E por falar em Caio Fernando Abreu…

CAIOO escritor Caio Fernando Abreu, citado no post abaixo sobre o projeto de podcast que resgata a obra de grandes autores brasileiros, acaba de ganhar uma biografia escrita por Paula Dip, de quem foi amigo por mais de 20 anos. Não é uma biografia convencional, mas a reunião de cartas e bilhetes que os dois trocaram durante o tempo em que compartilharam ideias e sonhos.

Polêmico, intenso (visceral seria a palavra mais adequada), sarcástico e genial, assim era Caio Fernando Abreu (e aqui peço licença às meninas para tecer loas a um menino). Paula Dip, amiga de longa data, muitas vezes virou personagem das histórias do autor. Histórias essas que traduziam o cotidiano miudinho, esse que todos nós vivemos na carne diariamente. Não tem como ler os contos de Morangos Mofados, sua obra mais famosa – inclusive o livro é dedicado à Paula Dip –, sem se identificar em cada linha.

No livro Para Sempre Teu, Caio F., Paula conta histórias de quem pertencia ao mundo do autor, dividindo com ele segredos, alegrias e angústias, até sua morte, vítima de Aids, em 1996. Há também depoimentos de artistas que conviveram de perto com Caio Fernando, como Cazuza e Ney Matogrosso.

Lygia Fagundes Telles dizia que Caio Fernando Abreu era o “escritor da paixão”. E a autora de As horas nuas – outro libelo aos encantos da vida diária – tinha razão. Ele era mesmo intenso em tudo o que fazia. Tem alma em cada palavra escrita pelo autor. É um pouco da força dessa alma que Paula Dip tenta trazer para as páginas de Para Sempre Teu, Caio F.

A biografia se propõe a desvendar um pouco da personalidade de um dos autores que melhor traduziu seu tempo no cenário cultural brasileiro.  Escritor, jornalista, roteirista, dramaturgo, ator e até astrólogo, de tudo Caio Fernando fez na vida. Principalmente, viveu intensamente os transgressores anos 80. Quando penso na obra desse escritor em particular,sendo que a obra é o espelho do artista, lembro de uma frase do filme Lisbela e o prisioneiro: “quero queimar minha vida de uma vez só, num fogo bem forte!”.

Ficha Técnica

Para sempre teu, Caio F.
Cartas, conversas, memórias de Caio Fernando Abreu

Autora: Paula Dip

Editora:  Record

504 páginas

Preço: R$ 58,00

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Dê uma turbinada na sua biblioteca

Não é novidade para os leitores deste blog que as autoras, além de falarem feito duas vitrolas quebradas e escreverem compulsivamente, são traças de biblioteca. Mas gente, convenhamos, livro ainda custa muito caro neste nosso país que injustamente tem fama de não gerar bons leitores. E como é que alguém pode formar uma biblioteca decente com livros que custam o equivalente ao que uma família de quatro pessoas gasta na feira da semana?

A solução para não perder o bonde das letras é pesquisar. Frequentar sebos, futucar as prateleiras das livrarias e não ter vergonha de comprar aquelas edições de bolso, que geralmente custam menos. Desde que essas edições tenham qualidade editorial e tragam o texto na íntegra.

Recentemente, cinco bons livros para começar uma biblioteca de respeito foram lançados pela Edições BestBolso. Detalhe importante: todos custam menos de R$ 20,00. Conversa de Menina, que como toda mulher adora uma promoção, foi atrás saber detalhes. Confira:

Lia Luft
Lia Luft

PERDAS & GANHOS
Lya Luft
140 páginas
Preço: R$9,90
Texto integral, com Nova Ortografia

Este livro, de 2003, vendeu quase 1 milhão de exemplares. Trata-se de uma lição genial de otimismo da escritora Lya Luft. Remexendo nas próprias lembranças, ela compõe ensaios deliciosos, escritos em tom de diálogo com outras mulheres. Não tem como não se identificar.

André Malraux
André Malraux

A CONDIÇÃO HUMANA
André Malraux
Tradução de Ivo Barroso
350 páginas
Preço: R$17,90
Texto integral

China, março de 1927. Um homem corroído pela amargura. Um país sacudido por uma insurreição. Atrás de fachadas insuspeitas de cidades sufocadas por riquixás, automóveis e bondes, fumaça de carvão, excrementos e suores de brancos e amarelos, homens planejam uma revolução, muitos divididos entre a culpa e a ideologia. Publicado em 1933, este livro de André Malraux é um relato dos acontecimentos que deram início à Revolução Chinesa. Um depoimento pessoal sobre um dos momentos históricos mais dramáticos do século XX.

Mario Puzo
Mario Puzo

O ÚLTIMO CHEFÃO
Mario Puzo
Tradução de Geni Hirata
532 páginas
Preço: R$19,90
Texto integral

Quem assistiu ao memorável filme com Marlon Brando e ainda não leu o livro, taí uma oportunidade de conhecer a saga dos últimos mafiosos ítalo-americanos que viveram nos Estados Unidos e sua influência em Hollywood e Las Vegas. O chefão é Domenico Clericuzio, homem determinado a assegurar o futuro de sua família numa era de apostas legalizadas, investimentos no cinema e a constante ameaça dos informantes do governo. O velho Clericuzio está bem perto de alcançar seu objetivo quando um segredo do passado ameaça seus planos e provoca uma guerra entre dois primos de sangue.

A LOJA DE PIANOS DA RIVE GAUCHE
T. E. Carhart
Tradução de Maria Alice Máximo
294 páginas
Preço: R$17,90
Texto integral, com Nova Ortografia

Um romance de rara sensibilidade sobre a redescoberta do amor pela música. A loja de pianos da Rive Gauche é uma silenciosa e apaixonante história sobre o piano e sua importância na vida francesa e na vida do próprio autor. Enquanto caminha pelas ruas de Paris para levar seu filho à escola, o personagem Carhart, um americano que vive em Paris, passa por uma loja de reparos e vendas de pianos e faz amizade com Luc, o restaurador, líder de uma confraria parisiense que se reúne na loja de pianos. A partir desse encontro, Carhart irá reviver sua infância e uma paixão esquecida.

Agatha Christie
Agatha Christie

OS RELÓGIOS
Agatha Christie
Tradução de Carmem Prudente
280 páginas
Preço: R$14,90
Texto integral

Essa é uma das aventuras do detetive Hercule Poirot, um dos personagens mais carismáticos de Christie. Ao visitar um condomínio na pequena cidade de Crowdean, o agente secreto Colin Lamb acaba se envolvendo na investigação de um estranho assassinato ocorrido naquele lugar: um homem desconhecido foi encontrado morto na sala da casa da Sra. Pebmarsh, uma deficiente visual muito independente e peculiar. Curiosamente, na cena do crime são encontrados quatro relógios marcando todos a mesma hora. O caso parece complexo, principalmente quando outros dois crimes são cometidos em circunstâncias igualmente suspeitas. Colin Lamb desafia então o seu amigo Hercule Poirot a desvendar o caso.

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Livros explicam sobre religião e Santos Dumont para crianças e adolescentes

Mais dois bons lançamentos para quem pensa em presentear filhos ou sobrinhos com livros. Vale a dica ainda para professores que querem dar aquele diferencial nas aulas, incentivando seus alunos a exercitar o saudável ato de debater e respeitar ideias e opiniões divergentes. Confiram:

Entre a cruz e a estrela – uma criança e duas religiões

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Max é personagem principal desta história que fala sobre como é viver numa família formada por pessoas de duas religiões: o Cristianismo e o Judaísmo. A história começa no Natal e passa por outras datas festivas, como a Páscoa, comemorada de maneiras diferentes nas duas religiões. Personagens adultos, como os pais e os avós de Max, ajudam-no a entender estas diferenças. A história explica também alguns termos específicos de cada religião e traz às crianças uma reflexão quanto a importância de saber conviver com qualquer tipo de diferença. A autora, a psicóloga Maria Taliba Chalfon se inspira na história da própria família, formada por judeus e católicos.

Ficha técnica do livro:

Entre a cruz e a estrela – Uma criança e duas religiões
Autora: Mariana Taliba Chalfon
Ilustrações: George Acohamo
26 páginas
Preço sugerido: R$ 24,90

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O  Brasileiro Voador

Brasileiro voadorO Brasileiro Voador foi publicado originalmente em 2001. No livro, relançado pela Record, o autor Márcio Souza reconta a história de Alberto Santos Dumont, desde a chegada em Paris até o vôo no 14-Bis. O livro acompanha a trajetória do pai da aviação, unindo momentos marcantes a acontecimentos históricos, com narrativa leve e bem-humorada. Ótima leitura para adolescentes e adultos.

Mestre em recontar a história do Brasil, Márcio Souza cria um divertido álbum de recortes que une os momentos marcantes da vida de Santos Dumont aos principais acontecimentos da época em que viveu o pai da aviação.

Sobre o personagem

Santos DumontEm 1893, o mineiro Alberto Santos Dumont chega a Paris. De francês, tem apenas um sobrenome e alguns parentes. Leitor voraz de Julio Verne na infância, ele renuncia a uma vida confortável como herdeiro de uma fazenda de café em Ribeirão Preto, para conquistar, na Europa, o ar. Financia seu primeiro voo de balão; mais tarde, passa a construir seus próprios dirigíveis. A bordo do No 6, contorna a Torre Eiffel, num episódio que assombra Paris, rendendo-lhe um prêmio de cem mil francos. Seu nome vira manchete de jornais e seu hangar torna-se tão concorrido quanto os ateliês de pintores da época. Ao contrário do irmãos Wright, que realizavam voos isolados, Santos Dumont fazia aparições públicas, atraindo as multidões. Em 1906, o lacônico inventor alça o voo mais alto de sua carreira. Conduzindo um aparelho motorizado mais pesado que o ar, o célebre 14-Bis, torna-se o primeiro homem a voar por seus próprios meios. Apesar da fama, Santos Dumont sentia-se um incompreendido, tanto no Brasil, quanto na França. Ao destruir seus diários, tornou sua vida pessoal ainda mais nebulosa para a posteridade. Os rumos industriais que a aviação tomou não correspondiam exatamente às suas previsões. Desiludido, o inventor morreu em 1932.

Sobre o autor

Marcio souzaMárcio Souza nasceu em Manaus em 1946. Formado em Ciências Sociais pela USP, começou a vida profissional no cinema, como crítico, roteirista e diretor. Tem ainda uma sólida carreira de dramaturgo. Seu primeiro livro foi Galvez Imperador do Acre, de 1976. A carreira como escritor já conta com mais de vinte títulos, entre eles Mad Maria (livro que deu origem à minissérie da TV Globo).

Ficha técnica do livro:

O brasileiro voador
Autor: Márcio Souza
Editora: Record
304 páginas
Preço sugerido: R$ 42,00

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Justa homenagem à Zélia Gattai

A editora Companhia das Letras vai relançar a obra completa da escritora Zélia Gattai, falecida em maio do ano passado. Paulista de nascimento, esposa do escritor baiano Jorge Amado, Zélia “abaianou” depois de mais de 50 anos ao lado do autor. Ela começou a escrever na maturidade, primeiro, lembrando a história dos seus pais, depois, reunindo as deliciosas crônicas do cotidiano da família Amado. Quem não riu muito com as aventuras dos Gattai em Anarquistas Graças a Deus, que até virou minissérie? E quem não viveu a aflição dos imigrantes italianos atravessando o Atlântico em Cittá Di Roma? Zélia, que escreveu também Crônica de Uma Namorada, seu primeiro livro de ficção, tem um estilo delicioso, de uma tia muito querida ou uma delicada avó contando suas memórias mais caras. Outro livro da autora, Chão de Meninos, é ambientado na infância dos filhos. Além de usar experiências pessoais e de amigos como fonte de inspiração, Zélia Gattai buscou no dia-a-dia do brasileiro, na Bahia, no Rio de Janeiro, ou na São Paulo da sua infância, elementos para deixar um legado que se constitui em verdadeiro registro histórico do cotidiano miudinho, geralmente aquele que os historiadores relegam. Nos seus escritos, há espaço também para recordar os memoráveis encontros de Jorge Amado com artistas e pensadores como o filósofo francês Jean Paul Sartre. Zélia faz parte daquele ramo de autores que se dedica ao memorialismo, ao registro de um passado nem tão remoto, mas bastante pitoresco. Confira a sinopse dos livros da autora, atualmente disponíveis em edições da Record:

anarquistasAnarquistas, graças a Deus, 1979 – Resgata memórias da infância de Zélia, caçula de cinco irmãos. A autora passou a infância na Alameda Santos, no bairro Paraíso em São Paulo. Ernesto Gattai, seu pai, tinha mania de inventor e vivia fazendo experiências, principalmente com motores de veículos. Dona Angelina, a mãe, adorava ópera. Impagável a sequência em que Zélia conta que quebrou um dos discos preferidos de sua mãe quando era criança.

um-chapeuUm chapéu para viagem, 1982 – Este livro traz as memórias da escritora entre 1945 e 1948, quando conheceu Jorge Amado e a família do autor baiano. Os dois se conheceram durante um movimento para a libertação de presos políticos.

Passáros noturnos do abaeté, 1983 – Este livro, lançado pela editora Macunaíma, de Salvador, reúne desenhos do artista plástico Calasans Neto e texto de Zélia.

senhora-donaSenhora Dona do baile, 1984 – Resgata o período em que Jorge Amado e Zélia viveram exilados na Europa, em 1948. Os dois tiveram de sair do país porque o partido Comunista, do qual eram membros, foi considerado ilegal. Eles moraram em Paris e na atual República Tcheca, que na época ainda era Tchecoslováquia.

reportagemReportagem Incompleta, 1987 – Em todos os momentos da família Amado, lá estava Zélia com sua rolleyflex, registrando tudo. As fotos viraram este livro, que teve até edição trilíngüe: português, inglês e francês.

jardimJardim de Inverno, 1988 – Novo registro da escritora sobre o período em que viveu com Jorge Amado na França, Tchecoslováquia e Rússia, complementa as memórias iniciadas com Senhora Dona do baile.

pipistreloPipistrelo das mil cores, 1989 – Estréia de Zélia na literatura infanto-juvenil, é todo narrado em versos e fala sobre as consequências da destruição ambiental para os seres humanos.

segredoO segredo da rua 18, 1991 – Nesta nova aventura infanto-juvenil da cronista, ela conta a história de um grupo de crianças que vivem diversas situações engraçadas e estranhas em busca do tesouro do pirata Gancho de Ouro.

chaoChão de meninos, 1992 – Crônicas da família Amado que resgatam a infância dos filhos de Zélia e Jorge. Foi lançado no ano em que Jorge Amado fez 80 anos. O texto é leve, alto-astral e contagiante, quase dá para se sentir parte da família.

cronicaCrônica de uma namorada, 1995 – Através da primeira experiência amorosa de uma adolescente, contada com muita graça e leveza por Zélia, ficamos sabendo como era a vida das meninas nos anos 50, suas expectativas, seus sonhos e as cobranças sociais. Jorge Amado escreveu o prefácio e foi o principal incentivador para que Zélia entrasse no ramo da ficção.

casaA casa do Rio Vermelho, 1999 – Nestas crônicas, Zélia coloca sua casa e a de Jorge Amado, no bairro boêmio do Rio Vermelho, em Salvador, como protagonista das histórias vividas pela família. O livro celebra a amizade, pois traz histórias deliciosas dos encontros ocorridos sob as mangueiras da antiga casa.

cittaCittá di Roma, 2000 – Neste livro, Zélia mergulha fundo nas memórias de sua família e conta a história da imigração dos italianos para o Brasil, no final do século XIX, através da viagem que seus avós, os pais de Ernesto Gattai e Angelina Dacol, fizeram no navio Cittá Di Roma.

jonasJonas e a sereia, 2000 – Outra obra infanto-juvenil da escritora, que reinventa o mito das sereias e conta uma história de amor improvável, mas perfeitamente possível no mundo da literatura, a paixão entre um homem e uma sereia.

codigosCódigos de família, 2001 – Quem não gostaria de saber o que se passa entre os membros de uma família famosa? Seus casos, as piadas, apelidos, os micos que pagaram? Pois é o que Zélia divide com os leitores em mais um volume das suas deliciosas memórias.

baianoUm baiano romântico e sensual, 2002 – O último livro publicado por Zélia Gattai foi escrito por ela e pelos filhos como uma homenagem a Jorge Amado, morto em 2001. Reúne três relatos, um de Zélia, um de João Jorge e um de Paloma.

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