Doação de medula óssea

Estava indo almoçar no trabalho, quando vi estampado na parede junto ao elevador um cartaz, estimulando a doação de sangue para exame de compatibilidade de medula óssea. É tanto mistério rondando o assunto, que decidi falar sobre ele aqui. Não tem jeito, gente. O acesso à informação é crucial para compreendermos as questões de saúde e perdermos o medo do desconhecido. Um detalhe importante de se mencionar é que todas as informações que estão reunidas neste post são do Instituto Nacional do Câncer (Inca), órgão do Ministério da Saúde responsável pelas ações de prevenção e controle do câncer no Brasil.

Médula óssea – Primeiro é preciso entender o que é a medula óssea, para depois discutirmos o porquê de alguém precisar de um transplante deste tecido. Nas palavras do Instituto Nacional de Câncer (Inca), “é um tecido líquido-gelatinoso que ocupa o interior dos ossos. Nela, conhecida popularmente por ‘tutano’, são produzidos os componentes do sangue: as hemácias (glóbulos vermelhos), os leucócitos (glóbulos brancos) e as plaquetas.

Todos os componentes sanguíneos são de fundamental importância para o correto funcionamento do corpo humano, e cada um tem uma função específica. As hemácias transportam o oxigênio dos pulmões para as células de todo o nosso organismo e o gás carbônico das células para os pulmões, a fim de ser expirado. Os leucócitos são os agentes mais importantes do nosso sistema de defesa e nos protegem das infecções. As plaquetas compõem o sistema de coagulação do sangue.

É bom ressaltar que a medula óssea não é a mesma coisa que a medula espinhal. Esta última é composta por tecido nervoso e ocupa o espaço dentro da coluna vertebral. Sua função primordial é transmitir os impulsos nervosos, a partir do cérebro, para todo o corpo.

Transplante de medula óssea – é a única esperança de cura para alguns portadores de doenças que afetam o sangue, a exemplo da leucemia e do linfoma. O tratamento consiste na substituição de uma medula óssea doente por células normais, para a recomposição de uma medula saudável. O transplante pode utilizar a medula do próprio paciente (autogênico) ou de um doador (alogênico).

Alguns exemplos de doenças de sangue que podem exigir o transplante da medula óssea são: a Anemia Aplástica Grave, Mielodisplasias e alguns tipos de leucemias, como a Leucemia Mielóide Aguda, Leucemia Mielóide Crônica e Leucemia Linfóide Aguda. No Mieloma Múltiplo e Linfomas, o transplante também pode ser indicado.

Anemia Aplástica: doença caracterizada pela falta de produção de células do sangue na medula óssea. Apesar de não ser uma doença maligna, o transplante surge como uma saída para ‘substituir’ a medula improdutiva por uma sadia.

Leucemia: é um tipo de câncer que compromete os glóbulos brancos (leucócitos), afetando sua função e velocidade de crescimento. Nesses casos, o transplante é complementar aos tratamentos convencionais.

O transplante só acontece se houver total compatibilidade entre o doador e o paciente. A tal da compatibilidade é determinada a partir de um exame de sangue, em que se avalia o conjunto de genes localizados no cromossoma 6, que devem ser igual entre doador e receptor.  É o chamado exame de histocompatibilidade. De acordo com as informações do Inca, as chances de um indivíduo encontrar um doador ideal entre irmãos (mesmo pai e mesma mãe) é de 25%.

Como é o transplante para o doador – O doador é submetido a uma série de exames clínicos para confirmar seu estado de saúde. Ele não precisa mudar seus hábitos, trabaho ou alimentação. A doação é feita em centro cirúrgico, sob anestesia (que pode ser peridural ou geral), com duração de aproximadamente duas horas. São realizadas múltiplas punções, com agulhas, nos ossos posteriores da bacia e é aspirada a medula. Retira-se um volume de medula do doador de, no máximo, 15%. Esta retirada não causa qualquer comprometimento à saúde.

Os riscos para o doador – Os riscos são poucos e relacionados a um procedimento que necessita de anestesia, sendo retirada do doador a quantidade de medula óssea necessária (menos de 15%). Dentro de poucas semanas, a medula óssea do doador estará inteiramente recuperada. Uma avaliação pré-operatória detalhada verifica as condições clínicas e cardiovasculares do doador visando a orientar a equipe anestésica envolvida no procedimento operatório.

Passo a passo para se tornar um doador

• Qualquer pessoa entre 18 e 55 anos com boa saúde poderá doar medula óssea. Esta é retirada do interior de ossos da bacia, por meio de punções, e se recompõe em apenas 15 dias.

• Os doadores preenchem um formulário com dados pessoais e é coletada uma amostra de sangue com 5ml para testes. Estes testes determinam as características genéticas que são necessárias para a compatibilidade entre o doador e o paciente.

• Os dados pessoais e os resultados dos testes são armazenados em um sistema informatizado que realiza o cruzamento com dados dos pacientes que estão necessitando de um transplante.

• Em caso de compatibilidade com um paciente, o doador é então chamado para exames complementares e para realizar a doação.

• Tudo seria muito simples e fácil, se não fosse o problema da compatibilidade entre as células do doador e do receptor. A chance de encontrar uma medula compatível é, em média, de UMA EM CEM MIL!

• Por isso, são organizados Registros de Doadores Voluntários de Medula Óssea, cuja função é cadastrar pessoas dispostas a doar. Quando um paciente necessita de transplante e não possui um doador na família, esse cadastro é consultado. Se for encontrado um doador compatível, ele será convidado a fazer a doação.

• Para o doador, a doação será apenas um incômodo passageiro. Para o doente, será a diferença entre a vida e a morte.

• A doação de medula óssea é um gesto de solidariedade e de amor ao próximo.

• É muito importante que sejam mantidos atualizados os dados cadastrais para facilitar e agilizar a chamada do doador no momento exato. Para atualizar o cadastro, basta que o doador ligue para (21) 3970-4100 ou envie um e-mail para redome@inca.gov.br.

Caso você decida doar

1. Você precisa ter entre 18 e 55 anos de idade e estar em bom estado geral de saúde (não ter doença infecciosa ou incapacitante).

2. Onde e quando doar
É possível se cadastrar como doador voluntário de medula óssea nos Hemocentros nos estados.

3. Como é feita a doação
Será retirada por sua veia uma pequena quantidade de sangue (5ml) e preenchida uma ficha com informações pessoais.

Seu sangue será tipificado por exame de histocompatibilidade (HLA), que é um teste de laboratório para identificar suas características genéticas que podem influenciar no transplante. Seu tipo de HLA será incluído no cadastro.

Seus dados serão cruzados com os dos pacientes que precisam de transplante de medula óssea constantemente. Se você for compatível com algum paciente, outros exames de sangue serão necessários.

Se a compatibilidade for confirmada, você será consultado para confirmar que deseja realizar a doação. Seu atual estado de saúde será avaliado.

A doação é um procedimento que se faz em centro cirúrgico, sob anestesia peridural ou geral, e requer internação por um mínimo de 24 horas. Nos primeiros três dias após a doação pode haver desconforto localizado, de leve a moderado, que pode ser amenizado com o uso de analgésicos e medidas simples. Normalmente, os doadores retornam às suas atividades habituais depois da primeira semana.

Importante
Um doador de medula óssea deve manter seu cadastro sempre atualizado. Caso haja alguma mudança, a pessoa deve entrar em contato com o REDOME: (21) 3970-4100 / redome@inca.gov.br.

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Mais informações
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>> Inca

http://www.plugbr.net/doacao-de-medula-ossea-um-dos-procedimentos-mais-simples/

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