Artigo: Quem tem tempo para tirar férias?

O artigo abaixo fala em janeiro, que é o mês clássico das férias, mas o conteúdo é válido também para quem entra em período de descanso agora em junho/julho, época do recesso escolar de meio de ano das crianças (meu caso, estou em contagem regressiva). A verdade é que vivemos uma correria tão desenfreada, uma competição tão acirrada por melhores posições, melhores salários, mais elogios, o desempenho mais notável, que diariamente nos desumanizamos, embrutecemos e esquecemos que para seguir em frente, de vez em quando, é necessário parar, respirar e rever o mapa…

Quem tem tempo para tirar férias?

*Alexandre Bortoletto

Janeiro é um mês associado às férias. Quem não está de folga costuma morrer de inveja imaginando aqueles que se encontram longe do escritório “de pernas pro ar”, repondo as energias roubadas pela rotina estressante. Mas o relaxamento associado a essa pausa anual não é uma realidade para grande parte das pessoas.

Há quem se sinta mais cansado nas férias do que quando está trabalhando. Isso porque aproveita esse período para estudar, ir ao médico, resolver problemas no banco. Existem ainda aqueles que não conseguem se desconectar do trabalho, que permanecem ligados no celular o no e-mail, interessados nos detalhes do que se passa em sua ausência.

Esse comportamento reflete a realidade em que vivemos. Estamos em modo “multitarefa”, e todas as atividades parecem tão importantes e urgentes… Fora isso, enquanto trabalhamos estamos distraídos com e-mails pessoais, redes sociais e outros programas do computador – a Universidade da Califórnia revelou em pesquisa recente que trocamos de janela ou checamos mensagens 37 vezes por hora.

As tarefas acabam sendo cumpridas na correria, sem planejamento. Se pararmos, o serviço acumula, e voltar das férias pode ser tão cansativo que é melhor nem sair. Há também o medo de que a pausa para descanso acabe nos tornando dispensáveis. E se o colega acabar pegando aquela promoção porque você não estava disponível? E se arranjarem outro para trabalhar no seu lugar?

A única maneira de realmente aproveitar as férias é se organizar. Se concentrar e deixar tudo encaminhado ajuda a sumir com aquela sensação de que alguma coisa importante está ficando para trás. Planejar como o tempo livre será aproveitado também é válido.

As férias são o momento de reajustar o foco. É a hora de fazer o que os horários do trabalho ou o cansaço não deixam: viajar, acordar mais tarde, pegar sol, aproveitar a companhia da família e dos amigos. É a chance de se desconectar, desligando o celular e esquecendo o computador por um tempo. Se não conseguir se desligar totalmente, não force a barra. Basta criar uma nova rotina, mais tranquila, que pode ser por exemplo checar as mensagens do celular apenas uma vez por dia, ler os e-mails só dois dias na semana.

Ficar sempre na mesma rotina gera um estresse contínuo que impede a recuperação da capacidade criativa. Recarregar as baterias e “arejar o cérebro” nos deixa mais capazes de enxergar novas soluções para os problemas de sempre. Quando chega a hora de voltar a trabalhar, você vai estar pronto para encarar os desafios graças a essa pausa. Será um profissional melhor. E para quem você acha que eles vão dar aquela promoção?

*Alexandre Bortoletto é instrutor da SBPNL – Sociedade Brasileira de Programação Neurolinguística

**Texto enviado ao blog pela assessoria da SBPNL e publicado mediante respeito à integridade do texto, ideias e créditos do autor.

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Reportagem: Participação da mulher na chefia das famílias

A reportagem abaixo foi enviada para mim via email pela assessoria da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e Caribe). Vale muito a pena a leitura, pois trata de uma questão interessante, o aumento do número de mulheres que chefiam famílias em países que possuem programas sociais como o bolsa família brasileiro. São citados exemplos do Brasil e do México, bem como traçado um rápido panorama da América Latina. Não faço aqui apologia aos programas sociais do governo federal e nem tampouco os critico. O interesse em divulgar o assunto é apenas convidar nossos leitores à reflexão. É no mínimo sintomático esse fenômeno. Confiram:

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*Participação da mulher como chefe de família aumenta 10 pontos  percentuais em 10 anos

Brasília – Pelo menos 17% da população da América Latina e do Caribe vivem hoje às custas de programas de transferência de renda como o Bolsa Família. Um levantamento da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), mostrou que em função destes programas, o percentual de mulheres que eram chefes de família subiu de 22% na década de 1990 para 32% no ano passado. Entre os 17 países pesquisados, o Brasil e o México são os que mais comprometem recursos orçamentários nos respectivos programas, o equivalente a 0,41% e 0,43% do PIB.

XI Conferência Regional da Mulher da América Latina e do Caribe. Crédito da imagem: Elza Fiúza / Agência Brasil

– As mulheres canalizam melhor os benefícios dos programas sociais”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no encontro que teve com as representantes da Cepal  no Centro Cultural do Banco do Brasil.

Os dados fazem parte do documento Que tipo de Estado? Que tipo de igualdade? divulgado em Brasília na XI Conferência Regional da Mulher da América Latina e do Caribe. O encontro, que começou no último dia 13, foi encerrado na sexta-feira (16) com a divulgação da Carta de Brasília. Mesmo que os governos privilegiem as mulheres para fazerem o repasse dos recursos dos programas sociais, a pobreza das mulheres em relação aos homens só tem aumentado. Na década de 1990 para cada 100 homens pobres havia 108 mulheres. Em 2008 este número saltou para 115 mulheres. As indigentes saltaram de 118 para 130.

– O aspecto mais visível da falta de autonomia econômica das mulheres é a pobreza. Ela vem acompanhada da falta de liberdade e de tempo para deslocar-se. Assim como da exclusão da proteção social, que converte as mulheres em sujeitos de assistência e com menor disponibilidade de recursos para exercer seus direitos dentro da família e da comunidade”, disse a secretária-Executiva da Cepal, Alícia Barcena.

Participantes da XI Conferência Regional da Mulher da América Latina e do Caribe, em Brasília, na semana passada. Crédito da foto: Elza Fiúza / Agência Brasil

O principal tema das discussões no último dia 14, foi o efeito “devastador” das catástrofes (terremotos) naturais ocorridas no Haiti no início deste ano. A Cepal lembrou que no desastre morreram 222 pessoas, 311 ficaram feridas e 1,5 milhão de pessoas sofreram alguns tipo de dano material. A secretária Executiva da Cepal lembrou que o Brasil e o Chile foram os países que mostraram maior solidariedade com o povo haitiano, participando ativamente da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (MINUSTAH).

“A reconstrução do Haiti e Chile requer que se coloque a mulher no centro do desenvolvimento econômico”, concluíram as participantes da XI Conferência da Mulher.

CONTRIBUIÇÃO DA MULHERES – O documento Que tipo de Estado? Que tipo de igualdade? ressalta ainda, que mesmo mais pobres que os homens, sem a contribuição da mulher na economia a pobreza nos países aumentaria em 10% no perímetro urbano e em 6% na zona rural. O documento recomenda que, a exemplo da Venezuela, o trabalho doméstico das mulheres seja de alguma forma remunerado, para reduzir o nível de pobreza na região.

Mulheres de várias etnias indígenas da América Latina também participaram do evento. Crédito da foto: Elza Fiúza / Agência Brasil

Dados de 2008 mostram que 31,6% das mulheres de 15 anos ou mais na região não tinham renda própria, enquanto que somente 10,4% dos homens estavam nessa condição. Ainda assim, as mulheres superam os homens em termos de desemprego (8,3% contra 5,7%). E, embora a brecha salarial entre os gêneros tenha diminuído – a renda média das mulheres passou de 69% da dos homens em 1990 para 79% em 2008 –, as mulheres continuam tendo maior representação em ocupações com menor nível de remuneração, sub-representadas em posições de alto nível hierárquico e ainda recebem salários menores para um trabalho de igual valor que o dos homens.

O documento da CEPAL acentua que o trabalho é a base da igualdade entre os gêneros e para isto é fundamental a conquista da autonomia econômica, física e política das mulheres. A autonomia econômica implica ter o controle sobre os bens materiais e recursos intelectuais, e a capacidade de decidir sobre a renda e os ativos familiares.

*Material encaminhado ao blog pela CDN

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Sobre motivação no ambiente de trabalho

Esta semana li um texto que um colega de trabalho me mandou sobre motivação no ambiente de trabalho. Na verdade, é uma resposta do consultor Max Gehringer à pergunta de uma leitora em um jornal. Ela dizia que não suportava mais a pressão sofrida todo dia pela chefia e que estavam ela e os colegas, todos desmotivados. No final, questionava se existia uma fórmula mágica para evitar isso. Olhem a resposta dele:

“Sim, existe. A fórmula é M=R2-P.
Ou, traduzindo, motivação (M) é igual
à recompensa ao quadrado (R2) menos pressão (P).
Quando existe muita pressão no ambiente de trabalho sem nenhuma recompensa para a equipe,
a motivação é um número negativo.
É por isso que a motivação de vocês está abaixo de zero.
Existem muitas empresas no Brasil que exercem uma pressão enorme sobre seus funcionários.
O pessoal trabalha 12 horas por dia ou até mais, incluindo fins de semana,
e toma café falando ao telefone e digitando no computador,
tudo ao mesmo tempo. Mas também existe uma recompensa palpável por todo esse esforço,
na forma de um complemento salarial proporcional aos resultados obtidos.
E isso faz com que os funcionários enxerguem a pressão como um meio, e não como um fim.
Portanto, a fórmula da organização de nossa leitora ficou desbalanceada.
Está sobrando pressão e faltando recompensa nessa fórmula.
Se a corporação simplesmente criar um programa de premiação por resultados,
a mesma pressão que hoje parece intolerável passará a ser admissível.
A matemática é simples.
Quando uma empresa tenta montar uma equação de motivação
usando apenas uma variável, no caso a pressão,
o resultado será a depressão”.

O problema é que hoje a exigência por resultados normalmente não é acompanhada da tal recompensa que Gehringer menciona. O que o modelo capitalista defende é uma fórmula que exige uma conexão entre a contenção de custos e o aumento da produtividade. Por causa do medo do desemprego, nos submetemos a exigências desumanas. E o que ao meu ver é pior: o estresse no ambiente de trabalho passa a ser tamanho que começa a interferir inclusive na vida pessoal do funcionário.

É difícil dividir a vida em blocos e deixar no ambiente de trabalho os problemas surgidos por lá. Carregamos conosco todo o estresse e pressão sofridos. E isso não é saudável. Embora Gehringer tenha descoberto a fórmula mágica da felicidade no ambiente de trabalho, eu desconheço aquela que vai nos fazer aprender a conviver com esta sujeição cruel de maneira sadia. Cada um acaba aprendendo seu jeito de lidar com isso. O importante é compreender que o trabalho não é o fim, mas apenas o meio. Que tal pensarmos nisso?

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Leia também:
>> Artigo: Passada a crise, é hora de mudar de emprego!
>> Ser chefe ou ser líder?
>> Sobre o mundo, o tempo e a esperança
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Melhores empresas para se trabalhar na América Latina

Great Place to WorkSaiu a lista do instituto Great Place to Work, com as melhores empresas para se trabalhar na América Latina. Entre as 30 primeiras colocadas na relação estão seis organizações brasileiras. O levantamento é feito desde 2004, com base na opinião dos colaboradores.

Nesta edição, participaram 1,3 mil empresas com atuação em 18 países na América Latina. Dentre os critérios adotados para a formação do ranking estão credibilidade, respeito, imparcialidade, orgulho e camaradagem.

A filial brasileira da consultoria também realiza uma série de pesquisas no País. No site oficial estão os últimos resultados e informações sobre como participar das pesquisas. Agora é só conhecer as instituições, listadas logo abaixo, e, quem sabe, tentar uma vaga no quadro de funcionários de alguma delas.

E boa sorte!

01  JW Marriott Lima, Peru
02  Chemtech, Brasil
03  DHL Bolivia, Bolivia
04  Boehringer Ingelheim C.A., Venezuela
05  Otecel S.A. (Telefónica Movistar), Equador
06  Leasing Bancolombia S.A., Colômbia
07  IBM del Perú, Peru
08  BancoEstado MicroEmpresas S.A, Chile
09  Diageo Colombia S.A., Colômbia
10  Asesoria, Seguridad y Vigilancia – Asevig Cia. Ltda., Equador
11  Transbank S.A, Chile
12  Caterpillar, Brasil
13  Coca Cola de Chile, Chile
14  Fedex Express en Centroamérica, Central America
15  SAP Sucursal Peru, Peru
16  FedEx, Chile
17  Microsoft Perú, Peru
18  Christus Muguerza Sur, México
19  Cadbury Adams Colombia S.A., Colômbia
20  Telefónica Movistar, Uruguai
21  Novo Nordisk Pharma Argentina, Argentina
22  Federal Express México, México
23  Microsoft, Brasil
24  Accor, Brasil
25  Whirlpool México, México
26 3M Chile S.A, Chile
27 Amanco Plastigama S.A., Equador
28 American Express Argentina, Argentina
29 Apsen, Brasil
30 AstraZeneca, Brasil

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Ser chefe ou ser líder?

Liderança

Uma vez participei de uma discussão sobre chefia e liderança. Hoje, por acaso, uma outra discussão com alguns amigos me fez recordar da tal palestra. E por que não tratar do assunto aqui? Pois é. A palavra chefia ganhou uma conotação pejorativa. A tal ponto que hoje a palavra de ordem é liderar. O que difere um chefe de um líder? No contexto atual posso dizer que várias coisas. A primeira delas é que chefe é todo aquele a quem você se subordina, enquanto o líder é aquela pessoa que, mesmo não sendo o seu chefe, tem uma postura de organização de tarefas e políticas de trabalho em equipe.

Hoje a pauta do dia gira em torno de como aliar chefia e liderança. O que os grandes consultores de RH recomendam é que os chefes sejam mais líderes e menos chefes. E como ser um bom líder? Eu acredito que já existe uma certa pré-disposição. Há pessoas que nasceram para liderar, que têm isso no sangue, enquanto outras precisam se esforçar muito para exercer a mesma função. Mas o que não se pode esquecer é que não será um bom líder quem não souber equilibrar três importantes fatores: atenção aos componentes da equipe, flexibilização de procedimentos e inovações e o alcance dos resultados.

LíderNão adianta lidar bem com todo mundo e não conseguir agregar bons resultados para a empresa. Assim como não será recompensador profissionalmente ser alguém que aumenta os lucros, embora não tenha tato para lidar com pessoas.  O bom chefe é aquele que consegue administrar as duas coisas. Precisa focalizar nos resultados e, simultaneamente, investir nas pessoas, desenvolvendo as habilidades da equipe que chefia. Precisa ter a dimensão das tarefas que manda executar, para que possa cobrar dos seus subordinados com argumentações que sejam coerentes e lógicas. É preciso mostrar segurança para fazer a equipe confiar em você.

E é preciso também manter claro na cabeça das pessoas que estão sob seu comando que desenvolver uma relação bacana de amizade não significa deixar de exigir qualidade no trabalho, nem passar a mão na cabeça quando acontecerem os erros. É um problema relativamente comum confundir as relações pessoais e profissionais. Chefiar um amigo ou estar sob a liderançaChefe dele requer uma atenção maior. Porque a amizade precisa, necessariamente, ficar do lado de fora da empresa. Dentro da instituição, é imprenscindível que sejam profissionais acima de qualquer coisa. Isso vai evitar uma série de transtornos.

Se você está chegando a um lugar agora, ou acabou de assumir a chefia, procure manter um mínimo da rotina e vá promovendo as mudanças aos poucos. O excesso de mudanças gera o caos e para cada nova medida é preciso um período de adaptação. Ninguém vai mudar de um dia para o outro.  E não ache que será fácil. Sempre vai haver resistências, o que não significa que os resistentes precisam ser imediatamente dispensados. Eles podem ser conquistados. Pelo menos você pode tentar trabalhar neste sentido. Se nada funcionar, aí paciência. Ser um bom líder também significa saber identificar e dispensar os que não estão ajudando dentro da equipe.

Tem gente que acha que liderar é aparecer bem para os seus imediatos e esquece que chefiar é aparecer bem para os seus subordinados. Tem gente que acha que liderar é arrecadar as ideias dos subordinados e apresentar como suas. Mas um bom líder é aquele que mostra quem são seus bons funcionários, que luta para que eles apareçam, é aquele que tem também a tarefaLiderando equipes de promover seus funcionários dentro da empresa. Não é uma tarefa fácil, não é simples, e nem todo mundo quer. Mas se você está a fim de enfrentar esse desafio, comece a pensar de que forma você queria que alguém liderasse você mesmo. Pode ajudar um monte.

E outra coisa, não existe uma fórmula secreta nem um manual. Aliás, manuais, existem vários, mas não esquente se voce não leu nenhum deles trezentas vezes. Manter a individualidade e conduzir o trabalho com personalidade são essenciais. O aprendizado vai ser diário e cada liderança terá especificidades, afinal as pessoas são diferentes, não é? O formato implantado para uma equipe deverá ser adaptado para outra. Portanto, não esquente muito com o modelo ideal de liderança. Você precisa se preocupar é em fazer um trabalho de qualidade. É em se dedicar para fazer o melhor para a empresa, valorizando as peças que constituem sua equipe. Sem sua equipe, você não é ninguém.

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