Por favor, não comente!

*Texto e reflexões de Andreia Santana

O título do post não é para impedir comentários aqui no blog. Ao contrário, acredito que vocês terão muita coisa para falar sobre o assunto que abordarei na “filosofagem” de hoje. Só que fiquei pensando em como batizar essas minhas reflexões, que a bem da verdade não são apenas minhas, porque surgiram de um dos meus papos com a menina Alane e de uma frase que li no Orkut de outra amiga. Sim, as minhas camaradinhas, graças aos deuses das boas ideias, são uma mão na roda na hora de arrumar temas para discorrer por aqui. É que elas me provocam – no bom sentido -, estimulam, instigam com suas visões de mundo e de vida. Algumas até brigam comigo, mas com todo respeito (não costumo manter amizades que não me respeitam). E, ao menos, penso assim, de vez em quando uma discussão é até bom. Sempre tem aquele dia em que a gente precisa ouvir umas verdades.

Ajuda também o fato de eu ter amigas de faixas etárias variadas, dos vinte e poucos anos até as senhoras como a minha mãe, que é muito boa para inspirar temas de blogagem. Aquelas amigas que são jornalistas, inclusive, já sabem que alguns dos nossos papos vão virar posts. Uma ex-chefe dizia que seu marido ficava chateado (mas só de brincadeira), porque tudo na vida dos dois virava uma pauta. Não era bem assim tudo, mas boa parte das experiências de um jovem casal com um filho pequeno acabava dando pano para a manga e rendia boas matérias de comportamento na revista que ela editava. É que a gente sempre quer saber da experiência dos outros, acho que nunca deixamos de aprender pelo exemplo. Até depois de velhinhos, sempre gostamos de compartilhar experiências. São os test drives. De vida, não de cosméticos.

Mas, nem tudo precisa ser compartilhado, há maneiras e maneiras de se dizer as tais verdades e, olha aqui o link com o título do post, nem tudo precisa de um comentário. Ou, se for para comentar, um certo cuidado é necessário. Sutileza minha gente, essa é a palavra. Mas, por que essa digressão toda para falar de sutileza? Na realidade não é bem dela que quero falar agora, mas de outra coisa que não tem nada de sutil, o mau e velho hábito de “se meter na vida alheia”. Para vocês não ficarem achando que endoidei, explico.

A troca de ideias com Alane começou com a constatação do quanto é chato as pessoas ficarem monitorando as vidas umas das outras e do quanto irrita quando alguém faz comentários enxeridos. Vejamos: você está feliz da vida diante do espelho do banheiro da empresa ou de um shopping, ou restaurante, ou até de uma festa, retocando sua maquiagem, se curtindo, numa sessão mulherice total, terapia para a autoestima, lembram? Daí, chega aquela conhecida e dispara: “Arff, mas você é vaidosa heim, fulana!” Ela pode dizer também: “Nossa, quantos cosméticos, você gasta o salário todo nisso, não é?” Completamente desnecessário, concordam? Se não concordam, fiquem à vontade para replicar ali na caixa de comentários do post. Não fujo de um bom debate. Adoro!

Mais situações desse tipo: você chega em casa, do trabalho, da balada, não importa de onde, depois da meia-noite, e ao colocar a chave no portão do edifício, aquela sua vizinha que adora cuidar da vida alheia abre logo a porta de casa, para ver quem está chegando. Me pergunto sempre se é da conta dela. Ou, se o síndico do edifício contratou porteiro novo. Não, gente, sou uma moça educada! A pergunta é mental. À vizinha enxerida dou apenas um “Boa noite, dona Cotinha” e subo as escadas para o meu apartamento.

Outra situação, só porque essa me parece das mais absurdas. Você vai comprar uma roupa, ou sapato, ou bolsa nova, ou seja lá o que você está precisando – ou querendo – comprar. Leva uma conhecida junto. Mulher adora fazer comprinhas em bando. Daí, você escolhe suas comprinhas e uma amiga dispara: “Fulana, você vai pagar esse valor todo por uma calça? Tá podendo, heim”. Pois é, também acho. Completamente desnecessário.

Alane defende a teoria de que quem se preocupa tanto em monitorar a vida alheia, é porque carece de ter uma própria. Concordo plenamente. Além disso, acho deselegante ficar reparando dessa forma nas pessoas, no quanto custou o que elas estão vestindo, no tipo de comida que colocam no prato, se sairam de casa com ou sem maquiagem. Atenção! É bem diferente isso que estou dizendo das situações em que uma amiga pede uma opinião ou quando a gente dá uma dica para uma conhecida. Trocar figurinhas, indicar onde é mais barato aquele perfume que a colega tanto gosta, ajudar alguém que está precisando de um apoio para analisar determinada situação sob ângulos diversos, tudo isso é possível e saudável. Não é disso que estou falando. Minha bronca é com a vigilância mesmo, com o interesse mórbido e a intenção má, muitas vezes mesquinha e despeitada, a inveja e a cobiça – não em ter também, mas em se achar mais merecedor que o outro – que se escondem por trás desses exemplos que descrevi. Esses é que são os comentários que prefiro que não sejam feitos. Infelizmente, em momentos constrangedores, já os ouvi.

Querer ter alguma coisa também é diferente de querer ter algo que é do outro. Segundo Zuenir Ventura, autor de Mal Secreto, quem inveja é porque se acha mais merecedor. Que audácia, não é?

Sabe aquela velha fórmula, “se não puder dizer algo bom para alguém, não diga nada”? Em certos momentos, mesmo entre grandes amigas de longa data, guardar silêncio é atitude nobre e elegante. Essa elegância não é a do fashionismo, mas aquela de alma. Ao menos para mim, nem tudo é permitido em nome da amizade. Respeito é bom e tudo mundo gosta. E por um simples motivo: magoa. Sim, pode parecer bobagem, mas há dias e dias na vida da gente. E em determinados dias, estamos tão à flor da pele, como diz o amigo Zeca naquela música, que qualquer comentário mordaz e desnecessário nos faz chorar.

Nunca deixo de enxergar uma criaturinha perversa por trás de certas atitudes como essas de monitorar a vida dos outros ou de fazer comentários que ao invés de elevar, jogam a autoestima do outro no subsolo. E quando o dono do comentário apela para o sarcasmo, então? Nossa! Aí eu enxergo uma “alminha sebosa”, como diz um amigo meu. Pois é, homem também é vítima de “alminhas sebosas”, não somos só nós não!

A frase no Orkut, que somada ao papo com Lane, me fez pensar tudo isso, era essa: “Senhor, proteja-me de todo mal, de todas as pessoas de má fé, e que toda energia negativa que aqui chegar se transforme em amor. Amém!” Bonita, não é? E independe de seguir ou não uma religião. Vejo nessa frase muito respeito e só quem sabe respeitar o espaço dos semelhantes é capaz de atos de nobreza, elegância e…agora sim, sutileza.

*Andreia Santana, 37 anos, jornalista, natural de Salvador e aspirante a escritora. Fundou o blog Conversa de Menina em dezembro de 2008, junto com Alane Virgínia, e deixou o projeto em 20/09/2011, para dedicar-se aos projetos pessoais em literatura.

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Artigo: A inveja corrói corações

Primeiro, um pedido de desculpas pelos dois dias sem postagens, mas enfrentamos um probleminha técnico, já resolvido. Agora, para retomar a atividade, um artigo escrito pelo Dado Moura, da Canção Nova, sobre a inveja e outros sentimentos negativos.  Esta semana andei refletindo sobre intransigência e confiança (relembre aqui). O texto de Dado veio em boa hora, pois complementa minhas reflexões pessoais a respeito do que chamo de sentimentos pequenos (mesquinhos) e o contraste com o grande e verdadeiro sentir, que tem base no amor (não apenas aquele de casal, mas o amor enquanto sentimento pleno, que pode ser demonstrado em gestos grandiosos ou prosaicos).  Confiram o texto, vale muito a pena!

A inveja corrói corações

* Dado Moura

Cena do filme Otelo, baseado em história homônima de William Shakespeare. Na cena, Kenneth Branagh encarna o pérfido Iago, que por pura inveja do sucesso de seu comandante, incita Otelo a matar a esposa Desdêmona, ao insinuar que ela estaria traindo o marido

Todos os dias fazemos uma nova experiência no que se refere a relacionamentos nas mais diversas esferas da nossa vida. Infelizmente, em muitos desses momentos acabamos por experimentar situações de desconfiança, raiva, ingratidão e ciúme. É natural, somos seres humanos e essas emoções fazem parte da nossa natureza. Mas, de todas as emoções negativas, talvez a mais tóxica seja a inveja. Similar ao ciúme, esse mal pode se instalar em todas as relações, sejam elas familiares, comerciais ou sociais.

Inveja é um sentimento traiçoeiro. Muitas pessoas acreditam que não são capazes de cobiçar até serem defrontadas por situações novas e incômodas, como por exemplo, o sucesso profissional alheio. Um fato que deveria ser comemorado por todos, passa a se tornar motivo de discórdia e tribulação para muitos que convivem naquele ambiente. O que as pessoas deveriam entender é que ninguém é melhor do que ninguém. Somos todos diferentes e complementares. Cada um tem seu espaço na sociedade. Não precisamos ter subordinados para nos sentirmos superiores.

A manifestação da inveja muitas vezes pode se confundir com um outro sentimento que também provoca instabilidade dentro das relações: o ciúme. São sentimentos muito próximos, contudo, o ciúme acontece quando nos preocupamos em perder aquilo que temos, seja o amor de uma pessoa, um bem ou uma posição social. No caso da inveja, a pessoa cobiça o objeto de conquista do amigo, do irmão, do vizinho… E nem sempre essa avidez pode significar cobiça por um bem material. Às vezes, esse sentimento se manifesta quando o invejoso percebe a maneira como alguém se veste, as amizades que determinada pessoa possa ter, a qualidade do entrosamento entre um casal ou a harmonia dentro de uma família.

O sentimento de inveja incomoda e corrói a autoestima da pessoa que o carrega. Quem tem inveja acredita que as coisas na vida do outro acontecem com maior facilidade. E por não conseguir alcançar seus objetivos ou ser reconhecido em uma área em que o colega foi bem sucedido, a pessoa invejosa se recusa a celebrar sinceramente a conquista do outro; não consegue partilhar verdadeiramente suas vitórias sem ocultar o seu desdém.

Dica de leitura: O jornalista Zuenir Ventura é autor do livro Mal Secreto, sobre a inveja. A obra integra a coleção Plenos Pecados, da editora Objetiva. Média de preço: R$ 32,90 (americanas.com). Disponível também em áudio-livro

O invejoso terá sempre alguma coisa para contradizer o colega bem-sucedido na intenção de desviar o foco da conversa ou ofuscar sua imagem com comentários que tentam tirar sua credibilidade. Como pecado capital, essa fraqueza se desdobra em outros sentimentos negativos e se multiplica em manifestações de ingratidão, raiva e destrato a alguém que nada lhe fez, nem lhe causou prejuízo algum.

Na verdade, a inveja é o resultado da falta de empenho de alguém na realização de suas próprias metas e da sua pouca consciência sobre seu valor pessoal. Como todos os outros sentimentos daninhos, se não buscarmos a correção para esse mal, podemos colocar a perder relacionamentos valorosos. Todo mau sentimento germina onde a semente do amor não foi cultivada. Então, para erradicar sentimentos nocivos, devemos nos aplicar em amar concretamente as pessoas ao nosso redor. A vivência do amor no dia-a-dia é capaz de temperar nossos laços com virtudes como a paciência, o respeito, a temperança, a generosidade. Quem ama se faz um com aqueles que se rejubilam e solidário com os que sofrem.

*Dado Moura é webwriting do portal Canção Nova (www.cancaonova.com)

Siga-o no Twitter: www.twitter.com/dadomoura

**Material enviado ao blog pela Canção Nova e publicado mediante autorização do autor

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