Especial Semana da Mulher: Um ser de petálas e espinhos

A série Especial Semana da Mulher continua nesta quarta-feira, desta vez com um depoimento da empresária Amalia Sina, que viveu na pele todos os dilemas de ser mulher na sociedade contemporânea. Após ocupar altos cargos executivos em multinacionais, Amalia tornou-se responsável por gerir um negócio próprio. No texto, ela reflete sobre a própria trajetória e sobre os papeis múltiplos que nós mulheres desempenhamos na sociedade em busca, não somente de igualdade de condições, mas do direito ao respeito na diversidade. Confiram!

Mulher – Um ser de pétalas de espinhos

A ascensão da mulher e a evolução dos seus papéis na sociedade merecem especial atenção

*Amalia Sina

O Dia Internacional da Mulher é uma forma simbólica de comemorar a luta da classe feminina pela igualdade, não apenas de direitos, mas também de oportunidades. A mulher evidenciada na década de 50, como dona de casa exemplar, cuja principal, e talvez única, função fosse a dedicação ao marido e filhos já não existe mais. Em pleno século XXI, a submissão deu lugar à independência e hoje, o que as mulheres faziam há décadas atrás continua sendo feito, porém, com muitas outras atividades envolvidas, o que faz com que a mulher moderna viva em um constante conflito: o desafio de conciliar diferentes papéis na sociedade.

A necessidade tornou-se estilo de vida e foi o argumento inicial para que estas mulheres mostrassem a sua garra e começassem a sua luta, até então silenciosa, por um espaço mais digno perante a sociedade, ainda machista.

Mesmo tendo ciência das diferenças ainda impostas pelo mercado corporativo, como as diferenças salariais e cargas horárias estressantes, as mulheres têm alcançado cargos e profissões antes consideradas exclusivamente do universo masculino. E por conta disso, tem sido cada vez mais evidente mulheres ocuparem a presidência e diretoria de grandes empresas, mostrando o seu potencial para resolver problemas, unificar os prós e contras de cada decisão e tudo isso, com um olhar diferenciado que só nós conseguimos ter.

Entretanto, apesar de sermos maioria neste universo, o mundo ainda é feito para homens e para alcançar o sucesso não basta apenas investir em conhecimento, ser criativa e versátil; é preciso vencer o preconceito e, principalmente, lidar com situações adversas. Temos que ser uma profissional exímia, arrumar tempo para os eventos corporativos e familiares, estar sempre bem vestida e arrumada e ainda, chegar em casa e cuidar da família com empenho e dedicação.

Posso dizer isso com propriedade, minha jornada até a presidência de grandes multinacionais foi desgastante e ao mesmo tempo gratificante. Hoje, sou responsável pela minha empresa, voltada para o segmento de cosméticos. Sei que dei um grande passo na minha trajetória, graças à capacidade feminina para definir metas e sonhos, com objetividade e sensibilidade que somos capazes de demonstrar sem parecermos frágeis.

Sim, nós podemos! Somos capazes de enxergar além e traçar um novo caminho, para isso basta viver com garra e determinação e ter coragem de dar o próximo passo.

Por isso, eu acredito ser um exemplo destas mulheres que perseguiram e ainda perseguem um sonho, ou melhor, próximas realizações. Aprendi a manter o equilíbrio pessoal e profissional, a tratar da beleza, buscar conhecimento, lapidar idiomas, investir em roupas e treinamentos… um sem fim de atividades utilitárias, além de saber otimizar o tempo para ter momentos prazerosos de lazer, descontração e auto-conhecimento.

*Amalia Sina é reconhecida como uma das mais bem sucedidas executivas brasileiras de sua geração. Foi presidente da Philip Morris do Brasil, da  Walita do Brasil e sênior vice-presidente da Philips para a América Latina. Com MBA em Marketing pela FEA/USP e Pós-graduada em Gestão de Marketing pelo Triton College, Chicago. É membro do Conselho Superior de Economia da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e membro da Associação Brasileira de Marketing. Desde 2006, decidiu se lançar como empresária com a entrada da Sina Cosméticos no bilionário segmento da beleza, a principal marca da empresa é Amazonutry.

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Acompanhe os outros posts da série:

>>Especial Semana da Mulher: A beleza de ser feminina

>>Especial Semana da Mulher: Papel feminino nas organizações ainda é restrito

>>Especial Semana da Mulher: Sexo frágil e a Aids


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Artes plásticas: Acervo de Hansen Bahia é restaurado

Até o dia 03 de abril, na galeria do ICBA (Instituto Cultural Brasil-Alemanha), no Corredor da Vitória, em Salvador, é possível conferir as xilogravuras e matrizes do acervo de Hansen Bahia, artística plástico alemão radicado no estado, que se estivesse vivo, faria 95 em 19 de abril. As peças em exposição pertencem ao acervo da Fundação Hansen Bahia, situada em São Félix, cidade do recôncavo baiano. Conversa de Menina abre espaço para a história deste artista, que teve recentemente o seu acervo restaurado por iniciativa do governo alemão, e da sua história de amor com a cultura baiana. O texto foi encaminhado pela Frente & Verso Comunicação.

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Exposição celebra os 95 anos de Hansen Bahia

Acervo do artista radicado no recôncavo é restaurado pelo governo alemão

As matrizes apresentadas na Exposição Hansen Bahia 95 anos estavam integradas às paredes da casa localizada na Fazenda Santa Bárbara, São Félix, e faziam parte da intimidade do artista e de sua esposa Ilse Hansen. Todas foram restauradas por meio de um investimento do governo alemão da ordem de R$ 85 mil, conta a curadora da exposição, Lêda Deborah.

“Hansen é um artista impressionante e importante, um presença alemã forte na Bahia e a obra dele tem que ser preservada”, afirma o atual cônsul da Alemanha na Bahia, Hans Jürgen.

Segundo o diretor executivo do Goethe-Institut (ICBA) em Salvador, Ulrich Gmünder, o artista alemão que, ao radicar-se na Bahia, introduziu a xilogravura no estado, merece este apoio. “Para nós, é uma grande honra poder conservar a obra de Hansen. Esperamos que o público aproveite para conhecer melhor as obras dele”, declara Ulrich.

Para o artista conselheiro da Fundação Hansen Bahia, Justino Marinho, “a iniciativa do governo alemão foi bem vinda, porque a obra de Hansen tem um valor muito grande e marca um período importante das artes baianas. Vale destacar que além dos trabalhos de Hansen, foram restauradas obras de outros artistas importantes como Carybé, Mario Cravo, Genaro e outros, que fazem parte do acervo deixado pelo gravador”, declara.

De acordo com o restaurador das matrizes, José Dirson Argolo, o estado de conservação das 22 peças estava muito comprometido. “Nem sempre o artista se preocupa com a manutenção de sua arte. Hansen, por exemplo, utilizou materiais como compensado, que não resiste ao ataque de cupins e infiltrações. Por isso, o processo de preservação é necessário e, neste caso, demandou um trabalho árduo que realizamos em 10 meses”.

O restaurador João Magalhães foi o responsável pelo “conserto” de 56 xilogravuras, sendo 27 da coleção “Navio Negreiro” e 15 da “Via Crucis do Pelourinho”. Entre as demais gravuras restauradas estão: “O diálogo das héteras”, “Portas e janelas”, “Cangaceiro a cavalo”, “Vaqueiro laçador”, “Grande Candomblé”, “Forte de São Marcelo”, “Flor de São Miguel”, “Amigas em vermelho”, “Boi caído” e “Amigas no banho”.  Outras obras de Hansen restauradas foram: “Limão”, “Noé e as pessoas que oravam na popa da arca”, “Batalha das Amazonas”, “São Miguel”, “O cavaleiro, a morte e o diabo” e “Aniversário de Ilse”.

Fundação Hansen Bahia – Instituição cultural e educativa sem fins lucrativos, destinada a colaborar no fomento da produção cultural do recôncavo baiano, o Museu Hansen Bahia foi inaugurado no dia 19 de abril de 1978, dois anos após Hansen Bahia doar seu acervo e criar a Fundação. Segundo o coordenador executivo da entidade, Raimundo Vidal, a fundação assegura a preservação da obra de Hansen Bahia e desenvolve exposições com visitas monitoradas, tanto no Museu em Cachoeira – que em breve terá sua sede própria – quanto na Casa dos Hansen, onde está o Memorial Póstumo, em São Félix, além de realizar exposições temporárias em outras cidades.

“A Fundação possui aproximadamente 12 mil peças do artista alemão, mil de Ilse Hansen, além de muitas outras assinadas por outros artistas. No total, são mais de 13 mil obras de arte. Somando-as aos objetos (mobiliário,instrumentos e acessórios, dentre outros), o acervo total do museu está estimado em 18 mil peças”.

Quem é Hansen Bahia?

Karl Heinz Hansen nasceu em 19 de abril de 1915, em Hamburgo. Foi marinheiro, escultor, poeta, escritor, cineasta, pintor e xilógrafo. Seus primeiros trabalhos artísticos surgiram no início dos anos 40. O homem foi o seu grande tema e a xilogravura – arte tradicional no seu país – a técnica mais utilizada.

O período de iniciação artística coincidiu com o desenvolvimento da gravura alemã e com o começo de vários movimentos artísticos importantes na Europa, a exemplo do expressionismo, ao qual foi fiel em toda sua produção. Autodidata na técnica que lhe garantiu sucesso internacional, Hansen talhava a madeira com precisão e perfeição partilhada por poucos.

Em 1950, deixou a Alemanha e veio conhecer o Brasil. Em São Paulo, trabalhou como artista gráfico na editora Melhoramentos. Cinco anos mais tarde, mudou-se para a Bahia, onde viveu e produziu intensamente. A paixão pelo estado fez com que o primoroso gravador, depois de conquistar reconhecimento internacional, incorporasse o nome da terra e assumisse a assinatura Hansen Bahia.

“Antes de vir para a Bahia era só marinheiro. Quando aqui cheguei, nasci pela segunda vez e tornei-me artista”

Amante da nova terra, Hansen Bahia não se contentou apenas em naturalizar-se brasileiro. Doou à Bahia, especificamente à cidade de Cachoeira, as obras relevantes do seu acervo e criou a Fundação Hansen Bahia, através de testamento, em abril de 1976. Apenas dois meses depois de inaugurar a primeira sede da fundação, o artista faleceu, no dia 14 de junho de 1978, deixando seu legado mais valioso: um enorme acervo de obras de arte e trinta livros publicados.

Serviço:

O quê: Exposição Hansen Bahia

Onde: Galeria do ICBA – Corredor da Vitória

Quando: até 03 de abril; de segunda a sexta-feira das 9h às 18h30 e aos sábados até às 13h.

Entrada franca

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Luto: Morre Zilda Arns, mulher que fez a diferença

Zilda Arns em uma de suas palestras. Crédito das imagens: Agência Brasil

A médica pediatra e sanitarista Zilda Arns, criadora das pastorais da Criança e do idoso, indicada ao prêmio Nobel da Paz em 2006, foi uma das vítimas do forte terremoto que abalou o Haiti e foi sentido em boa parte do pacífico caribenho nesta terça-feira à noite. Zilda Arns viajou ao Haiti para fazer uma palestra sobre combate à desnutrição e voltaria para casa no próximo sábado, dia 16. Infelizmente, quis o destino que ela estivesse no local de uma tragédia de grandes proporções. Foram três terromotos, um deles alcançou 7 graus, o mais alto na escala Richter. Os abalos derrubaram um hospital e diversos edifícios e casas, ferindo moradores e turistas de Porto Príncipe, a capital haitiana. Também atingiu as instalações do exército brasileiro – há tropas do país, inclusive baianos, servindo nas forças de paz da ONU naquela ilha – e até a embaixada brasileira foi afetada. Enquanto os governos do Brasil e EUA tentam mitigar o sofrimento dos haitianos e descobrir informações sobre as vítimas, Conversa de Menina faz uma singela homenagem à Zilda Arns, uma mulher que sem dúvida, ao longo dos seus 76 anos de vida, fez a diferença.

Alguns anos atrás, fui uma das repórteres que entrevistou a médica durante um evento da pastoral da criança, em Salvador. Fiquei impressionada com a força de caráter e a bondade e delicadeza demonstrados por aquela senhora quase da idade da minha mãe, tão ativa e dinâmica, cheia de energia e com tanta vontade de ajudar aos outros. Incansável, ela vivia viajando, militava pela diminuição da mortalidade infantil nos países subdesenvolvidos, militava contra  a fome, era inteligentíssima e profunda conhecedora da natureza humana.

Para quem tem curiosidade em saber mais sobre quem foi Zilda Arns, abaixo uma resumida biografia:

Pediatria social era uma das especialidades da médica, incansável militante no combate a mortalidade infantil e manterna

Zilda Arns nasceu em agosto de 1934, em Santa Catarina. Era irmã do cardeal e arcebispo de São Paulo, D. Paulo Evaristo Arns.  Estudou medicina em Curitiba e escolheu a pediatria como carreira, tendo trabalhado durante anos em prol da diminuição da mortalidade infantil e materna e pelo fim da violência doméstica contra crianças. Ao longo da carreira, fez dezenas de cursos de especialização: em medicina sanitária, educação física, pediatria social, educação em saúde materno-infantil. No começo dos anos 80, ela coordenou a primeira grande campanha de vacinação contra a poliomielite em Santa Catarina e o método que ela desenvolveu foi posteriormente adotado pelo Ministério da Saúde em todo o país. Em 1983,  criou a Pastoral da Criança e desde então, percorreu diversos países no seu trabalho como médica, sanitarista e divulgando os trabalhos da pastoral. Os caminhos da solidariedade levaram Zilda Arns até a Indonésia, Angola, Estados Unidos e quase toda a Europa. Graças ao trabalho na pastoral da Criança, essa mulher que ainda encontrou tempo para criar cinco filhos sozinha – ficou viúva em 1978 – recebeu da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), a missão de criar a Pastoral da Pessoa Idosa, o que ela fez em 2004. Por sua luta em prol da infância, Zilda Arns recebeu diversos prêmios e títulos nacionais e internacionais. Além da indicação ao Nobel, um dos prêmios internacionais de destaque foi o título como “heroína da saúde pública das Américas”, concedido pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS).

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Traça de Biblioteca: Lançamentos em Salvador

Nos próximos dias, em Salvador, acontecem os lançamentos de três obras literárias, uma delas infanto-juvenil, outra ambientada no universo da capoeira e a terceira sobre a amizade do cantor e compositor Dorival Caymmi, do artista plástico Caribé e do fotógrafo Pierre Verger. Traça de Biblioteca desta sexta traz os detalhes dos eventos e das obras. Confiram:

CAPOEIRA NO FORTE

O livro Capoeira Angola: Educação Pluriétnica, Corporal e Ambiental, do professor Jorge Conceição,  será lançado nesta sexta, 27, às 18hs, no Forte de Santo Antônio Além do Carmo, o Forte da Capoeira, localizado na Rua Barão do Triunfo, s/n, mais conhecida como Largo de Santo Antônio. A obra é resultado de uma pesquisa sobre a relação da Capoeira Angola com o resgate da identidade africana. O autor é participante do curso de “Educação Ambiental para a Sustentabilidade”, promovido pelo Instituto de Gestão das Águas e Climas (INGA/Secretaria do Meio Ambiente) em parceria com a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), onde pesquisa a capoeira angola em sua relação com a afroidentidade. O estudo tem como público interativo 30 jovens do Centro de Reabilitação de Portadores de Deficiência Física das Obras Sociais Irmã Dulce – OSID, meninos e meninas com paralisia cerebral, síndrome de Down e outros distúrbios, e adultos não portadores de neuro patologias.

ENTRE BICHOS E CRIANÇAS

Entre bichos e crianças, florestas e fantasias, eis que surpresas e sentimentos se resumem a uma só onomatopéia: MéméCorocócóPiupiu. Com esse nome, será lançado na próxima terça-feira, dia 1º, às 19h, na livraria Tom do Saber, o primeiro livro de contos e fábulas de Índia Torreão Herrera.  A nova escritora baiana faz sua estreia com uma coletânea de nove histórias de aventuras e poesias voltadas para o público infantil. O termo ‘MéméCorocócóPiupiu’ surge de um conto homônimo, a partir da união dos ‘cantos’ de um bode, uma galinha e um pintinho que, na história, surpreendem as personagens por conseguirem superar as diferenças e cantarem juntos músicas diferentes. No decorrer do livro, a expressão ganha significados próprios, tornando-se palavra mágica e parte de todos os eventos importantes. A obra conta com ilustrações do artista plástico Chico Liberato e nela destacam-se o espírito aventureiro das personagens – crianças, em sua maioria – e, principalmente, a paixão pelos animais e florestas, que encontra nas forças da natureza o poder para transformar vidas e o mundo. Outro aspecto que chama a atenção é a preferência da autora por corajosas protagonistas femininas.

Serviço:

O quê: Lançamento do livro infantil MéméCorocócóPiupiu

Autora: Índia Torreão Herrera

Quando: 01/12, terça-feira, às 19h

Onde: Livraria Tom do Saber (Rua João Gomes, 249, Pirâmide do Rio Vermelho)

Entrada franca

Informações: (71) 3311-3300

Preço do livro: R$25,00

AMIZADE À BEIRA-MAR

Carybé, Verger & Caymmi – Mar da Bahia trata da amizade dos três artistas e suas relações com o mar, cantado e pintado por Caymmi, fotografado por Verger e desenhado e pintado por Carybé. O evento de lançamento acontece no próximo dia 02 de dezembro, às 19h, no Palacete das Artes (bairro da Graça). O livro celebra a arte e, sobretudo, a grande amizade entre esses personagens e criadores do século XX que escolheram a Bahia e o jeito de viver de sua gente como motivo e cenário para suas obras.

Em Carybé, Verger & Caymmi – Mar da Bahia, o leitor percebe a riqueza das fotos em preto e branco da velha rolleiflex do gênio Verger, bem como a singularidade dos traços de Carybé, que retratam o cotidiano da época em que as velas dos saveiros enfeitavam o azul das águas da Baía de Todos os Santos e ainda se presenciava a pesca do xaréu nas praias do litoral norte da histórica Salvador. Tudo isso embalado pelas canções praieiras de Caymmi.

O texto, de autoria do jornalista José de Jesus Barreto, se fundamenta em pesquisas do acervo da Fundação Pierre Verger, da família Carybé, entrevistas e depoimentos. O diálogo das imagens captadas pela rolleiflex de Verger e pelos traços de Carybé, produzidos entre os anos 40 e 60 do século passado, está cerzido pelos poemas de Caymmi. O pescador cantado por Caymmi é ‘o mesmo’ fotografado por Verger, desenhado por Carybé. Os saveiros que chegam e saem do cais e rasgam as águas da baía, as festas para Iemanjá, o Bom Jesus dos Navegantes e Nossa Senhora da Conceição da Praia servem de inspiração para as canções-poemas, as pinturas e as fotos dos artistas.

Serviço:

O quê: Lançamento do livro Carybé, Verger & Caymmi – Mar da Bahia

Quando: 02 de dezembro, às 19h

Onde: Palacete das Artes Rodin Bahia – Graça

Valor: No lançamento, R$ 70, e nas livrarias, R$ 90

Editora: Solisluna

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Museu da Língua homenageia Cora Coralina

Vi a reportagem na TV de madrugada: O Museu da Língua Portuguesa abre nesta quarta uma mostra em homenagem à poeta Cora Coralina. Pensei com meu teclado (não estava usando roupa com botões), taí uma boa oportunidade de falar de Cora no blog. Vamos saber um pouco mais sobre ela? Reproduzo também alguns de seus belos e delicados poemas. Aproveitem!

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Quem é?

Cora CoralinaCora Coralina nasceu Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, em 20 de agosto de 1889, as margens do Rio Vermelho, na cidade de Goiás, em uma casa antiga, de construção datada do século XVIII; e morreu em 10 de abril de 1985, em Goiânia. Passou a vida entre o interior de Goiás e o interior de São Paulo, para onde se mudou após casar-se e onde morou por 45 anos.

Cora começou a escrever aos 14 anos, embora só tivesse cursado as quatro primeiras séries do ensino fundamental. Exercia oficialmente a profissão de doceira, mas também trabalhou vendendo livros e fabricando linguiça, após ficar viúva. A notoriedade porém, só viria aos 75 anos, quando Carlos Drummond de Andrade escreveu um artigo elogioso ao primeiro livro da poeta, Poemas dos Becos de Goiás.

Cora 2Além de escrever poemas, Cora Coralina também era contista e cordelista. Seu primeiro conto, escrito aos 14 anos, foi publicado em um jornal da sua cidade natal. A prosa e os versos da autora são ricos em simplicidade e em cenas do cotidiano do Brasil do interior. A vida doméstica e as cenas da infância e juventude de Cora servem de inspiração para compor pequenos libelos a vida. Muito difícil alguém que tenha nascido em cidade pequena, não se identificar com a autora.

Uma das filhas de Cora Coralina, Vicência Tahan, escreveu a biografia romanceada Cora coragem, Cora poesia, lançada pela Global editora, em 1989.

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Cora em versos:

Versos… não
Poesia… não
um modo diferente de contar velhas histórias

Cora Coralina (Poemas dos Becos de Goiás )

Todas as Vidas

Vive dentro de mim
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé
do borralho,
olhando para o fogo.
Benze quebranto.
Bota feitiço…
Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai-de-santo…
Vive dentro de mim
a lavadeira
do Rio Vermelho.
Seu cheiro gostoso
d’água e sabão.
Rodilha de pano.
Trouxa de roupa,
pedra de anil.
Sua coroa verde
de São-caetano.
Vive dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem feito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga
toda pretinha.
Bem cacheada de picumã.
Pedra pontuda.
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.
Vive dentro de mim
a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
desabusada,
sem preconceitos,
de casca-grossa,
de chinelinha,
e filharada.
Vive dentro de mim
a mulher roceira.
-Enxerto de terra,
Trabalhadeira.
Madrugadeira.
Analfabeta.
De pé no chão.
Bem parideira.
Bem criadeira.
Seus doze filhos,
Seus vinte netos.
Vive dentro de mim
a mulher da vida.
Minha irmãzinha…
tão desprezada,
tão murmurada…
Fingindo ser alegre
seu triste fado.
Todas as vidas
dentro de mim:
Na minha vida –
a vida mera
das obscuras!

Cora Coralina

Aninha e suas pedras

Não te deixes destruir…
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.

Cora Coralina  (Outubro, 1981)

O Passado…

Homens sem pressa,
talvez cansados,
descem com leva
madeirões pesados,
lavrados por escravos
em rudes simetrias,
do tempo das acutas.
Inclemência.
Caem pedaços na calçada.
Passantes cautelosos
desviam-se com prudência.
Que importa a eles o sobrado?

Gente que passa indiferente,
olha de longe,
na dobra das esquinas,
as traves que despencam.
-Que vale para eles o sobrado?

Quem vê nas velhas sacadas
de ferro forjado
as sombras debruçadas?
Quem é que está ouvindo
o clamor, o adeus, o chamado?…
Que importa a marca dos retratos na parede?
Que importam as salas destelhadas,
e o pudor das alcovas devassadas…
Que importam?

E vão fugindo do sobrado,
aos poucos,
os quadros do Passado.

Cora Coralina

Considerações de Aninha

Melhor do que a criatura,
fez o criador a criação.
A criatura é limitada.
O tempo, o espaço,
normas e costumes.
Erros e acertos.
A criação é ilimitada.
Excede o tempo e o meio.
Projeta-se no Cosmos

Cora Coralina

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>>Para saber mais sobre a mostra em homenagem a Cora (Estadão)

>>Post no blog sobre o Museu da Língua (publicado em 21 de março)

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E por falar em Caio Fernando Abreu…

CAIOO escritor Caio Fernando Abreu, citado no post abaixo sobre o projeto de podcast que resgata a obra de grandes autores brasileiros, acaba de ganhar uma biografia escrita por Paula Dip, de quem foi amigo por mais de 20 anos. Não é uma biografia convencional, mas a reunião de cartas e bilhetes que os dois trocaram durante o tempo em que compartilharam ideias e sonhos.

Polêmico, intenso (visceral seria a palavra mais adequada), sarcástico e genial, assim era Caio Fernando Abreu (e aqui peço licença às meninas para tecer loas a um menino). Paula Dip, amiga de longa data, muitas vezes virou personagem das histórias do autor. Histórias essas que traduziam o cotidiano miudinho, esse que todos nós vivemos na carne diariamente. Não tem como ler os contos de Morangos Mofados, sua obra mais famosa – inclusive o livro é dedicado à Paula Dip –, sem se identificar em cada linha.

No livro Para Sempre Teu, Caio F., Paula conta histórias de quem pertencia ao mundo do autor, dividindo com ele segredos, alegrias e angústias, até sua morte, vítima de Aids, em 1996. Há também depoimentos de artistas que conviveram de perto com Caio Fernando, como Cazuza e Ney Matogrosso.

Lygia Fagundes Telles dizia que Caio Fernando Abreu era o “escritor da paixão”. E a autora de As horas nuas – outro libelo aos encantos da vida diária – tinha razão. Ele era mesmo intenso em tudo o que fazia. Tem alma em cada palavra escrita pelo autor. É um pouco da força dessa alma que Paula Dip tenta trazer para as páginas de Para Sempre Teu, Caio F.

A biografia se propõe a desvendar um pouco da personalidade de um dos autores que melhor traduziu seu tempo no cenário cultural brasileiro.  Escritor, jornalista, roteirista, dramaturgo, ator e até astrólogo, de tudo Caio Fernando fez na vida. Principalmente, viveu intensamente os transgressores anos 80. Quando penso na obra desse escritor em particular,sendo que a obra é o espelho do artista, lembro de uma frase do filme Lisbela e o prisioneiro: “quero queimar minha vida de uma vez só, num fogo bem forte!”.

Ficha Técnica

Para sempre teu, Caio F.
Cartas, conversas, memórias de Caio Fernando Abreu

Autora: Paula Dip

Editora:  Record

504 páginas

Preço: R$ 58,00

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Ana Maria Machado comemora 40 anos de carreira

Ana Maria MachadoA escritora Ana Maria Machado comemora agora em 2009, 40 anos de dedicação a literatura infanto-juvenil. E para celebrar uma trajetória tão brilhante -, quem de nós não leu as histórias escritas ou traduzidas por ela na escola? – a autora está lançando o livro ABC do Brasil, que literalmente traduz o país de A a Z para crianças. O novo trabalho de Ana Maria sai pela Edições SM. O livro traz ainda apresentação de outra autora infantil que adoro, Ruth Rocha (Quem tem medo de ridículo?) e ilustrações em forma de aquarela de Gonzalo Cárcamo.

Em ABC do Brasil, que é mesmo organizado em verbetes por ordem alfabética, Ana Maria Machado escreve como quem conversa com o leitor, mostrando a realidade do país e abordando questões políticas e raciais, a exuberância da natureza, a riqueza das tradições culinárias, música, arquitetura e literatura. O resultado é um mosaico afetivo e conceitual que proporciona a compreensão histórica e cultural da formação do povo brasileiro.

“Somos uma salada, feita com a contribuição de muitos povos, vivendo em um território grande, com imensa variedade de paisagem. Essa é a nossa força”.

Quem é Ana Maria Machado?

Nascida em Santa Teresa, Rio de Janeiro, Ana Maria Machado é escritora, jornalista e professora. Autora de mais de 100 títulos, publicados em cerca de 20 países, foi vencedora do prêmio Hans Christian Anderson em 2000. Em 2001, obteve da Academia Brasileira de Letras o prêmio Machado de Assis. Dois anos depois, foi eleita membro da instituição.

Serviço:

ABC do BrasilABC do Brasil
Autor: Ana Maria Machado
Ilustração: Gonzalo Cárcamo
Número de páginas: 48
preço sugerido: R$ 28,00
Editora: Edições SM – clique aqui para conhecer o site da editora

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MAIS TÍTULOS PARA CRIANÇAS

Literatura é um dos assuntos mais apaixonantes do mundo, sem contar que um único livro rende várias conversas. Ler enriquece a alma, o vocabulário, a imaginação. Temos sorte de receber boas indicações de leitura de amigos, de editoras que conhecem o blog, de leitores e claro, vivemos perdidas, ou melhor, achadas, entre as estantes das livrarias. Abaixo, os últimos lançamentos para o público infanto-juvenil, porque é de criança que o hábito de ler se consolida. Confiram:

ratinhoO Ratinho Porcalhão
Autora: Claudia Maniezo
6 Páginas
Editora: E-leva Cultural
Preço sugerido: R$ 14,00
Conta a história de Fredi, um ratinho que passava o tempo curtindo banquetes e revirando lixeiras, sendo que ele largava a sujeira das suas festas de rato para todo lado. Apesar dos conselhos, ele pouco se importava com a imundície e foi preciso estar em apuros para Fredi modificar suas atitudes com o meio ambiente. A autora faz um paralelo com a realidade e busca conscientizar os pequenos leitores a se tornarem grandes preservadores, a partir da redução, reaproveitamento e reciclagem do lixo comum.
Indicado para crianças em idade pré-escolar.

e a cara da maeÉ a cara da mãe
Autor: Roddy Doyle
Tradução: Rosa Amanda Strausz
Editora: Galerinha Record
36 páginas
Preço sugerido: R$ 24,00
Vencedor do Booker Prize lança seu primeiro livro infantil
Primeiro livro infantil de Roddy Doyle, autor vencedor do Booker Prize, conta a história de Siobhán tinha apenas 3 anos quando sua mãe morreu. Ela consegue se lembrar de como a mãe fazia piadas, e quase sente suas mãos erguendo-a para alcançar o galho de uma árvore. Ela até mesmo encontrou um lenço de bolinhas que a mãe costumava usar. Agora, Siobhán usa-o também. Mas não consegue mais se lembrar do rosto de sua mãe. E o pai está triste demais para ajudá-la. Então, um dia, uma mulher misteriosa aparece e conta um segredo a Siobhán… algo que pode trazer de volta tudo que foi esquecido: não só o rosto da mãe, mas também o modo como todos eles se divertiam juntos.

MatiasMatias quer um amigo
Autora: Elma
Editora: Larousse do Brasil
31 páginas
Preço sugerido: R$ 21,50
Matias é um filhote de toupeira que vive com sua família e deseja ter um amigo. Para isso, resolve sair pela floresta à procura de ajuda. No caminho, encontra vários animais que tentam responder à sua pergunta: “Onde posso encontrar um amigo?”. Já cansado e depois de um dia completo de busca, Matias entende o que é um amigo verdadeiro e percebe ter encontrado vários deles pelo caminho. Elma é ilustradora de diversos livros infantis e, nessa obra, escreveu também o texto, curiosamente, a partir da pergunta de sua filha caçula: O que é um amigo?

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Livros explicam sobre religião e Santos Dumont para crianças e adolescentes

Mais dois bons lançamentos para quem pensa em presentear filhos ou sobrinhos com livros. Vale a dica ainda para professores que querem dar aquele diferencial nas aulas, incentivando seus alunos a exercitar o saudável ato de debater e respeitar ideias e opiniões divergentes. Confiram:

Entre a cruz e a estrela – uma criança e duas religiões

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Max é personagem principal desta história que fala sobre como é viver numa família formada por pessoas de duas religiões: o Cristianismo e o Judaísmo. A história começa no Natal e passa por outras datas festivas, como a Páscoa, comemorada de maneiras diferentes nas duas religiões. Personagens adultos, como os pais e os avós de Max, ajudam-no a entender estas diferenças. A história explica também alguns termos específicos de cada religião e traz às crianças uma reflexão quanto a importância de saber conviver com qualquer tipo de diferença. A autora, a psicóloga Maria Taliba Chalfon se inspira na história da própria família, formada por judeus e católicos.

Ficha técnica do livro:

Entre a cruz e a estrela – Uma criança e duas religiões
Autora: Mariana Taliba Chalfon
Ilustrações: George Acohamo
26 páginas
Preço sugerido: R$ 24,90

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O  Brasileiro Voador

Brasileiro voadorO Brasileiro Voador foi publicado originalmente em 2001. No livro, relançado pela Record, o autor Márcio Souza reconta a história de Alberto Santos Dumont, desde a chegada em Paris até o vôo no 14-Bis. O livro acompanha a trajetória do pai da aviação, unindo momentos marcantes a acontecimentos históricos, com narrativa leve e bem-humorada. Ótima leitura para adolescentes e adultos.

Mestre em recontar a história do Brasil, Márcio Souza cria um divertido álbum de recortes que une os momentos marcantes da vida de Santos Dumont aos principais acontecimentos da época em que viveu o pai da aviação.

Sobre o personagem

Santos DumontEm 1893, o mineiro Alberto Santos Dumont chega a Paris. De francês, tem apenas um sobrenome e alguns parentes. Leitor voraz de Julio Verne na infância, ele renuncia a uma vida confortável como herdeiro de uma fazenda de café em Ribeirão Preto, para conquistar, na Europa, o ar. Financia seu primeiro voo de balão; mais tarde, passa a construir seus próprios dirigíveis. A bordo do No 6, contorna a Torre Eiffel, num episódio que assombra Paris, rendendo-lhe um prêmio de cem mil francos. Seu nome vira manchete de jornais e seu hangar torna-se tão concorrido quanto os ateliês de pintores da época. Ao contrário do irmãos Wright, que realizavam voos isolados, Santos Dumont fazia aparições públicas, atraindo as multidões. Em 1906, o lacônico inventor alça o voo mais alto de sua carreira. Conduzindo um aparelho motorizado mais pesado que o ar, o célebre 14-Bis, torna-se o primeiro homem a voar por seus próprios meios. Apesar da fama, Santos Dumont sentia-se um incompreendido, tanto no Brasil, quanto na França. Ao destruir seus diários, tornou sua vida pessoal ainda mais nebulosa para a posteridade. Os rumos industriais que a aviação tomou não correspondiam exatamente às suas previsões. Desiludido, o inventor morreu em 1932.

Sobre o autor

Marcio souzaMárcio Souza nasceu em Manaus em 1946. Formado em Ciências Sociais pela USP, começou a vida profissional no cinema, como crítico, roteirista e diretor. Tem ainda uma sólida carreira de dramaturgo. Seu primeiro livro foi Galvez Imperador do Acre, de 1976. A carreira como escritor já conta com mais de vinte títulos, entre eles Mad Maria (livro que deu origem à minissérie da TV Globo).

Ficha técnica do livro:

O brasileiro voador
Autor: Márcio Souza
Editora: Record
304 páginas
Preço sugerido: R$ 42,00

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Hannah Arendt: filósofa, judia e mulher

Hannah Arendt integra a minha lista pessoal das mulheres mais importantes da história da humanidade. Não apenas porque sua trajetória de vida nos apresenta uma mulher guerreira, de origem judia, nascida na Alemanha, e que sofreu na pele a perseguição do regime nazista de Hitler, mas também porque se impôs e fez-se reconhecer como pensadora, filósofa, que se dedicou a mudar as ideologias Hannah Arendtsociais de sua época, através de seus escritos sobre, por exemplo, os regimes totalitários, a política e o conceito de liberdade. Ela foi uma verdadeira cientista política, uma mulher que se empenhou nos estudos críticos e conseguiu transformar o pensamento ocidental.

Para quem quer se aprofundar nos estudos sobre a ideologia política contemporânea, é salutar acrescentar Hannah Arendt à lista de bibliografia essencial. Depois de concluir o doutorado em filosofia, na Universidade de Heidelberg (1928), ela sofreu os efeitos do racismo anti-semita e foi obrigada a se refugiar em Paris. Lá, trabalhou com refugiados judeus e teve o privilégio de estudar com Karl Jaspers e Martin Heidegger (com quem manteve um complicado relacionamento amoroso). A vida não foi das mais fáceis para ela. Já no início da década de 40, a França foi ocupada pelos nazistas e Hannah precisou novamente fugir, desta vez para os Estados Unidos, naturalizando-se cidadã norte-americana. É nessa época que ela lança sua primeira obra “Origens do Totalitarismo” (1951), que virou um clássico e entrou para o rol das grandes contribuições literárias para a compreensão do regime totalitário.

A narrativa começa com a ascenção do anti-semitismo na Europa oitocentista e segue pela análise do imperialismo colonial europeu de 1884 até a deflagração da Primeira Guerra Mundial. Um dos grandes méritos da publicação está em dissecar a Alemanha nazista e a Rússia estalinista. A escritora faz um desenho preciso da transformação por que passou as classes sociais e a formação das massas, ressaltando inclusive a função da Hannah Arendt propaganda no território não totalitário. Ela consegue, com maestria, explicar como a manipulação do terror e do medo são indispensáveis para a manutenção destes tipos de governo, e arremata com uma análise detalhada do estado de solidão dos indivíduos enquanto condição determinante para o domínio absoluto do Estado totalitário.

Novas polêmicas ancoraram com “Eichmann em Jerusalém” (1963), em que denunciava a participação das lideranças judaicas no extermínio promovido pelos nazistas na 2ª Guerra Mundial. O livro, que faz uma análise do julgamento do oficial nazista responsável pela organização dos campos de extermínio, Adolf Eichmann, fez brotar o conceito da banalidade do mal. Em linhas gerais, ela pontua que embora os atos cometidos pelos seguidores de Hitler sejam considerados monstruosos, muitos deles não eram sádicos nem pervertidos. Eles apenas cumpriam ordens. E completa: “mas eram e ainda são terrível e assustadoramente normais”. O estudo do inquérito policial, do seu comportamento durante o julgamento e do histórico de vida de Eichmann levaram-na à conclusão de que as suas atitudes derivavam de uma “curiosa e bastante autêntica incapacidade de pensar”. Esta é a essência da banalidade do mal, e, basta uma observação supercial da nossa realidade, veremos que se aplica perfeitamente aos nossos dias.

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Livros: veja a cotação dos preços e compre
>> Eichmann em Jerusalém
>> A condição Humana
>> Entre o Passado e o Futuro
>> Origens do Totalitarismo
>> Nos Passos de Hannah Arendt (biografia escrita por Laure Adler)
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Juntos, os dois livros mostram-se absolutamente indispensáveis para o entendimento do que foi o século XX. A eles, somam-se tantos outros, como “Entre o Passado e o Futuro”, no qual aborda o discurso político do século XX. Afinal, foi ela personagem de toda essa transformação por que passou a sociedade da época. E não há como esquecer de “A Condição Humana”, uma ampla reflexão sobre as práticas políticas do século passado e a teoria que as envolve. O que mais me fascina em Hannah Arendt, além de sua linguagem ousada e das críticas fundamentadas, é a forma como remonta toda uma era, adotando uma postura de enfrentamento da realidade e combate. É importante destacar que, apesar do berço judeu, Hannah Arendt não foi criada sob os dogmas religiosos e tradicionais.  

Alguns autores se referiram a Hannah Arendt como a teórica do inconformismo. Pra mim este rótulo consegue refletir a importância do pensamento dela. Inconformada, disseminou seus ideais, ganhou adeptos e contribuiu para a transformação social. Hannah Arendt é uma mulher que disse muita coisa, mas que poucas pessoas leram. Revisitar as obras de pensadores como Hannah Arendt me faz recordar uma frase de Pascal, matemático e filósofo francês. Ele dizia: “Nada é mais difícil que pensar”. Embora difícil, é uma arte que precisa de exercício contínuo. É o exercício constante da mente que nos faz adquirir elementos para a resolução dos tantos problemas. Que muitos se inspirem nela e comecem agora, porque nunca é tarde, a pensar.

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Cinco vezes Nicolas Cage

nicolas-cage_blog1O ator americano Nicolas Cage, 45, surpreende pela capacidade de intercalar ótimas atuações com bombas do tipo Motoqueiro Fantasma (2007, Mark Steven Johnson) e ainda assim manter a reputação intocada. Ele não tem o rosto de bom partido do Tom Cruise, mas tem charme de sobra para angariar legiões de fãs. Com uma vida pessoal atribulada desde a infância, Cage – que é sobrinho de ninguém menos que Frances Ford Coppola, embora tenha adotado o sobrenome de um herói dos quadrinhos na carreira – já declarou certa vez que decidiu atuar para ter um meio de descarregar todas as suas frustrações e medos sem precisar de analista. Seus personagens, na maioria das vezes, são tipos esquisitos e outsiders, daqueles que deixam um travo na boca e a sensação mista de fascínio e pavor. Conversa de Menina destaca cinco atuações memoráveis de Nicolas Cage. Fiquem à vontade para concordar, discordar e, principalmente, montar sua própria lista dos melhores filmes do ator:

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Coração Selvagem – 1990
Direção: David Linch
Sinopse: Dois jovens namorados, Sailor (Nicolas Cage) e Lula (Laura Dern – a musa número um de David Linch), fogem da perseguição da mãe dela, numa viagem pelo sul dos Estados Unidos. Ele tem fixação por Elvis Presley, enquanto Lula tem obsessão por O Mágico de Oz.
Atuação de Nicolas Cage: Quando gravou Coração Selvagem, o ator já havia chamado a atenção do público, dos críticos e dos diretores de cinema por suas atuações em Feitiço da Lua (1987) e O Beijo do Vampiro (1988). Mas este filme trouxe reconhecimento e fez o ator figurar naquelas listas que Hollywood tanto adora: Cage foi considerado o melhor ator de sua geração. No filme, mostra também que sabe cantar, já que soltou a voz em todos os números em que Sailor aparece interpretando sucessos do rei do rock.

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Despedida em Las Vegas – 1995
Direção: Mike Figgis
Sinopse: O roteirista de cinema Ben Sanderson (Nicolas Cage) perde a família, os amigos e o emprego por causa do alcoolismo e decide se mudar para Las Vegas, onde deseja realizar o plano de beber até morrer. Lá, conhece Sera (Elisabeth Shue), uma prostituta que se apaixona por ele. Os dois vão morar juntos, embora Sera saiba que Ben não vai largar a bebida e que seu fim está próximo.
Atuação de Nicolas Cage: Nicolas Cage, que está magistral no filme, ganhou o oscar de melhor ator por este papel, que ele viveu intensamente. Chegou ao ponto de filmar-se bêbado, para estudar os próprios movimentos. A perda completa de referências afetivas, da noção de certo e errado, da capacidade de julgamento estão estampadas no rosto do ator. Ele vive cada passo da degradação moral e física de Ben Sanderson.

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Adaptação – 2002
Direção: Spike Jonze
Roteiro: Charlie Kaufman (Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, Quero Ser John Malkovitch e Confissões de uma mente perigosa)
Sinopse: Charlie Kaufman (Nicolas Cage) é um roteirista às voltas com a adaptação de um livro chamado O ladrão de Orquídeas. Sem inspiração, ele decide investigar a autora, uma jornalista vivida por Meryl Streep, e o processo criativo do livro. Enquanto isso, o irmão gêmio de Charlie, que é um bon vivant, escreve um roteiro que faz relativo sucesso.
Atuação de Nicolas Cage: O ator interpreta tanto o roteirista Charlie Kaufman quanto seu irmão gêmeo (que aliás é fictício). Enquanto o roteirista é desengonçado, recluso, um tipo esquisito e sem carisma, o irmão é justamente o oposto: charmoso, leve e totalmente irresponsável. Cage passeia entre os dois personagens e troca de pele como quem veste um casaco. Ora é o sisudo e deprimido Kaufman e na cena seguinte o inconsequente gêmeo. Os diálogos entre os dois são impagáveis.

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Os Vigaristas – 2003
Direção: Ridley Scott
Sinopse: Dois trapaceiros, Roy (Nicolas Cage) e Frank (Sam Rockwell) estão planejando um lucrativo golpe, até que a filha desconhecida de Roy aparece e muda os planos da dupla.
Atuação de Nicolas Cage: Roy é um ladrão experiente mas totalmente paranóico. Nicolas Cage coloca para fora todas aquelas fobias e excentricidades que caracterizam quem sofre de TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), inclusive dando a dose certa de comédia para as manias mais esdrúxulas e de drama para os medos paralisantes.

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Senhor das Armas – 2005
Direção: Andrew Niccol
Sinopse: Yuri Orlov (Nicolas Cage) conta a sua história em flashbacks, mostrando como se tornou de um filho de imigrantes russos miseráveis a um próspero comerciante de armas e como seu império ruiu por uma sequencia de erros que ele mesmo cometeu.
Atuação de Nicolas Cage: O ator vive com perfeição, um amoral comerciante de armas que apesar de saber todo o mal que causa, inclusive à própria vida, continua no negócio. Yuri perde a família, o irmão morto por traficantes de armas (antes ele já havia viciado o irmão em cocaína ao decidir “celebrar” o pagamento de um lote de fuzis vendidos na Colômbia). Com frieza calculada, em uma cena memorável, Yuri explica ao policial porque não vai ficar preso, já que os interesses dos traficantes de armas também são interesses do governo americano.

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