Amizades “solares” e amizades “pé no chão”

*Texto e reflexões de Andreia Santana

Acordei com vontade de refletir sobre a amizade, um tema que já foi abordado aqui no blog algumas vezes, mas que é daqueles recorrentes. Fiquei pensando nos diversos grupinhos por onde transitamos e também no que certos amigos podem significar para nós. Lembrei das amizades “solares” e daquelas “pé no chão”, todos conhecemos amigos assim. O que me motivou foi um trecho de uma oração que li ontem à noite. Quem costuma acompanhar o que escrevo, aqui ou nos outros blogs que mantenho, sabe que não tenho religião definida e nem gosto que tentem me convencer a abraçar uma. Mas tenho um sentimento, digamos, de religiosidade filosófica, que transcende os credos. Talvez essa “conexão mística reflexiva” venha do interesse enorme pelas mitologias: a oriental e a ocidental.

Mas, qual a relação da religiosidade com amizade? Já explico. Na oração que estava lendo, um dos trechos da novena para Santa Edwiges, de quem minha mãe é devota, há uma meditação de São Thiago – o apóstolo – sobre o silêncio, mais precisamente o não pecar por palavras. Basicamente, o trecho fala da necessidade de saber calar, de não “se divulgar o que os outros não tem o direito de saber”. Mais adiante, em outra frase, o santo reflete o seguinte: “Quantas vezes a falta de silêncio em torno de certos assuntos não é também uma falta de caridade!”

E aí é que faço a conexão entre essa oração lida e minha inquietação com a amizade. Em outras ocasiões já defendi que gosto sempre de saber a verdade, mesmo que ela doa. Mas, refletindo um pouco mais a questão, tem momentos na vida em que é melhor não saber por exemplo, o que dizem pelas nossas costas. Isso porque, de nada vai servir saber que alguém não gosta de nós a ponto de destilar veneno sempre que possível ou mesmo de criticar uma decisão ou trabalho nosso, sem sequer ter se dado ao trabalho de investigar melhor o tema ou as nossas motivações para agir de uma forma e não de outra.

Pessoalmente, prefiro saber  daqueles que gostam de mim, relegando à mais fria indiferença os que não gostam. Também tenho verdadeira repulsa por frases do tipo: “só estou te contando isso para abrir seus olhos”. É aqui que entraria o que São Thiago chama de falta de caridade e que eu, no meu modo “pagão”, chamo é de falta de respeito, de carinho e de solidariedade. E sim, amigos, mesmo que sem intenção declarada, são capazes de cometer tanto falta de respeito, quanto de carinho ou solidariedade. E nós também. Basta fazer um exame de consciência profundo, que em algum momento iremos encontrar uma frase, uma resposta, uma palavra desferida na direção de um amigo com a precisão de uma flecha no peito. Por menos que gostemos de admitir, há momentos em que somos cruéis ou então, vítimas da crueldade, até mesmo dos mais íntimos.

Voltando aos dois tipos de amizade que estou analisando aqui neste post, nossos amigos “pé no chão” são aqueles que vira e mexe nos puxam para a realidade dura da vida, geralmente quando estamos “viajando demais na maionese”. Eles são mais que necessários para contrabalançar as forças, principalmente se temos uma tendência a devanear em excesso e alguma dificuldade de retomar o foco depois. Mas, esses mesmos amigos “pé no chão”, em alguns momentos, perdem a medida. Há ocasiões, bem sabemos, em que a verdade não precisa ser jogada na nossa cara com tanta veemência, ou que temos até o direito de quebrar a cara para ver como é a sensação. Não é necessário mentir ou adoçar a pílula como diz o ditado, mas basta fazer silêncio. Não tocar naquele assunto que abre feridas, não azedar o dia com as fofocas de bastidor que infelizmente, tornam-se cada vez mais norma neste mundo. Não exercer a crueldade infantil da pirraça, provocando discussões bobas.  Não fazer uma crítica só pela crítica, sem de fato contribuir para o crescimento do outro. E aqui, vale um adendo: em alguns casos, essa necessidade tão grande de nos “puxar para a realidade” nada mais é do que uma estratégia que nosso amigo “pé no chão” tem de estar sempre certo, de apontar o dedo e dizer: “eu não te disse!”

Até a lua, mantém sempre uma face oculta

Amigos, por mais íntimos, não estão insentos do sentimento de superioridade e tampouco de sentir inveja. Antes de ser o confidente de todas as horas, ele é humano e como tal, está apto a querer a vida do outro se essa parecer mais interessante que a sua própria. A questão não é sentir, mas saber o que fazer com os sentimentos. A sabedoria não é apregoar aos quatro cantos a perfeição muitas vezes inexistente, mas admitir a imperfeição e buscar mudar de postura. No mínimo, avaliar se aquela crítica ou “puxada para realidade” tem a real motivação de ajudar ou é só uma forma de “punir” o outro por ele ser ou ter aquilo que nos falta.

Já os amigos “solares” tem uma vantagem em momentos de necessidade de silêncio ou naqueles de dor. Eles podem não servir para analisar a questão com você sobre todos os ângulos possíveis e nem vão te jogar verdades na cara que o farão amadurecer, tampouco são os melhores trabalhadores por uma causa e nem pense que vão segurar sua barra, dividir a responsabilidade por um projeto, doar-se sem esperar recompensa. Mas certamente, saberão elevar o seu astral. Com sorrisos, conversas frívolas, distrações, os amigos solares irão desviar o seu foco da ferida e fazer com que você relaxe. E, de maneira indireta, essa também é uma valiosa contribuição, porque quando nos afastamos de nós mesmos, quando estamos tranquilos para pensar melhor no assunto, geralmente a solução para aquela crise surge como num passe de mágica.

Amigos “pé no chão” tendem a bancar nossos pais, mesmo de forma inconsciente, porque estão eternamente preocupados com o nosso bem-estar e perguntam tantas vezes como estamos nos sentindo, que acabam nos fazendo passar mal. Interpretam qualquer sinal de cansaço, desânimo e melancolia – somos humanos e propensos a qualquer desses momentos na vida -como sinais de fraqueza ou instabilidade. Isso porque geralmente, os amigos “pé no chão” são ou buscam ser pessoas muito centradas. No entanto, é bom que eles lembrem que a instabilidade faz parte da essência humana tanto quanto a certeza. Ninguém é uma coisa só, nem a Lua, que sempre mantém uma de suas faces na sombra. Mas, temos de reconhecer, sem um bom “amigo pé no chão”, corremos o risco sério de cair na autopiedade ou de nos perdermos em ilusões que podem nos ferir mais profundamente. Além disso, ao contrário dos “solares”, esse tipo de amigo carrega o piano com você.

Ferris Bueller (na foto, à frente), o típico amigo "solar"

Os amigos que chamo de “solares” são aqueles que tem a capacidade de tornarem-se um bálsamo naquelas horas em que não queremos analisar ou decidir nada, mas apenas viver um dia de cada vez. Eles que costumam incentivar todas as nossas loucurinhas, inclusive escolhem a jaca mais madura para que a gente enfie o pé. Podem não ser úteis para apontar nossos defeitos, nos fazer crescer e assumir responsabilidades, mas nos divertem e a vida sem diversão é impraticável. Uma vez que ele leva a vida despreocupadamente, pode perder o limite tênue que separa a independência do egoísmo, ou confundir autoestima elevada com egocêntria. Ou ainda, não perceber que a hora do recreio acabou. Mas para isso, para lembrar que toda diversão tem um fim, é que existem os “amigos pé no chão”, com sua sisudez e um pouco de peso que mantém o equilíbrio do nosso senso de gravidade.

Não pretendo aqui eleger qual tipo de amizade é mais valiosa, se a “pé no chão” ou a “solar”. Tampouco estou afirmando que não existam pessoas que tenham um pouco de cada, mas essas são criaturas raras. Quero apenas mostrar – acredito nisso – que há momentos na vida em que nos inclinamos mais para um tipo do que para outro.

De qualquer modo, a única maneira que conheço de fazer com que tanto um tipo de amigo quanto o outro respeitem os seus momentos de luz ou de sombra é falar para eles, sinalizar que naquele momento, você quer mais leveza ou mais responsabilidades na relação.

Tendemos a achar que nossos amigos nos conhecem com perfeição e que por isso não precisaríamos ficar sinalizando nada. Ledo engano. Se nem nós mesmos nos conhecemos com profundidade, como um amigo, mesmo aqueles trazidos desde a infância, vão conhecer? Geralmente, eles usam  a si mesmos como parâmetro para se comportar e relacionar conosco. Todos nós fazemos isso, levamos para uma relação aquilo que temos. E o que temos de fato é a nós mesmos, nossas convicções, os aprendizados, a educação que recebemos, nosso modo de apreender o mundo, que não é – e nem deve ser – igual a dos outros, independente de ser uma amizade antiga.

Bem sei que jogar com todas as cartas na mesa às vezes é utopia, porque se para algumas pessoas a transparência é importante, para outras suscita mal-entendidos, mágoas e interpretações equivocadas. Mas na medida do possível, é preciso dizer ao outro como nos sentimos em relação às suas atitudes. Independepente do tipo de amigo que você cultive, uma coisa é certa, ele não vêm com bola de cristal.

*Andreia Santana, 37 anos, jornalista, natural de Salvador e aspirante a escritora. Fundou o blog Conversa de Menina em dezembro de 2008, junto com Alane Virgínia, e deixou o projeto em 20/09/2011, para dedicar-se aos projetos pessoais em literatura.

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Artigo: A vitória das ruas

O artigo que selecionei para esta quarta-feira foi escrito pela jornalista Marli Gonçalves e chegou via email direto de São Paulo, para nos brindar com uma reflexão madura, divertida, sensata e ao mesmo tempo lúdica sobre a necessidade da comunicação olho no olho, do contato físico e da interação nas ruas. Apesar da violência urbana crescente nas grandes capitais, Marli defende que precisamos reconquistar a rua como espaço social de convivência. Vale a pena ler tudo! E para efeitos de organização da blogagem, a quarta agora é o dia oficial dos artigos escritos por convidados e demais especialistas que nos enviam conteúdo de primeiríssima qualidade, sempre publicado com a devida autorização e citação da autoria, lógico!!!

**A vitória das ruas

por *Marli Gonçalves

Nas ruas vemos as pessoas completas, corpinhos com perna e tudo o mais, inclusive o rebolado. Nos carros vemos só as cabecinhas. Nos shoppings são todos muito iguais. Na internet todo mundo mente muito. Telefone ainda não tem visor, a não ser por câmeras. E-mails e salas de bate-papo não podem andar zanzando com fotos por aí. Agências de relacionamento são caretas. Às ruas, pois! Às praças, parques, praias! Só assim poderemos nos encontrar.

Conheço quem pega o carro para ir daqui até ali, sem qualquer justificativa ponderável; por exemplo, alguma dificuldade motora, ou uma chuva torrencial. A pessoa só se sente segura dentro das latinhas com roda, aquilo a ajuda a superar as barreiras e fronteiras da vida; às vezes, até a própria timidez e comportamento. Todos os vidros fechados, de preferência escuros, aquela coisa horrível. Se tiverem grana, pior, os carros serão tanques blindados. Nunca mais aquela paquera gostosa do meio do trânsito!

Conheço quem não saiba andar nada na cidade sem se perder, nem pelas áreas centrais, e nunca sai dos limites de seu cotidiano, quase decorados, reprisados dia a dia. (Todos têm GPS). Não imaginam e nem se interessam pelas constantes transformações da cidade onde moram. Nem percebem as mudanças, sejam elas positivas ou negativas. Em geral, já que não reparam, é tudo ruim, estragado, feio, e elas não estão perdendo nada. Se abrissem os olhos…

Ledo engano. Não dá mais para viver sem as ruas. Sem elas, sem seu cheiro, buracos, as suas pessoas, nós ficamos míopes, ou ciclopes de um olho só. Não poderemos perceber um palmo adiante do nariz, nem comparar vivências, nem aprender, muito menos reivindicar. E o pior: quando fui procurar vantagens das ruas, lembrei-me dos malditos shoppings, ex-ilhas de segurança, onde todo mundo parece vestir, pensar, andar, fazer, falar, mostrar igual. Onde as moças andam com aquele jeitinho, de calça jeans skinny, scarpins e bolsas coloridas, cabelos escovados à enésima, e as crianças parecem saídas das revistas.

Vamos para as ruas. Onde mais tanta gente completamente diferente entre si? Onde mais toda a realidade social?

Surtei. Além dos shoppings, a violência entra em hotéis e residências, toma reféns, machuca e causa mortes.

Cena do game The Sims, que simula realidade virtual em uma praça, local por excelência da interação social nas grandes cidades. A proposta da jornalista Marli Gonçalves, porém, é que a convivência não seja meramente virtual e se converta no bom e velho contato físico no mundo aqui fora e nas praças reais

Vamos para as ruas. Todos os bairros, todos os lugares hoje têm lojas, coisas, fico boba de ver tal variedade. Antes não era assim. Nas ruas, se retoma o sentido das vilas, das comunas, da convivência. É isso que traz a segurança. Movimento.

Surtei de novo e logo eu, que não gosto de muvucas, muito menos de andar em grupos, pensei que agora deveremos passar a andar em montinhos, todos juntos, uns defendendo os outros, compactos. A garotada já se deu conta disso, e é comum hoje vermos grupos de quinze, vinte jovens, andando juntos, para o bem e para o mal. Aqui no meu pedaço, umas hordas de lombriguinhas engraçadas e quase andróginas, perninhas finas, cabelinho, e forte disposição de ser diferente. Melhor: as apresentações de seus shows particulares acontecem nas ruas. Ou são tatuados, ou usam boné, ou deixam o cofrinho de fora; cada grupo, um código. Não é mais West Side Story. É outra coisa. É a vida mudando; as gerações passando, novos guetos se formando. O aquecimento global, cromossomos XX, XYZ, genomas e genéticas, seus efeitos.

Lembrei com saudades das pracinhas do interior, do footing; das casas com janelas e portas abertas, mesmo que no mesmo nível das calçadas, Na praia ainda tinha um pouco disso, mas faz tanto tempo que não viajo que posso até já estar errada.

Onde mais encontrar o outro? Meninas, ele não bate na porta! Meninos, ela não vai cair do céu. Dá uma olhada como andam os bares na hora do tal happy-hour! Percebe que está mudando? Não tem muito mais gente, pegação, hora da alegria?

Acho também que acabou sendo uma colaboração da Lei antifumo que se espalhou pelo país, pior que bituca acesa na palha. Hoje lota qualquer berimbau, boqueta, pé-sujo, biboca, barraquinha de hot-dog, beira de esquina. Lota. Não que todos fumassem. Mas é que a convivência entre fumantes e não-fumantes é, acredito, de formação, pacífica, e um vai com o outro lá fora fumar, igual mulher quando vai ao banheiro. Tudo bem. Olha só: efeito positivo! Mais gente nas ruas. Inclusive nos passeios e calçadas. Não estou falando?

As ruas são todos os estilos musicais, formas, físicas e mentais, qualquer mistura possível de ver. Onde mais conheceríamos tantas raças de cachorros? Tantas cores de cabelos? Onde mais, homens e mulheres apaixonados andando de mãos dadas, um com um ou com outro e outro, também? Diversidade chama diversidade e criatividade. Onde mais mulheres muçulmanas, monges budistas, judeus ortodoxos, indianos com seus sáris, a neguinha com chapéu? O típico cafetão das ruas nova-iorquinas de cinema e o cabeça-chata, lado a lado, puxando incautos para os shows da noite de néons da Rua Augusta? A exposição de carros-jóias de todas as cores atrás de vitrines de vidro da Avenida Europa? Se você não estiver em Brasília, tem de parar o carro um pouco, vai se acostumando. Andar vai lhe fazer bem. Depois me conta.

Está todo mundo aí, tentando construir networking, a tal rede de relacionamento virtual que talvez até um dia possa render alguma coisa, além de amolação. Todo mundo acabou voltado para dentro, recolhido. Isso não é bom. Nos tornam frágeis, inseguros, solitários, desinformados e manipuláveis.

Porque nos torna invisíveis. Às ruas, portanto! Networking Street. Ao menos poderemos olhar uns para os outros.

*Marli Gonçalves é jornalista. Está esperando só a recuperação total para poder “bater pernas” por aí, mais longe. Sempre adorou passear. Entre outras, nos Anos 70, a moleca aqui ajudou a fazer um programa de rádio que ficava no ar ali na Rua Augusta, transmitindo recados de carro a carro. Com o Roberto Tripoli (Xexéo, para mim), e o Jacques Gregorian (que agora está com programa imperdível no site da Jovem Pan!). Eles não vão negar….

Saiba mais:

Para ler mais Marli Gonçalves: www.brickmann.com.br e marligo.wordpress.com

Para seguir a Marli no Twitter: @MarliGo

Escreva pra Marli em: [email protected] e [email protected]

**Texto encaminhado para Andreia Santana por Marli Gonçalves, via email, e publicado no Conversa de Menina mediante autorização, desde que devidamente citados a autoria e os contatos da escritora.

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**Artigo: Adultos que fazem amigos

Um artigo muito bacana da psicóloga Cássia Aparecida Franco para brindar vocês neste Dia do Amigo. Beijos no coração de todos!

Adultos que fazem amigos

*Cássia Aparecida Franco

“… mire, veja: o mais importante e bonito do mundo é isto; que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam.”

João Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas.

A “pressa diária” para conseguir se organizar e dar conta com competência de todos os nossos afazeres acaba nos tornando “presidiários” de um campeonato da gente com a gente mesmo. Um dia após o outro, repetindo com pressa as tarefas mais ou menos iguais, costuma fazer com que fiquemos um tanto isolados, com a pilha fraca e sentindo um cansaço extremo. O preço disso tudo tem sido muito caro. Os relacionamentos de plástico e a solidão fazem parte dos altos juros que pagamos.

Quando adolescentes sonhamos com um grande amor e depois queremos escravizá-lo em posse. Quando jovens planejamos criar um mundo melhor, mais justo e depois poluímos o planeta sem dó. No começo da vida profissional, queremos um trabalho que nos realize e depois de algum tempo esta realização corresponde a conseguir pagar as contas no final do mês. E olhe lá! Alguns chamam isto de maturidade, onde a ingenuidade é substituída pelo realismo.

Talvez seja útil pararmos para observar se isso não é também um empobrecimento da vida, onde os sonhos congelam ou até encolhem restando apenas migalhas. A correria do dia a dia coloca os sonhos e a espontaneidade num grande liquidificador e ficamos embrutecidos como se o elemento humano fosse um artigo de segunda mão. Quando nos damos conta, sentimos a falta de gente, de relacionamentos significativos, enfim, de ter de amigos. Amigos com quem possamos conversar, ouvir e ser ouvidos, dar apoio e ser apoiado, em uma dança constante de troca e incentivo.

Mas que tarefa mais difícil é essa de fazer amigos na vida adulta. Quem trabalha ainda tem a facilidade de conhecer pessoas no ambiente profissional. No entanto, nem sempre ter muitos contatos irá corresponder a fazer muitos amigos.

Algumas atitudes podem ser de grande ajuda quando se quer plantar sementes que poderão resultar em novas amizades de valor. Se continuarmos fazendo o que sempre fizemos, continuaremos a obter os mesmos resultados. Portanto, mude. A mudança é a única coisa que oferece novas oportunidades. Loucura é continuarmos fazendo sempre as mesmas coisas e esperarmos por resultados melhores.

Assim sendo, criemos diálogos diferentes com aquelas pessoas consideradas por nós como difíceis ou irredutíveis. Colocar-se por alguns segundos no lugar destas pessoas, como se vestíssemos a sua pele temporariamente, pode nos ajudar a entender as suas necessidades. Quem sabe ela não está precisando ser mais ouvida ao invés de criticada? Um bom ouvinte não presta atenção apenas às palavras, mas também à musicalidade da voz e aos sinais de gestos e expressões faciais. É importante que também tenhamos consciência da nossa forma de falar, tanto nos gestos como na melodia da voz. Eles dizem muito mais do que as palavras.

Comprometa-se a dar o melhor de si e responsabilize-se pela comunicação. Nada de ficar esperando que o outro crie boas condições. Desafie-se a abrir boas conversas em terrenos aparentemente inóspitos. Imagine que gostoso poder deixar o seu interlocutor em um estado de animo melhor do que quando a conversa começou.

Evitar julgamentos preconceituosos pode ampliar nossos horizontes enquanto abrimos espaço para perceber a intenção positiva por trás de todos os comportamentos, inclusive dos nossos. Isso abre muitos caminhos.

Lembre-se que todos nós temos aspectos iluminados e aspectos sombrios na nossa forma de entender e atuar no mundo. Com atitudes adequadas, podemos transformar experiências negativas em lições e oportunidades que fazem valer nossas escolhas no mundo.

*Cássia Aparecida Franco é psicóloga e coach. Visite o blog da autora.

**Texto enviado pela Matéria Primma – Assessoria de Comunicação

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