Eu não sei a opinião de vocês, e talvez eu contrarie o universo, mas, com toda sinceridade, não consigo admirar as estampas animal print. Nada contra quem curte e quem usa, é uma questão de gosto mesmo, não faz minha cabeça nem toca o meu coração. Mas o estilo está aí e encanta milhares de pessoas. E foi apostando nesta tendência já estabelecida no mercado da moda que a Garimpo Quatro Estações lançou suas peças para o Verão 2012. Olhem o que vem por aí:
animal print
Beleza selvagem
Ainda não comecei a ler, mas está na fila, o livro Mulheres que correm com os lobos, presente de aniversário de uma amiga querida. Atualmente, me dedico a leitura de Grito de guerra da mãe tigre (também por compromisso de trabalho). Mas, não é dos livros que quero falar agora, prometo resenha dos dois quando concluir a leitura. É só que, não podia deixar de abordar essa conexão: o mercado editorial busca animais selvagens que são símbolo de força e lealdade (o tigre e o lobo) para revalorizar o “puro instinto” da natureza feminina. E não são só autores e livreiros de olho nesse nicho. No mundo da moda, que é um perfeito espelho da sociedade (no que isso tem de bom e de ruim), estilistas se inspiram em wild live, wild feelings: é o animal print – apontado como tendência das tendências.
Me pergunto se esse novo apego à liberdade e a uma certa “agressividade” inerente ao bicho gente, mais especificamente às fêmeas, no sentido de garra para batalhar pelos objetivos e de resistência para sobreviver nesse mundo cão, não teria alguma relação com um tipo de “neo-neofeminismo”, que é diferente daquele clássico dos sutiãs queimados na praça em meados do século e daquele chamado de terceira onda, com a teoria queer e tudo mais. Será que essa nova revolução não estaria ocorrendo também a partir do até então considerado fútil universo da beleza? Humm, não tenho ainda uma ideia muito precisa a respeito, só esboços de ideias, mas quero me dedicar a pesquisar um pouco mais o tema. Talvez a leitura dos dois livros ajude, talvez tenha de ler outras coisinhas e bater papo com quem é mais especializado que eu na psiquê humana. Mas estou aberta a saber o que vocês acham do assunto, sempre! #Ficadica também para quem quiser teorizar. Se por acaso já escreveram, ou andaram lendo, algo parecido com esses meus esboços, compartilhem, por favor.
Para dar um exemplo, fiquei viajando nesses conceitos (que ainda não são bem conceitos, mas sementes), depois que vi as fotos do ensaio para a coleção Outono-Inverno 2011 da Di Sampaio, marca da estilista baiana Thiana Di Sampaio, que se chama justamente Animal Urbano. Muita “coincidência ” tanta vida selvagem ter caído no meu colo de uma vez, entre livros e fotos, em um intervalo de tempo de um mês! A beleza selvagem me chama, com toda certeza. Ainda mais que o aniversário da grife é um dia antes do meu, como fiquei sabendo há pouco tempo. Já que não acredito em coincidências, mas em misteriosas conexões profundas entre pessoas que não necessarimente precisam se conhecer (pessoalmente não conheço Thiana), ao invés de fazer o clássico post sobre a coleção, comecei a “filosofar” nas motivações das peças e dessa mulher fera que a criadora traduz.
A coleção da estilista, como vocês devem ter notado pelo nome, tem essa pegada animal print e as fotos (algumas ilustram o post), com esse cenário escolhido, a fluidez dos tecidos (algodão, seda, tule, renda, chiffon e etc), as estampas e o toque despojado, meio hippie, me deram a visão nítida do que acredito ser uma neo-neofeminista. Algo na linha: uma mulher bonita, mas de dentro para fora e sem neuras com idade, peso, altura e cia; romântica, mas destemida; gosta de sofisticação, mas sem abrir mão da liberdade e da beleza das coisas simples; tem atitude, mas sem aquela arrogância vazia, dos ignorantes; quer respeito e igualdade, mas não abre mão de delicadeza nas relações (homens que puxam a cadeira e abrem a porta do carro são bem-vindos, por que não?); tem um toque de exuberância primitiva, mas também é conectada; enfática, porém sutil… É nesse tipo de mulher que eu penso quando vejo as peças criadas por Thiana e associo com as coisas que leio e vejo em certos comportamentos femininos da atualidade.
Além disso, as pesquisas para a coleção aconteceram na Espanha e Itália. Não posso deixar de comentar outra “misteriosa conexão”, justamente com a Espanha, país pelo qual tenho um amor profundo e uma “ciganidade” latente na alma.
Para vocês verem como, infelizmente, algo considerado tão fútil para os de mente fechada, como a moda, pode nos trazer tantas reminiscências de uma só vez.
Serviço: E para quem quer conhecer a coleção ao vivo (algumas fotos ilustram o post), a Di Sampaio fica na rua Almirante Carlos Paraguassu de Sá, nº 02, 1º andar (próximo à Avenida Paulo VI, no bairro da Pituba).
Outono-Inverno Carmen Steffens aposta no clássico e rústico
*Texto da jornalista Giovanna Castro
Para duas amantes de sapatos como eu e Andreia, o fim de tarde de quinta-feira, 17, foi especial. Isso por que o Conversa foi convidado para participar do lançamento da Coleção Outono/Inverno 2011 da Carmen Steffens, grife brasileira de sapatos de alto padrão que, já consolidada no país, especialmente no nordeste, expande seus limites no exterior. Fomos muito bem recebidas por Laís Oliveira, franqueada da marca, na filial do Shopping Iguatemi, e pudemos conhecer as tendências da grife para os nossos pezinhos.

De acordo com Laís, a coleção vem num misto de clássico com rústico, com destaque para os tons de pele (nude), animal print (estampas de bicho) e amarrações, chamando a atenção para os pés e exaltando nossa feminilidade. Tudo isso sem deixar de lado os metais, que são uma marca da Carmen Steffens, em ouro velho. O couro ‘comfort’, também encontrado em várias linhas da marca, aparece nas texturas cobra, cascavel e avestruz.
A aposta da marca é nos saltões com meia pata, que dá mais conforto e mobilidade para a mulherada que gosta de ficar nas alturas. Eu, que sempre fui amante das sapatilhas, estreei há uns três meses nos saltos e me acostumei de uma forma que não consigo mais me separar deles. Devo admitir que dão uma postura muito interessante, além de fazer sempre uma boa presença. Estou nos saltos médios, que são confortáveis para o dia a dia, mas a cabeça já abriu para alturas maiores. É só uma questão de tempo.

Por isso mesmo, achei lindas as sandálias de salto 15, mas não pude deixar de observar os saltos que mais amo, que são os saltos do tipo “sorvete”. Aprendi essa com Laís, pois os chamava de saltos “pé de banco”, numa referência aos pés de móveis dos anos 50/60 que minha mãe tinha em casa e fizeram parte da minha infância. Entre as minhas novas aquisições tem um salto “sorvete” que virou meu companheiro inseparável de tão confortável.
Adorei as bolsas de couro com corte a laser que dão aparência de renda ao material, com um resultado muito sofisticado. Mas também amei as sandálias de saltinho baixo, as spadrilles e rasteirinhas, que ainda têm lugar reservado no meu coração, obviamente. Todas as linhas combinaram muito com meu gosto, já que apresentam cores, mas todas elas mais frias, como destacou Laís. As cores do verão continuam, porém “mais apagadas”. Um luxo em cor de beringela, cereja, verde militar, além do preto e do nude, já citado.

Não faltaram os badalados “oxford”, modelos mezzo masculinos mezzo femininos, que estão muito na moda e eu usei nos anos 80. Ele foi o escolhido para completar o modelito em minha festinha de 19 anos. Ainda lembro deles como se fosse hoje, eram de couro marrom, com aqueles pespontos característicos do modelo, um verdadeiro achado. Fui muito feliz enquanto o par existiu na minha vida e sinto saudade. Mas, hoje em dia, meu estilo já não admite os “oxford” moderninhos, afinal, o tempo passa, e agora a fase é outra.
Me surpreendi com a coleção masculina da CS, a Raphael Steffens, que eu não conhecia. De acordo com Laís, os homens andam adorando a marca que surgiu dos muitos casos de rapazes que acompanhavam suas mulheres à loja. Agora, eles vão e também encontram uma coleção confortável e elegante para comprar. São sapatos esportivos com canos mais altos e pespontos, além de tênis, mocassins e sapatos sociais, para ocasiões especiais, mais cintos e pastas para notebooks. Os preços dos sapatos da Carmen Steffens não fogem muito dos valores de marcas similares, de alto padrão e excelente acabamento.

Bolsas para carregar o mundo com elegância
Em termos de sapatos, não tenho muito o que acrescentar ao que Gio já escreveu acima. Nossos gostos por calçados são muito parecidos e, além disso, enquanto ela papeava com a Laís, eu assumi a câmera fotográfica. Precisava registrar os modelos de babar na toalha para mostrar para vocês. Mas, para não dizer que não botei meu dedinho enxerido aqui no texto da amiga, oh gente, as bolsas da CS para o Outono-Inverno 2011 são um sonho!
Os modelos estão mais estruturados, mas o designer e a técnica de cortar o couro a laser, dando a sensação de que a bolsa foi feita na almofada de renda de bilro, dão uma leveza romântica e ao mesmo estilosa, já que a combinação prevê ainda as tachas, correntes e aplicações em metal que são a marca registrada da CS.

Há modelos que variam das maxi às mini, mas o destaque mesmo são as de tamanho médio, super funcionais, e as de mão, além das carteiras (tendência). Apaixonei total por uma lindíssima bolsa, em couro, com acabamento rústico e detalhe em animal print. Confesso que não sou muito chegada numa oncinha e estampas tigradas, embora tenha o tigre como um avatar (devido ao meu horóscopo chinês) e ao símbolo de força e nobreza desse felino. Mas essa, eu usaria muito feliz, porque a CS conseguiu dar ao animal print um tom sofisticado, que nem sempre vejo por aí, já que a estampa banalizou muito.

Além disso, o pulo do gato – sem trocadilho – está nas combinações com outros materiais, transformando a estampa de bicho em um detalhe que funciona como o up a mais em peças de extremo bom gosto.
Nas cores, a tendência das bolsas acompanha a dos sapatos, com os tons pele, beringela e o preto clássico. Mas não faltam peças em marinho e vermelho; além do já clássico off white.

Ah, indo à loja, não percam a chance de pegar um catálogo, além dos itens da coleção completa feminina e masculina, há dicas e pequenas reportagens muito interessantes sobre os must have da baixa estação, com orientações de gente como a Chris Niklos. O editorial de moda em Nova York, com a modelo Kylie Bisutti, nem preciso comentar, não é?
*Colaborou Andreia Santana




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