Setembro em Salvador tem PercPan

A Banda Beirut (EUA) ficou conhecida no Brasil após a música Elephant Gun ter sido incluída na trilha da minissérie Capitu
A Banda Beirut (EUA) ficou conhecida no Brasil após a música Elephant Gun ter sido incluída na trilha da minissérie Capitu

Ainda falta um mês, mas não custa nada anotar na agenda. A 16ª edição do Percpan em Salvador – o evento também ocorre no Rio e em São Paulo -, acontece nos dias 4 e 5 de setembro, no Teatro Castro Alves, reunindo concertos e workshops com talentos nacionais e estrangeiros da percussão e música étnica. Na capital baiana, estão confirmados: a banda Beirut, o   percussionista Airto Moreira, a cantora Flora Purim, jazzistas brasileiros, o  francês Cyril Hernandez, o italiano Andrea Piccioni, o alemão David Kuckhermann, o jordaniano Ahmad Al-Khatib e os japoneses da Oki Dub Ainu Band.

Segundo a organização do Percpan, as duas noites do evento terão propostas diferentes (veja programação completa abaixo). Para encerrar o festival, em Salvador e no Rio, percussionistas vão mostrar como o pandeiro é tocado de maneiras diversas. A idéia surgiu no ano passado, na Alemanha, durante o Tamburi Mundi, um festival que reuniu somente pandeiristas.

16º PANORAMA PERCUSSIVO MUNDIAL – PERCPAN

Participantes:

América do Sul – Brasil e Argentina

Europa – Itália, França e Alemanha

Ásia – Japão

América do Norte – EUA

Oriente Médio – Jordânia

Serviço em Salvador:

Onde: Teatro Castro Alves

Quando: 04 e 05 de setembro

Horário do primeiro show: 19:30h

Preços: R$30,00 (inteira) e R$15,00 (meia)

Onde comprar ingressos: Teatro Castro Alves, SAC Barra e SAC Iguatemi

Censura: 14 anos

Informações e venda: (71) 3117-4899

Programação:

Primeira Noite

Trio 3-63 – Brasil/ RJ (Marco Suzano , Andrea Ernest, Paulo Braga)

Cyril Hernandez & Ramiro Musotto – França e  Argentina

Oki Dub Ainu Band, com Takashi Numazawa e Ushida Dub Mix – Japão

Beirut – EUA

Segunda Noite

Trio 3-63  –  Brasil/ RJ (Marco Suzano , Andrea Ernest, Paulo Braga)

Andrea Piccioni – Itália

Emerson Taquari & Banda – Brasil/ BA

David Kuckerman – Alemanha & Ahmad Al Khatib – Jordânia

Airto Moreira & Flora Purim – Brasil/EUA

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Duas boas dicas de exposições em Salvador

Para quem quer aproveitar as férias de julho, Conversa de Menina indica duas boas exposições que aportam em Salvador este mês. Uma delas é a mostra fotográfica Um Caminho, Seis Olhares – Caminho de Santiago na Galícia, que como o nome já diz, traz imagens feitas por peregrinos, seja em busca de iluminação espiritual ou para fazer turismo, no Caminho de Santiago, região da Galícia – Espanha. A outra mostra se chama Código Negro e exibe treze paineis que contam a história da escravidão a partir de um conjunto de documentos raros chamado Code Noir, onde o cotidiano das escravos nas colônias francesas era minunciosamente registrado. Confiram abaixo os detalhes sobre as exposições e boa diversão!

Caminho de Santiago em fotos de peregrinos

Santiago-250Mais de 300 fotografias que retratam os peregrinos e paisagens ao longo do Caminho de Santiago de Compostela, na Galícia (Espanha), compõem a mostra internacional “Um Caminho, Seis Olhares – Caminho de Santiago na Galícia”. A mostra será aberta à visitação pública a partir desta segunda-feira, dia 6, e poderá ser conferida de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, até o fim do mês, na Câmara Municipal de Salvador – praça Tomé de Souza, Centro. A entrada é franca.

A rota de peregrinos foi retratada sob o olhar de seis fotógrafos galegos: Delmi Álvarez, Fernando Bellas, Tino Martínez, Javier Teniente, Xulio Villarino e Tino Viz.  Salvador é a terceira cidade brasileira, depois de Rio de Janeiro e São Paulo, a sediar a exposição, que também já percorreu cidades como Bergen (Noruega), Copenhagen (Dinamarca), Estocolmo (Suecia), Varsovia (Polônia), Praga (Rep. Checa), Helsinki (Finlandia) e Viena (Áustria).

Serviço:

Um Caminho, Seis Olhares – Caminho de Santiago na Galícia

Quando: de 06 a 31 de julho, de segunda à sexta,  das 8h às 18h

Onde: Câmara Municipal de Salvador, Praça Tomé de Souza – Centro

Quanto: Entrada Franca

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Códigos decifrados da escravidão

code_noir_Sepia_PtitreA exposição Código Negro exibe 13 painéis com uma grande parte da história que não está nos livros escolares, se baseando no “Code Noir”, um conjunto de artigos que regulava a vida dos escravos das colônias francesas. O Código Negro era aplicado em colônias como Antilhas, Guiana e Guadalupe, apoiando a prática massiva da escravidão e legalizando punições corporais. Em particular, merecem destaque sessenta artigos criados em 1685 por Luis XIV, que representavam os estatutos civil e penal.

A exposição foi elaborada pelas Edições Sépia a partir de documentos originais, sendo preservados os textos originais, com algumas anotações pontuais indispensáveis à compreensão das passagens selecionadas. Para melhorar o conforto de leitura, algumas palavras ganharam sua ortografia atual.

Serviço:

Exposição Código Negro

Quando: 16 de julho a 03 de agosto,de segunda à sábado, das 8h30 às 21h; domingos e feriados, das 14h às 21h

Onde: Galeria da Aliança Francesa – Ladeira da Barra

Quanto: Entrada Franca

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Santo Amaro em evidência

Santo Amaro da Purificação é uma das cidades mais místicas do recôncavo baiano.  E não digo isso porque é terra de Caetano Veloso e Maria Bethânia. Aliás, os dois grandes artistas são o que são porque nasceram e se criaram num caldo cultural que mistura a religiosidade afro-brasileira, tradições católicas, cultura popular e história de resistência. Pois a cidade, localizada a 72 quômetros de Salvador,  estará em evidência nos próximos dias. Aqui na capital, de hoje até domingo, o Conjunto Cultural da Caixa (Rua Carlos Gomes – Centro) apresenta o espetáculo teatral Besouro Cordão de Ouro, sobre a vida de um dos capoeiristas mais famosos de Santo Amaro, um homem tão peculiar que se não houvesse testemunhas jurando que ele existiu, passaria facilmente por lenda e das boas, daquelas de ouvir ao pé da fogueira. Além disso, de 13 a 17 de maio, a cidade do recôncavo celebra os 120 anos do Bembé do Mercado, festa criada em 1889 para comemorar a abolição da escravatura. Abaixo, informações sobre o espetáculo e a história do Bembé:

Besouro Cordão de Ouro

Cena do espetáculo Besouro Cordão de Ouro
Cena do espetáculo Besouro Cordão de Ouro

Manoel Henrique Pereira, apelidado Besouro Cordão de Ouro, nasceu em Santo Amaro no final do século XIX. Ficou famoso graças ao talento nas rodas de capoeira tanto na cidade natal quanto no Cais Dourado, em Salvador, onde desembarcava dos saveiros que cruzavam a baía de Todos os Santos, em busca de um bom desafio. Sua fama de valente o transformou em lenda viva. Sendo que o romance Mar Morto, de Jorge Amado, ajudou a consolidar a fama do lutador. Além de capoeirista, Besouro também era poeta, boêmio, tocador de violão dos mais afamados e compositor de chulas e sambas-de-roda.

O espetáculo Besouro Cordão de Ouro, que aporta em Salvador neste fim de semana, é produzido por um grupo carioca, sob direção de João das Neves. O texto, as músicas e letras das canções entoadas na peça  são de autoria de Paulo César Pinheiro. A história de Besouro, também chamado Mangangá nas rodas de capoeira, é contada a partir dos atores que interpretam outros mestres famosos do ínicio do século XX como Bimba, Pastinha, Budião, Dora das Sete Portas e a mítica Rosa Palmeirão, também personagem de Mar Morto e que, diz a lenda, foi criada por Jorge Amado a partir de Maria Doze Homens, uma capoeirista valente do Cais Dourado, que derrubava qualquer um que se interpunha em seu caminho, fosse macho ou fêmea. Maria Doze Homens, por sua vez, é confundida na memória da cultura popular baiana com Maria Felipa de Oliveira, uma mulher que, na Guerra da Independência da Bahia, em 1823, teria liderado outras mulheres na guerrilha contra os portugueses.  Prometo contar a história dela aqui no blog, em outra ocasião.

SERVIÇO:

Espetáculo: Besouro Cordão-de-Ouro

Onde: Espaço Caixa Cultural

Rua Carlos Gomes, 57 – Centro – Tel: 3421-4200

Quando: 8 a 10 de maio, às 20h

Ingresso: Um quilo de alimento não-perecível, trocados pelo ingresso a partir das 14h do dia do espetáculo

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Bembé do Mercado

Caetano deve participar de mesa redonda durante o Bembé
Caetano deve participar de mesa redonda durante o Bembé

A origem do Bembé do Mercado remonta ao dia 13 de maio de 1889, no aniversário de um ano da abolição. Na ocasião, os terreiros de Candomblé de Santo Amaro e região se reuniram para fazer uma festa de três dias e três noites, tocando para os orixás e em memória aos antepassados que pereceram na luta pela liberdade. Durante anos, o Bembé foi erroneamente associado a uma homenagem à princesa Isabel, mas a festa de fato, marcava a resistência dos adeptos do Candomblé às perseguições a sua religião e também era uma forma de mostrar que existia um contingente negro que havia saído das senzalas, mas ainda não havia alcançado lugar de direito na sociedade. Mesmo com as perseguições o Bembé continuou acontecendo. Em alguns anos, limitava-se aos terreiros, em outros, acontecia na praça do mercado municipal da cidade. A partir do final dos anos 90, houve empenho de lideranças negras e religiosos do Candomblé, além de apoio de universidades e políticos, para que o Bembé fosse revitalizado. A palavra Bembé é uma corruptela de Candomblé.

Este ano, cerca de 30 terreiros irão se unir para realizar a festa dos 120 anos do Bembé, de 13 a 17 de maio, na praça do mercado. Além dos rituais religiosos, ocorrerão também apresentações de maculelê, capoeira, samba de roda e a encenação do Nego Fugido, folguedo que tem origem no distrito santoamarense de Acupe e representa a fuga de escravos das fazendas de açúcar da região e a implacável caçada empreendida pelos capitães do mato e feitores na tentativa de recapturá-los.

A festa de 2009 renderá homenagens ao escultor e museólogo Emanoel Araújo e a sambista santoamarense Edith do Prato, morta no início do ano. A programação prevê também uma mesa redonda, que deve ocorrer na quarta-feira, 13, na abertura do evento, sobre cultura popular, reunindo o Ministro da Cultura Juca Ferreira, o cantor Caetano Veloso e a folclorista Maria Mutti; além de um show de J. Velloso e Ulisses Castro.

SERVIÇO:

O quê: Bembé do Mercado

Local: Mercado de Santo Amaro da Purificação – BA

Data: 13 a 17 de maio

Horário: quarta-feira (04h alvorada, 18h abertura), quinta-feira e sexta-feira (18h), sábado (10h)

Como chegar: Saindo de Salvador, pegar a BR-324.  São 59 quilômetros até o entroncamento da BA-026, em direção a Santo Amaro, e mais 13 quilômetros até a sede do município.

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Exposição celebra chegada de Carybé à Bahia

Carybé em seu estúdio / Crédito: Acervo da família
Carybé em seu estúdio / Crédito: Acervo da família

A magia contida nas linhas de Jubiabá, um dos romances mais famosos de Jorge Amado, foi suficiente para trazer à Bahia o argentino, nascido em Buenos Aires, Hector Julio Paride Bernabó, lá pelos idos de 1938. Você não sabe quem é Hector Bernabó? E se eu chamá-lo pelo apelido que recebeu ainda na infância, quando era escoteiro, Carybé? Mesmo que não conheça a fundo a vida desse artista plástico, escultor, gravador, cenografista, jornalista, diretor de arte, multitalentoso baiano de coração – ele naturalizou-se brasileiro em 1957 e foi agraciado na mesma época com o título de cidadão da Bahia -, com certeza, já viu espalhadas pelas ruas de Salvador, obras que levam sua assinatura. Se for soteropolitano do dendê (carioca é que é da gema), conhece os gradis que cercam o Museu de Arte da Bahia (MAM-BA) ou o Campo Grande (praça 2 de Julho); ou já viu a escultura de uma mulher com o filho enganchado nos quadris, na entrada do shopping Iguatemi; ou ainda, os paineis no Teatro Castro Alves. Se for baiano e seguidor do Candomblé, mais especificamente frequêntador do terreiro do Ilê Axé Opô Afonjá, em São Gonçalo do Retiro, já viu obras do artista e referências a ele no lugar de honra reservado aos obás (ministros) de Xangô da casa. Mesmo que seja turista, ao desembarcar no Aeroporto Internacional da capital baiana, no seu roteiro até a saída, há um painel do artista.

Caribé mostra que é bom também no pandeiro / Crédito: Acervo da família
Caribé mostra que é bom também no pandeiro / Crédito: Acervo da família

Com tanto de Carybé impregnado na cidade, era de se esperar uma homenagem. E vai haver mesmo uma série delas. A partir do dia 24 de abril até 31 de maio, quem é da terra ou de outros cantos do mundo, está convidado para dar uma passadinha no MAM, ali na Ladeira da Av. Contorno, para conferir a exposição Carybé – 70 anos de Bahia. Organizada pelo Instituto Carybé, com patrocínio da iniciativa privada e apoio do governo estadual, a mostra reunirá 200 obras que retratam a pluralidade de temas e técnicas utilizadas pelo artista ao longo da sua trajetória.  Serão pinturas, esculturas, gravuras, paineis, murais, ilustrações de livros (Carybé era um dos principais ilustradores das obras do amigo Jorge Amado), objetos pessoais, os figurinos que criou para cinema, teatro e balé; a exibição de dois filmes (O Cangaceiro, em que assina a direção de arte) e o documentário O capeta Carybé, sobre sua vida. Para completar, seus cadernos de viagem, com esboços e diários de bordo retratando as andanças pela Europa, Oriente e Brasil serão exibidas pela primeira vez.

A garrafa verde - A hora do cão / Crédito: Sérgio Benutti (divulgação)
A garrafa verde - A hora do cão / Crédito: Sérgio Benutti (divulgação)

Também conteúdo inédito da exposição são as pinturas de países da América e o Gabinete de Humor Erótico, essa parte reservada apenas aos maiores de 18 anos, com desenhos e pinturas mais calientes do argentino-baiano. Ficou sem fôlego? Pois nem fique, porque os organizadores do megaevento ainda montaram um passeio cultural chamado Rota Carybé, que consiste em percorrer 19 pontos de Salvador onde existem interferências do artista na área urbana. Alguns desses pontos foram citados ali no começo do post, mas creiam que tem muito mais Carybé na atmosfera da soterópolis.

E as homenagens não se limitam à exposição. Carybé, morto em outubro de 1997, vai virar selo comemorativo dos Correios e Telegráfos. Reconhecendo o valor da obra do artista para a cultura baiana e nacional, o painel do aeroporto será totalmente restaurado através da iniciativa de uma empresa privada. A exemplo do que ocorre no Chile, com as casas onde Pablo Neruda viveu, o Instituto Carybé pretende ainda restaurar a sua antiga residência, no bairro da Boa Vista de Brotas, e transformá-la em um memorial e centro cultural aberto ao público.

Bahia, 1971 / Crédito: Sérgio Benutti (divulgação
Bahia, 1971 / Crédito: Sérgio Benutti (divulgação)

 Reserve espaço na agenda, porque vale a pena:

O quê: Exposição Carybé – 70 anos de Bahia

Onde:  Museu de Arte da Bahia – Ladeira da Av. Contorno, centro de Salvador

Quando: de terça a domingo, das 13h às 19h; sábados, das 13h às 21h

Período: de 24 de abril até 31 de maio

Entrada: gratuita

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Convocação extraordinária aos chocólatras de Salvador

Meninas e meninos, uma noticia doce para animar nosso domingo de Páscoa. Um empresário paulista, fascinado pelo filme A Fantástica Fábrica de Chocolate e pelo carismático Willy Wonka, ambos criações do genial escritor Roald Dahl, decidiu construir um parque temático inspirado na obra. O parque fica em São Paulo, mas, agora vem a parte mais gostosa da notícia, vai fazer um excursão itinerante pelo país, passando por Salvador. Quem nos presenteia com esse grande furo de reportagem em plena Páscoa é a jornalista Mariana Carneiro, autora do blog Pequenópolis. Leiam aqui a íntegra da notícia e preparem os cupons dourados!

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O fenômeno BBB, a vidraça e o espelho

O Big Brother Brasil vai além de um programa de monitoramento contínuo do comportamento humano. A casa mais vigiada do Brasil é, na verdade, um fenômeno comercial. Só para se ter uma ideia da grana que está por trás da produção, as estimativas de lucro desta nona edição estão na casa dos R$ 280 milhões, o que significa R$ 100 milhões a mais do valor arrecadado em 2008. EBBB isso, mesmo com os menores índices de audiência já registrados desde a criação do reality show, em 2002. Aliás, desde 2004, a audiência do programa vem caindo. De lá para cá, já houve redução de 33% no número de telespectadores. Mas o faturamento, ao contrário, tem crescido aos montes.

Sem dúvida alguma o BBB é um dos produtos mais rentáveis da rede Globo hoje. A expectativa comercial em torno do programa é tanta que, logo depois do episódio de estreia, todos os intervalos já haviam sido comercializados. E por que você acha que a edição foi esticada em mais uma semana? Para agradar o grande público? Claro que não. Tudo uma questão de exigência comercial. Surgiu a demanda, a empresa quer embolsar o dinheiro, então vamos alargar a edição. E os números não param por aí. O BBB9 bateu recorde de vendas de pacotes pay-per-view, para aqueles que querem ter o “privilégio” de acompanhar tudo o que acontece na casa 24 horas por dia. Em 2009 foram vendidos cerca de 200 mil pacotes, contra os 163 mil do ano passado.

O que leva milhares de pessoas a dedicarem algumas – ou várias – horas do seu dia acompanhando o que acontece na vida de um grupo de pessoas que nem mesmo conhecem? Por que o BBB é esse sucesso? O Big Brother Brasil, a meu ver, é uma vitrine da sociedade de consumo moderna. Lembro bem em uma entrevista BBBda ex-sister Iris, em que ela dizia que perdeu peso, fez plástica e o escambau a quatro para poder concorrer a uma vaga na oitava edição. Funcionou. No ano de 2000, Afonso Romano de Sant´Anna publicou um artigo em O Globo, no qual concluía que os reallity shows demonstravam que na sociedade moderna “o indívíduo prefere a vidraça ao espelho”. Ou seja, em nome de qualquer coisa (fama, dinheiro, reconhecimento, vaidade…) a pessoa se mostra cada vez mais e cada vez com menos roupa. Dizia ele, é mais fácil do que olhar para si.

São dois lados da moeda. Em um deles, você simplesmente abre mão de sua intimidade, da privacidade, e permite que sua vida seja despejada na casa de milhares de pessoas. Do outro lado, essas milhares de pessoas, ansiosas por assistir cada movimento dos que se sujeitaram à invasão de suas vidas. O pouco que já li sobre comportamento humano me aponta uma possível vertente, pela qual imagino que, como acontece com as próprias novelas, as pessoas tentam se enxergar naquelas outras em exibição. É a vida que muitas queriam ter, a casa em que muitos queriam viver, o milhão que tantos gostariam de conquistar. Fora a própria curiosidade de saber o que está acontecendo com a vida do outro, o exercício de poder julgar o comportamento alheio sem qualquer piedade ou constrangimento, afinal, eles estão ali pra isso. Para serem julgados e expulsos do jogo quando não corresponderem à expectativa (indecifrável) do público.

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Leia também:
>> Escravos da beleza: quando você vai se libertar?
>> Mulher fruta: É para chupar e cuspir o bagaço?
>> Mulheres possíveis (e sem culpa)
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A submissão à exposição desenfreada é reflexo de uma sociedade que anda “perdida”, com valores pouco contornados, diria ainda, controversos. Se me preocupo mais em me mostrar fisicamente do que compreender quem sou e tentar me transformar em um ser humano coletivamente melhor e mais atuante, significa que mais vale o que o alheio vê externamente em mim do que aquilo que contribuo para a coletividade. Para isso, imagino que a visão do outro sobre mim será tanto melhor Olhando no espelhoquanto mais arrendondados e duros forem meus seios, ou mais musculoso e definido for o meu corpo e maior for a minha bunda. Me pergunto: que sociedade é essa que estamos construindo para as futuras gerações? Querer se mostrar, tudo bem. O que me impressiona é o querer se mostrar pelo que há por fora, como se embalagem determinasse a qualidade do conteúdo. Como ouvi um dia desses: “se  ela for gostosa e trepar bem, também é sinal de bom conteúdo em boa embalagem”. É isso, meninas, o que vocês querem que pensem de vocês? Que ter conteúdo é fazer sexo bem feito depois de lutar pelo corpo perfeito?

A vaidade é positiva, desde que não te torne escravo da beleza, e com o propósito de se sentir bem para você. Você pode até querer fica bela aos olhos do outro, não há nada de mal nisso. O mal é fazer disso um objetivo desmedido, é acreditar que este deve ser o propósito de toda uma vida.

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Para refletir:
>> Artigo: A televisão como objeto de reflexão: o Big Brother Brasil
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