Cultura: Gacc e Cabriola Cia. de Teatro estreiam espetáculo “É Meu, É Seu, É Nosso!”

Uma boa dica para quem está em Salvador neste fim de semana é a estreia, neste sábado, dia 03, do musical É MEU, É SEU, É NOSSO!, produção do Gacc (Grupo de Apoio a Criança com Câncer) e Cabriola Cia. de Teatro, que conta a história de um menino que luta para vencer um problema de saúde e conta com a força da família e dos amigos. O texto do espetáculo é do dramaturgo Deolindo Checcucci (O Vôo da Asa Branca, Raul Seixas, Irmã Dulce) e a direção é de Heraldo Souza, que também assina a trilha sonora. A peça terá ainda a participação do ator e músico Elinaldo Nascimento, ex-paciente do GACC, aluno do curso de Artes Cênicas na Escola de Teatro da UFBA (Universidade Federal da Bahia).

A Cabriola Cia de Teatro ganhou o prêmio Braskem de Teatro (importante reconhecimento na cena teatral baiana) de melhor espetáculo infanto-juvenil com a peça Os prequetés. O diretor Heraldo Souza, por sua vez, foi indicado na categoria revelação da mesma premiação, pela composição e arranjos musicais de Os prequetés.

Já o Gacc é uma instituição filantrópica fundada em 1988, para dar suporte as crianças de baixa renda baianas e suas famílias, evitando o abandono do tratamento do câncer infanto-juvenil, pois muitos pacientes mirins, sobretudo no interior do Estado, acabavam largando o tratamento médico por falta de condições de se deslocar para a capital, custear hospedagem, transporte e mesmo uma alimentação mais substancial, principalmente para quem precisa de quimio ou radioterapia. Fiz algumas reportagens com o Gacc ao longo da vida de repórter  e o trabalho dessa entidade, além de belíssimo, é muito respeitado na Bahia. Ao todo, a instituição assiste cerca de 300 pacientes por mês, juntamente com seu acompanhante, totalizando mais de três mil famílias em 22 anos  de atuação. Graças ao trabalho das equipes multidisciplinares do Gacc, as chances de cura dos pacientes assistidos alcançam mais de 70% e nenhum paciente abandona o tratamento por falta de condições financeiras.

Ficha Técnica do espetáculo:
Direção: Heraldo Souza
Texto: Deolindo Checcucci
Elenco: Aline Lopes, Elinaldo Nascimento, Isaque Pires, Josevaldo Fortes, Julio Cesar Mello, Lucy Castro, Lika Ferraro, Mariana Damásio.
Assistente de direção: Etiene Bouças
Figurinos, coreografias e cenografia: Heraldo Souza
Direção Musical: Heraldo Souza
Iluminação: Luiz Guimarães
Preparação corporal para cena: Lika Ferraro
Cenotécnico: Evando Cézar
Assistente de produção: Aline Lopes
Músicos: Elinaldo Nascimento (violão), Josevaldo Fortes (Flautas, Escaleta), Lucy Castro (percussão)
Costureira: Angélica da Paixão
Fotos: Aldren Lincoln

Serviço:

É MEU, É SEU, É NOSSO! – Musical para todas as idades
Onde: Teatro ISBA  – Av. Oceânica, 2717, Ondina. Telefone: (71) 4009-3689
Quando: 03 a 25 de julho de 2010, sábados e domingos, às 16h. Haverá sessão extra nos dias 18 e 25 de julho, às 10h
Quanto: 10,00 e 5,00 (meia entrada) – toda renda será destinada ao trabalho assistencial do GACC
Realização: GACC-BA e Cabriola Cia de Teatro
Para entrar em contato: [email protected]

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Artigo: diferença entre responsabilidade social e caridade

O artigo desta quinta é de autoria da assistente social Denise Pavani Scucuglia. No texto abaixo, ela analisa a prática da responsabilidade social pelas empresas e diferencia conceitos como filantropia e caridade. O texto é um bom começo para entidades ou pessoas que pretendem iniciar algum tipo de trabalho voluntário em 2010. Hoje, no twitter de um amigo, li uma frase interessante: “A mobilização mundial pró-Haiti é um belo exemplo para todos. Imagine se isso ocorresse todo ano para ajudar uma região diferente do mundo?”. Acredito que o artigo de Denise e a frase de Rodrigo se completam e no mínimo, dão muito material sobre o qual refletir…

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Responsabilidade Social? Filantropia, caridade?  De quem? Para quem?

*Denise Pavani Scucuglia

Nada mais atual do que se falar em “responsabilidade social”…

Poucas vezes um tema foi debatido por tantas pessoas diferentes, por tantos segmentos e com tantas propostas como esse. Discute-se sobre crescimento auto-sustentável, camada de ozônio, reflorestamento, subemprego, trabalho infantil, camadas sociais abaixo do nível da pobreza, abuso moral, etc. Por mais diferentes que esses assuntos possam ser, todos, de alguma forma, remetem à responsabilidade social.

O tema possui até uma norma internacional específica chamada SA 8000 – Norma de Responsabilidade Social, da SAI (Social Accountability International), que diferentemente do que alguns leigos possam entender, refere-se única e exclusivamente às questões inerentes ao público interno das Organizações.

Sem dúvida nenhuma, trata-se de um excelente avanço, pois parametriza algumas questões bastantes polêmicas, criando padrões e regularizando questões importantes. Porém, esta Norma não pressupõe nenhum tipo de ação social que extrapole os limites de atuação dos colaboradores das empresas. Apesar de incentivar e até valorizar estas práticas, elas não têm nenhum peso no processo de certificação.

Partindo desta premissa, é que chegamos ao ponto que gostaria de trazer à reflexão: que tipo de ação social as empresas podem ou devem manter para gerar um benefício sustentável às comunidades onde atuam? Como definir a ação de responsabilidade social a ser desenvolvida e como acessar o público alvo eleito? Muitas ONGs, Fundações e Instituições Filantrópicas vêm realizando trabalhos sérios e merecidamente reconhecidos pela sociedade. Porém, percebe-se uma lacuna interessante nesta área.

Nós encontramos ações meramente assistencialistas, onde a doação de cestas-básicas, medicamentos e vestuário são essenciais para a sobrevivência de uma comunidade. Nesses casos, as necessidades básicas são tão gritantes que mais nada faria sentido, pelo menos inicialmente.

Outra ação muito comum é a multiplicação de um conhecimento que objetiva a possibilidade de ampliação da renda familiar, onde normalmente encontramos pessoas de boa vontade multiplicando suas habilidades como, por exemplo: o ensino do artesanato, crochê, pintura ou mesmo atividades mais técnicas como informática, eletricidade, serviços de pedreiro, pintor, etc.

Isto, sem contar, é claro, com as instituições mais alicerçadas que contribuem para a implantação de projetos, atendendo uma demanda de captação de recursos de comunidades que contam com uma infra-estrutura já melhor elaborada.

Porém, a lacuna a que me referi é quanto à CAPACITAÇÃO INTELECTUAL. Quando a proposta é aumentar o nível de conhecimento de um público menos favorecido e, conseqüentemente, sem condições de buscar uma reciclagem do saber, o caminho é tortuoso. A sociedade não está preparada para oferecer, nem tampouco receber, este tipo de “doação”, que difere completamente da linha assistencialista, mas que gera uma oportunidade de reflexão e crescimento pessoal, antes de tudo.

Será que um adolescente que, a duras penas, conseguiu finalizar seu curso médio e agora precisa inserir-se no mercado de trabalho para ajudar no orçamento familiar, consegue perceber o quanto pode ser importante para ele alguns cursos complementares? Normalmente, ele acredita que um curso universitário está fora de seus planos, pois não possui condições financeiras para tanto e se acomoda a repetir uma história de vida tão fragilizada, mas que já reconhece muito bem e, de alguma forma, lhe mantém em sua “zona de conforto”. Essa reciclagem de conhecimento poderia agregar a ele um potencial que lhe traria melhores oportunidades profissionais e, consequentemente, maiores proventos, dando-lhe até a real possibilidade de freqüentar a tão sonhada faculdade.

E vamos além… Tantos profissionais desempenham suas funções durante anos a fio, sem jamais almejar algo diferente (para não dizer melhor). Fazem aquilo que sabem e que têm experiência, sem poder pensar num crescimento profissional, pois, para tanto, necessitariam de uma reciclagem de conhecimento, cujo preço não lhe é acessível.

Dentro deste quadro, o que nós, empresários, estamos fazendo para alterar esse panorama? Que ações teríamos que ter para alcançar este público e, inicialmente, fazê-lo acreditar que, assim como qualquer pessoa, todos têm o direito de sonhar e buscar a realização de seus sonhos.

A experiência tem nos mostrado que não é uma missão simples atingir este público. Várias são as barreiras que separam o desejo de aprender com a vontade de ensinar.

Alguns conceitos são importantes para nos balizar, a saber:
· VOLUNTARIADO – atividade não remunerada, prestada por pessoa física à entidade pública de qualquer natureza, ou à instituição privada de fins não lucrativos, que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência social, inclusive mutualidade.
· FILANTROPIA – Originário do Grego: Philos = Amor, e Antropos = Homem. Relaciona-se ao amor do homem pelo “ser humano”, ao amor pela “humanidade”. No sentido mais amplo, pressupõe o amor ao próximo e a COMPAIXÃO. Compaixão, no sentido de TER PAIXÃO e não como se costuma pensar: ter piedade. Para se ter compaixão é necessário a EMPATIA (colocar-se no lugar do outro).
· AGENTE DE MUDANÇA: A ação voluntária deve ser facilitadora do desenvolvimento e do crescimento.
– Se for Assistencialista – cria dependência.
– Se for Autoritária – cria a baixa auto-estima.
– Se for Clientelista – cria uma cultura de adesão.
– Se for Democrática – cria CIDADANIA e AUTONOMIA.

Quando o enfoque para a elaboração de um Projeto Social for o Voluntariado e a Filantropia e obtiver um Agente de Mudança convicto de que precisa ter uma ação democrática, estaremos caminhando para a criação de seres humanos “CIDADÃOS e AUTÔNOMOS”.

Que cada um faça a sua parte!

Embora ninguém possa voltar atrás
E fazer um novo começo…
Qualquer um pode recomeçar agora
E fazer um novo fim”.
(Chico Xavier)

*Denise Pavani Scucuglia é Assistente Social e especialista em Análise Transacional, formada pela UNAT Brasil. Também é diretora administrativa financeira da Gauss Consulting.

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