Curso gratuito de maquiagem artística

Elenco da peça baiana "Josefina, a cantora dos ratos", cuja produção de maquiagem é da artista Marie Thauront

Uma notícia para quem pretende buscar uma carreira nos bastidores das artes cênicas. A maquiadora francesa, radicada na Bahia, Marie Thauront, formada pela Ecole Chauveau, de Paris, abriu inscrições para o Curso Gratuito de Maquiagem Artística, com material também gratuito, fornecido pelo curso. As aulas vão acontecer pela manhã e à tarde, na Escola de Belas Artes da UFBA, no Canela, e no Centro Social Monsenhor Amílcar Marques, na igrejinha de Santana, no Largo de Santana, no Rio Vermelho.

O curso começa em 22 de março e termina em julho. A carga total de duração são 120 horas (30 aulas de quatro horas cada, duas vezes por semana). Ao longo do período, os alunos aprenderão sobre maquiagem básica e maquiagem de festa, maquiagem de época – desde os anos 20 até os anos 90 – , maquiagens étnica, tribal, kabuki, face painting infantil e adulto, palhaço, drag queen, body painting, postiços e carecas, mudança de gênero, envelhecimento e criação de personagem, entre outros.

Não é preciso ter experiência anterior com maquiagem para participar. Haverá certificado para quem tiver presença de pelo menos 75% do total das aulas. Estão sendo oferecidas 15 vagas para cada turma.

Serviço:

Curso de maquiagem artística com Marie Thauront

De 22 de março até o mês de julho (120 horas)

Aulas das 8h às 12h, segundas e quartas, na Escola de Belas Artes da UFBA (Canela)

Aulas das 13h30 às 17h30, terças e quintas, no Centro Social Monsenhor Amílcar Marques (Rio Vermelho)

Inscrições: Os interessados precisam preencher uma ficha de inscrição e enviar para o e-mail [email protected]

Informações: (71) 3331 – 4252 / 8166-5264

Aulas e material didático gratuito

Programa do curso:

Aula1: apresentação-materiais-ferramentas

Aula 2: A profissão do maquiador no set e no palco. Maquiagem básica

Aula 3: correções- luz e sombra- luz colorida

Aula 4:  maquiagem puxada- festa- cilios

Aula 5: belle epoque- anos 20- preto e branco

Aula 6: anos 30

Aula 7: anos 40

Aula 8: anos 50

Aula 9: anos 60

Aula 10: anos70

Aula 11: anos 80

Aula 12: anos 90

Aula 13 tendencias- atualidade- analise imagens

Aula 14 tribos, etnias.

Aula 15: materiais inusitados

Aula 16: universo estetico

Aula 17: criação maquiagem editorial ou desfile

Aula 18: aquacolor: face painting infantil

Aula 19 : face painting adulto: felinos, animais, bonecos,

Aula 20: diabo, bruxa, morte, alegorias

Aula 21 kabuki , ópera pekim, katakali

Aula 22 palhaço

Aula 23 drag queen

Aula 24: body painting

Aula 25: Construção e evolução do personagem. postiços e carecas

Aula 26: transformação etnica, mudança de genero

Aula 27: envelhecimento luz e sombra – latex

Aula 28: cera dermica – efeitos (feridas, sujeira, doenças)

Aula 29: criação personagem (mudança morfológica, expressão sentimentos)

Aula 30: encerramento

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Serviço: projeto social seleciona bailarinos mirins

A Escola de Ballet Etudes, que promove o projeto Social Dança Vida, está selecionando 40 meninos e meninas de Salvador, para receberem uma bolsa integral nos cursos de ballet clássico e jazz. Podem concorrer às vagas alunos de escolas públicas, com idade a partir dos 10 anos. A bailarina e coordenadora da Etudes, Suzana Rusch, está visitando algumas escolas para convidar os estudantes a participar da seleção, que acontece no dia 19 de março, às 15h, na sede da escola de ballet. O projeto Dança Vida já beneficiou 300 jovens de baixa renda de Salvador e alguns dos ex-alunos já atuam no ensino de ballet clássico e jazz, bem como no cenário artístico local.

Serviço:

Projeto Social Dança Vida

Seleção de bolsistas em 19 de Março, às 15h.

Etudes – Rua Santa Rita de Cássia, 127, Graça. Tel: (71) 3332-0077

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Artes plásticas: Acervo de Hansen Bahia é restaurado

Até o dia 03 de abril, na galeria do ICBA (Instituto Cultural Brasil-Alemanha), no Corredor da Vitória, em Salvador, é possível conferir as xilogravuras e matrizes do acervo de Hansen Bahia, artística plástico alemão radicado no estado, que se estivesse vivo, faria 95 em 19 de abril. As peças em exposição pertencem ao acervo da Fundação Hansen Bahia, situada em São Félix, cidade do recôncavo baiano. Conversa de Menina abre espaço para a história deste artista, que teve recentemente o seu acervo restaurado por iniciativa do governo alemão, e da sua história de amor com a cultura baiana. O texto foi encaminhado pela Frente & Verso Comunicação.

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Exposição celebra os 95 anos de Hansen Bahia

Acervo do artista radicado no recôncavo é restaurado pelo governo alemão

As matrizes apresentadas na Exposição Hansen Bahia 95 anos estavam integradas às paredes da casa localizada na Fazenda Santa Bárbara, São Félix, e faziam parte da intimidade do artista e de sua esposa Ilse Hansen. Todas foram restauradas por meio de um investimento do governo alemão da ordem de R$ 85 mil, conta a curadora da exposição, Lêda Deborah.

“Hansen é um artista impressionante e importante, um presença alemã forte na Bahia e a obra dele tem que ser preservada”, afirma o atual cônsul da Alemanha na Bahia, Hans Jürgen.

Segundo o diretor executivo do Goethe-Institut (ICBA) em Salvador, Ulrich Gmünder, o artista alemão que, ao radicar-se na Bahia, introduziu a xilogravura no estado, merece este apoio. “Para nós, é uma grande honra poder conservar a obra de Hansen. Esperamos que o público aproveite para conhecer melhor as obras dele”, declara Ulrich.

Para o artista conselheiro da Fundação Hansen Bahia, Justino Marinho, “a iniciativa do governo alemão foi bem vinda, porque a obra de Hansen tem um valor muito grande e marca um período importante das artes baianas. Vale destacar que além dos trabalhos de Hansen, foram restauradas obras de outros artistas importantes como Carybé, Mario Cravo, Genaro e outros, que fazem parte do acervo deixado pelo gravador”, declara.

De acordo com o restaurador das matrizes, José Dirson Argolo, o estado de conservação das 22 peças estava muito comprometido. “Nem sempre o artista se preocupa com a manutenção de sua arte. Hansen, por exemplo, utilizou materiais como compensado, que não resiste ao ataque de cupins e infiltrações. Por isso, o processo de preservação é necessário e, neste caso, demandou um trabalho árduo que realizamos em 10 meses”.

O restaurador João Magalhães foi o responsável pelo “conserto” de 56 xilogravuras, sendo 27 da coleção “Navio Negreiro” e 15 da “Via Crucis do Pelourinho”. Entre as demais gravuras restauradas estão: “O diálogo das héteras”, “Portas e janelas”, “Cangaceiro a cavalo”, “Vaqueiro laçador”, “Grande Candomblé”, “Forte de São Marcelo”, “Flor de São Miguel”, “Amigas em vermelho”, “Boi caído” e “Amigas no banho”.  Outras obras de Hansen restauradas foram: “Limão”, “Noé e as pessoas que oravam na popa da arca”, “Batalha das Amazonas”, “São Miguel”, “O cavaleiro, a morte e o diabo” e “Aniversário de Ilse”.

Fundação Hansen Bahia – Instituição cultural e educativa sem fins lucrativos, destinada a colaborar no fomento da produção cultural do recôncavo baiano, o Museu Hansen Bahia foi inaugurado no dia 19 de abril de 1978, dois anos após Hansen Bahia doar seu acervo e criar a Fundação. Segundo o coordenador executivo da entidade, Raimundo Vidal, a fundação assegura a preservação da obra de Hansen Bahia e desenvolve exposições com visitas monitoradas, tanto no Museu em Cachoeira – que em breve terá sua sede própria – quanto na Casa dos Hansen, onde está o Memorial Póstumo, em São Félix, além de realizar exposições temporárias em outras cidades.

“A Fundação possui aproximadamente 12 mil peças do artista alemão, mil de Ilse Hansen, além de muitas outras assinadas por outros artistas. No total, são mais de 13 mil obras de arte. Somando-as aos objetos (mobiliário,instrumentos e acessórios, dentre outros), o acervo total do museu está estimado em 18 mil peças”.

Quem é Hansen Bahia?

Karl Heinz Hansen nasceu em 19 de abril de 1915, em Hamburgo. Foi marinheiro, escultor, poeta, escritor, cineasta, pintor e xilógrafo. Seus primeiros trabalhos artísticos surgiram no início dos anos 40. O homem foi o seu grande tema e a xilogravura – arte tradicional no seu país – a técnica mais utilizada.

O período de iniciação artística coincidiu com o desenvolvimento da gravura alemã e com o começo de vários movimentos artísticos importantes na Europa, a exemplo do expressionismo, ao qual foi fiel em toda sua produção. Autodidata na técnica que lhe garantiu sucesso internacional, Hansen talhava a madeira com precisão e perfeição partilhada por poucos.

Em 1950, deixou a Alemanha e veio conhecer o Brasil. Em São Paulo, trabalhou como artista gráfico na editora Melhoramentos. Cinco anos mais tarde, mudou-se para a Bahia, onde viveu e produziu intensamente. A paixão pelo estado fez com que o primoroso gravador, depois de conquistar reconhecimento internacional, incorporasse o nome da terra e assumisse a assinatura Hansen Bahia.

“Antes de vir para a Bahia era só marinheiro. Quando aqui cheguei, nasci pela segunda vez e tornei-me artista”

Amante da nova terra, Hansen Bahia não se contentou apenas em naturalizar-se brasileiro. Doou à Bahia, especificamente à cidade de Cachoeira, as obras relevantes do seu acervo e criou a Fundação Hansen Bahia, através de testamento, em abril de 1976. Apenas dois meses depois de inaugurar a primeira sede da fundação, o artista faleceu, no dia 14 de junho de 1978, deixando seu legado mais valioso: um enorme acervo de obras de arte e trinta livros publicados.

Serviço:

O quê: Exposição Hansen Bahia

Onde: Galeria do ICBA – Corredor da Vitória

Quando: até 03 de abril; de segunda a sexta-feira das 9h às 18h30 e aos sábados até às 13h.

Entrada franca

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Traça de Biblioteca: Acervo raro no Mosteiro de São Bento

A série Traça de Biblioteca desta semana não vai indicar lançamentos recentes do mercado editorial brasileiro, mas obras raríssimas, que o Mosteiro de São Bento da Bahia, através de uma parceria com a Secretaria Estadual de Cultura, disponibiliza em arquivos digitalizados em um site na internet. São obras históricas, que não são possíveis de ser manuseadas, devido a sua fragilidade (manuscritos e publicações com mais de dois séculos), mas cujo conteúdo tão rico e importante precisa ser compartilhado. Quem já teve a oportunidade de visitar a biblioteca do mosteiro tem a impressão de entrar no cenário de O Nome da Rosa, é simplesmente genial! O jornalista e querido amigo Dirceu Factum enviou o texto abaixo, com as informações e os detalhes da criação do site Livros Raros, vale a pena conferir:

O  site “Livros Raros” (www.saobento.org/livrosraros) “no ar” desde o dia 04.02, contém 20 obras que fazem parte do precioso acervo da Biblioteca do Centro de Documentação e Pesquisa do Livro Raro do Mosteiro. Datadas dos séculos 16 a 19, todas foram restauradas, digitalizadas e disponibilizadas na íntegra e de forma gratuita na internet, numa iniciativa inédita no estado.

Basílica de São Bento

A construção do site foi o desdobramento de um projeto elaborado pelo Mosteiro de São Bento da Bahia que englobou não só o restauro de obras, como a melhoria das condições de conservação dos 300 mil volumes da biblioteca e do Centro de Documentação e Pesquisa do Livro Raro do Mosteiro, agora corretamente acondicionados em 172 novas estantes. A iniciativa foi uma das 120 aprovadas dentre 420 apresentadas ao Fundo de Cultura do estado da Bahia, em 2007. Os recursos, no total de R$294.984,00, viabilizaram a restauração completa e também a digitalização e implementação de programas de acesso às obras do acervo. Agora, com o novo site, todos terão acesso a um conteúdo especial e de interesse mundial.

Entre as 20 raridades que foram restauradas estão seis volumes dos “Sermões” do Padre Antônio Vieira publicados no final do século 17 e início do século 18. São edições princeps, ou seja, primeiras edições revisadas pelo próprio autor, neste caso a principal referência na língua portuguesa no Brasil. Outras obras únicas são “Seleção de Questões Disputadas sobre a Metafísica e os Ensinamentos de Aristóteles” (1685) e “Theatro Crítico de Freijó” (1876), dedicado ao “sereníssimo señor Infante de España Dom Carlos de Bourbon e Farnefio”, e a “Colleção dos Breves Pontifícios”, e Leys Regias, expedidos e publicados desde 1714.

Para o Secretário de Cultura do Estado da Bahia, Márcio Meirelles, “toda a preservação de acervo é válida, mas ela ganha mais importância na medida em que tem uma utilidade pública. Quando o Mosteiro se propôs a disponibilizar este acervo raro, de uma forma tão ampla, temos que apoiar. Só o restauro de obras como “Os Sermões”, de Padre Vieira, já é uma grande iniciativa”. O Secretário reforçou ainda a importância do apoio do Governo do Estado ao projeto. “O mosteiro de São Bento é um exemplo de Patrimônio Histórico pela maneira com a qual conserva seu acervo. A visão de sustentabilidade, a dinâmica interna da instituição e a percepção da abrangência de propostas como esta que agora se concretiza são a segurança da total validade de parceria por parte do Governo do Estado”.

Segundo a filóloga e professora Alicia Duhá Lose, coordenadora geral do projeto, a principal meta do projeto era a restauração de um acervo de valor ímpar, mas que esta ação gerou outros bons resultados. “Além de termos em mãos preciosidades da literatura mundial de todos os tempos, e de podermos colocar, neste primeiro momento, 20 obras raras a disposição de interessados, em qualquer parte do mundo, via internet, conseguimos capacitar uma competente equipe de restauração composta por profissionais baianos”, comemorou. O trabalho envolveu cerca de 20 pessoas, entre técnicos do laboratório do Mosteiro de São Bento, implantado há 12 anos, pesquisadores do Mosteiro, da Faculdade São Bento e da Universidade Federal da Bahia. Como não haviam profissionais especializados em restauração de livros raros no Estado foi preciso tornar o grupo apto com um treinamento de três meses, monitorado por professores da Fundação Casa de Rui Barbosa, do Rio de Janeiro.

Detalhe da basílica, sensação de entrar em um filme medieval indescritível

Além de dificuldades iniciais com a mão de obra, os responsáveis pelo restauro tiveram que contornar outras limitações, como a escassez e os preços altos de parte do material necessário para a tarefa. O papel japonês utilizado para preencher os espaços danificados, por exemplo, teve que ser adquirido em São Paulo e com um orçamento alto (apenas uma folha chega a custar R$ 23). Para Alicia, todo o processo foi muito trabalhoso e exigiu total atenção dos envolvidos, mas o nível de importância dos livros era tão alto quanto os riscos de perdê-los com o passar do tempo. “As obras estavam em péssimas condições. Felizmente, o resultado foi o melhor possível. Hoje, temos a certeza de estar colaborando para a existência de um rico acervo de pesquisa que conta com publicações como a “Coleção de Breves Pontifícios”, uma compilação de textos sobre os jesuítas”, relatou a filóloga.

A beleza dos materiais também pode ser apreciada na íntegra através do processo de digitalização. Ninguém, certamente, ficará impassível diante de um manuscrito ornado, repleto de iluminuras (tipo de pintura decorativa, frequentemente aplicado às letras capitulares no início dos capítulos de pergaminho medievais. O termo se aplica também ao conjunto de elementos decorativos e representações imagéticas executadas nos manuscritos, produzidos principalmente nos conventos e abadias da Idade Média) e filigranas (trabalho ornamental feito de fios muito finos e pequeninas bolas de metal, soldadas de forma a compor um desenho.

“Como fruto desse passado, a nossa Biblioteca de Livros Raros hoje possui cerca de 30 mil volumes, sendo o segundo maior acervo do país (o primeiro é o da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro) e os 20 livros que estão apresentados neste site fazem parte desse contexto. Um contexto histórico representado por momentos marcantes tanto para o Mosteiro como para história luso-brasileira; e de uma preocupação em preservar nosso patrimônio e compartilhar com a sociedade esse conhecimento”, comentou Dom Gregório Paixão.

A opinião daqueles que convivem diretamente com o acervo entrou nos critérios dos documentos pesquisados inicialmente – “O Dietário”, os livros “Velho”, I e II da Coleção dos Livros do Tombo e a “Regra das Monjas” – foram sugeridos pelos próprios monges, devido ao seu interesse para a história geral da Bahia e do Brasil e a relevância para a manutenção da história deste Mosteiro e da própria Ordem. Somaram – se a estes, as edições princeps dos “Sermões” de Antônio Vieira, a “História Geral da Capitania da Bahia”, de José Natônio Caldas, 1759, e a “Collecção de Breves Pontifícios”, de 1756.

A preocupação em aumentar e, principalmente, preservar o acervo bibliográfico da Arquiabadia sempre foi algo de grande importância para os monges. Prova disto é a declaração de Dom Abade Majolo de Caigny, em meados de 1913: “aumentei nossa biblioteca, depois de tê-la melhorado, comprado todos os anos bom número de livros modernos; limpei e conservei os vetustos e quase carcomidos”. Mais de 90 anos depois, ainda com o empenho de salvaguardar esse precioso patrimônio bibliográfico, já com a presença de Dom Arquiabade Emanuel D’Able do Amaral, foi inaugurada uma nova área para guarda dos livros e um moderno Laboratório de Conservação e Restauração de Papel, iniciativa que contribui para ampliar o valor para a sociedade da Biblioteca do Mosteiro de São Bento, espaço de pesquisa e leitura tombado pelo Iphan, criada em 1582, quando os beneditinos chegaram em Salvador e fundaram o primeiro mosteiro da ordem no Novo Mundo.

Confira as obras disponibilizadas na Internet através do link:

www.saobento.org/livrosraros

STATUTI della Venerabile Archiconfraternita della Pieta de Carcerati [*] Novamente riformati. Oruieto: Rinaldo Ruuli, 1626. 168p.

BIBLIA Sacra Arabica [*] ad usum Ecclesiarum Orientatium. Additis è regione Bibliis Latinis* Roma: Sacra Congragationem de Propaganda Fide, 1671. T. 1. 472p.

FABRICIUS, Johann Albert. Bibliothecæ Græcæ. Liber III. De Scriptoribus qui claruerunt à Platone usque da Tempora nati CHRISTI Sospitoris nostri* Hamburgi: sumptu Christiani Liebezeit, 1707. [2], [12], 824p.

PORTUGAL. Collecçaõ dos Breves Pontificios, e Leys Regias, que foraõ expedidos, e publicadas desde o anno 1741., sobre a liberdade das pessoas, bens, e commercio dos indios do Brasil* [Lisboa]: Impressa na Secretaria de Estado, [1759]. [458] p.

D. LAURENTII IUSTINIANI Proto patriachae Venetii opare et vita religiosissima cum duplici indice Castigatius reposita. [Paris]: Jodoco Badio Ascencio, 1524. [7], 530f.

SARMENTO, Francisco de Jesus Maria. Flos Sanctorum ou santuario doutrinal* Lisboa: na Officina de Antonio Rodrigues Galhardo, 1727. 891p. v. 2

MASSARANI, Francesco. Francisci Massarii Veneti in novum Plinii de naturali historia librum castigationes & annotationes. Basileae: In Officina Frobeniana per Hienorymum Froben & Nicolaum Episcopium, 1537. [16], 367, [16] p.

INGUIMBERT, Malachia. Vita di monsignor Don Bartolomeo de Martiri* In Roma: Per Girolamo Mainardi, 1727. XXXVI, 319p. Dividido em dois livros.

VIERA, António, Padre. Sermoens, e varios discursos [* ]. Obra posthuma, dedicada a Purissima Conceyçam da Virgem Maria Nossa Senhora. Lisboa: Por Valentim da Costa Deslandes, 1710. T. XIV

VIEIRA, Antonio. Sermões.

VIEIRA, Antonio. Sermoens [*]. Undecima Parte, offerecida à Seressima Rainha da Grã Bretanha. Lisboa: Na Officina de Miguel Deslandes, 1696.

VIEIRA, António. Sermoens [*] Setima Parte, dedicada no Panegyrico da Rainha Santa ao serenissimo nome da Princeza N. S. D. Isabel. Em Lisboa: Na Officina de Miguel Deslandes, 1692.

VIEIRA, Antonio. Palavra de Deos empenhada, e desempenhada. No Sermam das Exequias da Rainha N. S. Dona Maria Francisca Isabel de Saboya; desempenhada no Sermam de Acçam de Graças pelo nascimento do principe D. João Primogenito de SS. Magestade [*]. Lisboa: Na Officina de Miguel Deslandes, 1690.

VIEIRA, António. Sermoens [*] Segunda Parte, dedicada no Panegyrico da Rainha Santa ao serenissimo nome da Princeza N. S. D. Isabel. Em Lisboa: Na Officina de Miguel Deslandes, 1682

LACROIX, Paul. Vie militaire et religieuse au moyen age et a l’époque de la renaissance. Paris: Librairie de Firmin-Didot, 1876. v, 577, 1p

FLAVIACENSIS, Radulphi. Mysticum illum Moyse Leviticum libri XX* Colonie: [E. Cervicomus] Petri Quentell, 1536. [22], 314p.

AGUIRRE, Iosepho Saenz de. In Metaphysicam et prædicamenta Aristotelis: disputationes selectæ* Salamanticæ: apud Lucam Perez, 1675. 222p.

MENEZES, Fernandes de. Historia de Tangere: que comprehende as noticias desde a sua primeira conquista até a sua ruina. Lisboa Occidental: na Officina Ferreiriana, 1732. [20], 304p.

GRÉGOIRE, L. Géographie générale physique et économique. Paris: Garnier Frères, 1888. 1209p. il.

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“Get Out” e “Alma – The Movie”, dois mimos para vocês

O vídeo abaixo, embora esteja no Youtube, vi pela primeira vez esta semana, no blog de minha irmã, o Palavra de Girafa. Animação francesa, com cerca de nove minutos, Get Out tem legendas em inglês -, infelizmente não existe uma versão com legendas em português -, mas a mensagem é universal e fácil de compreender. É uma bela metáfora sobre enfrentar os próprios medos e vencer o desafio de cruzar a próxima porta. E sempre temos novas portas para cruzar ao longo da vida…Vale a pena ganhar nove minutinhos para assistir, espero que gostem:

Aproveito e posto aqui outra animação lindíssima, também do Youtube e igualmente descoberta graças a minha irmãzinha, uma geminiana que já passou dos 30, mas mantém o espírito aberto para a ludicidade da infância. Alma – The Movie. Esta não tem diálogos, mas depois de assistir, vocês verão que legendas são totalmente desnecessárias…

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Traça de Biblioteca: Leitura de volta às aulas

Quem não lembra das provas de literatura no Ensino Médio? São inesquecíveis aqueles dias em que tínhamos de ler os clássicos para responder provas de interpretação de texto. Sabem que eu adorava? Não é de hoje que sou “comedora de livros”. Camilo Castelo Branco, Machado de Assis, José de Alencar, Eça de Queiroz, Graciliano Ramos, Jorge Amado… cresci na companhia desses caras. E de meninas maravilhosas como Clarice Lispector, Raquel de Queiroz, Cecília Meirelles, Lygia Fagundes Telles… Gente, eu sinto saudades das leituras da minha adolescência e é em homenagem a esse tempo gostoso de outrora, que a série Traça de Biblioteca desta semana traz uma dica que além de tudo é perfeita para quem vai começar as aulas logo após o Carnaval. O selo Best Bolso da editora Record lançou obras de alguns dos autores citados acima. Boa parte deles são os livros que as escolas e os vestibulares adotam, em coleção pocket, que dá para carregar por aí sem pesar na mochila. O melhor de tudo é que o precinho é tentador, principalmente para o pais. Aliás, socorro! Meu filho vai cursar a sexta série e eu quase infarto na livraria quando fiz o orçamento dos seus livros didáticos. Em homenagem a outros pais e mães que estão às voltas com as listas de material escolar, confiram os lançamentos da Best Bolso:

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DOM CASMURRO
Publicado pela primeira vez em 1899, Dom Casmurro é o romance mais estudado, comentado e discutido deste autor e tudo por culpa do casal Capitu e Bentinho. Considerado a obra-prima de Machado, é um dos livros mais traduzidos da literatura brasileira. Conta a história de amor entre Capitu e Bentinho desde a infância. A história é narrada pelo ponto de vista dele, que depois de adulto, passa a desconfiar de que a mulher o traiu, sendo que a culpa de Capitu nunca fica provada. Conversa de Menina, claro, já teve post dedicado a Capitu e dedicado ao ciúme doentio e delirante, problema de Bentinho, com toda certeza.
Autor: Machado de Assis
280 páginas
Preço: R$14,90

O CORTIÇO
O cortiço é considerado o livro que inaugura o realismo/naturalismo no Brasil. Publico em 1890, descreve a sociedade brasileira através de personagens que moram em um cortiço do Rio de Janeiro no final do século XIX. Cortiço, para quem não sabe, é o nome pejorativo que se dava aos antigos casarões decadentes, com quartos para alugar, onde geralmente moravam pessoas de camada social mais baixa. O livro não tem uma personagem central, mas várias personagens que, com seus dramas, compõem o panorama de hábitos, costumes e conflitos sociais daquela época.
Autor: Aluísio Azevedo
280 páginas
Preço: R$14,90

MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILÍCIAS
Memórias de um sargento de milícias foi o primeiro grande romance brasileiro a apresentar a vida urbana e os costumes de meados do século XIX. Também considerada precursora do realismo, a obra faz uma “radiografia” do povo brasileiro no período. Conta a história de Leonardo, filho enjeitado de Leonardo Pataca e Maria da Hortaliça, que é criado pelos padrinhos. Às voltas com romances com Vidinha (mulata pobre) e Luisinha (branca e de melhor condição financeira) Leonardo vive articulando planos para escapar das perseguições do severo major Vidigal. A diversão do livro são as interrupções do narrador oculto da história para conversar com o leitor e tecer comentários sobre a trama.
Autor: Manuel Antônio de Almeida
238 páginas
Preço: R$14,90

NOVA REUNIÃO
Nova reunião resgata o melhor da poesia de Drummond. Publicada pela primeira vez em 1969, a obra foi ampliada pelo autor em 1983. São 23 livros de poesia drummoniana divididos em três volumes e que dão um vasto panorama da obra deste que é considerado um dos poetas modernistas mais importantes do país. A produção de Drummond se encontra entre a segunda e terceira geração do Modernismo, movimento literário iniciado em 1922. Nascido em Itabira, Minas Gerais, o poeta morreu em 1987.
Autor: Carlos Drummond de Andrade
Vol. 1 – 420 páginas; Vol. 2 – 392 páginas e Vol. 3 – 574 páginas
Preço por volume: R$14,90

O ATENEU
O ateneu, lançado em 1888, impressiona pela sua riqueza de estilos: apresenta elementos realistas, naturalistas, expressionistas, que fogem de qualquer padronização literária. Em tom reflexivo e autobiográfico, o autor narra o período em que Sérgio, o protagonista, viveu no internato chamado Ateneu. O livro é um rico panorama da vida nos internatos no final do século XIX, explorando temas como a sexualidadse reprimida pela igreja, as descobertas da adolescência, o medo de crescer e sair do ninho familiar e até o bouling (prática de humilhações e assédio moral praticada entre crianças e adolescentes no ambiente escolar).
Autor: Raul Pompeia
322 páginas
Preço: R$14,90

CAETÉS

Caetés é o primeiro romance de Graciliano Ramos e foi publicado originalmente em 1933. Através de um texto conciso e sintético, o escritor apresenta o cotidiano da classe média da pequena cidade que dá nome ao livro. Conta a história de  João Valério, o personagem principal, homem introvertido e fantasioso, que apaixona-se por Luisa, mulher do dono da firma onde ele trabalha. O caso é denunciado por uma carta anônima, levando o marido traído ao suicídio… Graciliano destaca-se como o principal romancista da segunda fase do modernismo brasileiro.
Autor: Graciliano Ramos
210 páginas
Preço: R$14,90

RIACHO DOCE
Riacho doce, que virou minissérie na tv na década de 90, apresenta a uma visão dos desequilíbrios sociais e dos dramas humanos, individuais e coletivos, provocados pela exploração do petróleo em Alagoas. A história é impregnada de oralidade e tem como cenário uma pacata vila de pescadores em Maceió. Um casal de suecos chega ao local e a loura Edna se apaixona por Nô, um rústico pescador nordestino. O romance gira em torno do caso extraconjugal de Edna e das suas descobertas numa terra tropical e cheia de sensualidade e mistérios. Ao mesmo tempo, o marido de Edna, funcionário da companhia petrolífera, representa o impacto de cultura e interesses com a instalação de uma multinacional num vilarejo perdido no tempo.
Autor: José Lins do Rego
280 páginas
Preço: R$14,90

OS MELHORES CONTOS DE FERNANDO SABINO
Seleção feita pelo próprio autor, com 50 contos publicados em jornais e revistas, que trazem relatos curtos de fatos colhidos da vida real, com tratamento de ficção.
Autor: Fernando Sabino
196 páginas
Preço: R$14,90

50 CRÔNICAS ESCOLHIDAS
Considerado por muitos o maior cronista brasileiro desde Machado de Assis, Rubem Braga produziu entre 1935 e 1977 o material reunido nesta antologia. Os textos foram extraídos da famosa coletânea 200 crônicas escolhidas, organizada pelo próprio autor.
Autor: Rubem Braga
168 páginas
Preço: R$12,90

O PRIMO BASÍLIO
Eça de Queirós divide com Machado de Assis o título de representante da melhor escrita realista em língua portuguesa. Em O Primo Basílio, publicado em 1878, o escritor analisa a burguesia urbana do século XIX, expondo as mazelas sociais que assolavam o país. O livro conta a história de um caso extra-conjugal entre Luiza e seu primo Basílio, que reaparece depois de anos, quando Luiza está casada com Jorge. O personagem mais forte da trama é a empregada Juliana, que chantageia Luiza, que revela-se uma heroína fraca e incapaz de assumir as consequencias pelos próprios atos.
Eça de Queirós
490 páginas
Preço: R$ 19,90

A CIDADE E AS SERRAS
A cidade e as serras (1901), romance póstumo de Eça de Queirós, abandona o projeto contestador do mundo luso-burguês e faz uma comparação entre a vida bucólica da serra em Portugal e a agitação de Paris.
Autor: Eça de Queirós
238 páginas
Preço: R$14,90

AMOR DE PERDIÇÃO
Amor de perdição conta a trágica história de dois jovens apaixonados, Simão e Teresa – o Romeu e a Julieta portugueses. Escrita em 1961, este é o título mais famoso do autor que escreveu mais de uma centena de obras e ficou conhecido por suas novelas passionais. Neste livro, o autor explora o amor obsessivo, daqueles doentios, que fazem definhar e que tiram o foco para qualquer outra coisa na vida e que geralmente levam a atos desesperados.
Autor: Camilo Castelo Branco
210 páginas
Preço: R$14,90

>>Confira outros títulos da Editora BestBolso no site: www.record.com.br.

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Traça de Biblioteca: Para ler e colecionar

Separei para a série Traça de Biblioteca desta semana duas dicas de coleções de livros lançadas pela Companhia Editora Nacional e pela Civilização Brasileira. A primeira, reúne obras de cunho histórico, sobre os hábitos e costumes do Brasil colônia – sim, esse assunto ainda rende muito caldo bom – ; e a segunda é sobre psicanálise, um tema que tem me interessado bastante nos últimos tempos. Confiram:

COLEÇÃO BRASILIANA

As cartas da imperatriz Leopoldina encontram-se entre a correspondência resgatada pela Coleção Brasiliana

A Coleção Brasiliana é considerada fonte inesgotável para conhecer e se aprofundar nos hábitos e comportamentos do período colonial e imperial. A troca de correspondências privadas, diários, os documentos de família e as lembranças particulares compõem importantes registros de um período da história carente de fontes oficiais. Lançada pela primeira vez em 1931, foi publicada até o ano de 1993, quando completou 387 volumes em série comum e 28 em formato especial. Depois de uma pausa de mais de quinze anos, está de volta. Particularmente, gosto muito de ler diários antigos, pois eles nos proporcionam um relato humanizado de fatos que marcaram uma determinada época e que, se repararmos bem, nos dão pistas valiosas para entender o presente. Dois exemplos de diários que são interessantíssimos para mim: o clássico O Diário de Anne Frank, sobre os horrores da II Guerra; e Longos Serões no Campo, um retrato maravilhoso da Bahia no século XIX, escrito por Anna Ribeiro de Góis Bittencourt, uma nada típica sinhazinha do período.

Cartas Luso-Brasileiras: a invasão francesa. A corte no Brasil. A revolução liberal
VOL. 388, 1ª Edição
Organizadores: Antônio Monteiro Cardoso e Antônio Pinto da França
Prefácio: Lilia Moritz Schwarcz
272 páginas
Preço: R$ 34,00
Sinopse: Cartas luso-brasileiras têm os mesmos organizadores de Cartas Baianas. O volume reúne a correspondência trocada, de 1807 a 1821, entre as famílias Pinto da França e Garcez Madureira. Portuguesas e com ramos no Brasil, as famílias estiveram diretamente envolvidas nas grandes questões políticas desse período, quando as invasões napoleônicas em Portugal forçaram o rei D. João VI e sua corte a transferirem-se para o Brasil.

A corte de Portugal no Brasil – Notas, alguns documentos diplomáticos e cartas da imperatriz Leopoldina
VOL. 124,  3ª edição
Autor: Luís Norton
Prefácio à 3ª edição: Arno Wehling
408 páginas
Preço: R$ 34,00
Sinopse: A corte de Portugal no Brasil é hoje considerada uma obra clássica da historiografia luso-brasileira. Discute, sob variados enfoques, a transferência da corte de D. João VI ao Rio de Janeiro em 1808 e seus desdobramentos, passando pela  Independência do Brasil, até a abdicação de D. Pedro I em 1831. Escrita com base em minuciosa pesquisa documental, após sua primeira edição em 1938 tornou-se fonte para os estudos posteriores a respeito da corte de D. João VI no Brasil.  Vale lembrar que quando chegou ao Brasil fugindo de Napoleão, D. João VI e família aportaram na Bahia, onde ele assinou a famosa abertura dos portos brasileiros às nações amigas e criou a faculdade de medicina, no Terreiro de Jesus, considerada  a primeira da América Latina. Ele ficou na capital baiana por pouco mais de 40 dias, antes de transferir-se para a capital do país na época, o Rio de Janeiro. Salvador também, para quem não sabe, foi capital do Brasil de 1549 até 1763.

Cartas baianas (1821-1824) – subsídios para o estudo dos problemas da opção na independência brasileira
VOL. 372, 2ª edição
Organizadores: Antônio Monteiro Cardoso e Antônio Pinto da França
Prefácio à 2ª edição: Maria Beatriz Nizza da Silva
240 páginas
Preço: R$ 34,00
Sinopse: Fazem parte desse volume, aa correspondência passiva (de 1821 a 1824) de Luís Paulino Pinto da França, representante da Bahia às Cortes Portuguesas de 1821. Abrangem um período crucial da história de Brasil e Portugal, uma era de embates entre o liberalismo e o conservadorismo absolutista; entre visões divergentes, mesmo entre brasileiros, sobre o futuro da nação americana em relação à ex-metrópole e ora Reino Unido. São assinadas por familiares de Luís Paulino radicados na Bahia, que comentam do lado de cá do Atlântico as esperanças brasileiras em relação às deliberações das Cortes de Lisboa, narrando ainda em detalhes os conflitos da chamada Independência da Bahia.

COLEÇÃO PARA LER FREUD

No final de 2009, em memória aos 70 anos da morte de Sigmund Freud, a editora Civilização Brasileira lançou a segunda parte da Coleção Para Ler Freud, em que intelectuais renomados analisam os escritos do “pai da psicanálise” e assim desvendam os conceitos e teorias que deram origem a este ramo da ciência. Os títulos da coleção são de fácil leitura para iniciantes e ajudam na esquematização de conceitos, mesmo para quem já conhece a obra do austríaco. Fazem parte desta segunda parte da coleção: Interpretação dos Sonhos, As pulsões e seus destinos e Complexo de Édipo. No semestre passado, durante as minhas aulas como aluna especial do mestrado em Cultura e Sociedade na UFBA, diversas vezes em sala discutimos o quanto alguns conceitos de Freud vêm sendo distorcidos ou erroneamente entendidos. Ao mesmo tempo que há uma corrente que supervaloriza, existe outra que menospreza seus escritos, enquanto para o senso-comum, sobra a frase “Freud explica” como bordão para quase tudo o que tem cheiro de psicologia. Essa coleção, indicada por um dos meus professores, ajuda a botar os pingos nos “is” e a ter clareza sobre o que foi mesmo que Freud andou explicando.

Interpretação dos sonhos
John Forrester
Grupo Editorial Record/Editora Civilização Brasileira
98 páginas
Preço: R$ 19,00
Sinopse: Interpretação dos Sonhos ocupa lugar de destaque na obra de Freud, que fez várias revisões do texto ao longo da vida. Na obra, também conhecida como o Livro dos Sonhos, Freud acreditou ter realizado sua maior descoberta: que a força motivadora dos sonhos é a realização dos desejos. Neste livro, John Forrester, chefe do Departamento de História e Filosofia da Ciência da Universidade de Cambridge, analisa as diferentes críticas feitas à teoria freudiana no que diz respeito aos sonhos e contextualiza o livro no cenário científico da época. Além disto, destaca a coragem de Freud ao expor seus próprios sonhos ao conhecimento do público.

As pulsões e seus destinos
Joel Birman
Grupo Editorial Record/Editora Civilização Brasileira
168 páginas
Preço: R$ 25,00
Sinopse: Em As Pulsões e Seus Destinos,  Joel Birman esclarece o conceito de Pulsão na obra de Freud através da análise de vários escritos do autor. Nestas obras, ele lança as bases teóricas para a psicanálise ser vista como um novo campo do saber. Birman revela referências contemporâneas ao texto, que para os leitores no século XXI pode parecer distante. O autor é pesquisador do programa de mestrado e doutorado em Teoria Psicanalítica da UFRJ e já escreveu diversos livros sobre psicanálise, história e filosofia.

Complexo de Édipo
Chaim Katz
Grupo Editorial Record/Editora Civilização Brasileira
168 páginas
Preço: R$ 25,00
Sinopse: O volume temático O Complexo de Édipo, escrito pelo psicanalista Chaim Katz, reúne textos de Freud sobre seu famoso conceito e também outras citações intelectuais relevantes. Desta forma, o filósofo Michel Foucault, Gustav Jung, entre outros são convidados ao debate sobre a teoria que perpassa toda a obra do “pai da psicanálise”.

Outros títulos já lançados pela Coleção Para Ler Freud:

Além do princípio do prazer: considerações filosóficas sobre o programa teórico da metapsicologia,  de Oswaldo Giacoia Junior
O pequeno Hans: a psicanálise da criança ontem e hoje, de Celso Gutfreind
Luto e melancolia: caminho de sombras, luto, tristeza, depressão, de Sandra Edler

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Traça de Biblioteca de volta em versão 2010

A série Traça de Biblioteca está de volta com mais dicas de leitura para vocês. O ano promete ser extremamente literário para mim e já começou nadando num oceano de letras, porque uma colega da redação – editora responsável por cuidar das reportagens sobre livros e autores – descobriu que eu sou “come livros”. Tenho escrito algumas resenhas para ela e estou me divertindo muito com a tarefa, que nem é pesada, é das mais prazerosas. Publiquei o material no meu blog pessoal, quem tiver interesse, dá uma chegada no Mar de Histórias. Ali no menu do Conversa, vocês encontram este e outros links de blogues muito bons, que vale a pena xeretar.

Obs: A Traça de Biblioteca é feita através de material enviado ao blog ou ao meu email pessoal pelas editoras (sim, elas já me descobriram). Cuidadosamente, seleciono os livros indicados, com base em autores, qualidade do conteúdo e faixa etária. Os comentários sobre os livros são uma mistura desse material com pinceladas das minhas leituras acumuladas ao longo dos anos de “come livros”. E quem quiser participar da série, indicando alguma  obra que tenha lido recentemente, pode enviar sua resenha para o email do blog ([email protected]). Não esqueçam de colocar fichinha técnica: com nome do livro, autor, preço e editora. Vamos incentivar a leitura e trocar experiências, afinal, uma conversa não tem graça se virar monólogo…

O CREPÚSCULO DE AVALON

Esta dica é para os amantes de livros ambientados na Idade Média.  Em O Crepúsculo de Avalon, lançamento da Editora Prumo, a autora Anna Elliott reinterpreta a história do trágico caso de amor entre Tristão, sobrinho de Mark, rei da Cornualha, e Isolda, a jovem prometida ao rei, mas que acaba se apaixonando por Tristão. A obra é a primeira da trilogia Avalon e parte de uma trama que envolve os últimos dias do reinado do lendário Arthur, em Camelot. Honra, lealdade e coragem dão o tempero do romance, que transporta o leitor para a Idade Média, época em que o misticismo e a violência asseguravam o poder. A autora faz muitas adaptações da história original, mas mantém-se fiel a base da lenda: o triângulo amoroso entre Mark, Tristão e Isolda. A história deste e de outros casais famosos da literatura mediaval já foi contada aqui no blog, relembrem o post: Casais famosos do cancioneiro medieval

Ficha técnica:

O Crepúsculo de Avalon

Autora: Anna Elliot

Editora Prumo

480 páginas

Preço: 52,90

MIL E UMA NOITES DE SILÊNCIO

Este é o segundo livro de Mayra Dias Gomes e narra a história de Clara, uma garota sem rumo marcada pelo abandono – dos pais, amigos e noivo – e imersa na solidão e no medo. Depois de sofrer uma nova decepção amorosa e se encontrar sozinha, ela parte em busca de uma antiga amiga e mergulha em um inesperado submundo sombrio, embalado por prostituição, tráfico, glam rock e desespero, até reencontrar sua própria juventude perdida e partir em busca da mãe biológica.

Ficha técnica:

Mil e Uma Noites de Silêncio

Autora: Mayra Dias Gomes

Editora Record

308 páginas

Preço: R$ 39,00

O PERCEVEJO

Obra-prima da arte de vanguarda russa e ponto alto da produção teatral de Maiakóvski, a comédia fantástica O percevejo – redigida no final de 1928 e encenada no ano seguinte –  é relançada pela editora 34, Coleção Leste. Neste texto, o entusiasmo de Maiakóvski com a Revolução Russa de 1917 dá lugar a uma visão crítica do futuro do socialismo e se expressa numa sátira contundente, que mistura temas jornalísticos, jingles publicitários, mitos pessoais, canções, política, amor e ficção científica. No Brasil, a peça foi traduzida em 1981 e levada ao palco por Luís Antonio Martinez Corrêa. É esta tradução – revista por Boris Schnaiderman, também autor do posfácio e de uma cronologia sobre a vida e a obra do poeta – que é oferecida ao leitor, juntamente com um texto inédito em português do próprio Maiakóvski.

Ficha técnica:

O percevejoComédia fantástica em nove cenas

Autor: Vladímir Maiakóvski

Tradução: Luís Antonio Martinez Corrêa e posfácio de Boris Schnaiderman

Coleção Leste / Editora 34

Preço: R$ 29,90

SUITE DAMA DA NOITE

Este é o trabalho mais recente de Manoela Sawitzki, autora do romance Nuvens de Magalhães e da peça Calamidade. No livro, a autora mergulha no amor fadado a uma espera eterna, no melhor estilo Florentino Ariza (O amor nos tempos do cólera, de Gabriel Garcia Marques) para construir a protagonista, Júlia Capovilla,  uma mulher que reencontra o amor de adolescência nos braços de outra às vésperas do casamento. No papel de amante, Júlia só é feliz nos encontros clandestinos com o amado na suíte Dama da Noite, revelando uma personalidade dependente a ponto de ferir-se e humilhar-se para não ficar sem o objeto amado. Disposta a esperar pelo resto da vida e sobreviver das migalhas, ela tece um mundo paralelo, povoado de amores imaginários.

Ficha técnica:

Suíte Dama da Noite

Autora: Manoela Sawitzki

Editora Record

224 páginas

Preço: R$ 34,00

UM NÁUFRAGO QUE RI

Neste livro, o jornalista Rogério Menezes cria é uma inusitada narrativa post-morten protagonizada pelo carismático gato Ravic. O felino passa a vida observando com os seus atentos olhos verde-esmeralda tudo o que acontece à sua volta e elabora um retrato sarcástico e entusiástico da frágil condição humana. Para dar vazão a tudo o que o seu implacável olhar de lince apreende da psique humana e da realidade que o cerca, Ravic (uma versão felina do Brás Cubas de Machado de Assis) é obrigado a lançar mão de uma narrativa nada linear, repleta de digressões inteligentes e intervenções espirituosas.

Ficha técnica:

Um náufrago que ri

Autor: Rogério Menezes

Editora Record

352 páginas

Preço: R$ 49,90

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Cultura: Exposição de imagens sobre festa do Bonfim

Baiana com jarra de flores. Ao fundo, as fitinhas do Bonfim que os fieis amarram no gradil da igreja com pedidos. Crédito: Ricardo Prado / Exposição Megumi

Nesta quinta-feira, dia 14, acontece a tradicional Lavagem do Bonfim, uma das festas populares mais antigas e importantes do calendário de Salvador. Mistura de rituais católicos e do candomblé com crenças populares, a lavagem acontece há quase 200 anos e é precedida de um cortejo de oito quilômetros, a pé ou em carroças, entre a igreja da Conceição da Praia (no bairro do Comércio) até a Colina Sagrada, onde fica a igreja do Bonfim. O fascínio pelas cenas que acontecem durante o cortejo e no ato da lavagem, quando as baianas despejam água de cheiro nas escadarias da igreja, é o tema da exposição de fotos do mineiro radicado na Bahia, Ricardo Prado.  Intitulada “Megumi”, expressão japonesa que significa “benção”, a exposição reúne sete olhares com registros peculiares da Festa do Bonfim e estará aberta ao público a partir desta quinta-feira. Entre as imagens que compõem a exposição, está o olhar sobre o Pagador de Promessas, que partiu do bairro de Brotas até a Colina Sagrada, seguindo à risca a máxima popular que diz que “quem tem fé vai a pé”. A mostra fotográfica fica em cartaz durante o mês de janeiro na Yorumaki – Temaki Bar.

S E R V I Ç O:
O quê: Exposição “Megumi”
Quando: Aberta ao público a partir de  quinta-feira, 14 de janeiro
Onde: Av. Octávio Mangabeira, Nº 1.709 – B,  Pituba, em frente ao antigo Clube Português
Horários: Dom – Quart, das 17h30 à 0h, Quint – Sáb, das 17h30 às 5h

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*Artigo: Histórias do Natal

Nesta quinta-feira, em que muitos estaremos reunidos em família celebrando o Natal, Conversa de Menina publica um artigo escrito pelo professor João Luis Almeida Machado, doutor em educação pela PUC-SP e editor do portal Planeta Educação. O texto do professor é histórico, para nos lembrar que tudo tem uma origem e nos fazer refletir sobre a importância de manter certas tradições. Ser apegado à tradição não quer dizer ser intolerante, nem preconceituoso e nem retrógrado. É possível celebrar uma festa como se fazia há dois mil anos, mas sem perder de foco que o mundo muda, evolui. Natal é ceia, é reunião de família, é panetone, é troca de presentes, é amigo secreto, é árvore enfeitada, é mico no escritório, é shopping cheio, mas é mais um momento de reflexão. E para refletir, você nem precisa necessariamente ser católico ou de qualquer outra religião. E tampouco precisa esperar o Natal chegar. A festa é o pretexto, porque no resto do ano estamos tão atribulados, tão cobertos de rotina, que esquecemos de olhar para nós mesmos, nossos amigos, nossos pais, filhos, parceiros (as), o vizinho de porta ou calçada. O sentimento do Natal, pelo menos para mim, devia perdurar para além do dia 25 de dezembro ou da virada do Ano Novo. Devia nos acompanhar diariamente no que tem relação com a solidariedade, com a tolerância e o respeito mútuo. Se na sua casa não vai ocorrer uma ceia farta hoje, não tem problema, o que tiver na sua mesa vai ser muito saboroso, desde que os sentimentos de quem se senta ao redor dela sejam bons, honestos e limpos como a consciência de uma criança. Dar e ganhar presentes é sempre maravilhoso, quem não gosta? Mas que o nosso maior presente seja sermos felizes e fazermos felizes aqueles que estão ao nosso redor. Desejamos a todos vocês que nos acompanharam nesta jornada, no primeiro ano de vida do Conversa de Menina, um Natal realmente feliz, tão feliz que faça brilhar ainda mais aquela luz interior que todos carregamos na alma e que sempre reflete no olhar. Um grande beijo!

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As origens do Natal

**João Luís Almeida Machado

Muitas das tradições do Natal surgiram antes do nascimento de Cristo. Práticas como a de dar presentes, entoar cantigas indo de casa em casa (muito comum nos Estados Unidos), a realização de ceias e as próprias procissões religiosas são tão antigas quanto a civilização mesopotâmica.

Alguns povos da Mesopotâmia, por exemplo, acreditavam que seus deuses (entre os quais o principal era Marduk) lutavam contra as forças do Caos. Para auxiliá-los no confronto com o Mal, realizavam festas que duravam aproximadamente 12 dias, justamente na virada do ano, período que coincide com a época do Natal.

Festas semelhantes também eram realizadas na Babilônia e na Pérsia. A troca de papéis entre escravos e senhores era parte comum dessas festividades. Isso nos leva a lembrar a cerimônia da lavagem dos pés realizada por Jesus e seu compromisso com os pobres e humildes.

Acender fogueiras e reunir familiares e membros da comunidade ao redor das mesmas para espantar os maus espíritos era, por sua vez, prática comum entre os povos da Escandinávia. Um dos símbolos dessa celebração consistia na prática de amarrar maçãs às árvores próximas do local onde se acendiam as fogueiras. Talvez esse seja o ‘ancestral’ mais distante daquilo que hoje conhecemos como árvore de Natal.

Presépio é um dos dos símbolos do Natal para os Cristãos

A reminiscência mais aproximada das festividades do Natal cristão, de acordo com estudiosos é, no entanto, a festa romana conhecida como Saturnália. Essa proximidade se dá por conta da época do ano em que era realizada (entre o final do mês de dezembro e os primeiros dias de janeiro). Essa festa incluía grandes refeições, visitas a parentes e amigos e a troca de presentes. Além disso, os romanos decoravam árvores com velas acessas e faziam guirlandas para enfeitar suas casas.

Uma das datas mais celebradas ao redor do mundo, o dia 25 de dezembro, não é, de acordo com estudiosos, aquela em que realmente nasceu Jesus Cristo. Uma das evidências utilizadas para explicar esse fato está nos relatos de Lucas, da própria Bíblia. Por eles ficamos sabendo que pastores estavam trabalhando nos campos durante a noite em que Jesus nasceu. Ao identificarem as condições climáticas da região onde ocorreu o nascimento de Cristo e perceberem que no mês de dezembro faz muito frio durante as noites, esses pesquisadores concluíram que seria pouco provável que os pastores estivessem fora de suas casas, desabrigados. O mais provável, de acordo com esses estudos, é que o nascimento de Jesus tenha ocorrido entre março e maio.

Outra polêmica diz respeito ao ano de nascimento de Cristo. Há controvérsias entre os historiadores. A única certeza é que o advento do messias cristão não se deu no ano I como acreditam milhões de fiéis ao redor do planeta. Os estudiosos fixam como data mais provável para esse acontecimento algum período entre os anos VI e IV a.C.

A figura conhecida mundialmente como Papai Noel (ou Santa Claus, em inglês) tem como base um bispo do século IV, Nicolas de Mira (atual Turquia), reconhecido por sua extrema bondade e carinho, especialmente pelas crianças. Através de suas práticas de ajudar os menos favorecidos e de doar seu tempo através de ações que beneficiavam a todos, sempre com boa vontade, acabou cunhando o modelo que todos nós atualmente reconhecemos através de cartões, publicidade, televisão, cinema.

A versão americana do Papai Noel, importada da Europa, seria derivada de uma lenda holandesa, trazida para o Novo Continente pelos colonos que se estabeleceram em Nova York ainda no século XVII. A consolidação dessa imagem se deu, porém, somente a partir do século XIX, com a publicação do poema “The Night Before Christmas” (A Noite Antes do Natal), de autoria de Washington Irving.

A imagem do bom velhinho conhecida por todos foi finalmente popularizada em todo o mundo a partir de um modelo criado na segunda metade do século XIX pelo desenhista Thomas Nast, da revista Harper’s. Foi ele quem deu vida, através de seus desenhos, à oficina de Papai Noel no Pólo Norte. Os modelos que conhecemos atualmente derivam de seus trabalhos e foram francamente influenciados por versões criadas na década de 1930 para ilustrar propagandas.

*Texto encaminhado ao blog pela Ex-Libris Comunicação Integrada

**João Luís Almeida Machado é Editor do Portal Planeta Educação (www.planetaeducacao.com.br) e Doutor em Educação pela PUC-SP.

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