De Olho na Saúde: a bicicleta e seus benefícios

Bicicleta há muito tempo deixou de ser apenas lazer para virar cultura. Tanto pelos benefícios à saúde quanto pela questão de mobilidade, pedalar demonstra atitude positiva diante da vida e com o planeta. Adotar a ‘magrela’ como meio de transporte, além de diminuir a emissão de gases poluentes na atmosfera e desobstruir o trânsito caótico das cidades, permite fugir do terror do século XXI: o sedentarismo. Mesmo quem não tem tempo para ir à academia, só de deslocar-se de bicicleta, já preenche a cota diária de atividade física recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Pesquisas mostram que uma maior quantidade de ciclistas nas ruas contribui para tornar as cidades mais seguras e amigáveis até para os pedestres, reduzindo as ocorrências de atropelamento. Ao menos essa é a conclusão de um estudo europeu inspirado na realidade de locais como Copenhage (Dinamarca) e Amsterdã (Holanda), onde, respectivamente, 35% e 45% dos deslocamentos diários são feitos de bicicleta.

O Brasil ainda está longe dessa realidade e fatores como o medo de assaltos, por exemplo, impede uma maior adesão ao ciclismo. Mas, aos poucos, essa ideia vem mudando no país, até porque quem é adepto da prática, cobra mais do poder público a construção de ciclovias e uma infraestrutura adequada. Empresas têm investido em vestiários e bicicletários para funcionários que vão trabalhar pedalando. E, campanhas buscam criar maior consciência nos motoristas para respeitar os ciclistas.

Benefícios da bicicleta para a saúde

Para estimular quem pensa em adotar a bicicleta como transporte, eis as vantagens das pedaladas para o corpo:

>>Pernas fortes – O movimento das pedaladas trabalha e fortalece diversos músculos;

>>Coordenação motora – Para ficar estável sobre a magrela é preciso exercitar o equilíbrio, o que favorece a coordenação e a atenção;

>>Bike Zen – Pedalar relaxa, libera endorfina, acalma;

>>Cheio de ar – Pedalar é um exercício aeróbico e que beneficia o sistema cardio-respiratório e reduz risco de enfarto em até 50%;

>>Silhueta enxuta – Para quem quer emagrecer, ir de bike para o trabalho é uma boa ideia;

>>Xô, LDL! – Andar de bicicleta reduz o colesterol ruim (LDL) e aumenta o bom (HDL);

>>Santo remédio para as costas – Desde que observada a postura correta, com a espinha dorsal ereta, as pedaladas exercitam os músculos das vértebras dorsais, o que ajuda a blindar a coluna de transtornos.

Cuidados essenciais antes de subir na bike

>>Ajuste o selim, guidão, quadro, etc. ao seu tamanho. Bicicletas grandes ou pequenas demais para a altura do ciclista geram desconforto nas pedaladas e o corpo reclama;

>>Atenção contínua. Não use celular ou faça estripulias como ler um livro enquanto estiver pedalando;

>>Segurança. Use capacete;

>>Consciência. Observe as regras de trânsito e prefira andar nas ciclovia;

>>Não arrisque. Se vai mudar de direção, sinalize para os motoristas;

>>Acessórios. Se sua bike é seu meio de transporte e você anda com ela no trânsito, adote itens como espelho retrovisor e campainha, além da sinalização noturna obrigatória pelo Código de Trânsito.

*Fonte de pesquisa: Revista Saúde e Código de Trânsito

Leia Mais

Cronicamente (In)viável: as muitas faces da felicidade

Felicidade, tal qual o amor, não tem receita padrão. Dia desses me perguntaram se eu era uma pessoa feliz. Matutei na pergunta e, de cara, pensei em responder que felicidade é um conceito muito amplo e aberto para ser enquadrado nesse ou naquele modelo. Que pessoas com estilos de vida diferentes definem e vivem felicidades diferentes.

Quem perguntou se preocupa comigo, o que por si só, me deixa bastante feliz. Porque nesse caso específico, o interesse é genuíno. A pergunta veio de alguém que eu tenho certeza de que me ama e quer me ver de bem com a vida eternamente, embora isso seja utopia. Reagiria diferente se a pergunta viesse daquele tipo de pessoa que imagina a vida como um ranking e mede seu modelo de felicidade com o dos demais, acreditando-se superior. Mas nenhuma vida vale mais que outra, nenhuma escolha é melhor que outra!

Para esses tipos, não tenho paciência de explicar nada. Já para quem não tem preconceito imbuído na pergunta e só não entende muito bem como funciona ser feliz fora do padrão, para os de coração aberto, explico que: se pode ser feliz estando ou não em um relacionamento; ganhando milhares de reais ou só algumas centenas por mês; morando em arranha-céus ou no apartamento simples de dois quartos; vestindo 38 ou 50; no bar com a turma de amigos ou maratonando séries da Netflix; aos 20, aos 30 e aos 43 (minha idade)…

Felicidade vai e vem

Vale ter em mente que aquilo que nos faz bem é o que também nos trará essa tão sonhada felicidade. Mesmo que seja algo simples como ler um livro ou dormir até mais tarde no dia de folga. E entender que, o que me deixa feliz pode não ter o mesmo efeito em outra pessoa. Porque o estado de felicidade depende de vários fatores, como os valores que alguém cultiva, o que cada pessoa prioriza na vida (o trabalho, a família, o lazer…), o momento que cada um está vivendo, os perrengues que surgem no caminho para resolver, a maneira como se encara os problemas.

A grande tragédia da nossa sociedade é que as pessoas perderam a capacidade de sentir dor e por isso buscam anestesiar qualquer efeito adverso de uma contrariedade. Do hedonismo meio infantil e sem limites aos medicamentos tarja preta, qualquer coisa que entorpeça servirá para que a dor não lateje, não incomode, não atrapalhe o caminho para a felicidade suprema.

Mas é impossível conquistar a felicidade suprema! Em algum momento sentiremos tristeza, teremos algum aborrecimento, ficaremos estressados, precisaremos chorar rios inteiros. Faz parte da vida ter frustrações. Ninguém é 100% feliz ou otimista o tempo todo e quem finge que é, está cavando um poço fundo e perigoso. Alguma coisa sempre vai incomodar e é até importante que esses incômodos apareçam, porque nos fazem rever posturas, retraçar caminhos, nos ajudam a amadurecer.

Expectativas x felicidade

A gente sempre espera alguma coisa. Da vida, do destino, dos outros. Zerar completamente as expectativas e aceitar de bom grado aquilo que chega é um exercício demorado, penoso, requer um grau de desapego que nem todo mundo tem. Uma certa dose de expectativa, honestamente, eu até acho bom que a gente tenha. Porque é uma forma de estímulo para seguirmos em frente, traz uma dose benéfica de esperança.

O que não pode é elevar as expectativas a níveis impossíveis, fechando-se em exigências que não podem ser supridas. Porque daí a esperança dará lugar à amargura e acredito que amargurados não conseguem enxergar a felicidade, mesmo que ela esteja ao alcance do nariz.

Tem fases na vida que parece que o destino testa nossa paciência. Os religiosos dirão que parece que Deus testa nossa fé. Ou então, é porque nesse jogo cósmico do qual fazemos parte, as chances de algo dar certo ou dar errado são iguais. Ou ainda, porque temos uma capacidade absurda para sermos teimosos e insistirmos nas coisas que lá no fundo sabemos que não são boas para nós. E quando elas desandam, botamos a culpa nessa ‘entidade’ chamada destino, ou xingamos Murphy.

O grande jogo da vida

Tem gente que vive um dia de cada vez e improvisa de acordo com a situação. Outros precisam ter tudo esquematizado de forma tão obsessiva, que quando algo sai do trilho, é um deus nos aguda. Outros ainda, entregam a sorte nas mãos do acaso e confiam na “improbabilidade infinita”. Tem até os que sequer acreditam em sorte e acham que tudo é questão de trabalhar duro e merecer. E, por fim, há ainda os que vivem em eterna roleta russa com a vida, o que de certa forma, ao menos para mim, não é bacana.

A grande sacada é perceber que quanto maior for a nossa expectativa, maiores também as chances da frustração ocorrer. E daí que é preciso aos poucos, exercitar o cultivo da gratidão pelo que a vida nos dá. Mesmo quando aquilo que consideramos um presente, não seja grande coisa do ponto de vista alheio. O que vale é o que nós sentimos, não o que os outros querem que a gente sinta.

Acredito que se cada um tentar um exercício de empatia e, de vez em quando, se colocar nos lugares uns dos outros, a visão do que é felicidade vai se expandir bastante e revelar que ela tem muitas faces. E cada um vestirá aquela que lhe der mais conforto e paz de espírito.

Leia Mais

De Olho na Saúde: apneia obstrutiva do sono, riscos e cuidados

A apneia obstrutiva do sono, condição marcada por roncos e interrupções na passagem de ar enquanto dormimos, traz mais riscos à saúde do que se imagina. Novos estudos alertam que o problema pode causar diversos desequilíbrios, desde aumento do risco cardíaco até enfraquecimento dos ossos. A seguir, listamos alguns dos principais transtornos provocados pela apneia, bem como as formas mais comuns de tratamento atualmente:

Entenda o que é apneia do sono

O problema é caracterizado por interrupções temporárias na entrada de oxigênio no organismo. Enquanto dormimos, a respiração se interrompe. Nas pessoas que sofrem de apneia do sono, os músculos da boca e garganta ficam relaxados e despencam, bloqueando a faringe e impedindo a passagem do ar.

A pouca quantidade de oxigênio no organismo provoca o aperto de veias e artérias, elevando a pressão arterial. Além disso, quem tem apneia, acorda diversas vezes na noite e não entra no modo de repouso profundo. Uma pesquisa do Instituto do Sono de São Paulo demonstrou que nas condições agudas, 30% das pessoas adultas que sofrem de apneia do sono podem ter até 35 interrupções da respiração em uma única noite.

Os riscos para a saúde

*Uma filha de nervos – Pesquisadores da Universidade da Califórnia (EUA) mediram os níveis dos neurotransmissores responsáveis pelas emoções no cérebro dos apneicos. Perceberam a elevação nos níveis de glutamato. Em grandes quantidades, esse neurotransmissor eleva o estresse e oferece riscos para crises de ansiedade e depressão.

*Pressão nas alturas – Além de apertar os vasos, o HeartBeat Study, da Academia Americana de Medicina do Sono, mostrou que 58%  das hipertensos com apneia severa criam resistência aos medicamentos que controlam a pressão.

*Ossos quebradiços – Quem tem apneia tem mais chances de desenvolver osteoporose, a diminuição da densidade dos ossos que os torna frágeis e mais susceptíveis a fraturas.

*Fala mais alto! – A apneia do sono também eleva os riscos de perda da audição. Cientistas americanos acreditam que a doença afeta os vasos que irrigam a cóclea, órgão interno do ouvido que é responsável pela recepção dos sons.

*Sangue doce – Apneia também favorece o diabetes em pelo menos 30% dos casos.

Como tratar a apneia do sono

O primeiro passo para quem desconfia que sofre de apneia do sono é ir ao médico e realizar exames. Nos grandes centros urbanos existem ambulatórios onde é possível realizar procedimentos que demonstram o nível do problema. Os tratamentos disponíveis atualmente atendem desde os casos mais simples até os mais graves, conheça alguns:

*CPAP – É um aparelho indicado para quem sofre diversas paradas respiratórias ao longo da noite. A pessoa dorme com uma máscara que mantém as vias aéreas desobstruídas e com fluxo constante de ar.

*Dispositivos Orais e Nasais – Os primeiros, colocados na boca, como os aparelhos ortodônticos, seguram a língua e impedem que ela obstrua a laringe; os segundos, dilatam as narinas para melhorar a entrada de ar.

Exercícios de fonoaudiologia – A terapia com exercícios especializados ajuda a fortalecer os músculos orais e do pescoço, evitando que a musculatura flácida, ao deitar, pressiona a traqueia e impeça a passagem do ar.

*Cirurgia – Serve para corrigir más formações na faringe e laringe que contribuem para a apneia. Só um médico pode indicar quando é necessária.

Leia Mais

Maquiagem e Síndrome do Olho Seco

Maquiagem e Síndrome do Olho Seco nem sempre combinam. Em alguns casos, a aplicação incorreta de cosméticos e falhas na limpeza dos olhos após o uso podem agravar o problema. Ao falar sobre esse transtorno (relembre aqui) deixei para abordar a maquiagem em outro texto, de propósito, porque o assunto rende. Vamos a ele!

Quem tem Síndrome do Olho Seco precisa maneirar no ‘olhão’, mas pode caprichar nas sobrancelhas para levantar a expressão

Não posso usar sombra, delineador e máscara, porque meu caso é severo e meus olhos inflamam com facilidade. Mas, não quer dizer que ao abolir da rotina o ‘olhão preto’, desisti da maquiagem. Está aí uma coisa de que realmente gosto. Passei a privilegiar a preparação da pele, desde limpeza e hidratação, até aplicação de primer, base, corretivo , pó e blush. No dia a dia, uso BBs ou CC creams, que dão cobertura e uniformizam. Também gosto de batons interessantes, principalmente nos tons vermelho fechado e vinho.

Para levantar a expressão, cuido das sobrancelhas e uso iluminador no ossinho abaixo do arco. Os olhos, como diz o ditado, são a expressão da alma. Na falta das três camadas potentes de máscara ou do delineado gatinho, mantenho as pálpebras hidratadas, massageio, uso compressas para amenizar olheiras e inchaço. Truques bons – e produtos hipoalergênicos – para cuidar dessa região não faltam.

Antes de dormir, pigmentos de maquiagem devem ser removidos para evitar contaminação

Por que maquiagem não pode?

Nem todo mundo está proibido de usar, claro! Mais uma vez, aqui vale a regra de conversar com o oftalmo para ouvir as orientações do especialista. No entanto, é importante entender que maquiagem nos olhos é um corpo estranho. E para uma região que já está sensível devido ao ressecamento ocular, abusar de produtos piora o desconforto.

A regra número um é nunca usar cosméticos nos olhos que estejam fora da validade ou tenham sido expostos às contaminações do ambiente. Estojos de sombra devem ser guardados fechados e longe de umidade, pincéis precisam ser lavados. A outra regra importante é sempre remover a maquiagem. Cansaço não pode ser justificativa para dormir com os cílios pesados de máscara. Pedaços endurecidos do produto podem cair nos olhos e causar alergias.

Faxina geral

Os resíduos de máscara, delineador, glitter, pigmento, lápis, etc., se não forem retirados totalmente, entopem as glândulas que produzem a gordura que compõe a lágrima e evita a evaporação precoce. Com isso, além dos olhos secarem depressa, podem ocorrer as enjoadas inflamações. Já os cílios, blindam os olhos contra contaminações. Deixá-los grudentos de máscara, favorece a proliferação de bactérias e entope o folículo que faz os pelos crescerem.

Para deixar tudo limpo depois de  fazer sucesso com o ‘delineado arrasa-quarteirão’, vale apostar nos demaquilantes específicos para a área dos olhos e arrematar a faxina com shampoo infantil neutro.

Mulheres sofrem mais

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Síndrome do Olho Seco atinge mais às mulheres, por questões hormonais que afetam a produção e a qualidade das lágrimas. Entre o público feminino, 10% das afetadas estão na faixa dos 50 anos, período da menopausa.

A maioria daquelas que desenvolvem a síndrome, porém, são as mais jovens. E um dos fatores desses índices altos é justamente o excesso de maquiagem e a higienização incorreta dos olhos.

No período do Outono-Inverno, que o ar fica mais frio e seco, o problema se agrava, o que requer cuidados extras.

Leia Mais

Cronicamente (In)viável: “Meu corpo me pertence. Tire suas mãos de mim”

O corpo feminino ainda é tratado como objeto coletivo

Meu corpo me pertence. Só eu posso autorizar que toquem nele. A frase parece óbvia, mas precisa ser repetida como um mantra. Para que nunca mais nos esqueçamos que quem manda nas nossas vontades somos nós. Para nunca mais termos receio de ser quem somos. Para não cairmos no conto do “é só uma brincadeira”. Porque não é brincadeira. É violência! Para nunca mais sentirmos aquele medo ou a vergonha que nos silencia.

O mantra vale para todo mundo, porque todas as pessoas, independente do gênero, da orientação sexual, do comprimento da roupa, da cor da pele ou do tamanho da conta bancária, têm direito à privacidade e ao respeito. Só que, na maioria esmagadora das situações, são os corpos femininos que são tratados como propriedade coletiva, como coisa pública, objeto sem valor. Então, é fundamental que as mulheres fortaleçam a certeza de que não são culpadas, não são responsáveis pelo descontrole, pela falta de caráter, pelo machismo alheio.

Também na maioria das vezes, a invasão do corpo feminino acontece com os homens avançando o sinal sem permissão para apalpar, violando direitos básicos. Então, vale sugerir que eles pratiquem outra frase: “não devo tocar o corpo de nenhuma mulher sem consentimento”. Talvez, se os homens repetirem à exaustão, absorvam de forma orgânica e consciente a certeza de que todas as mulheres têm direito ao respeito.

Vale também eles praticarem outras verdades, aqui listo algumas sugestões:

“Não sou o dono do corpo e nem da vontade de nenhuma mulher.”

“Nenhuma mulher é obrigada a transar comigo”.

“Nenhuma mulher é obrigada a corresponder meus sentimentos por ela”.

“As mulheres são tão livres quanto eu para escolherem ser e fazer o que quiserem”.

Objetificar é tirar das mulheres as decisões sobre o próprio corpo

Maldição antiga sobre o corpo feminino

A ideia de que os corpos femininos são propriedade masculina é antiga. Vem das origens do patriarcado, quando os homens perceberam que não bastava apenas ter poder sobre a terra, era preciso controlar também a descendência. Vem da ideia equivocada de que o corpo das mulheres é o depósito da semente masculina, que ela nada mais é do que um vaso, sem vontade própria, um ventre oco, que quando semeado, gera um herdeiro, o filho do homem. Assim, mulheres passaram séculos sendo vistas como propriedade, tal qual o gado, o arado, o celereiro de grãos. Só mais um dos itens listados no feudo como pertencentes ao ‘grande senhor’.

Romper com séculos desse equívoco, incentivado inclusive por muitas religiões, é bem difícil, ninguém nega isso. Mas, convenhamos, estamos no século XXI e não no XII. Já passou da hora dos homens admitirem a culpa de perpetuarem o machismo, que nada mais é do que um exercício sórdido de poder. A conversa de que o problema está na ‘educação que eu recebi’ já não convence diante de tantos avanços atuais. Diante da possibilidade real que todas as pessoas têm hoje, graças ao acesso ilimitado a informação, de desconstruir seus preconceitos.

Apenas melhorem, rapazes, parem de inverter a equação. E, uma vez confrontados com seus erros, parem de se colocar na defensiva e culpar seus bisavôs pelos discursos e atitudes que vocês reproduzem por conveniência e por apego aos privilégios.

Ao abusarem dos nossos corpos, a intenção também é quebrar nossos espíritos

O xis da questão

É importante parar de apontar o dedo para as mulheres que reproduzem o discurso machista. Toda mulher é vítima do machismo, mesmo quando ela dissemina mensagens e comportamentos machistas. O que acontece é que toda vez que homens são confrontados com seus erros e a forma perversa e assassina de tratar o feminino, aparece alguém para bradar: ‘mas também existe mulher machista’.

Não existe! Existem é mulheres que não conseguem enxergar a própria opressão. Ou, mesmo quando a enxergam, agem como carcereiras de outras mulheres, repassam a opressão sofrida para as irmãs. E não adianta xingar essas mulheres, é preciso dar a elas os mecanismos que tornem possível que enxerguem com clareza. É um processo de aprendizado e de descoberta.

Esse processo de educação feminina, que para umas acontece mais rápido e para outras mais devagar, não diminui em nada a responsabilidade e a culpa dos homens. Vamos olhar para o lugar certo. Ao invés de tentar encontrar justificativas para culpabilizar as vítimas pelos abusos que elas sofrem; ou de culpar outras mulheres pela manutenção do machismo, vamos olhar para o machismo que mata milhares de nós diariamente no mundo.

Vamos apontar nossos dedos para a direção certa: machismo é criação de homens. É abuso de poder de homens para com mulheres. É majoritariamente violência física, moral e psicológica de homens contra mulheres. É culturalmente disseminado, em primeiro lugar, entre os homens, de pai para filho. Para que não percam o poder absoluto que alguns tem a cara de pau de atribuir à vontade divina! Mesmo quando as mães colaboram, ao educar filhos e filhas de forma diferente, ajudando a manter a crença de que meninas nunca podem e meninos podem tudo, essa mãe não é a inventora e nem o sujeito ativo principal da estrutura machista da sociedade.

Autonomia sobre o próprio corpo não é uma concessão, mas nosso direito

Canalhas não passarão

Nem todo homem comete abuso, mata ou é do tipo machista mais torpe. Mas, ainda assim, os machistas light se beneficiam da estrutura desigual da nossa sociedade. O fato de serem homens, num mundo governado e pensado de e para homens, lhes confere privilégios. Felizmente, existem cada vez mais deles dispostos a exercitar a empatia, a ajudar no combate ao machismo, que como já foi dito muitas vezes, também os oprime.

Mesmo aqueles que inicialmente tentavam colocar-se como protagonistas da luta feminina por igualdade de direitos, falando em nome das mulheres, estão aos poucos entendendo que a participação mais importante deles é na educação dos seus pares. Homens podem ajudar a educar outros caras que ainda desrespeitam e abusam das minas.

Aos canalhas, aos abusivos, aos assassinos, cada vez mais eles perceberão que seu reinado acabou e o que existe agora são os estertores de quem já entendeu que o jogo virou. As mudanças sociais que vêm ocorrendo velozmente em todo o mundo, não têm mais volta. Nenhuma mulher vai voltar ao estágio de submissão, de medo e de vergonha. E juntas, cada vez mais, umas tirarão os grilhões das outras. As reações femininas para cada abuso masculino vão ser em tamanho e força igual à injúria sofrida, porque se tem um outro conceito que muitas de nós já absorveu como uma segunda camada super-protetora de nossos corpos violados, é o de que juntas somos sim muito mais fortes!

Leia Mais

Cronicamente (In)viável: Ciclos de morte e renascimento. Ou, O mito da fênix

“Na mudança, na metamorfose e no caos, a vida se completa”.

Acredito em ciclos. Que a vida é circular, mas não repete-se igual. A frase em destaque, acima, é de um amigo. Um dia, ele leu um dos meus desabafos sobre o eterno desejo de mudança e comentou com essa frase. Vira e mexe, a gente precisa se reinventar e recomeçar do zero. Não é um processo fácil. Requer, além de desapegar do que já não nos serve, a capacidade de se moldar às novas circunstâncias. Resiliência é só uma palavra da moda, dirão alguns. Mas quem cumpre um destino de fênix conhece seu significado nas entrelinhas.

Recordo de uma frase do romance Os versos satânicos, de Salman Rushdie: “Para renascer, é preciso morrer primeiro”. É dita pelo personagem Gibreel Farishta, um ator famoso que vive uma metamorfose após sobreviver a um desastre aéreo. Quantos de nós não enfrenta suas pequenas mortes cotidianas? E precisam juntar as próprias cinzas, aquecê-la e desse montinho disforme renascer?

A fênix era conhecida como Bennu entre os antigos egípcios

Os ciclos de renascimento e o mito da fênix

O mito da fênix, embora atribuído à cultura greco-romana, surgiu no antigo Egito. Depois, foi adotado pelos gregos e, mais tarde, pelos cristãos. Ana Lucia Santana, mestra em Teoria Literária pela Universidade de São Paulo (USP), explica em artigo (leia aqui) que entre os egípcios, a fênix estava associada ao culto de Rá, o deus-sol.

Algumas versões do mito dizem que a ave, que vivia séculos, pressentia a chegada da própria morte e construía uma pira funerária onde se auto-incendiava, renascendo das cinzas do antigo ser. Outra versão diz que a fênix se jogava nas chamas do altar de Rá, na cidade egípcia de Iunu, chamada pelos gregos de Heliópolis (Cidade do Sol).

Para os egípcios, a fênix era o símbolo da imortalidade, sendo ainda associada ao nascer e ao pôr do sol. Para os cristãos, na arte sacra, a ave representa a ressurreição de Cristo.

Os russos chamavam a ave mítica de Pássaro de Fogo

A fênix como avatar dos recomeços

Adotei a fênix como avatar pessoal há alguns anos. Justamente quando enfrentei um ciclo de morte e renascimento. Desde então, recorro ao arquétipo como metáfora pessoal, para lidar com as reviravoltas da vida, com as mudanças repentinas, com as alterações que exigem alta capacidade de adaptação.

Em sua versão mítica, e mais uma vez recorro a Ana Lucia, a fênix é considerada ícone de “esperança, persistência e transformação”. É benéfico para o espírito eleger um símbolo de tamanha força para suportar turbulências.

Nas situações complexas da vida, como recuperar-se de uma doença grave, superar a perda de uma pessoa muito querida ou enfrentar uma mudança de carreira na meia-idade, após, por exemplo, um desemprego involuntário, a ideia de que somos capazes de nos reerguer das quedas mais monumentais, realmente me inspira.

Autodescoberta no ritmo de cada um

Processos de autodescoberta também me estimulam. A cada vez que preciso me incendiar na fogueira da fênix, lembro primeiro de queimar todas aquelas coisas desnecessárias que vão se acumulando na alma, para depois abrir espaço para as verdadeiras transformações. E por mais que a literatura de autoajuda esteja recheada de dicas para “sair de zona de conforto” de forma pasteurizada e nem sempre realista, creio na capacidade humana de adaptar-se e de traçar novas rotas a cada golpe do destino ou empecilho no caminho.

Nenhum estudioso do mito da fênix sabe exatamente quanto tempo após virar cinzas, a ave renascia como um bebê “aberto a eterna novidade do mundo”, parafraseando verso famoso de Fernando Pessoa. Acredito que ela reabria os olhos para a vida de forma lenta e gradual, com profundidade e acúmulo da sabedoria de muitas vidas.

Toda mudança, para ter significado real, não pode ocorrer apenas para demonstrar aos outros “o quão bem sucedidos somos”, mas para nos revelar a beleza da nossa jornada em um universo em eterna transformação…

********

*Cronicamente (In)viável é uma série de reflexões sobre ser e estar no mundo, inspirada nas minhas vivências e naquilo que observo ao redor. A série tem irmã gêmea, em outro blog, chamada (Im)paciente Crônica. Quem sabe um dia, transformo as duas em livro…

Leia Mais

Saúde: Como viver com a Síndrome do Olho Seco

As lágrimas lubrificam os olhos e afastam os germes

A Síndrome do Olho Seco, também conhecida como Síndrome da Disfunção Lacrimal, me acompanha desde que sofri uma alergia grave a medicamentos anti-inflamatórios, durante um tratamento de tendinite, há alguns anos. Como sequela dos problemas acarretados pela alergia, passei a conviver com um arsenal de colírio e gel ocular lubrificantes, compressas de gaze e soro fisiológico; além de precisar de visitas regulares ao oftalmologista. É chato, mas dá para manter a qualidade de vida e a acuidade da visão, se os cuidados certos forem tomados. E a ideia deste texto é falar, justamente, destes cuidados.

Representação do Sistema Lacrimal

Entenda a Síndrome do Olho Seco

A Síndrome do Olho Seco, ou da Disfunção Lacrimal, como o nome já explica, é acarretada quando uma falha no organismo prejudica a formação das lágrimas. Nossas lágrimas são feitas de moléculas de água, gordura e muco. Esse composto serve para manter os olhos lubrificados e limpos, evitando contaminações por germes. A síndrome acontece quando a lágrima passa a ser fabricada com defeito, com excesso ou falta de gordura, o que faz com que evapore depressa e sem cumprir sua função de proteger o globo ocular.

Quem sofre com o problema, geralmente, sente muita ardência, coceira e uma desagradável sensação de que jogaram vidro moído ou areia nos seus olhos. Além disso, os olhos também ficam vermelhos e incham facilmente, como se você estivesse com uma conjuntivite. Se não for tratada e mantida sob controle – a doença não tem cura -, pode ainda causar problemas mais graves, como infecções por bactérias oportunistas e diminuição da acuidade visual.

O que causa o problema?

No meu caso, a Síndrome do Olho Seco foi consequência de uma alergia a um tipo específico de medicamento, anti-inflamatório, que estou terminantemente proibida de voltar a usar para o resto da vida. O problema me afetou porque eu tinha uma condição prévia de doença autoimune que foi negligenciada pelo ortopedista que me tratou da tendinite. O processo infeccioso derivado desse descuido do médico, levou ao desenvolvimento da síndrome.

Outros problemas que acarretam esse ressecamento severo do globo ocular são:

>>Blefarite: inflamação que ataca os cílios e forma uma caspa que bloqueia a glândula lacrimal;

>>Lesões: cistos, conjuntivites, cirurgias para correção de miopia ou blefaroplastia (plástica para levantar as pálpebras) podem afetar a fabricação de lágrimas;

>>Problemas hormonais: menopausa e uso de anticoncepcionais;

>>Medicamentos: antialérgicos, anti-inflamatórios, remédios para hipertensão e psicotrópicos (como aqueles para depressão, ansiedade, etc);

>>Doenças autoimunes: lúpus, Síndrome de Sjögren, Síndrome de Stevens-Johnson;

>>Uso excessivo de computadores, tablets, smartphones, TVs: quanto mais concentrados diante dessas telas, menos piscamos. Piscar é essencial para a produção de lágrimas.

Existem dezenas de colírios lubrificantes. Seu oftalmologista ajudará na melhor escolha, de acordo com a gravidade do problema

Como é que cuida?

Quem tem Síndrome do Olho Seco precisa visitar o oftalmologista de seis em seis meses, para monitorar o problema. Só o especialista pode indicar o tipo de tratamento mais adequado. Em alguns casos, um tampão é usado para bloquear o canal lacrimal, impedindo que a lágrima escoe rápido demais.  Só oftalmologistas podem aplicar tampões.

Mais cuidados essenciais:

>Higienização correta dos olhos, principalmente por quem tem tendência a desenvolver blefarite. Existem líquidos específicos nas farmácias, mas minha oftalmo me deu uma solução simples e barata: usar Shampoo Johnson neutro. Aquele amarelinho que as blogueiras amam para remover maquiagem dos cílios. Duas vezes por dia, de manhã cedo e à noite, com as mãos previamente bem lavadas, pingo duas gotinhas do shampoo na palma da mão, faço uma espuma e com um cotonete, passo delicadamente nos cílios. Depois, enxáguo e aplico compressas de gaze embebidas em soro fisiológico gelado. Dá um alívio imediato, principalmente de manhã cedo!

>Uso de colírios ao longo do dia. Existem de várias marcas. Seu oftalmologista saberá indicar o que melhor atenderá o grau de ressecamento nos seus olhos. Ele também dirá quantas vezes é preciso aplicar. Eu preciso de duas em duas horas.

>Gel lubrificante ocular antes de dormir. Aplico sempre uma gota em cada olho. Mais uma vez, existem inúmeras marcas nas farmácias e o oftalmo saberá orientar a mais adequada ao seu caso.

>Alimentação adequada também ajuda. Beber muita água é essencial, porque ela é o principal componente da lágrima. Vale ainda investir em alimentos ricos em Ômega-3, como peixes (atum, sardinha, salmão), oleaginosas e linhaça. Vitamina A também não pode ficar de fora do prato de quem tem Síndrome do Olho Seco. Já as frituras e o fast-food, cheios de gorduras saturadas, devem ser evitados, porque pioram o problema. Eu amo sanduíches, mas prefiro as versões sem fritura, com frango desfiado ou atum, um pouco de queijo, legumes e verduras.

Leia Mais

Dica de filme: Sem Filtro, porque as mulheres querem falar sem censura

No filme Sem Filtro, a atriz Paz Bascuñán vive Pia, uma mulher em busca de liberdade

O filme chileno Sem Filtro, dirigido por Nicolás López, foi minha escolha para a sessão “cinema no sofá” no fim de semana. E porque a produção diz muito sobre as mulheres e suas aflições, trago a dica para vocês.

Sem Filtro (Sin Filtro), disponível no catálogo da Netflix, é uma comédia dramática que conta a história de Pia (Paz Bascuñán). Publicitária de 37 anos, sua rotina é atribulada e ela sofre de ansiedade, falta de ar e dores no peito. Está a beira de um colapso. Seu ex-namorado é o confidente com quem troca mensagens via Whatsapp. O cidadão é o típico ex metido a ‘príncipe encantado’. Mesmo já envolvido em outro relacionamento, fica rondando e não deixa espaço para ela se libertar e seguir a vida.

Com a língua solta

Ao procurar um tratamento experimental com um acupunturista, Pia recebe a orientação de deixar suas emoções fluírem. Ela deve dizer o que sente, ao invés de esconder o que incomoda para agradar os outros. Suas dores são o reflexo da repressão externa e de uma severa autocensura.

O filme foi lançado em 2016 e tornou-se uma das películas mais vistas do cinema chileno. O sucesso se deve a atualidade da obra. Além de tocar na questão da dificuldade das mulheres para fazerem-se ouvir, também traz temas contemporâneos, como a medicalização da vida. Pia começa o dia engolindo um coquetel com diversos tipos de calmantes.

A produção discute ainda as redes sociais e as celebridades instantâneas; e o contato de adolescentes com a pornografia violenta que circula na internet, criando nos jovens a cultura do abuso e estimulando a misoginia.

Não somos neuróticas, só estamos cansadas!

Um dos momentos interessantes de Sem Filtro é quando Pia tem coragem de se impor diante do chefe e do marido. Os dois, chocados com o fato dela assumir o protagonismo da própria vida, querem saber se ela está ‘con las reglas’. A personagem, cansada de imposições, questiona: “Por que, toda vez que uma mulher se irrita, os homens acham que ela está menstruada?”

Acredito que muitas mulheres se identificam com Pia. Em algum momento da vida, já carregamos mais peso do que deveríamos, iludidas pelo mito da Mulher Maravilha. Não são poucas as que adoecem e usam remédios para suportar abusos variados. Ou que vivem com maridos que não as valorizam e nem dividem obrigações cotidianas.

Muitas têm familiares e amigos que as sobrecarregam com problemas e raramente retribuem esse cuidado. E elas aguentam as situações porque foram condicionadas desde a infância a serem “boas meninas”.

A Pia do filme percorre seu caminho em busca da própria liberdade, errando e acertando, disposta a seguir em frente. Que a sua jornada inspire outras mulheres a se livrarem de tudo que oprime o peito e as faz adoecer!

……

>>Veja o trailer de Sin Filtro:

Leia Mais

De olho na saúde: meditação contra o câncer

Praticar meditação traz inúmeros benefícios para a mente e o espírito. E agora, os cientistas descobriram que as técnicas de relaxamento também funcionam nos exames para detecção do câncer de mama. Esse é um dos destaques da semana na sessão De olho na saúde, que toda sexta-feira, traz informações fresquinhas sobre pesquisas e descobertas médicas; além de dicas para o bem estar e a qualidade de vida.

Sintonizadas na ternura

Pesquisadores da Universidade Duke (EUA) queriam saber os efeitos da meditação e da musicoterapia em pacientes com nódulos nas mamas que precisavam se submeter a biópsia. O exame serve para determinar se um tumor é benigno ou maligno e consiste em retirar um pedaço do nódulo para análise. Além de pressão emocional, o exame pode causar dor e desconforto.

Para isso, 121 voluntárias foram divididas em dois grupos, um para controle e outro submetido a sessões de meditação e musicoterapia. As mulheres que meditaram e foram estimuladas a focar em sentimentos amorosos, passaram pelo exame sem desconforto. Também foi notado que as que ouviam música relaxante não ficavam nervosas durante ou sentiam menos fadiga após o exame.

A música (tema da coluna na semana passada) e a meditação diminuem a ansiedade e a angústia das pacientes durante exames. Também auxiliam aquelas que, uma vez diagnosticadas com o câncer de mama, precisam se submeter a sessões de quimioterapia. Os autores da pesquisa acreditam que os benefícios são extensivos a qualquer procedimento médico.

Lição para a memória

Técnicas de memorização baseadas no agrupamento de palavras ajudam pacientes com tumores ou lesões no lobo frontal esquerdo do cérebro. A pesquisa é de uma equipe de neuropsicologia do Hospital das Clínicas, de São Paulo, e já foi destaque no Prêmio Saúde.

O lobo frontal esquerdo é a área que processa as informações verbais. Um grupo de pacientes que passou por cirurgias de remoção de tumores na região, recebeu uma lista com 16 palavras para decorar. Boa parte esqueceu tudo mal terminou a leitura. Usando como base um sistema de separação por categorias: nomes de frutas, de instrumentos musicais, de pessoas, de peças de vestuário, etc., os pacientes passaram a reter a informação.

Técnicas de memorização também são utilizadas por ‘concurseiros’ e profissionais que lidam com muita informação.

Fofura sem espirros

Sabe aquele bicho de pelúcia que você ganhou de presente e adora? Ou que seus filhos não desgrudam? Pois o Teddy é uma casa confortável para os ácaros que fazem a festa no nariz e nos pulmões dos alérgicos.

Para evitar transtornos à saúde, lave os bonecos à máquina uma vez por semana. Mas antes,  fique atenta (o) às seguintes dicas:

>>Use sabão neutro, que sabão em pó também é irritante para as vias aéreas e enxágue bem, para não sobrar nenhum resíduo de detergente;

>>Leia a etiqueta para ver se o material que enche o boneco é do tipo que pode ser rodado na máquina. Se for um brinquedo à pilha, retire as pilhas;

>>Retire também botões ou qualquer outro detalhe que pode desmantelar e coloque o bichinho dentro de uma fronha branca e amarre a ponta. Ele deve ser lavado dentro da fronha;

>>Após a lavagem, escove a pelúcia e coloque o brinquedo para secar em área bem arejada.

Leia Mais

Amor sem neuras envolve parceria

Homer e Marge Simpson. Ela assume a ‘responsa’ e ele é o eterno garotão

O amor é um dos sentimentos mais esmiuçados e confundidos. Chamamos de amor coisas que nem de longe se parecem com ele. Criamos expectativas que os contos de fadas não dão conta de suprir. Nem mesmo zerando a tag de comédias românticas da Netflix. Inclusive porque, a depender do modelo de relacionamento vendido por esses filmes, a confusão só aumenta. E é por causa de tanto mal entendido que acreditamos que cuidar do outro no relacionamento é uma via de mão única. E toda esburacada pelo peso de carregar sozinha a história que deveria ser compartilhada pelo casal.

Quem aí nunca se sentiu pateta ao perceber que se esforçou ao máximo para que as coisas dessem certo e no fim elas deram errado por conta de tanto esforço? Quem nunca confundiu cuidado com o outro com sobrecarga? E quem nunca botou a culpa no outro pelo fracasso do relacionamento, justamente porque a pessoa que recebeu tanta dedicação não soube valorizar nosso esforço?

Primeiro, é importante ressaltar que a gente só deve se relacionar com quem nos valoriza, em todos os sentidos. Se a pessoa desmerece nosso corpo, nossas ideias, nossos sentimentos, nossos projetos e ambições, se encontra defeito em tudo o que somos ou fazemos, a solução é uma só: caia fora. Ninguém precisa de relacionamentos tóxicos para viver. Não se permita, jamais, viver relações abusivas e ser o tapete onde alguém limpa os pés.

Ser valorizada e valorizar com quem estamos não tem relação com ser mártir. Infelizmente, ainda existe quem se martiriza em nome de uma promessa de amor. Relações sadias não exigem sacrifícios, não requerem que a gente se anule ou auto-flagele. Amor mesmo, e não outros sentimentos confusos que se disfarçam de amor, não nos violenta.

Inverdades universais

Amor requer reciprocidade. Não é sua obrigação cuidar sozinha do casal

A pessoa mártir é aquela que faz questão de assumir todas as responsabilidades da relação, de controlar cada detalhe, de prover o parceiro de tudo o que ele necessita sem que a criatura sequer precise pedir. E depois, exausta, sofre por estar sobrecarregada. E o relacionamento, que era para ser bacana, vira fonte de dor de cabeça e decepções.

Nossa cultura ainda é prejudicial às mulheres em muitos aspectos. Um deles é o de propagar como verdade universal a ideia falsa de que as meninas amadurecem cedo e aprendem desde novas a serem responsáveis, a se comportarem e a resolverem os perrengues da vida diária; enquanto os meninos crescem e viram homens que aos 50 anos ainda precisam de cuidados maternos.

Na verdade, isso acontece não porque a natureza quis assim, mas porque meninos e meninas recebem educações diferentes. Enquanto somos treinadas para amar incondicionalmente, obedecer e servir; eles são estimulados a conquistar, dominar e ter todos os desejos atendidos. Já passou da hora de mudar essa educação desigual.

Para alguns homens, é cômodo ficar na posição de garotão e depois reclamar que a parceira é ‘controladora’. Ou então, deliberadamente, deixar que ela resolva as coisas chatas do cotidiano, porque é muito bom que outra pessoa esquente o juízo no nosso lugar. Mas, também é difícil, às vezes, fugir desse círculo porque tem muita gente que repete o padrão e toma para si o cultivo da relação, sem dividir as responsabilidades.

Relacionamentos afetivos são vias de mão dupla, sempre. Amor abnegado, sacrifício extremo, não esperar nada em troca, nada disso se aplica aos casais. E aqui não se trata de criar expectativas falsas sobre relacionamentos falidos, mas exigir reciprocidade. Não dá para sustentar um casal se só um lado doa, enquanto o outro vampiriza.

Seu boy não é seu filho

Você não é a mãe do seu boy!

Para começar a botar ordem nas coisas, vale lembrar que nossos parceiros afetivos não são nossos filhos. Se o cara precisa de uma ‘mãezona’ para organizar a vida dele, o problema, companheira, não é seu, é do cidadão em questão. Não assuma papel de mãe, babá, secretária, enfermeira ou qualquer outro que te deixe desconfortável ou se sentindo usada na relação. Cuidar de quem está doente, ajudar nas necessidades, gerenciar a casa, educar filhos, zelar pelo sentimento de vocês, é tarefa de ambos, não apenas sua.

Faça o boy enxergar que casais se ajudam, são parceiros, jogam no mesmo time. Porque senão fica injusto e desequilibrado, provoca sofrimento ao invés de felicidade. Se o cidadão não aprender ou não estiver pronto para fazer a parte dele na história, então é hora de avaliar se o romance vale seu esforço.

Leia Mais