Beleza selvagem

Ainda não comecei a ler, mas está na fila, o livro Mulheres que correm com os lobos, presente de aniversário de uma amiga querida. Atualmente, me dedico a leitura de Grito de guerra da mãe tigre (também por compromisso de trabalho). Mas, não é dos livros que quero falar agora, prometo resenha dos dois quando concluir a leitura. É só que, não podia deixar de abordar essa conexão: o mercado editorial busca animais selvagens que são símbolo de força e lealdade (o tigre e o lobo) para revalorizar o “puro instinto” da natureza feminina. E não são só autores e livreiros de olho nesse nicho. No mundo da moda, que é um perfeito espelho da sociedade (no que isso tem de bom e de ruim), estilistas se inspiram em wild live, wild feelings: é o animal print – apontado como tendência das tendências.

Me pergunto se esse novo apego à liberdade e a uma certa “agressividade” inerente ao bicho gente, mais especificamente às fêmeas, no sentido de garra para batalhar pelos objetivos e de resistência para sobreviver nesse mundo cão, não teria alguma relação com um tipo de “neo-neofeminismo”, que é diferente daquele clássico dos sutiãs queimados na praça em meados do século e daquele chamado de terceira onda, com a teoria queer e tudo mais. Será que essa nova revolução não estaria ocorrendo também a partir do até então considerado fútil universo da beleza? Humm, não tenho ainda uma ideia muito precisa a respeito, só esboços de ideias, mas quero me dedicar a pesquisar um pouco mais o tema. Talvez a leitura dos dois livros ajude, talvez tenha de ler outras coisinhas e bater papo com quem é mais especializado que eu na psiquê humana. Mas estou aberta a saber o que vocês acham do assunto, sempre! #Ficadica também para quem quiser teorizar. Se por acaso já escreveram, ou andaram lendo, algo parecido com esses meus esboços, compartilhem, por favor.

Para dar um exemplo, fiquei viajando nesses conceitos (que ainda não são bem conceitos, mas sementes), depois que vi as fotos do ensaio para a coleção Outono-Inverno 2011 da Di Sampaio, marca da estilista baiana Thiana Di Sampaio, que se chama justamente Animal Urbano. Muita “coincidência ” tanta vida selvagem ter caído no meu colo de uma vez, entre livros e fotos, em um intervalo de tempo de um mês! A beleza selvagem me chama, com toda certeza. Ainda mais que o aniversário da grife é um dia antes do meu, como fiquei sabendo há pouco tempo. Já que não acredito em coincidências, mas em misteriosas conexões profundas entre pessoas que não necessarimente precisam se conhecer (pessoalmente não conheço Thiana), ao invés de fazer o clássico post sobre a coleção, comecei a “filosofar” nas motivações das peças e dessa mulher fera que a criadora traduz.

A coleção da estilista, como vocês devem ter notado pelo nome, tem essa pegada animal print e as fotos (algumas ilustram o post), com esse cenário escolhido, a fluidez dos tecidos (algodão, seda, tule, renda, chiffon e etc), as estampas e o toque despojado, meio hippie, me deram a visão nítida do que acredito ser uma neo-neofeminista. Algo na linha: uma mulher bonita, mas de dentro para fora e sem neuras com idade, peso, altura e cia; romântica, mas destemida; gosta de sofisticação, mas sem abrir mão da liberdade e da beleza das coisas simples; tem atitude, mas sem aquela arrogância vazia, dos ignorantes; quer respeito e igualdade, mas não abre mão de delicadeza nas relações (homens que puxam a cadeira e abrem a porta do carro são bem-vindos, por que não?); tem um toque de exuberância primitiva, mas também é conectada; enfática, porém sutil… É nesse tipo de mulher que eu penso quando vejo as peças criadas por Thiana e associo com as coisas que leio e vejo em certos comportamentos femininos da atualidade.

Além disso, as pesquisas para a coleção aconteceram na Espanha e Itália. Não posso deixar de comentar outra “misteriosa conexão”, justamente com a Espanha, país pelo qual tenho um amor profundo e uma “ciganidade” latente na alma.

Para vocês verem como, infelizmente, algo considerado tão fútil para os de mente fechada, como a moda, pode nos trazer tantas reminiscências de uma só vez.

Serviço: E para quem quer conhecer a coleção ao vivo (algumas fotos ilustram o post), a Di Sampaio fica na rua Almirante Carlos Paraguassu de Sá, nº 02, 1º andar (próximo à Avenida Paulo VI, no bairro da Pituba).

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Sobre o que está por vir

Mais um ano está chegando ao fim… A gente pode seguir o clichê e dizer que é momento de refletir, repensar, reconstruir metas, colocar na balança as conquistas e perdas etc. Podemos enumerar uma série de rotinas que renovamos anualmente quando vai se aproximando a “virada do ano”.

Só que hoje a minha intenção com este post é apenas fazê-los tentar prometer menos e agir mais. As anotações podem organizar as ideias, os sonhos, os objetivos. Mas projetos esquecidos em um caderninho guardado num canto qualquer não vão acontecer por si só. É preciso colocar a mão na massa.

Eu já escrevi em um outro blog sobre a minha descrença com relação às promessas. Não gosto de promessas, embora tenha o maior respeito por quem as faz. Pegunto-me para que servem: aliviar culpa? Alimentar esperanças? Iludir a si mesmo? Não consigo encontrar sentido em promessas.

Bem, voltando ao início da conversa, tentem praticar mais as suas teorias. Sair do lugar, caminhar. Andar sem precisar dizer que vai fazê-lo amanhã. Se matricular na academia, antes de anunciar a todos os amigos que isso será feito na segunda.

Mas se quiserem prometer, tudo bem também. São nossas diferenças que nos fazem seres únicos. É a diversidade de pensamento que faz da vida algo tão especial. Que venha 2010! Com ou sem promessas!

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