Terça é dia de Traça de Biblioteca aqui no blog (se você está nos acessando pela primeira vez, esse é o nome da nossa coluna semanal de dicas de leitura). Mas esta terça, em especial, é o feriado da Independência do Brasil. Em homenagem a data, selecionei três dicas de livros que tratam sobre História Geral e História do Brasil, tanto a oficial quanto aquela contada nos bastidores e, na maioria das vezes, que flerta de maneira hilária com a ficção ou então descreve realidades tão absurdas que de fato parecem saídas de um conto da carochinha. Confiram:
CASTELOS E PALÁCIOS
A obra conta a história de 40 castelos e palácios que, há mais de mil anos, retratam a ambição e os sonhos do homem. Segredos, sonhos, lendas, romance e uma boa pitada de crueldade. O livro, publicado em formato luxuoso pela Editora Europa, reúne textos, fotos, localização, posicionamento histórico e desenhos 3D dos mais belos e/ou importantes castelos e palácios do mundo. Ao longo de 236 páginas, o leitor encontra construções que vão de Portugal até o Japão, passando por Espanha, França, Inglaterra, República Checa, Romênia, Rússia, China e etc, num passeio por mil anos de história e evolução de escolas arquitetônicas. Entre as curiosidades retratadas, o fato de alguns castelos e palácios terem abrigado não apenas reis, príncipes, imperadores e a nobreza em geral, mas também personalidades importantes do mundo das artes, da literatura e da filosofia. Leonardo da Vinci, por exemplo, participou do projeto de muitos castelos do Vale do Loire, na França, tanto que está enterrado no castelo de Amboise. Já Franz Kafka viveu alguns meses em uma pequena casinha no Castelo de Praga, enquanto Martinho Lutero fundamentou parte das famosas teses que deram origem à Reforma Protestante no Castelo de Wartburg, na Alemanha.
Editora Europa (www.livrariaeuropa.com.br)
236 páginas
Preço sugerido: R$ 99,90
A OUTRA HISTÓRIA DO BRASIL
Por que Tiradentes tinha uma barba parecida com a de Jesus Cristo se era militar, e militar não tem barba? Por que D. Pedro I, que era português, libertou o Brasil de Portugal? Por que o Brasil foi excluído das grandes guerras? Essas e outras tantas perguntas são respondidas com muito humor no livro A outra história do Brasil – A versão desavergonhada e sem cortes que explica tudo. A obra mostra o lado cômico da história do país sob o ponto de vista de Jovane Nunes, ator e redator de programas de TV e da Cia. de Comédia Os Melhores do Mundo. É um convite para entender como tudo começou sem parar de rir, como na versão do escritor para a carta que “Pero Vaz de Caninha” escreveu, comunicando a descoberta das terras brasileiras: “Pero Vaz de Caninha, barman da frota de Cabral, mesmo embriagado, redigiu esta carta ao rei D. Manuel I para lhe comunicar as peripécias do cruzeiro marítimo que acabou no descobrimento de novas terras. Datada de 1º de maio de 1500, em Porto Seguro, este é o primeiro documento etílico escrito da nossa história”. A partir daí, a história segue em mais 12 capítulos (são 13 no total), com divertidas ilustrações criadas pelo ator e designer Welder Rodrigues. A outra história do Brasil é também um absurdo estudo antropológico e sociológico do nosso país. No capítulo sobre as capitanias hereditárias, o autor filosofa sobre a política do país: Com o Brasil já descoberto, o que dava a Portugal um enorme pedaço da América, o rei de Portugal, D. João III, deparou com a mesma dúvida que Lula teve ao assumir o governo: “o que fazer com isso?”. Apesar de usar datas, fatos e personagens reais, os autores brincam com a história e dão a sua versão debochada para os acontecimentos. A Traça de Biblioteca recomenda que seja lido como diversão e não como recurso didático.
Editora Planeta (www.editoraplaneta.com.br)
Atendimento ao Consumidor: (11) 3087-8888
192 páginas
Preço sugerido: R$ 29,90
ELES FORMARAM O BRASIL
Já essa outra dica aqui vale a pena ter à mão para consultas escolares. Durante anos, a História do Brasil colonial foi narrada a partir dos ciclos econômicos e dos feitos heroicos de grandes personagens. Em muitos casos associados às batalhas, ao sacrifício, à entrega, ao grito de independência. Focando no humano, os historiadores Fábio Pestana Ramos e Marcus Vinícius de Morais selecionaram 12 personagens da história colonial e descrevem suas trajetórias neste livro. As personalidades escolhidas representam e simbolizam momentos significativos do mundo colonial. Alguns nomes são conhecidos do grande público e outros nem tanto. Caramuru tornou-se exemplo conhecido dos primeiros tempos do descobrimento. Dizendo-se náufrago, mas na verdade degredado, representa as dificuldades do momento inaugural da colônia. Bartira simboliza ao mesmo tempo o elemento indígena, na imagem de uma mulher, e o contato com o universo português. Manuel da Nóbrega e os jesuítas; Raposo Tavares e as bandeiras são duas figuras marcantes. Quem foi Branca Dias e Fernão Cabral Taíde? A Inquisição se fez presente a partir desses dois nomes. Ela representa os cristãos-novos, as perseguições, o preconceito contra os judeus. E a história dele mostra como a violência e o abuso de poder dos senhores de engenho era usual na época. Ambos foram processados pelo Tribunal do Santo Ofício. Já o insurgente Manuel Beckman nos traz outra face dos poderosos latifundiários. A presença holandesa aparece na figura de Maurício de Nassau – nos gastos e luxos de sua corte holandesa em Pernambuco e, também, nos artistas que fizeram as primeiras imagens do Brasil colonial. O barroco e o período da mineração ganham as páginas com o poeta satírico Gregório de Matos e com Felipe dos Santos, líder de uma revolta em Minas. O mundo da escravidão, o espaço concedido às mulheres e a grande circulação de diferentes culturas, que foi a região das Minas, estão ainda contemplados no capítulo dedicado a Chica da Silva. O último biografado é o Marquês do Lavradio, que nos apresenta a crise do Antigo Regime, o reformismo ilustrado, a era do Marquês de Pombal e o reinado de D. José I.
Autores: Fábio Pestana Ramos e Marcus Vinícius de Morais
Editora Contexto
272 páginas
Preço sugerido: R$ 43,00
















Relações raciais e desigualdade no Brasil
Abdias Nascimento – Retratos do Brasil Negro
Sueli Carneiro – Retratos do Brasil Negro
Nei Lopes – Retratos do Brasil Negro
Da perseguição de Felipe IV aos Cavaleiros Templários, no século 14, à atribulada história da atual família real de Mônaco, o livro revela os segredos e escândalos por trás das monarquias do velho continente. A ideia é mostrar de que forma os monarcas lidaram inconsequentemente com o poder, como foi o caso de Vlad Dracul, príncipe sanguinário que inspirou o protagonista do romance Drácula, de Bram Stoker. O livro traz também um relato da sucessão de soberanos enlouquecidos que trouxeram muita dor e angústia ao povo espanhol por mais de um século. E conta ainda, em detalhes, todo o episódio do suicídio do Príncipe Rodolfo, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, e de como a condessa húngara Elizabeth Barthory assassinou todas as virgens de sua cidade. Traz ainda diversas reflexões a respeito de como o poder pode subir a cabeça dos homens e mulheres.
O livro explora diferenças de classes sociais, ambição, ganância e um desejo tipicamente humano de atingir a imortalidade. Das planícies do Egito de 1922 até os campos de batalha da Primeira Guerra Mundial, passando pelos cortiços australianos, o autor Arthur Phillips conduz o enredo a um clímax tão perspicaz e desafiador como o de Praga, sua aclamada estréia literária. Escrito sob a forma de diário e cartas, e contado pela voz de um dos dois principais personagens, O livro nos transporta para o exótico Egito do início do século XX. Phillips descreve escavações e descobertas de tesouros em túmulos no deserto, numa trama que percorre diversos países e momentos históricos. A trama une duas histórias separadas, que resultam num desfecho inevitável e completamente imprevisto. No mesmo instante em que Howard Carter revela ao mundo o túmulo de Tutankamon, realizando a mais espantosa descoberta da história da arqueologia, Ralph Trilipush segue outro caminho…
O romance de Robert Harris conta a vida de Cícero, político e jurista de Roma, criador do processo legal usado até hoje. No livro, a história é narrada por Tiro, seu escravo e secretário. Ele nos revela a luta de Cícero para alcançar o poder supremo, que o conduzirá ao centro de um dos mais famosos julgamentos da História, revelando o ardiloso mundo da política romana. Este é o primeiro volume de uma trilogia sobre Cícero, que acompanhará os últimos anos da República de Roma antes da formação do grande Império. Um século e meio antes da erupção do vulcão Vesúvio e da destruição de Pompeia, o mundo romano era dirigido não por um imperador, mas por uma república. Neste romance épico, a vida do filósofo e tradutor de obras latinas Cícero, é narrada por Tiro, um homem culto e cuidadoso, que foi o inventor da escrita taquigráfica e autor de diversos livros, entre eles a famosa biografia do seu senhor, que se perdeu no colapso geral do Império Romano. Em uma fria manhã de novembro, quando Tiro abriu a porta para um estranho, não poderia imaginar as terríveis conseqüências. Aquele gesto iria desencadear uma série de acontecimentos que colocariam o senador a quem servia no centro de um dos mais famosos julgamentos da História…
A figura mítica de Helena de Tróia vai além do registro histórico. Bettany Hughes narra neste livro a trajetória dessa personagem por meio das representações artísticas que a imortalizaram – da Ilíada de Homero a pinturas do início do século XX. A autora não pretende investigar a Guerra de Tróia, mas analisar diferentes fontes que descrevam Helena, conhecida pela beleza que pode ter deflagrado o embate militar entre gregos e troianos. Helena, que fez a Grécia tomar as armas e levou a Tênedos mil navios, é conhecida há milênios como símbolo de beleza. Depois de seu duplo casamento – primeiro com Menelau, rei de Esparta, e depois com Paris, príncipe troiano -, Helena passou a ser considerada responsável por uma perene inimizade entre Oriente e Ocidente. Descrita como a mulher mais completa que já existiu, suas representações artísticas vão da princesa virtuosa à esposa infiel, passando por amante exuberante, cortesã, ardilosa e devassa. Os museus em todo o mundo ostentam obras que mostram Helena em vários momentos da história e em sua evolução como ídolo – menina, rainha, semideusa, prostituta. Mas todas essas imagens, sem exceção, são inventadas; não a revelam como era, e sim como os homens queriam que ela fosse. A historiadora inglesa Bettany Hughes mergulha nos estereótipos em busca da verdadeira Helena…
O mistério envolto no surgimento, na ascensão e no julgamento dos cavaleiros templários que os levou à extinção motivou o surgimento de muitos livros e filmes sobre o assunto. E justamente depois de o Vaticano ter publicado os autos de condenação, mostrando documentos que inocentavam os templários, acusados de heresia e blasfêmia, esta obra busca na investigação histórica uma forma de explicar a ascensão e o desaparecimento da ordem. O livro é dividido em sete partes. As quatro primeiras cobrem a narrativa histórica. Tratam das origens do Templo de Salomão em Jerusalém — de onde os Templários tiraram o nome e prosseguem com o surgimento do Cristianismo e a ameaça do Islã a essa religião, o que motivou as Cruzadas. A narrativa continua apresentando a criação da ordem, sua ascensão ao poder e a dramática queda, quando a Terra Santa foi perdida para os mulçumanos, concluindo com o julgamento e a condenação dos cavaleiros. A quinta parte trata das consequências da dissolução dos templários e sua relação com a maçonaria. Para finalizar, o livro traz um guia dos lugares templários e suas construções mais interessantes e aborda a forma como a história e os mitos sobre os cavaleiros foram adotadas na cultura popular, desde a ficção aos jogos de computador, bem como uma avaliação dos melhores livros e filmes sobre o assunto.
Em Guernica – A História de um Ícone do século XX, Gijs Van Hensbergen traça a história do quadro que se tornou uma das mais pungentes denúncias contra a violência da guerra. Após os bombardeios à cidade de Guernica, no Norte da Espanha, durante a Guerra Civil Espanhola, Pablo Picasso colocou na tela os horrores do massacre de quase 2 mil civis. O quadro foi usado como bandeira antifacista, viajou o mundo e só foi para sua casa definitiva, na Espanha, com a queda da ditadura do general Franco. O autor traça esta trajetória e mostra como aspectos históricos e da vida de Picasso influenciaram na produção de um dos quadros mais famosos de todos os tempos…
Vol I: O fim do mundo europeu 1900-1945
Vol II: O mundo entre a guerra e a paz 1945-1973
Vol III: A caminho da globalização e do século XXI – de 1973 aos dias atuais
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