Menina brinca de boneca e menino…

*Texto da jornalista Andreia Santana

Vi um pai e um filho na fila do supermercado neste sábado. O menino devia ter uns sete anos. O pai tinha mais de 30, mas era novo, não tinha chegado aos 40, com certeza. Uma boneca bebê, dessas com o corpo de pano, pernas e braços de plástico, cabeça careca e um tufo de cabelo preso num laçarote, descansava dentro de um carrinho de compras abandonado, junto com diversos produtos descartados e esperando os funcionários recolherem para devolução às prateleiras. O menino pegou a boneca. Crianças de sete anos, independente do sexo e das predileções por este ou aquele tipo de brinquedo, vêem com os dedos, precisam tocar para entender. O pai deu um tapa na mão da criança e jogou a boneca de volta sobre o monte de pacotes e caixas do carrinho abandonado. “É menina que brinca com boneca!”

Saí do supermercado pensando no tipo de criação que uma criança com um pai desses recebe e no que alguém criado por uma pessoa assim se transforma quando cresce. Certamente em outro pai igualzinho. De certa forma, aquele rapaz é fruto da criação que recebeu e repassa para o filho o que já fizeram com ele. Fiquei pensando na frase do homem no supermercado: “É menina que brinca com boneca!” Será que, nos dias de hoje, ainda se justifica tamanha divisão de papéis?

As bonecas e todo aquele jogo de panelas em miniatura surgiram como imitação, simulacro da realidade que preparava as meninas, desde novinhas, para a vida de esposas e mães.
masculino-e-feminino
E os pais que atualmente cuidam dos filhos sozinhos? Aqueles que trocam fraldas, fazem mamadeira, colocam o bebê no ombro para arrotar? Levam à escola, ensinam dever de casa… Existem pais assim e eles não são invenção moderna, embora atualmente a quantidade de homens que aderem a uma paternidade mais participativa esteja aumentando. As meninas, por sua vez, não são mais educadas para se tornarem esposas e mães, apenas. Ter ou não filhos, dividir as tarefas da casa, sair para trabalhar enquanto o marido cuida do jantar são realidades cada vez mais comuns na sociedade.

O arranjo familiar deixou de seguir o padrão pai, mãe e filhos e se configura em tantas combinações quantos são os laços que unem as pessoas. Crianças criadas com avós, ou que vivem apenas com um dos pais, ou que moram com tios, ou que são criadas por casais homossexuais. Não existe mais uma família padrão. Ainda bem, porque se o amor é tão diverso, porque só um modelo de família tem de ser aceito?

E a minha reflexão chegou exatamente neste ponto. Aceitação. Nossa sociedade está evoluindo há milênios, tanto em aspectos positivos quanto nos negativos, infelizmente, mas está evoluindo. A aceitação de que meninos podem brincar com bonecas e meninas podem fazer artes marciais ou colecionar carrinhos ainda não é total, mas estamos avançando. A atitude desse pai no supermercado, que me chocou pela rudeza, não é mais a regra e sim a exceção, resquícios de uma educação antiquada, intolerante e que tende a desaparecer, assim espero.

Precisava dividir essa inquietação com vocês, meninas e meninos, para que me ajudem a enxergar todos os lados da questão. Vamos debater?

*Andreia Santana, 37 anos, jornalista, natural de Salvador e aspirante a escritora. Fundou o Conversa de Menina em dezembro de 2008 junto com Alane Virgínia, e deixou o projeto em 20 de setembro de 2011, para dedicar-se à literatura.

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Conselhos para toda a vida

Escrevendo o post anterior, sobre a importância do uso do filtro solar, lembrei deste vídeo. Wear Sunscreen, ou Use Filtro Solar, foi produzido pela agência publicitária DM9 em 1999. O “comercial” teria nascido de um texto escrito em 1997 por um professor que estava com câncer, em uma cerimônia de formatura de uma universidade norte-americana. O texto foi parar na coluna da jornalista Mary Schmich, do The Chicago Tribune. De lá, os sócios da agência se inspiraram para produzir o filme, que virou sucesso mundial.

Sobre o que fala? Sobre vida. Sobre aproveitar a vida, cada segundo, cada minuto, cada momento, intensamente. Intensamente. Vocês podem assisti-lo logo abaixo (aconselho que aguardem carregar todo o vídeo antes de começar a vê-lo. Para isso, basta clicar no botão de play e quando começar a passar, você clica no pause. Daí é só aguardar a linha vermelha ficar toda preenchida e dar play novamente). Outra opção de ver o filme, talvez mais rápida, é clicar aqui.

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Verão é sinônimo de…

SolSol quente, praia, pele bronzeada (e uma cervejinha bem gelada, claro!). Eu concordo. A temperatura elevada é um convite irrecusável a um bom banho de mar. Mas é preciso acrescentar à listinha de coisas imprescindíveis ao verão o nosso amigo protetor solar. 

A exposição ao sol contínua e desprotegida pode causar lesões à sua pele, até danos irreparáveis. Com o tempo, começam a aparecer as consequências dessa ação devastadora: aspereza, manchas, rugas e os vários tipos de câncer de pele. Portanto, quanto mais cedo começar a se cuidar, melhor.

Então, para que você não use aquela desculpa esfarrapada de que não conhecia muito bem como funcionavam os protetores solares, tampouco sabia escolher entre as tantas marcas disponíveis no mercado, decidimos trazer aqui um guia para que você compreenda a importância do protetor e saiba fazer a escolha correta para o seu tipo de pele. O texto é longo, mas é para o seu bem!


Qual o seu tipo de pele?

Tipo I: peles extremamente brancas e muito sensíveis, com baixa quantidade de melanina. Nunca se bronzeiam e queimam com facilidade. Comuns em pessoas de olhos azuis, cabelos ruivos e com sardas.
 
Tipo II: peles brancas e sensíveis ao sol, que se queimam com facilidade. Adquirem um leve bronzeado. Frequentes em pessoas de olhos claros e cabelos loiros.
 
Tipo III: peles claras e sensíveis ao sol, comuns em pessoas brancas. Se protegidas, ficam bronzeadas gradualmente. Caso contrário, se queimam.
 
Tipo IV: peles levemente morenas e pouco sensíveis ao sol, que se bronzeiam com facilidade. São mais comuns em pessoas com cabelos castanho-escuros e olhos escuros.
 
Tipo V: peles naturalmente morenas e bem pouco sensíveis ao sol e às queimaduras. Ficam bem bronzeadas. Comuns em pessoas de cabelos e olhos escuros.
 
Tipo VI: peles negras, que raramente se queimam, mas conseguem ter sua cor acentuada pelo bronzeado.

 

Protetor solar

Como escolher o fator de proteção?

Quanto mais escura a pele, maior produção de melanina e proteção natural ao sol. Mesmo para as peles tipo VI, o FPS nunca deve ser menor do que 15! Peles tipo I e II devem preferir bloqueadores solares. As peles tipo III a V reagem bem aos protetores fator 50 e 30. Depois de alguns dias de exposição ao sol, o FPS pode diminuir para garantir o bronzeado.
 
No seu livro Beleza Levada a Sério, a dermatologista Denise Steiner explica que o FPS determina o tempo de tolerância da pessoa ao sol. “Imagine que uma pessoa vá à praia sem filtro solar e fique vermelha após 10 minutos. O fator de proteção solar 15 significa que após passá-lo, a pessoa poderá ficar um tempo 15 vezes maior antes de ficar vermelha”, ensina. O protetor ainda precisa ter fator UVA e UVB, para os ultravioletas dos tipos A e B.


Bronzeador, protetor ou bloqueador?

Bloqueadores – é o único que reflete a luz do sol e a impede de penetrar na pele. Composto por óxido de zinco, é popularmente conhecido como pasta d’água. Seu maior inconveniente é o estético pois, como não é absorvido pela derme, deixa um visual branco sobre o local aplicado.

Normalmente, o bloqueador também é encontrado na composição de protetores solares, cuja combinação é feita a partir de um agente químico que absorve a luz ultravioleta e outro que a reflete.

Protetores – A tarefa principal é impedir a ação do UVA e do UVB. Ele absorve os raios solares e impede a penetração mais intensa na pele. O sol age sobre nossa pele em qualquer horário do dia, mas de diferentes maneiras. Assim, o ideal é optar por protetores solares que combatam os dois tipos de raios, sejam resistentes à água e possuam em sua formulação bloqueadores solares. Quanto mais clara a pele, maior deve ser o Fator de Proteção Solar (FPS). Acima do FPS 15, os protetores também são chamados de bloqueadores.

BronzeadoBronzeadores – Como o objetivo é bronzear, esse tipo de produto não apresenta em sua composição filtros de raios UVA e UVB. O bronzeador contém substâncias que estimulam a pigmentação, mesmo que a pessoa não se exponha ao sol. O simples reflexo da radiação na areia da praia, conhecido como mormaço, já é o suficiente para produzir o efeito esperado. Por oferecer baixa proteção, o uso indevido pode causar sérias queimaduras na pele.

Autobronzeadores – Com eles o bronzeado é garantido do dia para a noite. A formulação é composta por substâncias que oxidam as células da camada mais superficial da derme e produzem um efeito semelhante ao da melanina – pigmento que escurece a pele para protegê-la do sol. A vantagem é que não causa danos à saúde.

Paciência é o principal segredo para obter uma cor uniforme. Se não for aplicado corretamente, pode haver acúmulo do produto e causar manchas no “bronzeado”. Por isso, dê preferência às versões em loção, gel ou spray.

A maioria dos autobronzeadores não possui filtros solares, funcionam como uma maquiagem. Por isso, não é aconselhado a exposição ao sol após sua aplicação sem a proteção adequada.

 

Exposição ao sol


Como e quando aplicar?

O protetor solar deve ser aplicado meia hora antes da exposição, em todo o corpo, sem esquecer orelhas, nuca, pescoço e até os pés. Para garantir eficácia, ele deve ser reaplicado a cada mergulho ou a cada duas horas – isso garante que o suor não leve o protetor embora.

Mas não é só quando houver exposição direta ao sol que você deve utilizar o protetor. Ele deve ser usado diariamente, mesmo nos dias nublados, com FPS 15, no mínimo, nas regiões que ficam mais expostas ao sol (rosto, pescoço, colo, braços e mãos).

Para estimular o hábito, deixe o produto em local visível ou próximo de seus itens pessoais. Isso irá ajudá-la a começar a ter disciplina. Seu uso contínuo retarda o envelhecimento da pele, prevenindo manchas e rugas.


Já me queimei demais, e agora?

Evite o sol até que as queimaduras deapareçam. Ingerir bastante líquido também é importante para hidratar a pele. Além disso, utilize um hidratante corporal suave, de camomilo ou aloe vera, por exemplo.

Compressas frias podem aliviar o incômodo. Se a queimadura estiver causando muitas dores, ou se há a formação de bolhas, procure um médico. Ele dará a melhor orientação para o seu caso.


Dicas importantes

*Preferência para horários em que seja menor a intensidade dos raios solares para se expor ao sol. Não é recomendável a exposição ao sol entre 10 e 16 horas;

*Não é aconselhável permanecer por longos períodos na mesma posição, como dormir por exemplo. O ideal é mudar de posição freqüentemente;

*Tomar sol moderadamente para que o efeito das radiações solares seja benéfico;

*Áreas sensíveis como rosto, lábios e cabeça, principalmente os calvos, necessitam de um cuidado maior e, portanto, de um protetor solar de FPS mais elevado;

Exposição ao sol*Durante a exposição solar, não é aconselhável a utilização de produtos como perfumes ou outros produtos não específicos, como receitas para descoloração dos pêlos. Eles devem ser evitados pois, em geral, promovem queimaduras e podem aumentar os casos de alergia, além de não protegerem contra os efeitos das radiações solares;

*Alguns produtos de uso diário, como batom e maquilagens, fornecem proteção natural pois, geralmente, contêm, em sua composição, agentes refletores de radiação solar;

*O consumidor também deve tomar cuidado com a utilização de certos medicamentos, como o ácido acetil-salicílico (aspirina), por exemplo, que em combinação com o protetor solar e o sol podem provocar reações alérgicas;

*Produtos importados devem trazer informações claras e em português quanto ao seu nível de proteção, tipo de pele indicado, modo de uso e demais informações que permitam sua utilização correta;

*Optar por guarda-sóis de algodão e de cor clara. A cor escura absorve radiação e calor. Tecidos de nylon produzem sombra, mas não protegem da radiação solar;

*Verificar qual é o fator de proteção mais adequado para o seu tipo de pele. Em caso de dúvida ou, se possível, sempre, devem ser utilizados os produtos com FPS mais elevados;

*O mormaço também ocasiona queimaduras. A brisa, por oferecer uma sensação refrescante, pode levar a pessoa a esquecer os efeitos nocivos do sol;

*A eficiência de um protetor solar está relacionada diretamente a sua utilização correta, ou seja, o usuário deve estar atento às instruções da embalagem quanto ao tempo de reaplicação do produto, levando em consideração fatores como a transpiração e o contato direto da pele com qualquer superfície que propicie a remoção do produto.

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Um poema para começar o ano

rosas_blog1O que dizer para quem acaba de acordar? Bom dia! vocês responderiam. Mas, o que dizer para quem acaba de acordar no primeiro dia de um ano novinho, cheio de possibilidades? A resposta foi encontrada por Fernando Pessoa, melhor dizendo, pelo seu alter-ego Ricardo Reis, em 1 de janeiro de 1916. A mensagem tem 93 anos, mas cabe perfeitamente nas nossas vidas. Vamos todos seguir o conselho de Fernando, que aliás já foi parafraseado pelos Titãs, vamos todos cuidar dos nossos jardins. E, nunca é tarde para desejar novamente: Feliz ano novo meninas e meninos!

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

(Fernando Pessoa, sob o heteronômio de Ricardo Reis, 1-1-1916)

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