Dose extra de O Pequeno Príncipe

A leitura é uma atividade cíclica. Há livros que sentimos necessidade de ler em vários momentos da vida. Em cada fase, um novo aprendizado, uma nova compreensão. Vocês podem pensar que é um clichê dizer isso, mas “O Pequeno Príncipe” é uma destas publicações que merecem nossa atenção algumas vezes na vida. E foi ele que eu voltei a ler, em uma noite qualquer em que o sono insistia em não chegar.

É incrível este poder que a literatura tem, de recriar nossos pensamentos, de nos cativar várias vezes seguidas. Lembro que na minha primeira leitura dele, ainda uma menina, me entreti com a historinha do príncipe que decide deixar o seu planeta para iniciar uma viagem pelo mundo. Hoje, com alguns anos a mais nas costas, um pouco mais madura e talvez mais experiente, ele faz um outro sentido.

Não vem ao caso aqui interpretá-lo, acredito que o prazer deste tipo de leitura está em justamente cada um sentir suas próprias sensações, assimilar as palavras da sua maneira peculiar de fazê-lo. Tabém não estou no propósito de escrever uma resenha, apenas dividindo sensações.

Já perdi as contas das vezes que li “O Pequeno Príncipe”. Em algumas fases de minha vida, ele volta a me saltar aos olhos. Sei que é pra me fazer lembrar da importância dos sentimentos, para que eu nunca esqueça de que nós, adultos, nem sempre precisamos de tantas explicações, para eu me lembrar de pensar também com o coração, lembrar que a felicidade está dentro de cada um de nós.

“O essencial é invisível aos olhos”. Gosto desta frase em particular. Também gosto de lembrar que o verdadeiro sábio é aquele que consegue fazer um bom julgamento de si mesmo. São muitas as passagens do livro que me tocam profundamente.Ali, toda curta menção faz um sentido imenso: o espinho das flores, os baobás, o cogumelo e até os desenhos de jiboias abertas ou fechadas. Toda vez que eu o leio, fico pensando no quanto queria me bater com aquele principezinho por aí. Teria tanto a aprender com ele…

Ficha técnica:
O Pequeno Príncipe
Autor: Antoine De Saint-Exupéry
Editora: Agir
Páginas: 95
Preço: entre R$ 17 e R$ 30

 

 

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Tracinha de Biblioteca: Para petits que tem medo de tesoura

Não é novidade para quem me conhece ou para os que já tiveram a curiosidade de xeretar meu perfilzinho aqui no blog, que sou apaixonada por literatura infanto-juvenil. Me divirto muito na sessão infantil das livrarias e não é só fuçando prateleiras atrás dos autores consagrados do gênero, amo também aqueles livrinhos de uma frase por página, para crianças em idade pré-escolar, cheios de cores e desenhos, com textos engraçados, delicados e que não subestimam a inteligência da gurizada.

Minha mais recente descoberta nesse universo é o livrinho Até os monstros arrumam o cabelo, do autor norte-americano Matthew MCelligott, que por aqui foi lançado pela editora Prumo, através do selo Pruminho, segmento da editora dedicado à literatura infanto-juvenil. Agora vocês entendem porque brinco no título deste post com o nome da sessão Traça de Biblioteca, onde costumo indicar livros, e que por enquanto está meio sumida aqui do blog, mas vai voltar em breve. I promisse!

Pois a dica da Tracinha, meu alter ego infantil, filhotinha da Traça, é para quem tiver filhos ou sobrinhos.  Use-os descaradamente como desculpa para ler essa historinha que não é fofa só no título. Até os monstros arrumam o cabelo me lembrou algumas historinhas da Ruth Rocha que eu e meu filho curtimos muito, como Quem tem medo de ridículo? e Quem tem medo de monstro? A tônica é a mesma, transformar alguns dos temores da infância em gancho para contar histórias engraçadas e que desmistificam inseguranças e medos, ajudando a vencê-los.

A foto é do blog Tropa do amor

No caso de Até os monstros arrumam o cabelo, como vocês devem ter notado pelo título, o objetivo é abordar o medo de tesoura e de cortar o cabelo, que tira o sono de muita criança por aí. Quem nunca fez manha para cortar as unhas, achando que ía doer, quando era pequeno, que atire a primeira pedra. Cortar cabelo então, oh trauma ficar sentada naquela cadeira estranha, com uma “tia” estranha segurando uma tesoura, objeto aliás, que a mãe da gente vivia dizendo que não era para mexer, porque ía machucar, lembram?

O livrinho conta a história de um garoto muito esperto, filho de um barbeiro que durante o dia corta cabelos de adultos. À noite, o garoto é quem assume a tarefa, mas para dar um trato do visual de alguns monstros meio peludos demais até mesmo para as histórias de assombração. O próprio personagem é quem conta essa aventura, fazendo comentários engraçadíssimos sobre o visual dos monstros e revelando segredos sobre que tipo de corte é o preferido do Frankstein ou qual é o penteado que a Medusa mais gosta. Sendo que, para trançar a cabeleira de serpentes da moça ele precisa, coitado, usar uma venda nos olhos e trabalhar literalmente no tato.

Não é lindo isso? Pegar algo tão prosaico quanto a necessidade de cortar os cabelos e de mantê-los limpos e penteados, pegar os medinhos da criançada, misturar tudo na imaginação e transformar num conto que vai divertir e ao mesmo tempo ensinar algumas liçõezinhas? Sem falar que livros fofos são um bom incentivo para acostumar a turminha com a leitura desde pequenos.

As ilustrações também são do Matthew MCelligott, que capricha na caracterização dos monstros cabeludos. Pela capinha aí abaixo, na ficha técnica, vocês já podem ter uma ideia do quanto as imagens são um deleite à parte. Tracinha recomenda!

Ficha Técnica:
Até os monstros arrumam o cabelo

Autor: Matthew McElligott

Editora: Prumo, através do selo infantil Pruminho

48  páginas

Sugestão de preço:  R$ 34,90

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