Globo de Ouro – Os Vencedores

kate355A menina Kate Winslet saiu do Beverly Hilton Hotel com os dois principais prêmios da noite do Golden Globe Awards: melhor atriz – drama e melhor atriz coadjuvante. A outra moça premiada, na categoria melhor atriz – comédia, foi Sally Hawkins. Kate Winslet não sabia se agradecia os prêmios ou se pedia desculpas para Emma Thompson e Meryl Streep, as duas estrelas de primeiríssima grandeza que foram desbancadas pela inglesinha.

Entre os rapazes, surpresa geral no prêmio de melhor ator – drama: ganhou Mickey Rourke. Lembram dele? Astro absoluto entre os anos 80 e 90, protagonista de tórridas cenas no cult Nove Semanas e Meia de Amor, o ator amargou a decadência, caiu no ostracismo, enfiou o pé na jaca das drogas pesadas e foi resgatado pelo diretor de O Lutador, direto para um Globo de Ouro. Se a academia vai torcer o nariz e negar-lhe o oscar, só o dia 22 de ferevereiro dirá.

O melhor ator – comédia foi outra zebra da competição, o irregular Colin Farrel. Já o prêmio de coadjuvante entre os meninos, como era esperado, homenageou Heath Legder, morto no início do ano passado. Justiça seja feita, o seu Coringa merecia prêmio mesmo que ele não tivesse morrido.

Outro prêmio justo da noite foi o da animação Wall-E (Disney/Pixar) que superou Kung Fu Panda e Bolt – Supercão.
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Para saber os detalhes da premiação e conferir a lista de vencedores, clique no Cineinblog. E para ler mais críticas sobre o Globo de Ouro e ficar sabendo outras novidades de cinema, clique aqui no Cineinsite.

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Ah, o amor… em uma de suas facetas

Eu te amoNossa vida está repleta de conceitos, de definições. Para tudo temos uma explicação, qualquer que seja. Para tudo temos uma justificativa. Os argumentos, estes nunca nos faltam, por mais absurdos que sejam. Mas viver não seria tão magnífico se pudéssemos resumir em tão pouco nossa existência. Por isso nasceu o amor. Para contradizer, confundir, embaralhar. O amor tem razões próprias. Razões que fogem da nossa compreensão. Razões que ousamos dizer entender.

“E ele era o senhor de si, até que conheceu o amor”. É assim. Mesmo. Nestes termos. Somos senhores de nós mesmos até conhecermos o amor. Entregamos o posto de senhor a ele. Entregamos de bom grado. Nem sentimos que o estamos fazendo. Entregamos porque o amor é assim. Ele preenche cada centímetro do corpo e da alma. Ele nos alimenta. De uma alegria e felicidade plenas. De uma sensação gostosa. Gostosa de gosto. É quando tudo vale a pena só por gostar de gostar de quem gosta de nós.

Ama, apenas, quem sente. Não o amor, em si, porque talvez, em si, não exista amor. O amor é um conjunto. Um amontoado. Uma mixagem de coisas. De sentimentos que, somente juntos, transformam-se em amor. Não ama quem desconfia. Não ama quem desafia. Não ama quem ameaça. Não ama quem não respeita. Não ama quem trancafia. Não ama quem é desonesto, nem quem não nos deixa respirar. Não ama quem não se entrega, não ama quem não se esforça, não ama quem não se expõe.

O amor não é. O amor “são”. São todas estas manifestações, vezes correlatas, vezes desconhecidas, outras incômodas. Assim. O amor é um horizonte. Passamos a vida acreditando que um dia o alcançaremos, mas ele mantém-se distante, para que nunca percamos a vontade de persegui-lo. Ele está ali. A todo instante, ali, nunca aqui. Para que não cansemos dele. Para que não nos acomodemos por termos dissecado suas entranhas. Para que descubramos uma nova faceta, um novo vértice a cada tentativa.

AmorEle flui. Transforma. Metamorfoseia. Ele é o desconhecido. É o tudo. A síntese, tão difícil de ser feita. O amor não é traduzível, mas traduz. Uma fase, uma etapa, uma experiência, uma vida. Amar é sentir; antes de qualquer verbo, amar é sentir. O disparar dos batimentos cardíacos. O nervosismo inerente, descontrolador. A vontade de tocar. Encostar nem que seja o dedo mindinho na pele do outro. Observar, sorrir um sorriso espontâneo. O sorriso da presença. Um sorriso apaziguador.

O temor sufoca o amor. O medo e o desespero asfixiam, aprisionam. Amar é libertar. Em essência, amar é deixar livre, permitir voar. Correr riscos. Arriscado, sim, amar é arriscar. Saborosos, intensos, descabidos, sufocantes riscos. O voo pode ser longo e sem volta. Ainda assim, amar é deixar voar. É permitir a escolha. O amor não faz exigências; dá possibilidades. A escolha, esta caberá a cada um de nós.

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Globo de Ouro: Boas meninas em destaque em 2009

A seleção de atrizes que disputam os principais prêmios do Globo de Ouro, neste domingo, traz nomes consagrados do cinema. Não há surpresas ou grandes revelações, nenhuma beldade desconhecida que fez um único papel marcante e foi alçada a condição de estrela. Apenas o reconhecimento às mulheres que, independente de serem belíssimas, possuem grande talento. Algumas delas nem são mais tão jovens, mas o frescor da sua arte é deleite para os apreciadores de um bom filme. O destaque maior fica para a genial Meryl Streep, que concorre nas categorias melhor atriz – drama (Dúvida) e Melhor atriz – comédia (Mama Mia!). Conversa de Menina traz um pequeno perfil das atrizes concorrentes. Logo abaixo, a lista completa de todas as categorias e seus indicados.

ATRIZES QUE VALEM OURO

anneAnne Hathaway (O casamento de Rachel) – A atriz recebeu o mesmo nome da esposa do dramaturgo inglês William Shakespeare. A estréia ocorreu na TV, no seriado da Fox, Get Real, em 1999. No cinema, a carreira começou dois anos mais tarde, no filme da Disney Diário da Princesa – ela também fez as sequências -, no papel da heroina Mia Thermopolis. Em Brokeback Mountain se firmou como intérprete de talento em papéis mais adultos. É uma das mais jovens concorrentes, com 26 aninhos.

jolieAngelina Jolie (A Troca) – Ser citada como a senhora Brad Pitt ou lembrada apenas por filmes de ação como Thomb Raider, O Procurado ou Sr. e Sra Smith é injusto com a atriz que tem um Oscar na carreira. Em 2000 ganhou como melhor coadjunvante por Garota Interrompida. Formada em cinema pela Universidade de Nova Iorque, Jolie também é conhecida por suas ações humanitárias. A atriz tem 33 anos.

kristinKristin Scott Thomas (Il y a Longtemps que J’e T’aime) – A atriz britânica de 49 anos é uma colecionadora de prêmios. Só para citar alguns, ganhou um oscar por O paciente Inglês; um Lawrence Olivier Awards, por A gaivota; e o Bafta de coadjuvante por Quatro casamentos e um funeral.

merylMeryl Streep (Dúvida e Mama Mia!) – Aos 60 anos, Meryl Streep coloca muita menina no chinela. Basta ver o fôlego da atriz nos impagáveis números de dança da comédia musical Mama Mia. A atriz é multitalentos. Estudou ópera, música e arte dramática em Yale. Já recebeu 6 Globos de Ouro (O Diabo Veste Prada, Anjos na América, Adaptação, Kramer x Kramer, A escolha de Sofia, A mulher do tenente francês); dois oscares (A escolha de Sofia e Kramer x Kramer) e um Urso de Prata (As Horas), só para citar os mais importantes. Fora as indicações, quase todo ano ela concorre a alguma coisa e das vezes que não ganha, é injustiça da academia.

kateKate Winslet (Apenas um sonho) – A estréia da atriz no cinema ocorreu em 1994, no drama Almas Gêmeas, mas estourou mundialmente no melodrama Titanic, onde fazia par romântico com Leonardo Di Caprio. Os dois resgatam a parceria em Apenas um sonho. Aos 33 anos, ela evita ser taxada de mocinha romântica e por isso encara, com talento, personagens etéreos como a viúva mãe de três filhos que inspirou a criação da personagens Wendy (Peter Pan) no sensível Em busca da Terra do Nunca; ou a desajustada namorada de Jim Carrey em Brilho eterno de uma mente sem lembranças.

rebeccaRebecca Hall (Vicky Cristina Barcelona) – Também com 26 anos, a inglesinha foi vista ao lado de Hugh Jackman em O Grande Truque e também está no elenco de outro indicado ao Globo de Ouro deste ano (Frost/Nixon). Ganhou o prêmio Ian Charleson Prize, de teatro, em 2003.

sallySally Hawkins (Simplesmente Feliz) – Outra britânica no páreo, Sally Hawkins, 32 anos, chamou atenção da critica e do público por O sonho de Cassandra, de Woody Allen, que também dirige Vicky Cristina Barcelona. Ela pode ser vista ainda em Despertar de uma paixão.

francesFrances McDormand (Queime depois de ler) – A estrela maior dos irmãos Coen fez sua estréia no cinema em 1985, no filme da dupla de diretores Gosto de Sangue. Por Fargo, de 1995, ela ganhou o Oscar de melhor atriz. Aos 52 anos, a atriz coleciona ainda três indicações ao prêmio máximo do cinema: em 1988, por Mississipi em Chamas; em 2000, por Quase famosos; e, em 2005, por Terra fria.

emmaEmma Thompson (Last Chance Harvey) – Para rivalizar com Meryl Streep, só mesmo a britânica Emma Thompson, 50 anos. Atriz de cinema, tv e teatro, ex-roteirista da BBC e roteirista de cinema, é autora do roteiro do belo Razão e Sensibilidade. Ganhou um Oscar por Retorno a Howards End. Antes, havia sido indicada por Razão e Sensibilidade e por Vestigios do Dia e pelo genial Em nome do pai. Além do prêmio de melhor atriz, tem um Oscar pelo roteiro de Razão e Sensibilidade. Sete vezes indicada ao Globo de Ouro, ganhou também com o roteiro de Razão e Sensibilidade. Coleciona ainda cinco indicações ao Bafta e venceu, em 1997, o prêmio de melhor atriz no Festival de Veneza, por Momento de afeto.

CONFIRA TODOS OS INDICADOS, POR CATEGORIA:

Melhor filme – drama
O Curioso Caso de Benjamin Button
Frost/Nixon
The Reader
Apenas um sonho
Slumdog Millionaire

Melhor filme – comédia ou musical
Queime depois de ler
Simplesmente feliz
Na mira do chefe
Mamma Mia!
Vicky Cristina Barcelona

Melhor diretor
Danny Boyle (Slumdog Millionaire)
Stephen Daldry (The Reader)
David Fincher (O curioso caso de Benjamin Button)
Ron Howard (Frost/Nixon)
Sam Mendes (Apenas um sonho)

Melhor atriz – drama
Anne Hathaway (O casamento de Rachel)
Angelina Jolie (A troca)
Meryl Streep (Dúvida)
Kristin Scott Thomas (Il y a longtemps que je t’aime)
Kate Winslet (Apenas um sonho)

Melhor atriz – comédia ou musical
Rebecca Hall (Vicky Cristina Barcelona)
Sally Hawkins (Simplesmente feliz)
Frances McDormand (Queime depois de ler)
Meryl Streep (Mamma Mia!)
Emma Thompson (Last Chance Harvey)

Melhor atriz coadjuvante
Amy Adams (Dúvida)
Penelope Cruz (Vicky Cristina Barcelona)
Viola Davis (Dúvida)
Marisa Tomei (The Wrestler)
Kate Winslet (The Reader)

Melhor ator – comédia ou musical
Javier Barden (Vicky Cristina Barcelona)
Colin Farrell (Na mira do chefe)
James Franco (Segurando as pontas)
Brendan Gleeson (Na mira do chefe)
Dustin Hoffman (Last Chance Harvey)

Melhor ator – drama
Leonardo DiCaprio (Apenas um sonho)
Frank Langella (Frost/Nixon)
Sean Penn (Milk – A voz da igualdade)
Brad Pitt (O curioso caso de Benjamin Button)
Mickey Rourke (The Wrestler)

Melhor ator coadjuvante
Tom Cruise (Trovão tropical)
Robert Downey Jr. (Trovão tropical)
Ralph Fiennes (A duquesa)
Phillip Seymour Hoffman (Dúvida)
Heath Ledger (Batman O cavaleiro das trevas) – póstumo

Melhor filme estrangeiro
The Baader Meinhoff Complex – Alemanha
Everlasting Moments – Suécia/Dinamarca
Gomorra – Itália
Il y a longtemps que je t’aime – França
Waltz with Bashir – Israel

Melhor filme de animação
Bolt Supercão (Disney)
Kung Fu Panda (Dreamworks)
Wall-E (Disney/Pixar)

Melhor roteiro
Simon Beaufoy – Slumdog Millionaire
David Hare – The Reader
Peter Morgan – Frost/Nixon
Eric Roth – O curioso caso de Benjamin Button
John Patrick Shanley – Dúvida

Melhor trilha sonora
O curioso caso de Benjamin Button
A troca
Defiance
Slumdog Millionaire
Frost/Nixon

Melhor canção
Down to Earth – Wall-E
Gran Torino – Gran Torino
I thought I Lost You – Bolt Supercão
Once In a Life Time – Cadillac Records
The Wrestler -The Wrestler

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Livros para entender política e poder

Nãs se contente em ouvir o que te contam sobre poder. Há muito o que aprender, há muito o que pesquisar, porque há muito o que mudar em nossa sociedade. E, particularmente, não consigo conceber qualquer tipo de mudança sem que haja uma consciência coletiva. Aliás, há uma outra opção, claro. Derramar sangue. Para mim, são as duas formas de mudar a ordem: ou a gente vai se munir de informações e conhecimento e através deles buscar reconstruir esse mundo, ou vamos à luta, de mãos armadas, tirar a vida dos adversários.

Um dia, eu quis participar de um destes grupos revolucionários. Confesso que acreditava que a única forma de transformar nossa sociedade seria por meio da luta armada, do derramamento de sangue. Com o tempo, percebi que nenhuma nova ordem vai agradar a todos. E se pensarmos em reconstrução do sistema por meio da guerra, nunca sairemos dela. Afinal, sempre haverá aquele grupo descontente disposto a empenhar suas armas em prol do que considera uma sociedade justa. Por isso, desisti das armas.

Optei pelo conhecimento, por esgotar as ferramentas que estão às minhas mãos, os livros. Um dia, ouvi de alguém que os livros eram caros, inacessíveis a todos… Mas gente, vocês já pararam para checar quantas bibliotecas públicas há em sua cidade? Quais os volumes disponíveis nestes locais? Já visitou a biblioteca particular daquele amigo que gosta tanto de ler? Já foi às livrarias que te permitem sentar confortavelmente e degustar, ali mesmo, aquele mundo de linhas? Pois é. Acho que há uma questão pontual aqui, e se chama interesse.

O blá, blá, blá anterior é apenas para introduzir algumas sugestões de leitura que acho importantes para quem pretende compreender como funciona a estrutura do poder em nossa sociedade. São apenas algumas indicações e ficarei bastante contente se alguém tiver mais volumes a acrescentar. E vale ressaltar que nenhuma leitura deve ser feita como se se tratasse de uma verdade incontestável. Aqui são apenas algumas propostas de leitura, que levarão vocês a tantas outras, à formação de um posicionamento crítico sobre elas.

E, mais uma vez, reforço. Evoluímos muito socialmente, mas ainda temos problemas incontáveis a resolver. Portanto, mãos os livros. Talvez se compreendermos a formação de nossa sociedade possamos descobrir novos instrumentos de luta.

AOS LIVROS

Braviário dos PoliticosBreviário dos Políticos (Cardeal Mazarin) – A que meios deve um indivíduo recorrer para ampliar ou preservar seu poder? É o que tenta responder Jules Mazarin, chefe de governo da França no século XVII. Basta dizer que o cardeal era qualificado como um homem vil, desprezível, covarde, desonrado, mentiroso… No livro, ele traz uma série de conselhos para que alguém possa chegar ao poder. E esse alguém, ao contrário do Príncipe de Maquiavel (leia também!), pode ser você, por exemplo. Porque as observações de Mazarin são destinadas a qualquer um, que deve exercer o poder sem violência. O poder brota dos relacionamentos e, portanto, cada indivíduo pode, dentro da sua esfera de relacionamentos, exercer a sua parcela de poder. A partir da leitura do livro, você vai acabar identificando uma série de perfis de pessoas que convivem ao seu redor.

A Arte da GuerraA Arte da Guerra (Sun Tzu) – Qual é o verdadeiro objetivo da guerra? Para Sun Tzu, um general chinês que viveu há cerca de 500 anos antes de Cristo, é a paz. Para mim, toda guerra traz disfarçado o objetivo de conquistar o poder. Foi esse general quem escreveu este livro, que se transformou em um manual de estratégia militar. São treze capítulos, com inúmeras dicas sobre como vencer uma batalha. Em sua filosofia, fica clara a sua predileção pela vitória sem luta. Ele defende, inclusive, que é preciso tornar o conflito desnecessário. Mas, sendo necessária a luta, que o indivíduo ou a nação entre nela para vencer. E ele vai ensinar como. Não foi à toa que o general norte-americano H. Norman usou técnicas de guerra de Sun Tzu na Guerra do Golfo. As dicas do general, assim como tem acontecido com o livro de Maquiavel, têm sido adaptadas para as relações pessoais, profissionais e comerciais.

Do contrato SocialDo Contrato Social (Jean-Jacques Rousseau) – Rousseau é dos pensadores que mais defendeu a liberdade, considerando-a “direito inalienável e exigência essencial da própria natureza espiritual do homem”. Este livro é considerado uma das obras primas do filósofo suíço. Antecessor de Rousseau, John Locke acreditava que o homem podia ser privado da liberdade, desde que fosse por sua vontade. Deveria, então, haver seu consentimento. Rousseau vem para rebater esta teoria, defendendo que a liberdade é um bem irrenunciável, porque inerente à condição humana. Neste contexto, ele propõe a criação de um contrato social, que seria a base da realização da vontade comum. Imagine os indivíduos, de comum acordo, decidirem formar um tipo de sociedade específica, com a vontade social dirigida ao bem comum, à qual prometem prestar obediência? É o que propõe o contrato social.

A PoliticaA Política (Aristóteles) – Todo mundo já ouviu falar de Aristóteles, mas tenho certeza de que poucas pessoas de fato leram alguma coisa escrita por ele. Aliás, este filósofo grego escreveu sobre quase tudo: física, psicologia, biologia, metafísica, ética, direito, poética… e política. Neste livro, o pensador analisa o Estado existente como se fosse o único possível. Assim, sai na defesa da escravidão. Para ele, a sociedade escravocrata era mais que necessária, era fundamental. “Ora, se um homem pertence a outro, é uma coisa possuída, mesmo sendo homem. E uma coisa possuída é um instrumento de uso”, dizia ele. O discípulo mais ilustre de Platão, e que em muito contrariava suas idéias (é só ler A República, de Platão, para compreender o que estou dizendo)  diferenciou a política (doutrina moral social) da ética (doutrina moral individual). Para ele, a política era a ciência da felicidade humana.

Microfisica do PoderMicrofísifca do Poder (Michel Foucault) – Para este pensador contemporâneo, o poder é uma relação de forças, presente em todas as esferas sociais. Ele é exercido, praticado e não um bem que pode ser fruto de apropriação. É dele a frase “toda forma de saber produz poder”. No livro, ele cita uma frase de Nietzsche, muito apropriada para o seu estudo: “o bom não é o contrapeso das forças entre o mais forte e o mais fraco, mas sim a cena desse enfrentamento”. O livro ajuda a compreender as novas formas de poder, que deixam de basear-se na força e na legitimação religiosa. Hoje, sua materialização é identificada nas diversas formas de disciplina, não havendo, portanto, uma única forma de manifestação. Ele fala do poder que emana nos bastidores da sociedade, do poder que impõe uma barreira ao saber das massas, do poder dissimulado que está por trás das prisões, do poder como meio de dominação. Pra complementar, leiam também “Vigiar e Punir”, do mesmo autor.

A Armadilha da GlobalizaçãoA Armadilha da Globalização (Hans-Pete Martin e Harald Schumann) – Quem ganha e quem perde com a globalização? Em uma avaliação realizada por líderes mundiais durante reunião promovida pela Fundação Gorbachev em 1995, concluiu-se que, no século XXI, será necessária apenas 20% da força de trabalho para fazer girar a economia. Você imagina como viverá os 80% restantes da população? O livro discute os rumos da globalização, o problema da internacionalização descontrolada dos mercados, dentre outros temas. O Brasil está nas páginas do volume, trazido à tona pela dupla de jornalistas como um exemplo do quadro desigual composto de ricos confinados em guetos e de massas pobres lutando pela sobrevivência. Será que é no que nos transformaremos? O livro traz também alternativas, em busca da salvação da política (que hoje vive à mercê da economia) e da restauração da democracia.

estadomodernoUm Ensaio Sobre o Estado Moderno (Christopher W. Morris) – O autor é professor de filosofia de uma universidade norte-americana. É uma publicação bem recente, de 2005, que faz um estudo sobre os formatos dos Estados modernos. O Estado é a melhor organização social? Ele deveria existir? O livro traz uma discussão sobre as justificativas determinantes para estes Estados, é um exame filosófico sobre o tema. Traz também alternativas de organizações políticas e suas formas de legitimação. O texto mostra o fracasso dos Estados em correspondência à imagem que fazem de si. É uma leitura que nos ajuda a compreender esse modelo de organização social e política em que vivemos, que nasceu lá na Europa (França e Inglaterra) e contaminou o mundo.

 

Claro que existem centenas de outros livros importantes sobre o assunto. Mas aqui, pelo menos, já serve como pontapé inicial à nova visão de mundo que você quer desenvolver. E boa leitura!

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Leia tabém:
>> Livros que todo adulto precisa ler
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Um mês?! Passou tão rápido…

aniversario1Aniversário só se comemora de ano em ano. Mas conheci uma senhora e sua filha, alguns anos atrás, que comemoravam aniversário de mês em mês. A mãe me contou que quando sua primeira filha nasceu, ela ficou tão encantada com a novidade, que a cada novo mês de vida da criança comprava um presentinho para a menina. Um mordedor, um laço pra cabeça meio careca do bebê (naquele tempo, quando as meninas eram carequinhas, as mães usavam sabão para prender os lacinhos na cabeça. Era isso ou enfrentar a pergunta: Seu bebê é menina ou menino?), um brinquedo para o berço, um mobile…até o primeiro ano de vida da criança, os presentes se suscediam e renovavam o enlevo daquela mãe. Pois é gente, as duas mães deste singelo blog estão igualmente encantadas com a sua menina. Este post é um presentinho ao Conversa de Menina, que completa seu primeiro mês de existência hoje. Também é para agradecer aos amigos que dão a maior força, seja indicando bons temas para tratar no blog, revisando os textos ou divulgando a ideia. Agradecimentos ainda maiores e mais especiais para cada um de vocês que dedica alguns minutos do seu dia para papear com a gente. Os mais tímidos, que preferem ouvir (melhor dizendo, ler) obrigada de coração. Vem muito mais por aí…

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A arte do Feng Shui

Passeava por uma livraria, muitos anos atrás, a escolher uma nova publicação para ler. Na época, era ainda uma adolescente. Foi quando me deparei com um livro que tratava sobre o feng shui. Não levei o livro pra casa, mas levei a curiosidade e fui pesquisar sobre o assunto. Eu tinha gostado do nome.

                               Ba-guá

Nestas pesquisas descobri que era uma arte chinesa, nascida há cerca de cinco mil anos, voltada à criação de ambientes harmônicos. Equilibrando a energia dos ambientes, isso refletiria diretamente no convívio das pessoas dentro dele. A proposta é trazer mais felicidade, paz e tranquilidade. 

Ao longo do tempo, a arte foi-se adaptando à vida moderna e ganhou novos contornos. Hoje, há duas correntes principais, que se baseiam em princípios comuns, embora apliquem técnicas diferentes. A escola das formas se relaciona com os formatos das construções e a escola das direções é voltada à direção dos aposentos, das portas. 

Uma introdução ao feng shui (em inglês)

As teorias do feng shui reúnem conhecimentos do I Ching (livro da sabedoria chinesa), do equilíbrio entre yin e yang, e dos cinco elementos (madeira, água, fogo, terra e metal). E, claro, a filosofia não oferece cura para todos os males da sociedade, é mais um sistema que pode ser cuidadosamente utilizado para dar um novo rumo à vida.

O equilíbrio é conseguido através da energia Ch’i, vital e presente em tudo aquilo que se move e faz bem. Tudo o que é positivo é fonte de criação desta energia. Assim, o feng shui busca justamente organizar o ambiente, de forma que essa força superior flua e se dissipe pelo local. Só para esclarecer, no Feng Shui há dois tipos de energia Chi: o Sheng Ch’i, benéfica, e o Sha Ch’ i, negativa.

Dicas de feng shui tradicional (em português)

A base da filosofia é o Bá-Guá, uma figura geométrica de oito lados. Cada lado representa um aspecto ou área de interesse da vida da pessoa. Cada um dos lados tem uma significação e uma maneira de equilibrá-lo em relação aos outros, otimizando, assim, todos os aspectos de sua vida.

QUER EXPERIMENTAR?

Na internet:
Saiba como aplicar em casa, no trabalho e outras curiosidades
Feng shui e o tempo-espaço
Dicas básicas da arte
Está em busca de prosperidade?
Sugestões fáceis de aplicr em casa
Aplique o feng shui e dobre a energia sexual

Livros:
Há centenas de publicações sobre o assunto. Você pode fazer uma pesquisa básica na internet ou visitar a livraria mais próxima de casa. Com certeza as opções serão inúmeras. Mas se quiser alguma sugestão:
-A prática do autêntico feng shui (Raul de Sorôa)
-Manual do autêntico feng shui (Raul de Sorôa)
-Feng Shui: Como Viver Melhor em Sua Casa (Sarah Rossbach)
-Guia Completo Ilustrado do Feng Shui (Lillian Too)
-Feng Shui para o Amor e o Romance (Richard Webster)

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Cinderela boazinha?!

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*Texto da jornalista Andreia Santana

E por falar em histórias infantis que adultos devem ler e histórias escritas originalmente para adultos, mas que viraram clássicos para crianças, lembrei da Cinderela. Divido com vocês o pouco que pesquisei e o que aprendi com a minha irmã.

Esqueçam a fada madrinha. Também não tem carruagem de abóbora e ratinhos que se transformam em cavalos brancos de crina esvoaçante. Animais cantando e tudo mais, só no desenho da Disney. A Cinderela dos Irmãos Grimm, – a história, de origem popular, também tem uma versão de Charles Perrault -, não era mocinha chorona, esperando o milagre cair do céu. Que nada, a heroina original fez o próprio destino, usando um galho de árvore. Confiram neste trecho da obra:

Um dia, quando já está sofrendo com sua madrasta e suas irmãs, ela pede para o pai trazer um galho de árvore. Ela planta este galho de árvore no túmulo de sua mãe e o galho se transforma numa árvore. Cinderela vai todos os dias rezar no túmulo da mãe e aparece um pássaro branco que atende seus pedidos. Quando aparece a oportunidade do baile, Cinderela diz para as irmãs que quer ir… e as irmãs, de maldade, despejaram uma bacia de lentilhas no meio das cinzas do borralho (algo assim como uma lareira) e disseram que ela tinha que juntar todos os grãos. Ela pede ajuda para as pombinhas e aves do céu, que ajudam a Cinderela. Quando a madrasta e as irmãs saem para ir ao baile, a Cinderela vai até o túmulo da mãe, sacode a árvore e lá o pássaro branco joga um vestido lindo e um par de sapatinhos. Ela vai ao baile três vezes, faz o maior sucesso, mas sempre foge para o príncipe não descobrir onde ela mora. Mas na terceira noite, o príncipe joga piche (um tipo de cola) na escada e ela perde um sapatinho, que fica grudado no piche. Quando o príncipe foi procurar a moça cujo pé coubesse no sapatinho, a primeira irmã da Cinderela corta o dedão para caber no sapatinho… mas logo começa a cair sangue do sapato e ela é desmascarada. A segunda corta um pedaço do calcanhar, mas o sapato também começa a sangrar… e o príncipe devolve a moça. Finalmente, se descobre que é a Cinderela a dona do sapatinho.

O final da versão de Cinderela dos Irmãos Grimm também é violento:

No casamento da Cinderela, as pombas que a ajudaram, furam os olhos das irmãs que ficam cegas!

Geralmente, não se conhece esta versão, porque por muito tempo se julgou que continha elementos muito violentos e agressivos para serem contados às crianças.

OUTRAS CURIOSIDADES SOBRE A CINDERELA:

• Charles Perrault era uma figura literária menor na França do século 18. Em 1767 ele publicou Contes de la Mère l´Oie (Contos da Mamãe Ganso), que re-apresentava diversos contos populares como “A Bela Adormecida”, “Chapeuzinho Vermelho” e “Cinderela”. Na história colhida por ele, o rei sentenciou a madrasta e suas filhas a dançarem até a morte usando botas de ferro ferventes (uma forma de tortura popular na Idade Média).

• Existem cerca de 3000 versões do mito de Cinderela. Quase toda cultura ao redor do mundo tem uma: ela é conhecida como “Ye Shen” na China, “Tattercoats” na Inglaterra, “Mareouckla” para os eslavos e Gata Borralheira, no Brasil.

*Andreia Santana, 37 anos, jornalista, natural de Salvador e aspirante a escritora. Fundou o blog Conversa de Menina em dezembro de 2008, junto com Alane Virgínia, e deixou o projeto em 20/09/2011, para dedicar-se aos projetos pessoais em literatura.

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Quando chega a hora de dizer adeus

É difícil lidar com o fim de uma relação. Ainda que ela já não te faça sorrir como antes, mesmo quando alguma coisa dentro da gente diga que está na hora de colocar um ponto final, ainda assim é difícil. Sempre tentamos arranjar um motivo que justifique o fim, buscamos o culpado, queremos explicações. Talvez porque seja mesmo difícil lidar com nossos fracassos. Fomos criados para vencer, para ganhar, e costumamos enxergar o fim de uma relação como uma derrota, um fracasso. E estampamos no peito: “não deu certo”.

“… E foi o fim pra nós dois, nada restou pra depois.
Foi bom enquanto durou
esse romance, esse amor. Pena que acabou…”

Criamos uma rotina. E o mais doloroso é sair dessa rotina, é mudar os hábitos bruscamente, é ter de arrancar de sua vida, de uma hora pra outra, uma pessoa com quem você dividia cada sonho, com quem você fazia planos a longo prazo… Tudo muito rápido e, pior, com aquela sombra maldita do fracasso. Não tem mesmo como não doer. A dor faz parte do processo, infelizmente. Não há como pular essa parte, se ainda existe um pinguinho de sentimento pelo outro. Aí você fica pensando, tentando descobrir o que deu errado, se arrepende de tanta coisa…

“… Por que que todo amor não dura eternamente?
E quando tudo acaba a gente sente.
Senti o mundo desabando em mim…”

Pode ser que você se conforme logo. Pode ser que lá no fundinho do coração, embora a dor seja insuportável e as lágrimas insistam em despencar de seus olhos, você encare o fim como a única saída. Mas também pode bater o desespero. A sensação que o chão se abriu, que você está em queda livre, que esse sofrimento não vai passar nunca. O desespero pode fazer você tomar atitudes impensadas. É capaz de você correr pra ele(a), se ajoelhar aos seus pés, implorar pra voltar de qualquer jeito, chorar descontroladamente até soluçar…

“… O nosso amor pode durar para sempre. Então por que não volta
pra que eu possa me entregar,
te sentir em minha vida eternamente…”

Só que quando chega a hora, não tem jeito. Normalmente, esse momento acontece depois de muita tentativa. Quando chega a hora de dizer adeus, é sinal de que as coisas já não estavam no caminho certo há algum tempo. A gente costuma insistir, tendemos a arriscar até não suportar mais. E ainda quando está insuportável, achamos que ainda há uma chance de corrigir, de reequilibrar. Até que um dos dois deixa de acreditar. Até que um dos dois cansa de tentar, desiste dos dois. E quando um desiste, nenhuma tentativa é capaz de reverter a situação.

“…Você vem me condenar, mas sabe que errou também.
Olhe pra dentro de nós,
no jardim já morreram as flores, nossas fotos perderam as cores…”

Aí, só nos resta seguir em frente. Porque a vida não para, não dá trégua. O tempo, ele não vai parar esperando por nós. Se acabou, é porque foi melhor assim. É porque o ciclo daquela relação se fechou. É porque outras surpresas esperam por ti lá na frente. Não dá pra arrancar a dor do peito, mas dá pra sobreviver e suportá-la até que tudo o que aconteceu fique para trás. Se chegou a hora de realmente dizer adeus, é porque você já tentou de tudo, é porque alguma engrenagem emperrou, é porque está na hora de dar um novo rumo à vida…

“… Vou seguir em frente, vou tentar mais uma vez.
Nada foi em vão, perder você foi solução,
já dei liberdade para o meu coração voar…”

Um dia, tudo será passado. E esta terá sido apenas mais uma relação que acabou. Um dia, depois que a dor passar, depois que a cabeça esfriar e o coração desacelerar, você vai poder avaliar com mais sensatez tudo o que viveu. É possível que você tenha consciência de que foi melhor assim. É possível que você chegue à conclusão de que talvez vocês pudessem ter dado uma chance a mais. É possível que outra pessoa entre tão rápido em sua vida que você nem pense mais nisso. As possibilidades são inúmeras e são elas que nos incentivam a seguir em frente. Sempre.

“…Amanhã, semana que vem, ou mês que vem, quem sabe?
Vou ganhar o meu pedacinho de felicidade, 
um alguém que queira alguém desse meu jeito assim…”

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Traição, infidelidade e afins

Tudo bem que prestar atenção na conversa dos outros não é lá uma coisa muito bacana de se fazer. Em certos momentos, no entanto, acho isso meio inevitável. Talvez o fato de ser jornalista (curiosa por natureza), aliada à condição de mulher (que consegue se concentrar em coisas diversas ao mesmo tempo) seja decisivo… Não importa. Fato é que o diálogo alheio é sempre recheado de elementos para se discutir, analisar. 

Nesse papo que segue lá embaixo, as mulheres são sonsas, os homens são canalhas e imbecis… sem considerar os adjetivos, verdade é que eles têm razão em um ponto: a fidelidade é cada vez mais rara em nossa sociedade, tanto entre os homens quanto entre as mulheres. Eu já ouvi de tudo nessa vida. Um amigo certa vez sugeriu que eu enveredasse pela psicologia, de tanto que as pessoas vêm me pedir conselhos. Mas não tive essa ambição. Já basta conviver com meus próprios problemas e os dos meus amigos.

TraiçãoMas, voltando à questão, o que eu já ouvi de histórias sobre traições… Tem umas que me deixam realmente de boca aberta. Uma das mais cabeludas que ouvi, compartilho com vocês. A menina disse ao namorado que estava na casa da amiga e esqueceu de avisar à tal amiga da sua trama. Tarde da noite, o namorado da menina começa a ligar insistentemente para o celular da tal amiga… Desconfiada, a amiga pega outro telefone e liga para a namorada do rapaz e descobre que ela estava com um outro carinha em qualquer lugar da cidade.

Prática, a namorada foi com o tal carinha para a casa da amiga e de lá ligou para o namorado, explicando que tinha esquecido o celular em casa, numa outra bolsa, blá, blá, blá… depois de dois minutinhos de discussão, o pobre coitado do namorado se convenceu da história, afinal ela tinha ligado pra ele do celular da amiga, então, só poderia estar com ela!!!! Ao desligar o telefone, ela seguiu com o tal carinha pelo mundo, o namorado sabe-se lá o que foi fazer e a amiga foi dormir na santa paz do Senhor…

Pois é. Pergunto-me onde tudo isso vai parar… Será que vamos voltar ao tempo em que vivíamos relações conjugais em grupos? Seremos futuramente uma sociedade poligâmica, onde ninguém é de ninguém, ou, aliás, onde muitos serão de muitos? Alguns argumentam falando que isso é da natureza animal… exemplificam com as relações que a maioria dos animais mantêm, sem vínculos de afeto. Para mim, no entanto, tem um aspecto importante a ser levado em conta: somos racionais. Temos sentimentos… Nos magoamos, sofremos, amamos…

InfidelidadeNuma conversa com um amigo, ouvi dele que “o que os olhos não veem, o coração não sente”. Realmente, não há como duvidar disso. O que eu questiono, no entanto, é com relação à honestidade. Porque a gente não precisa estar com alguém. Podemos, inclusive, manter várias relações simultâneas, sem assumir qualquer tipo de compromisso. Contanto que haja honestidade. E se você não está a fim de abrir mão de parte de sua liberdade, ou abrir mão de outras mulheres ou homens maravilhosos que vão te dar o maior mole por aí, pra que assumir um compromisso com alguém? Pra que fazer promessas que você não está disposto a cumprir?

Tudo perpassa pela fase social pela qual passamos. Os valores estão soltos por aí, muitos deles invertidos. As pessoas tentam encontrar um lugar ao sol, embora esqueçam de se preocupar com o caminho que precisam seguir. Os homens andam assustados com esta mulher moderna que chega junto, que ataca. As mulheres, cansadas de serem vítimas da sociedade machista, começaram a agir como homens. Incorporamos as coisas boas e as ruins também. As pessoas se orgulham de ser infiéis, de trair. A verdade perdeu credibilidade e chegamos ao estágio onde tudo pode não passar de uma grande mentira.

O PAPO DOS OUTROS QUE GEROU ESSE POST

Ela: “Os homens são uns cafajestes mesmo… Não valem nada. Na frente da namorada é “meu bem” pra cá, “eu te amo” pra lá… Mas quando estão com os amigos a conversa é só sobre as gostosonas todas que eles querem pegar, sobre os zigs que vão dar na namorada…”

Ele: “Mas as mulheres não ficam atrás não, viu? São umas sonsas… Tenho umas amigas mesmo… Fico pensando como é que elas conseguem… E mulher ainda é pior, porque esconde até das amigas pra não correr o risco de ser denunciada. Depois ficam falando dos homens…”

Ela: “Pior é que está tudo igual mesmo. Ninguém mais presta… É um querendo se dar melhor que o outro. Agora, quem trai é que é bem visto, é quem tem moral… Ser fiel e respeitar virou cafonice… Eu vejo nas minhas rodas de amigos. Quando um deles é fiel, coitado, fico até com pena. Os amigos castigam.”

…

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De onde vem a família moderna

Família. O que vem à sua cabeça ao pronunciar esta palavra? Talvez a primeira coisa em que você pense seja seus pais, irmãos, avós, tios e primos. O assunto família é um dos que mais me instiga. Talvez por isso eu tenha fuçado alguns livros que falam sobre sua evolução histórica. “Que assunto mais chato”, há quem pense assim. Pra mim, esse conhecimento do contexto de formação da unidade familiar contemporânea ajuda muito a compreendermos tantos dramas sociais que se desenvolvem hoje nas relações conjugais. Ajuda a entendermos nossos papéis, de mulheres, nisso tudo.

Fazendo uma passagem relâmpago pelo estudo da evolução das relações conjugais, a gente vai perceber que houve momentos históricos bem pontuais. Passamos das relações grupais para as individuais. Tudo começou com uma fase de promiscuidade sexual, anos lá atrás. Apesar do significado pejorativo que o termo já adquiriu na sociedade moderna, aqui estou tratando a promiscuidade apenas como as relações carnais desenvolvidas em uma determinada época em que não havia restrições impostas pelos costumes sociais. A sociedade não exigia a fidelidade masculina, então, naquela época, trair fazia parte do sistema.

FamiliaConsaguínea, punaluana, sindiásmica – Quando nasceu a família consanguínea, em que os grupos conjugais classificavam-se por gerações, ainda havia as relações grupais. E assim permaneceu com a chegada da família punaluana, quando foram proibidas as relações sexuais entre irmãos dentro dos grupos. O primeiro passo para as relações individuais veio com a família sindiásmica, em que um homem vivia com uma mulher, sem, contudo, perder o direito à infidelidade casual. E, então, vimos nascer a tal da monogamia, que, a princípio, garantia o direito à infidelidade masculina. O Código de Napoleão trazia expressamente esse direito, desde que a concubina não fosse levada ao domicílio conjugal.

O que eu acho mais curioso de tudo isso é a razão da formação das relações monogâmicas. A principal finalidade, naquela época, era tornar indiscutível a paternidade dos filhos. Não, meus caros, os homens não se tornaram fiéis por amor à mulher, por valores maiores. Nada disso. A aparente fidelidade masculina nasceu para garantir que a riqueza fosse mantida dentro da família. Porque com a morte dos pais, os filhos tornavam-se herdeiros diretos de seus bens (se bem me recordo das aulas de direito de família, antigamente o parentesco era considerado juridicamente até o 10º grau, justamente para garantir que a herança ficasse dentro daquele círculo familiar).

Nesse contexto, nós mulheres precisávamos aceitar tudo isso e, mais ainda, precisávamos ser fiéis. Imagina carregarmos em nosso ventre um filho de outro homem? Imagina descentralizarmos as riquezas de nossa família? É fácil perceber que a monogamia nasceu para escravizar um sexo ao outro e acabou fazendo surgir na sociedade expressões como “o amante da mulher casada” e, até, “o marido corneado”. Em toda a trajetória, a mulher sempre foi reprimida e submetida aos desmandos masculinos. Passamos a história caladas, obrigadas a nos manter em silêncio, obrigadas a aceitar tudo isso.  Fico um pouco angustiada lendo sobre estas questões, porque vejo que sempre acabamos nos reafirmando a serviço do capital, como falei certa vez em um post anterior.

Familia modernaHora de comemorar – Mas por outro lado, conseguimos conquistas valiosas ao longo da história. A ponto de hoje assumirmos uma produção independente, por exemplo, e, ainda assim, podermos chamar de família este núcleo familiar composto por duas pessoas, sem a presença de um homem para garantir o sustento. Esse novo conceito de família, devo dizer, me traz um certo alívio. Podemos decidir, escolher, podemos ter filhos sem mesmo precisar que um homem aceite a idéia. E isso, de alguma forma, traz uma sensação de liberdade.

Minha intenção aqui não é fazer julgamentos. Não vou tratar de qual a melhor forma de se criar um filho, ou qual o melhor tipo de família…  O propósito deste post é apenas de fazer com que nós, mulheres, possamos sentir orgulho de termos superado fases tão cruéis, de termos sobrevivido a tantas agressões sociais e, hoje, podermos estar aqui, discutindo estas questões. Podermos estar aqui decidindo que tipo de família queremos constituir. É um avanço, meninas. Um avanço considerável. Claro que há muito ainda a alcançarmos, mas preciso dizer que, analisando de onde começamos até onde chegamos, só posso concluir, orgulhosa, que somos vencedoras.

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Trecho do livro, para refletir:  “Assim, pois, o que podemos conjecturar hoje acerca da regularização das relações sexuais após a iminente supressão da produção capitalista é, no fundamental, de ordem negativa, e fica limitado principalmente ao que deve desaparecer. Mas o que sobreviverá? Isso se verá quando uma nova geração tenha crescido: uma geração de homens que nunca se tenham encontrado em situação de comprar, à custa de dinheiro, nem com a ajuda de qualquer outra força social, a conquista de uma mulher; e uma geração de mulheres que nunca se tenham visto em situação de se entregar a um homem em virtude de outras considerações que não as de um amor real, nem de se recusar a seus amados com receio das conseqüências econômicas que isso lhes pudesse trazer. E, quando essas gerações aparecerem, não darão um vintém por tudo que nós hoje pensamos que elas deveriam fazer. Estabelecerão sua próprias normas de conduta e, em consonância com elas, criarão uma opinião pública para julgar  a conduta de cada um. E ponto final.”

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