Crianças e fashionismo: Um papo sobre a noção de limites

*Texto e reflexões de Andreia Santana

Já era para ter escrito esse post, mas o tempo nem sempre favorece a vida de blogagem. O tema porém, é daqueles que sempre vale a pena meter a colherzinha e, recentemente, dois bons “ganchos”, como se diz no jargão jornalístico, me fizeram pensar bastante sobre a relação das crianças com o universo da moda e a noção de limites que os adultos precisam estabelecer para evitar distorções na educação da meninada, principalmente das meninas.

Duas amigas acabaram favorecendo minha “filosofagem” sobre o assunto. Uma delas me enviou link do site do Estadão, com reportagem sobre as “mini socialites fashionistas” e uma outra, com a frase “para você, que milita na causa” (referindo-se ao meu interesse por educação infantil, embora eu não seja educadora, apenas mãe), me trouxe um exemplar da Folha de São Paulo do último dia 07 de abril, com reportagem sobre marcas de lingerie que estão fabricando sutiãs com enchimento para meninas de seis anos!

Na primeira reportagem, do Estadão, sobre as fashion kids, o leitor é apresentado a um grupo de meninas na faixa dos cinco aos dez anos, junto com suas respectivas mães. O texto mostra como essas meninas, devidamente estimuladas pelas mães, frequentam semanas de moda e consomem – ou ao menos desejam avidamente – marcas top de linha como Prada e Dior. Uma das mães chega a dizer, em tom casual, que não imagina a filha vestindo uma roupinha das lojas de fast fashion (ela cita a Renner) nem para dormir! Outra, empolgada com a matéria, diz que se considera uma pessoa bem humilde, pois dirige um Vectra, embora more em um apartamento de dois milhões de reais. Mais adiante, uma terceira mãe, questionada sobre de que forma o consumo de alto padrão é tratado na escola das crianças, responde, igualmente de forma casual, que este é um problema muito sério, que na escola discute-se “o que fazer com as crianças que não tem condições de viajar à Disney todo ano”!! Preciso dar mais exemplos?

Cena de concurso de beleza infantil no belo filme Pequena Miss Sunshine. A pequena Oliver (Abigail Breslin), é discriminada pelos organizadores do concurso por ser "fora do padrão"

O objetivo aqui não é criticar os ricos ou bancar uma Robin Hood de saias, porque seria hipocrisia e leviandade. Não tenho absolutamente nada com a vida alheia, não me considero palmatória do mundo e tampouco quero ensinar a quem tem dinheiro como gastá-lo. Só digo que esta não é a minha realidade e nem a de milhares de pessoas. Mas, se alguém tem cacife para pagar luxos, pequenos ou grandes, que os pague. Não sou contrária ao consumo dos itens do universo de beleza também, seria uma contradição, já que mantenho um blog feminino que fala entre outras coisas, de consumo e produtos de beleza, que eu uso, bastante. Também não sinto inveja das socialites que podem vestir as grifes internacionais. Pessoalmente, gostaria até de ter algumas peças que me falaram ao senso estético, mas como meu bolso não permite, sou bastante feliz garimpando peças nas fast fashions e demais lojas ou marcas que se adequam à minha realidade financeira, inclusive nos magazines e sacoleiras da vida. Isso não significa que não admire o trabalho dos deuses da moda. Mas para mim, por enquanto ao menos, é como admirar uma bela obra de arte em um museu: posso ver, desejar, mas não dá para levar para casa. Simples assim.

O que me leva a refletir aqui no blog sobre essa reportagem das mini fashionistas e a outra sobre os sutiãs com enchimento para meninas que sequer tem peitos ainda não é a questão de ter ou não roupa de grife, mas a noção de limite, da formação cidadã das crianças, do tipo de mundo que está sendo mostrado para elas e que só se sustenta dentro de uma bolha, do microuniverso onde elas gravitam, mas que, fatalmente, vai resultar em choque com a realidade aqui de fora. Até porque, em algum momento, as crianças crescem e saem da bolha. O choque é tanto para elas quanto para quem sofrerá o preconceito. Até porque, nem todo mundo vai circular na mesma rodinha. “O que fazer com as crianças que não podem ir à Disney todo ano”, lembram?

Foto tirada de reportagem sobre vaidade infantil no site da Abril

Exclusão, dificuldade em aceitar a diversidade do mundo, incapacidade de interferir em uma realidade desigual e divergente daquela da “bolha”. Isso é o que me assusta.

Me preocupa muito, por exemplo, que uma sociedade combata a pedofilia com tantas campanhas e ao mesmo incentive a sexualização precoce das meninas, vestindo-as como miniadultas, fazendo-as comportar-se como mulheres e consumir produtos que seriam mais adequados depois que elas tivessem maturidade suficiente para administrar as consequências. Não sou a favor que meninas de dois, cinco, sete anos de idade pintem as unhas, façam progressiva no cabelo, usem maquiagem. Me dá sempre a sensação de que estão roubando uma fase importante da vida dessas meninas, que estão abreviando suas infâncias e levando-as a parecer maduras, quando na verdade são apenas o simulacro de um adulto que, por amadurecer praticamente à força e antes da hora, acabará infantilizado.

A indústria da beleza quer vender e não importa para quem. E quanto mais cedo o consumo começar, melhor. Essa é a lógica do capitalismo, que é antropofágico, se alimenta de si mesmo. E isso aqui não é discurso político e nem fui eu quem inventou a roda. Séculos antes de eu meter minha colherzinha enxerida nesse angu, filósofos e teóricos da economia já haviam decifrado a lógica que rege a nossa sociedade. Principalmente no ocidente.

A pequena Sure Cruise se tornou celebridade badalada não apenas por ser filha do casal de astros de Hollywood Tom Cruise e Katie Holmes, mas por "ditar" moda para menininhas e até interferir no guarda-roupas da mãe

Portanto, lógico que donos de marcas de cosméticos e lingeries vão dizer que não tem nada demais vender seus produtos para meninas recém-saídas dos cueiros. E, ironia, vão jogar com os arquétipos da psicologia para empurrar cada vez mais produtos, para criar cada vez mais “necessidades” urgentes de ter algo que seria perfeitamente dispensável se a coisa fosse pensada de modo racional. Mas o consumo, e nós mulheres adultas que vez por outra caímos em tentação e compramos mais do que nossos cartões aguentam, bem sabemos, não é racional, mas emotivo. É a busca por prazer que nos leva a adquirir coisas que, racionalmente, não temos necessidade de possuir. É uma massagem no ego, um alento, um refinamento de gostos, ou de alma (cada um busca suas desculpas), cobiçar o belo, estar bela. É questão de autoestima – eu acredito nisso –  e de projeção: o que queremos mostrar aos outros? Nosso melhor lado, claro! Ninguém quer parecer mal na fita, nunca.

As crianças, tanto quanto nós, também querem a sensação de prazer. Se são ensinadas a tirá-la apenas do consumo, vão consumir como formigas saúvas na plantação, vorazmente. A diferença é que enquanto nós – na maioria das vezes – sabemos quando parar, nem que seja porque o limite do cartão acabou, elas não sabem. A menos que a gente ensine.

Freud e cia. explicam melhor que eu, inclusive, essa relação/necessidade que temos do prazer e da busca pela felicidade para dar sentido à vida, que a bem da verdade, ninguém descobriu ainda o que é.

Quando digo sexualização precoce, não estou falando nas teorias da psicologia que já demonstraram que as crianças possuem sexualidade latente, que o ato de mamar, por exemplo, é prazeroso e é preciso que seja assim, para que o bebê empregue a força necessária na sucção e com isso sobreviva, cresça, e a espécie garanta sua perpetuação. Se mamar fosse repugnante, os bebês fatalmente não vingariam. Se fosse um tormento indizível para as mães, o lado primitivo do ser humano, que foge da dor, iria impedi-las de alimentar suas crias. Então, tem componentes biológicos envolvidos aí, óbvio, e tem também toda uma construção de identidade, que é subjetiva e gradativa. Mas existe um ritmo próprio tanto para a natureza ancestral quanto para que a identidade atuem e se consolidem. Minha angústia é que esse ritmo natural vem sendo atropelado pelo consumo sem qualquer reflexão e consciência.

A personagem Mabi, da novela Ti Ti Ti. Aos 11/12 anos, era uma blogueirinha de moda super influente e um ícone de fashionismo. Mas revelava visão crítica tanto da moda quanto das posturas nada éticas que algumas pessoas adotam nesse meio

Quando éramos meninas, muitas vezes imitávamos nossas mães. As crianças aprendem por imitação – outra teoria científica já bem batida – e seus primeiros jogos e brincadeiras reproduzem o que veem no universo adulto. Brincam de escritório, brincam de mamãe, de papai, de guerra, de policia, de desfile, de salão de beleza e por aí vai… As meninas vestem as roupas das mães desde sempre. Vesti muito as da minha, suas camisolas de seda e renda eram as minhas preferidas, nas minhas brincadeiras elas viravam sempre vestido de princesa, lençóis viravam cabelos de sereia.

Mas há uma diferença – e essa é a noção de limite do título do post – entre uma criança espontaneamente reproduzir e interpretar o mundo adulto em jogos lúdicos e esse mundo ser empurrado para cima dela por meio de sutiãs, cintas ligas, estojos de make, concursos de beleza quase selvagens e que servem mais para satisfazer egos frustrados das mães do que de fato beneficiar as filhas. Há uma diferença gritante que está na inocência da criança que, aos cinco anos, olha maravilhada para o corpo da mãe e o dela própria, captando as mudanças de forma sutil; ou que veste um sutiã achando aquela peça engraçada; ou até o coloca na cabeça porque não sabe direito para que serve; e a malícia da indústria, que se apropria dos jogos infantis e os adapta a essa lógica muitas vezes perversa, que faz a roda do consumo girar e, fatalmente, excluir, segregar.

E quem pode dar um basta nisso? Provavelmente ninguém. A ideia não é estabelecer censura ou patrulha ideológica, abolir a indústria que gera empregos ou pregar o politicamente correto; mas apenas advertir que crianças que crescem depressa demais fatalmente vão se tornar adultos com problemas de autoestima. Não é uma regra, lógico, mas dados sobre anorexia nervosa ou dismorfia corporal em garotas de 14 anos, gravidez precoce por uma entrada na vida sexual antes da hora e sem preparo, índices de doenças sexualmente transmissiveis e Aids aumentando entre o público jovem, transtornos compulvisos, aumento no consumo de drogas pesadas (na maioria das vezes como muleta para aguentar a crueza do mundo), crises depressivas e uma infinidade dos chamados “males da civilização moderna” estão aí para provar que alguma coisa de grave está sendo feita com a formação das nossas crianças.

O sutiã infantil com enchimento está no centro da polêmica. Para especialistas em psicologia, o sutiã em si, que já foi símbolo de dominação machista, reconfigura-se em fetiche e erotização, símbolos esses que ainda não se adequam ao repertório das crianças de seis anos, mesmo num mundo de informação ultraveloz e ao alcance como o nosso

Não é preciso ter lido todos os psicanalistas para saber que quando se cria uma criança numa bolha, fazendo-a acreditar que o mundo se curvará ao seu desejo, não se está preparando essa criança para as frustrações da vida adulta, que de uma forma ou de outra sempre virão. A menina rica poderá comprar Dior e Prada a vida inteira, botar botox, morar em coberturas de milhões de dólares, ter todos os assessórios e cosméticos que seu dinheiro puder comprar, fazer lipo, botar silicone, mas nada disso irá livrá-la de uma possível rejeição, ou decepção amorosa, ou da solidão e da velhice. A tecnologia, até agora, só conseguiu retardar, mas parar o tempo ainda não é possível.

Me pergunto: as crianças erotizadas precocemente (porque tem diferença entre a sexualidade infantil latente e o erotismo adulto imposto às crianças), acostumadas a julgar as pessoas pelo ter e não pelo ser, criadas para cobiçar sempre as super marcas e desprezar os coleguinhas que não podem vestir Dior ou passar férias na Disney, essas crianças estarão preparadas para a vida e seu eterno jogo de ganha aqui, perde ali? Saberão lidar com a frustração? Conhecerão o que é respeito, solidariedade? Estarão livres dos preconceitos que vêm agregados à  essa ideia – excludente em si – de perfeição?

Me pergunto sempre no que essa fúria consumista que não poupa nem o curso natural da infância irá nos levar. Por que os pais perderam a capacidade de dizer não aos filhos, criando pequenos ditadores que se acham acima de tudo e de todos?

Não tenho as respostas e nem quero culpar a indústria da beleza pelas mazelas da sociedade, mas quando leio reportagens em que menininhas competem entre si para saber qual delas é a mais it girl dentre as its, com suas mães deslumbradas incentivando a voracidade infantil, confesso que tenho um certo medo do que está por baixo da ponta desse iceberg!

*Andreia Santana, 37 anos, jornalista, natural de Salvador e aspirante a escritora. Fundou o blog Conversa de Menina em dezembro de 2008, junto com Alane Virgínia, e deixou o projeto em 20/09/2011, para dedicar-se aos projetos pessoais em literatura.

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Especial Dia da Criança: consumismo infantil

Para abrir a  série de artigos do Especial Dia da Criança, nesta terça, escolhi um texto muito lúcido e realista da pedagoga Rosangela Borba. Sem ser utópica, como ela mesma diz, e achar que todos só consumimos o extritamente necessário e básico, a autora lança importantes pontos de reflexão sobre o quanto “os extras” do consumo podem se transformar em algo vazio e sem sentido, descartável e destoante da verdadeira simbologia que é o ato de presentear alguém. Vale a pena pensar no assunto!

Consumismo Infantil

*Rosangela Borba

Cena do filme A fantástica fábrica de chocolate, versão de 2005, de Tim Burton. Na imagem, a mimada e consumista Veruca Salt, que sempre consegue tudo o que quer dos pais a custo de chantagem e "chiliques"

É impressionante a maneira como as diferentes mídias são utilizadas por meio de estratégias das mais variadas para conduzir as pessoas ao consumo inconsciente. Digo “inconsciente” porque uma parcela significativa do que é adquirido por nós em decorrência do poder da publicidade não é realmente necessário ou importante para nossa existência ou bem-estar. Nesta época de Dia das Crianças, hábitos de consumo como estes aumentam de forma expressiva, atingindo todas as faixas etárias de compradores desenfreados, e, nesse momento, em especial a primeira infância. As crianças, inclusive, são um alvo fácil, pois se seus mestres (familiares e educadores) não conseguirem dar exemplo neste aspecto, dificilmente deixarão de cair na rede viciante da compra desnecessária. Vê-se então o quanto a educação para o consumo se torna fundamental – e quanto antes, melhor.

Não se pretende cair aqui no pensamento utópico de que só devemos comprar às nossas crianças o que é essencialmente indispensável à sobrevivência delas. Este seria outro extremo da história. O que ocorre é que a forma como o consumo de artigos infantis tem sido incentivado pelas mídias fere questões éticas de sustentabilidade e influencia diretamente a maneira como os pequenos valorizam o esforço dos pais para a aquisição de um produto, assim como o relacionamento que elas têm com as brincadeiras.

E aqui, a personagem Veruca dando um "piti", na primeira versão do filme, nos anos 70. A fantástica fábrica de chocolate é uma adaptação da obra infanto-juvenil homônima do escritor inglês Roald Dahl

Antigamente, existiam datas ansiosamente aguardadas pelas crianças para que pudessem ganhar um brinquedo novo. O presente vinha belamente empacotado e, quando recebido, era valorizado, cuidado com zelo e, com ele, seu dono passava dias a fio envolvido nas mais diversas brincadeiras que a criatividade lhe permitia. Atualmente, porém, existem tantas opções de brinquedos que o ato de ganhar um presente pode ser banalizado por parte da criança. Algumas chegam a ganhar uma lembrança destas a cada semana e, quando suas petições de compra são recusadas, o inconformismo e os escândalos públicos são certos.

Nós, pais e professores, nos preocupamos com as notas que as crianças tiram na escola, com as palavras que saem de suas bocas, com a forma como tratam os mais velhos, porém, esquecemos de educar para o consumo. Esta educação começaria com um presentear pontual, em datas específicas, que dessem à criança a sensação de valorização do brinquedo e de merecimento em ganhá-lo. Os pais devem deixar claro o motivo da compra para que o prazer da criança esteja na brincadeira proporcionada e não na sede de se ter algo a mais em um estoque de produtos que, num futuro próximo, será acrescentado ao lixo da humanidade.

*Rosangela Percegona Borba é graduada em Pedagogia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), tem especialização em Psicopedagogia Clínica e Institucional pela Universidade Tuiuti do Paraná e em Metodologia de Ensino pela Universidade Positivo. Especialista em Educação Infantil pelo Instituto de Educação do Paraná, possui MBA em Gestão de Pessoas pela Universidade Positivo. Atualmente, Rosângela Borba é coordenadora pedagógica da Educação Infantil do Colégio Positivo.

**Material encaminhado ao blog pela Lide multimídia.

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Leia os artigos publicados no início da série:

>>Especial Dia da Criança: Preservação ambiental

>>Especial Dia da Criança: Avós e netos

>>Especial Dia da Criança: “ser” criança

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Finanças: Confira dicas para manter as contas em dia

Essa semana, twittei que as meninas dão mais despesas que os meninos. São cerca de 10% a mais de gastos anuais para manter uma filha (coitada da minha mãe, teve duas!). Nesta sexta, ainda pensando no assunto gastos femininos, destaco para vocês um texto enviado pela Steer Recursos Humanos, uma empresa de consultoria em finanças e carreira. No material, há algumas dicas e conselhos para nos levar a refletir sobre o consumo – que é mesmo uma característica forte nas mulheres, embora os homens também saibam gastar, e muito bem! -. Sei que as tentações são muitas, eu mesma caio em algumas de vez em quando, mas é importante ter o mínimo de planejamento. Vamos aprender juntas:

P.S.: Para ilustrar, escolhi cenas do filme Os delírios de consumo de Becky Bloom, inspirado em série de livros de uma das rainhas do Chick Lit, a Sophie Kinsella.

Novos Horizontes para o controle do orçamento feminino
Especialista em aconselhamento financeiro dá dicas para manter as contas em dia

As mulheres sempre foram consideradas mais consumistas do que os homens. E a fama não é injusta. Elas são hoje o maior mercado consumidor do mundo. Pesquisa realizada pela Sophia Mind, empresa especializada em comportamento e tendências no universo feminino, mostra que as mulheres são responsáveis pelo consumo anual de U$ 20 trilhões. O mesmo estudo mostra que elas são responsáveis por 66% das decisões de compra do que é consumido pelas famílias brasileiras. Dos R$ 1, 972 trilhões gastos anualmente com bens e serviços no país, R$ 1,3 trilhões são decididos por elas, valor que transforma o Brasil em um dos maiores mercados femininos no mundo.

Endividadas – As mulheres influenciam também nos setores específicos, como automotivo e financeiro, decisões antes feitas apenas por homens. Juntando a isso o gosto natural das mulheres por compras, elas ficam no topo das listas de endividados. Segundo pesquisa de Endividamento e Inadimplência dos Consumidores (Peic) da Fecomercio, o número de mulheres endividadas é superior a de homens. Cerca de 51% delas tem alguma dívida enquanto apenas 48% dos homens se encontra na mesma situação. As mulheres ultrapassam limites nos cartões de crédito, fazem gastos “desnecessários” e muitas vezes parecem não se preocupar com o futuro financeiro.

O programa Horizontes, criado por Ivan Witt, sócio da consultoria Steer Recursos Humanos, atua com foco no universo feminino de consumo e controle orçamentário. “A ideia aqui é ensinar para as mulheres como gastar melhor seu dinheiro, onde investir, como sair das dívidas, levando em conta características femininas na forma de enxergar o consumo e os gastos”, explica Ivan Witt consultor financeiro e sócio presidente da Steer.

O programa Horizontes ajuda a organizar as finanças com elaboração personalizada que leva em conta o estilo de vida de cada uma, suas necessidades e seus objetivos. “Quando se tem um planejamento financeiro, tem-se uma base real de sua vida, passando assim a sair do círculo de sobrevivência.”, explica, “Afinal, a vida não se resume a pagar contas”, explica o consultor. O planejamento ajuda a enxergar o orçamento com outros olhos. “Atendo mulheres bem sucedidas que dizem não ganhar bem, e após poucos minutos é possível constatar que o que ocorre na verdade, são gastos desmedidos, por impulso”, explica o especialista em aconselhamento financeiro.

Organize as contas – Para conseguir sair do vermelho e manter as finanças em dia, é fundamental fazer um planejamento elaborado de contas, despesas necessárias e possíveis cortes. “Colocar tudo em uma planilha ajuda a ver onde estão as falhas e os gastos desnecessários”, explica Ivan. “Aconselho também a fazer um levantamento diário de tudo que é gasto, ao final do mês verificar se o que consta na planilha realmente foi necessário e cortar os excessos”, completa.

Cursos e palestras, livros especializados, relacionados a finanças pessoais, também ajudam na organização do orçamento.

Evitar empréstimos e compras no cartão de crédito é outra dica. “Prefira sempre fazer compras a vista, assim evita juros e gasta menos”, afirma Ivan. “Caso prefira o cartão, pague sempre a fatura inteira, jamais entre no pagamento mínimo, os juros são altíssimos, acredite, maiores que 350% ao ano”.

Dicas para sair do vermelho:

– Evitar o uso de cartões de créditos até normalizar a situação.

– Se preferir continuar utilizando cartão, pedir ao banco um limite bem apertado, para controlar impulsos.

– Na hora das compras, avaliar se elas realmente são relevantes e sempre fazer mais uma peneirada antes de fechar a conta.

– Ter consciência da renda mensal e tentar se manter com ela, sem agregar às finanças o cheque especial e os limites bancários.

Dicas para não deixar os gastos saírem do controle:

– Priorizar sempre gastos com alimentação, saúde e educação.

– Compras preferencialmente à vista.

– Sempre negociar valores de produtos e fazer pesquisas de preço, muitas vezes eles mudam muito de uma região para outra ou até mesmo de uma loja para outra.

– Não comprar por impulso, “No caso das mulheres este é um dos grandes vilões”.

– Utilize a internet como referência e só compre na rede depois de ter certeza que não pode negociar algo melhor nas lojas. Muitas promoções de sites na internet descontam o produto mas adicionam um frete significativo. É comodo comprar em casa, sem gastar gasolina, estacionamento, mas é sempre possível conseguir excelentes negociações ao vivo. É preciso fazer as contas!

*Fonte: Steer Recursos Humanos – consultoria em Recursos Humanos que oferece às empresas produtos e serviços como: Recrutamento e Seleção; Aconselhamento, Programas de Treinamento em Liderança Coorporativa entre outros. O carro-chefe da Steer é o programa “Horizontes”, de aconselhamento financeiro e de carreiras.

**Reportagem encaminhada ao blog pela assessoria da Steer e publicada mediante a citação da fonte e respeito a integridade do conteúdo.

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Livro aborda consumismo na infância

Querer, todo mundo sempre quer alguma coisa. Não querer, não desejar, não é normal. Porque quando deixamos de querer alguma coisa, deixamos de ter aquela ambição boa que nos impulsiona para a frente. Mas, como todo sentimento humano, o querer também tem de ser ponderado. Querer demais, obsessivamente, não é saudável nem para a cabeça e nem para o bolso. E quando é criança querendo mais do que deve, aí temos de ligar o sinal vermelho.

Eu preciso tantoO consumismo extremado na infância e a importância de desenvolver o consumo consciente, que aliás é questão de ordem mundial pois tem relação com a sobrevivência dos recursos naturais e do planeta, são os temas centrais do livro Eu preciso tanto!, mais novo título da coleção Sinto tudo isso e mais um pouco, da editora Escala Educacional.

Eu preciso tanto! traz uma história narrada por Gabriela, uma garota de 9 anos que fala sobre seus desejos de consumo, os pais que “nunca compram o que ela quer” e a melhor amiga, Flávia, que tem todas as vontades realizadas sempre que usa sua frase infalível: “Eu preciso tanto!”.

Gabriela faria qualquer coisa para ter pais como os da amiga, mas as experiências que vive mudam sua forma de ver a situação. Depois de seu aniversário, Flávia leva para a escola os três aparelhos celulares que ganhou. A turma fica agitada com a novidade e a situação é discutida pela professora, que propõe uma pesquisa sobre consumo e consumismo.

Refletindo sobre o seu dia a dia, Gabriela descobrirá o quanto o consumismo pode ser prejudicial ao nosso planeta, entenderá que seus pais defendem o consumo sustentável e, principalmente, perceberá a diferença que existe entre PRECISAR de alguma coisa e QUERER algo só por querer.

Consumo exagerado não deve ser incentivado entre as crianças, pois esgota os recursos do planeta e coloca a nossa própria sobrevivência em risco
Consumo exagerado não deve ser incentivado entre as crianças, pois esgota os recursos do planeta e coloca a nossa própria sobrevivência em risco

A coleção Sinto tudo isso e mais um pouco é formada por 17 livros que ajudam a criança a entender e também a lidar com sentimentos ou situações delicadas do cotidiano. Os textos são ambientados na realidade do leitor brasileiro e narrados em primeira pessoa pela própria criança (personagem central) ou por um narrador em terceira pessoa muito próximo a essa criança, que, por isso mesmo, consegue descrever bem os sentimentos e as reações dela. Nos textos, nenhum sentimento é apresentado como negativo, pois todos desempenham um papel importante no desenvolvimento do ser humano. A proposta da coleção é mostrar para a criança como ela pode lidar com as diversas sensações e situações do dia-a-dia.

Os títulos falam de sentimentos como raiva, egoísmo, tristeza, preconceito, morte, mentira, ciúme e medo. A coleção aborda ainda alimentação, trabalho infantil e violência. Os livros dividem-se em duas faixas etárias: a partir dos 6/7 anos, para aqueles que estão aprendendo a ler e a partir dos 8/9 anos, para os que já dominam a leitura.

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Conheça os títulos da coleção:

Necessidades especiais: O campeão – Carmen Lucia Campos

Egoísmo: É meu! É meu! – Carmen Lucia Campos

Raiva: Dani furacão – Carmen Lucia Campos

Preconceito: Não tem dois iguais – Carmen Lucia Campos

Violência urbana: Chega de violência – Carmen Lucia Campos

Morte: Morrendo de saudades – Carmen Lucia Campos

Novo irmão: Olha quem chegou! – Carmen Lucia Campos

Medo: Ai! Que medo! – Shirley Souza

Ciúme: Você não é mais meu amigo! – Shirley Souza

Birra: Eu quero! Eu quero! – Shirley Souza

Tristeza: Estou triste! – Shirley Souza

Mentira: Verdade verdadeira – Shirley Souza

Trabalho infantil: Não é brincadeira – Shirley Souza

Alimentação: Eu não gosto disso! – Shirley Souza

Relação com a terceira idade: Vou pra casa da vovó – Carmen Lucia Campos

Obesidade Infantil: Meu nome não é gorducho – Shirley Souza

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Ficha técnica do novo lançamento:

Eu preciso tanto!

Autora: Shirley Souza

Ilustrações: Fábio Sgroi

Editora: Escala Educacional

Pág: 48

Preço sugerido: 17,50

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>>Visite o site da editora Escala Educacional

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