Especial Semana da Mulher: Papel feminino nas organizações ainda é restrito

Dando continuidade à série iniciada no domingo sobre o Dia Internacional da Mulher, publico hoje uma reportagem com o administrador de empresas Josias França Filho, em que ele comenta sobre as dificuldades que as mulheres ainda enfrentam no mercado de trabalho, principalmente na posição de líderes das organizações. A série continuará ao longo de toda a Semana da Mulher. Diariamente, um artigo ou reportagem será publicado em alusão ao centenário do 8 de Março. Confiram:

*Papel feminino nas organizações ainda é restrito

Especialista comenta atuação da mulher no ambiente empresarial e dá dicas de empregabilidade em tempos de crise

Cena do filme Uma secretaria de futuro. Segundo o especialista, "embora algumas áreas ainda sejam focadas no público feminino (recepcionista e secretária, por exemplo), as mulheres podem ocupar qualquer espaço na organização".

Um século após a instituição do Dia Internacional da Mulher, renovaram-se os pedidos por maiores condições de igualdade entre os gêneros. Segundo dados do governo federal, os efeitos da crise econômica mundial no mercado de trabalho afetaram mais as mulheres do que os homens. O estudo revela que as brasileiras perderam 3,1% do total de postos de trabalho nos últimos dois anos, contra 1,6% do público masculino, no mesmo período. Para o administrador e consultor de empresas, Josias França Filho, essa realidade evidencia o preconceito que ainda existe em algumas organizações. “É um equívoco colocar a mulher em segundo plano em relação ao homem, especialmente, desconsiderando habilidades femininas importantes para o desempenho profissional, como a conciliação de múltiplas tarefas e a sensibilidade nas relações interpessoais”, observa.

Entre as razões que podem motivar a postura discriminatória de algumas corporações o especialista destaca especificidades como a licença maternidade. “A conquista, que agora abrange seis meses, faz com que muitas empresas repensem a contratação feminina devido ao período extenso de afastamento e a oneração da empresa com um funcionário substituto”, afirma. Outro item é o fato de alguns homens não saberem lidar com mulheres em cargos de chefia. “Para alguns homens é difícil ser chefiado por mulheres. Por uma questão cultural, eles se sentem inferiorizados”, avalia o consultor, que, em contrapartida, destaca o equilíbrio emocional como grande diferencial feminino na liderança. “Para liderar é preciso entender de gente. Pesquisas mostram que a mulher tem maior habilidade para compreender emoções. E como a empresa não é uma máquina, e sim um organismo composto por pessoas que possuem valores, essa habilidade passa a ser um diferencial importante”, avalia.

Diante do contexto de desigualdade entre os gêneros, o consultor diz o que as mulheres devem fazer para conquistar mais espaço no mercado de trabalho. “Mostrar resultados mensuráveis trabalhando de forma alinhada com os objetivos da organização, reduzir gastos, aumentar a produtividade e estar comprometida são condições essenciais”, destaca o especialista, lembrando que as dicas de empregabilidade valem para os dois gêneros. “Liderança, criatividade, experiências múltiplas em outras organizações, perseverança e energia, controle emocional, são requisitos que fazem a diferença na hora da contratação e da conservação do emprego”, enfatiza e cita ainda entre os diferenciais competitivos, possuir sólida formação acadêmica e, dependendo da empresa, ter domínio de outro idioma.

Sobre quais áreas se mostram mais promissoras para o público feminino, o consultor é taxativo. “Todas. Embora algumas áreas ainda sejam focadas no público feminino (recepcionista e secretária, por exemplo), as mulheres podem ocupar qualquer espaço na organização. O que não pode é existir um tratamento diferenciado entre homens e mulheres que exercem a mesma função”, conclui Josias França, destacando que essa postura contribui para fortalecer a discriminação entre os gêneros.

*O material foi elaborado e encaminhado ao blog pela jornalista Aline Lobato, da assessoria do administrador Josias França Filho.

**Josias França Filho é administrador e consultor de empresas, mestre em Administração Estratégica, professor em cursos de pós-graduação nas disciplinas de Planejamento Estratégico e de Empreendedorismo e diretor da Êxito Consultoria Empresarial.

=======================================

Acompanhe os outros posts da série:

>>Especial Semana da Mulher: Sexo frágil e a Aids

Leia Mais

Ser chefe ou ser líder?

Liderança

Uma vez participei de uma discussão sobre chefia e liderança. Hoje, por acaso, uma outra discussão com alguns amigos me fez recordar da tal palestra. E por que não tratar do assunto aqui? Pois é. A palavra chefia ganhou uma conotação pejorativa. A tal ponto que hoje a palavra de ordem é liderar. O que difere um chefe de um líder? No contexto atual posso dizer que várias coisas. A primeira delas é que chefe é todo aquele a quem você se subordina, enquanto o líder é aquela pessoa que, mesmo não sendo o seu chefe, tem uma postura de organização de tarefas e políticas de trabalho em equipe.

Hoje a pauta do dia gira em torno de como aliar chefia e liderança. O que os grandes consultores de RH recomendam é que os chefes sejam mais líderes e menos chefes. E como ser um bom líder? Eu acredito que já existe uma certa pré-disposição. Há pessoas que nasceram para liderar, que têm isso no sangue, enquanto outras precisam se esforçar muito para exercer a mesma função. Mas o que não se pode esquecer é que não será um bom líder quem não souber equilibrar três importantes fatores: atenção aos componentes da equipe, flexibilização de procedimentos e inovações e o alcance dos resultados.

LíderNão adianta lidar bem com todo mundo e não conseguir agregar bons resultados para a empresa. Assim como não será recompensador profissionalmente ser alguém que aumenta os lucros, embora não tenha tato para lidar com pessoas.  O bom chefe é aquele que consegue administrar as duas coisas. Precisa focalizar nos resultados e, simultaneamente, investir nas pessoas, desenvolvendo as habilidades da equipe que chefia. Precisa ter a dimensão das tarefas que manda executar, para que possa cobrar dos seus subordinados com argumentações que sejam coerentes e lógicas. É preciso mostrar segurança para fazer a equipe confiar em você.

E é preciso também manter claro na cabeça das pessoas que estão sob seu comando que desenvolver uma relação bacana de amizade não significa deixar de exigir qualidade no trabalho, nem passar a mão na cabeça quando acontecerem os erros. É um problema relativamente comum confundir as relações pessoais e profissionais. Chefiar um amigo ou estar sob a liderançaChefe dele requer uma atenção maior. Porque a amizade precisa, necessariamente, ficar do lado de fora da empresa. Dentro da instituição, é imprenscindível que sejam profissionais acima de qualquer coisa. Isso vai evitar uma série de transtornos.

Se você está chegando a um lugar agora, ou acabou de assumir a chefia, procure manter um mínimo da rotina e vá promovendo as mudanças aos poucos. O excesso de mudanças gera o caos e para cada nova medida é preciso um período de adaptação. Ninguém vai mudar de um dia para o outro.  E não ache que será fácil. Sempre vai haver resistências, o que não significa que os resistentes precisam ser imediatamente dispensados. Eles podem ser conquistados. Pelo menos você pode tentar trabalhar neste sentido. Se nada funcionar, aí paciência. Ser um bom líder também significa saber identificar e dispensar os que não estão ajudando dentro da equipe.

Tem gente que acha que liderar é aparecer bem para os seus imediatos e esquece que chefiar é aparecer bem para os seus subordinados. Tem gente que acha que liderar é arrecadar as ideias dos subordinados e apresentar como suas. Mas um bom líder é aquele que mostra quem são seus bons funcionários, que luta para que eles apareçam, é aquele que tem também a tarefaLiderando equipes de promover seus funcionários dentro da empresa. Não é uma tarefa fácil, não é simples, e nem todo mundo quer. Mas se você está a fim de enfrentar esse desafio, comece a pensar de que forma você queria que alguém liderasse você mesmo. Pode ajudar um monte.

E outra coisa, não existe uma fórmula secreta nem um manual. Aliás, manuais, existem vários, mas não esquente se voce não leu nenhum deles trezentas vezes. Manter a individualidade e conduzir o trabalho com personalidade são essenciais. O aprendizado vai ser diário e cada liderança terá especificidades, afinal as pessoas são diferentes, não é? O formato implantado para uma equipe deverá ser adaptado para outra. Portanto, não esquente muito com o modelo ideal de liderança. Você precisa se preocupar é em fazer um trabalho de qualidade. É em se dedicar para fazer o melhor para a empresa, valorizando as peças que constituem sua equipe. Sem sua equipe, você não é ninguém.

Leia Mais