Para as meninas que adoram um saltão e um bolsão

O artigo selecionado para dar seguimento ao conteúdo da Semana da Mulher, neste sábado, foi elaborado pelo ortopedista Fabio Ravaglia e trata da vaidade feminina. O médico, dando mostras de entender bastante de fashionismo, pesquisou as tendências do Inverno 2011 e dá conselhos sobre uso correto de saltos altos e bolsões. O bacana é que ele analisa cada tipo de salto e mostra seus efeitos no corpo (coluna e pernas) e de que forma podemos ficar lindas, mas mantendo a saúde. Lendo o texto aprendi bastante e acredito que vocês também vão aproveitar as orientações do especialista. Confiram!

Sapatos e bolsas para conciliar moda e saúde

*Dr. Fabio Ravaglia

É um fato inegável que as mulheres adoram estar na moda e sei que quando o médico recomenda, por exemplo, “não use salto alto”, nem sempre é ouvido. Moda não é a minha especialidade, mas tenho o hábito reunir informações que possam facilitar minhas orientações às pacientes. Sites e revistas femininas, por exemplo, já indicam que o salto-tijolão e o bolsão serão destaque nas coleções de inverno 2011. O sapato da próxima estação, apresentado nos desfiles do último São Paulo Fashion Week, é aquele usado por Carmem Miranda – plataforma, meia pata ou anabela. E as bolsas têm que ser grandes para comportar tudo: maquiagem, agenda, celular… Já que moda é moda e não se discute, gostaria de fazer considerações sobre como seguir as tendências sem deixar que a saúde fique comprometida.

Salto agulha, sou frouxa, tenho coragem não! Essa imagem é do encontrodasjoaninhas.blogspot.com

Salto ideal – O salto-tijolão é o que dá mais conforto entre os saltos altos. Com plataforma conjugada o salto faz a mulher ganhar em altura e não prejudica tanto a saúde, por reduzir a inclinação entre o calcanhar e os dedos e distribuir mais uniformemente o peso do corpo por toda a sola do pé. Tem boa estabilidade ao pisar, porém, não deixa o pé com toda a flexibilidade para praticar o movimento de andar. É preciso ter cuidado para não virar o tornozelo. O meia pata, uma variação do plataforma, elevado na frente e com salto mais grosso independente, também tem boa estabilidade. O modelo anabela, inteiriço com plataforma e salto, é o que dá maior estabilidade e é um dos melhores para quem precisa ficar muitas horas em pé.

Salto anabela, adoro! Esse da foto é do blog sabrinasiqueiraa.blogspot.com

O salto agulha ou stiletto, considerado o mais elegante e sexy, e que pode chegar a dez centímetros de altura, dá a menor estabilidade. Muito fino, sua base de contato com o chão é mínima, sem contar que a ponteira muitas vezes provoca escorregões em piso liso ou entra em vãos e buracos de pisos irregulares, resultando em torções de tornozelos. Oferece risco à saúde de mulheres que ficam muito tempo em pé ou estão com sobrepeso, por forçar a coluna e os joelhos e obrigar o corpo a buscar um outro ponto de equilíbrio que não o natural. Associados ao bico fino, podem incentivar um joanete ou calosidades. O elegante salto Luís 15 ou carretel é mais confortável por causa da base mais larga. O salto quadrado é ainda mais confortável, por oferecer uma base de apoio maior para o calcanhar, diminuindo a pressão aos dois primeiros dedos dos pés e permitindo maior facilidade para os movimentos. Com ele, o ganho de altura pode ser grande, conferindo elegância à mulher. O salto cubano é uma opção, mais grosso no calcanhar e com a ponta fina. No geral, ele se apresenta como alternativa para o sapato social, delicado e com altura de cerca de três centímetros, o que não cansa tanto no dia a dia e dá a impressão de elegância. O salto vírgula também está presente em algumas coleções. Por ter uma curva, pode não apresentar uma boa estabilidade para o pé.

O meia pata eu já encaro. Essa equilibradinha na frente é fundamental para mim, que sou descordenada total! Esse maravilhoso da foto é do culturamix.com

Sei que há o consenso de que a pessoa usando salto alto parece mais magra e alta; emocionalmente, a mulher se sente mais atraente e “sexy”, melhorando a autoestima, mas não convém exagerar no tamanho do salto nem abusar do tempo de uso. Alterne o sapato e a altura do salto para não forçar apenas alguns músculos e não movimentar outros. Com salto alto, a mulher pisa na ponta dos pés, forçando os dois dedos maiores e a parte da frente da musculatura da canela. Lembre-se de fazer um alongamento, principalmente para movimentar a musculatura posterior. Outra dica interessante é levar um sapato mais confortável para andar na rua ou no shopping ou mesmo para dirigir, assim, o tempo de uso do salto alto fica reduzido apenas ao necessário.

Salto Plataforma também é bom para equilibrar o andar. Esse da foto é do blog sosmodaeestilo.zip.net

Sapato adequado – Pessoas que trabalham muito tempo em pé ou que caminham muito para chegar ao trabalho sabem que uma escolha errada de um sapato pode provocar dores nas costas, problemas nos joelhos e até chulé. Nem sempre o sapato mais caro ou o mais bonito é o adequado. O modelo ideal precisa ser confortável, o que significa permitir que os movimentos de pés e pernas sejam executados livremente, Também não deve ocasionar problemas ou dores. O andar deve ser realizado com naturalidade e sem impacto sobre as articulações. Precisa deixar que a pele respire. Recomendo que se faça um test drive na loja, isto é, antes de comprar um sapato, ande e fique um pouco com ele antes, dentro da loja. Verifique a estabilidade. Os reforços do calçado ajudam a firmar o pé, o que pode evitar entorses. O número precisa ser o seu, pois o sapato não deve ficar largo nem folgado. O certo é deixar um centímetro sobrando na ponta para os dedos se mexerem. Considere também o formato de seu pé, porque não adianta querer colocar um sapato bico fino em um pé largo ou bem alto. Neste caso, a opção seria o falso bico fino, largo o suficiente para caber o pé e só com uma ponta fina, que fica vazia. Os calçados de bico redondo ou quadrado são mais confortáveis. Conhecer a maneira como se pisa também é bom. Sabendo a maneira da pisada, você pode procurar por sapatos que deem apoio ao arco do pé ou que tenham reforço na lateral interna ou externa ou no calcanhar. Observe se o revestimento da sola e do salto é antiderrapante. Não custa lembrar também que, para atividades físicas, o tênis é sempre o ideal. É o calçado que menos faz sofrer com bolhas ou calos.

Os bolsões não precisam ser descartados, mas têm de conter menos quinquilharias se quisermos manter a saúde da coluna. Essa linda aí da foto é do brechonadella.blogspot.com

Bolsões – A bolsa grande não representa nenhum problema para a saúde. O problema é o peso que se carrega nela. A bolsa muito pesada pode provocar dores nos ombros, inflamação nas costas e – o pior – problemas na coluna. Um adulto pode carregar, no máximo, o equivalente a 10% do peso de seu corpo. As mulheres não largam suas bolsas e ficam horas seguidas carregando. Não estou falando de apenas cinco minutos entre o ponto do ônibus e o escritório, mas de um período de uma ou duas horas, quando as mulheres fazem compras em supermercados ou shoppings, por exemplo. E por mais que seja bonita, a “maxibolsa” sobrecarrega a coluna, sim! Entre os vários riscos destaco os problemas de postura e um possível processo inflamatório. O excesso de peso é responsável por doenças na coluna como escoliose (desvio da coluna vertebral, que pode ser cervical, toráxica ou lombar), lordose (aumento da curvatura lombar) e a sifose, conhecida popularmente como corcunda – quando a pessoa joga os ombros para frente. A degeneração da coluna é resultado de vários fatores como genética, hábitos de vida, atividade física, obesidade e sobrecarga, entre outros. A sobrecarrega na coluna lombar pode acelerar o processo degenerativo. Sabemos que alguns problemas podem ser evitados ao mudarmos nossos hábitos.

Mochila é indicada porque equilibra nos ombros, distribuindo o peso nas costas. Essa da foto é da Overend

A mochila é mais indicada para carregar peso, já que as alças ficam equilibradas nos dois ombros – evitando incliná-los para um dos lados – e o peso permanece nas costas, a parte do corpo mais forte e mais apropriada para carregar peso. É importante lembrar que os problemas na coluna são a quinta causa responsável pelo afastamento de pessoas do trabalho, segundo o Ministério da Saúde. Para evitar esse transtorno é preciso manter a postura corporal correta e evitar o esforço desnecessário. Mas, o que fazer? As mulheres devem abrir mão da praticidade e beleza oferecidas pela “maxibolsa”? De forma alguma… até porque conheço as mulheres e sei que jamais vão abrir mão de um item que esteja na moda! Vencido por essa constatação, acredito que seja melhor oferecer algumas alternativas em prol da saúde ao invés de apenas alertar para os problemas.

Ilustrações que simulam Escoliose, Cifose e lordose. A imagem é do colunacomsaude.blogspot.com

Anote dez dicas básicas:

1. Deixe a bolsa mais leve! Tire da bolsa os livros, cadernos e papéis; opte por transportá-los em pastas.
2. Tire a nécessaire e carregue a maquiagem, absorventes e escovas em uma valise – que pode ficar, inclusive, no carro ou no escritório.
3. Deixe na bolsa somente o que é realmente necessário.
4. Leve uma sacola à parte com o lanche.
5. Faça uma “faxina” regularmente na bolsa para retirar o que não precisa mais.
6. Leve somente o que vai usar naquele dia!
7. Mude frequentemente a bolsa de ombro. Também pode segurá-la pela mão durante algum tempo.
8. Para deixar a coluna em ordem e fortalecida para carregar as maxibolsas, recomendo a prática de exercícios físicos, no mínimo três vezes por semana. Nunca esqueça de se alongar antes e depois da atividade. O aquecimento no início prepara o corpo para as tarefas e, no final, relaxa.
9. Atenção para quem está acima do peso. A obesidade – ou sobrepeso – são em si prejudiciais à coluna.
10. Não carregue peso desnecessário, além da bolsa.

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*Fabio Ravaglia é médico ortopedista graduado pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp), com especialização em coluna vertebral pelo Instituto Arnaldo Vieira de Carvalho (Santa Casa de Misericórdia de São Paulo) e mestre em cirurgia pela Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Atuou como cirurgião ortopédico em hospitais ligados à Universidade de Bristol, na Inglaterra e na Alemanha e é membro emérito da Academia de Medicina de São Paulo e membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia – SBOT. Desde 2005, preside o Instituto Ortopedia & Saúde, Ong que tem a missão de difundir informações sobre saúde e prevenção a doenças e que organiza o Projeto Cidadania – Caminhadas com Segurança.

>>Aqui no blog, vocês acessam outros artigos do especialista neste link.

**O artigo de Fabio Ravaglia foi enviado ao blog pela Printec Comunicação e publicado mediante a citação da autoria e respeito ao conteúdo. Como todo trabalho intelectual, está protegido por direitos autorais e pedimos que, caso tenha interesse no tema e queira usar dados desse artigo, entre em contato com o autor ou sua assessoria para pedir autorização.

P.S.: Como o Dia Internacional da Mulher este ano aconteceu em pleno Carnaval, quando tinhamos outros conteúdos para compartilhar com vocês, os textos, artigos e pesquisas recebidos referentes à data serão publicados ao longo dos próximos dias.

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Leia também no Especial Semana da Mulher 2011:

>>Mulheres ditam novos padrões de consumo on line

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Saúde & Fitness: Caminhada no combate às dores

Domingo é dia dos artigos e reportagens da série Saúde & Fitness aqui do blog e para hoje, reservei uma contribuição do ortopedista Fabio Ravaglia sobre os benefícios da caminhada na prevenção e tratamento às dores musculares. Hoje amanheceu um sol frio, céu azul e ventinho fresco aqui em Salvador, clima gostoso para uma boa caminhada. Me inspirei no dia para selecionar o material da série. Que sirva de inspiração a vocês também!

**A caminhada no combate às dores em músculos e ossos

*Dr. Fabio Ravaglia

A atividade física ajuda a combater dores nos músculos e nos ossos? É possível, com exercícios, reduzir dores nas costas, no joelho, na cabeça, nas pernas e outras tantas que nos incomodam no dia a dia?  Para começar, é certo que as atividades físicas são fundamentais para que o corpo não enferruje. Costumo dizer isto para pessoas  de qualquer idade, porque já é passado o tempo em que somente idosos ficavam parados. Hoje, é comum ouvir de jovens e mesmo crianças queixas de dores por causa de má postura ou por movimentos repetitivos, por exemplo. Um segundo ponto importante está em manter bons hábitos durante toda a vida para garantir um sistema musculoesquelético saudável e forte para sustentar o organismo. Se a dor se apresenta porém, e há que enfrentá-la, certamente os exercícios físicos têm sido utilizados com sucesso na reabilitação ou como um componente de controle. Em muitos casos, recomendo a caminhada como exercício físico para meus pacientes. É uma maneira natural de movimentar o corpo, praticando uma atividade física de baixo impacto, que pode ser adotada pela grande maioria das pessoas.

São mais de 300 doenças reconhecidas pela ciência, que afetam ossos e músculos. Dores nas costas, nos joelho, no pescoço, na cabeça, nos braços ou nas pernas; fibromialgia, osteoporose, lombalgia, osteoartrite e outras questões de saúde têm a intensidade da dor reduzida quando o tratamento envolve a prática de exercícios físicos. A diminuição da dor induzida pela atividade física pode ocorrer já nas primeiras sessões, quando os movimentos são criteriosamente receitados por médicos e acompanhados por fisioterapeutas ou por profissionais de educação competentes. A melhora já pode ser percebida apenas por não deixar músculos e ossos parados, mesmo que por pouco tempo. Os exercícios aeróbicos, como é o caso da caminhada, podem ser realizados com intensidade moderada no início da prática, para não causarem impacto no paciente com dor.

A praia, a beira-mar, onde a areia é mais compacta, é espaço ideal para uma boa caminhada em dupla

Ainda não são conhecidos o tempo e a duração ideal de exercícios físicos para a maior parte das condições de dor musculoesquelética. Então, é a prática com cautela e a tolerância do paciente que vão determinar a duração e a intensidade de cada sessão. Uma coisa é certa: há pessoas que se adaptam rapidamente a exercícios e melhoram significativamente após uma curta sessão. Noto isto com os frequentadores do Projeto Cidadania – Caminhadas com Segurança, evento organizado pelo Instituto Ortopedia & Saúde, ONG que presido e é responsável pela promoção de uma caminhada monitorada por médicos, fisioterapeutas e profissionais de educação física. Uma vez por mês, acompanho a caminhada de cerca de 30 minutos e o que ouço dos participantes é que chegam ao Parque Trianon com dor e saem sem dor. A ideia de organizar um evento que promovesse a atividade física surgiu em 2005, justamente ao perceber que as dores osteomusculares, às vezes, são negligenciadas pelos pacientes e mesmo por alguns profissionais, por sua complexidade de entendimento e entraves na investigação. A pessoa pode ter hérnia de disco e a dor mais forte estar nas pernas, o que a leva a pensar que o problema não está na coluna. Então, vai ao cardiovascular e não entende porque ele pede para ir ao ortopedista. E a demora no tratamento tende a agravar o quadro. Problemas de simples correção podem se tornar dores crônicas.

Mas, por que fazer atividade física ajuda a combater a dor musculoesquelética? Movimentos  aumentam os níveis plasmáticos de endorfinas, com isso a percepção da dor diminue. Além disso, alongamento e relaxamento da musculatura aliviam a tensão no local e a dor desaparece. Por outro lado, mexer-se ajuda a fortalecer os músculos para que trabalhem melhor na sustentação dos ossos; os movimentos, por sua vez, costumam melhorar o funcionamento das articulações e chegam a aumentar a lubrificação nas cartilagens, aliviando dores nos ossos.

O aprazível parque Trianon, em São Paulo, serve de cenário para caminhadas promovidas pela Ong presidida por Fabio Ravaglia

Quando alguém diz: “Doutor, mas dói quando eu me mexo”, o médico precisa avaliar, compreender e agir, recomenda a Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (Sbed), que durante este ano está se dedicando à divulgação das dores musculoesqueléticas. A iniciativa está alinhada com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que definiu os anos 2000 a 2010 como a Década dos Ossos e das Articulações, com quatro importantes pilares a serem tratados (doenças crônicas das articulações, osteoporose, dor na coluna vertebral e traumas). Em caso de dor, o médico pode recomendar um programa de exercícios supervisionados,  como uma terapia para eliminar o sofrimento. Melhor ainda que praticar atividade física como uma terapia é praticar para ser saudável e manter as funcionalidades do corpo humano e do aparelho locomotor. Infelizmente, não me surpreende a informação de que 13,5% dos brasileiros se queixam de dores na coluna, divulgada recentemente no Suplemento de Saúde da Pnad 2008 (Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios). O mesmo levantamento traz um dado assustador: apenas 10% da população pratica atividade física de lazer, que é a recomendada pela OMS. A própria OMS recomenda que a atividade física deva ser regular, pelo menos trinta minutos, cinco vezes por semana. A pessoa que se exercita fica menos propensa a desenvolver diabetes, hipertensão e doenças tireoidianas, além de todos os problemas musculoesqueléticos.

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*Fabio Ravaglia é médico ortopedista graduado pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp), especialização em coluna vertebral pelo Instituto Arnaldo Vieira de Carvalho (Santa Casa de Misericórdia de São Paulo) e mestre em cirurgia pela Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Atuou como cirurgião ortopédico em hospitais ligados à Universidade de Bristol, na Inglaterra e na Alemanha, fez especialização em avançadas técnicas para cirurgias de coluna minimamente invasivas. É também membro do corpo clínico externo dos hospitais Albert Einstein, Oswaldo Cruz e Santa Catarina; diretor-presidente da Arthros Clínica Ortopédica; membro emérito da Academia de Medicina de São Paulo e membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia – SBOT. Desde 2005, preside o Instituto Ortopedia & Saúde, Ong que tem a missão de difundir informações sobre saúde e prevenção a doenças e que organiza o Projeto Cidadania – Caminhadas com Segurança.

**Artigo encaminhado ao blog pela assessoria do Instituto Ortopedia & Saúde e publicado mediante autorização, desde que devidamente citada autoria e fonte de informações.

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Saúde & Fitness: Contra as dores de inverno, mexa-se!

Depois de um longo período de pausa, a série Saúde & Fitness do nosso blog está de volta com um material bem interessante sobre as dores sentidas durante os dias mais frios do inverno e as formas de prevenir esse desconforto através da prática de exercícios simples: caminhada e alongamento. Quem nos orienta é o ortopedista Fabio Ravaglia, especialista em coluna vertebral e presidente do Instituto Ortopedia & Saúde.

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**Contra as dores de inverno, mexa-se!

*Fabio Ravaglia

O frio, para muita gente, pode trazer problemas como dor nos ossos, nas articulações, na musculatura; sintomas de artrose e de bursite se acentuam; dor de ouvido, dor de cabeça; sem falar nas gripes e resfriados e suas respectivas dores no corpo. O que fazer? Primeiro nem sonhe em ficar parado. Para combater os males do frio sobre o corpo humano, a regra é: mexa-se! Veja a seguir dúvidas muito comuns das pessoas relacionadas ao inverno e como movimentar-se pode evitar diversos problemas, impedindo que o corpo enferruje nesta estação do ano.

1. Pessoas mais magras sentem mais frio?

As pessoas mais magras tendem a sofrer mais com a queda de temperatura, porque a gordura corporal dá uma proteção ao frio. Portanto, sentem mais frio em relação aos mais gordinhos. O corpo humano tem temperatura estável, por volta de 36 graus, dependendo de cada um. Quando faz calor precisa perder temperatura e quando esfria muito é o contrário, há necessidade de ganhar temperatura.

2. As pessoas ficam pálidas no inverno?

Ocorre que, com o frio, os vasos se escondem e o coração passa a bater mais forte para manter a temperatura corporal. Este esforço resulta na palidez do rosto.

3. Os ossos dóem mais no inverno?

Esta é uma pergunta que sempre ouço. A resposta é sim! E há explicação para isto.  É fato que, nos dias frios, aumenta a possibilidade de constrição vascular (diminuição do fluxo de sangue nos vasos do corpo) e a pessoa se encolhe ao sentir o frio, tensionando músculos e nervos. A tendência é de os músculos ficarem mais tensos ou terem contratura, o que ajuda a tornar algumas partes do corpo doloridas. Ficar encolhido pode afetar a postura e provocar dores na coluna. Além disso, nas articulações, o líquido sinovial — que fica mais espesso com o esfriamento do corpo —, pode gerar incômodos também.

Apesar dos poucos estudos sobre o impacto da baixa temperatura no organismo das pessoas, é fato que queixas de desconforto nos ossos, articulações e músculos são muito comuns nos consultórios médicos durante o inverno. O clima frio é um problema mais sério para quem sofre de algumas doenças crônicas. Na área de ortopedia há muitas reclamações de dores nas articulações. Os sintomas da artrose ou da bursite ficam acentuados. Não se sabe ao certo se a responsável por provocar as dores é a temperatura baixa ou a umidade do ar. Sem contar a sensação térmica, que é a temperatura percebida pelo corpo humano diante da conjunção do frio com o vento, que resulta em mais frio do que a temperatura marcada pelos termômetros. O fato é que as pessoas admitem que ficam sem disposição para a atividade física quando faz frio, o que é um erro para a saúde.

4. No inverno, é melhor tratar os problemas no corpo com bolsa de água fria ou quente?

Na verdade, tanto faz. Há uma controvérsia em fisioterapia sobre qual é a melhor opção para tratamento: o uso de calor ou frio? Digo que cada um tem uma função apropriada para cada problema e pode-se usar até alternadamente gelo ou bolsa de água quente ou o calor de lâmpadas. O tratamento com frio é mais completo porque é analgésico, a aplicação diminui a sensibilidade local e reduz a inflamação, quando ela existe. Em todo caso, havendo intolerância ao gelado porque a temperatura ambiente está muito baixa, o paciente pode fazer compressa quente. O calor faz com que aumente a circulação nos vasos associados, melhora a circulação na região e intensifica a atividade. A alternância entre o frio e o calor serve para tirar o inchaço do local.

5. Frio demais dá dor-de-cabeça?

A constrição sanguínea ou a contração muscular podem provocar dores na cabeça. Por isso, convém se agasalhar, usando toca ou chapéu, para manter esta parte do corpo mais relaxada. Dentro deste tema, algumas pessoas sentem dor-de-cabeça quando tomam sorvete, mesmo no verão. A explicação é a mesma: o frio do sorvete afeta a temperatura do sangue e dos músculos e desencadeia os mesmos sintomas de quando a temperatura ambiente não está alta.

6. O choque térmico provoca mesmo doenças?

Aqui a informação é importante, principalmente para quem sofre de doenças reumáticas: a troca de calor para frio ou vice-versa não causa a dor. A friagem sentida ao abrir a geladeira logo após tomar um banho quente, o chamado golpe de ar, já foi acusada de provocar paralisia facial. Hoje, não há discordâncias quanto a isto: a paralisia é provocada por um AVC, um derrame cerebral.

7. E gripes e resfriados?

As mudanças de temperatura podem ajudar a desencadear um quadro de resfriado. As gripes porém são transmitidas por microorganismos e independem de mudanças de temperaturas. Gripes e resfriados são doenças muito mais incidentes no inverno do que no verão. Por isso, recomenda-se a vacinação anual, inclusive dos tipos mais graves, como a causada pelo vírus H1N1, e evitar as mudanças bruscas de temperatura, protegendo sempre o corpo com agasalhos. No frio, o nariz e a garganta parecem mais sensíveis quando a pessoa apresenta um quadro de gripe e resfriado. Convém manter a higiene e ficar atento a novos sintomas, que poderão exigir outros medicamentos, sempre indicados pelo médico. Aliás, não se deve automedicar mesmo no caso de um simples resfriado.

8. Como ficar bem disposto nos dias frios?

Os músculos e articulações frequentemente parados ajudam a aumentar sintomas de muitos problemas de saúde, pela perda de flexibilidade. Com o passar do tempo, o sedentarismo tem sido o grande vilão da saúde. Como ninguém quer perder a autonomia quando ficar mais velho, a dica é mexer o corpo agora. Recomendo duas coisas muito simples: fazer alongamento e caminhada, fortes aliados no combate às dores de inverno. Estas atividades físicas são complementares e recomendadas quase que para todas as pessoas, em qualquer idade.

9. Como o alongamento ajuda?

Antes de fazer qualquer exercício físico, o alongamento é essencial e no frio, sua importância é crucial para destravar ossos, músculos e nervos para que o sistema locomotor funcione plenamente e com toda a facilidade. Os exercícios de alongamento são simples e podem ser praticados a qualquer momento. Ao levantar, espreguice e no trabalho ou na escola, estique pernas e braços, evitando ficar muito tempo em uma só posição. A maneira correta de se alongar é observar a postura ereta, posicionando a coluna reta, alinhada com a cabeça (para isto, utilize o queixo como guia: ele deve ficar paralelo ao chão). A partir daí, movimente braços, pernas e pescoço, esticando a musculatura e relaxando. Fique atento ao trabalho de músculos e articulações, que devem ser dobradas e desdobradas. O ideal é fazer alongamento pelo menos uma vez ao dia, todos os dias. Cada movimento, convém ser repetido três ou quatro vezes. No caso do alongamento ser praticado antes e depois da prática esportiva, é recomendável que a sessão dure cerca de dez minutos.

10. Como o hábito de realizar caminhadas pode ajudar?

O hábito de caminhar deve ser mantido em todas as estações do ano. No entanto, alguns cuidados devem ser tomados para que a caminhada continue a ser uma prática saudável, mesmo no inverno. É importante saber que a respiração se altera na caminhada no inverno, porque o ar gelado entra pelo nariz e se choca com a temperatura interna do corpo – cerca de 36 graus centígrados. Além disso, ficamos mais vulneráveis a lesões musculares, gripes e resfriados.

E quais os cuidados para caminhar no inverno? Atenção redobrada ao alongamento! O alongamento deve ser feito, no mínimo, por 15 minutos. Mãos, pés e cabeça precisam de estimulação extra. Faça movimentos contínuos para que fiquem aquecidos. Além disso, não esqueça o agasalho, inclusive para as extremidades do corpo. Aconselho a caminhada pela manhã. Em outro horário é preciso proteger a pele porque mesmo no inverno os raios solares são nocivos e, quem mora em cidade grande, pode evitar as horas do meio do dia por causa da poluição do ar.

O exercício mexe com a musculatura e contribui para o bombeamento do sangue para as extremidades. Faça também um alongamento em todo o corpo, como se estivesse espreguiçando. Para esquentar os pés e as pernas, fique em pé, deixe os pés paralelos e role a planta do pé, ficando apoiado nas pontas e depois nos calcanhares, repetidas vezes, e para as mãos, coloque a palma para cima e massageie com o polegar a região do punho, alternando a direita e a esquerda. Caminhar ajuda a aumentar a resistência, o que ajuda a evitar resfriado e gripe. A receita do esquimó é correta: não deixe de movimentar o corpo, mesmo que haja muita neve lá fora.

*Fabio Ravaglia é médico ortopedista graduado pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp), especialista em coluna vertebral pelo Instituto Arnaldo Vieira de Carvalho (Santa Casa de Misericórdia de São Paulo) e mestre em cirurgia pela Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Ele também preside o Instituto Ortopedia & Saúde, organização não-governamental que tem a missão de difundir informações sobre saúde e prevenção a doenças.

**Material encaminhado ao blog pela Printec Comunicação

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Saúde e Fitness: As vantagens da caminhada para a beleza

Conversa de Menina oferece mais uma série para vocês a partir desta quinta-feira. Saúde e Fitness, com publicação semanal, reúne artigos e reportagens mais recentes, encaminhados ao blog, que refletem sobre atividade física, bem-estar e qualidade de vida, bem como problemas de saúde que são agravados justamente pela falta de exercícios, temas que estão sempre presentes nas nossas postagens. Desta vez porém, ao invés das impressões pessoais como mulheres que tentam no dia a dia conciliar o cuidado da mente e do corpo,  vamos abrir espaço para especialistas no assunto. Lógico que continuaremos contando para vocês sobre a nossa luta diária contra a preguiça e a balança, mas  por ora, abrindo a série, segue um artigo do ortopedista Fabio Ravaglia, de quem já publicamos outros textos. Desta vez, ele reflete sobre as vantagens da caminhada para manter a beleza física. É isso meninas e meninos, andar, além de fazer bem para o coração, faz bem para a auto-estima! Confiram:

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As vantagens da caminhada para a beleza do corpo

*Dr. Fabio Ravaglia

Muitos são os benefícios da caminhada para a saúde e, não à toa, andar tem sido recomendação médica constante como terapia ou prevenção para várias doenças. A lista de problemas que a caminhada ajuda a evitar é imensa: acidente vascular cerebral, depressão, ansiedade, osteoporose, artrose, obesidade, diabetes “mellitus”, câncer de intestino e intestino preguiçoso. Caminhar ajuda a reduzir o colesterol ruim e a aumentar o bom, a combater a hipertensão, a controlar o diabetes e a liberar endorfinas — os hormônios que tranquilizam e dão a sensação de bem-estar. Noto que é cada vez mais frequente as pessoas praticarem a caminhada como aliada da boa forma – não só do ponto de vista da saúde, mas dos benefícios estéticos que traz para homens e mulheres. Caminhar emagrece, embeleza as pernas, levanta o bumbum, fortalece as coxas e seca a barriga.

Por se tratar de uma atividade física aeróbica, a caminhada mexe grandes músculos dos braços e pernas, fazendo com que os batimentos cardíacos e a respiração se acelerem. A maior quantidade de ar inspirada, comum em atividades aeróbicas, permite maior oxigenação do cérebro, o que leva à intensificação dos mecanismos do metabolismo. O movimento dos membros inferiores para promover a locomoção ativa a circulação sanguínea e ajuda a tonificar a musculatura, deixando as pernas mais fortes e torneadas. Quando o sangue circula melhor, o coração fica fortalecido e evita-se o surgimento de varizes. Há melhora inclusive nos pequenos entupimentos existentes em alguns vasos sanguíneos das pernas. Andar também exige uma movimentação frequente dos glúteos, levando ao fortalecimento da musculatura e deixando-a firme por igual. Os ossos também se beneficiam com o exercício.

Quem começa a caminhar, percebe a diferença nos contornos do corpo. A queima de calorias ocorre de acordo com a intensidade da caminhada e, em poucas semanas, é possível dar adeus a alguns quilos extras. Toda a parte inferior do corpo realiza movimentos e fica responsável pela sustentação do corpo, sendo obrigada a locomover o peso da pessoa em um esforço que consome energias. O abdome bem posicionado é fundamental para se livrar da barriguinha indesejável. Por isso, é importante manter a postura ereta, com a coluna reta e o queixo perpendicular ao chão. A dica para conseguir manter a postura correta é olhar para o horizonte e prender a musculatura do umbigo, como se pudesse colocá-lo próximo às costas. Toda a melhora no funcionamento do metabolismo propicia um aumento da resistência física, da força e da flexibilidade, e com isso vem a maior eficiência do sistema imunológico. Para completar os benefícios à saúde e à estética, há ainda as vantagens sobre a mente: a caminhada ajuda no tratamento de distúrbios psicológicos ao diminuir o estresse e combater a depressão. Resumindo, muito mais saúde e vitalidade, para o corpo e para a mente.

A prática da caminhada apresenta resultados positivos surpreendentes, mesmo considerando que o metabolismo de cada um varia e reage de maneira diferente às situações. Para iniciantes, a caminhada precisa ser inserida na rotina e intensificada gradativamente, sem ultrapassar o limite físico da pessoa. Uma dica para saber qual é o limite é observar a respiração, que deve permitir que se fale uma frase completa, sem interrupção. Caso a frase seja interrompida, pare um minuto e inspire profundamente pelo nariz, abrindo os braços esticados lateralmente, e expire lentamente, soltando o ar pela boca e fechando os braços esticados à frente do corpo, repetindo o exercício até que a respiração volte ao normal. Continue caminhando, mas diminua o ritmo da caminhada.

Quando a intensidade do ritmo da caminhada está forte demais, a pessoa não consegue dizer nem uma sílaba de uma palavra. O ideal para manter o equilíbrio da respiração é inspirar em um passo e expirar em três passos, o que também evita as dores abdominais. Outro aspecto a ser observado é a frequência cardíaca. No caso de idoso, por exemplo, a intensidade do exercício deve ser de 60% a 90% da frequência cardíaca máxima (própria para a idade), que deve ser avaliada, preferencialmente, por meio de consulta médica, complementada pelo teste de esforço. Partindo de uma atividade moderada, com o tempo, o metabolismo ganhará um impulso, percebido pelo aumento da disposição física e do bem-estar. Lembro de alguns cuidados a serem tomados. Para iniciar qualquer atividade física, faça a avaliação física com um profissional para saber se está apto a exercer determinadas práticas. Isto porque há recomendações específicas para hipertensos, diabéticos, depressivos, etc. Antes e depois de caminhar, é preciso fazer um alongamento para aquecer o corpo e um relaxamento, com movimentos que vão ajudar a esfriar o corpo e a soltar a musculatura.

Tanto a caminhada moderada quanto a rápida são boas. Depende dos objetivos de cada um e também do estágio do condicionamento físico. Destaco dois parâmetros usados para se saber como a saúde está sendo cuidada. O primeiro é o da Organização Mundial da Saúde – OMS, que recomenda que a pessoa pratique qualquer atividade física durante 30 minutos, três vezes por semana. O segundo é que para não ser considerado sedentário, é preciso dar 10 mil passos por dia, o que daria cerca de 5 mil metros, contando toda a movimentação realizada desde que se sai da cama até voltar a dormir, à noite. O importante para a saúde é manter o corpo em atividade. Para a boa forma, talvez seja preciso implementar um treinamento. Comece aos poucos e aumente gradativamente o tempo e o tamanho do percurso. A caminhada bem orientada mostra-se mais eficaz tanto para a saúde quanto para a boa forma. Cuidar do corpo e sentir-se bem é saudável e a caminhada tem se mostrado um excelente exercício para ter um bom condicionamento físico e conseguir o efeito estético desejado.

*Fabio Ravaglia é médico ortopedista graduado pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) com residência médica no Hospital do Servidor Público Estadual, especialização em coluna vertebral pelo Instituto Arnaldo Vieira de Carvalho (Santa Casa de Misericórdia de São Paulo) e mestre em cirurgia pela Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Também preside o Instituto Ortopedia & Saúde, organização não-governamental que tem a missão de difundir informações sobre saúde e prevenção a doenças.

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Volta às aulas, as tartarugas estão à solta

Ainda em clima de volta às aulas – meu filhote encara seu primeiro dia de 6ªsérie/ 7ºano nesta segunda, dia 08 -, separei para publicação hoje no blog um artigo do ortopedista Fábio Ravaglia, que quem é leitor assíduo do Conversa já sabe que sempre recebemos ótimo material deste profissional. A mira do médico agora se volta para o peso das mochilas da criançada e eu vejo cada “tartaruguinha” encolhida nas ruas que dá até pena. Chamo de tartaruga porque eles – os estudantes – ficam mesmo parecendo uns quelônios urbanos, com aquelas mochilas gigantes e abarrotadas de livros nas costas, como se fossem cascos coloridos e muito, mas muito pesados mesmo. O problema todo é que carregar esse peso quando o corpo ainda está em processo de formação faz um mal danado para a coluna. Na minha vida de repórter de rua – ai saudades! – fiz muita pauta de volta às aulas e uma das matérias que não faltam nos jornais nesta época do ano, podem reparar, é aquela sobre o peso das mochilas. A escola do meu filho colocou armários para os estudantes guardarem seu material, como a gente vê nos filmes. Mas, como saúde é um tema em cuja tecla sempre temos de bater, mesmo que pareça chato e repetitivo, confiram o artigo:

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Tamanho da mochila deve ser proporcional ao do estudante

*Dr. Fabio Ravaglia

Mochila de campanha, equipamento essencial aos soldados

Pelos séculos, as mochilas adotaram diferentes formas e tamanhos. Há registros de que na Idade do Cobre o homem já utilizava uma bolsa rudimentar nas costas e ficava com as mãos livres para escalar montanhas nevadas da Europa. Há informações também de que, antes mesmo do nascimento de Cristo, as mochilas eram usadas pelas legiões romanas. Quase dois milênios mais tarde, exércitos ainda usam o equipamento tático para facilitar o cotidiano de seus pelotões. Passado o tempo, o couro e os tecidos de fibras naturais do acessório militar deram lugar a modernos materiais sintéticos e a múltiplas cores. Aprovada pelas novas gerações por sua utilidade e praticidade, desde a década de 1960, a mochila virou item de moda. A moçada quer determinados modelos e marcas para carregar daquele jeito despojado que a turma acha mais bacana. Entre as crianças, a preferência recai sobre estampas dos personagens favoritos. O ano letivo está por começar e sei que quase todos os estudantes desejam uma nova mochila para a volta às aulas.

Modismos à parte, a escolha da mochila certa é fundamental para a saúde da coluna. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que 85% das pessoas sentem dores nas costas decorrentes de problemas na coluna. E essa dor pode ter origem na infância e na adolescência, relacionada ao tamanho exagerado da mochila, à maneira como se carrega e ao excesso de peso.

A mochila inadequada pode acarretar problemas à saúde. Para enumerar apenas alguns “efeitos colaterais” de uma mochila errada, cito dores nas costas, postura incorreta e desvios na coluna vertebral. A curto prazo, a pessoa pode ter dorsalgia, que são dores sentidas nas costas que podem provir de músculos, nervos, ossos, articulações ou outras estruturas da coluna vertebral. Pode também ocorrer a dor cervical, na nuca ou no pescoço e a dor lombar baixa, próxima à cintura. Outras ocorrências possíveis são: cefaleia (dor de cabeça), dor nos ombros e dormência ou dores nos braços. A longo prazo, a pessoa pode desenvolver discopatias (patologias em discos intervertebrais, naturalmente sujeitos a desgastes) e cifoses (aumento da curvatura da coluna torácica, popularmente conhecida como corcunda).

O peso em excesso pode dar origem a danos vitalícios, sobretudo comprometer a qualidade de vida e a mobilidade futura. Os males mais comuns do excesso de peso são a cifose e a lordose (desvio para cima no final da coluna). Uma referência essencial é que o peso da mochila nunca deve ultrapassar o equivalente a 10% do peso da criança ou adolescente. O percentual determinado pela OMS é de 7%, mas arredondo para ficar mais fácil e também para o caso de surgir algo a mais para carregar.

Carregar a mochila com um ombro só traz riscos à saúde da coluna

O risco apresentado pelas mochilas não reside apenas no volume, mas na forma como são utilizadas. Um dos erros mais frequentes acontece quando o estudante coloca apenas uma das correias no ombro e sobrecarrega um só lado do corpo. A maneira correta é usar as duas alças, uma em cada ombro. Além disso, é preciso arrumar os objetos dentro da mochila de forma que os itens mais pesados estejam no fundo e próximos ao corpo. A moda sugere que as alças da mochila fiquem compridas, mas é preciso coibir essa posição. A mochila deve ser posicionada oito centímetros acima da cintura. Cabe lembrar que a questão é a saúde e não a moda!

A técnica para colocar e retirar a mochila das costas é vestir uma alça, apoiar a mochila  no quadril e depois passar o braço pela outra alça. Levantar a mochila do chão requer um esforço, então, cuidado para não sobrecarregar a coluna nem um dos braços apenas. Suspenda o peso com as duas mãos, para distribuir a carga entre os dois braços, mantendo a coluna reta e os joelhos flexionados o quanto for necessário.

No que se refere ao modelo mais adequado, para as crianças pequenas são recomendadas as mochilas com rodas grandes, que rolam melhor em qualquer terreno e são mais fáceis de puxar nas escadas.

Resumo a seguir o que é importante observar:

1. o tamanho da mochila deve ser adequado à estatura da criança, não ultrapassando os limites da cintura e dos ombros;

2. o peso da mochila vazia não deve superar um quilo;

3. as alças devem ter antichoques siliconados (enchimento interno de silicone) para maior conforto e cinta abdominal associada.

As formigas podem carregar até dez vezes o próprio peso, mas nós apenas 10%

Um outro ponto relevante é o uso racional do material escolar. Os estudantes tendem a levar material que não precisam pela preguiça de arrumar diariamente a mochila apenas com livros e cadernos correspondentes às aulas do dia. Nesse caso, a minha sugestão é que as escolas pensem no modelo americano, no qual há divisões especiais das matérias diárias ou armários para que os alunos guardem alguns materiais escolares. Além disso, o planejamento das aulas pode evitar que em um único dia da semana o aluno tenha que levar materiais de disciplinas diversas. A escola e pais ou responsáveis precisam ficar atentos para evitar que a criança carregue peso excessivo.

*Fabio Ravaglia é médico ortopedista graduado pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) e mestre em cirurgia pela Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Ele também preside o Instituto Ortopedia & Saúde, organização não-governamental que tem a missão de difundir informações sobre saúde e prevenção.

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*Artigo: Caminhar na companhia de parentes e amigos

O artigo que trago para vocês hoje é mais uma das excelentes contribuições do ortopedista Fabio Ravaglia, diretor da ong Instituto de Ortopedia & Saúde, entidade que tem como missão difundir o conhecimento que incentiva o bem-estar e a qualidade de vida. No texto abaixo, vocês encontram dicas preciosas sobre como transformar o hábito da caminhada matinal, ou vespertina, em uma atividade de integração entre as gerações da família. Através de jogos e brincadeiras para a meninada e desafios para os adolescentes, além de percursos que possam ser acompanhados pelos avós, é possível criar grupos para se exercitar juntos. É uma boa forma de mandar a preguiça para longe e encontrar incentivo para manter atividade física regular.  Em época de férias e para perder os quilinhos extras após as festas de fim de ano (ai meu Deus!) o material vem em boa hora. Confiram:

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Caminhar na companhia de parentes e amigos

**Fabio Ravaglia

O homem urbano acostumou-se a dirigir e tende a deixar a caminhada cada vez mais para trás em seu dia a dia. Vejo adultos reclamarem que filhos sofrem de obesidade ou que pais idosos estão parados, isolados em casa e mesmo com depressão. A queixa de estresse também é frequente e comum em todas as faixas etárias. Embora todos saibam que atividade física faz bem para a saúde e que caminhar é a maneira mais natural de exercitar o corpo, muitas vezes falta motivação às pessoas para andar a pé. Para incentivar essa prática, que tal reunir a família para caminhadas regulares? Seria uma ótima oportunidade não só de exercitar o corpo mas de trocar ideias e pensar o futuro. Mas como mobilizar as diferentes gerações para isso? Reúno aqui algumas dicas que consegui perceber com minha experiência como caminhador e que poderão ajudar a incentivar as pessoas a terem mais qualidade de vida.

O hábito de caminhar pode ser desenvolvido na criança desde pequena. A partir do momento em que ela começa a andar com suas próprias pernas já é possível introduzir a caminhada. Comece por percursos curtos e siga em frente. Acima dos oito anos, a criança  pode acompanhar normalmente os passos tranquilos de um adulto. Para manter a vontade de andar, os adultos podem propor temas e desafios para conversas. Explorar novos percursos ou buscar por árvores, flores e pássaros também serve de entretenimento. Um mapa com a rota assinalada mantém o interesse na caminhada e é educativo. Passear com um cachorro é algo que as crianças adoram. É conveniente incluir no percurso praças, parques e parquinhos. Adultos ficam felizes se fizerem a mesma rota todos os dias, mas crianças querem ver coisas novas e descobrir o mundo. Um sorvete pode ser um excelente presente após a caminhada. Para os mais agitados, é preciso oferecer variações para que a atividade física não seja enfadonha. Os pais são os melhores exemplos para os filhos: evite lamúrias.

Os adolescentes têm outro ritmo, preferem atividades vigorosas e desafiadoras, mas um passeio bem programado poderá atrair até seus amigos. Para envolver toda a família, escolha um percurso mais fácil para começar, com áreas planas e terrenos inclinados para os jovens prosseguirem com a aventura, subindo a montanha, por exemplo. Na volta, um encontro com a turma mais lenta poderá ser prazeroso após a conclusão do trecho mais difícil.

Entre as mulheres, a caminhada é um exercício físico bastante comum. A atividade é recomendada para mulheres grávidas, que precisam ficar mais atentas para não cometer excessos e manter a boa postura, já que o centro de equilíbrio do corpo fica alterado à medida que o feto cresce. As avós também passam por mudanças físicas que podem alterar o corpo. A menopausa costuma ser um marco e é um período no qual os ossos requerem atenção por perderem a densidade com o passar do tempo. De toda forma, a caminhada raramente não é recomendada e isso só acontece quando o médico detecta algum impedimento. A atividade física é muito procurada por mulheres de todas as idades para manter a forma ou perder peso. Como as mulheres gostam de conversar, caminhar em grupo costuma ser a melhor alternativa.

Planeje caminhadas em família. A ida à praia ou um piquenique são atrativos, ou mesmo caminhadas em praças, parques ou clubes. Crie esta oportunidade de diálogo e este momento de descontração que afastam o estresse. Lembre-se que todos devem usar roupas e sapatos adequados, peças leves para enfrentar o calor e  tênis confortáveis. Não esqueça do protetor solar, mesmo assim, evite os horários de sol forte e de calor excessivo. Beba água antes, durante e depois da caminhada para manter a hidratação e ajudar a regular a temperatura do corpo. Comece e termine com exercícios de alongamento, que aliviam o cansaço e as dores musculares no dia seguinte. A caminhada em família costuma motivar crianças e idosos e garante uma maior segurança e tranquilidade.

Ao caminhar, observe a postura e lembre que a boa postura do corpo evita problemas de saúde. O corpo deve estar bem ereto, sem inclinação para frente ou para trás, o que sobrecarrega determinados músculos. A coluna vertebral em linha reta evita dores nas costas. Olhar cerca de 20 metros à frente ajuda a manter a cabeça alinhada à coluna. A posição correta da cabeça é obtida quando o queixo fica paralelo ao chão, o que reduz a tensão no pescoço e nas costas. Os ombros devem estar ligeiramente para trás, relaxados, mas não caídos. A contração da musculatura do abdômen permite que o corpo firme-se na postura.

Além de todos os benefícios emocionais sentidos na caminhada, andar é excelente para a saúde física: reduz o risco de doenças cardíacas, derrame, câncer e diabetes, e contribui para o fortalecimento dos ossos, retardando o desgaste natural. Na parte ortopédica, também é uma maneira eficaz de tonificar os músculos. Caminhar está associado a uma vida mais longa e mais saudável em diversos estudos científicos realizados em diferentes grupos populacionais. Uma hora de caminhada por dia deixa o corpo saudável enquanto jovem e, ao mesmo tempo, prepara-o para a velhice. O recomendado é andar cerca de meia hora por dia, três vezes por semana. O primeiro passo para tirar a família do sedentarismo e adotar  uma vida mais saudável pode ser dado em um passeio, no próximo final de semana ou durante as férias. Faça uma mostra de quanto pode ser divertido andar e aproveitar para estreitar os laços familiares. Muita saúde e felicidade no Ano Novo.

*Material encaminhado ao blog pela Printec comunicação

**Fabio Ravaglia é ortopedista, com especialização em coluna vertebral pelo Instituto Arnaldo Vieira de Carvalho (Santa Casa de Misericórdia de São Paulo) e mestre em cirurgia pela Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Foi o primeiro brasileiro aceito pelo programa do Royal College of Surgeons of England, onde se especializou em ortopedia reumatológica. Também preside o Instituto Ortopedia & Saúde.

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