Artigo: Dia dos Namorados – uma deliciosa desculpa para “namorar” as vitrines como flamingos

Começo o dia de blogagem com um artigo muito leve sobre hábitos de consumo. Apesar de ser escrito por uma analista de mercado especialista, não tem aquela afetação de consultor. O tema, claro, Dia dos Namorados. Adorei a comparação das pessoas com os flamingos, além de lúdica, faz muito sentido e dá no que pensar. Confiram:

Dia dos Namorados: uma deliciosa desculpa para “namorar” as vitrines como flamingos

*Stella Kochen Susskind

Como uma eterna romântica, adoro todos os pormenores que envolvem o Dia dos Namorados! Apaixonada pelo varejo, delicio-me especialmente com as vitrines bem-montadas, o movimento nas lojas, a magia de um atendimento bem-feito e com o namoro dos consumidores: indivíduos que mantêm vínculos racionais e emocionais com as marcas. E como a data desperta muito mais o lado emocional, temos aí uma boa desculpa para namorar as vitrines sem culpa. Em um paralelo com a faceta mais instintiva do ser humano – aquela que nos aproxima dos animais – ir ao shopping, centros comerciais e ruas nessa época é como observar flamingos no cativeiro. Para o bem-estar do grupo de flamingos, os especialistas instalam no cativeiro um espelho, oferecendo aos belos pássaros a sensação de estar em bando, portanto, protegidos.

Os apaixonados olham os seus reflexos nas vitrines, namoram os objetos aspiracionais, que podem ou não comprar, e se sentem protegidos por semelhantes que tomam parte do mesmo ritual. É comum nesta época, desconhecidos trocarem ideias em frente às vitrines, balcões e araras. Inúmeras vezes me vi como protagonista de um diálogo singular que começa repleto de perguntas:

—    Moça (adoro ser chamada assim!), que número você usa? Você usaria uma bolsa assim? E o que acha desta pulseira? Essa cor está na moda?

Ao responder a um estranho, captamos de imediato um brilho no olhar que nos é familiar. Ou seja, somos flamingos protegidos pelo bando. Mas será que com todo esse “love is in the air”, os homens se tornam tão flamingos quanto as mulheres?

Nessa época que culmina no outono, com suas manhãs e entardeceres mais frios –  remetendo ao aconchego de um colo gostoso – nos damos o direito de namorar as vitrines com o emocional a mil. É como se a loucura do dia a dia nos desse um break! Nós, mulheres, temos a sensação de passear com uma trilha sonora romântica; nesse espaço onírico, o olfato fica mais aguçado, mais sensível aos perfumes que saem das lojas, ao cheiro de chocolate… Aproveitamos ao máximo desse átimo! Olhamos as vitrines com calma, tocamos os produtos, cheiramos. É comum, inclusive, fecharmos os olhos imaginando o objeto da paixão, recebendo o presente. Nesse momento, um sorriso discreto nos escapa.

Como “pesquiseira” tenho por missão de desvendar os sentimentos dos consumidores no momento da compra. Com essa profissão, constantemente paro para refletir se o comportamento de homens e mulheres se iguala em determinadas ocasiões do consumo. Será que o Dia dos Namorados tem esse poder? Eu me divirto imensamente com a certeza que os homens são tão parte do bando de flamingos quanto as mulheres! Se indagados, claro que jamais irão admitir; contudo, é fato que transformam a data em oportunidade para namorar as vitrines. Afinal, há desculpa melhor ou algo mais acolhedor do que se sentir protegido por outros flamingos?

O desafio de empresários, lojistas e equipes é não deixar os flamingos soltos, abandonados! É aproveitar o namoro com as vitrines para namorar os clientes, para criar reciprocidade. Nada mais bonito do que um atendimento personalizado, próximo e assertivo. Como especialista e consumidora – e como flamingo, é claro! – afirmo categoricamente que isso é apaixonante! Um cliente apaixonado volta e fala sobre sua paixão para centenas de conhecidos. É claro que isso ocorre quando a paixão tem um final mágico, quando é correspondida. Ao contrário, nos finais trágicos, a falta de sintonia ganha negativamente as redes sociais; a experiência do abandono corre rapidamente entre os “flamingos”. E a minha experiência diz que há muita solidariedade entre os flamingos…

*Stella Kochen Susskind preside a Shopper Experience, empresa especializada em pesquisa e mercado.

**Material encaminhado ao blog para publicação pela Printec Comunicação.

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Coluna infantil no blog da Cia das Letras

O blog da Companhia das Letras, através do selo Companhia das Letrinhas (dedicado à literatura infanto-juvenil) estreia uma coluna assinada por Júlia Moritz Schwarcz, com dicas de leitura para os petits. Quinzenalmente, ela vai escrever sobre diversos temas do univero ficcional infantil, sempre dando dicas de livros e fazendo análises.

Na coluna de estreia, o assunto é a nova disposição social, marcada por agrupamentos familiares bastante inusitados até pouco tempo atrás. Olívia tem dois papais, livro de Márcia Leite, é citado como obra que aborda o tema de maneira sensível e responsável.

Conversa de Menina indica: www.blogdacompanhia.com.br

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Escritoras baianas na Bienal do Livro em Minas

As escritoras baianas Miriam de Sales e Ivone Alves Sol participam da Bienal do Livro de Minas 2010, nestes sábado e domingo. As duas integram a programação da Arena Jovem.  Neste  sábado, Miriam de Sales fará  a leitura de seus contos e falará sobre seu processo criativo e inspirações.  Aos 67 anos, Miriam é uma ativista em defesa do livro e da literatura baiana. É autora dos livros Contos e Causos, Maktub e Bahia de Outrora, além de centenas de crônicas publicadas na internet, em três blogs que mantém com atualizações diárias.  Internauta ávida, a escritora possui ainda perfil no Orkut, Facebook e Twitter, onde dialoga com leitores de vários países.

Confira os links para os blogs de Miriam:

www.contosecausos24x7.blogspot.com

www.mirokcaconversafiada.blogspot.com

www.wwwfiatluxblogspotcom.blogspot.com

Já Ivone Alves Sol declamará poesias de sua autoria, além de debater sobre a linguagem poética, no domingo. A autora apresentará ainda a coletânea Alma BRASILEIRA – Especial Dia das Mães, que reúne oito poesias próprias, além de versos de poetas baianos. O projeto é coordenado por Sandra Stabile. Ivone Alves Sol já integrou outras duas coletâneas literárias e é assesssora do PABRAA (Projeto Alma Brasileira). SOLvendo Sentidos é o título do primeiro livro individual da poeta, com previsão de lançamento em agosto deste ano.

Para ler alguns dos mais de 800 textos de Ivone Alves Sol, clique aqui.

Parceria – A participação baiana no evento literário mineiro é fruto de uma parceria entre a Câmara Bahiana do Livro (CBaL) e o Governo do Estado, através das secretarias de Cultura (Secult) e da Indústria, Comércio e Mineração (SICM). O stand próprio da Bahia possui mais de três mil livros, entre cordéis, poesia, quadrinhos, contos, romances, livros de arte, patrimônio, religião, entre outros temas. São obras de autores consagrados e de nomes contemporâneos. Além de Miriam de Sales, Ivone Alves Sol e Ruy Espinheira, a literatura da Bahia está representada na Bienal pelos escritores Clara Maciel, Hugo Homem e Nilson Schommer.

*Com informações da Assessoria da Fundação Cultural do Estado da Bahia.

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Mulheres têm mais problemas de visão do que homens

As mulheres, segundo pesquisa recente, são mais afetadas pelas doenças oculares do que os homens. A explicação, embora a ciência ainda esteja investigando, pode estar nos hormônios e alterações que sofremos no corpo ao longo da vida: menarca, ciclo menstrual, gravidez, menopausa. Cada um desses estágios requer doses enormes de substâncias tanto fabricadas pelo nosso corpo quanto ingeridas (pílulas anticoncepcionais, reposição hormonal e etc). As informações detalhadas sobre a pesquisa e sobre a saúde ocular feminina estão no texto que segue, elaborado pela jornalista Márcia Wirth, da MW Comunicação. Como recentemente passei por um procedimento oftalmológico, achei interessante dividir com vocês mais este aprendizado. Confiram:

Anatomia do olho humano
Anatomia do olho humano

*Mulheres sofrem mais com problemas de visão do que os homens
Se a mulher não tem as informações básicas sobre o que pode afetar a sua saúde, como pensará em prevenção?

Estima-se que há 45 milhões de cegos no mundo, sendo que dois terços – 30 milhões – são mulheres. Desse total, 80% dos casos são evitáveis ou tratáveis. “De 45 milhões de pessoas, 80% não precisariam estar cegos porque a doença ou tinha tratamento ou poderia ter sido prevenida ou evitada se a pessoa tivesse acesso adequado às informações apropriadas sobre saúde”, alerta o oftalmologista Virgilio Centurion, diretor do IMO (Instituto de Moléstias Oculares).

Um levantamento realizado pelo Healthy Sight Institute intitulado Mulheres e visão: por que elas sofrem mais?, identificou qual a percepção das pessoas em relação aos problemas de visão. A pesquisa revela que há muito desconhecimento. O estudo foi feito em oito países, com 10,5 mil entrevistados, entre homens e mulheres. No Brasil, 1.007 adultos participaram do levantamento.

As brasileiras reclamam mais frequentemente de problemas nos olhos do que os brasileiros. Entre as mulheres, 57% disseram ter algum problema de visão. Com os homens, o percentual ficou em 47%.

Já o que essas mulheres sabem sobre alguns fatores que afetam a visão feminina, mais de 55% das pesquisadas, ou não sabem ou não acreditam que fatores hormonais provocados pela menopausa ou por medicamentos podem influenciar numa alteração visual; 56% ou não sabem ou não acreditam que o cigarro pode influenciar nos problemas visuais, sendo que o cigarro é um dos fatores de risco para a catarata. E 60% não sabem ou não acreditam que a gravidez pode influenciar na qualidade visual.

Razões para que existam mais mulheres cegas – Segundo a pesquisa, dos 45 milhões de cegos, dois terços, ou seja, 30 milhões são mulheres. Existem algumas hipóteses para justificar este fato.  “A primeira delas diz respeito à longevidade. Na maioria dos casos, as mulheres vivem mais que os homens e, por causa disso, elas estão mais expostas e ficam mais suscetíveis a algumas doenças que têm maior incidência a partir de certa idade e que podem provocar a cegueira”, explica Virgilio Centurion.

Os hormônios típicos do ciclo reprodutor feminino podem ter relação com a predisposição das mulheres para certas doenças oculares

Outra é a possibilidade de o sexo feminino ter um risco maior para determinadas doenças. “A catarata, por exemplo, incide um pouco mais em mulheres, assim como algumas formas de glaucoma. Muitas vezes, não se sabe exatamente por qual motivo, pode ser simplesmente por fatores hormonais ou genéticos.

As alterações hormonais – tanto na menopausa, como a provocada pelo uso de contraceptivos – podem levar a algumas alterações oculares, como a diminuição na produção de lágrimas e, consequentemente, a síndrome do olho seco”, diz o médico.

Informação e prevenção – Um terceiro motivo, muito importante no mundo todo, é o acesso desigual aos cuidados de saúde. “Em várias regiões do mundo as mulheres não têm as mesmas facilidades para ir ao médico, para procurar um oftalmologista. Até o número de cirurgias de catarata em alguns países é bem menor no sexo feminino, em relação aos homens”, conta Virgilio Centurion.

Isso acontece por vários motivos: em parte por causa da baixa escolaridade nos locais mais pobres, do pouco conhecimento, e ainda há a questão cultural. Há locais em que os costumes são muito diferentes da cultura ocidental. “Em muitos países a verba destinada à saúde é baixa e é preciso distribuí-la entre alguns. E quem são os privilegiados? Nesses locais, geralmente são os homens”, conta o diretor do IMO.

"Alterações na visão são frequentes na gravidez"

No Brasil, as condições de acesso aos cuidados de saúde são um pouco diferentes. Não temos expressivamente o problema de acesso em relação apenas às mulheres. “No Brasil, a dificuldade é para toda a população. E a mulher é peça fundamental para a promoção da saúde na família. Ela replica o que aprende com o médico, é uma cuidadora nata da família, ela é quem busca o atendimento, toma conta da saúde dos filhos, do marido, dos pais, dos sogros”, conta o oftalmologista Virgilio Centurion.

Fatores hormonais importantes – Em relação à gravidez, é muito interessante perceber no atendimento diário, como as mulheres não conhecem as alterações visuais que ocorrem neste período. Há as fisiológicas, reversíveis ao final da gravidez, e que são comuns.

As alterações mais freqüentes acontecem na córnea e consistem em mudanças de espessura, sensibilidade, e isso pode causar intolerância na usuária de lentes de contato”, explica a oftalmologista Sandra Alice Falvo, que também integra o corpo clínico do IMO.

Uma outra queixa frequente é a mudança no índice de refração. “Aí, temos de informar que não é hora de trocar os óculos. É para esperar, porque esta variação se normaliza, após o parto. Existem também as alterações patológicas, mais associadas à gravidez de risco. Por exemplo, uma mulher com diabetes gestacional está mais sujeita a apresentar alterações de fundo de olho mais graves do que uma grávida sem esse problema. O mesmo acontece com as portadoras de hipertensão arterial”, informa Sandra Falvo.

Quando falamos de gravidez e menopausa nos referimos especificamente a condições femininas. “O fato dos homens não saberem das alterações visuais decorrentes da gravidez não é tão grave quanto 60% das mulheres não terem conhecimento das mudanças inerentes a este período”, alerta a oftalmologista do IMO.

Para saber mais:

Site: www.imo.com.br
Email: [email protected]
Rede social: twitter.com/clinicaimo

*Material elaborado e encaminhado ao blog pela MW- Consultoria de Comunicação.

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Rede de academias Contours seleciona equipe

As franqueadas da rede de academias para mulheres Contours, na Pituba e em Vilas do Atlântico, em Salvador, estão selecionando profissionais. Há vagas para bacharéis e/ou estagiárias de educação física, consultoras de vendas, fisioterapeutas, esteticistas e nutricionistas. Apenas mulheres podem concorrer às vagas, pois a Contours é totalmente voltada para as necessidades do público feminino.

Ao todo, um time de onze profissionais entrará em campo para inaugurar a terceira unidade da Contours – Academia para Mulheres, na Bahia. A rede possui 90 unidades no Brasil. Agora, além das unidades da Graça e Pituba, Salvador terá uma filial em Vilas do Atlântico, a primeira do Litoral Norte, que começa a funcionar em junho. Além da equipe que atuará em Vilas, novas profissionais estão sendo selecionadas para atuar na unidade da Pituba, que atualmente passa por uma reforma e ampliação.

As interessadas podem enviar currículos para: [email protected] e [email protected].

ATENÇÃO: A equipe do blog Conversa de Menina não faz parte do time da Contours e nem está selecionando profissionais. Nós apenas demos uma ajuda na divulgação da oferta de vagas da empresa, pois acreditamos que o tema é de interesse do público feminino. Caso você queira disputar uma vaga na Contours, envie seu currículo para um dos emails acima, em negrito. Não deixem recado na caixa de comentários do post pedindo vagas, pois não temos como atender. Boa sorte a todas!

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Artigo: Reflexões sobre a ausência de privacidade

*Texto e reflexões de Andreia Santana

O espelho reflete, na maioria das vezes, o que queremos ver. Enquanto uma fotografia revela nossos ângulos bons e ruins (ao menos antes do advento do photoshop)

Faz tempo que reflito sobre privacidade e o ato de manter a própria vida longe da curiosidade alheia. Com tantas formas de interação disponíveis na internet, tais como o Orkut, facebook, MSN, twitter, comunidades disso e daquilo, sinto que a geração mais nova perdeu a referência do que seja vida privada, num sentido mais profundo da palavra. Não existe mais limite para o que pode ser compartilhado e o que não é de interesse de ninguém mais, a não ser da própria pessoa e de seu círculo mais próximo. Intimidade é artigo raro nesta rede de um milhão de amigos.

Não é uma novidade refletir sobre esse tema, visto que existe todo tipo de estudo sobre o assunto, dos mais sérios aos sensacionalistas. E nem considero hipocrisia também meter minha colher nesse angu, ainda mais que escrevo em blog, tenho twitter, Orkut, facebook, MSN e ainda integro uma rede de bibliófilos, a Skoob, que reúne colecionadores de livros e de leituras (escrevo sobre ela qualquer dia desses). Como usuária das ferramentas, membro das comunidades virtuais e como migrante digital por conta das 36 primaveras de vida, me considero no direito de opinar.

Não é para falar contra a tecnologia ou as novas formas de interação que estou aqui dividindo essa chuva de palavras com quem tiver paciência para ler até o final. Sabemos que o ser humano precisa se expressar. Está aí a arte, em todas as suas manifestações, do cinema a telenovela, do blog ao romance, da pintura a moda, para provar que interação é uma realidade tão antiga quanto o mundo. Os teóricos da comunicação, apesar de se esforçarem para soar “novidadeiros”, não criaram praticamente nenhum conceito novo. Nós, humanos, somos gregários e interativos desde sempre, só funcionamos em bando desde que o mundo é mundo, logo, qualquer ferramenta ou forma de expressão que nos ajude a manter a ideia de comunidade é sempre bem-vinda. Mas, houve um tempo em que mesmo em bando, reservávamos um espaço doméstico e quase sagrado, onde a solidão não era temida, onde a alegria e a tristeza eram divididas apenas com pessoas da maior confiança. Onde o isolamento favorecia a reflexão. Ultimamente, somos papagaios: falamos, reproduzimos outras falas, fazemos um barulho imenso, mas pouco do que é dito importa de fato. Temos medo de ficar sozinhos e em bando, nem sempre dá para refletir.

Interagir com o resto do bando faz parte da natureza humana, mas ultimamente, dizemos muito, só que com pouco significado. A foto é da capa do LP Listen Without Prejudice, de George Michael

Minha inquietação é com a incapacidade cada vez maior das pessoas em perceber limites para a privacidade. A própria e a alheia. Fui criada de uma forma moderna, em alguns aspectos, e completamente antiquada, por exemplo, quando o tema é o respeito ao espaço do outro. Nunca tive permissão para dormir na casa de amigos quando era criança e nem tinha permissão para receber amiguinhos em casa para dormir. Os que vinham brincar, ou quando eu ia brincar na casa de alguém, era sempre na sala de visitas. Abrir a geladeira da casa de outra pessoa? Acredito que seja algo inconcebível para os membros da minha geração. Pelo menos para mim, só funciona se for na casa de  alguém muito próximo, onde me sinta tão à vontade que possa ajudar  na cozinha a lavar e secar a louça. Graças a Deus tenho amigas assim, quase irmãs de tão próximas. A intimidade é tão sagrada e necessária, que não pode e nem deve ser banalizada como tem sido atualmente.

Na minha infância, existia a sala de visitas, que era separada da sala de jantar e de outros cômodos “reservados” da casa, justamente para evitar que as pessoas fossem invadindo, enfiando-se no quarto, vasculhando guarda-roupas. Pelo menos creio que a ideia era essa, manter a visita confortável, acolhida, amada, mas sem deixar que ela se espalhasse por espaços que não lhe pertenciam. A menos que fosse íntima da família.

Depois de adulta, nunca me senti à vontade em abrir o armário de uma amiga, ou de permitir que uma das minhas amigas vasculhasse minha bolsa em busca do celular que estava tocando. Vi uma cena uma vez, ocorrida com uma amiga íntima. Um conhecido em comum nosso, mas sem o mesmo grau de intimidade, sem a menor cerimônia, atendeu o celular dela, depois abriu  a bolsa da minha amiga e jogou o aparelho lá dentro, diante do olhar atônito, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Hoje em dia, as crianças na sala de aula do meu filho, por exemplo, acham que é a coisa mais normal do mundo abrir as mochilas uns dos outros para pegar lápis, esquadros, borrachas ou o que quer que estejam precisando, sem ao menos pedir licença ao dono legitimo daquelas coisas. E estranham o fato dele não fazer o mesmo!

Falta espaço para reflexão em meio a esquizofrênica necessidade de expressão da contemporaneidade

Não abro a bolsa da minha mãe ou da minha irmã até hoje, nem a das amigas, a menos que elas permitam e ainda assim, só das muito íntimas. Quando preciso abrir as gavetas de mamãe para buscar alguma coisa me sinto como se invadisse um espaço que pertence a ela. Independente de ser minha mãe, ela tem direito a um espaço único e pessoal. Tento ensinar ao meu filho o mesmo conceito, de respeito à individualidade e à privacidade alheia. Só devemos ir até onde nos é permitido, sem forçar uma intimidade que na maioria das vezes não existe e até constrange o outro.

Outro exemplo, só para ilustrar e ajudar a aclarar as ideias: Não costumo acompanhar avidamente cada atualização de perfil do Orkut dos meus amigos. Tento manter o contato por esta ferramenta ou por outras, repito, não tenho nada contra às ferramentas de interação, mas sem exageros. As comunidades virtuais, quem usa sabe, são divertidas, práticas, facilitam manter proximidade mesmo com quem está distante, ajudam na troca de conhecimento e de ideias, mas ao menos para mim, seriam melhor aproveitadas sem a obsessão de saber o que todos fazem ou dizem a cada segundo do dia. Fico conhecendo melhor as pessoas por suas ideias do que, por exemplo, se estivesse xeretando para saber se estão com o status “namorando” ou “solteiro” ativado.

Acredito que a interação atual – a forma como ela é usada – cria um falso sentimento de intimidade. Tão descartável quanto boa parte da produção cultural caça-níqueis que infesta o mundo tanto real quanto o virtual. Ficamos sabendo se determinada pessoa é casada ou não, se gosta de laranja ou azul, se bebe ou fuma, se vai ao cinema ou se é do tipo baladeira, mas não ficamos sabendo como essa pessoa é de fato, o que ela sente, o que ela acredita. Contamos quantos namorados fulano teve em um ano, de acordo com as vezes em que fulano alterou seu status de relacionamento na internet, mas no que isso nos aproxima ou afasta mais de alguém?

Suspeitamos, melhor dizendo, supomos que fulano tem tal tipo de personalidade porque gosta de tal coisa, mas saber de fato como é alguém, acredito que não sabemos nem depois de anos de convivência. E sinceramente, para mim, é bom que seja assim, fica sempre uma margem de surpresa que, no mínimo, vale para manter o interesse pelo outro. Um pouco de mistério sempre seduz. Não quero saber todos os segredos dos meus amigos, eles têm direito a manter guardadas coisas que não querem mostrar para ninguém. Não me sinto menos amiga por isso. Antes até, crio um laço invisível, como se nos aproximássemos mais pelo que não é dito do que pelo que está exposto para todo mundo ver.

Querem ver outra coisa que me incomoda nessa falta de privacidade generalizada? É quando as pessoas te cobram para manter o twitter 24 horas por dia com novidades. Um post a cada minuto, de preferência. Começam a te seguir numa espécie de desespero e frenesi e quando você não corresponde à velocidade de atualização, param de te seguir e vão atrás de outra pessoa mais “interessante” (?) Tudo bem, a ideia da ferramenta é comunicação instantânea, mas será que vale a pena dizer alguma coisa apenas por dizer, apenas para manter a legião de seguidores? Será que todo ávido seguidor lê mesmo o que o outro está tentando dizer naqueles módicos e telegráficos 140 caracteres? Não costumo blogar se não tiver algo interessante para publicar, seja escrito por mim ou por terceiros. Ou me sinto inclinada a dividir algo que realmente valha a pena ou guardo silêncio. E o conceito de silêncio, tanto no ambiente virtual quanto fora da rede, tem mais nuances do que simplesmente ausência de ruído. Guardar silêncio, quando não se tem nada que valha a pena ser dito, é uma atitude sábia e respeitosa com os demais.

O Grande Irmão, personagem onipresente é criação do escritor George Orwell no romance 1984. Vigilância constante sobre todos os invíduos

Voltando à questão da privacidade. O exemplo que a meninada segue com cada vez mais freqüência é o das celebridades que expõem as conquistas e as mazelas com o mesmo empenho em todo tipo de revista, algumas com linha editorial duvidosa. Nada mais é segredo, nada mais é pessoal, tudo é compartilhado e coletivo. A dor de alguém tem de ser a dor de muitos, a felicidade de alguém tem de ser a felicidade de muitos. Se uma pessoa é legal e é artista, tem de virar modelo de comportamento e namoradinha do Brasil. Se comete um erro e é também artista, a queda na lama e a redenção precisam ser públicas. Mas, atualmente, nem precisa ser celebridade, de fato ou instantânea, para fazer da vida um “livro aberto”. Qualquer pessoa expõe mais do que seria recomendado, apenas pelo prazer de expor ou pela necessidade de saciar a doentia curiosidade de quem lê. Nem os mortos podem ser chorados em casa, porque seus perfis permanecem eternamente cultuados como numa seita fanática, assombrando orkuts e facebooks. Pessoalmente, acho de uma morbidez assustadora.

 

A sociedade torna-se pouco a pouco tão sem identidade pessoal quanto as abelhas operárias de uma colmeia. Fala-se em diversidade, mas vejo uma homogênea massa de pessoas idênticas querendo parecer diferentes

Perdemos a identidade de individuo e vivemos a era da identidade de grupo. Angustia-me essa superexposição e a patrulha de ideias que advém de tanto interesse na vida uns dos outros. É como se vivêssemos em eterno estado de big brother (falo daquele de George Orwell e seu emblemático livro 1984 e não do programa do Pedro Bial, que aliás, fabrica celebridades instantâneas e nada discretas).

Outro dia, conversando com minha irmã, ela questionou qual é o sentido, por exemplo, de alguém se preocupar tanto com a opção ou orientação sexual de outra pessoa? Comentávamos uma reportagem que vimos, mais uma da série “fulano saiu do armário”. Para mim, tanto faz se saiu ou entrou. Pessoalmente, me interesso mais pelo caráter das pessoas do que em saber com quem elas dormem. Gostaria que os movimentos que elegem seus símbolos dessem ao escolhido o direito de optar se querem mesmo tornar-se símbolo desta ou daquela militância. Se quer virar mito e inspirar outras pessoas, incentivar ou fortacelecer o movimento, ótimo, vá lá e diga para todo mundo que escancarou a porta do armário. Mas se não quer dividir seu armário com mais ninguém, beleza também, respeito você do mesmo jeito. A cobrança para que a pessoa faça isso ou aquilo, diga isto ou aquilo, é que me tira do sério. Se a estrelinha da tv quiser manter-se virgem até casar ou se já deu para o prédio inteiro onde mora, o que é que eu tenho com isso?

Tornar a vida um grande acontecimento público é cansativo e é uma armadilha. Além de ser fake. Soa falso pelo simples fato de que ao nos mostrarmos para os outros, conscientemente, buscamos sempre exibir nosso lado mais gente boa e tendemos a esconder o chamado dark side. A falta de privacidade cria uma sociedade de espelhos de narciso. Já repararam que somos sempre mais bonitos no espelho do que numa fotografia, por exemplo? Aprendi esse conceito nos tempos da faculdade. É o seguinte, relembrando as aulas do meu velho mestre: isso acontece porque o espelho nos reflete tal qual nos imaginamos, o espelho mostra o que queremos ver, e a fotografia nos mostra tal qual somos de fato, com nossos ângulos bons e ruins.

Só que agora existe o photoshop para dar uma melhorada no que a fotografia mostra e a fotografia se converte cada vez mais em espelho.

Nem é a essência das coisas que eu busco, porque acredito que as coisas tem mais de uma essência. Na verdade, todas as coisas são formadas pela mistura dessas infinitas essências. Ainda bem, porque ansiar por pureza me lembra nazismo. Deus me livre!

Confesso é que ando em busca de um pouco de retorno ao individuo, sinto falta do ser humano, único, pessoal, intransferível, secreto, privado, íntimo. Mas tudo o que vejo é sempre multidão…

*Andreia Santana, 37 anos, jornalista, natural de Salvador e aspirante a escritora. Fundou o blog Conversa de Menina em dezembro de 2008, junto com Alane Virgínia, e deixou o projeto em 20/09/2011, para dedicar-se aos projetos pessoais em literatura.

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Artigo: Mães de todas as horas

Recebemos um artigo bem singelo do escritor Eder Roberto Dias. Trata-se de uma emocionada declaração de amor às mães. E como está próxima a data em homenagem a elas, nada mais justo que abrir espaço aqui neste cantinho feminino, para a palavra de um menino sobre a maternidade. Sim, eles também entendem do assunto, e por quê não?!

*Mães de todas as horas

**Por Eder Roberto Dias

E quem é que não precisa, ou sente falta, de um colinho materno de vez em quando?

Por todas as horas é tão bom sentir que nossas mães estão junto de nós! Com o cheirinho de seus perfumes, com a tranquilidade que nos protege ou com a sabedoria que nos ajuda. Mãe é para todos os momentos, mas por vários instantes na vida esquecemos de reconhecer o seu valor. Somente quando sentimos o desejo de uma comidinha saudável e saborosa é que buscamos o aconchego do nosso verdadeiro lar.

Não percebemos a dimensão que somente quem é mãe sabe entender. Quem somos ou seremos? Essa pergunta todas as mães saberão responder! Somos filhos perfeitos, pois na visão de nossas mães não cometemos erros. Na dimensão do amor de uma mãe, somos perdoados por nossas indiferenças, somente pelo poder de quem nos gerou.

Não há como exprimir tal sentimento, tamanho cuidado e proteção. Quem é filho nunca saberá entender a virtude de ser mãe, não saberá apreciar o valor de nosso crescimento, pois não terá em seu sentir o universo que só existirá na visão da mulher mãe. Mulher que cresce entre rosas, que se torna botão e no nascimento de um filho se torna a mais bela rosa mulher. Mulher que se consagra na virtude da continuidade, na exatidão do amor unilateral, na aceitação de que é a companhia perfeita a cada filho!

Quem somos ou seremos? Pergunte à mulher que é sua mãe, a mulher que se constitui na parceira de seu pai. Não importa a nós filhos impedir a felicidade de nossas mães mulheres. Temos dentro de nós o amor eterno que representará a nossa primeira ligação entre o conhecimento e o aperfeiçoamento.

Mãe não deve ser perfeita para os outros, pois a perfeição só será adequada a nós filhos apaixonados. Apaixonados por sua presença, por sua coragem, por seu amor e por tudo que realce a luz do amanhã.

Amanhã nos tornaremos homens e mulheres que formaremos novas famílias, novos lares compostos pelos poderes das crianças do hoje que amam nossas origens e apoiados seremos quando decidirmos aprender a sermos pais. Mulher que ressalta a vida!

Um viva as nossas mães heroínas de todos os nossos dias!

*Texto encaminhado ao  blog pela Suggestiva Comunicação

**Eder Roberto Dias é autor do livro “O Amor Sempre Vence…”, publicado pela Editora Gente. Contato com o autor: [email protected]

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Documentário analisa comportamento das crianças modernas

Uma dica interessante que recebi no meu guia de programação da tv fechada e divido com vocês: Nesta terça-feira, dia 04, às 21h, na faixa “GNT.doc”, do canal fechado GNT (Globosat), será exibido o documentário Infância Perdida, de Scott Harper. Inédito na TV brasileira.  A produção faz uma análise do comportamento das crianças contemporâneas, que estão sem tempo para brincar e não podem sair de casa para se divertir. Na produção, Harper explora as mudanças de costumes e avalia as consequências destes novos hábitos na vida das crianças.  Segundo especialistas em psicologia infantil, neurologistas, pedagogos e professores, algumas descobertas científicas sugerem que o isolamento das crianças pode prejudicar desde a sua criatividade até a perspicácia social e a saúde mental.

Ao ler a chamada para o documentário, esta que resumi acima, fiquei pensando na questão da infância atual. Ao menos para mim, perpassa a segurança pública e o medo da violência, que faz com que os pais se tornem mais cautelosos na hora de deixar as crianças brincarem na rua, por exemplo, como era comum até a minha geração. Quem era criança nos anos 80, como eu, brincou bastante na rua.

Outro fator que eu também considero é que as novas tecnologias criam novas formas de interação social. Não estou julgando aqui se as brincadeiras de agora (msn, orkut, facebook, jogos de computador) são melhores ou mais saudáveis do que aquelas do meu tempo, estou apenas constatando uma realidade: as crianças e os jovens de agora se divertem de outra forma; e considerando que existe uma nova forma de interação – tanto devido à insegurança, que confina mais as pessoas em casa, quanto devido a natureza desses novos “brinquedos”, não sei se diria que a infância de agora é perdida (ao menos neste aspecto), antes acredito que seja diferente daquela que eu tive.

Uma criança contemporânea, por exemplo, não brinca na calçada da porta de casa com tanta frequência quanto brincavam seus pais, mas ela conversa com outros amigos, via msn, e joga no PC, ou vai bem mais ao cinema do que eu ia, por exemplo. E aí, nesta questão, enquanto há cientisfas que condenam, outros dizem que jogos de computador estimulam áreas do cérebro responsáveis pela concentração e até aprendizado.

No edifício onde eu moro, crianças ainda brincam no playground, mas também usam computador com muita frequencia. E na periferia, independente da procura pela Lan House, ainda existem grupinhos na rua, batendo papo, jogando bola…A questão do acesso não pode deixar de ser considerada na hora de falar do assunto. Crianças classe média tem infâncias diferentes daquelas mais pobres, com toda certeza.

Tem muito tempo que não vejo ninguém pulando amarelinha, mas em compensação, no meu tempo, eu não conseguia executar nem metade das multiplas tarefas que meu filho executa: falar no msn com até 10 pessoas ao mesmo tempo, fazer a pesquisa escolar, postar no seu blog, baixar um jogo, atualizar a comunidade de bibliófilos (colecionadores de livros) da qual ele faz parte, tudo isso simultâneo.

Existem diversos beneficios e diversos malefícios de se viver em uma sociedade em rede, permanentemente conectada e com muita interação virtual e pouca interação real, mas uma coisa é certa, o mundo não é mais como era no meu tempo, que naquela época, por sua vez, já não era mais como no tempo da minha mãe, muito diferente, acredito, do que era no tempo de vovó e assim até o princípio das eras. Dá uma certa nostalgia, claro, mas é impossível voltar no tempo. O que nós podemos fazer é dar outras opções às crianças, levá-las mais vezes para sair, dar-lhes bons livros para ler, conversar, mas abolir a tecnologia não vai resgatar a tal “infância perdida”.

Além disso, a falta de tempo de algumas crianças, a meu ver, tem relação com uma certa paranoia que domina pais e professores atualmente, a de que você precisa hiperextimular a criança, colocá-la em centenas de aulas e cursos, ocupar todo o seu dia, mal sobrando tempo para não fazer nada. O estímulo é importante desde o nascimento, mas o excesso só provoca estresse e criança estressada, é consequencia do estresse nos pais, na escola, na sintonia do mundo, que anda toda acelarada. Infelizmente, nossa sociedade condena o ócio (no sentido daquela pausa de que todos precisamos de vez em quando, para descanso e acomodar nas camadas do cérebro tudo o que vimos e aprendemos). Para mim, a infância se perde também no consumo excessivo, na falta de diálogo dos pais com seus filhos, na violência doméstica (que não é o tema do documentário).

Enfim, nem vi o programa ainda, mas acredito que há bastante no que pensar.

Serviço:

Documentário Infância Perdida

GNT – Canal Globosat

Terça-feira (4/05), às 21h

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Mais sobre infância no blog:

Artigo: Videograme incentiva atividade física

Artigo: O papel da rotina na vida das crianças

Artigo: Crianças hiperestimuladas, crianças felizes?

Pais e filhos: a importância de brincar e descobrir

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Campanha pelo fim da violência contra mulheres e crianças


As estatísticas mundiais da prática de violência contra mulheres e crianças mantém números alarmantes e tanto as organizações oficiais quanto as chamadas de terceiro setor (Ongs e sociedade civil organizada) têm se engajado cada vez mais na luta para por um fim a tanta barbaridade. O blog Conversa de Menina, que também milita nesta causa, abre espaço para divulgar uma iniciativa muito bacana, promovida por um grupo de organizações adventistas na América Latina. E aqui, independente da crença religiosa das blogueiras, o que vale é a união em prol de uma causa mais que nobre.

Trata-se da campanha End It Now (Diga Não à Violência Contra a Mulher), que foi lançada em Brasília, nesta quinta-feira, por representantes de diversas organizações adventistas na AL. Até o momento, cerca de 70 mil assinaturas foram recolhidas em oito países sul-americanos (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Bolívia, Peru e Equador). A previsão é que as adesões aumentem através de mobilizações em todos estes países.

Para vocês terem uma ideia do que significa uma campanha assim, dados nacionais de segurança pública dão conta de que no Brasil, em 2005, a cada oito minutos uma criança era vítima de pedofilia. Estima-se ainda que, pelo menos, 69% dos casos de abuso sexual sejam praticados contra crianças. No caso das vítimas adultas, os percentuais também escondem a ponta de um iceberg que deve ser muito maior do que aparenta (basta lembrar que nem toda vítima denuncia a agressão sofrida por diversos motivos, o medo sendo o maior deles). Em média, entre 10 e 69% das mulheres em todo o mundo alegam ter sido vítimas de abusos psicológicos por um parceiro em suas vidas. Além disso, estudos mostram que entre 12 e 25% das mulheres do planeta já passaram por violência sexual!

A campanha End It Now continua até o mês de outubro e a meta mundial inicial é arrecadar um milhão de assinaturas.

Para conhecer mais sobre a campanha ou participar, visite os sites em português (www.enditnow.org.br) ou em espanhol (www.enditnow-esp.org).

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Mania de Alice

Tim Burton pega emprestados os personagens e o mundo idealizado por Lewis Carrol para contar uma versão toda sua da história: o que aconteceria se Alice tivesse voltado ao País das Maravilhas depois de adulta? É ver no cinema.

Com a versão de Tim Burton para o clássico de Lewis Carrol, Alice no País das Maravilhas, uma verdadeira alicemania, ou mania de alice
(como queiram) toma conta do mundo nos últimos tempos. Em se tratando de uma história com cerca de 150 anos, que não perde o ineditismo e nem a capacidade de suscitar debate, nada mais natural que Alice agora sirva de inspiração para todo tipo de ação, iniciativa e forma de expressão neste nosso mundo contemporâneo, já apelidado por quem teoriza a respeito de “canibalismo cultural”. Não gosto deste termo, porque um canibal, a meu ver, devora a presa, digere e pronto, transforma em excremento. Prefiro um termo menos radical como por exemplo, “reciclagem cultural”, porque nem tudo o que é resultado da transformação de um clássico pode ser enquadrado como excremento. Pensar assim é coisa de purista e preconceituoso, tento não ser nem uma coisa e nem outra. Adoro as referências, a mitologia moderna que bebe na fonte da antiga, com respeito, lógico, à propriedade intelectual e às devidas citações. Fora isso, nada mais é inédito no mundo (“tudo já foi inventado”), porque para criar, é preciso referências, a cultura se alimenta de si mesma, mas sempre, claro, com o devido respeito e créditos a quem de direito, senão, aí sim, vira canibalismo. Mas, não é bem disso que quero falar. O negócio e não deixa mesmo de ser um negócio, é que Alice está na moda, é up, na crista da onda e isso é muito bom (independente dos puristas se torcerem todos, coitados), pois as transformações modernas são também uma forma de conhecimento humano e claro, ao atualizar um clássico, desperta-se a curiosidade dos jovens leitores para a fonte “original” das ideias. Pois sim, deixando a filosofia de lado, que hoje eu estou impossível, confiram abaixo algumas reatualizações de Alice:

Alice no País das Maravilhas inspira Izabelle Nossa

Um exemplo na moda: Izabelle Nossa, proprietária de uma marca de bolsas super requisitada, recebe clientes na loja do Shopping Paseo Itaigara, nesta quinta, entre às 15h e às 21h, para apresentar uma nova coleção todinha inspirada no longa de Tim Burton. Durante o encontro, haverá ainda sorteio de camisetas customizadas e também inspiradas na Alice do diretor americano. É passar lá e conferir!

Alice no País da Poesia

Pois não é que depois de perambular pelo País das Maravilhas, atravessar o espelho, dar um giro pelo país da gramática de Monteiro Lobato, a menina Alice, inquieta como ela só, resolveu dar um passadinha no País da Poesia? Neste livro de Elias José, a personagem Alice é “flagrada” no momento em que descobre o mundo das palavras, enquanto vivia no “país das maravilhas”. Esse é o ponto de partida do autor na obra “Alice no país da poesia”, lançamento da Editora Peirópolis, já nas livrarias. São 33 poemas repletos de lirismo e encantamento, em imagens que remetem a grandes textos da literatura universal. O leitor segue em companhia de Sherazade, Peter Pan e Dom Quixote, além de um séquito de fadas e feiticeiras, duendes e sereias, reis e rainhas, príncipes e princesas, pássaros e cavalos mágicos. Um excelente exemplo do que eu estava falando lá no topo do post – a mitologia moderna que bebe na fonte da mitologia clássica.

Ficha Técnica
Alice no país da poesia

Autor:  Elias José

Ilustrações: Taisa Borges

Editora: Peirópolis

56 páginas

Preço: R$ 34,00

O mundo aliciano em debate

Ainda dentro da minha pequena seleção de “manias de alice”, uma dica de um encontro que deve acontecer em maio, aqui em Salvador, promovido pelo Clube do Livro Saraiva, em parceria com a Galeria do Livro, que fica no Espaço Unibanco/Glauber Rocha. Trata-se de uma reunião de amantes da literatura, para discutir alguns textos propostos: a edição pocket de Alice no País das Maravilhas; o livro Eu sou Alice, de Melanie Benjamim e o livro 1 da série Lost Girls, de Allan Moore e Melinda Gebbie (estes dois últimos, ainda não li e por isso não posso opinar). Sobre Alice, recomendo tanto a edição pocket da L&PM, quanto a comentada (maravilhosa!) da Jorge Zahar.

Alicemania também em audiolivro

Quem assistiu o filme O Leitor, com Ralf Fiennes e Kate Winslet, sabe que em determinado momento da história, o personagem de Fiennes começa a gravar sua leitura em voz alta de diversos clássicos da literatura mundial e enviar de presente para a personagem de Winslet, que cumpre pena numa penitenciária. Pois bem, a ideia do audiolivro é mais ou menos esta. Um livro gravado, para ouvir no carro, enquanto se dirige, para ouvir enquanto se faz alguma tarefa em casa, para ouvir no leito do hospital, ou antes de dormir, e mais ainda, para fazer com que pessoas cegas tenham uma opção de contato com a leitura além dos caracteres em braille, muito mais caros de imprimir do que o alfabeto de não cegos. Pois o site www.audiolivro.net.br está oferecendo a versão acústica de Alice no País das Maravilhas, por R$ 24,90.  Além do texto, toda a sonoplastia foi cuidadosamente elaborada para transportar o leitor até o mundo criado por Lewis Carrol. Em breve, a editora Audiolivro, responsável pelo site, também vai colocar a obra no mercado em versão CD.

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Mais Alice no blog:

Artigo: Mil faces de Alice no país da diversidade (publicado em agosto de 2009)

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