15 min) – Classificação: 12 anos

A jovem Sara vive há muito tempo numa instituição para menores e não vê o pai há muitos anos. Ele prometeu vê-la, mas suas promessas não têm nenhum valor para Sara. A tutora Núria fará o possível para ajudá-la na dramática situação de Sara.

Escória, de Laura Sisteró e Alejo Levis (Espanha, 2016, 16 min)

Classificação: 7 anos

Uma pequena comunidade de jovens mulheres está marcada por uma série de estranhas normas e rituais. A rotina é interrompida com a morte de uma delas. A melhor e mais íntima amiga da vítima se rebela contra a líder do grupo e às imposições existentes.

JUNHO

Dia 8

María Moliner – Estendendo Palavras (María Moliner – Tendiendo palabras), de Vicky Calavia (Espanha, 2017, 70 min)

Classificação: Para todas as idades

Documentário sobre a vida de María Moliner. Autora de um dos principais dicionários da língua espanhola, ‘Diccionario de Uso del Español’, a bibliotecária dedicou a vida dela à difusão da cultura através dos livros. Uma das intelectuais mais importantes da lexicografia espanhola.

Anote na agenda:

O quê – Mostra Espaço Feminino: Mulheres Diretoras no Cinema Espanhol

Quando – de 04 de maio a 08 de junho, às 18h30

Onde – Auditório do Instituto Cervantes de Salvador (Ladeira da Barra)

Quanto – entrada gratuita. Sujeita à lotação do auditório.

*Com informações do Instituto Cervantes Salvador

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Por que tanto interesse na vagina alheia?

A mania nacional é se meter na vida dos outros, principalmente das outras. E ditar regras de comportamento. E determinar o que é certo ou errado até na vagina alheia. Presenciei uma conversa em que os interlocutores torciam o nariz para a ginecologia estética. Um dos alarmados com a prática era um homem cheio de ‘boas intenções’. Ele defendia que uma feminista que se preocupa com a estética da vagina está traindo o movimento.

Bom esclarecer que não se tratava de trair movimento nenhum, porque as feministas defendem todos os movimentos baseados no respeito e na dignidade. Se alguém, principalmente homem, explica que o feminismo é sobre proibições, não entende nada do assunto. Feminismo é sobre liberdade, sobre ter o direito de ser e fazer o que quiser, sendo respeitada pelas próprias escolhas.

É sobre igualdade de direitos e de oportunidades. Sobre autonomia, autoconfiança, autoestima. Sobre não ceder às pressões ditadas por quem insiste em rotular, enquadrar e ditar regras de comportamento para as mulheres, como se elas fossem coisas sem vontade, propriedade, objeto inanimado. Como se suas vaginas, embora estejam em seus corpos, pertencessem ao coletivo e todo mundo pudesse palpitar!

Vênus de Urbino (Ticiano, 1538)

Vários movimentos em um só

O que se chama de movimento feminista teve muitas fases desde a sua origem. E cada fase dessas fez jus ao tempo histórico onde esteve inserido e deu sua contribuição para que nós chegássemos onde estamos. Daí para a frente é com a gente e com as gerações que vão nos suceder, porque ainda existe muita coisa a ser conquistada.

De alguns anos para cá, o feminismo deu mais saltos evolutivos. E, cada dia mais, vem se tornando não um, mas diversos movimentos que se apoiam e conectam, porque existem muitas formas de vivenciar o feminino. E, por isso, há quem prefira agora dizer feminismos, no plural, para incluir todas as vertentes, ao invés de incentivar clubinhos.

Mulher não é ‘tudo igual’. Vagina não é ‘tudo igual’, como pensam os machistas de plantão. E tem mulheres que vivem experiências e opressões específicas, como as trans, as negras, as lésbicas, as gordas, etc.

Os feminismos vêm buscando se abrir para essa diversidade de vivências do feminino porque o mundo vem buscando se abrir para a diversidade das pessoas. O caminho ainda é longo, cheio de avanços e recuos, mas a gente chega lá, tem de continuar caminhando e superando os obstáculos.

Voltando a focar na vagina

Esclarecidos, rapidamente, o que são os feminismos deste século XXI onde vivemos, quero falar da vagina, porque é esse determinado aspecto da anatomia de determinados corpos femininos que as pessoas querem controlar.

Vamos filosofar sobre o que significa alguém, especificamente se for homem, abrir a boca para criticar quem fez plástica na vagina. Entender o que leva alguém a estabelecer se é feminista ‘raiz’ ou ‘nutella’ quem fala sobre o assunto sem pré-julgamentos e preconceitos.  

Até porque, de verdade, gente, se a vagina não é sua, para que mesmo interessa se A, B ou C operou, cortou, esticou, lipoaspirou, rejuvenesceu, apertou, elasteceu?

Para ser justa, não são só os homens que não têm direito de criticar quem faz o que quiser e bem entender com a própria vagina. Mulheres não tem o direito de ditar regras e estabelecer normas sobre o corpo das coleguinhas.

Vênus Capitolina (Séc. IV A.C.)

Nem ranking, nem medalha

Ainda existem moças que não perceberam que o feminismo não se trata de estabelecer as suas normas para enquadrar as outras, tirando do clube as mulheres que alguém considera não serem dignas de pertencer ou carregar o título de feministas. Ainda tem mulher querendo determinar quem deve ou não ser considerada ‘mulher de verdade’. Leiam Simone de Beauvoir, revisar os clássicos sempre ajuda.

Não tem carteirinha. Não tem essa de raiz ou nutella. Não existe mulher de verdade ou de mentira. Tem inclusão. Não é para fazer ranking entre os muitos feminismos, é para ter respeito. Solidariedade entre mulheres que se unem pelos pontos em comum e se respeitam nas diferenças e apoiam as lutas umas das outras. Porque se eu não sei o que significa ser mulher trans, lésbica ou negra, tenho de dar um passo atrás e deixar as trans, lésbicas e negras serem protagonistas de suas lutas.

Por também ser mulher, dou o meu apoio, me solidarizo com a dor de quem tem uma realidade diferente da minha. Mas não estabeleço hierarquia entre minhas necessidades e as das outras mulheres. E nem digo que a bandeira que carrego é mais ou menos pesada ou importante, apenas tem diferenças. No dia em que todas as mulheres entenderem isso, o machismo estará ferrado de vez!

De boas intenções…

É preciso cuidado com as boas intenções e os infernos que elas trazem. Criticar algo que não se gosta, concorda ou faria é um direito. Mas desmerecer quem faz uma escolha diferente da nossa é desrespeito.

Da mesma forma, é desonestidade rotular de melhor ou pior feminista quem respeita a decisão alheia de operar a própria vagina. É desonesto porque padroniza e estimula a competição entre as mulheres. Uma mulher não pode ditar regras sobre os corpos e as vontades de outra, porque uma não é a outra. Para decidir, é preciso vestir a pele da colega no sentido literal e isso não existe. Eu visto meu corpo, você veste o seu.

Empatia é entender a dimensão da dor do outro, fazendo um exercício de se colocar no lugar da pessoa ferida, mas isso só é possível metaforicamente. Por mais empatia que se tenha, nunca seremos capazes de sentir exatamente o que o outro sente. Porque os corpos e os espíritos são diferentes. O bonito é compreender o outro mesmo na diferença.

As três graças (Rafael, 1504)

A vagina no meio do debate

O problema com técnicas para rejuvenescer ou remodelar vaginas, para mim, não é a medicina, ou estética, em si, mas o conceito por trás da intervenção. O serviço foi criado em algum momento por existir demanda. Assim como ocorre em outras intervenções – como a lipoescultura, lifting facial, redução ou aumento de seios -, no caso das vaginas remodeladas, existe sim um certo modelo opressivo vendido como ‘a mulher ideal’. É preciso alimentar a indústria que existe à custa da nossa insatisfação.

O ponto é descobrir porque as insatisfações se tornam insatisfações. O desafio é expandir cada vez mais esse círculo que restringe a um determinado tipo de padrão, de corpo, de pele, de cabelo, de tamanho, e ir incluindo o máximo de gente. Até que um dia todo mundo entenda que a pluralidade é boa e as belezas são diferentes, nem melhores, nem piores.

Essa demanda foi gerada por quê? Por que tem mulheres que se sentem inseguras com seus corpos apontados e vigiados? Por que tem mulheres que se sentem humilhadas pelos parceiros que, quando elas envelhecem, costumam fazer comentários maldosos sobre o aspecto de suas vaginas, como se eles também não ficassem mais velhos e flácidos? Por que existe uma cultura secular que desmerece as vaginas, que odeia vaginas, que despreza, diz que são feias, que fedem, que estão largas de tanto transar? Por que existe um culto à juventude, que muitas vezes beira à pedofilia, que enaltece as ‘novinhas’? Por que existe um fetiche cruel de que quanto mais apertada for a mulher, mais o homem terá prazer, mesmo que durante o sexo ela sinta dor e incômodo? E como se o prazer dela não fosse tão importante quanto o dele? A resposta é sim para todas essas perguntas acima e para outras que não couberam aqui.

Existe uma lógica perversa por trás dos ideais de beleza e sensualidade femininas? Existe. Mas existe também um discurso que se pretende em defesa das mulheres, mas no fundo, é só mais uma caixa que tenta nos aprisionar, etiquetar e desconhecer nosso direito mais básico e humano de decidir ‘sem ser julgadas’ o destino de nossos próprios corpos, vontades, sexualidade…

Sem falar, também, no tanto de homem por aí que se acha no direito de nos explicar o que são os movimentos feministas e como uma feminista deve ser ou se comportar. Sério, rapazes? Vocês querem mesmo explicar para as mulheres como é ser mulher e lutar por direitos e reconhecimento em um mundo ainda dominado por homens?

Sim, e daí?

A conclusão desta longa reflexão é bem simples: a mulher que decide se submeter a uma intervenção na vagina ou em outra parte do próprio corpo por estética, e não por necessidade da saúde do órgão, tem seus motivos e só ela sabe quais são ou porque cederá a eles.

Pode questionar se é por ela mesma que faz a cirurgia, se para favorecer a própria autoestima, ou se vai encarar o risco de um procedimento invasivo e um processo de recuperação, às vezes incômodo, só para agradar alguém ou obedecer aos padrões da sociedade?  Até pode. Mas pode, e deve, principalmente e sempre, respeitar a decisão que ela tomar, porque só ela sabe o que carrega no corpo.

Às vezes, dá aquela vontade de ter varinha de condão e sair por aí fazendo abracadabra e botando juízo e bom senso na cabeça de quem a gente acha que está precisando. Mas, se as pessoas tivessem esse poder, já imaginaram como o mundo seria assustador?

Sejamos mais educadores e aprendizes uns dos outros enquanto pessoas. E menos juízes e algozes de quem pensa ou age diferente de nós. Nem toda mulher que faz plástica em qualquer parte do corpo tem a autoestima baixa ou é teleguiada. A lógica perversa existe, as demandas sugeridas também, tem muita gente que ainda se ilude ou deixa abalar por críticas negativas e por pressões de companheiros, é verdade.

Mas é preciso reconhecer e respeitar a liberdade de cada pessoa, principalmente de cada mulher, fazer o que deseja com o próprio corpo e a própria vida. Desde que nossas decisões individuais digam respeito apenas a nós mesmas e não prejudiquem aos outros, ninguém tem direito de interferir, mesmo com ‘boas intenções’.

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Atividade Física: cada corpo tem ritmo próprio

Atividade física não tem padrão, porque os corpos não são iguais. A frase óbvia ainda é necessária nesse mundo que teima em confinar pessoas em caixas padronizadas. Lembrei dela um dia desses, enquanto jantava em um restaurante e, perto de mim, um grupo conversava sobre treinos e metas a cumprir. Uma das pessoas da mesa vizinha confessou não conseguir acordar cedo para malhar. Uma outra integrante do grupo, que parecia ser assídua na academia, disparou: “ah, mas você tem de fazer o sacrifício!”. Na verdade, ela não tem. O que ela pode fazer, e que é bem mais saudável, é encontrar o horário do dia em que mais se sente confortável para se exercitar.

Cada corpo tem seu próprio ritmo e vai reagir de uma determinada forma ao exercício. Então, não adianta soprar um apito militar e chamar musculação de ‘mal necessário’ para convencer quem detesta a atividade a aderir. Ou dizer que depois de um tempo de sacrifício, o corpo acostuma a dormir menos e a malhar mais. Ou, ainda, que a endorfina do exercício supre a ausência do sono.

Não é bem assim. Existem centenas de maneiras de trabalhar os músculos, ganhar tônus, elasticidade, flexibilidade e força, ou uma nova silhueta para quem tem esse foco, que não seja uma hora ‘puxando ferro’. Tem gente que naturalmente desperta às 5 das manhã para fazer exercícios, enquanto outros preferem ir à academia no meio da tarde ou à noite. Assim como tem gente que começando o dia às 5, às 22 horas já está nos braços de Morfeu. Enquanto outros preferem, e podem, dormir à meia-noite e acordar somente às 8.

Independente dos horários apertados do nosso cotidiano, é preciso encaixar a atividade física que mais nos agrada, no horário em que nosso corpo reage melhor. Respeitar o ciclo circadiano e as preferências de cada pessoa, acredito, é o primeiro passo para se obter o objetivo desejado com os exercícios. Fazer uma atividade só por obrigação, porque o personal botou pressão e chamou de preguiçosa é um ato de violência autoimposta.

Meus limites, minhas regras

Não gosto das aulas convencionais de musculação, mas amo pilates. Também não me adapto aos personal traineres que parecem estar preparando uma tropa de combate. Na pressão e no grito, mesmo que de incentivo, ninguém tira nada de mim.

O pilates me atrai justamente pela combinação de diversos tipos de exercícios com alongamento, atenção à respiração e a filosofia por trás de cada movimento. Além do respeito ao ritmo, condicionamento, idade e história marcada em cada corpo.

Raramente você encontra instrutor (a) de pilates que te trate como um recruta lerdo. Pelo contrário, mesmo quando exigem mais dedicação, existe o cuidado em não ultrapassar os limites que cada um consegue alcançar. Lógico que existem muitos personal traineres, instrutores de artes marciais e de outras modalidades que também respeitam os ritmos de seus alunos. Por isso, é importante priorizar profissionais com formação adequada.

Também amo atividades na água, como natação e hidroginástica. E dança, que mistura diversão e o trabalho com todos os músculos, ao mesmo tempo em que diverte e dá uma sensação de liberdade e poder. Para mim não tem nada mais encorajador do que aprender a executar um passo novo e deslizar pela vida.

Os atropelos do cotidiano

Assim como a moça da mesa ao lado, que não consegue acordar cedo para ir à academia, eu preciso de oito horas de sono para ficar bem, saudável, criativa e focada nas atividades diárias. Sempre fiz atividade física em horários alternativos, justamente porque meu corpo demora para despertar. Como meus horários de trabalho também variam, encaixo os exercícios de acordo com as demandas do dia e minhas necessidades físicas.

Sou aquela pessoa que desperta sutilmente. Não fico enrolando na cama, mas gosto de levantar com tranquilidade, sem pressão, fazer a higiene matinal, tomar um bom café, ler o noticiário ou um capítulo do livro da vez. Daí em diante, planejo o dia de acordo com as obrigações a cumprir. Tento, na medida do possível, garantir meu tempo de sono, porque me conheço bem e sei que sofrer privação de descanso me faz adoecer.

Na infância, era obrigada a acordar cedo para ir à escola. Sempre estudei de manhã porque a rotina dos adultos da casa assim determinava. Embora, como os gatos, eu seja mais ativa ao cair da tarde e chegada da noite. Infelizmente, acordar fora do ritmo acontece com muitas crianças porque as escolas no Brasil, a maioria, iniciam as aulas às 7 da manhã. Ou porque os pais precisam ir trabalhar e nem sempre tem quem cuide dos filhos no turno matutino. Para as crianças que despertam a pleno vapor, está tudo bem. Mas aquelas que são mais ativas à tarde, aprendem desde cedo que é preciso se violentar para conquistar uma meta, no caso, a educação formal.

Não deveria ser assim. O mundo, desde a infância, poderia respeitar nossos ritmos. E esse respeito se estenderia para a vida adulta, com as pessoas tendo a opção de trabalhar nos horários em que são mais ativas. É um pensamento utópico, eu sei. Ainda não chegamos em um nível de evolução em que as dimensões humanas sejam mais respeitadas do que os índices de produtividade. E, mesmo com tanta tecnologia para facilitar o cotidiano, ao invés de termos mais tempo, estamos cada vez mais cansados e sobrecarregados.

É ingenuidade achar que antigamente, no tempo dos nossos avós, com a vida mais rural, as pessoas viviam em um ritmo mais confortável. Na verdade, muita gente que acordava às 3 da manhã para começar a lida no campo, passava por cima do próprio sono por necessidade: se não plantasse, não comia. Hoje, que a vida é mais urbana, atropelamos nossos ritmos naturais por diversos outros motivos. Mas, em alguns casos, dá para negociar e viver mais perto do ideal.

Foque na meta, mas sem culpa

Somos ‘obrigados’ pelas circunstâncias da vida a cumprir horários pré-determinados de estudo e trabalho. Nas coisas que podemos escolher, ninguém deveria ser forçado a extrapolar seus limites. Atividade física não é obrigação, é escolha. Por mais que seja benéfico para a saúde – e adotar uma rotina de exercícios repercuta de forma positiva em outros aspectos da vida -, ainda assim, é uma opção praticar ou não alguma modalidade. Tem gente que melhora os outros aspectos da vida, como o controle do estresse, com viagens ou meditação. Cada cabeça é um mundo, diz o ditado. E a gente pode ampliar para ‘cada corpo é um mundo, com suas particularidades’.

Ginástica é igual a dieta. Tirando os casos em que a recomendação médica prevalece por risco de vida (diabetes, colesterol ruim elevado, alergias severas, etc.), se privar de comer algo que gostamos para perder peso – por padrões estéticos, por exemplo – sempre vai ser uma escolha individual, pessoal e intransferível.

A questão é perceber se as escolhas que fazemos são conscientes e atendem nossos próprios anseios e necessidades ou se estamos apenas seguindo regras ditadas pelas caixinhas que padronizam pessoas e as hierarquizam de acordo com determinados comportamentos.

Diariamente, digo para mim mesma: “Antes de focar na meta, foque em si mesma e avalie seus caminhos com base nos próprios desejos e em um carinho muito grande pelo que você vê no espelho, respeite os ciclos internos e os limites do seu corpo”. Me esforço para atender a esse chamado interno…

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Abrir mão e deixar ir pode ser melhor

abrir mão deixar irAbrir mão e deixar ir também é um ato de amor. Se não for de amor, é de libertação ou até de resiliência. A motivação da decisão vai variar, mas ela pode ser uma decisão bem sensata, embora a expressão desistir sempre esteja associada a uma conotação negativa. São muitas as frases motivacionais que nos mandam lutar até o fim, que nos incentivam a persistir, que nos dizem para não desistir. Mas você já parou para pensar que, em algumas situações, desistir pode ser a melhor escolha? Tem vezes que você apenas bate cabeça em ponta de prego ao decidir continuar lutando. Tem vezes que a batalha já está perdida e você continua ali, atirando para todos os lados, sem ter exatamente no que mirar. Nestes casos, o melhor mesmo é abrir mão e deixar ir.

Desistir não é sinônimo de fraqueza. Nem sempre. Abrir mão de alguma coisa pode significar, pelo contrário, um indício de força. Pode indicar a vitória em uma guerra da qual você não tinha a menor chance de sair vencedora. E não, nem sempre é uma decisão fácil a se tomar. Especialmente quando você tem aquele perfil do embate, quando gosta de vencer, quando está acostumado a enfrentar as batalhas da vida. Mas a gente precisa entender que o conceito de vitória é relativo. Quem disse que abrir mão de alguma coisa significa perder? Onde você viu escrito que deixar alguma coisa ir quer dizer que você foi derrotado? Ah, e quem disse que “perder” é sempre ruim? Há situações inúmeras em que perdemos aqui para ganharmos lá na frente.

Às vezes a luta nos deixa cegos. Pode chegar àquele momento em que você está duelando apenas porque já entrou na guerra. let it goSequer consegue vislumbrar o campo de batalha e a disposição de seu objetivo. De fato, ser racional em um momento desses não é uma tarefa fácil. Não mesmo. Fechar um ciclo as vezes dói, nos faz sofrer… Por outro lado, tomar a atitude e deixar ir demonstra o tanto de maturidade que a gente alcançou. No fim das contas, é preciso ter coragem, é preciso reconhecer quando a relação (pessoal, amorosa, profissional) chegou ao final. Em prol do nosso equilíbrio, da nossa paz e, sim, da nossa felicidade, é importante aceitar que nem tudo é do jeito que a gente quer, e quem nem tudo o que a gente quer nos faz realmente bem.

A palavra chave talvez seja sabedoria. Uma delas. A sabedoria que a gente acumula com o tempo, que se fortalece com as pancadas que tomamos da vida. E são essas mesmas pancadas que acabam nos ajudando a prevenir pancadas futuras. Uma faca de dois gumes? Eu diria que não. O aprendizado faz parte do processo. E o que hoje parece uma pancada, amanhã nem sempre se mostra assim. Então é isso. Abrir mão e deixar ir é um exercício. Com o tempo, nosso discernimento em relação ao que não merece nosso esforço vai aumentando. E deixar ir pode se transformar numa tarefa menos dolorosa. Mas precisamos assimilar os aprendizados da vida. Que a gente fique cada vez mais atentas a eles.

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Krav maga para mulheres, sim!

Uma coisa que aprendi na vida é que você pode ser bom em qualquer coisa, basta se dedicar. A frequência, intensidade e esforço farão a diferença. Aliás, seu desempenho será diretamente proporcional ao tamanho de sua entrega. No krav maga é a mesma lógica. Quando comecei as aulas, me achava um horror. Me questionava se um dia conseguiria ter a agilidade necessária, se conseguiria concatenar os golpes… E aí fui treinando, aproveitando as oportunidades extras de treinos que apareciam. Uma das coisas boas da Federação Sul Americana de Krav Maga (FSAKM) é que ela está sempre oferecendo oportunidades de treino aos alunos: são seminários, cursos, oficinas, eventos. E o melhor da Academia Haganá é que nosso instrutor, Roque Jorge, potencializa essas oportunidades e sempre nos oferece mais. E daí que já faz um tempo que eu cheguei à conclusão: Krav Maga para mulheres, sim! Nós precisamos.

krav maga para mulheres

Anualmente, a Federação proporciona um seminário gratuito em comemoração do Dia Internacional da Mulher. Normalmente, é um treinamento aberto às mulheres, alunas ou não. Este ano foi diferente, montaram um evento específico para nós, alunas. Pense aí você ter a oportunidade de participar de uma atividade durante quatro horas e gratuita? Pois é. Ganhamos esse presentão, e o que posso dizer é que foi muito bom. O Krav Maga para mulheres tem se fortalecido no mundo, e aqui no Brasil não tem sido diferente. Como o treinamento foi fechado para as meninas que já possuem contato com o krav maga, os instrutores puderam direcionar o seminário, corrigir cada detalhe e foram muito além. Isso porque esses eventos abrem as portas para que eles se aprofundem ainda mais, para que abram nossos olhos para outras possibilidades que podem ocorrer na rua. E nós saímos ganhando muito.

krav maga para mulheres

E, gente, sério! Quando o que está em jogo é nossa segurança, não dá para vacilar. Cada detalhe conta. É como a gente sempre ouve falar durante as aulas: ninguém quer passar por uma situação de perigo. Nós treinamos, nos dedicamos, mas, efetivamente, é claro que não queremos passar por nenhuma situação que coloque nossa integridade física e mental à prova. Mas não somos donas do mundo, não temos bolinha de cristal e, infelizmente, vivemos em um mundo violento que não respeita a mulher. As estatísticas da violência contra a mulher são assustadoras. Dados do 11º Anuário Brasileiro da Segurança Pública mostram que, em 2016, foram registradas 49.497 ocorrências de estupro no País. Gente, são 135 estupros por dia! São 5,6 estupros por hora!!! Vocês têm noção do que esse número representa? E sabem o pior? Esses foram os estupros registrados! Muitas pessoas sequer procuram uma delegacia para denunciar.

krav maga para mulher

E não é só isso! A cada duas horas, uma mulher foi assassinada em 2016. É uma realidade frustrante, dura, triste. Mas é realidade. Estamos sujeitas a isso e somos naturalmente vulneráveis. Como estava falando antes, claro que ninguém quer passar por uma situação de violência. Mas se ela acontecer, honestamente, eu prefiro estar preparada para enfrentá-la. Nós que treinamos não somos loucas, nem defendemos a violência gratuita. Aliás, não somos treinadas para disseminar a violência, nem para reagir a qualquer custo. Mas, se eu precisar reagir em alguma situação, eu prefiro, um milhão de vezes, saber o que devo fazer, como devo fazer e que técnica posso usar para me defender. Eu quero que meu corpo já tenha repetido aquele movimento milhões de vezes nos treinos e que, automaticamente, ele repita mais uma.

Sim, é o krav maga para mulheres. Graças a ele, hoje estou muito mais atenta, mas observadora. Olho ao meu redor com mais cuidado, presto atenção na rua, não ando mais distraída. Ainda tenho uma longa caminhada pela frente, só sei o básico, mas quero mais. E por isso eu treino, sim. Por isso acordo cedo em um domingo para treinar. krav maga para mulherPor isso, várias mulheres no Brasil inteiro levantaram cedo no último domingo para treinar. Por isso várias mulheres estão se unindo nesse propósito do autocuidado, da preservação. Nós defendemos a importância e eficiência do krav maga para mulheres. A gente se une, se ajuda, observa uma à outra, se dedica. E a gente conta com um monte de homem bacana nos treinos, que nos auxiliam nessa caminhada em busca da melhor técnica.

Krav Maga para Mulheres

As mulheres que ainda não treinam ganharam um mega presente da nossa Federação este ano, pelo Dia Internacional da Mulher e aniversário de 50 anos de Krav Maga do nosso mestre Kobi, que trouxe a arte de defesa pessoal para o Brasil. Qualquer mulher pode treinar durante todo o mês de março gratuitamente em uma das academias de Krav Maga de todas as Américas.

Sim, é só se dirigir à academia e informar que quer participar da promoção do mês da mulher. Para quem se interessar em treinar aqui em Salvador, em Brotas, é só deixar uma mensagem que explico direitinho como funciona ou pode entrar em contato diretamente com meu instrutor pelo whatsapp, no número que segue logo abaixo. É aquela velha máxima do: todas as mulheres nasceram iguais, mas depois algumas entraram para o Krav Maga. Junte-se a nós.

Contatosacademia hagana
Academia Haganá (Krav Maga Brotas)
Instrutor: Roque Jorge
Tel: 71 99964-5948 (whatsapp)
Facebook: https://www.facebook.com/AcademiaHagana/

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Jump Test: avaliação ajuda no rendimento

jump testPromessa é dívida, e estou eu aqui para contar a vocês em detalhes como foi o Jump Test que fiz com Marcos Barreto. Antes de mais nada, acho fundamental destacar a importância da avaliação física. Ela é indispensável para uma adequada prescrição de exercícios físicos. Se você passa por uma avaliação física, o seu instrutor vai ter conhecimento exato sobre o seu nível de condicionamento físico, suas limitações, fatores de riscos, doenças preexistentes e até sobre possíveis riscos de lesões. Só por meio dela o profissional de educação física será capaz de avaliar a maior necessidade do aluno e criar um plano de atividades que ajude a melhorar seu desempenho e alcançar seus objetivos.

E o que eu acho mais legal é que com a avaliação física você consegue acompanhar o seu desempenho e trabalhar em cima do estabelecimento de metas. Pra mim é muito mais motivador, quando sei que lá na frente terei como avaliar a minha evolução. Existem vários tipos de avaliação física, como a anamnese, a avaliação antropométrica, de flexibilidade, postural etc. Mas, neste post, vou falar especificamente de um tipo de avaliação, o Jump Test.

jump testComo mencionei nas redes sociais e citei acima, eu fiz o Jump Test com Marcos Barreto, ele é Bacharel em Educação Física, com especialização em Fisiologia e Prescrição do Exercício e em Bioquímica do Exercício. Eu já conheço o trabalho de Marcos faz tempo, inclusive já treinei com ele, ele é instrutor na academia em que eu malhava. Por isso, por confiar no trabalho dele e saber da seriedade com que ele trata a profissão, foi que resolvi fazer o Jump Test.

E que diacho é isso? Bem, é uma avaliação de saltos verticais, feita com uma plataforma eletrônica que envia os dados dos saltos realizados para o computador. O equipamento monitora o tempo de contato e de voo durante o salto, possibilitando que o profissional avalie características funcionais e neuromusculares dos músculos dos membros inferiores. Os testes dão indicações poderosas para avaliar o aluno, programar o treino e monitorar o progresso em qualquer tipo de modalidade física que a pessoa seja praticante. No meu caso específico, fiz o testo para tentar melhorar o desempenho na corrida.

jump testEm síntese, o aparelho mede a força, potência e resistência muscular dos membros inferiores do indivíduo. A análise inclui importantes parâmetros, como força explosiva, força explosiva reativa, assimetria bilateral (diferença de força entre membros) e índice de fadiga (teste de resistência). E Marcos acompanha a frequência cardíaca durante o teste, que dura em torno de meia hora, é bem rapidinho. E o ideal é que você faça o teste sem ter treinado antes. Senão, o cansaço interfire no resultado.

Como são feitos os saltos

Ele mede os índices por meio de dois tipos de saltos, o Squat Jump e o Counter Movement Jump. Não vou entrar aqui muito detalhadamente na parte técnica da coisa, porque não é o propósito e não sou especialista. Então vou apenas tentar traduzir as explicações que Marcos me deu. O Squat Jump é realizado a partir da flexão de joelho a 90º, sem um contra movimento anterior. Ou seja, a gente flexiona o joelho, coloca as mãos na cintura para não usá-las no impulso, e salta o máximo que conseguir. O Counter Movement Jump engloba a flexão e extensão rápida das pernas, utilizando a energia estática.

Resultado do meu Jump Test

E vamos ao meu caso particular. Gente, olha que eu treino, tenho rotina de atividade física, e nunca na vida imaginei que precisava melhorar toa. Quando comecei a ler o relatório, a primeira frase dizia “a avaliada necessita melhorar os componentes da força máxima e força explosiva”. Também indicava que eu apresentava déficit de força explosiva reativa e alta perda de potência.

jump test

Resumindo: eu tenho uma rápida queda de rendimento; durante a corrida, meu pé fica muito tempo no chão; e, para completar, existe uma diferença grande da força entre minha perna direita e a esquerda, o que aumenta o risco de lesão.

Minha primeira reação foi ficar arrasada kkkkkkk.. A primeira coisa que você pensa é que está fazendo tudo errado. Mas daí você lembra que o propósito do teste é exatamente identificar o que você precisa melhorar. E os dados ajudarão a criar uma rotina de treino que viabilize essa melhora.

Então, no final das contas, fiquei muito animada e empolgada. Porque o importante não é aquilo que não está bom. O importante é descobrir que eu tenho um potencial imenso para evoluir, que só basta direcionar o treinamento nesse sentido.

E vamos buscar essa melhoria, não é mesmo? Porque melhorar só depende da gente. Daqui a três meses, volto para fazer uma reavaliação, e vou poder medir essa evolução.

CONTATOS

Para quem tiver interesse em fazer o teste, deixo aqui os contatos de Marcos. Além do Jump Test, ele faz uma avaliação física bem completa (teste de flexibilidade, avaliação antropométrica e afins). Depois até me arrependi de não ter feito logo tudo junto, estava muito empolgada com o teste de salto. Mas depois é certo que farei a avaliação completa.

marcos barreto

Marcos Barreto Assessoria Esportiva
marcosbarretoassessoria@gmail.com
Telefone/Whatsapp: (71) 98869-1176
Facebook: https://www.facebook.com/marcosbarretoassessoriaesportiva/

 

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Krav maga no Brasil e março de 2018

krav maga defesa pessoalMarço de 2018. Uma data especial para o krav maga aqui no Brasil, uma data especial para todos nós que treinamos essa milenar arte de defesa pessoal. Neste mês, nosso mestre Kobi completa 50 anos de krav maga. Foi ele quem trouxe a técnica para o Brasil, e se hoje temos a oportunidade de entrar no tatame e aprender a nos defender com eficiência, isso é graças a ele.

Para celebrar, nós, mulheres, ganhamos um presente. Afinal, março também é nosso mês. Durante todo o mês de março, as mulheres poderão treinar gratuitamente krav maga. Serão aulas especiais, tipo oficinas, para nos ensinar a agir em situações de risco do dia a dia. E ainda dá tempo, se você quiser participar! Se você é de Salvador, deixa uma mensagem aqui no post ou manda um whatsapp para meu instrutor (vou deixar okrav maga contato dele no final), que você já combina o horário e dias de treino lá na Academia Haganá, em Brotas.

Tenho certeza de que, quando acabar março, você vai decidir continuar. Sim, o krav maga é um estilo de vida. Vicia. A sensação de você treinar para se proteger é maravilhosa. Conhecer os movimentos de seu corpo e saber exatamente como usá-los a seu favor dá uma segurança que você só entende depois que começa a treinar.

Muita gente me pergunta a respeito do perigo de reagir nas situações de risco. O que eu sempre explico é que o krav maga não nos incentiva a reagir, de jeito nenhum. Mas, se você precisar reagir, é melhor que você saiba exatamente o que fazer. Dou um exemplo simples: se uma pessoa vier com uma faca em sua direção, você vai fazer o que? Esperar ser atingida? Se um cara desarmado tentar te tocar ou te arrastar para algum lugar ermo, você vai com ele passivamente? Vai ficar se debatendo sem qualquer técnica como muitas pessoas fazem? Eu prefiro treinar e saber o que eu devo fazer se coisas assim acontecerem.

krav maga defesa pessoal

Claro que ninguém quer passar por nada disso! Lógico que não quero vivenciar algo assim. Mas já usei uma técnica do krav maga na rua. Não foi numa situação de perigo exatamente, mas consegui evitar uma situação incômoda. E como aconteceu? De longe percebi que dois carinhas me olhavam, riam e conversavam entre si. Porque, sim, o krav maga te deixa muito mais atenta à movimentação nas ruas. Eu estava no bairro da Liberdade, tinha deixado meu carro na oficina e decidido voltar para casa andando (moro num bairro na região e aproveitaria para fazer uma caminhada). Percebi esses dois rapazes, eles vinham na minha direção. Quando estavam próximos, um empurrou o outro em minha direção. Não me pareceu uma tentativa de assalto, me pareceu que ele queria cair por cima de mim, me tocar, sei lá. Foi o que imaginei. Eu era faixa branca. Imediatamente me lembrei de uma defesa, que é usada para tentativa de estrangulamento, quando você consegue se antecipar e atingir a pessoa antes que ela toque em você.

krav maga defesa pessoal

Bem, a defesa funcionou. Usando a mão como uma faca (estou tentando explicar sem qualquer linguagem técnica, aqui, minha intenção é que qualquer pessoa consiga entender), os dedos juntos e enrijecidos, dei um passo para trás e mirei o pescoço dele, na região da traqueia. Deu certo. Ele não conseguiu encostar em mim, caiu no chão com a mão no pescoço e dificuldade para respirar. O amigo foi na direção dele, ver se estava bem. Vi que ele não ia levantar, acelerei o passo e segui em frente. Na rua, algumas pessoas gritaram, foi uma cena bem curiosa. Pode parecer uma bobagem, para mim foi importante conseguir evitar que aquele carinha caísse em cima de mim e tocasse meu corpo. Sei de histórias de outras colegas, não são poucas. Muitas usaram as técnicas, algumas usaram o krav maga para se proteger de ataques dentro de casa. São muitas histórias, e elas só nos dão a certeza de que estamos no caminho certo. De que treinar é a solução.

krav maga

Achei importante escrever esse post hoje, porque hoje foi a primeira oficina do mês de março nos sábados. E fiquei feliz de ver tantas meninas começando a treinar, dando os primeiros golpes. No início nos sentimos meio perdidas, os golpes saem sem muita força, parece que não vamos conseguir acertar um murro. Mas no decorrer das aulas percebemos que tudo é uma questão de treino, disciplina e dedicação. Cada soco dado nos torna melhor naquele soco. Cada chute dado nos torna melhor naquele chute. E assim seguimos. Dia a dia, aula a aula, treino a treino, melhorando, moldando, nos dedicando. Sempre pedindo pra que não precisemos usar as técnicas, para que não passemos por uma situação de risco. Mas com a consciência de que, se isso acontecer e for necessário agir, estaremos preparadas.

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Tocar violão: realizando um sonho antigo

tocar violão fusartAprender a tocar violão era um sonho antigo. No meu aniversário de 16 anos, ganhei um violão de meu pai. Foi uma felicidade gigantesca, mas ele acabou encostado na parede, dentro da capa, por anos a fio. Sempre tive a vida muito corrida, então surgia uma prioridade depois da outra, e o sonho de tocar violão foi sendo adiado. Mais de duas décadas se passaram e vejo na internet um processo seletivo para um curso de violão na Fusart. Era preciso preencher um questionário e responder o motivo de eu querer ter aulas de violão. Sabe aquela sensação de que uma vaga seria minha? Eu tinha certeza!

Alguns dias depois, recebi a boa notícia. Eu havia passado na seleção, e as aulas já começariam na segunda-feira seguinte. Confesso que sempre me achei meio burra para tocar violão. Eu não conseguia imaginar que teria coordenação motora, que sequer conseguiria gravar as notas, as posições dos dedos, a batida nas cordas.

Muita informação! Para mim sempre foi algo surrealmente difícil de imaginar. No primeiro dia de aula, conheci as outras meninas da turma e o professor, Claudio. Cheguei meio desconfiada, achando que ia pagar o maior mico de minha vida, que seria o patinho feio da turma, aquela que não levava jeito pra coisa.

Chegamos, aliás. Eu e meu violão desafinado, com cordas antigas e que já não serviam. Na turma, descobri que todas partilhávamos do mesmo desejo e da mesma “ignorância”. Ninguém sabia tocar violão bulhufas, e todas se sentiam como eu, meio perdidas ali, com muita vontade, muita esperança e sem saber direito o que aconteceria. Mas a turma era maravilhosa. Pensa em uma galera parceira? Em pessoas que motivam umas às outras? Todas incentivam, elogiam, fazem você se sentir muito melhor arranhando nas cordas do que realmente é. E isso facilita muito o processo, ajuda um bocado.

tocar violão fusart

Como é tocar violão com ele?

Mas isso não é suficiente, porque nenhuma de nós sabia sequer segurar o violão direito. O diferencial mesmo tem nome, sobrenome, muito conhecimento técnico e uma didática maravilhosa. O nome dele é Claudio Santos, licenciado em música pela Ufba, o tal do professor. Um profissional incrível, que faz você aprender a tocar sem perceber que aquilo é uma aula. Que acrescenta as notas de uma maneira leve, fazendo tudo parecer muito mais simples.

tocar violão fusartO motivo para hoje eu arriscar uma musiquinha ou outra no violão é ele. Talvez tivesse eu me batido com outro perfil de profissional, teria desistido. Meu dia é corrido, meu tempo é escasso e são zilhões de prioridades. Mas se você mostrar interesse e quiser mesmo aprender, ele não vai desistir de você, ainda que você pense em desistir.

Vai e vem chega aquele zap maroto perguntando se você treinou. Vai e vem, uma cifra. Você piscou, tem lá uma mensagem de incentivo. Claudio é aquele professor que demonstra gostar do que faz. É paciente, ajusta suas mãos o tanto de vezes que você precisar.

E tira suas dúvidas com toda seriedade do mundo, por mais bobas que pareçam. Eu, por exemplo, fui a aluna chata da “mão direita”. Ele deve ter ficado exausto do tanto que lamentei que não sabia fazer a batida, que minha mão direita não obedecia, que eu não tinha ritmo, blá blá blá. E ele sempre foi muito tranquilo e disponível. Me dava todas as dicas do mundo, respondia meus zaps ansiosos. Por isso quis escrever esse post. Porque nós, enquanto alunos, merecemos um professor assim. Porque se você quer aprender a tocar violão, você precisa conhecê-lo, não vai se arrepender.

Sobre a Fusart

Claudio Santos e Mylane Mutti

A Fusart é um espaço que agrega uma série de atividades artísticas, possibilitando aos alunos vivenciar o contato com a arte, ainda que a intenção dele não seja se transformar em um profissional (como é o meu caso). Estão à frente do instituto essa dupla que está aí na foto, os profissionais Claudio Santos (professor, compositor, arranjador e guitarrista) e Mylane Mutti (professora, cantora e arranjadora). Juntos, eles implementam ideias e metodologias para o estudo da arte, valorizando a prática. 

A Fusart oferece aulas técnicas, teóricas, práticas e complementares de violão, piano, canto, desenho artístico e fotografia. Tem turmas para todos os níveis, iniciante, intermediário e avançado. Eles também promovem eventos bem bacanas, como saraus, recitais e festival da arte, para que os alunos pratiquem e desenvolvam suas habilidades vocais e corporais, além de aprender a controlar as próprias emoções. É um lugar super aconchegante, a gente se sente em casa. 

Contatos da Fusart

Quem quiser conhecer mais da Fusart, é só entrar em contato com um deles dois.
Cláudio Santos: csjclaudio@hotmail.com | (71) 99113-8689
Mylane Mutti: mylane_om@hotmail.com | (71) 99313-9067

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