Foco sobre a saúde feminina: teste para saber quando a mulher entrará na menopausa

A reportagem abaixo fala de uma pesquisa desenvolvida no Irã que tem como objetivo predizer a idade em que uma mulher entrará na menopausa, ajudando desta forma aquelas que querem primeiro realizar projetos pessoais para só depois dedicarem-se à maternidade. O teste ainda não existe, mas já causa expectativa na área de reprodução humana. Além disso, o material também explica um pouco sobre a menopausa precoce, que atinge mulheres na faixa dos 30 anos e que pode ter causas genéticas ou médicas.

Irã cria teste para medir idade em que mulheres entrarão na menopausa

Estudo no futuro será instrumento útil para mulheres que querem adiar a maternidade

Pesquisadores iranianos desenvolveram um teste capaz de prever quando as mulheres vão entrar na menopausa. Ramezani Tehrani, professor associado da Shahid Beheshti Faculdade de Ciências Médicas de Teerã, autor do estudo, apresentou os resultados preliminares de sua pesquisa durante a 26 ª reunião anual da Sociedade Européia de Reprodução Humana e Embriologia, realizada em Roma, em junho passado.

Tehrani explicou que por meio de um exame de sangue é possível prever com antecedência quando as mulheres entrarão na menopausa. Os resultados do estudo podem representar o primeiro passo na criação de um instrumento útil para ajudar as mulheres a decidirem qual o melhor momento para ter um bebê.

A pesquisa, iniciada em 1998, ainda se encontra em andamento. Para chegar às conclusões divulgadas durante o evento, o pesquisador iraniano explicou como os testes foram feitos: os cientistas retiraram amostras de sangue de 266 mulheres, com idade entre 20 e 40 anos, e mediram a quantidade de hormônio AMH (anti-muleriano) – produzido pelas células do ovário da mulher – em seus corpos.

O teste de AMH revela quantos óvulos a mulher ainda tem no ovário. Duas outras amostras de sangue foram retiradas nos seis anos seguintes e exames físicos também foram realizados para comprovar os resultados obtidos por meio do exame de sangue.

Com base no AMH medido, os cientistas usaram um modelo matemático para estimar quando as mulheres entrariam na menopausa. Para as 63 mulheres do estudo que entraram na menopausa, a previsão dos cientistas se mostrou correta dentro de uma margem de quatro meses.

Mesmo diante dos resultados promissores, o próprio Tehrani mostrou-se cauteloso ao afirmar que o AMH é capaz de indicar o status reprodutivo de uma mulher mais acuradamente do que sua idade cronológica, mas considerando o pequeno universo de mulheres que participaram do seu estudo, ele mesmo defende que devem ser feitos estudos mais longos com mulheres na casa dos vinte anos e acompanhá-las durante vários anos. “Aí, sim, somente com a exata concentração sérica de AMH, será possível predizer com absoluta certeza quando a menopausa se dará”, defende o cientista iraniano.

Menopausa precoce – O exame iraniano não prevê quando a mulher perderá a fertilidade – o que tipicamente acontece cerca de uma década antes da menopausa – mas se os médicos souberem quando a menopausa começará poderão calcular uma aproximação da data do fim dos óvulos. “Com o aprofundamento das pesquisas, este exame poderá ser muito útil na identificação de mulheres que podem ter uma menopausa precoce, antes dos 50 anos”, defende o Prof° Joji Ueno, ginecologista, diretor da Clínica GERA.

Segundo o médico, a menopausa precoce é o quadro clínico que se apresenta quando a mulher entra na menopausa antes dos 32 anos, ou seja, período em que ela fica um ano ou mais sem menstruar com sintomas específicos. “A menopausa precoce não é um distúrbio hormonal, é a falência ovariana em uma mulher jovem. A falência ovariana prematura (FOP) é a perda temporária ou definitiva da função gonadal que acontece após a menarca e antes dos 40 anos de idade. Ela é caracterizada pela diminuição do número de folículos ovulatórios e é exatamente essa condição que vai gerar alteração hormonal”, explica Ueno.

Não existe uma causa determinante para o surgimento do problema. A menopausa precoce pode ocorrer por vários fatores, como o histórico familiar, por exemplo. “Há também outros fatores externos que podem antecipar a menopausa, como a remoção dos ovários ou de grande parte deles e os tratamentos contra o câncer. A radioterapia e a quimioterapia têm como objetivo impedir o crescimento celular canceroso. Porém, estes tratamentos não atingem apenas as células malignas, mas as sadias também. Dentre outros efeitos colaterais, os tratamentos contra o câncer podem levar a uma falência prematura dos ovários”, esclarece Joji Ueno, responsável do setor de vídeo-histeroscopia ambulatorial do Hospital Sírio Libanês.

Menopausa precoce e gravidez – A determinação da causa da menopausa prematura é importante para as mulheres que desejam engravidar. O exame físico é útil, seguido por exames complementares, como o de dosagem hormonal e o ultra-som ovariano. “Exames de sangue podem ser realizados para se investigar a presença de anticorpos que acarretam danos às glândulas endócrinas – exemplo de doenças auto-imunes. Para as mulheres com menos de 30 anos de idade, uma análise dos cromossomos é geralmente realizada”, explica Joji Ueno.

Confirmado o diagnóstico, a regra para tratamento é a Terapia de Reposição Hormonal, a TRH. O uso da TRH é imprescindível nos casos de menopausa de origem cirúrgica ou provocada por quimioterapia, em virtude da intensidade destes sintomas. “A menopausa precoce é indicação precisa de Terapia de Reposição Hormonal, pois essas mulheres apresentam um risco quatro vezes maior de desenvolver doenças cardíacas e sete vezes maior de desenvolver osteoporose”, alerta o médico.

A mulher com menopausa precoce apresenta uma chance inferior a 10% de conceber. “Suas chances aumentam em até 50% quando é realizada a implantação de óvulos de outra mulher no seu útero – a ovodoação -, após uma fertilização in vitro”, explica o Prof° Dr. Joji Ueno, ginecologista, diretor da Clínica GERA.

Para saber mais sobre o assunto:
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Tire dúvidas pelo email: atendimento@clinicagera.com.br

*Material elaborado pela jornalista Márcia Wirth, da MW Comunicação

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Especial Semana da Mulher: Relógio biológico x Relógio de ponto

O artigo desta quinta, ainda dentro do especial Semana da Mulher, é de autoria do ginecologista Joji Ueno. Ele reflete sobre um dos principais dilemas que as mulheres atuais enfrentam, a maternidade x a carreira. Com dados consistentes sobre mercado de trabalho e a pressão que as mulheres sofrem no emprego, o especialista avalia cientificamente os pros e os contra de adiar o momento de ter o primeiro filho.

Continuem acompanhando a série de textos até este sábado!

O relógio biológico x  o relógio de ponto

A maior pressão sentida pela mulher não é a de provar sua competência, mas sim o próprio desejo de conciliar o trabalho com a família

*Joji Ueno

De cada três postos de trabalho criados no mundo, a partir da década de 70, dois são ocupados por mulheres. Em algumas economias, elas já representam mais da metade da mão-de-obra empregada. Nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, sua participação no mercado passa de 60%. No Brasil, os dados apontam que a presença feminina já equivale à dos homens. No alto escalão das empresas, elas ainda são minoria, mas as estatísticas mostram que estão ocupando mais postos na hierarquia. Um estudo do Instituto Ethos com 119 empresas no país mostrou que a participação das mulheres em cargos de gerência aumentou de 18% em 2003, para 31%, em 2005. Nos postos de diretoria, passou de 6%, em 2001, para 11%, em 2005.

O avanço feminino nas empresas vem acompanhado de uma evidente contradição: elas estão menos satisfeitas do que seus colegas do sexo masculino. No levantamento realizado pela consultoria Hay Group no qual 15% dos 1.161 profissionais entrevistados eram mulheres, as executivas afirmaram se sentir mais injustiçadas nas promoções e indicaram estar menos contentes com seus salários.

No Brasil, um levantamento realizado pela consultoria Watson Wyatt com 109 empresas mostrou que a defasagem salarial das mulheres em cargos executivos é, em média, de 5%. Nos postos de direção, a diferença chega a 7%. A insatisfação feminina é algo presente mesmo em economias mais maduras, como a americana. Um estudo feito pela Universidade Radford, nos Estados Unidos, apontou que, quanto mais alta a posição e maior o nível educacional exigido para o cargo, a mulher, mesmo tendo a mesma formação e ocupando o mesmo posto, invariavelmente ganha menos.

O ambiente de trabalho ainda não contempla as necessidades da mulher. São necessárias muitas mudanças para que a maternidade e o sucesso profissional possam caminhar lado a lado: jornadas flexíveis,  possibilidade de trabalhar à distância, oferta disseminada de benefícios, como creches.

Sucesso profissional x maternidade – A maior pressão sentida hoje pela mulher não é a de provar sua competência, mas sim o próprio desejo de conciliar o trabalho com a família. O difícil balanço entre a vida profissional e a pessoal está na raiz de grande parte da insatisfação manifestada pelas mulheres no mercado de trabalho. Estudos mostram, por exemplo, que a maternidade pode causar grandes prejuízos à carreira. A maternidade no início da carreira é o principal fator de desigualdade salarial entre homens e mulheres, segundo pesquisa do instituto inglês Women and Work Commission. O estudo aponta que as mulheres britânicas ganham, em média, 17% menos que os homens. Uma das justificativas é o fato de elas optarem por trabalhar meio período, após o nascimento do bebê. De acordo com o Institute for Fiscal Studies, a inglesa que se torna mãe aos 24 anos e decide encurtar a jornada pode deixar de ganhar 1 milhão de dólares ao longo da carreira.

No ano em que sai de licença-maternidade é praticamente certo que a executiva não receba aumento por mérito. Mulheres que decidem deixar o trabalho por mais tempo para cuidar dos bebês, por um ou dois anos, sofrem penalidades ainda maiores. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos, pelas empresas Ernst & Young, Goldman Sachs e Lehman Brothers mostrou que, nesses casos, a perda salarial é, em média, de 28%.

Não importa se homem ou mulher, quem deixa o mercado de trabalho encontra dificuldades quase intransponíveis para voltar a ocupar o mesmo posto. Isso porque, assim como o relógio biológico, o relógio de ponto também anda acelerado.

Atenção ao relógio biológico – Adiar o primeiro filho é uma tendência mundial, estimulada pelas aspirações profissionais e propiciada pela medicina, que, hoje, dá a mulheres de quase 40 anos a oportunidade de se tornarem mães. Entre as americanas, estima-se que duas, em cada dez, deixam para ter o primeiro filho depois dos 35 anos. O IBGE revela que o número de mães com mais de 40 anos no Brasil cresceu 27% entre 1991 e 2000.

Aos 40 anos, a mulher precisa saber que a natureza joga contra. Sem ela, resta a ajuda da ciência. Uma das técnicas de reprodução assistida mais simples, utilizada quando a mulher não ovula regularmente, consiste em administrar hormônios para superestimular os ovários. Normalmente, a mulher produz um óvulo por ciclo menstrual. Com o medicamento, pode liberar até cinco. O método funciona em 10% dos casos indicados.

Situações mais complicadas exigem a inseminação artificial. Os espermatozóides do marido ou de um doador são recolhidos, assim como os óvulos, e a fecundação é feita “artificialmente”, fora do corpo. A chance de sucesso é de 30%, dependendo da paciente. Após, no máximo, três tentativas, a probabilidade de gravidez para uma mulher de 35 anos pode aumentar em até 50%.

Além de difícil,  adiar o nascimento do primeiro filho pode ser arriscado. Doenças crônicas, como diabetes, obesidade e hipertensão podem provocar a interrupção da gestação. Outra preocupação é o aumento do risco de anomalias genéticas. O risco de uma mulher de 35 anos ter um filho com síndrome de Down é de um, em 360, quatro vezes mais do que uma grávida de 25 anos. Estudo da Universidade Estadual de Ohio, em Columbus, nos Estados Unidos, mostrou que mulheres com mais de 50 anos, mães depois dos 35, costumam ter taxas mais elevadas de infarto, risco de hipertensão e diabetes. O coração sofre com o encargo de ter de bombear cerca de 1 litro de sangue extra para o bebê.

Mulheres maduras, profissionais responsáveis, podem ignorar o relógio de ponto no escritório, por um tempo, mas o relógio biológico não para.

*Prof. Dr. Joji Ueno é ginecologista, doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da USP, diretor da Clínica Gera e do Instituto de Ensino e Pesquisa em Medicina Reprodutiva de São Paulo. Também é co-autor do blog medicinareprodutiva e pode ser seguido via twitter.

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