Foco sobre a saúde feminina no mês de outubro

Outubro Rosa é o nome da campanha mundial – originalmente nascida nos Estados Unidos e de lá adotada em outros países – de conscientização e prevenção sobre o câncer de mama. Mas o mês também é dedicado a outras questões ligadas à saúde feminina. Na segunda-feira, dia 18, é o Dia Mundial da Menopausa e no dia 20, quarta, Dia da Osteoporose.

Independente do calendário já andar lotado de datas comemorativas, algumas inclusive sem o menor sentido (ao menos para mim), estes dois dias são tão importantes quanto o Outubro Rosa, pois falar de saúde é sempre importante, principalmente para nós mulheres.

Não que o câncer de mama não atinja os rapazes, ou que eles também não possam ter a osteoporose. Sei que entram na menopausa, nesse caso, o nome é andropausa. Mas a ideia aqui é focar na saúde das meninas e, com exceção das baixas hormoniais características da menopausa e da andropausa, tanto o câncer de mama quanto a osteoroporose têm maior incidência entre as mulheres. Além disso, a quantidade de mulheres que não se cuidam ainda é muito grande, seja por desconhecimento, falta de acesso aos serviços básicos ou mesmo por machismo. Sim, ainda existem locais no chamado Brasil profundo em que maridos – por desinformação ou ciúmes – não permitem que as mulheres vão ao ginecologista!

Para ajudar a informar as mulheres e aproveitando as datas de conscientização e o clima de Outubro Rosa, o Conversa de Menina selecionou um bom material sobre Menopausa e Osteoporose para publicar entre este domingo e a quarta-feira. Diariamente, um texto informativo elaborado por quem entende de saúde, com dados e orientações, será publicado no blog, juntamente com os demais conteúdos que já apresentamos no dia-a-dia.

Esperamos que aproveitem as informações e ajudem a disseminar a ideia de que temos de cuidar de nós mesmas e também umas das outras. Essa história de que as mulheres não são unidas é papo de machão enciumado.

Solidariedade feminina existe, taí uma boa oportunidade de provarmos!

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Mulheres têm mais problemas de visão do que homens

As mulheres, segundo pesquisa recente, são mais afetadas pelas doenças oculares do que os homens. A explicação, embora a ciência ainda esteja investigando, pode estar nos hormônios e alterações que sofremos no corpo ao longo da vida: menarca, ciclo menstrual, gravidez, menopausa. Cada um desses estágios requer doses enormes de substâncias tanto fabricadas pelo nosso corpo quanto ingeridas (pílulas anticoncepcionais, reposição hormonal e etc). As informações detalhadas sobre a pesquisa e sobre a saúde ocular feminina estão no texto que segue, elaborado pela jornalista Márcia Wirth, da MW Comunicação. Como recentemente passei por um procedimento oftalmológico, achei interessante dividir com vocês mais este aprendizado. Confiram:

Anatomia do olho humano
Anatomia do olho humano

*Mulheres sofrem mais com problemas de visão do que os homens
Se a mulher não tem as informações básicas sobre o que pode afetar a sua saúde, como pensará em prevenção?

Estima-se que há 45 milhões de cegos no mundo, sendo que dois terços – 30 milhões – são mulheres. Desse total, 80% dos casos são evitáveis ou tratáveis. “De 45 milhões de pessoas, 80% não precisariam estar cegos porque a doença ou tinha tratamento ou poderia ter sido prevenida ou evitada se a pessoa tivesse acesso adequado às informações apropriadas sobre saúde”, alerta o oftalmologista Virgilio Centurion, diretor do IMO (Instituto de Moléstias Oculares).

Um levantamento realizado pelo Healthy Sight Institute intitulado Mulheres e visão: por que elas sofrem mais?, identificou qual a percepção das pessoas em relação aos problemas de visão. A pesquisa revela que há muito desconhecimento. O estudo foi feito em oito países, com 10,5 mil entrevistados, entre homens e mulheres. No Brasil, 1.007 adultos participaram do levantamento.

As brasileiras reclamam mais frequentemente de problemas nos olhos do que os brasileiros. Entre as mulheres, 57% disseram ter algum problema de visão. Com os homens, o percentual ficou em 47%.

Já o que essas mulheres sabem sobre alguns fatores que afetam a visão feminina, mais de 55% das pesquisadas, ou não sabem ou não acreditam que fatores hormonais provocados pela menopausa ou por medicamentos podem influenciar numa alteração visual; 56% ou não sabem ou não acreditam que o cigarro pode influenciar nos problemas visuais, sendo que o cigarro é um dos fatores de risco para a catarata. E 60% não sabem ou não acreditam que a gravidez pode influenciar na qualidade visual.

Razões para que existam mais mulheres cegas – Segundo a pesquisa, dos 45 milhões de cegos, dois terços, ou seja, 30 milhões são mulheres. Existem algumas hipóteses para justificar este fato.  “A primeira delas diz respeito à longevidade. Na maioria dos casos, as mulheres vivem mais que os homens e, por causa disso, elas estão mais expostas e ficam mais suscetíveis a algumas doenças que têm maior incidência a partir de certa idade e que podem provocar a cegueira”, explica Virgilio Centurion.

Os hormônios típicos do ciclo reprodutor feminino podem ter relação com a predisposição das mulheres para certas doenças oculares

Outra é a possibilidade de o sexo feminino ter um risco maior para determinadas doenças. “A catarata, por exemplo, incide um pouco mais em mulheres, assim como algumas formas de glaucoma. Muitas vezes, não se sabe exatamente por qual motivo, pode ser simplesmente por fatores hormonais ou genéticos.

As alterações hormonais – tanto na menopausa, como a provocada pelo uso de contraceptivos – podem levar a algumas alterações oculares, como a diminuição na produção de lágrimas e, consequentemente, a síndrome do olho seco”, diz o médico.

Informação e prevenção – Um terceiro motivo, muito importante no mundo todo, é o acesso desigual aos cuidados de saúde. “Em várias regiões do mundo as mulheres não têm as mesmas facilidades para ir ao médico, para procurar um oftalmologista. Até o número de cirurgias de catarata em alguns países é bem menor no sexo feminino, em relação aos homens”, conta Virgilio Centurion.

Isso acontece por vários motivos: em parte por causa da baixa escolaridade nos locais mais pobres, do pouco conhecimento, e ainda há a questão cultural. Há locais em que os costumes são muito diferentes da cultura ocidental. “Em muitos países a verba destinada à saúde é baixa e é preciso distribuí-la entre alguns. E quem são os privilegiados? Nesses locais, geralmente são os homens”, conta o diretor do IMO.

"Alterações na visão são frequentes na gravidez"

No Brasil, as condições de acesso aos cuidados de saúde são um pouco diferentes. Não temos expressivamente o problema de acesso em relação apenas às mulheres. “No Brasil, a dificuldade é para toda a população. E a mulher é peça fundamental para a promoção da saúde na família. Ela replica o que aprende com o médico, é uma cuidadora nata da família, ela é quem busca o atendimento, toma conta da saúde dos filhos, do marido, dos pais, dos sogros”, conta o oftalmologista Virgilio Centurion.

Fatores hormonais importantes – Em relação à gravidez, é muito interessante perceber no atendimento diário, como as mulheres não conhecem as alterações visuais que ocorrem neste período. Há as fisiológicas, reversíveis ao final da gravidez, e que são comuns.

As alterações mais freqüentes acontecem na córnea e consistem em mudanças de espessura, sensibilidade, e isso pode causar intolerância na usuária de lentes de contato”, explica a oftalmologista Sandra Alice Falvo, que também integra o corpo clínico do IMO.

Uma outra queixa frequente é a mudança no índice de refração. “Aí, temos de informar que não é hora de trocar os óculos. É para esperar, porque esta variação se normaliza, após o parto. Existem também as alterações patológicas, mais associadas à gravidez de risco. Por exemplo, uma mulher com diabetes gestacional está mais sujeita a apresentar alterações de fundo de olho mais graves do que uma grávida sem esse problema. O mesmo acontece com as portadoras de hipertensão arterial”, informa Sandra Falvo.

Quando falamos de gravidez e menopausa nos referimos especificamente a condições femininas. “O fato dos homens não saberem das alterações visuais decorrentes da gravidez não é tão grave quanto 60% das mulheres não terem conhecimento das mudanças inerentes a este período”, alerta a oftalmologista do IMO.

Para saber mais:

Site: www.imo.com.br
Email: imo@imo.com.br
Rede social: twitter.com/clinicaimo

*Material elaborado e encaminhado ao blog pela MW- Consultoria de Comunicação.

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Endometriose: saiba mais sobre a doença

A reportagem abaixo trata de um problema muito mais comum entre as mulheres do que imaginamos: a endometriose. Dizem os biógrafos de Marilyn Monroe, a famosa diva de Hollywood nos anos 50, que a atriz sofria de dores insuportáveis por conta deste problema. Como a saúde, principalmente a feminina, é um dos focos das conversas aqui do blog, confiram as explicações do médico ginecologista Aléssio Calil Mathias e entendam melhor o que é, quais as causas e como tratar a endometriose. Para outros esclarecimentos, no final do post publiquei os links do site, blog e twitter do especialista.

*Endometriose: cólicas menstruais intensas e dor  na relação sexual
O estilo de vida da mulher moderna vem sendo apontado como o grande responsável pelo aumento de casos da endometriose

Ainda não totalmente desvendada pela medicina, a endometriose se apresenta cada vez com mais freqüência. Sua incidência tem aumentado consideravelmente, porém os especialistas ainda não sabem ao certo a causa do problema. “Com a difusão de mais informações sobre a doença, tanto para os médicos, quanto para a população em geral, os diagnósticos estão sendo feitos com maior precisão e em maior número”, afirma o ginecologista Aléssio Calil Mathias, diretor da Clínica Genesis.

Além da maior facilidade de diagnóstico, que faz com que mais casos sejam identificados, o estilo de vida da mulher moderna vem sendo apontado como o grande responsável pelo aumento de casos da endometriose. “Hoje, a tendência mundial é que a mulher se case e engravide mais tarde e tenha menos filhos. Em conseqüência destes comportamentos, a mulher fica mais exposta aos ciclos menstruais, o que a torna mais suscetível à doença”, explica o ginecologista.

Entenda a doença – Relacionada ao ciclo menstrual e ao sistema imunológico, a endometriose atinge até 10% das mulheres em idade fértil e é encontrada com mais freqüência nas que têm mais de 35 anos. Porém, 20% delas nem sempre sabem que têm a doença porque não apresentam nenhum sintoma. “A paciente que tem algum parente em primeiro grau com endometriose corre mais risco de desenvolver a doença, que se desenvolve na adolescência. Entretanto, o diagnóstico, geralmente, só é feito entre mulheres de 25 a 35 anos”, observa o especialista.

A endometriose é caracterizada pelo implante de células endometriais fora do útero. “O nome da doença vem da palavra endométrio, camada que reveste o interior do útero e que é eliminada durante a menstruação, todos os meses, se a mulher não engravidar. A endometriose ocorre quando, por algum motivo, o endométrio se encontra fora do útero”, explica  o ginecologista.

A razão de parte das células do endométrio sair do útero e se reagrupar em outras regiões como ovários, tubas uterinas, superfície do útero, bexiga, dentre outros órgãos, ainda não foi completamente esclarecida pela ciência. “Porém, com o conhecimento que já adquirimos,  sabemos que os focos de endométrio alojados em outros órgãos continuam estimulados pelos hormônios. E, a cada ciclo menstrual, se comportam como se estivessem dentro do endométrio. Dessa maneira, a cada menstruação, ocorrem sangramentos semelhantes ao fluxo menstrual normal nos focos de endométrio dispersos”, explica Aléssio Calil Mathias.

Além da menstruação, os especialistas acreditam que a doença pode se instalar em algumas mulheres devido a algum distúrbio no sistema imunológico das portadoras de endometriose. Essa é uma das teorias mais modernas que explicam o surgimento da doença: Em geral, quando as células do endométrio se alojam em outras regiões do organismo feminino, o sistema imunológico entra em ação para que seja realizada a limpeza ou a eliminação dos focos de endométrio fora do útero. “Mas, por algum problema no sistema imunológico, esta ‘limpeza do organismo’ não acontece. Daí, as células se implantam nesses locais, sofrem a ação dos hormônios e acabam por desenvolver a endometriose”, explica o médico.

A diva Marilyn Monroe pode ter morrido de overdose de tranquilizantes, que ela tomaria para aplacar as dores terríveis que sentia devido a endometriose. A fonte da informação é o livro "Menstruação, a Sangria Inútil", do médico baiano Elsimar Coutinho.

Caracterização do quadro doloroso – Todo este desequilíbrio no organismo e o crescimento do tecido endometrial em lugares incomuns causam sintomas bastante dolorosos. “O primeiro a aparecer, em geral, é a cólica menstrual (dismenorréia). Ela é progressiva. Ou seja, no princípio, a mulher refere-se a ela como leve. Entretanto, com o passar dos anos, a dor vai piorando até ficar muito intensa, o que a impede de fazer suas atividades habituais. Outro sintoma é a dor durante a relação sexual (dispaneuria)”, alerta o ginecologista.

As cólicas menstruais que caracterizam a endometriose não melhoram com medicação, apresentam-se muito severas e requerem repouso. A dor que acontece durante a relação sexual, em geral, aparece quando a penetração é profunda e tende a ser mais intensa no período pré-menstrual.

Como as células  do endométrio podem se alojar em várias regiões do organismo feminino, as teorias mais modernas defendem que a endometriose também não se apresenta como uma só, mas, na verdade, de maneiras distintas. São três as principais formas de endometriose. Uma delas aparece na superfície do peritônio, camada que reveste internamente o abdome. A outra, mais freqüente, é a forma ovariana, na qual os focos do endométrio se apresentam como cistos com conteúdo de cor achocolatada. Por fim, existe a endometriose profunda, quando as células invadem as camadas do intestino e o septo retovaginal. Esta forma, além de dificultar as relações sexuais, ainda pode causar sangramento e obstrução intestinal.

Importância do histórico clínico da paciente

O diagnóstico inicial da endometriose pode ser feito por meio do histórico clínico da paciente e dos sintomas característicos da doença. “Nesses casos, um exame ginecológico também pode ajudar. A avaliação física é igualmente essencial na investigação da doença. O exame do abdome pode revelar ao ginecologista se há aumento abdominal ou dores localizadas. Já o exame do colo do útero pode detectar a doença no colo e/ou na parede vaginal, enquanto o toque ginecológico avalia possíveis aumentos nos ovários, dores atrás do útero e eventuais nódulos dolorosos presentes na endometriose profunda”, detalha o ginecologista e obstetra Aléssio Calil Mathias.

Dentre os exames complementares, que podem auxiliar a compor um diagnóstico preciso, destacam-se o ultra-som transvaginal especializado, que permite ao ginecologista obter imagens do útero, dos ovários e de lesões profundas causadas pela endometriose. A ressonância magnética da pélvis também auxilia no diagnóstico da endometriose profunda. “Contamos também com a videolaparoscopia, considerada por muitos o melhor método para diagnosticar a doença e para iniciar o tratamento, nos casos em que a cirurgia é indicada. Uma das vantagens deste exame é que ele permite ao médico enxergar pequenos focos da doença, nem sempre perceptíveis nos outros exames”, explica o ginecologista.

O tratamento da endometriose pode ser clínico ou cirúrgico, dependendo do tipo, do estágio que a doença atingiu e de quanto tempo está instalada. “A primeira preocupação ao iniciar o tratamento é saber se a mulher quer se livrar da dor ou engravidar. Dependendo da intenção da paciente, é indicado o melhor método terapêutico”, informa Aléssio Calil Mathias.

O uso de medicamentos é realizado nos casos mais brandos da doença, em mulheres que não desejam engravidar. É feito com a indicação do uso de anticoncepcionais orais ou injetáveis. “Outros medicamentos utilizados são os que paralisam as funções dos ovários e, com isso, diminuem a produção do hormônio estrógeno. Assim, quanto menor a concentração desse hormônio, menores os riscos de a doença progredir e menos intensas serão as dores”, explica  o médico.

Saiba mais:
Site: www.clinicagenesis.com.br
Rede social: twitter.com/dralessio
Blog: gestacaosaudavel.wordpress.com

*Material elaborado e encaminhado ao blog pela jornalista Márcia Wirth, da MW Comunicação.

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