Maquiagem e Síndrome do Olho Seco

Maquiagem e Síndrome do Olho Seco nem sempre combinam. Em alguns casos, a aplicação incorreta de cosméticos e falhas na limpeza dos olhos após o uso podem agravar o problema. Ao falar sobre esse transtorno (relembre aqui) deixei para abordar a maquiagem em outro texto, de propósito, porque o assunto rende. Vamos a ele!

Quem tem Síndrome do Olho Seco precisa maneirar no ‘olhão’, mas pode caprichar nas sobrancelhas para levantar a expressão

Não posso usar sombra, delineador e máscara, porque meu caso é severo e meus olhos inflamam com facilidade. Mas, não quer dizer que ao abolir da rotina o ‘olhão preto’, desisti da maquiagem. Está aí uma coisa de que realmente gosto. Passei a privilegiar a preparação da pele, desde limpeza e hidratação, até aplicação de primer, base, corretivo , pó e blush. No dia a dia, uso BBs ou CC creams, que dão cobertura e uniformizam. Também gosto de batons interessantes, principalmente nos tons vermelho fechado e vinho.

Para levantar a expressão, cuido das sobrancelhas e uso iluminador no ossinho abaixo do arco. Os olhos, como diz o ditado, são a expressão da alma. Na falta das três camadas potentes de máscara ou do delineado gatinho, mantenho as pálpebras hidratadas, massageio, uso compressas para amenizar olheiras e inchaço. Truques bons – e produtos hipoalergênicos – para cuidar dessa região não faltam.

Antes de dormir, pigmentos de maquiagem devem ser removidos para evitar contaminação

Por que maquiagem não pode?

Nem todo mundo está proibido de usar, claro! Mais uma vez, aqui vale a regra de conversar com o oftalmo para ouvir as orientações do especialista. No entanto, é importante entender que maquiagem nos olhos é um corpo estranho. E para uma região que já está sensível devido ao ressecamento ocular, abusar de produtos piora o desconforto.

A regra número um é nunca usar cosméticos nos olhos que estejam fora da validade ou tenham sido expostos às contaminações do ambiente. Estojos de sombra devem ser guardados fechados e longe de umidade, pincéis precisam ser lavados. A outra regra importante é sempre remover a maquiagem. Cansaço não pode ser justificativa para dormir com os cílios pesados de máscara. Pedaços endurecidos do produto podem cair nos olhos e causar alergias.

Faxina geral

Os resíduos de máscara, delineador, glitter, pigmento, lápis, etc., se não forem retirados totalmente, entopem as glândulas que produzem a gordura que compõe a lágrima e evita a evaporação precoce. Com isso, além dos olhos secarem depressa, podem ocorrer as enjoadas inflamações. Já os cílios, blindam os olhos contra contaminações. Deixá-los grudentos de máscara, favorece a proliferação de bactérias e entope o folículo que faz os pelos crescerem.

Para deixar tudo limpo depois de  fazer sucesso com o ‘delineado arrasa-quarteirão’, vale apostar nos demaquilantes específicos para a área dos olhos e arrematar a faxina com shampoo infantil neutro.

Mulheres sofrem mais

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Síndrome do Olho Seco atinge mais às mulheres, por questões hormonais que afetam a produção e a qualidade das lágrimas. Entre o público feminino, 10% das afetadas estão na faixa dos 50 anos, período da menopausa.

A maioria daquelas que desenvolvem a síndrome, porém, são as mais jovens. E um dos fatores desses índices altos é justamente o excesso de maquiagem e a higienização incorreta dos olhos.

No período do Outono-Inverno, que o ar fica mais frio e seco, o problema se agrava, o que requer cuidados extras.

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Cronicamente (In)viável: “Meu corpo me pertence. Tire suas mãos de mim”

O corpo feminino ainda é tratado como objeto coletivo

Meu corpo me pertence. Só eu posso autorizar que toquem nele. A frase parece óbvia, mas precisa ser repetida como um mantra. Para que nunca mais nos esqueçamos que quem manda nas nossas vontades somos nós. Para nunca mais termos receio de ser quem somos. Para não cairmos no conto do “é só uma brincadeira”. Porque não é brincadeira. É violência! Para nunca mais sentirmos aquele medo ou a vergonha que nos silencia.

O mantra vale para todo mundo, porque todas as pessoas, independente do gênero, da orientação sexual, do comprimento da roupa, da cor da pele ou do tamanho da conta bancária, têm direito à privacidade e ao respeito. Só que, na maioria esmagadora das situações, são os corpos femininos que são tratados como propriedade coletiva, como coisa pública, objeto sem valor. Então, é fundamental que as mulheres fortaleçam a certeza de que não são culpadas, não são responsáveis pelo descontrole, pela falta de caráter, pelo machismo alheio.

Também na maioria das vezes, a invasão do corpo feminino acontece com os homens avançando o sinal sem permissão para apalpar, violando direitos básicos. Então, vale sugerir que eles pratiquem outra frase: “não devo tocar o corpo de nenhuma mulher sem consentimento”. Talvez, se os homens repetirem à exaustão, absorvam de forma orgânica e consciente a certeza de que todas as mulheres têm direito ao respeito.

Vale também eles praticarem outras verdades, aqui listo algumas sugestões:

“Não sou o dono do corpo e nem da vontade de nenhuma mulher.”

“Nenhuma mulher é obrigada a transar comigo”.

“Nenhuma mulher é obrigada a corresponder meus sentimentos por ela”.

“As mulheres são tão livres quanto eu para escolherem ser e fazer o que quiserem”.

Objetificar é tirar das mulheres as decisões sobre o próprio corpo

Maldição antiga sobre o corpo feminino

A ideia de que os corpos femininos são propriedade masculina é antiga. Vem das origens do patriarcado, quando os homens perceberam que não bastava apenas ter poder sobre a terra, era preciso controlar também a descendência. Vem da ideia equivocada de que o corpo das mulheres é o depósito da semente masculina, que ela nada mais é do que um vaso, sem vontade própria, um ventre oco, que quando semeado, gera um herdeiro, o filho do homem. Assim, mulheres passaram séculos sendo vistas como propriedade, tal qual o gado, o arado, o celereiro de grãos. Só mais um dos itens listados no feudo como pertencentes ao ‘grande senhor’.

Romper com séculos desse equívoco, incentivado inclusive por muitas religiões, é bem difícil, ninguém nega isso. Mas, convenhamos, estamos no século XXI e não no XII. Já passou da hora dos homens admitirem a culpa de perpetuarem o machismo, que nada mais é do que um exercício sórdido de poder. A conversa de que o problema está na ‘educação que eu recebi’ já não convence diante de tantos avanços atuais. Diante da possibilidade real que todas as pessoas têm hoje, graças ao acesso ilimitado a informação, de desconstruir seus preconceitos.

Apenas melhorem, rapazes, parem de inverter a equação. E, uma vez confrontados com seus erros, parem de se colocar na defensiva e culpar seus bisavôs pelos discursos e atitudes que vocês reproduzem por conveniência e por apego aos privilégios.

Ao abusarem dos nossos corpos, a intenção também é quebrar nossos espíritos

O xis da questão

É importante parar de apontar o dedo para as mulheres que reproduzem o discurso machista. Toda mulher é vítima do machismo, mesmo quando ela dissemina mensagens e comportamentos machistas. O que acontece é que toda vez que homens são confrontados com seus erros e a forma perversa e assassina de tratar o feminino, aparece alguém para bradar: ‘mas também existe mulher machista’.

Não existe! Existem é mulheres que não conseguem enxergar a própria opressão. Ou, mesmo quando a enxergam, agem como carcereiras de outras mulheres, repassam a opressão sofrida para as irmãs. E não adianta xingar essas mulheres, é preciso dar a elas os mecanismos que tornem possível que enxerguem com clareza. É um processo de aprendizado e de descoberta.

Esse processo de educação feminina, que para umas acontece mais rápido e para outras mais devagar, não diminui em nada a responsabilidade e a culpa dos homens. Vamos olhar para o lugar certo. Ao invés de tentar encontrar justificativas para culpabilizar as vítimas pelos abusos que elas sofrem; ou de culpar outras mulheres pela manutenção do machismo, vamos olhar para o machismo que mata milhares de nós diariamente no mundo.

Vamos apontar nossos dedos para a direção certa: machismo é criação de homens. É abuso de poder de homens para com mulheres. É majoritariamente violência física, moral e psicológica de homens contra mulheres. É culturalmente disseminado, em primeiro lugar, entre os homens, de pai para filho. Para que não percam o poder absoluto que alguns tem a cara de pau de atribuir à vontade divina! Mesmo quando as mães colaboram, ao educar filhos e filhas de forma diferente, ajudando a manter a crença de que meninas nunca podem e meninos podem tudo, essa mãe não é a inventora e nem o sujeito ativo principal da estrutura machista da sociedade.

Autonomia sobre o próprio corpo não é uma concessão, mas nosso direito

Canalhas não passarão

Nem todo homem comete abuso, mata ou é do tipo machista mais torpe. Mas, ainda assim, os machistas light se beneficiam da estrutura desigual da nossa sociedade. O fato de serem homens, num mundo governado e pensado de e para homens, lhes confere privilégios. Felizmente, existem cada vez mais deles dispostos a exercitar a empatia, a ajudar no combate ao machismo, que como já foi dito muitas vezes, também os oprime.

Mesmo aqueles que inicialmente tentavam colocar-se como protagonistas da luta feminina por igualdade de direitos, falando em nome das mulheres, estão aos poucos entendendo que a participação mais importante deles é na educação dos seus pares. Homens podem ajudar a educar outros caras que ainda desrespeitam e abusam das minas.

Aos canalhas, aos abusivos, aos assassinos, cada vez mais eles perceberão que seu reinado acabou e o que existe agora são os estertores de quem já entendeu que o jogo virou. As mudanças sociais que vêm ocorrendo velozmente em todo o mundo, não têm mais volta. Nenhuma mulher vai voltar ao estágio de submissão, de medo e de vergonha. E juntas, cada vez mais, umas tirarão os grilhões das outras. As reações femininas para cada abuso masculino vão ser em tamanho e força igual à injúria sofrida, porque se tem um outro conceito que muitas de nós já absorveu como uma segunda camada super-protetora de nossos corpos violados, é o de que juntas somos sim muito mais fortes!

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Cronicamente (In)viável: Ciclos de morte e renascimento. Ou, O mito da fênix

“Na mudança, na metamorfose e no caos, a vida se completa”.

Acredito em ciclos. Que a vida é circular, mas não repete-se igual. A frase em destaque, acima, é de um amigo. Um dia, ele leu um dos meus desabafos sobre o eterno desejo de mudança e comentou com essa frase. Vira e mexe, a gente precisa se reinventar e recomeçar do zero. Não é um processo fácil. Requer, além de desapegar do que já não nos serve, a capacidade de se moldar às novas circunstâncias. Resiliência é só uma palavra da moda, dirão alguns. Mas quem cumpre um destino de fênix conhece seu significado nas entrelinhas.

Recordo de uma frase do romance Os versos satânicos, de Salman Rushdie: “Para renascer, é preciso morrer primeiro”. É dita pelo personagem Gibreel Farishta, um ator famoso que vive uma metamorfose após sobreviver a um desastre aéreo. Quantos de nós não enfrenta suas pequenas mortes cotidianas? E precisam juntar as próprias cinzas, aquecê-la e desse montinho disforme renascer?

A fênix era conhecida como Bennu entre os antigos egípcios

Os ciclos de renascimento e o mito da fênix

O mito da fênix, embora atribuído à cultura greco-romana, surgiu no antigo Egito. Depois, foi adotado pelos gregos e, mais tarde, pelos cristãos. Ana Lucia Santana, mestra em Teoria Literária pela Universidade de São Paulo (USP), explica em artigo (leia aqui) que entre os egípcios, a fênix estava associada ao culto de Rá, o deus-sol.

Algumas versões do mito dizem que a ave, que vivia séculos, pressentia a chegada da própria morte e construía uma pira funerária onde se auto-incendiava, renascendo das cinzas do antigo ser. Outra versão diz que a fênix se jogava nas chamas do altar de Rá, na cidade egípcia de Iunu, chamada pelos gregos de Heliópolis (Cidade do Sol).

Para os egípcios, a fênix era o símbolo da imortalidade, sendo ainda associada ao nascer e ao pôr do sol. Para os cristãos, na arte sacra, a ave representa a ressurreição de Cristo.

Os russos chamavam a ave mítica de Pássaro de Fogo

A fênix como avatar dos recomeços

Adotei a fênix como avatar pessoal há alguns anos. Justamente quando enfrentei um ciclo de morte e renascimento. Desde então, recorro ao arquétipo como metáfora pessoal, para lidar com as reviravoltas da vida, com as mudanças repentinas, com as alterações que exigem alta capacidade de adaptação.

Em sua versão mítica, e mais uma vez recorro a Ana Lucia, a fênix é considerada ícone de “esperança, persistência e transformação”. É benéfico para o espírito eleger um símbolo de tamanha força para suportar turbulências.

Nas situações complexas da vida, como recuperar-se de uma doença grave, superar a perda de uma pessoa muito querida ou enfrentar uma mudança de carreira na meia-idade, após, por exemplo, um desemprego involuntário, a ideia de que somos capazes de nos reerguer das quedas mais monumentais, realmente me inspira.

Autodescoberta no ritmo de cada um

Processos de autodescoberta também me estimulam. A cada vez que preciso me incendiar na fogueira da fênix, lembro primeiro de queimar todas aquelas coisas desnecessárias que vão se acumulando na alma, para depois abrir espaço para as verdadeiras transformações. E por mais que a literatura de autoajuda esteja recheada de dicas para “sair de zona de conforto” de forma pasteurizada e nem sempre realista, creio na capacidade humana de adaptar-se e de traçar novas rotas a cada golpe do destino ou empecilho no caminho.

Nenhum estudioso do mito da fênix sabe exatamente quanto tempo após virar cinzas, a ave renascia como um bebê “aberto a eterna novidade do mundo”, parafraseando verso famoso de Fernando Pessoa. Acredito que ela reabria os olhos para a vida de forma lenta e gradual, com profundidade e acúmulo da sabedoria de muitas vidas.

Toda mudança, para ter significado real, não pode ocorrer apenas para demonstrar aos outros “o quão bem sucedidos somos”, mas para nos revelar a beleza da nossa jornada em um universo em eterna transformação…

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*Cronicamente (In)viável é uma série de reflexões sobre ser e estar no mundo, inspirada nas minhas vivências e naquilo que observo ao redor. A série tem irmã gêmea, em outro blog, chamada (Im)paciente Crônica. Quem sabe um dia, transformo as duas em livro…

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Saúde: Como viver com a Síndrome do Olho Seco

As lágrimas lubrificam os olhos e afastam os germes

A Síndrome do Olho Seco, também conhecida como Síndrome da Disfunção Lacrimal, me acompanha desde que sofri uma alergia grave a medicamentos anti-inflamatórios, durante um tratamento de tendinite, há alguns anos. Como sequela dos problemas acarretados pela alergia, passei a conviver com um arsenal de colírio e gel ocular lubrificantes, compressas de gaze e soro fisiológico; além de precisar de visitas regulares ao oftalmologista. É chato, mas dá para manter a qualidade de vida e a acuidade da visão, se os cuidados certos forem tomados. E a ideia deste texto é falar, justamente, destes cuidados.

Representação do Sistema Lacrimal

Entenda a Síndrome do Olho Seco

A Síndrome do Olho Seco, ou da Disfunção Lacrimal, como o nome já explica, é acarretada quando uma falha no organismo prejudica a formação das lágrimas. Nossas lágrimas são feitas de moléculas de água, gordura e muco. Esse composto serve para manter os olhos lubrificados e limpos, evitando contaminações por germes. A síndrome acontece quando a lágrima passa a ser fabricada com defeito, com excesso ou falta de gordura, o que faz com que evapore depressa e sem cumprir sua função de proteger o globo ocular.

Quem sofre com o problema, geralmente, sente muita ardência, coceira e uma desagradável sensação de que jogaram vidro moído ou areia nos seus olhos. Além disso, os olhos também ficam vermelhos e incham facilmente, como se você estivesse com uma conjuntivite. Se não for tratada e mantida sob controle – a doença não tem cura -, pode ainda causar problemas mais graves, como infecções por bactérias oportunistas e diminuição da acuidade visual.

O que causa o problema?

No meu caso, a Síndrome do Olho Seco foi consequência de uma alergia a um tipo específico de medicamento, anti-inflamatório, que estou terminantemente proibida de voltar a usar para o resto da vida. O problema me afetou porque eu tinha uma condição prévia de doença autoimune que foi negligenciada pelo ortopedista que me tratou da tendinite. O processo infeccioso derivado desse descuido do médico, levou ao desenvolvimento da síndrome.

Outros problemas que acarretam esse ressecamento severo do globo ocular são:

>>Blefarite: inflamação que ataca os cílios e forma uma caspa que bloqueia a glândula lacrimal;

>>Lesões: cistos, conjuntivites, cirurgias para correção de miopia ou blefaroplastia (plástica para levantar as pálpebras) podem afetar a fabricação de lágrimas;

>>Problemas hormonais: menopausa e uso de anticoncepcionais;

>>Medicamentos: antialérgicos, anti-inflamatórios, remédios para hipertensão e psicotrópicos (como aqueles para depressão, ansiedade, etc);

>>Doenças autoimunes: lúpus, Síndrome de Sjögren, Síndrome de Stevens-Johnson;

>>Uso excessivo de computadores, tablets, smartphones, TVs: quanto mais concentrados diante dessas telas, menos piscamos. Piscar é essencial para a produção de lágrimas.

Existem dezenas de colírios lubrificantes. Seu oftalmologista ajudará na melhor escolha, de acordo com a gravidade do problema

Como é que cuida?

Quem tem Síndrome do Olho Seco precisa visitar o oftalmologista de seis em seis meses, para monitorar o problema. Só o especialista pode indicar o tipo de tratamento mais adequado. Em alguns casos, um tampão é usado para bloquear o canal lacrimal, impedindo que a lágrima escoe rápido demais.  Só oftalmologistas podem aplicar tampões.

Mais cuidados essenciais:

>Higienização correta dos olhos, principalmente por quem tem tendência a desenvolver blefarite. Existem líquidos específicos nas farmácias, mas minha oftalmo me deu uma solução simples e barata: usar Shampoo Johnson neutro. Aquele amarelinho que as blogueiras amam para remover maquiagem dos cílios. Duas vezes por dia, de manhã cedo e à noite, com as mãos previamente bem lavadas, pingo duas gotinhas do shampoo na palma da mão, faço uma espuma e com um cotonete, passo delicadamente nos cílios. Depois, enxáguo e aplico compressas de gaze embebidas em soro fisiológico gelado. Dá um alívio imediato, principalmente de manhã cedo!

>Uso de colírios ao longo do dia. Existem de várias marcas. Seu oftalmologista saberá indicar o que melhor atenderá o grau de ressecamento nos seus olhos. Ele também dirá quantas vezes é preciso aplicar. Eu preciso de duas em duas horas.

>Gel lubrificante ocular antes de dormir. Aplico sempre uma gota em cada olho. Mais uma vez, existem inúmeras marcas nas farmácias e o oftalmo saberá orientar a mais adequada ao seu caso.

>Alimentação adequada também ajuda. Beber muita água é essencial, porque ela é o principal componente da lágrima. Vale ainda investir em alimentos ricos em Ômega-3, como peixes (atum, sardinha, salmão), oleaginosas e linhaça. Vitamina A também não pode ficar de fora do prato de quem tem Síndrome do Olho Seco. Já as frituras e o fast-food, cheios de gorduras saturadas, devem ser evitados, porque pioram o problema. Eu amo sanduíches, mas prefiro as versões sem fritura, com frango desfiado ou atum, um pouco de queijo, legumes e verduras.

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Dica de filme: Sem Filtro, porque as mulheres querem falar sem censura

No filme Sem Filtro, a atriz Paz Bascuñán vive Pia, uma mulher em busca de liberdade

O filme chileno Sem Filtro, dirigido por Nicolás López, foi minha escolha para a sessão “cinema no sofá” no fim de semana. E porque a produção diz muito sobre as mulheres e suas aflições, trago a dica para vocês.

Sem Filtro (Sin Filtro), disponível no catálogo da Netflix, é uma comédia dramática que conta a história de Pia (Paz Bascuñán). Publicitária de 37 anos, sua rotina é atribulada e ela sofre de ansiedade, falta de ar e dores no peito. Está a beira de um colapso. Seu ex-namorado é o confidente com quem troca mensagens via Whatsapp. O cidadão é o típico ex metido a ‘príncipe encantado’. Mesmo já envolvido em outro relacionamento, fica rondando e não deixa espaço para ela se libertar e seguir a vida.

Com a língua solta

Ao procurar um tratamento experimental com um acupunturista, Pia recebe a orientação de deixar suas emoções fluírem. Ela deve dizer o que sente, ao invés de esconder o que incomoda para agradar os outros. Suas dores são o reflexo da repressão externa e de uma severa autocensura.

O filme foi lançado em 2016 e tornou-se uma das películas mais vistas do cinema chileno. O sucesso se deve a atualidade da obra. Além de tocar na questão da dificuldade das mulheres para fazerem-se ouvir, também traz temas contemporâneos, como a medicalização da vida. Pia começa o dia engolindo um coquetel com diversos tipos de calmantes.

A produção discute ainda as redes sociais e as celebridades instantâneas; e o contato de adolescentes com a pornografia violenta que circula na internet, criando nos jovens a cultura do abuso e estimulando a misoginia.

Não somos neuróticas, só estamos cansadas!

Um dos momentos interessantes de Sem Filtro é quando Pia tem coragem de se impor diante do chefe e do marido. Os dois, chocados com o fato dela assumir o protagonismo da própria vida, querem saber se ela está ‘con las reglas’. A personagem, cansada de imposições, questiona: “Por que, toda vez que uma mulher se irrita, os homens acham que ela está menstruada?”

Acredito que muitas mulheres se identificam com Pia. Em algum momento da vida, já carregamos mais peso do que deveríamos, iludidas pelo mito da Mulher Maravilha. Não são poucas as que adoecem e usam remédios para suportar abusos variados. Ou que vivem com maridos que não as valorizam e nem dividem obrigações cotidianas.

Muitas têm familiares e amigos que as sobrecarregam com problemas e raramente retribuem esse cuidado. E elas aguentam as situações porque foram condicionadas desde a infância a serem “boas meninas”.

A Pia do filme percorre seu caminho em busca da própria liberdade, errando e acertando, disposta a seguir em frente. Que a sua jornada inspire outras mulheres a se livrarem de tudo que oprime o peito e as faz adoecer!

……

>>Veja o trailer de Sin Filtro:

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De olho na saúde: meditação contra o câncer

Praticar meditação traz inúmeros benefícios para a mente e o espírito. E agora, os cientistas descobriram que as técnicas de relaxamento também funcionam nos exames para detecção do câncer de mama. Esse é um dos destaques da semana na sessão De olho na saúde, que toda sexta-feira, traz informações fresquinhas sobre pesquisas e descobertas médicas; além de dicas para o bem estar e a qualidade de vida.

Sintonizadas na ternura

Pesquisadores da Universidade Duke (EUA) queriam saber os efeitos da meditação e da musicoterapia em pacientes com nódulos nas mamas que precisavam se submeter a biópsia. O exame serve para determinar se um tumor é benigno ou maligno e consiste em retirar um pedaço do nódulo para análise. Além de pressão emocional, o exame pode causar dor e desconforto.

Para isso, 121 voluntárias foram divididas em dois grupos, um para controle e outro submetido a sessões de meditação e musicoterapia. As mulheres que meditaram e foram estimuladas a focar em sentimentos amorosos, passaram pelo exame sem desconforto. Também foi notado que as que ouviam música relaxante não ficavam nervosas durante ou sentiam menos fadiga após o exame.

A música (tema da coluna na semana passada) e a meditação diminuem a ansiedade e a angústia das pacientes durante exames. Também auxiliam aquelas que, uma vez diagnosticadas com o câncer de mama, precisam se submeter a sessões de quimioterapia. Os autores da pesquisa acreditam que os benefícios são extensivos a qualquer procedimento médico.

Lição para a memória

Técnicas de memorização baseadas no agrupamento de palavras ajudam pacientes com tumores ou lesões no lobo frontal esquerdo do cérebro. A pesquisa é de uma equipe de neuropsicologia do Hospital das Clínicas, de São Paulo, e já foi destaque no Prêmio Saúde.

O lobo frontal esquerdo é a área que processa as informações verbais. Um grupo de pacientes que passou por cirurgias de remoção de tumores na região, recebeu uma lista com 16 palavras para decorar. Boa parte esqueceu tudo mal terminou a leitura. Usando como base um sistema de separação por categorias: nomes de frutas, de instrumentos musicais, de pessoas, de peças de vestuário, etc., os pacientes passaram a reter a informação.

Técnicas de memorização também são utilizadas por ‘concurseiros’ e profissionais que lidam com muita informação.

Fofura sem espirros

Sabe aquele bicho de pelúcia que você ganhou de presente e adora? Ou que seus filhos não desgrudam? Pois o Teddy é uma casa confortável para os ácaros que fazem a festa no nariz e nos pulmões dos alérgicos.

Para evitar transtornos à saúde, lave os bonecos à máquina uma vez por semana. Mas antes,  fique atenta (o) às seguintes dicas:

>>Use sabão neutro, que sabão em pó também é irritante para as vias aéreas e enxágue bem, para não sobrar nenhum resíduo de detergente;

>>Leia a etiqueta para ver se o material que enche o boneco é do tipo que pode ser rodado na máquina. Se for um brinquedo à pilha, retire as pilhas;

>>Retire também botões ou qualquer outro detalhe que pode desmantelar e coloque o bichinho dentro de uma fronha branca e amarre a ponta. Ele deve ser lavado dentro da fronha;

>>Após a lavagem, escove a pelúcia e coloque o brinquedo para secar em área bem arejada.

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Amor sem neuras envolve parceria

Homer e Marge Simpson. Ela assume a ‘responsa’ e ele é o eterno garotão

O amor é um dos sentimentos mais esmiuçados e confundidos. Chamamos de amor coisas que nem de longe se parecem com ele. Criamos expectativas que os contos de fadas não dão conta de suprir. Nem mesmo zerando a tag de comédias românticas da Netflix. Inclusive porque, a depender do modelo de relacionamento vendido por esses filmes, a confusão só aumenta. E é por causa de tanto mal entendido que acreditamos que cuidar do outro no relacionamento é uma via de mão única. E toda esburacada pelo peso de carregar sozinha a história que deveria ser compartilhada pelo casal.

Quem aí nunca se sentiu pateta ao perceber que se esforçou ao máximo para que as coisas dessem certo e no fim elas deram errado por conta de tanto esforço? Quem nunca confundiu cuidado com o outro com sobrecarga? E quem nunca botou a culpa no outro pelo fracasso do relacionamento, justamente porque a pessoa que recebeu tanta dedicação não soube valorizar nosso esforço?

Primeiro, é importante ressaltar que a gente só deve se relacionar com quem nos valoriza, em todos os sentidos. Se a pessoa desmerece nosso corpo, nossas ideias, nossos sentimentos, nossos projetos e ambições, se encontra defeito em tudo o que somos ou fazemos, a solução é uma só: caia fora. Ninguém precisa de relacionamentos tóxicos para viver. Não se permita, jamais, viver relações abusivas e ser o tapete onde alguém limpa os pés.

Ser valorizada e valorizar com quem estamos não tem relação com ser mártir. Infelizmente, ainda existe quem se martiriza em nome de uma promessa de amor. Relações sadias não exigem sacrifícios, não requerem que a gente se anule ou auto-flagele. Amor mesmo, e não outros sentimentos confusos que se disfarçam de amor, não nos violenta.

Inverdades universais

Amor requer reciprocidade. Não é sua obrigação cuidar sozinha do casal

A pessoa mártir é aquela que faz questão de assumir todas as responsabilidades da relação, de controlar cada detalhe, de prover o parceiro de tudo o que ele necessita sem que a criatura sequer precise pedir. E depois, exausta, sofre por estar sobrecarregada. E o relacionamento, que era para ser bacana, vira fonte de dor de cabeça e decepções.

Nossa cultura ainda é prejudicial às mulheres em muitos aspectos. Um deles é o de propagar como verdade universal a ideia falsa de que as meninas amadurecem cedo e aprendem desde novas a serem responsáveis, a se comportarem e a resolverem os perrengues da vida diária; enquanto os meninos crescem e viram homens que aos 50 anos ainda precisam de cuidados maternos.

Na verdade, isso acontece não porque a natureza quis assim, mas porque meninos e meninas recebem educações diferentes. Enquanto somos treinadas para amar incondicionalmente, obedecer e servir; eles são estimulados a conquistar, dominar e ter todos os desejos atendidos. Já passou da hora de mudar essa educação desigual.

Para alguns homens, é cômodo ficar na posição de garotão e depois reclamar que a parceira é ‘controladora’. Ou então, deliberadamente, deixar que ela resolva as coisas chatas do cotidiano, porque é muito bom que outra pessoa esquente o juízo no nosso lugar. Mas, também é difícil, às vezes, fugir desse círculo porque tem muita gente que repete o padrão e toma para si o cultivo da relação, sem dividir as responsabilidades.

Relacionamentos afetivos são vias de mão dupla, sempre. Amor abnegado, sacrifício extremo, não esperar nada em troca, nada disso se aplica aos casais. E aqui não se trata de criar expectativas falsas sobre relacionamentos falidos, mas exigir reciprocidade. Não dá para sustentar um casal se só um lado doa, enquanto o outro vampiriza.

Seu boy não é seu filho

Você não é a mãe do seu boy!

Para começar a botar ordem nas coisas, vale lembrar que nossos parceiros afetivos não são nossos filhos. Se o cara precisa de uma ‘mãezona’ para organizar a vida dele, o problema, companheira, não é seu, é do cidadão em questão. Não assuma papel de mãe, babá, secretária, enfermeira ou qualquer outro que te deixe desconfortável ou se sentindo usada na relação. Cuidar de quem está doente, ajudar nas necessidades, gerenciar a casa, educar filhos, zelar pelo sentimento de vocês, é tarefa de ambos, não apenas sua.

Faça o boy enxergar que casais se ajudam, são parceiros, jogam no mesmo time. Porque senão fica injusto e desequilibrado, provoca sofrimento ao invés de felicidade. Se o cidadão não aprender ou não estiver pronto para fazer a parte dele na história, então é hora de avaliar se o romance vale seu esforço.

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De olho na saúde: canção para salvar a memória

Depois da descoberta do poder do riso contra os males do estresse, outro ditado popular encontra respaldo e comprovação científica. Uma pesquisa da Universidade de Helsinki, na Finlândia, descobriu que cantar é uma forma eficiente de preservar a memória. Esse é um dos destaques da semana na sessão De olho na saúde, que toda sexta, traz informações sobre pesquisas e descobertas científicas; além de dicas para o bem estar e a qualidade de vida.

Quem canta suas lembranças preserva

A pesquisa na Finlândia reuniu 89 pessoas com o Mal de Alzheimer e as dividiu em dois grupos, um de controle e o outro que participou de um treinamento musical durante 10 semanas. O resultado é que a turma que participou das aulas de música tiveram melhoras na memória, raciocínio e capacidade de se situar no tempo e espaço.

Para o estudo, foram selecionadas músicas entre as preferidas dos pacientes, pois a familiaridade com as letras e melodias oferece conforto emocional, o que, por sua vez, estimula o cérebro. Para os portadores do Alzheimer, a musicoterapia funciona como mecanismo de atraso no avanço da doença.

Já para quem não está doente, os cientistas recomendam a cantoria como um preventivo de problemas cognitivos futuros. Em bebês, inclusive, o poder estimulante da música é usado para turbinar a capacidade de aprendizado e como estímulo para o desenvolvimento neuromotor.

Visão além do alcance

Três jovens oftalmologistas formados na USP São Carlos criaram uma startup (empresas de tecnologia em fase iniciante) para desenvolver um aparelho portátil que realiza exames de retina.  O equipamento será usado em pacientes que moram longe dos centros urbanos e têm dificuldades para deslocar-se até os locais das consultas.

O Smart Retinal Camera (SRC) é formado por uma estrutura que pode ser acoplada aos smartphones. Os primeiros testes estão programados para 2018. Uma prova de que ainda existem médicos fiéis ao juramento de salvar vidas!

Pele de laboratório para reduzir testes em animais

A equipe do Centro de Biologia da Pele da USP (Universidade de São Paulo) pesquisa a criação em laboratório de uma pele humana que servirá para testes de cosméticos e medicamentos, reduzindo o uso de animais.

O procedimento já existe no exterior e utiliza sobras de pele de cirurgias plásticas, que servem de base para a criação de tecidos novos. Indústrias multinacionais como a L´Oréal utilizam esse recurso e mantém parcerias com centros de pesquisa no Brasil, como Instituto D´Or, do Rio de Janeiro.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibirá o uso de animais em testes de laboratório a partir de 2019. E, por isso, cientistas trabalham para que o uso de peles criadas em laboratório ofereça resultados cada vez mais precisos. O material servirá para testar potenciais alergias, queimaduras, irritação, corrosão ou outros efeitos colaterais das substâncias químicas presentes em cosméticos e produtos de limpeza.

Os consumidores, por sua vez, estão mais sensibilizados para a causa animal e exigem produtos cruelty free; além de estarem atentos aos rótulos das embalagens do que consomem, evitando xampus e outros cosméticos ricos em sulfatos, petrolatos e afins.

*Fonte de informações: revistas Saúde e Galileu 

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Sobre viver confortável na própria pele

Todas as belezas, de todas as cores e tamanhos, merecem o mesmo respeito

Sentir-se confortável com o próprio corpo ainda é um desafio para as mulheres. Com tantos apelos na mídia, tantas receitas ‘milagrosas’, e os padrões que começam a ser construídos desde a infância; para algumas, olhar-se no espelho e gostar do que estão vendo é um exercício constante de construção e manutenção da autoestima. Falo das mulheres porque é sobre elas que ainda pesa a exigência por uma imagem impecável. É delas que ainda se exige que “existam para enfeitar o mundo”. É sobre o corpo feminino que existe toda uma pressão e controle. O que não significa que homens, ou qualquer outra pessoa dos gêneros para além do binarismo homem x mulher, também não sofram com padrões de beleza às vezes impossíveis de alcançar e insensatos.

O esforço diário para a construção e manutenção da autoestima é mais que necessário. E estar confortável na própria pele não significa acomodar-se aos ‘defeitos’. Até porque, onde está o manual que diz que tal característica é de fato um defeito? Pessoas não nascem com manuais e qualquer tentativa de enquadrá-las só serve para disseminar preconceitos e causar angústia. A beleza é uma construção social que se encaixa na cultura de cada época. Isso significa que ela é relativa e que algo considerado muito bonito hoje, pode não ter sido valorizado há vinte ou trinta anos. E vive-versa. E se os padrões de beleza mudam constantemente, porque não podemos fazer um exercício de aceitar todos os padrões? O que significa, de fato, que o bacana é não ter padrão.

Vale tudo sim!
“Será que vão gostar do meu cabelo pink?” “O que importa é que você gosta!”

Foi-se o tempo em que ser ‘diferente’ era algo negativo. Cada vez mais, o mundo – apesar das resistências acirradas de alguns – abre-se para a diversidade. E que coisa maravilhosa é essa tal de diversidade! Que libertador é olhar-se com amor e respeito pela história escrita nas rugas, nos fios brancos, nos quilos a mais ou em um nariz mais largo.

Vale cabelo liso? Vale. Cacheado? Vale. Crespo, volumoso, colorido, descolorido? Sim! Ser careca? Lógico! Ir ao salão toda semana? Se é possível pagar por isso, por que não? Não gostar de fazer as unhas, maquiar-se? O que tem de errado em não fazer as unhas ou pintar o rosto? Ser assíduo na academia e manter uma rotina de alimentação controlada? Se te faz bem, se é por você mesma que está fazendo o esforço de abrir mão do brigadeiro e não porque impuseram regras sobre o seu corpo e o seu existir, então faça seus exercícios e sua dieta e, principalmente seja feliz!

Saudável vestindo XL
“Amiga, tá me achando bochechuda na foto?”  “Que nada, você está linda!”

Vestir GG, XL ou qualquer outro manequim grande e ainda assim ser saudável? A ciência e a medicina estão revisando vários estudos e derrubando mitos sobre a relação peso e saúde. Já caiu por terra, por exemplo, a ideia de que o Índice de Massa Corporal (IMC) é o indicador supremo de que tudo vai bem no organismo. Na verdade, o IMC é só um dos muitos índices que precisam ser checados antes de apontar se uma pessoa considerada gorda é de fato doente. Ou se uma pessoa considerada magra é de fato saudável.

Junto com o IMC, exames precisam comprovar o estado do organismo do indivíduo. Há gordos com taxas de triglicérides, colesterol e glicemia normais e há magros com índices estratosféricos. Nem sempre, um corpo volumoso significa sedentarismo ou um corpo magro significa vida ativa. Nem sempre, um corpo maior é sinal de desleixo ou de voracidade à mesa. Estresse, descompassos hormonais, predisposição genética e uma infinidade de outros fatores podem levar alguém a engordar ou a emagrecer.

Além disso, nunca é demais lembrar que quem faz dieta e pega firme nos halteres de forma consciente e responsável, faz acompanhamento médico e nutricional, se submete a exames de rotina de acordo com as orientações desses profissionais e utiliza os serviços de preparadores físicos, fisioterapeutas, personal trainers, instrutores etc., para evitar lesões musculares e complicações às vezes difíceis de tratar.

E vale ainda lembrar que muitos gordos se exercitam sim, porque fazer exercícios não está diretamente relacionado a emagrecimento, mas a manter o corpo ativo, os músculos e articulações saudáveis para as atividades cotidianas.

Xô, gordofobia!

Saúde nem sempre é sinônimo de um corpo enxuto. A questão é sentir-se bem. E se você está bem internamente e se seu corpo está saudável vestindo 38/40, ótimo! Mas se está saudável e você se sente bem também vestindo 50/52/54…, não deixe ninguém dizer ou te fazer pensar o contrário. Empodere-se!

E aqui, ressalto, não estamos falando de extremos. Ninguém está fazendo apologia a anorexia ou a obesidade extrema. Não é bacana ser internada com desnutrição severa por privar o organismo de nutrientes essenciais à sobrevivência; ou pesando 300 quilos por algum piripaque severo no sistema endócrino. Mas também não é bacana julgar anoréxicos e obesos extremos como se fossem sub-pessoas. Antes de atirar pedras, faça um exercício de empatia e entenda que nesses casos é necessário ajudar porque a vida de alguém pode estar em risco. Mas essa ajuda precisa ser especializada, com tratamento médico e psicológico. E o apoio de quem não é especialista tem de ser oferecer compreensão e suporte emocional. Julgar, reclamar ou fazer pressão psicológica só agrava o problema.

Enfatizo que anorexia nervosa, bulimia, obesidade extrema ou qualquer outro transtorno alimentar requerem intervenções totalmente diferentes de simplesmente achar que toda pessoa que veste tamanhos extras-largos é uma ‘gorda sem força de vontade’ que tem de ser conscientizada porque está ou vai ficar doente se não emagrecer. Muitas vezes, o nosso comentário “bem intencionado” esconde preconceitos, camufla uma horrorosa gordofobia.

Beleza é um estado de espírito
“Acho que vou assumir os meus fios grisalhos” “E eu vou jogar umas mechas azuis no platinado” “Vou de vermelhão, que hoje eu quero causar!”

Gostar de se cuidar, seja da forma física ou da pele, dos cabelos, unhas, etc., é algo muito particular. Algumas pessoas são mais ligadas nessas rotinas de beleza, outras menos. A questão é ter em mente que a beleza precisa vir de dentro para fora e que padrões só servem para criar categorizações excludentes, que isolam e deprimem. Além disso, de nada adiantará ter um ‘corpo do verão’ e um ‘espírito de porco’.

Felizmente, vemos cada vez mais pessoas de todas as cores, todos os tamanhos, todas as idades, gêneros e orientações sexuais estampando capas de revistas, posando para ensaios, escrevendo blogs, postando vídeos cheios de autocuidado, autoestima e boas vibrações no Youtube. Essas iniciativas ainda são gotas no oceano de padronizações que muitas publicações, sites, redes sociais ou  programas de tv vendem como sendo ‘o modelo ideal’. Mas é um avanço e de avanço em avanço, construiremos um mundo decente. Fico feliz em ver que no mosaico das gentes maravilhosas que povoam esse nosso planeta, haverá cada vez mais espaço para as muitas belezas que existem e que ainda vão surgir!

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De olho na saúde: rir é mesmo um santo remédio

A sabedoria popular já prega essa máxima há tempos, mas agora, cientistas asiáticos comprovam: rir é mesmo um santo remédio! E a Risoterapia é o destaque desta edição da coluna De olho na saúde, sessão que será publicada no blog toda sexta-feira, com informações sobre pesquisas e descobertas científicas; além de dicas para o bem estar e a melhora da qualidade de vida.

Rindo na cara do estresse

A pesquisa foi feita na Universidade de Kyung Hee, na Coreia do Sul. Por lá, um grupo de cientistas testou a Risoterapia em 38 mulheres, durante duas semanas, enquanto outro grupo de controle, com mais 38 pacientes, seguiu com a rotina normal.

O estudo revelou, através de testes sanguíneos, a melhora no funcionamento do sistema imunológico das participantes do primeiro grupo, o que levou os pesquisadores à conclusão de que manter o bom humor diminui os efeitos negativos do estresse no organismo.

A risoterapia, além de incentivar o bom humor, também trabalha otimismo e altruísmo. Além disso, a pesquisa mostrou que os efeitos só se tornam duradouros se o alto astral for incorporado ao cotidiano.

A ideia não é ativar o sistema de recompensa do cérebro com prazeres rápidos do tipo ir ao shopping e comprar algo por impulso; mas manter um estado de espírito animado e fazer atividades de lazer relaxantes e que provoquem boas gargalhadas!

Noites mal dormidas podem causar diabetes

A má qualidade do sono está na mira de um grupo de cientistas britânicos que descobriu que entre os fatores de risco para o Diabetes tipo 2 estão as noites mal dormidas. Para chegar a essa conclusão, eles avaliaram 59 mil mulheres. Aquelas que dormiram menos de seis horas por noite tiveram maior risco de desenvolver a doença. Assim como as que dormiram mais de 10 horas.

A falta de sono desregula hormônios importantes do organismo, aumentando os riscos de obesidade, já que os insones fazem mais lanches calóricos à noite; e estimula o sedentarismo, porque sem dormir bem, falta energia para manter a rotina de atividade física. Já quem passa muita horas na cama também tem tendência a ficar indisposto e a sabotar a academia.

Para completar: outra pesquisa, dessa vez da Academia Americana de Medicina do Sono, estima que sete em cada dez diabéticos do tipo 2 sofrem de Apneia Obstrutiva do Sono, quando a pessoa sofre paradas respiratórias enquanto dorme, o que a leva a um sono picotado e à sensação constante de cansaço intenso.

Quatro dicas úteis para não exagerar no supermercado

1 – Sempre faça a lista do que precisa comprar. Assim você não perde o foco e enche o carrinho com supérfluos;

2 – Oriente as crianças para que não fiquem pedindo ou pegando tudo o que veem pela frente;

3 – Faça um lanche antes de ir às compras. Quanto mais faminto, maior o risco de você colocar itens calóricos e pouco saudáveis no carrinho;

4 – Escolha um dia e horário para fazer a feira com calma. Comprar estando mental e fisicamente cansado aumenta a probabilidade de cometer excessos;

*Fonte das informações: Revista Saúde

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