Mulheres ditam novos padrões de consumo on line

Consumo é tema importante dentro do vasto universo feminino. Mas, ao contrário do senso comum, somos bem menos impulsivas na hora de gastar dinheiro do que dizem por aí. No artigo que separei para publicar aqui no blog nesta quarta, dentro da Semana da Mulher, vocês veem dados interessantíssimos sobre a relação das meninas com as compras. Estamos dominando o segmento on line e o novo boom do e-commerce nacional: os sites de compras coletivas. Já existe até uma terminologia nova, “mães digitais” (me identifiquei, embora ainda esteja longe dos 45). Confiram o texto de Stella Susskind sobre o tema:

Mulheres “dominam” os sites de compras coletivas e ditam novos padrões de consumo online no Brasil e na Europa

*Stella Kochen Susskind

Um contingente significativo de mulheres brasileiras e europeias está promovendo uma verdadeira revolução no consumo online. No Brasil, levantamentos atestam que 60% das pessoas cadastradas nos portais de compras coletivas – portanto, internautas com real potencial de compra e com tíquete médio entre R$ 30 e R$ 40 – são do sexo feminino. Em 2010, as compras coletivas movimentaram R$ 10,7 bilhões e a expectativa é ultrapassar a marca dos R$ 14 bilhões neste ano. Por ser membro da Mystery Shopping Providers Association Europe, tive acesso ao estudo francês Les Digital Mums – conduzido pela WebMediaGroup – que identificou o surgimento do fenômeno “mães digitais”. É claro que os números relacionados à movimentação financeira do negócio impressionam, mas o que me chama a atenção são as novas tendências comportamentais.

De acordo com a pesquisa francesa, as mulheres com menos de 45 anos e que têm filhos estão ditando novos padrões de consumo na internet. Entre as 552 entrevistadas, 57% das mulheres afirmaram que fazem pelo menos uma compra por mês pela internet; 44% gastam mais de 20% do orçamento familiar em compras online. Ativa nas redes e fóruns sociais, essa consumidora tem como motivação a economia de tempo (59%) e o fato de poder comprar quando quiser (58%) – afinal, as lojas virtuais estão abertas 24 horas. As “mães digitais” – entre as quais me incluo, embora não seja francesa – usam a internet, também, para pesquisar e trocar ideias sobre educação infantil. Além disso, essas mulheres estão usando a rede como instrumento de e-commerce, ou seja, 83% das entrevistadas afirmaram que visitam, no tempo livre, sites especializados em compra, venda e troca de produtos usados.

Tanto no Brasil quanto na Europa – e a pesquisa Les Digital Mums mostra esse comportamento – as mulheres não compram por impulso. Não estou afirmando que são compras 100% racionais, mas que são fruto de pesquisas nas quais as consumidoras comparam o custo–benefício do produto. Embora o emocional seja extremamente importante para o consumo feminino, a nova consumidora é criteriosa e cautelosa, especialmente nas compras online. Ao analisarmos o comportamento feminino nas compras coletivas, por exemplo, vemos que a opinião de outras consumidoras que já utilizaram o serviço, sobretudo de amigos e parentes, é determinante. Contudo, a compra online ainda está restrita à praticidade. Explicando melhor, os objetos de desejo das mulheres – sapatos, bolsas, perfumes, maquiagem e roupas – continuam a demandar a compra presencial; o namoro às vitrines.

Seja no ambiente virtual ou real, o atendimento permanece como fator crucial para a fidelização de clientes. De acordo com os relatórios da Shopper Experience, elaborados a partir de relatos dos clientes secretos – a empresa conta com um módulo de pesquisa pioneiro, dedicado à avaliação de e-commerce, compras coletivas, Twitter e Facebook de empresas do varejo e do setor financeiro – , o atendimento online requer melhorias urgentes. De um lado temos um novo consumidor que realiza compras (online e em lojas); de outro, marcas que levaram para as lojas virtuais os mesmos desmandos e atendimentos impróprios que têm nos estabelecimentos físicos. Essa miopia tem causado sérios transtornos aos Procons do país que estão repletos de processos e reclamações de consumidores. Em um futuro próximo e com a crescente conscientização do consumidor brasileiro, essas empresas não terão mais espaço no mundo real e virtual. As mulheres, tudo indica, serão agentes dessa transformação do consumo. Afinal, já são elas que estão ditando os novos rumos das compras online.

*Stella Kochen Susskind preside a Shopper Experience – empresa de pesquisa – e a divisão latino-americana da Mystery Shopping Providers Association. A executiva atua, ainda, como diretora da Mystery Shopping Providers Association Europe.

Já publicamos da autora no blog:

>>Mulheres e Compras: O segredo dos quatro “Ps” do consumo feminino

**O artigo de Stella Kochen Susskind foi enviado ao blog pela Printec Comunicação e publicado mediante a citação da autoria e respeito ao conteúdo. Como todo trabalho intelectual, este está protegido por direitos autorais e pedimos que, caso tenha interesse no tema e queira usar dados desse artigo, entre em contato com a autora ou sua assessoria para pedir autorização.

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Mulheres e Compras: Marketing feminino

As comemorações pelo Dia Internacional da Mulher terminam oficialmente neste sábado, embora o blog discuta o assunto o ano todo, nem tinha como ser diferente, com três mulheres blogando na página. Mas, para seguir o calendário, vamos encerrar hoje as sequências de artigos que ao longo da Semana da Mulher refletiram sobre vários aspectos da feminilidade contemporânea. Foram duas séries, Especial Semana da Mulher e Mulheres e Compras. Esta última, é encerrada agora, com o texto abaixo, de autoria do administrador e professor Marcos Morita. A série Especial Semana da Mulher também terá seu último artigo publico ainda neste sábado, aguardem! Ao falar de marketing e feminilidade, Marcos Morita traça um panorama realista da evolução das conquistas femininas na sociedade pós-moderna e não deixa de fazer o alerta: homens e mulheres são historicamente – e ainda hoje – criados de forma diferente e quase antagônica. Vale refletir se este é o modelo de sociedade que queremos legar às novas gerações.

Marketing feminino

*Marcos Morita

Aliança de casamento não é mais o bem de consumo mais cobiçado pelas mulheres

O dia 8 de março pode ser representado por uma mulher emancipada, independente, realizada e madura, completando 35 anos de vida. A data, instituída em 1975 pela ONU, teve como objetivo lembrar ao mundo suas lutas contra a violência e a discriminação. Apesar do avanço inegável, alguns países parecem ainda estar em 1857, ano em que uma fábrica de tecidos norte-americana foi incendiada para calar a voz de mais de 130 tecelãs que reivindicavam melhores condições de trabalho e equiparação de salário com os homens.

Felizmente não pertencemos mais a este grupo, assim como as discussões entre as diferenças dos sexos já não são tão acaloradas. Sabemos que os homens das cavernas partiam para caça, enquanto as mulheres guardavam e zelavam a cria e o lar. Mesmo assim, protegemos e falamos de maneira mais carinhosa com bebês vestidos de cor-de-rosa. Criamos filhos e filhas com enfoques diferenciados.

Homens têm cromossomos x e mulheres y. Competitividade, excesso de confiança e espírito de aventura no primeiro caso. Proteção, abrigo e nutrição no segundo. Talvez por isso meninos tenham brincadeiras agressivas e competitivas, gostem de filmes de aventura e vídeo games de ação, enquanto meninas brincam de papai e mamãe, adoram bonecas e se deliciam com filmes românticos.

A mulher utiliza os dois lados do cérebro ao invés do direito apenas. Há também mais conexões através dos dendritos, possibilitando maior capacidade de pensar holisticamente e expressar suas emoções. Tente discutir com sua esposa ou namorada e comprove o número de palavras por minuto, as histórias resgatadas do fundo do baú e a facilidade em transformar sentimentos em lágrimas.

Com o crescimento do poder de compra, as mulheres não mais influenciam as decisões nas unidades familiares. Preferem ir direto ao consumo. Carros e apartamentos substituíram roupas, compras de supermercado e educação dos filhos. Perdidas estão as empresas e profissionais de marketing que ainda tratam as mulheres como um mercado em ascensão. Hoje elas são o mercado.

Há ainda alguns nichos que podem ser explorados. O advento da internet, a queda brutal nos custos das comunicações e a globalização, possibilitaram que grupos anteriormente excluídos pelas empresas pudessem se tornar comercialmente interessantes. O pesquisador americano Mark Penn utilizou o termo microtendências para defini-los.

Professor Marcos Morita, autor do artigo

Segundo Penn, microtendências são pequenas forças imperceptíveis que podem envolver até 1% da população, moldando a sociedade de forma irreversível. Considerando uma população de aproximadamente 100 milhões de brasileiras, teríamos um mercado nada desprezível de um milhão de consumidoras esperando para terem suas necessidades atendidas. Vejamos algumas.

Solteiras demais: creio que já tenha discutido com sua esposa ou família, o fato de alguma prima ou conhecida ter ficado para a titia. Inteligentes, bonitas e com bons empregos, seriam partidões caso tivessem nascido com outro cromossomo. O comportamento agressivo na juventude e os casais homossexuais em maior número pendem a balança para o lado das mulheres.

Tigresas: apesar do ar de reprovação de algumas pessoas, é fato que o número de mulheres mais velhas namorando homens mais jovens vem aumentando. Artistas e socialites cujas vidas são escarafunchadas são os exemplos mais visíveis. A independência financeira e sexual conquistada pelas gerações anteriores tem feito que mulheres maduras optem pelo divórcio.

Mulheres prolixas: as mulheres têm demonstrado aptidão em áreas que exigem o uso da palavra escrita ou oral. Algumas profissões estão se tornando redutos femininos. Cursos de jornalismo, direito e propaganda são bons exemplos. Apresentadoras, advogadas, juízas, deputadas, prefeitas, governadoras e quem sabe até a próxima presidente, comprovam o sucesso feminino quando o assunto são palavras.

Utilizaria o termo oportunidade caso tivesse que resumir esta data em apenas uma palavra. Os especialistas em mulheres e seus comportamentos de compra têm hoje apenas uma foto do presente e a história escrita do passado. As microtendências provam que ainda há muito a avançar neste intrincado terreno que é o cérebro feminino. Mãos à obra, homens!

*Marcos Morita é mestre em Administração de Empresas e professor da Universidade Mackenzie. Especialista em estratégias empresariais, é colunista, palestrante e consultor de negócios. Há mais de quinze anos atua como executivo em empresas multinacionaisContato: professor@marcosmorita.com.br / www.marcosmorita.com.br

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Mulheres e Compras: Por que as mulheres, brasileiras ou francesas, leem mais que os homens?

O penúltimo artigo da série Mulheres e Compras, nesta sexta-feira, é de autoria de Lourdes Magalhães, presidente da Primavera Editorial. No texto, a autora traz dados recentes sobre o consumo de cultura praticado por homens e mulheres, no Brasil e no exterior. Escolhi este artigo para fechar a sequência iniciada na última terça-feira, porque dia desses, batendo papinho no intervalo do trabalho com Alane, ela disse uma coisa que rende reflexão: “somos intelectuais, mulheres, temos de manter a beleza por dentro, das ideias, mas também precisamos nos cuidar por fora”. Ou seja, beleza é consumo, cultura é consumo e o equilíbrio entre corpo, mente e espírito continua sendo a máxima que rege a vida de todas nós, independente de quanto tenhamos disponíveis para gastar.  Como sempre, foi um imenso prazer dividir tanto material rico com vocês, queridas (os) leitoras (res). Aos assessores e articulistas que nos permitem divulgar suas ideias no blog, nossos agradecimentos eternos. E não esqueçam que neste sábado temos o último capítulo da série Especial Semana da Mulher!

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Por que as mulheres, brasileiras ou francesas, leem mais que os homens?

*Lourdes Magalhães

“Mulher, você vai gostar, tô levando uns amigos pra conversar…” No centenário do Dia Internacional da Mulher, provavelmente a personagem de Chico Buarque, na divertida “Feijoada completa”, nem estaria em casa para recepcionar a trupe de amigos do marido. Ela estaria ocupada, desenvolvendo mil projetos no trabalho ou consumindo cultura. Brincadeiras à parte, dados estatísticos mostram os avanços e a inclusão feminina nos ambientes culturais e corporativos. As mulheres leem mais no Brasil, como demonstra a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro. Os dados revelam que 55% dos leitores brasileiros são mulheres – elas consomem, em média, 5,3 livros por ano contra os 4,7 livros anuais lidos pelos homens. Um outro estudo, conduzido pelo Instituto QualiBest, revelou que as mulheres internautas também leem mais: 55% leem pelo menos um livro por mês contra 42% dos homens. Nessa pesquisa, 65% afirmaram que leem por prazer, sendo ficção e romance os gêneros preferidos.

Mas, como não posso pecar pelo ufanismo, adianto que esse não é um fenômeno brasileiro. Pesquisas internacionais comprovam que as mulheres consomem mais cultura, ou seja, leem mais literatura de qualidade; assistem mais peças teatrais e filmes; visitam museus e exposições; e são maioria nas plateias de espetáculos de dança. Como se não bastasse, elas ocupam a maioria das cadeiras nos cursos de humanidades. Na Europa e Estados Unidos, por exemplo, superam os homens na leitura de ficção.

Em viagem recente a Paris para participar de encontros com autores, tive acesso – pela leitura de jornais e conversas informais com escritores franceses – a relatórios do governo francês que analisam dados de pesquisas realizadas entre 1973 e 2003 sobre a relação feminina com a cultura. Em 1973, por exemplo, 72% dos homens franceses leram um livro em 12 meses; em 2003 esse índice caiu para 63%. Entre as mulheres, o índice subiu de 68% (1973) para 74% (2003). Essa constância no crescimento do consumo cultural feminino ultrapassou o status de tendência para consolidar a permanência.

Um dado interessante que consta nesse compêndio de pesquisas sob o título “A fábrica sexual do gosto cultural” é que a participação feminina no consumo de cultura é mais significativo na faixa dos 40 anos – idade, na Europa, de jovens mães – que dão ênfase à educação cultural das meninas. Não à toa, uma pesquisa com três mil famílias mostrou que meninas entre seis anos e 14 anos leem mais que os meninos da mesma idade; sendo que 38% têm no cotidiano atividades culturais e artísticas como cursos de balé, teatro e pintura, contra 20% dos garotos.

No Brasil, a queda no analfabetismo indica que temos um longo caminho pela frente, mas que avançamos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que entre 1991 e 2001 a taxa de analfabetismo caiu de 20,1% para 13,6% da população. No tocante à escolaridade assistimos à ascensão feminina contínua, um processo de inclusão educacional muito relevante porque tem reflexos na participação feminina nos melhores postos de trabalho do País. Em 2007, entre os brasileiros com mais de 12 anos de estudo – inseridos, portanto, no nível superior de ensino – 57% são mulheres. A projeção do IBGE é que a cada 100 pessoas com 12 anos ou mais de estudo, 56,7% são mulheres e 43,3% homens. Em 2009, de acordo com a empresa internacional Great Place to Work, 43% dos postos de trabalho das 100 “Melhores Empresas para Trabalhar – Brasil” são ocupados por mulheres; elas estão em 36% dos postos de liderança, inclusive na presidência de empresas.

Voltando ao título que motiva este artigo – “Por que as mulheres, brasileiras ou francesas, leem mais que os homens? – antes que alguém evoque a maior sensibilidade feminina para as artes, o hipotético “tempo de sobra” ou argumentos similares, recorro novamente ao estudo francês. Quando questionados no estudo sobre o que estão fazendo nos momentos de lazer, homens e os meninos revelam: dedicam mais tempo à televisão – especialmente programas de esportes –, acessam a internet e convidam os amigos para jogar videogame.

*Lourdes Magalhães é presidente da Primavera Editorial. Executiva graduada em matemática pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com mestrado em Administração (MBA) pela Universidade de São Paulo (USP) e especialização em Desenvolvimento Organizacional pela Wharton School (Universidade da Pennsylvania, EUA)

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Mulheres e Compras:”Mulheres ou homens: quem gasta mais?”

A série Mulheres e Compras traz nesta quinta-feira uma reportagem sobre recente lançamento da Primavera Editorial. Trata-se do livro Você sabe lidar com o seu dinheiro? Da infância à velhice, escrito por dois jornalistas, Marília Cardoso e Luciano Gissi Fonseca. No livro, os autores analisam o perfil de consumo de homens e mulheres e tentam acabar com alguns mitos, como o que diz que nós somos as gastadeiras, enquanto os meninos seguram a carteira.

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*Mulheres ou homens: quem gasta mais?

Embora seja óbvia a diferença entre os gastos de homens e mulheres existe um mito, que adquiriu status de verdade absoluta em todo o mundo, sobre os “exorbitantes” gastos femininos. Ao contrário do que prega o senso comum, as mulheres na verdade gastam menos do que os homens, de acordo com Marília Cardoso e Luciano Gissi Fonseca, autores do livro “Você sabe lidar com o seu dinheiro? Da infância à velhice”, da Primavera Editorial. Os jornalistas – que fizeram uma série de entrevistas durante a elaboração do livro – afirmam que as mulheres têm fama de gastar mais porque investem para acompanhar as tendências da moda. Em contrapartida, os gastos masculinos são caracterizados por bens mais caros.

Segundo Marília Cardoso, os homens gastam mais com tecnologia e carros, portanto, produtos mais caros; as mulheres com moda e cosméticos. “As mulheres compram com mais frequência, mas gastam menos do que os homens. O que ocorre é que as cobranças sociais são diferentes. Enquanto os homens estão preocupados em impressionar as mulheres com carros luxuosos, tecnologia de ponta e relógios caros, as mulheres desejam estar sempre lindas e elegantes. Ou seja, haja salão de beleza e banho de loja!”, detalha a jornalista. De acordo com Marília, o que torna homens e mulheres iguais na gestão do dinheiro é que ambos são suscetíveis, na mesma medida, a cair em tentações consumistas. “O que muda são os produtos, mas os dois têm a mesma propensão a assumir dívidas por conta de produtos supérfluos”, afirma.

O perfil de gastos se iguala na juventude – Luciano Gissi Fonseca destaca os gastos entre homens e mulheres – e a propensão para o endividamento – se igualam entre os jovens, sobretudo pela “necessidade” de se inserir em determinado grupo. “Não importa a tribo, sempre há um padrão de vestuário e consumo para cada uma delas. A maioria dos jovens viu os pais financiarem o carro da família em intermináveis prestações, ou fazerem despreocupadamente as compras no supermercado com o cartão de crédito. Essa desenvoltura em utilizar a fartura de crédito influencia muito a atitude de ambos os sexos”, afirma Fonseca. O jornalista cita, inclusive, pesquisa realizada pelo Instituto Akatu em parceria com a Unesco com jovens de 24 países dos cinco continentes, cuja conclusão aponta os brasileiros como os mais consumistas do mundo, ficando à frente dos franceses, japoneses e norte-americanos. “Dos brasileiros entrevistados, 37% apontaram as compras como um assunto de muito interesse no dia a dia, sendo que para 78% a qualidade é o principal critério de compra, antes mesmo da análise do preço. Todos, homens e mulheres, se sentem obrigados a andar na moda e a ter tudo o que a tecnologia oferece de mais moderno”, salienta o jornalista.

No livro, Marília Cardoso e Luciano Gissi Fonseca mostram que o dinheiro é uma das poucas coisas que faz parte da vida de todos os seres humanos, independente da classe social, sexo, cor e religião. A presença do dinheiro é tão comum que poucos param para pensar o tipo de relação que têm com ele. “No livro, fizemos questão de destacar depoimentos de sucesso e de fracasso no trato com o dinheiro, justamente para despertar o interesse e a reflexão sobre o papel do dinheiro na vida de cada um, independente de sermos homens ou mulheres”, salienta Marília.

Conheça os autores:

Marília Cardoso – Jornalista pós-graduada em comunicação empresarial pela Universidade Metodista de São Paulo, iniciou sua carreira em 2004, auxiliando no atendimento de assessoria de imprensa  a diversos clientes. Na redação, atuou como produtora e repórter de programas de rádio e televisão nas emissoras Rede Mulher, Rede Gazeta e Rádio Trianon nos segmentos de saúde, beleza e comportamento. Em comunicação empresarial, desenvolveu estratégias de marketing, comunicação interna e conteúdo editorial para várias empresas. Recentemente fundou a InformaMídia Comunicação. É  colaboradora da Revista Comunicação Empresarial, publicação editada pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), e participa de Congressos de Comunicação com a publicação de artigos científicos da área.

Luciano Gissi Fonseca – Jornalista e radialista, iniciou sua carreira em 1994, na agência Asa de Comunicação, em Belo Horizonte (MG), onde atuou na área de marketing. Na sequência, integrou a equipe da TV Aratu de Salvador. Como jornalista das editorias de comportamento e esportes, publicou matérias em vários veículos como portal Zip.net e o jornal japonês International Press. Como assessor de comunicação, desenvolveu projetos para diversos clientes. Atualmente é diretor de criação e de imprensa da Take 4 – Comunicação Estratégica e gerencia ações de mídias sociais e jornalismo corporativo para diversas empresas do Brasil e do exterior.

Livro integra o selo EDU, da Primavera Editorial

A editora – A Primavera Editorial, uma “butique de livros”, estimula no cidadão brasileiro o hábito da leitura com conteúdos prazerosos, inteligentes e instrutivos. Investir em novos autores nacionais e estrangeiros – especialmente os estreantes e com obras que não foram publicadas no Brasil – tem sido uma das linhas editoriais adotadas. Com diferentes linhas editoriais como romances históricos e sociais, ficção brasileira e estrangeira e policiais, entre outras, as obras da Primavera Editorial são associadas à inovação e ao pioneirismo dos conteúdos, além da qualidade da produção gráfica. No portfólio da editora estão títulos de sucesso como La llorona (Marcela Serrano, Chile), 31 profissão solteira (Claudia Aldana, Chile), Solstício de verão (Edna Bugni, Brasil), A décima sinfonia (Joseph Gelinek, Espanha), As duas faces da abóbora (Caco Porto, Brasil), Há muito o que contar…aqui (Alison Louise Kennedy, Escócia), Mohamed, o latoeiro (Gilberto Abrão, Brasil), O véu (Luis Eduardo Matta, Brasil) e A neta da maharani (Maha Akhtar, Estados Unidos). Pelo selo BIZ – criado para a publicação de livros que fomentam uma cultura corporativa positiva –, a Primavera Editorial lançou o Manual de gentilezas do executivo (Steve Harrison, Estados Unidos) e As 3 leis do desempenho – reescrevendo o futuro de seu negócio e de sua vida (Steve Zaffron e Dave Logan, Estados Unidos).

Com o selo EDU, uma alusão à palavra inglesa education, associada à educação continuada, a Primavera Editorial criou uma divisão que representa o investimento da editora no segmento de não-ficção. O anel que tu me deste – O casamento no divã (Lidia Rosenberg Aratangy, Brasil); Livro dos avós – Na casa dos avós é sempre domingo? (Lidia Rosenberg Aratangy e Leonardo Posternak, Brasil); Você sabe lidar com o seu dinheiro? Da infância à velhice (Marília Cardoso e Luciano Gissi Fonseca, Brasil) e Onde o esporte se reinventa: histórias e bastidores dos 40 anos da Placar (Bruno Chiarioni e Márcio Kroehn, Brasil) são os primeiros lançamentos do selo.

*Material elaborado e encaminhado ao blog pela jornalista Betania Lins, da assessoria da Primavera Editorial.

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Mulheres e Compras: O que as marcas e a propaganda precisam saber sobre a mulher contemporânea?

Continuando a série Mulheres e Compras, o artigo desta quarta-feira é de autoria do administrador e economista Paulo Al-Assal, diretor da Voltage. Ele analisa o padrão criado pela mídia para a “super-mulher” contemporânea, o quanto dessa imagem condiz com a realidade ou o quanto ela nos força a incorporar uma personagem que ao invés de reconhecer nossas características reais, exige muito de nós para manter o status de heroínas. Embora seja voltado para o mercado publicitário e para as campanhas de marketing das marcas conhecidas, ou seja, embora vise a mulher consumidora, o texto acaba fazendo uma boa reflexão sobre a nossa condição atual na sociedade. Confiram:

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O que as marcas e a propaganda precisam saber sobre a mulher contemporânea?

*Paulo Al-Assal

Haja fôlego para sermos tudo o que a família, o mercado e a sociedade exigem de nós, as mulheres contemporâneas. E tudo isso sem descer do saldo, descuidar da make e manter o corpão, ufaaa!!

Quando questionadas sobre qual é a principal característica do homem ideal, uma parcela considerável de mulheres vai responder à queima-roupa que é a capacidade de fazê-las rir. Se esse é um trunfo essencial para a conquista, por que ao abordar as consumidoras as marcas deixam de fora o bom humor? E que tipo de humor é valorizado pela mulher contemporânea? Uma outra questão pertinente é por que as marcas optam por descrevê-la como um ser múltiplo – a supermulher. Não que eu esteja duvidando da capacidade feminina de desempenhar inúmeros papéis, mas questiono se é por essa característica que gostariam de ser retratadas. Em uma verdadeira cruzada para por à prova esse conhecimento empírico, analisei uma série de pesquisas comportamentais, conduzidas pela Voltage, com mulheres com idade entre 20 anos e 40 anos, das classes A, B e C.

As pesquisas mostram que no imaginário contemporâneo feminino, a conquista da realização pessoal é decorrente de uma vida profissional, familiar e sexual prazerosa, ou seja, um projeto difícil de se concretizar. A decisão de não abrir mão dos papéis “convencionais” – mãe e administradora do lar perfeita – criou um padrão emergente caracterizado pela ampliação das responsabilidades femininas. Os constantes questionamentos familiares, que colocam em xeque a atuação da mulher nos diferentes papéis, são fatores de estresse e desgaste para as mães-profissionais. Ou seja, para a mulher contemporânea o padrão de excelência é tão inatingível que o rótulo de supermulher soa falso, algo distante da realidade.

A análise do significado da maternidade na vida da mulher contemporânea; os desafios, os desejos, as preocupações cotidianas e a relação com as marcas nos fornecem elementos significativos para entender a mulher contemporânea. Quando passamos a entender o modo feminino singular de se relacionar com as marcas – levando em consideração os critérios racionais e emocionais para a escolha dos produtos – concluímos que há discrepância entre a mulher real e a retratada pela publicidade. Parece redundante, mas tornar-se mãe constitui uma nova condição ôntica que, na percepção feminina, transforma completamente a vida e o perfil de consumo. Ser mãe implica em um senso de responsabilidade instintivo; a responsabilidade pelo hoje e amanhã dos filhos. Os sonhos e preocupações passam a ser ligados à família e aos filhos.

Uma tendência identificada nas pesquisas da Voltage é que as mulheres têm buscado adaptar as atividades profissionais à rotina familiar com horários e atribuições profissionais mais flexíveis; essas mulheres têm buscado o que acreditam ser a essência da feminilidade por meio da convivência mais estreita com os filhos. Há, inclusive, as que optaram por se dedicar integralmente aos filhos  durante determinado período, e que transformaram as casas em suas próprias empresas. Nelas é fácil identificar o passado corporativo, pois usam termos como “gerenciamento” e “metas” para falar sobre a lida cotidiana. Entre as que continuam em dupla jornada, a reclamação recorrente é a falta de tempo para cuidados pessoais: manicure, depilação, academia etc. Hoje, essas atividades são “encaixadas” no horário do almoço.

No tocante aos cuidados com a alimentação, a escolha da mulher contemporânea abarca os alimentos funcionais – produtos com benefícios nutricionais. Os produtos enriquecidos ganham status de auxiliar no desenvolvimento das crianças. Embora o consumo de orgânicos não seja cotidiano, esses alimentos são os mais admirados pelas consumidoras-mães por tudo que representam. Em suma, a maternidade altera drasticamente a alimentação e as escolhas de consumo. A mulher passa a ter refeições similares às dos filhos; uma forma de “dar exemplo” às crianças. Em contrapartida, se dá ao luxo de consumir itens que não considera adequados para os filhos como refrigerantes e doces.

As linhas light e diet, impróprias para crianças, entram na dieta feminina como instrumento para manter a forma, em um momento que o tempo para exercícios é escasso. Nesse universo, entre as marcas mais citadas estão Nestlé, Parmalat, Sadia, Batavo e Danone. A preferência do marido e dos filhos passa a fazer parte do dia a dia dessa consumidora. Na hora da compra, prioriza alimentos que parecem saudáveis, gostosos e com embalagens capazes de atrair as crianças. A data de validade e a procedência dos produtos passam a integrar o cotidiano, assim como conceitos gordura trans e calorias. A decepção com determinadas marcas leva muitas mulheres a um rompimento definitivo, sem piedade.

Como são mais intuitivas e detalhistas, a emoção detectada em campanhas faz com que lembrem mais de determinadas marcas. Entretanto, na visão da mulher contemporânea, a seriedade que impera nas abordagens das marcas pode ceder lugar ao humor elegante. Lembra da história do namorado bem-humorado? Pois é aqui que o conceito se encaixa.

*Paulo Al-Assal é fundador e diretor-geral da Voltage – agência de tendências e insights aplicáveis ao negócio, pioneira no Brasil na pesquisa e mapeamento do comportamento humano –. Formado em Administração de Empresas e Economia pela Colorado State University, possui pós-graduação em Marketing (Colorado State University) e em Marketing de Entretenimento e Branding (New York University).

**O texto foi encaminhado ao blog, via email, pela assessoria de comunicação da Voltage.

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Mulheres e Compras: O segredo dos quatro “Ps” do consumo feminino

O Conversa de Menina recebeu mais artigos interessantes em alusão a Semana da Mulher. Como boa parte do material refere-se ao tema mulheres e consumo, criamos uma nova série de quatro textos sobre o assunto. Agora, além de acompanhar o Especial Semana da Mulher, até sábado, dia 13 (aguardem o terceiro artigo mais tarde), os interessados em entender essa relação “misteriosa” entre as meninas e as compras, poderão seguir também a série Mulheres e Compras. E o primeiro texto é de Stella Kochen Susskind, que reflete sobre os estereótipos atribuídos às mulheres, como o que diz que para curar uma depressão, por exemplo, lançamos mão da “comproterapia”. Confiram:

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Mulher & Compras: O segredo dos quatro “Ps” do consumo feminino

* Stella Kochen Susskind

Mulheres sempre encontram prazer em comprar; elas adoram a “comproterapia”! Será que essa máxima, repetida à exaustão pelos homens, tem algum fundo de verdade? A experiência profissional e emocional, coordenando um exército de clientes secretos no Brasil e no exterior, ensinou-me que as consumidoras, sobretudo as brasileiras, têm um conjunto de características que ultrapassam as fronteiras dos esteriótipos apregoados. Em pesquisa recente com mulheres de 35 anos a 60 anos, realizada pela Shopper Experience, colocamos em debate os motivos que determinam a compra. Embora o emocional seja extremamente relevante no consumo feminino, o elemento determinante é a presença dos quatro “Ps” – paquera, pesquisa, pechincha e prazer.

A paquera é aquele espaço no qual a sedução que o produto exerce sobre a mulher envolve elementos como apresentação da loja, abordagem de venda e adrenalina da novidade. Na pesquisa, a mulher se certifica do custo-benefício do produto; questiona se a paquera tem potencial para se tornar “algo mais”. A pechincha é o momento em que põe em xeque o “valor”, a qualidade de uma relação embrionária… No prazer, a conclusão de um ritual sedutor que envolve emoções complexas e extremamente femininas. Embora o emocional esteja presente em cada um dos “Ps”, há muito do racional em cada etapa.

Em todas as pesquisas, um axioma impera – o atendimento de excelência determina e direciona uma venda de qualidade, peça-chave para a construção de uma relação duradoura entre consumidoras e marcas. As mulheres já equivalem a 51% da população brasileira, além de influenciar e inspirar o consumo masculino. E como nada indica que o contrário seja pertinente, é essencial para o sucesso do negócio entender quais são os elementos que compõem o que as mulheres associam a um bom atendimento. É nesse contexto que entra um quinto P – o pré-atendimento.

As mulheres que participaram da pesquisa não economizaram elogios ao pré-atendimento, ou seja, aos vendedores que se apresentam com cortesia, colocando-se à disposição para ajudar. A partir dessa apresentação simples e eficaz, esse profissional cede espaço para a “paquera”, para aquele primeiro “P” que desencadeará todo o encantamento que envolve uma experiência de compra perfeita; uma experiência que envolve conquista, prazer, alegria, surpresa…

Mais do que tudo, é preciso abrir mão da lógica cartesiana para entender que o aspiracional feminino pode ser objetivo e prático, sem perder a emoção que permeia cada etapa da compra. Essa é a singularidade feminina, mostrando que o prazer não é inerente a ou um atributo de todo tipo de compra. As mulheres são mais elaboradas do que essa visão simplista. Saiba que a mulher que está paquerando a vitrine pode desistir desse “namoro” a qualquer momento se associar o atendimento ao descaso do objeto de desejo. As mulheres sabem que as paixões são efêmeras…

*Stella Kochen Susskind preside a Shopper Experience, empresa de pesquisa especializada em hábitos de consumo

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