Prevenção à cegueira x tabagismo

Dividi o post de ontem, sobre mulheres e cigarros, em duas partes, porque senão ficaria em tamanho enciclopédico. Hoje, completo o assunto com outra reportagem, dessa vez falando sobre tabagismo e cegueira, com foco principal na terceira idade. Se ainda tem alguém nesse mundo de meu Deus que precisa ser convencido a parar de fumar, não é por falta de informação que a teimosa criatura persiste no erro, porque Ministério da Saúde, OMS e centros médicos dentro e fora do país não param de alertar, cigarro mata, e quando não mata, provoca diversos estragos no organismo, incluindo roubar-nos a luz dos olhos.

Parar de fumar é apelo para campanhas antitabagistas e de prevenção da cegueira

Deixar o cigarro é fator decisivo no curso da DMRI (Degeneração Macular Relacionada com a Idade)

Se a existência de tantas doenças ligadas ao tabagismo ainda não foi capaz de fazer alguém largar o vício, uma pesquisa inglesa relacionada ao uso do tabaco e aumento do risco de perder a visão traz novos elementos para reforçar a tese do “deixe o cigarro imediatamente”. Uma meta-análise de estudos sobre o efeito do cigarro sobre a saúde humana, reunindo dados de 12 mil participantes, fez uma ligação direta entre uma incidência aumentada de Degeneração Macular Relacionada com a Idade – DMRI -, e uma pior evolução desta doença em idosos fumantes.

Segundo os dados extraídos da pesquisa, as lesões provocadas pela DMRI poderiam ser revertidas, se o tabagismo não estivesse presente no estilo de vida destes pacientes  e uma  pior evolução dos casos poderia também ser evitada, após o diagnóstico da doença, se o paciente abandonasse o cigarro.

Um dado positivo e interessante apresentado pelos pesquisadores ingleses recomenda a inclusão “do ato de parar fumar” nas campanhas de prevenção de cegueira e antitabagistas. Eles relacionam como muito bem sucedida, neste sentido, uma iniciativa na Nova Zelândia, onde além da prevenção de problemas cardíacos e respiratórios, as autoridades de saúde visavam também a prevenção dos problemas de visão ao promoverem campanhas antitabagistas junto à população idosa.

Mapa mostra como a DMRI age no organismo

Uma doença que “pesa na terceira idade” – A degeneração macular relacionada à idade (DMRI) se constitui, hoje, na principal causa de cegueira no mundo ocidental em faixas etárias superiores a 50 anos. Na medida em que aumenta a expectativa de vida das pessoas, aumenta também a incidência da DMRI no contexto da população geral.

Um importante estudo epidemiológico – Framinghan Eye Study – mostrou que 5,7% dos pacientes examinados, com idade superior a 52 anos, apresentavam diagnóstico de DMRI e que a manifestação dessa doença aumentava significativamente com o avançar da idade, observando uma prevalência de 28% em indivíduos com mais de 75 anos.

“Diversos fatores podem ser associados ou creditados como favorecedores ao aparecimento da degeneração macular. Assim, pessoas de pele clara e com olhos azuis ou verdes, exposição excessiva à luz solar, tabagismo, dieta rica em gorduras são fatores comprovadamente relacionados à maior incidência de degeneração macular relacionada à idade”, diz o oftalmologista Virgilio Centurion, diretor do IMO.

A DMRI consiste, de um modo geral, no envelhecimento do fundus ocular, onde a retina perde gradualmente a capacidade de metabolizar e eliminar suas excretas, deixando que elas se acumulem sob a retina na forma de corpúsculos amarelados, chamados drusas. Em 90% dos pacientes acometidos é observada a forma denominada de DMRI seca ou não-exsudativa, caracterizada, pela observação das drusas. Nos 10% restantes encontramos a forma exsudativa da doença, caracterizada pela observação de drusas além do desenvolvimento de vasos sangüíneos anormais sob a retina – Membrana Neovascular Subretiniana. É a forma exsudativa a principal responsável pela devastadora perda visual central referida à degeneração macular.

“Por ser um importante problema de saúde pública, a oftalmologia tem se debruçado sobre o problema, na tentativa de evitar o aparecimento, conter o avanço e proporcionar a cura da doença”, destaca Centurion.

Investimento em prevenção – Ainda que não haja uma única causa conhecida para a origem da doença, sabe-se que a idade é o principal desencadeador do problema e que existem outros facilitadores da degeneração macular, como por exemplo, o excesso de colesterol no sangue.

“Fumantes têm mais propensão à doença, pois o cigarro acelera a oxidação do organismo e favorece a formação de drusas, que são acúmulos de substâncias nas camadas mais profundas da retina. As drusas são fortes indicativos de que há propensão para a degeneração macular e mostram que o metabolismo está envelhecendo e não tem mais condições de eliminar as substâncias que produz. A exposição à luz solar também pode desencadear a oxidação na mácula, por ocasionar morte celular na região e degenerá-la. Por isso, deve-se, sempre, usar óculos de sol com proteção contra os raios que possam lesionar a retina”, complementa o oftalmologista Juan Carlos Sanchez Caballero, que também integra o corpo clínico do IMO.

Por enquanto, a prevenção da doença é o exame oftalmológico de rotina, que deve ser feito pelo menos anualmente, onde o oftalmologista pode solicitar exames complementares, como a angiofluoresceinografia e a tomografia de coerência óptica (OCT). O auto-exame de retina também auxilia o diagnóstico precoce. Há necessidade de campanhas para a educação dos pacientes, especialmente os idosos, sobre a existência da doença. Outra forma de prevenção está ligada à ingestão de zinco e antioxidantes, como a luteína e o ômega 3, juntamente com a redução da ingestão de gorduras.

“Temos muito a fazer com o objetivo de prevenir o surgimento da degeneração macular. Apoiamos e incentivamos iniciativas antitabagistas devido a comprovada relação entre os piores quadros da doença e o cigarro. Acreditamos também que é  preciso envolver o oftalmologista generalista e o paciente, visando capacitá-los a realizar a detecção precoce da DMRI, quando as chances de melhora da visão e controle da doença são maiores. São necessárias também ações educativas após o diagnóstico da doença, para que o paciente faça o tratamento adequadamente e mantenha a monitorização do olho remanescente ”, diz Juan Caballero.

Para saber mais:
Site: www.imo.com.br
Email: imo@imo.com.br
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Outros posts sobre tabagismo no blog:

>>Ainda é tempo de falar em mulheres e cigarros

>>Cigarro! Para quê?

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*Texto produzido pela jornalísta Márcia Wirth, da MW Comunicação, e encaminhado ao blog para publicação

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Ainda é tempo de falar em mulheres e cigarros

Uma amiga me perguntou se o Conversa de Menina não iria publicar nada sobre o tema escolhido esse ano pela Organização Mundial de Saúde para o Dia Mundial Sem Tabaco (31 de Maio). A campanha 2010 da OMS é focada nas mulheres. No começo, pensei em não repetir o assunto cigarro por aqui, porque já escrevi sobre ele e continuo pensando a mesmíssima coisa: faz mal para a saúde e é absurdamente deselegante. Continuo perguntando – Cigarro! Para quê? Mas Bia, minha amiga, tem toda razão: é importante bater nessa tecla, ainda mais com um gancho desses, “mulheres e cigarros não combinam”. E para convencer alguma fumante que por ventura visite o blog, eis uma reportagem muito bem elaborada sobre o assunto. O texto foi escrito pela jornalista Márcia Wirth, da MW Comunicação, e é publicado aqui com a devida autorização.

“Mulher, você merece algo melhor do que o cigarro”

A mulher fumante está exposta a um risco maior de infertilidade, câncer de colo de útero, menopausa precoce (em média dois anos antes) e dismenorréia (sangramento irregular)

Neste ano, a Organização Mundial da Saúde, OMS, escolheu como tema para as atividades comemorativas do Dia Mundial sem Tabaco, 31 de maio, “Gênero e tabaco com ênfase no marketing para mulheres“. As ações visam alertar sobre as estratégias que a indústria do tabaco utiliza para atingir o público feminino acerca dos males que seus produtos causam à saúde da população e ao meio-ambiente.

Um cenário preocupante – O futuro da epidemia global do tabaco entre as mulheres pode ser visto nos hábitos das meninas de hoje. Em várias partes do mundo, o consumo de produtos de tabaco entre as jovens tem sido incrementado. O fato aponta para a possibilidade de aumento de prevalência entre as mulheres do futuro, já que os adolescentes que fumam são susceptíveis a se tornarem fumantes regulares na vida adulta. Neste ano, a campanha tem como objetivo chamar a atenção sobre os efeitos  negativos do marketing direcionado para mulheres e meninas.  Nessa perspectiva, a intenção é  mobilizar os 170 Estados Partes da Convenção-Quadro para Controle do Tabaco, para que proíbam totalmente a propaganda e a promoção de produtos de tabaco, assim como o patrocínio de eventos por esses produtos.

Dados prejudiciais à saúde – O tabagismo feminino reduz globalmente a fertilidade, causando um atraso na primeira gestação. O atraso na concepção reflete-se numa gama de possíveis efeitos adversos na reprodução, como interferência na gametogênese ou na fertilização, dificuldade de implantação do óvulo concebido ou perda subclínica, após a implantação do óvulo.  “Estudos e pesquisas dos últimos anos apontam que o tabagismo materno influi mais decisivamente na fertilidade do casal do que o tabagismo paterno, o que significa que o sistema reprodutivo feminino é mais vulnerável ao tabagismo que o sistema masculino”, afirma o Prof° Dr. Joji Ueno, ginecologista, diretor da Clínica GERA.

A atriz alemã Marlene Dietrich, uma das musas do cinema nos anos 30 e 40, ajudou a popularizar a ideia de que fumar é charmoso. Durante a II Guerra, com os homens no front, a indústria do cigarro voltou suas campanhas para conquistar um novo mercado consumidor. Os fabricantes pagavam grandes estúdios para colocar um cigarro entre os dedos de mulheres lindas e glamourosas como Dietrich, para que ela fosse imitada pelas fãs.

Até algumas décadas atrás, acreditava-se que os efeitos da dependência do tabaco era mais forte nos homens, mas à medida em que novas gerações de fumantes foram chegando verificou-se que as mulheres são igualmente ou mais suscetíveis aos malefícios do fumo, devido às peculiaridades próprias do sexo, como a gestação e o uso da pílula anticoncepcional.

“A mulher fumante tem um risco maior de infertilidade, câncer de colo de útero, menopausa precoce (em média dois anos antes) e dismenorréia (sangramento irregular)”, afirma Joji Ueno, responsável do setor de vídeo-histeroscopia ambulatorial do Hospital Sírio Libanês.

O risco de infarto do miocárdio, embolia pulmonar e tromboflebite em mulheres jovens que usam anticoncepcionais orais e fumam chega a ser dez vezes maior do que o das mulheres que não fumam e usam este método de controle da natalidade.  Segundo dados do INCA, o tabagismo também  é responsável por 40% dos óbitos nas mulheres com menos de 65 anos e por 10% das mortes por doença coronariana nas mulheres com mais de 65 anos de idade.

Problemas durante a gestação – Graves complicações na saúde feminina também podem resultar do ato de fumar durante a gravidez. “Abortos espontâneos, nascimentos prematuros, bebês de baixo peso, mortes fetais e de recém-nascidos, complicações com a placenta e episódios de hemorragia ocorrem mais freqüentemente quando a mulher grávida fuma”, alerta o médico.

A gestante que fuma apresenta mais complicações durante o parto e têm o dobro de chances de ter um bebê de menor peso e menor comprimento, comparando-se com a grávida que não fuma. Tais problemas se devem, principalmente, aos efeitos do monóxido de carbono e da nicotina exercidos sobre o feto, após a absorção pelo organismo materno.

De acordo com dados do INCA, um único cigarro fumado por uma gestante é capaz de acelerar em poucos minutos, os batimentos cardíacos do feto devido ao efeito da nicotina sobre o seu aparelho cardiovascular. Assim, é fácil imaginar a extensão dos danos causados ao feto, com o uso regular de cigarros pela gestante.

Os riscos para a gravidez, o parto e a criança não decorrem somente do hábito de fumar da mãe. “Entre as mulheres que convivem com fumantes, principalmente seus maridos, há um risco 30% maior de desenvolver câncer de pulmão em relação àquelas cujos maridos não fumam. Quando a gestante é obrigada a viver em ambiente poluído pela fumaça do cigarro ela absorve as substâncias tóxicas da fumaça, que pelo sangue são repassadas para o feto”, alerta o ginecologista Joji Ueno.

Para saber mais:
Site: www.clinicagera.com.br
Email: atendimento@clinicagera.com.br
blog: medicinareprodutiva.wordpress.com
Rede social: twitter.com/jojiueno

*Texto encaminhado ao blog pela MW Comunicação

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