Desmistificando a hanseníase

HanseníaseJá ouvimos falar tantas vezes da hanseníase, mas nem todos sabem ao certo o que é essa doença. Estes post é para explicar a enfermidade, quais são seus principais sintomas e formas de tratamento. Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que a hanseníase é uma doença infecto-contagiosa, que tem uma evolução crônica, ou seja, muito longa. Ela é causada pelo Mycobacterium leprae, que atinge principalmente a pele e nervos das extremidades do corpo, podendo afetar também o fígado, olhos e testículos, por exemplo. Ela é popularmente conhecida como lepra.

A princípio, então, é bom deixar claro que não se trata de uma doença hereditária. Além disso, a doença é de fácil diagnóstico, pode ser tratada e tem cura. O grande problema é a descoberta tardia do problema.  Como as lesões causadas pela doença podem incapacitar fisicamente seu portador, o tratamento tardio pode trazer graves consequências. Por isso, é muito importante a divulgação das informações relativas ao assunto. Quanto mais pessoas tiverem informações, mais fácil será identificar com antecedência o problema.

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>> Guia para o controle da hanseníase – informativo do Ministério da Saúde com informações completas sobre a doença, além de reações adversas dos medicamentos, cuidados que devem ter os portadores da doença, dentre outras informações detalhadas.
>> Manual de prevenção de incapacidades – publicação do Ministério da Saúde que traz informações sobre como identificar problemas e dificuldades nas atividades diárias; e sobre como acontecem as deformidades e incapacidades
>> Cartilha: Hanseníase – procurar para curar e eliminar – uma cartilha informativa sobre a doença, com textos explicativos, curtos e imagens que ajudam o indivíduo a diagnosticar a doença.
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Entre os anos de 1985 e 2000, os casos de hanseníase diminuíram significativamente no Brasil, de 19 para 4,68 doentes em cada 10.000 habitantes. Ainda assim, é um problema considerado de saúde pública, que precisa da vigilância constante de todos nós. A manifestação ocorre através de sinais e sintomas dermatoneurológicos, podendo ser identificadas lesões na pele e nos nervos periféricos, principalmente nos olhos, mãos e pés. Ela compromete nervos periféricos, podendo causar incapacidades físicas e deformidades, levando à redução da capacidade para o trabalho, limitação da vida social e a até problemas psicológicos.

Hanseníase

O bacilo de Hansen se instala no organismo da pessoa infectada e tem a capacidade de se multiplicar. Este período de multiplição leva em torno de 11 a 16 dias, normalmente. Ele infecta muitas pessoas, mas  poucas adoecem de fato. Por isso, dizem que o micro-organismo tem alta infectividade e baixa patogenicidade. A transmissão acontece por gotículas da saliva, secreções nasais ou vias respiratórias, durante o ato de, por exemplo, falar, espirrar ou tossir. Assim, a doença é transmitida pelas vias aéreas do portador do bacilo. O período de incubação é longo, o que significa que mesmo portando o bacilo, a doença pode se manifestar entre 2 a 7 anos.

Hanseníase
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Pessoas de todas as idades e de ambos os sexos podem ser acometidas pela doença. No entanto, há pouquíssimos casos de infecção em crianças. Diversos fatores interferem na disseminação da doença. Entre eles o nível da endemia, as próprias condições individuais da pessoa, o elevado número de indivíduos convivendo em um mesmo ambiente e as condições precárias de vida e saúde.  Assim que é dado início ao tratamento, o doente deixa de ser transmissor da hanseníase. Isso porque as doses iniciais da medicação matam os bacilos, impedindo a infecção de outras pessoas.

Sinais e sintomas*

As lesões que surgem na pele podem se apresentar com diminuição ou redução de sensibilidade. Podem aparecer em qualquer lugar do corpo, inclusive na mucosa nasal e cavidade oral. Mais frequentemente aparecem na face, orelha nádegas, braços, pernas e costas. É bom ressaltar que uma das diferenças da hanseníase para outras doenças dermatológicas é exatamente a falta de sensibilidade daquela área afetada. As lesões mais comuns são:

Tipos de lesões na hanseníase
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• Manchas pigmentares ou discrômicas: resultam da ausência, diminuição ou aumento de melanina ou depósito de outros pigmentos ou substâncias na pele.
• Placa: é lesão que se estende em superfície por vários centímetros. Pode ser individual ou constituir aglomerado de placas.
• Infiltração: aumento da espessura e consistência da pele, com menor evidência dos sulcos, limites imprecisos, acompanhando-se, às vezes, de eritema discreto. Pela vitropressão, surge fundo de cor café com leite. Resulta da presença na derme de infiltrado celular, às vezes com edema e vasodilatação.
• Tubérculo: designação em desuso, significava pápula ou nódulo que evolui deixando cicatriz.
• Nódulo: lesão sólida, circunscrita, elevada ou não, de 1 a 3 cm de tamanho. É processo patológico que localiza-se na epiderme, derme e/ou hipoderme. Pode ser lesão mais palpável que visível.

Tratamento

A hanseníase tem cura. E o tratamento deve começar o mais cedo possível, para garantir que não haja qualquer tipo de sequela. É importantíssimo achar a fonte da infecção, e assim interromper o processo de transmissão. O tratamento é, portanto, uma forma de controle da doença. Compreende tratamento quimioterápico específico (a poliquimioterapia – PQT), com acompanhamento periódico, a fim de diagnostificar possíveis complicações e prevenir e tratar as incapacidades físicas. A avaliação do paciente é imprenscindível, já que vai detectar a evolução das lesões e o comprometimento neurológico.

A PQT mata o bacilo. Assim, a doença para de evoluir, e evita as complicações físicas e deformidades, se ainda não apareceram. Com o micro-organismo morto, há uma quebra da cadeia de infecção. Descobrindo e tratando logo cedo a doença, mais difícil é a possibilidade de outras pessoas acabarem contaminadas.

*Fonte: Guia de Hanseníase do Ministério da Saúde

2 comentários em “Desmistificando a hanseníase

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