Quando chega a hora de dizer adeus

É difícil lidar com o fim de uma relação. Ainda que ela já não te faça sorrir como antes, mesmo quando alguma coisa dentro da gente diga que está na hora de colocar um ponto final, ainda assim é difícil. Sempre tentamos arranjar um motivo que justifique o fim, buscamos o culpado, queremos explicações. Talvez porque seja mesmo difícil lidar com nossos fracassos. Fomos criados para vencer, para ganhar, e costumamos enxergar o fim de uma relação como uma derrota, um fracasso. E estampamos no peito: “não deu certo”.

“… E foi o fim pra nós dois, nada restou pra depois.
Foi bom enquanto durou
esse romance, esse amor. Pena que acabou…”

Criamos uma rotina. E o mais doloroso é sair dessa rotina, é mudar os hábitos bruscamente, é ter de arrancar de sua vida, de uma hora pra outra, uma pessoa com quem você dividia cada sonho, com quem você fazia planos a longo prazo… Tudo muito rápido e, pior, com aquela sombra maldita do fracasso. Não tem mesmo como não doer. A dor faz parte do processo, infelizmente. Não há como pular essa parte, se ainda existe um pinguinho de sentimento pelo outro. Aí você fica pensando, tentando descobrir o que deu errado, se arrepende de tanta coisa…

“… Por que que todo amor não dura eternamente?
E quando tudo acaba a gente sente.
Senti o mundo desabando em mim…”

Pode ser que você se conforme logo. Pode ser que lá no fundinho do coração, embora a dor seja insuportável e as lágrimas insistam em despencar de seus olhos, você encare o fim como a única saída. Mas também pode bater o desespero. A sensação que o chão se abriu, que você está em queda livre, que esse sofrimento não vai passar nunca. O desespero pode fazer você tomar atitudes impensadas. É capaz de você correr pra ele(a), se ajoelhar aos seus pés, implorar pra voltar de qualquer jeito, chorar descontroladamente até soluçar…

“… O nosso amor pode durar para sempre. Então por que não volta
pra que eu possa me entregar,
te sentir em minha vida eternamente…”

Só que quando chega a hora, não tem jeito. Normalmente, esse momento acontece depois de muita tentativa. Quando chega a hora de dizer adeus, é sinal de que as coisas já não estavam no caminho certo há algum tempo. A gente costuma insistir, tendemos a arriscar até não suportar mais. E ainda quando está insuportável, achamos que ainda há uma chance de corrigir, de reequilibrar. Até que um dos dois deixa de acreditar. Até que um dos dois cansa de tentar, desiste dos dois. E quando um desiste, nenhuma tentativa é capaz de reverter a situação.

“…Você vem me condenar, mas sabe que errou também.
Olhe pra dentro de nós,
no jardim já morreram as flores, nossas fotos perderam as cores…”

Aí, só nos resta seguir em frente. Porque a vida não para, não dá trégua. O tempo, ele não vai parar esperando por nós. Se acabou, é porque foi melhor assim. É porque o ciclo daquela relação se fechou. É porque outras surpresas esperam por ti lá na frente. Não dá pra arrancar a dor do peito, mas dá pra sobreviver e suportá-la até que tudo o que aconteceu fique para trás. Se chegou a hora de realmente dizer adeus, é porque você já tentou de tudo, é porque alguma engrenagem emperrou, é porque está na hora de dar um novo rumo à vida…

“… Vou seguir em frente, vou tentar mais uma vez.
Nada foi em vão, perder você foi solução,
já dei liberdade para o meu coração voar…”

Um dia, tudo será passado. E esta terá sido apenas mais uma relação que acabou. Um dia, depois que a dor passar, depois que a cabeça esfriar e o coração desacelerar, você vai poder avaliar com mais sensatez tudo o que viveu. É possível que você tenha consciência de que foi melhor assim. É possível que você chegue à conclusão de que talvez vocês pudessem ter dado uma chance a mais. É possível que outra pessoa entre tão rápido em sua vida que você nem pense mais nisso. As possibilidades são inúmeras e são elas que nos incentivam a seguir em frente. Sempre.

“…Amanhã, semana que vem, ou mês que vem, quem sabe?
Vou ganhar o meu pedacinho de felicidade, 
um alguém que queira alguém desse meu jeito assim…”

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Traição, infidelidade e afins

Tudo bem que prestar atenção na conversa dos outros não é lá uma coisa muito bacana de se fazer. Em certos momentos, no entanto, acho isso meio inevitável. Talvez o fato de ser jornalista (curiosa por natureza), aliada à condição de mulher (que consegue se concentrar em coisas diversas ao mesmo tempo) seja decisivo… Não importa. Fato é que o diálogo alheio é sempre recheado de elementos para se discutir, analisar. 

Nesse papo que segue lá embaixo, as mulheres são sonsas, os homens são canalhas e imbecis… sem considerar os adjetivos, verdade é que eles têm razão em um ponto: a fidelidade é cada vez mais rara em nossa sociedade, tanto entre os homens quanto entre as mulheres. Eu já ouvi de tudo nessa vida. Um amigo certa vez sugeriu que eu enveredasse pela psicologia, de tanto que as pessoas vêm me pedir conselhos. Mas não tive essa ambição. Já basta conviver com meus próprios problemas e os dos meus amigos.

TraiçãoMas, voltando à questão, o que eu já ouvi de histórias sobre traições… Tem umas que me deixam realmente de boca aberta. Uma das mais cabeludas que ouvi, compartilho com vocês. A menina disse ao namorado que estava na casa da amiga e esqueceu de avisar à tal amiga da sua trama. Tarde da noite, o namorado da menina começa a ligar insistentemente para o celular da tal amiga… Desconfiada, a amiga pega outro telefone e liga para a namorada do rapaz e descobre que ela estava com um outro carinha em qualquer lugar da cidade.

Prática, a namorada foi com o tal carinha para a casa da amiga e de lá ligou para o namorado, explicando que tinha esquecido o celular em casa, numa outra bolsa, blá, blá, blá… depois de dois minutinhos de discussão, o pobre coitado do namorado se convenceu da história, afinal ela tinha ligado pra ele do celular da amiga, então, só poderia estar com ela!!!! Ao desligar o telefone, ela seguiu com o tal carinha pelo mundo, o namorado sabe-se lá o que foi fazer e a amiga foi dormir na santa paz do Senhor…

Pois é. Pergunto-me onde tudo isso vai parar… Será que vamos voltar ao tempo em que vivíamos relações conjugais em grupos? Seremos futuramente uma sociedade poligâmica, onde ninguém é de ninguém, ou, aliás, onde muitos serão de muitos? Alguns argumentam falando que isso é da natureza animal… exemplificam com as relações que a maioria dos animais mantêm, sem vínculos de afeto. Para mim, no entanto, tem um aspecto importante a ser levado em conta: somos racionais. Temos sentimentos… Nos magoamos, sofremos, amamos…

InfidelidadeNuma conversa com um amigo, ouvi dele que “o que os olhos não veem, o coração não sente”. Realmente, não há como duvidar disso. O que eu questiono, no entanto, é com relação à honestidade. Porque a gente não precisa estar com alguém. Podemos, inclusive, manter várias relações simultâneas, sem assumir qualquer tipo de compromisso. Contanto que haja honestidade. E se você não está a fim de abrir mão de parte de sua liberdade, ou abrir mão de outras mulheres ou homens maravilhosos que vão te dar o maior mole por aí, pra que assumir um compromisso com alguém? Pra que fazer promessas que você não está disposto a cumprir?

Tudo perpassa pela fase social pela qual passamos. Os valores estão soltos por aí, muitos deles invertidos. As pessoas tentam encontrar um lugar ao sol, embora esqueçam de se preocupar com o caminho que precisam seguir. Os homens andam assustados com esta mulher moderna que chega junto, que ataca. As mulheres, cansadas de serem vítimas da sociedade machista, começaram a agir como homens. Incorporamos as coisas boas e as ruins também. As pessoas se orgulham de ser infiéis, de trair. A verdade perdeu credibilidade e chegamos ao estágio onde tudo pode não passar de uma grande mentira.

O PAPO DOS OUTROS QUE GEROU ESSE POST

Ela: “Os homens são uns cafajestes mesmo… Não valem nada. Na frente da namorada é “meu bem” pra cá, “eu te amo” pra lá… Mas quando estão com os amigos a conversa é só sobre as gostosonas todas que eles querem pegar, sobre os zigs que vão dar na namorada…”

Ele: “Mas as mulheres não ficam atrás não, viu? São umas sonsas… Tenho umas amigas mesmo… Fico pensando como é que elas conseguem… E mulher ainda é pior, porque esconde até das amigas pra não correr o risco de ser denunciada. Depois ficam falando dos homens…”

Ela: “Pior é que está tudo igual mesmo. Ninguém mais presta… É um querendo se dar melhor que o outro. Agora, quem trai é que é bem visto, é quem tem moral… Ser fiel e respeitar virou cafonice… Eu vejo nas minhas rodas de amigos. Quando um deles é fiel, coitado, fico até com pena. Os amigos castigam.”

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