Cronicamente (In)viável: Não fale mal dos gatos perto de mim…e nem fale se estiver longe

Gatos são criaturinhas geniais (Foto: Andreia Santana)

Meu filho costuma dizer que não confia em quem não gosta de gatos. E tem lógica, já que os gatos são animais extremamente sensíveis e que não confiam em qualquer um. Uma amiga, também gateira, afirma que os gatos sabem quando alguém é do bem ou não; e que gente do bem sempre cai nas graças dos felinos.

Não significa que a regra seja universal. A história está aí para provar que muitos ditadores bem maldosos com o povo, amavam seu gatos. Digamos que existe uma tendência de gente bacana atrair essas criaturinhas geniais, mas que gente não tão bacana assim também pode receber sua cota diária de amor felino.

Não lembro onde li – acho que foi minha irmã, gateira de carteirinha desde criança, quem disse – que as pessoas que não gostam de gatos é porque não os conhecem e reproduzem preconceitos do senso comum; ou seja, nunca conviveram com eles e apenas repetem de ‘ouvir falar’.

O que eu sei é que gatos são terapêuticos, amorosos e engraçados. Os gatos da minha família – são cinco, duas irmãs e uma delas, mãe de três – alegram os dias em casa; fazem massagem para espantar o estresse (já acordei várias vezes sendo massageada no plexo solar); ronronam quando alguém da família está doente ou triste; e fazem ‘cambalhota do amor’ (quando os gatos rolam no chão para os seus humanos) e ‘fofinho’ (que alguns gateiros chamam de ‘amassar pãozinho’).

Também nos esperam chegar em casa, nos chamam para brincar e sabem inclusive indicar que brinquedo eles querem que pegue. Geralmente algum cadarço ou pedaço de tecido velhinho com badulaques amarrados nas pontas já os deixam bem felizes. São ainda extremamente curiosos e ‘novidadeiros’, qualquer caixa, pacote ou embrulho rendem mil explorações.

Assim, como acontece com as pessoas, cada um dos cinco gatos da minha família tem uma personalidade diferente e interage com os humanos da casa de uma forma específica. Tem os mais dengosos, os mais reclamões, os meio blazé, os mais obedientes e aqueles bem teimosos. Mas todos sabem expressar um tipo de amor genuíno que nem sempre se encontra nos seres humanos.

‘Essas ideias que você pensa ter tido…’

Não gostar de gatos é compreensível. Assim como é compreensível não gostar de cachorros, de crianças, de sorvete, etc. O que não dá para entender é o tanto de informação equivocada que as pessoas ainda repetem sobre os gatos como se fossem verdades universais e, na maioria das vezes, porque elas ouviram essas mentiras e saíram espalhando o equívoco como se fossem pérolas de sabedoria.

Dia desses, um conhecido me disse que não gostava de gatos porque “gatos são interesseiros e só são carinhosos com os donos para ganhar comida”. É uma variante da frase que ouvi muito na infância, inclusive da boca de pessoas próximas: “que os gatos só gostam da casa e não do dono”.

São frases repetidas a gerações, mas que não fazem o menor sentido. São mentiras moldadas por preconceito. Os gatos gostam sim dos donos, da casa e de conforto. Como qualquer outra animal, inclusive o humano, o gato responde ao ambiente externo, se é bem tratado, retribui, se é maltratado, se retrai, vai embora.

Talvez a cisma de muita gente com os gatos seja justamente porque eles conseguem, mesmo que magoados, seguir em frente. São animais muito dignos. Observe um gato de rua, por mais maltratado e esfarrapado que o bichinho esteja, existe uma aura de honra, de orgulho e de resiliência nele.

Gatos não são submissos, são amorosos. Mas muitos humanos confundem amor e demonstrações de carinho com submissão e por isso, não aceitam um animal altivo e que não se rende. É preciso demonizar esse animal ‘rebelde’ que não faz o que mandam.

Da mesma forma que é preciso queimar na fogueira as mulheres rebeldes, as pessoas questionadoras, livres e insubmissas. Muita gente confunde amor com posse e por isso rejeitam as criaturas que não aceitam ser propriedade…

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*Também publicado no blog Mar de Histórias

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