Artigo: Conhecimento e diversão na era da informação

Pais e Crianças no computador / FotosearchO artigo abaixo foi enviado ao blog pela escritora infantil Lu Martinez. No seu texto, ela fala das novas tecnologias da informação e do quanto elas podem ser aliadas no aprendizado e no incentivo à imaginação da meninada. Desde que haja cuidado dos pais, a internet e outras novidades da era digital podem ser bastante educativas. Leiam a íntegra do texto:

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Conhecimento e diversão na era da informação 

Lu Martinez*
 
Histórias sobre a reação das crianças ao descobrirem as novidades do mundo sempre deram pano para manga. Os pequenos e suas lúdicas relações cognitivas são arcabouço para piadas divertidíssimas entre os adultos.
 
Na era digital, essas histórias ganharam um sabor todo especial. Quem nunca viu uma criança de pouco mais de dois anos ser fotografada e ir para trás da câmera para conferir a imagem?  Quem nunca ouviu a história do pai que apresentou ao filho a máquina de escrever e foi surpreendido com elogios entusiasmados a respeito da máquina “que já imprimi automaticamente o que nela se escreve’?
 
A cada dia somos “cúmplices” das histórias divertidas dessas crianças em busca do conhecimento. Na era da informação, os meios pelos quais os pequenos conhecem o mundo também se modernizaram.
 
O acesso fácil e rápido a informações atualizadas, além do acervo de bibliotecas, museus e jogos educativos, é essencial para potencializar o conhecimento por meio da experiência. Pela Internet, é possível brincar com os famosos jogos de sete erros, ligue-pontos, quebra-cabeças, além de ouvir histórias e assistir animações que contribuam para o desenvolvimento da coordenação motora e da agilidade do raciocínio. Esses instrumentos de educação estão à disposição de todos.
 
Sabemos que os riscos de ações indesejadas pela Internet também são constantes e crescentes. Por isso, o acesso deve ser sempre orientado e monitorado pelos pais e professores. 
 
Pais ensinam dever ao filho / FotosearchAntes mesmo do advento da Internet, ensinar a lidar da forma mais segura com o mundo ao redor sempre foi tarefa dos pais. E não deixou de ser nos tempos de hoje. Claro que a questão ganhou novas formas. Frases comuns no passado, como por exemplo, “Não abra a porta para estranhos”, foram substituídas por algo como “não fale com estranhos no computador”.
 
As possibilidades cognitivas – que, à primeira vista, parecem ilimitadas – proporcionadas pelas novas tecnologias sugerem que esses riscos são os “efeitos colaterais” inerentes.
 
Por isso mesmo, é que se faz necessária, cada vez mais, a participação ativa dos adultos na trajetória de aprendizado e mesmo na hora da brincadeira. Até em razão de ser essa uma experiência extremamente importante para a criançada, o acesso à Internet não deve ser coibido.
 
O conteúdo cada vez mais focado no aprendizado dos pequenos, os jogos que exercitam a imaginação, o raciocínio, que diverte ensinando, estão à disposição das crianças e, sob a orientação dos adultos, essas ferramentas podem ser usadas de forma a enriquecer ainda mais o conhecimento adquirido pela forma mais “tradicional”.
 
A facilidade proporcionada pela web é um caminho sem volta. Precisamos usá-la ao nosso favor!

*Lu Martinez é escritora infantil

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Artigo: Livro mais barato ajuda a formar leitores

O artigo que publicamos abaixo foi enviado ao blog pela assessoria de comunicação da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e escrito por Rosely Boschini, presidente da instituição. No seu texto, Rosely fala da queda nos preços dos livros e de como isso reflete no aumento do número de brasileiros leitores. No entanto, ela alerta que o país ainda está aquém da quantidade de livros ideal para cada habitante e essa “resistência” do brasileiro à leitura tem mais relação com a falta de boas políticas de incentivo do que pensar na questão sob a fórmula reducionista de que “brasileiro não gosta de ler”. Confiram a íntegra do artigo:

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Livro mais barato ajuda a formar leitores
 
Rosely Boschini*

Cena do filme O Leitor, com Kate Winslet
Cena do filme O Leitor, com Kate Winslet

O preço dos livros caiu! A boa notícia está presente na Pesquisa “Produção e Vendas do Mercado Editorial 2008”, que a Fundação Instituto de Pesquisas Econômica (Fipe) elaborou a pedido da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel).

A pesquisa revela que, apesar da produção ter caído 3,17% em relação a 2007, e da tiragem média também ter sofrido uma retração de 25,6%, o mercado editorial brasileiro honrou o compromisso assumido em 2004, quando foi desonerado do recolhimento de PIS/Cofins: efetivamente, o benefício foi repassado ao preço.

Assim, se em 2004 o livro didático tinha o preço médio corrente de 14,54 reais, hoje esse valor é de 13,61. No geral, somando todos os gêneros de publicações, a Pesquisa demonstra que o preço médio constante do livro (todos os gêneros), por unidade vendida, variou de R$ 8,58 em 2004 para R$ 8 em 2008. Se levarmos em consideração que a inflação acumulada no período foi de 14%, segundo o IPCA, ou de 21%, pelos cálculos do IGP-M, a queda do preço do produto editorial fica ainda mais evidente.

Outra boa notícia que acompanha a queda nos preços dos livros é a constatação de que os brasileiros efetivamente estão lendo mais. As Obras Gerais, que são todas as publicações que não se enquadram nas categorias de didáticos, religiosos ou técnico-científicos, foram justamente aquelas que apresentaram o maior crescimento em volume de exemplares vendidos, saltando para 77,3 milhões de exemplares contra 64,6 milhões em 2007 – um incremento de 19,76%, portanto.

Este dado não deve, porém, nos desviar da busca de soluções para um problema histórico: o brasileiro ainda lê pouco e não tem o hábito arraigado de adquirir livros. A média nacional de compra permanece em menos de  2 exemplares/ano por habitante. Ou seja, é de suma importância criar ações de incentivo à leitura, além de dar prosseguimento às já existentes, aprimorando-as cada vez mais.

Em O Leitor, Kate Winslet vive uma mulher culta que inicia um jovem no mundo da literatura
Em O Leitor, Kate Winslet vive uma mulher culta que inicia um jovem no mundo da literatura

O fato de o público brasileiro estar mais disposto a adquirir obras literárias indica muitas coisas. É possível deduzir, por exemplo, que os programas de fomento à leitura, que hoje estão na ordem do dia para o governo federal, governos estaduais e prefeituras, têm desempenhado um papel importante na conquista de novos leitores. Mas há mais elementos a se considerar, e um deles, que certamente é crucial, é o preço baixo. O brasileiro só pode incluir o livro no seu orçamento, no seu dia-a-dia, na medida em que este se torna mais acessível.

Para os empresários do setor do livro, que vêm apostando na profissionalização do setor e no aumento de sua eficiência produtiva, a desoneração teve importância inegável. Qual seria o impacto do PIS/Cofins para quem está lidando, desde 2007, com uma crise de proporções mundiais responsável por elevadíssimos índices de inadimplência? Há muito de idealismo no negócio de fazer e vender livros, mas a ausência do lucro condena qualquer empresa à morte. Assim, se a cadeia produtiva do livro vem resistindo, ainda que a duras penas, a uma série de percalços enfrentados no último ano, ela deve parte do seu fôlego a uma carga tributária mais leve.

Tudo isso deve ser considerado para a definição dos próximos passos no delineamento das políticas públicas para o livro e a leitura. O que nos alegra é saber que, para o brasileiro, o livro é, sim, objeto de desejo. E que, quanto mais este puder ficar ao alcance de todos, mais próximos nós estaremos do ideal mais caro a todos aqueles que trabalham com e para os livros: fazer do Brasil um país de leitores!

*Rosely Boschini é presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL).

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Artigo: “Por que meu filho mente tanto?”

O artigo publicado abaixo foi enviado para nós por email pela assessoria de comunicação da CGC Educação (clique aqui para visitar o site). Trata-se de uma análise da psicóloga Beatriz Guimarães Otero sobre a questão da mentira na infância. Muitas vezes, ficamos chocados quando surpreendemos um filho contando mentiras, mas existe uma fase no desenvolvimento da criança em que realidade e fantasia não são tão nítidas. Leiam o texto  da especialista, é muito esclarecedor, principalmente para quem tem crianças nessa faixa etária.

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Por que meu filho mente tanto?

Beatriz Guimarães Otero*

A mentira é sempre encarada com muita preocupação por parte dos pais. Por esse motivo, é importante ter em mente que para uma criança de até cinco anos de idade, mentir é normal. Até esta fase do desenvolvimento, é tido como completamente normal que a criança invente histórias. Isto porque a realidade ainda é muito confundida com a fantasia. A imaginação e a fantasia fazem parte do mundo da criança até os cinco anos, e são bases para o pensamento lógico do adulto. Mas, à medida que a criança vai crescendo, essas funções vão dando lugar à noção de realidade, sem que sejam completamente extintas. A partir dos seis anos de idade espera-se que a criança ainda brinque com a imaginação, mas que fantasie bem menos. A mentira pode ser encarada como intencional a partir dos sete anos de idade, fase na qual a noção de realidade já está estruturada e a criança sabe diferenciar muito bem o que é mentira e o que é realidade. As crianças maiores podem mentir por vários motivos: temer castigos e repreensões, receber alguma recompensa, se isentar de culpas, fugir de responsabilidades, melhorar a auto-estima, chamar a atenção. Outro motivo que pode levar a criança a mentir é quando seus pais mentem. Os pais são os modelos mais importantes para as crianças. As crianças se espelham no comportamento de seus pais. Se os pais pedem que a criança minta ao telefone dizendo que não estão em casa, estão ensinando seu filho a mentir. Ou quando os pais deixam passar uma mentira de seu filho, também estão reforçando este comportamento, fazendo com que a criança encare a mentira como algo natural. Isto, no futuro se transforma no resfriado fictício para escapar da bronca da professora por não ter feito a lição, no automóvel de última geração que na verdade o pai não tem para chamar a atenção dos colegas etc. Percebemos que a criança aprende desde cedo a mentir quando seus pais a ensinam a não dizer quando acham a roupa da colega feia, ou quando não gostam de um presente de aniversário. Ou seja, à medida que começam a ampliar sua rede de relacionamento, as crianças são treinadas a contar algumas mentiras para não magoar o outro, inibindo sua espontaneidade. A partir daí, a criança aprende que necessita esconder o verdadeiro sentimento em algumas situações. Uma pergunta muito importante que surge é: e como os pais devem agir frente a tudo isto? Em primeiro lugar, os pais devem, sempre que perceberem uma mentira, pontuar a diferença entre a fantasia e a realidade, mesmo que a criança ainda seja pequena e não entenda essa diferença. A criança tem que saber que quando mente terá a desaprovação de quem o cerca, e que se fizer o contrário, ou seja, contar a verdade, será admirada. E que ao invés de castigar ou dar uma bronca, compete aos pais ensinarem os benefícios da verdade e os prejuízos da mentira. Isto porque as broncas e os castigos gerarão mentiras futuras com a intenção de fugirem disto. Quando a criança desenvolve um comportamento mentiroso freqüente que se estende muito além dos sete anos, os pais devem procurar ajuda profissional para compreender porque isto está acontecendo e receber as orientações necessárias. Isto porque após esta idade, o emprego freqüente de histórias fantasiosas pode revelar problemas sérios. Afinal, a fantasia neste caso pode não ser mais considerada uma mentira proposital, mas sim, uma fuga da realidade, como é o caso das psicoses em que a mentira vem em forma de delírios, devido a uma quebra de contato com a realidade. Ou ela pode surgir também na forma de uma compulsão, como se fosse uma dependência. Neste caso, a pessoa sabe que está mentindo, mas não consegue se controlar. Contudo, na maioria das vezes, a “imaginação fértil” das crianças indica um crescimento saudável, mas que exige a atenção de sempre.

Beatriz Guimarães Otero é psicóloga e psicoterapeuta junguiana*

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Artigo: Crianças hiperestimuladas, crianças felizes?

Recebemos um artigo muito interessante da psicoterapeuta Blenda Oliveira, doutora em psicologia clínica pela PUC – SP. Para quem tem filhos, é bastante esclarecedor. Confiram:

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Crianças hiperestimuladas, crianças felizes?

Blenda Oliveira*

O foco intenso na criança atinge seu auge por volta do século xv. Até a idade média, a infância não era valorizada. Quando desmamada, lá pelos 3 ou 4 anos, a criança passava a viver no mundo adulto. Não havia escolas formais e a família não era nuclear como agora. Na mesma casa conviviam pessoas de várias procedências.

Na idade moderna, junto com as grandes invenções, a revolução liberal e, mais tarde, com o iluminismo e a formação da burguesia, surge à infância. A criança passa a ser mais cuidada e os laços familiares se fortalecem. Pais e filhos são mais próximos e a criança passa a ser vista como um indivíduo que precisa de atenção e formação essencial.  A infância passa a se constituir como uma ideia de momento especial, uma idade de ouro. Logo se começava a perceber que valia a pena investir nesses seres tão pequenos e dependentes.

crianças brincando 2A infância surge no momento em que se decide deixar as crianças irem à escola, brincarem e serem crianças. Com a modernidade, a infância passa a ser mais estudada e vista como a época de formação.

Liliana Sulzbach (2000) em seu curta-metragem A invenção da infância retrata de uma maneira objetiva e profunda os conceitos de trabalho infantil, comparando as exigências em classes mais pobres e nas classes médias altas. As diferenças são cruciais, mas em ambas acompanhamos uma espécie de corte e de invasão nos territórios do mundo infantil. Crianças assumem funções inapropriadas à sua idade.

Uma criança do interior pobre do nordeste suspira ao dizer: “Que jeito tem? Tem que trabalhar…”. Enquanto a menina de classe media alta fala com um misto de satisfação e dúvida: “tenho hora para tudo! Tenho vida de adulto, mas é melhor assim!”, referindo-se à sua agenda lotada e, por vezes, pouco construída com base no seu desejo ou perfil, tal como o menino que suspira pela falta de alternativa e diz “tem que trabalhar!”.

Almejar para os nossos filhos o melhor dos mundos é perfeitamente compreensível, entretanto o objetivo que subjaz as práticas são questionáveis. Os pais, a pedido das escolas ou por expectativas próprias, tornam a rotina de seus filhos uma maratona desenfreada de cumprimento de tarefas. Os próprios pais não conseguem dar conta numa cidade como São Paulo de levar e trazer de um lado para outro seus filhos das mais diversas atividades.  O tempo acelera para os pequenos e passa a ser um bem de alto valor para eles.

Na ansiedade de fornecer aos filhos todos os recursos creditados como necessários ao desenvolvimento, os pais correm o risco de subverter os valores em função de ter filhos mais competitivos, mais preparados para enfrentar o futuro.

desenhos_blogNo meu dia-a-dia, como psicóloga, atendo crianças e converso com seus pais e com aqueles responsáveis pela vida escolar e ouço afirmações como: “meu filho é muito inteligente”, “é incrível a capacidade dessa criança captar todas as coisas”, “é uma criança brilhante, mas que por algum motivo não vai bem na escola”, “meu filho tem uma inteligência acima da média, mas não tem amigos e não se relaciona”, “ele é um atleta nato, tem um talento surpreendente”  ou, o contrário, “ele é lento para fazer as atividades”, “não tem noção do tempo”, “não consegue se organizar com as lições”, “se distraí com facilidade” e  tantas outras afirmações que nos fazem pensar: qual o elo dessa cadeia que se perdeu?  O que será que tem levado as crianças mais e mais a profundos estados de tristeza, insônia, hiperatividade e déficit de atenção?

Felizmente hoje temos um repertório de conhecimentos vindos da medicina, psicologia, neurociência, que faz toda diferença para conhecermos a etiologia de alguns quadros e poder tratá-los. Fato que há 50 anos era incomum e, portanto, as providências de tratamento eram precárias.

Assim, não podemos somente atribuir à vida corrida que levamos o aparecimento dos distúrbios da infância. Sem dúvida, os fatores do dia-a-dia como violência, exigências competitivas, acesso fácil aos meios de comunicação e diminuição do tempo de infância, contribuem para aumentar quadros antes mais freqüentes na idade adulta.

O custo de compor uma família também é alto. Preparar os filhos tornou-se um grande e complexo investimento. Pais trabalham incansavelmente para manter seus filhos, para assegurar que recursos não lhes faltem. Na outra ponta temos crianças exigidas e cansadas, com pouco aproveitamento do tempo para brincar e aprender na escola.

O que seria esperado? Não oferecer as possibilidades de aprendizagem? Não, absolutamente.  Talvez o elo que precisamos encontrar em nosso dia-a-dia como pais seja o cultivo pelo aprender, pelo estudar e pelo conhecimento. Aprender não é um processo de cumprimento de tarefas, mas sim um processo de descobrir coisas novas, todos os dias, das mais simples às mais complexas.

Oferecer os recursos a partir da convicção de que mais do que resultados, esperamos que pais e educadores ajudem nossas crianças a criarem ideais construtivos.  Nem sempre as crianças têm idéia do processo no qual estão envolvidas, quais são as etapas de todo e qualquer aprendizado. Empenho, dedicação, perseverança são valores pouco sublinhados nos processos de aprendizagem.

*Blenda Oliveira é diretora da Casa Movimento – www.casamovimento.com.br -, doutora em psicologia clínica pela PUC-SP, psicanalista pela Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo – SBP-SP -, além de psicoterapeuta.

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Artigo: ”Aprenda a escolher um sapato masculino”

pesCom a proximidade do Dia dos Pais pipocam nas caixas de email dos jornalistas material de divulgação com dicas de presentes, para ajudar os mais indecisos a encontrar um mimo que seja a cara do paizão (aqui você encontra algumas dicas). Não é porque o Conversa de Menina é um blog feminino que vamos relegar os pais ao segundo plano. Eles são importantes e nós abraçamos a campanha da paternidade responsável. Até o fim da semana, aguardem post sobre a história do Dia dos Pais e o que se espera de um pai na contemporaneidade. Por enquanto, aproveitando a data e a correria em busca de um presente ideal, reproduzimos o artigo do ortopedista Fabio Ravaglia, especialista em coluna vertebral e mestre em cirurgia pela Unicamp, que traz dicas sobre o que observar na hora de escolher sapatos para homens. Anatomicamente, lógico, somos bem diferentes dos meninos. Mas, existem outros detalhes na pisada, no peso dos ossos, no formato dos pés, que influenciam bastante. E sapato, enquanto para nós é um acessório para compor aquele visual arrasa-quarteirão, para os médicos significa “olhe onde e como pisa” –  principalmente se desenvolvemos lesões por usar os calçados errados. Confiram:

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Aprenda a escolher um sapato masculino

*Dr. Fabio Ravaglia

O Dia dos Pais está próximo e comprar um sapato é sempre uma boa opção de presente. Mas como fazer a escolha certa? O que considerar na hora de comprar calçado masculino? Há pessoas que não presenteiam com calçados por medo de errar ou já avisam: “pode trocar”. É fácil escolher o que está na moda, o número, a cor predileta, que esposas e filhos conhecem tão bem. Outros fatores, contudo, devem ser levados em conta. Como médico, acredito que a saúde está sempre em primeiro lugar e a saúde dos pés depende em grande parte da forma como os usamos e dos cuidados que temos com eles. O pé é uma máquina perfeita de sustentação do corpo, fundamental para promover a sua mobilidade, e o calçado pode afetar, positiva ou negativamente, a sua saúde e performance.

Originalmente, o pé humano se desenvolveu para andar descalço. Mas é claro que há séculos, por segurança e higiene, este hábito foi abandonado. Ocorre que a maneira de pisar e o tipo de calçado que usamos influenciam tanto no funcionamento quanto no formato de nossos pés. Muita gente sente dor na sola do pé ou dor no calcanhar — resultado do uso de um calçado inadequado ou da maneira de andar incorreta. Ao entrar em contato com o solo, os pés agem no controle de postura, equilíbrio, apoio, impulsão, absorção de impactos e distribuição do peso corpóreo. O calçado pode mesmo prejudicar a saúde dos pés. O uso contínuo de um calçado inadequado pode gerar até uma fascite plantar, ou seja, uma inflamação na sola do pé.



Calçados macios em toda sua extensão, principalmente na parte lateral do calcanhar, são indicados para quem tem a pisada supinada. Pessoas com os pés pronados devem contar com reforço na parte interna do calcanhar. As pessoas com  pé chato tendem a desenvolver processos inflamatórios como tendinites — por isso recomendo sapatos fechados e bem firmes nos pés, com saltos mais altos que ajudam a curvatura.

Mapa dos músculos dos pés
Mapa dos músculos dos pés

Antes de adquirir um sapato, portanto, é importante saber um pouco mais. A anatomia do pé tem uma estrutura complicada – envolve um conjunto de ossos, juntas, articulações, ligamentos, músculos e tendões, que permite uma enorme série de movimentos. Embora a anatomia seja a mesma, há diferenças de formação. Há pessoas com pés normais, supinados (cavos) ou pronados (chatos) e o mercado dispõe de modelos de sapatos, principalmente de tênis, que são apropriados para cada caso. Tênis ou sapatos não têm a função de corrigir problemas ortopédicos, mas podem adaptar o pé para que o passo fique correto, ou seja, para amenizar as falhas da pisada. Palmilhas também são eficazes em muitos casos. Na pisada supinada, a pessoa confere maior peso no lado externo (pés com muita cava). Na pronada, o peso do corpo está concentrado na parte lateral-interna. Na pisada neutra, característica das pessoas com pés normais, o peso do corpo é distribuído  mais uniformemente nos pés.

Em todos os casos, é importante observar para que o calçado não fique curto demais, comprimindo o pé, ou folgado demais na frente, no peito dos pés, atrás e dos lados, deixando uma folga maior do que a necessária para os dedos ou deixando o pé solto, o que pode causar bolhas ou calos. A folga ideal na frente é de no máximo um centímetro entre o dedão e a ponta (bico) do sapato, permitindo a movimentação dos dedos. Solados de borracha são mais recomendados por evitar escorregões. Saltos largos e estáveis ajudam para que a pisada ocorra com segurança. Os sapatos fechados costumam acomodar melhor os pés. Fivelas e cadarços ajudam a manter o sapato preso aos pés. Nem sempre o elástico é uma boa alternativa, uma vez que pode prejudicar a circulação sanguínea. Hoje, muitos tênis têm amortecedores que impedem que os pés e o corpo absorvam um impacto maior. Eles aliviam a carga que as articulações dos pés e dos joelhos, principalmente, recebem. São responsáveis por evitar problemas, como uma fratura por estresse ou mesmo artroses na região entre a coluna vertebral e a bacia. Flexibilidade da sola, material macio, bico amplo e salto em torno de três centímetros são características básicas de um sapato “saudável”.

Desconforto ou dores articulares ao caminhar, especialmente nos pés e nos joelhos, são sintomas de que algo anda errado. O ideal para tirar a prova dos nove sobre o tipo de pisada é fazer a baropodometria, um exame simples que mapeia a distribuição da carga na sola do pé enquanto a pessoa caminha.

Sapatos inadequados são responsáveis por 90% das doenças dos pés. Ter em mente este fato na hora da compra significa prevenir o incômodo de pisar sentindo dor. Reforço que o calçado certo evita a incidência de dores no joelho, no arco anterior dos pés, joanetes, calos, tendinites, unhas encravadas e danos à coluna. Portanto, não sacrifique os pés em favor da estética. Afinal, ninguém quer dar um presente que cause desconforto, não é mesmo? Feliz Dia dos Pais em 9 de agosto!
 

*Fabio Ravaglia, ortopedista e diretor do Instituto Ortopedia & Saúde

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Leia também:

>>Síndrome de Centopeia – ou as mulheres e seus sapatos

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