Documentário analisa comportamento das crianças modernas

Uma dica interessante que recebi no meu guia de programação da tv fechada e divido com vocês: Nesta terça-feira, dia 04, às 21h, na faixa “GNT.doc”, do canal fechado GNT (Globosat), será exibido o documentário Infância Perdida, de Scott Harper. Inédito na TV brasileira.  A produção faz uma análise do comportamento das crianças contemporâneas, que estão sem tempo para brincar e não podem sair de casa para se divertir. Na produção, Harper explora as mudanças de costumes e avalia as consequências destes novos hábitos na vida das crianças.  Segundo especialistas em psicologia infantil, neurologistas, pedagogos e professores, algumas descobertas científicas sugerem que o isolamento das crianças pode prejudicar desde a sua criatividade até a perspicácia social e a saúde mental.

Ao ler a chamada para o documentário, esta que resumi acima, fiquei pensando na questão da infância atual. Ao menos para mim, perpassa a segurança pública e o medo da violência, que faz com que os pais se tornem mais cautelosos na hora de deixar as crianças brincarem na rua, por exemplo, como era comum até a minha geração. Quem era criança nos anos 80, como eu, brincou bastante na rua.

Outro fator que eu também considero é que as novas tecnologias criam novas formas de interação social. Não estou julgando aqui se as brincadeiras de agora (msn, orkut, facebook, jogos de computador) são melhores ou mais saudáveis do que aquelas do meu tempo, estou apenas constatando uma realidade: as crianças e os jovens de agora se divertem de outra forma; e considerando que existe uma nova forma de interação – tanto devido à insegurança, que confina mais as pessoas em casa, quanto devido a natureza desses novos “brinquedos”, não sei se diria que a infância de agora é perdida (ao menos neste aspecto), antes acredito que seja diferente daquela que eu tive.

Uma criança contemporânea, por exemplo, não brinca na calçada da porta de casa com tanta frequência quanto brincavam seus pais, mas ela conversa com outros amigos, via msn, e joga no PC, ou vai bem mais ao cinema do que eu ia, por exemplo. E aí, nesta questão, enquanto há cientisfas que condenam, outros dizem que jogos de computador estimulam áreas do cérebro responsáveis pela concentração e até aprendizado.

No edifício onde eu moro, crianças ainda brincam no playground, mas também usam computador com muita frequencia. E na periferia, independente da procura pela Lan House, ainda existem grupinhos na rua, batendo papo, jogando bola…A questão do acesso não pode deixar de ser considerada na hora de falar do assunto. Crianças classe média tem infâncias diferentes daquelas mais pobres, com toda certeza.

Tem muito tempo que não vejo ninguém pulando amarelinha, mas em compensação, no meu tempo, eu não conseguia executar nem metade das multiplas tarefas que meu filho executa: falar no msn com até 10 pessoas ao mesmo tempo, fazer a pesquisa escolar, postar no seu blog, baixar um jogo, atualizar a comunidade de bibliófilos (colecionadores de livros) da qual ele faz parte, tudo isso simultâneo.

Existem diversos beneficios e diversos malefícios de se viver em uma sociedade em rede, permanentemente conectada e com muita interação virtual e pouca interação real, mas uma coisa é certa, o mundo não é mais como era no meu tempo, que naquela época, por sua vez, já não era mais como no tempo da minha mãe, muito diferente, acredito, do que era no tempo de vovó e assim até o princípio das eras. Dá uma certa nostalgia, claro, mas é impossível voltar no tempo. O que nós podemos fazer é dar outras opções às crianças, levá-las mais vezes para sair, dar-lhes bons livros para ler, conversar, mas abolir a tecnologia não vai resgatar a tal “infância perdida”.

Além disso, a falta de tempo de algumas crianças, a meu ver, tem relação com uma certa paranoia que domina pais e professores atualmente, a de que você precisa hiperextimular a criança, colocá-la em centenas de aulas e cursos, ocupar todo o seu dia, mal sobrando tempo para não fazer nada. O estímulo é importante desde o nascimento, mas o excesso só provoca estresse e criança estressada, é consequencia do estresse nos pais, na escola, na sintonia do mundo, que anda toda acelarada. Infelizmente, nossa sociedade condena o ócio (no sentido daquela pausa de que todos precisamos de vez em quando, para descanso e acomodar nas camadas do cérebro tudo o que vimos e aprendemos). Para mim, a infância se perde também no consumo excessivo, na falta de diálogo dos pais com seus filhos, na violência doméstica (que não é o tema do documentário).

Enfim, nem vi o programa ainda, mas acredito que há bastante no que pensar.

Serviço:

Documentário Infância Perdida

GNT – Canal Globosat

Terça-feira (4/05), às 21h

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Mais sobre infância no blog:

Artigo: Videograme incentiva atividade física

Artigo: O papel da rotina na vida das crianças

Artigo: Crianças hiperestimuladas, crianças felizes?

Pais e filhos: a importância de brincar e descobrir

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Mania de Alice

Tim Burton pega emprestados os personagens e o mundo idealizado por Lewis Carrol para contar uma versão toda sua da história: o que aconteceria se Alice tivesse voltado ao País das Maravilhas depois de adulta? É ver no cinema.

Com a versão de Tim Burton para o clássico de Lewis Carrol, Alice no País das Maravilhas, uma verdadeira alicemania, ou mania de alice
(como queiram) toma conta do mundo nos últimos tempos. Em se tratando de uma história com cerca de 150 anos, que não perde o ineditismo e nem a capacidade de suscitar debate, nada mais natural que Alice agora sirva de inspiração para todo tipo de ação, iniciativa e forma de expressão neste nosso mundo contemporâneo, já apelidado por quem teoriza a respeito de “canibalismo cultural”. Não gosto deste termo, porque um canibal, a meu ver, devora a presa, digere e pronto, transforma em excremento. Prefiro um termo menos radical como por exemplo, “reciclagem cultural”, porque nem tudo o que é resultado da transformação de um clássico pode ser enquadrado como excremento. Pensar assim é coisa de purista e preconceituoso, tento não ser nem uma coisa e nem outra. Adoro as referências, a mitologia moderna que bebe na fonte da antiga, com respeito, lógico, à propriedade intelectual e às devidas citações. Fora isso, nada mais é inédito no mundo (“tudo já foi inventado”), porque para criar, é preciso referências, a cultura se alimenta de si mesma, mas sempre, claro, com o devido respeito e créditos a quem de direito, senão, aí sim, vira canibalismo. Mas, não é bem disso que quero falar. O negócio e não deixa mesmo de ser um negócio, é que Alice está na moda, é up, na crista da onda e isso é muito bom (independente dos puristas se torcerem todos, coitados), pois as transformações modernas são também uma forma de conhecimento humano e claro, ao atualizar um clássico, desperta-se a curiosidade dos jovens leitores para a fonte “original” das ideias. Pois sim, deixando a filosofia de lado, que hoje eu estou impossível, confiram abaixo algumas reatualizações de Alice:

Alice no País das Maravilhas inspira Izabelle Nossa

Um exemplo na moda: Izabelle Nossa, proprietária de uma marca de bolsas super requisitada, recebe clientes na loja do Shopping Paseo Itaigara, nesta quinta, entre às 15h e às 21h, para apresentar uma nova coleção todinha inspirada no longa de Tim Burton. Durante o encontro, haverá ainda sorteio de camisetas customizadas e também inspiradas na Alice do diretor americano. É passar lá e conferir!

Alice no País da Poesia

Pois não é que depois de perambular pelo País das Maravilhas, atravessar o espelho, dar um giro pelo país da gramática de Monteiro Lobato, a menina Alice, inquieta como ela só, resolveu dar um passadinha no País da Poesia? Neste livro de Elias José, a personagem Alice é “flagrada” no momento em que descobre o mundo das palavras, enquanto vivia no “país das maravilhas”. Esse é o ponto de partida do autor na obra “Alice no país da poesia”, lançamento da Editora Peirópolis, já nas livrarias. São 33 poemas repletos de lirismo e encantamento, em imagens que remetem a grandes textos da literatura universal. O leitor segue em companhia de Sherazade, Peter Pan e Dom Quixote, além de um séquito de fadas e feiticeiras, duendes e sereias, reis e rainhas, príncipes e princesas, pássaros e cavalos mágicos. Um excelente exemplo do que eu estava falando lá no topo do post – a mitologia moderna que bebe na fonte da mitologia clássica.

Ficha Técnica
Alice no país da poesia

Autor:  Elias José

Ilustrações: Taisa Borges

Editora: Peirópolis

56 páginas

Preço: R$ 34,00

O mundo aliciano em debate

Ainda dentro da minha pequena seleção de “manias de alice”, uma dica de um encontro que deve acontecer em maio, aqui em Salvador, promovido pelo Clube do Livro Saraiva, em parceria com a Galeria do Livro, que fica no Espaço Unibanco/Glauber Rocha. Trata-se de uma reunião de amantes da literatura, para discutir alguns textos propostos: a edição pocket de Alice no País das Maravilhas; o livro Eu sou Alice, de Melanie Benjamim e o livro 1 da série Lost Girls, de Allan Moore e Melinda Gebbie (estes dois últimos, ainda não li e por isso não posso opinar). Sobre Alice, recomendo tanto a edição pocket da L&PM, quanto a comentada (maravilhosa!) da Jorge Zahar.

Alicemania também em audiolivro

Quem assistiu o filme O Leitor, com Ralf Fiennes e Kate Winslet, sabe que em determinado momento da história, o personagem de Fiennes começa a gravar sua leitura em voz alta de diversos clássicos da literatura mundial e enviar de presente para a personagem de Winslet, que cumpre pena numa penitenciária. Pois bem, a ideia do audiolivro é mais ou menos esta. Um livro gravado, para ouvir no carro, enquanto se dirige, para ouvir enquanto se faz alguma tarefa em casa, para ouvir no leito do hospital, ou antes de dormir, e mais ainda, para fazer com que pessoas cegas tenham uma opção de contato com a leitura além dos caracteres em braille, muito mais caros de imprimir do que o alfabeto de não cegos. Pois o site www.audiolivro.net.br está oferecendo a versão acústica de Alice no País das Maravilhas, por R$ 24,90.  Além do texto, toda a sonoplastia foi cuidadosamente elaborada para transportar o leitor até o mundo criado por Lewis Carrol. Em breve, a editora Audiolivro, responsável pelo site, também vai colocar a obra no mercado em versão CD.

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Mais Alice no blog:

Artigo: Mil faces de Alice no país da diversidade (publicado em agosto de 2009)

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Biografia de Salvador para a meninada

Aproveitando que nesta segunda-feira comemora-se os 461 anos de fundação de Salvador, primeira capital brasileira, divulgo o lançamento de uma obra que desvenda a origem da capital baiana para o público infanto-juvenil. Os sons de Salvador, de Luís Bras (Callis Editora) conta a história de Carol e Cris, duas  irmãs soteropolitanas que têm o sono interrompido por barulhos vindos da casa da vizinha. É assim que a dupla descobre e conhece o músico Caê, um pesquisador da sonoridade baiana. Enquanto o grupo se diverte explorando os sons dos instrumentos, e aqui não ficam de fora os tambores, uma marca da cultura da cidade, Caê conta para as meninas a história de Salvador, mostrando curiosidades e personagens. Repleto de diálogos, o livro tenta transmitir sua mensagem de forma leve e divertida, por meio de uma linguagem simples e dinâmica.

Ficha técnica:

Os sons de Salvador
Autor: Luís Bras
Ilustração: Camila Mesquita
Callis Editora
32 páginas
Preço sugerido: R$ 21,90

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Nos links abaixo, a história da Fundação de Salvador

>>Aniversário de Salvador: 460 anos (post publicado em 27/03/2009)

>>Aniversário de Salvador: Thomé de Souza (post publicado em 28/03/2009)

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Traça de Biblioteca: Biografias, romances e afins

A série Traça de Biblioteca desta semana traz algumas dicas de biografias, livros de não-ficção sobre psicologia e alguns romances à disposição no mercado editorial brasileiro desde o final do ano passado. O livro que abre as dicas da semana é A Vida Breve de Oscar Wao, que está na minha lista de leitura para os próximos dias. Prometo comentar com vocês minhas impressões de leitura depois. Além disso, há ainda a biografia do casal Bonnie & Clyde, que inspirou o filme Uma rajada de balas. Sim, meninas e meninos, ando completamente fascinada pelos anos 30. Sem esquecer de citar na lista ainda O anel que tu me deste, em que a psicanalista Lidia Aratangy faz uma radiografia precisa do casamento nos dias atuais. Confiram as sugestões abaixo e caso alguém já tenha lido algum dos livros indicados, fique à vontade para opinar na caixa de comentários do post. Caso queiram também colaborar enviando resenhas literárias e/ou dicas para a Traça de Biblioteca, nosso email é o [email protected]. Boa leitura!

A FANTÁSTICA VIDA BREVE DE OSCAR WAO

O romance apresenta à tumultuada vida de Oscar, um nerd doce e obeso, que mora com a irmã e a mãe em Nova Jersey. Sua vida está destinada ao fracasso e é marcada pela fukú, uma antiga maldição dominicana que assola sua família há gerações. Sonhando em se tornar o J.R.R. Tolkien dominicano e encontrar um grande amor, ele passa horas na companhia de livros e filmes de ficção científica. De Nova Jersey, Díaz nos remete também à história recente da República Dominicana, contando com ironia e dramaticidade a saga da família de Oscar sob os absurdos da ditadura Trujillo. Confesso que me interessei muito pela história da República Dominicana devido às minhas aulas na faculdade. Estudando uma disciplina sobre música e história, o merengue, ritmo que ajudou a promover o pequeno país, foi muitas vezes abordado como exemplo do uso da indústria do entretenimento para promover governos. A discussão parece acadêmica, mas tem aplicações em diversos episódios da história em que ditadores usaram o cinema, a televisão e outras formas de comunicação e/ou artes como máquina de propaganda.
Autor: Junot Diaz
Tradução: Flávia Anderson
Grupo Editorial Record/Editora Record
336 páginas
Preço: R$ 45,00

O ANEL QUE TU ME DESTE

A obra da psicanalista e terapeuta Lidia Rosenberg Aratangy é de 2007, mas foi relançada recentemente pela Primavera Editorial. O que acontece depois do “felizes para sempre”? As complexas relações humanas, as origens históricas e situações ricas que mostram os mitos, medos, contradições, armadilhas e desgastes – evitáveis e inevitáveis – do casamento são a base da obra. Em “O anel que tu me deste – o casamento no divã”, a autora analisa o casamento e seus protagonistas com a experiência de uma profissional que bebe na fonte da psicanálise e que atua com terapia de casais há mais de 30 anos. A obra reflete o olhar, os sentimentos e pensamentos de uma mulher casada há quase 50 anos; uma profissional que lança uma análise criteriosa e propõe uma reflexão profunda e bem-humorada sobre o casamento.
Autor: Lidia Rosenberg Aratangy
Genero: Psicologia e comportamento
192 páginas
Preço sugerido: R$ 29

O ÓRFÃO DE HITLER

Conta a história de Peter, filho de judeus mortos durante a Segunda Guerra. Com o assassinato dos pais, ele é levado a um orfanato em Varsóvia, onde é qualificado pelos soldados alemães como um exemplo da raça ariana: Peter é loiro, de olhos azuis, muito parecido com o garoto-propaganda da Juventude Hitlerista. Por isso, logo é adotado por uma família muito importante. Mas a essa altura, o menino já tem seus próprios ideais e não quer se tornar um nazista. A Alemanha preconceituosa de 1942 é o cenário desta história comovente, na qual acompanhamos a coragem de Peter pelos caminhos que o levarão à liberdade – ou à morte. Testemunha dos horrores dos campos de concentração e ao mesmo tempo reconduzido à vida por meio de uma família nazista, Peter se debate em questões morais: deveria ou não lutar pela humanidade? De qual lado deveria estar? O livro é considerado um dos melhores lançamentos do mercado editorial em 2009, sendo citado em comunidades de leitores como a skoob.com
Autor: Paul Downswell
Editora: Planeta
272 páginas
Preço: 39,90

QUERIDO E DEVOTADO DEXTER

Querido e devotado Dexter é o segundo volume da coleção que deu origem à série de tv. Dexter Morgan trabalha na perícia do departamento de polícia de Miami, mas, nas horas vagas, é um assassino em série. Seus alvos, porém, são apenas serial-killers que escaparam impunes da justiça convencional.  Neste segundo volume, uma figura sombria chega a Miami e começa a perseguir ex-colegas do tempo de exército com um método de tortura assustador. Apelidado de Dr. Danco, este psicopata dopa suas vítimas por dias e começa a mutilá-las, deixando-as completamente desfiguradas, mas sempre de forma que possam viver para ver o resultado. Enquanto isso, Dexter está levando uma vida de cidadão comum, devotando seu tempo à namorada Rita e aos filhos dela. Ficar longe de sua atividade de caçador de serial killers foi a única saída que encontrou para manter seu disfarce à salvo. Até que se depara com o misterioso caso do Dr. Danco e descobre que o namorado de sua irmã é uma das vítimas em potencial do psicopata…
Autor: Jeff Lindsay
Editora: Planeta
272 páginas
Preço: 44,90

O MUNDO

Nascido a partir de uma reflexão, em O Mundo, Juan José Millás fala sobre a mudança de sua família de Valência para Madri quando tinha apenas seis anos. Mudança essa que significou abandonar o calor do Mediterrâneo para se instalar em uma zona suburbana da capital, o que acabou marcando sua vida. Vencedor do Prêmio Planeta 2007, o segundo maior da categoria, atrás apenas do Nobel, o livro oscila entre os limites da memória e da ficção, resultando em um relato autobiográfico sobre seu universo particular e como suas impressões de menino permaneceram na vida adulta. Millásé referência no jornalismo literário espanhol e na medida em que o autor começou sua jornada pelos caminhos da memória, a reportagem acabou confundindo-se com os limites da ficção.
Autor: Juan José Millás
Editora: Planeta
216 páginas
Preço: 44,90

SATANÁS

Esta é uma novela sobre a obscura presença do maligno na vida cotidiana. Conhecido por seus romances de suspense, Mario Mendoza ancora este novo livro em torno de três personagens: uma mulher formosa e ingênua que rouba com destreza os altos executivos, um pintor habitado por forças misteriosas e um sacerdote que se enfrenta num caso de posse demoníaca. A Colômbia de hoje e sua capital, Bogotá, são o pano de fundo da trama, na qual os personagens vivenciam cenas à procura de amor, redenção e de uma segunda chance em um mundo regido por medo, tentações, paixões e dor. Amplamente reconhecido em sua terra natal, este é o primeiro livro do autor publicado no Brasil.
Autor: Mario Mendoza
Editora: Planeta
280 páginas
R$ 49,90

SÓ O AMOR NÃO BASTA

Após quase quatro anos sem lançar um livro inédito, César Romão nos leva a avaliar nosso comportamento a dois, para saber se estamos deixando o amor morrer com a convivência ou fortalecendo-o a cada dia. Por muito tempo, fomos induzidos a achar que o amor era a grande força de união de duas pessoas. Mas a convivência começa, os compromissos amorosos surgem, as exigências de um se impõem sobre as do outro, o dia-a-dia tira um pouco do romantismo e, embora duas pessoas se amem, acabam vivendo de maneira sofrida e forçada, quando não se separam. O amor, sozinho, não consegue manter vivos os sentimentos de atração, interesse e afeição.  Nesse livro, o autor mostra como lidar com as influências externas que podem ser positivas ou negativas ao amor, dependendo de como reagimos a elas. Entre os temas abordados, estão a importância de preservar a individualidade, como neutralizar a pressão familiar, como continuar fazendo as coisas de que gostamos ou, ainda, não deixar que a vida profissional interfira demais na nossa vida pessoal.
Autor: César Romão
Editora: Academia de Inteligência
136 páginas
Preço: 19,90

FRANKSTEIN – AS MUITAS FACES DE UM MONSTRO

Há quase 200 anos, a escritora britânica Mary Shelley criou um dos maiores romances de terror de todos os tempos – Frankenstein ou O moderno Prometeu. Perdi as contas das vezes em que li e reli este livro, tanto no original, quanto em suas versões adaptadas. Considerado o primeiro mito dos tempos modernos, o monstro criado por Mary Shelley surgiu num momento decisivo da história ocidental, numa época em que os avanços no conhecimento científico prometiam o domínio humano sobre o que, por séculos, fora só de Deus.  Neste mais recente lançamento da editora Larousse do Brasil, Frankenstein – as muitas faces de um monstro, a autora Susan Tyler Hitchcock analisa a história do monstro e a evolução do seu significado, desde o sonho de Mary Shelley até os dias atuais. Frankenstein nasceu de um desafio feito em 1816, numa época em que poesia e ciência, horror gótico e reanimação dominavam o ar de Genebra.  Lord Byron, escritor e amigo de Shelley, desafiou-a e a seu futuro marido Percy Shelley, além do também John Pollidori a criar, cada um, uma história de fantasmas.  Byron escreveu um conto que usaria mais tarde na conclusão de seu poema Mazzepa. Pollidori  escreveu  o romance O Vampiro, que seria a primeira história ocidental contendo o vampiro como conhecemos hoje, e que décadas depois inspiraria Bram Stoker no seu Drácula.  Mary Shelley imaginou uma história sobre a presunção humana e suas conseqüências; ela teve uma visão sobre um estudante dando vida a uma criatura. Já Percy Shelley parece não ter composto sequer um fragmento em resposta ao desafio. Neste livro, Susan Tyler Hitchcock narra a evolução desse ícone cultural.  Ela recorre ao cinema, à literatura, história, ciência e até mesmo a música punk para entender o significado desse personagem, que nos fala sobre nossas aspirações humanas e os nossos mais profundos temores. Este, com certeza, vai entrar na minha lista de leituras imperdíveis.
Autora: Susan Tyler Hitchcock
Tradução: Henrique Amat Rêgo Monteiro
Editora: Larousse do Brasil
352 páginas
Preço: 49,90

BONNIE & CLYDE – A VIDA POR TRÁS DA LENDA

No dia 23 de maio de 1934, o casal de criminosos mais famoso dos Estados Unidos foi morto num tiroteio com a polícia, em Louisiana.  Em 1967 o diretor Arthur Penn mudou a forma como Hollywood mostrava sexo e violência nos filmes, contando a história da dupla, interpretadas por Warren Beatty e Faye Dunaway,  Bonnie e Clyde – uma Rajada de balas. O filme  quebrou diversos tabus e foi campeão de bilheteria e crítica.
Neste mais recente lançamento, Bonnie & Clyde – a vida por trás da lenda, o autor Paul Schneider conta a história pela voz dos amantes, com verossimilhança e drama a serem comparados com o livro A sangue frio, de Truman Capote. Baseado em uma ampla pesquisa em arquivos, documentos do FBI e entrevistas, Schneider esmiúça a vida dos amantes e descreve a gélida época da Depressão que colaborou para fazer o público aceitar um casal frio e cruel em figuras românticas. Clyde pertencia a uma família simples, que se mudou diversas vezes na tentativa de melhorar de vida.  Era um menino insensível, teimoso, durão e, pior, tinha vergonha de ser pobre. Sua carreira de criminoso começou com furto de galos de briga no interior do Texas ainda na adolescência. A família de Bonnie era mais privilegiada. Ela era uma menina doce, muito ligada à mãe. Adorava assistir filmes, ouvir música country e escrever.  Apaixonou-se pela primeira vez muito cedo, casou-se aos 15 anos e teve uma grande decepção amorosa que deixou marcas. Conheceu Clyde na casa de uma amiga, mas foi em sua casa, ao presenciar a prisão dele, que Bonnie descobriu que seu amor era um fora da lei.  A carreira criminosa dos dois, o talento para fugir da polícia e o romance do casal fascinavam o mundo.  A gangue criada por eles fazia tremer o comércio –  era sinônimo de brutalidade, impiedade, mas também vista como um sinal de revolta contra a miséria em tempos de crise. Segundo o autor, o relacionamento de Bonnie e Clyde era, no fundo, uma combinação tóxica de paixão cega misturada com um instinto de ir longe demais. Eles levaram as autoridades à loucura. Apesar do grande esforço da lei, a dupla perpetrou façanha após façanha, escapando da justiça inúmeras vezes. Sem exaltar os assassinos ou difamar os policiais, Bonnie & Clyde – a vida por trás da lenda apresenta um relato verídico e eletrizante do casal criminoso mais célebre dos Estados Unidos e da cultura que o criou.  A vida do casal ganha nova versão para o cinema em 2010, desta vez com Hillary Duff e Kevin Zeger (Transamerica).
Autor: Paul Schneider
Tradução: Lizandra Magon de Almeida
Editora: Larousse do Brasil
432 páginas
Preço: R$ 69,90

O MARIDO PERFEITO MORA AO LADO

A incomunicabilidade entre os casais, a dificuldade em entender o outro, as armadilhas do amor. Tudo isso embrulhado em um enredo lúdico e bem articulado, que resgata o prazer da leitura. Definindo como uma história de amor, Felipe Pena enreda o leitor com as diferentes narrativas sobre aspectos diversos da alma e do cotidiano. No livro, somos apresentados a uma mulher angustiada que busca a ajuda de uma terapeuta para salvar o casamento. Mas logo percebemos que a angústia é compartilhada por outros personagens, até mesmo pelos bem casados (ou principalmente por estes, como diz um deles). Então ocorre um crime. E os terapeutas farão o papel de investigadores. Quem é o culpado pela incomunicabilidade entre homens e mulheres? Uma questão que nem Freud foi capaz de resolver, embora passemos a vida atrás da resposta.
Autor: Felipe Pena
Editora: Grupo Editorial Record/Editora Record
304 páginas
Preço: R$ 34,90

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Inspiração na tela do cinema

Tenho uma certa nostalgia dos anos 20 e 30. Adoro filmes dessa época, amo o figurino, para mim é tudo em matéria de elegância e discrição. Por isso, uma das coisas que mais me chamou atenção quando vi no São Youtube dos Cinéfilos Desesperados o trailer de Amelia, novo filme de Hillary Swank – uma atriz que também adoro desde Garotos Não Choram – me apaixonei pelo figurino da Amelia Earhart, aviadora americana que viveu entre o final do século XIX e 1937, ano em que desapareu durante uma viagem em que pilotava seu avião sobre o mar. Amelia é tida como uma heroína nos EUA, foi a primeira mulher a cruzar o Oceano Atlântico pilotando um avião e numa época em que as mulheres mal haviam conquistado o direito de sair de casa para trabalhar e estudar. Aventureira, ela transgrediu as normas do seu tempo e foi muito além do papel estabelecido para uma mulher na sociedade do período. Uma caricatura de Amelia Earhart pode ser vista em Uma Noite no Museu 2, comédia de Ben Stiller, mas tenho certeza que Hillary Swank, com seu talento já largamente reconhecido por dois oscars e por papeis marcantes como o da lutadora de boxe de Menina de Ouro, dará muito mais verossimilhança à personagem. Espero que o filme faça jus à vida de Amelia.

Mas, enquanto o filme não chega aos cinemas, dêem uma olhada nas fotos das cenas e também em alguns croquis do figurino. As roupas – criação da diretora do longa, Mira Nair, e da figurinista Kasia Walicka Maimone -, foram inspiradas na  própria Amelia, na época em que ela viveu e no seu espírito de aventura. Apesar do visual a la “barão vermelho” (referência aos pilotos da I Guerra Mundial), há também os vestidos, chapéus e todos os acessórios leves e esvoaçantes que faziam das mulheres da época um misto de diáfanas e coquetes. Vendo esse figurino, tentei viajar no tempo e imaginar o mundo de Amélia e a dualidade do seu espírito, que conciliava tão bem a feminilidade e o espírito desbravador.

Os vestidos e os acessórios como chapéus, echarpes, peles e bolsas pequenas são o meu xodó na moda dos anos 20 e 30
Hillary Swank caracterizada como Amelia Earhart veste a indefectível jaqueta de aviador
Um visual mais despojado, com a xadrez e calça masculina (que aliás, são tendências para o inverno 2010) e condizente com as pretensões da piloto
Mais uma cena do filme. Gente eu também amei esse corte de cabelo de Hillary, estou quase sacrificando as madeixas de novo!

E para quem quer ver detalhes das roupas e do enredo do longa, eis o link para o trailer (com legendas).

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Evento de moda no Shopping Paralela

De 19 a 27  de março acontece o I Paralela Moda e Arte, na praça de eventos do shopping homônimo, em Salvador. O evento integra a programação do Imagem Fashion, iniciativa que une cinema, moda e cultura em vasta programação que contempla ainda as salas de arte da UFBA e Cine Vivo.

Durante o Paralela Moda e Arte acontecerão desfiles de lançamento das coleções Outono-Inverno de lojas como Elementais, Riachuelo, Petit moda infantil, Jeans Soul e da grife catarinense, Angel.  O público verá ainda exposição de figurinos, oficina de maquiagem de caracterização, bate-papo com profissional de moda e ainda mostra de filmes brasileiros com figurinos assinados por Cao Albuquerque.

Saiba mais sobre o Imagem Fashion:

Serviço: Curso e trainee na área de moda

Cinema e moda (blog Revista Muito)

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Para lembrar Castro Alves

Hoje é aniversário de Castro Alves, poeta abolicionista baiano que nasceu em 14 de março de 1847. Para lembrar a data, publico O Laço de Fita, um dos seus poemas que considero libelo à beleza feminina.

O laço de fita

Não sabes, criança? ‘Stou louco de amores…
Prendi meus afetos, formosa Pepita.
Mas onde? No templo, no espaço, nas névoas?!
Não rias, prendi-me
Num laço de fita.

Na selva sombria de tuas madeixas,
Nos negros cabelos da moça bonita,
Fingindo a serpente qu’enlaça a folhagem,
Formoso enroscava-se
O laço de fita.

Meu ser, que voava nas luzes da festa,
Qual pássaro bravo, que os ares agita,
Eu vi de repente cativo, submisso
Rolar prisioneiro
Num laço de fita.

E agora enleada na tênue cadeia
Debalde minh’alma se embate, se irrita…
O braço, que rompe cadeias de ferro,
Não quebra teus elos,
Ó laço de fita!

Meu Deusl As falenas têm asas de opala,
Os astros se libram na plaga infinita.
Os anjos repousam nas penas brilhantes…
Mas tu… tens por asas
Um laço de fita.

Há pouco voavas na célere valsa,
Na valsa que anseia, que estua e palpita.
Por que é que tremeste? Não eram meus lábios…
Beijava-te apenas…
Teu laço de fita.

Mas ai! findo o baile, despindo os adornos
N’alcova onde a vela ciosa… crepita,
Talvez da cadeia libertes as tranças
Mas eu… fico preso
No laço de fita.

Pois bem! Quando um dia na sombra do vale
Abrirem-me a cova… formosa Pepital
Ao menos arranca meus louros da fronte,
E dá-me por c’roa…
Teu laço de fita.

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Traça de biblioteca: livros ensinam as crianças…

… A MULTIPLICAR
Paisagem de pássaros
Callis Editora
Autora: Eun Sun Han
Ilustração: Há Jin Jung
40 páginas
Preço sugerido: R$ 27,90

Livro alia diversão e aprendizado ao contar a história de um carpinteiro que constrói casas de pássaros para pendurá-las nas florestas e servir de moradia às aves. Por meio do conto, o autor ensina a operação matemática. Publicação integra a coleção “Tan Tan”, cujo objetivo é justamente ensinar noções de matemática aos pequenos.

… SOBRE O CORPO HUMANO
O incrível livro do corpo humano segundo o Dr. Frankenstein
Publifolha
Autor: Dorling Kindersley
Ilustrador:
96 páginas
Preço sugerido: R$ 55,00

Os leitores farão uma viagem surpreendente, em que mistérios e curiosidades sobre o funcionamento do nosso corpo serão revelados. O livro, ilustrado e cheio de detalhes, é narrado pelo Dr. Frankenstein, que quer construir um ser humano em seu laboratório e faz do leitor o seu assitente. Também tem um glossário cheio de termos da anatomia.

… A LIDAR COM O DINHEIRO
O dinheiro
Callis Editora
Autora: Cristina Von
Ilustração: Ana Luiza de Paula
32 páginas
Preço sugerido: R$ 19,00

Publicação explica o que é o dinheiro e como surgiu, trazendo vários desenhos de cédulas, moedas, cheques e cartões de créditos, para a criançada recortar e brincar. Obra também introduz na vivência infantil, por meio da brincadeira e da diversão, uma série de conceitos financeiros, como “orçamento”, “salário” e “imposto”.

… A ENFRENTAR O MEDO
Diogo e o monstro
Callis Editora
Autora: Cristina Von
Ilustração: Eliza Freire
24 páginas
Preço sugerido: R$ 19,90

Ao acompanhar as notícias das tragédias que estampam os jornais diariamente, e os crimes que são divulgados pela televisão, o menino Diogo começa a ficar assustado. Apesar das grades nas janelas e das portas sempre fechadas, o pavor do menino não diminui, até que ele aprende a lidar com a situação de uma forma diferente.

… A CUIDAR DO MEIO AMBIENTE
Cuide do Planeta!
Autor: Dorling Kindersley
Publifolha
32 páginas
Preço sugerido: R$ 29,90

Obra busca despertar a consciência ambiental dos pequenos, por meio de dicas e sugestões sobre como preservar o meio ambiente. O livro fala de reciclagem de lixo, dos cuidados com o jardim, da necessidade de fechar a torneira enquanto escovam os dentes, de apagar a luz para economizar energia, da reutilização de brinquedos e do respeito com os animais.

… SOBRE MÚSICA
Música
Callis Editora
Autor: Caroline Grimshaw
32 páginas
Preço sugerido: R$ 18,90

O universo dos sons é o tema desta obra, que reúne diversas curiosidades sobre os instrumentos musicais e sobre as canções. Em formato de perguntas e respostas, a autora traz um monte de informações novas às crianças, a exemplo de qual é o instrumento mais antigo, ou o que é uma orquestra e ainda como são escritas as canções. De forma lúdica e divertida, a criança se familiariza com o tema.

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Mulheres e Compras: Por que as mulheres, brasileiras ou francesas, leem mais que os homens?

O penúltimo artigo da série Mulheres e Compras, nesta sexta-feira, é de autoria de Lourdes Magalhães, presidente da Primavera Editorial. No texto, a autora traz dados recentes sobre o consumo de cultura praticado por homens e mulheres, no Brasil e no exterior. Escolhi este artigo para fechar a sequência iniciada na última terça-feira, porque dia desses, batendo papinho no intervalo do trabalho com Alane, ela disse uma coisa que rende reflexão: “somos intelectuais, mulheres, temos de manter a beleza por dentro, das ideias, mas também precisamos nos cuidar por fora”. Ou seja, beleza é consumo, cultura é consumo e o equilíbrio entre corpo, mente e espírito continua sendo a máxima que rege a vida de todas nós, independente de quanto tenhamos disponíveis para gastar.  Como sempre, foi um imenso prazer dividir tanto material rico com vocês, queridas (os) leitoras (res). Aos assessores e articulistas que nos permitem divulgar suas ideias no blog, nossos agradecimentos eternos. E não esqueçam que neste sábado temos o último capítulo da série Especial Semana da Mulher!

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Por que as mulheres, brasileiras ou francesas, leem mais que os homens?

*Lourdes Magalhães

“Mulher, você vai gostar, tô levando uns amigos pra conversar…” No centenário do Dia Internacional da Mulher, provavelmente a personagem de Chico Buarque, na divertida “Feijoada completa”, nem estaria em casa para recepcionar a trupe de amigos do marido. Ela estaria ocupada, desenvolvendo mil projetos no trabalho ou consumindo cultura. Brincadeiras à parte, dados estatísticos mostram os avanços e a inclusão feminina nos ambientes culturais e corporativos. As mulheres leem mais no Brasil, como demonstra a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro. Os dados revelam que 55% dos leitores brasileiros são mulheres – elas consomem, em média, 5,3 livros por ano contra os 4,7 livros anuais lidos pelos homens. Um outro estudo, conduzido pelo Instituto QualiBest, revelou que as mulheres internautas também leem mais: 55% leem pelo menos um livro por mês contra 42% dos homens. Nessa pesquisa, 65% afirmaram que leem por prazer, sendo ficção e romance os gêneros preferidos.

Mas, como não posso pecar pelo ufanismo, adianto que esse não é um fenômeno brasileiro. Pesquisas internacionais comprovam que as mulheres consomem mais cultura, ou seja, leem mais literatura de qualidade; assistem mais peças teatrais e filmes; visitam museus e exposições; e são maioria nas plateias de espetáculos de dança. Como se não bastasse, elas ocupam a maioria das cadeiras nos cursos de humanidades. Na Europa e Estados Unidos, por exemplo, superam os homens na leitura de ficção.

Em viagem recente a Paris para participar de encontros com autores, tive acesso – pela leitura de jornais e conversas informais com escritores franceses – a relatórios do governo francês que analisam dados de pesquisas realizadas entre 1973 e 2003 sobre a relação feminina com a cultura. Em 1973, por exemplo, 72% dos homens franceses leram um livro em 12 meses; em 2003 esse índice caiu para 63%. Entre as mulheres, o índice subiu de 68% (1973) para 74% (2003). Essa constância no crescimento do consumo cultural feminino ultrapassou o status de tendência para consolidar a permanência.

Um dado interessante que consta nesse compêndio de pesquisas sob o título “A fábrica sexual do gosto cultural” é que a participação feminina no consumo de cultura é mais significativo na faixa dos 40 anos – idade, na Europa, de jovens mães – que dão ênfase à educação cultural das meninas. Não à toa, uma pesquisa com três mil famílias mostrou que meninas entre seis anos e 14 anos leem mais que os meninos da mesma idade; sendo que 38% têm no cotidiano atividades culturais e artísticas como cursos de balé, teatro e pintura, contra 20% dos garotos.

No Brasil, a queda no analfabetismo indica que temos um longo caminho pela frente, mas que avançamos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que entre 1991 e 2001 a taxa de analfabetismo caiu de 20,1% para 13,6% da população. No tocante à escolaridade assistimos à ascensão feminina contínua, um processo de inclusão educacional muito relevante porque tem reflexos na participação feminina nos melhores postos de trabalho do País. Em 2007, entre os brasileiros com mais de 12 anos de estudo – inseridos, portanto, no nível superior de ensino – 57% são mulheres. A projeção do IBGE é que a cada 100 pessoas com 12 anos ou mais de estudo, 56,7% são mulheres e 43,3% homens. Em 2009, de acordo com a empresa internacional Great Place to Work, 43% dos postos de trabalho das 100 “Melhores Empresas para Trabalhar – Brasil” são ocupados por mulheres; elas estão em 36% dos postos de liderança, inclusive na presidência de empresas.

Voltando ao título que motiva este artigo – “Por que as mulheres, brasileiras ou francesas, leem mais que os homens? – antes que alguém evoque a maior sensibilidade feminina para as artes, o hipotético “tempo de sobra” ou argumentos similares, recorro novamente ao estudo francês. Quando questionados no estudo sobre o que estão fazendo nos momentos de lazer, homens e os meninos revelam: dedicam mais tempo à televisão – especialmente programas de esportes –, acessam a internet e convidam os amigos para jogar videogame.

*Lourdes Magalhães é presidente da Primavera Editorial. Executiva graduada em matemática pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com mestrado em Administração (MBA) pela Universidade de São Paulo (USP) e especialização em Desenvolvimento Organizacional pela Wharton School (Universidade da Pennsylvania, EUA)

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Leia os outros posts da série:

>>Mulheres e Compras: O segredo dos quatro “Ps” do consumo feminino

>>Mulheres e Compras: O que as marcas e a propaganda precisam saber sobre a mulher contemporânea?

>>Mulheres e Compras:”Mulheres ou homens: quem gasta mais?”

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40 bolsas integrais para aulas de ballet e jazz em Salvador

Fazer aulas de ballet e jazz é o sonho de muitos meninos e meninas. Por vezes, o sonho acaba esbarrando nas dificuldades financeiras, já que as aulas têm um custo razoável para o bolso da maioria da nossa população. Acho muito bacana quando me deparo com iniciativas de grupos direcionadas ao público que não tem grana disponível para realizar seus sonhos. Esses dias vi um e-mail anunciando a distribuição de 40 bolsas integrais para aulas das duas modalidades de dança em Salvador, destinadas a estudantes de escolas públicas com idade a partir de 10 anos. Legal, não é? Pois vamos às informações úteis.

A distribuição das bolsas faz parte do Projeto Social Dança Vida, patrocinado pela escola de ballet Etudes. A bailarina e coordenadora do projeto, Suzana Rusch, fará visitas às escolas divulgando a proposta. De acordo com as informações do material de divulgação que recebemos, será feita uma avaliação prévia para analisar o interesse da criança e a vontade de se aproximar do mundo das artes. Os bolsistas serão escolhidos em uma audiência, a ser realizada no dia 19 de março, às 15 horas, na sede da Etudes, na Graça.

Se você é estudante da rede pública de ensino (devidamente matriculado), tem entre 9 e 16 anos, mas sua escola não foi visitada pela coordenadora do projeto, não tem problema. É só se dirigir ao local da audição no dia 19 de março, a partir das 14h30. É preciso levar roupas confortáveis para fazer o teste, peças que possibilitem o aluno se movimentar com facilidade. Lá no local, o estudante vai preencher uma ficha e aguardar o teste. Ah, e precisa ter as tardes de sexta-feira livres, já que as aulas de dança serão ministradas neste horário.

| SERVIÇO |

Projeto Social Dança Vida
Data e local dos testes: 19 de Março, às 15h, na sede da Etudes (Rua Santa Rita de Cássia, 127, Graça)
Público alvo: estudantes da rede pública de ensino, com idade entre 9 e 16 anos
Informações: (71) 3332-0077

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