Artigo: A Moda que lhe pertence

Moda para mim é acima de tudo respeito e bom-senso. Respeito à individualidade, ao gosto de quem veste uma peça, ao estilo e personalidade de cada um. E bom senso para não sair por aí “vestido de vitrine”,  mas estampando acima de tudo uma atitude que tem relação com o bem-estar. Pois não é que a escritora Lygia Maya, com palavras muito mais bonitas, pensa a mesma coisa e muito mais sobre o assunto? Abaixo, divido com vocês um artigo muito coerente da autora sobre a nossa nem sempre harmoniosa relação com o mundo fashion. Taí uma boa oportunidade para quem estiver precisando se reconciliar com a moda. Vale a pena conferir e quem sabe, tentar olhar esta forma de expressão da criatividade humana com outros olhos.

*A Moda que lhe pertence

Por Lygya Maya

Um pouquinho de humor: Edna Moda, a hilária estilista da animação Os Incríveis, da Disney/Pixar

Do frânces mode e do latim modu, a palavra moda é a maneira ou o modo como as pessoas vivem. Hoje a palavra está mais relacionada à maneira de vestir: o modo como as pessoas se vestem significa moda. Sendo assim, a moda está em todos os lugares aonde vamos, desde o trabalho até os compromissos sociais.

Já ouvi centenas de reclamações de mulheres baixinhas, gordinhas ou mais velhas dizendo que no mercado só são vendidos artigos para o tipo de mulher que se encaixa nos padrões de beleza da moda, e que para elas, as “normais”, não há nada.

Será que as grandes marcas e estilistas desenham suas coleções pensando na mulher comum ou se baseiam em estereótipos de beleza? E será que realmente temos de aprender a vestir certas roupas só porque terceiros desenharam a moda? A maneira que gostamos de nos vestir ou de viver deve ser a mesma de uma celebridade ou de uma manequim alta, magra e com um certo look para sermos elogiadas ou apreciadas pela sociedade?

E a sua personalidade e seu próprio estilo, onde ficam? Geralmente ninguém que você conhece ou vê na rua se veste no dia-a-dia como se estivesse em um desfile de um grande estilista. E pouquíssimas pessoas têm dinheiro para pagar a alta costura, além de ter um corpo raro de modelo.

A grande maioria das mulheres faz a moda de acordo com o que tem no guarda roupa e com o que o orçamento dá para adquirir. Já a moda dos estilistas é bem apreciada pela mídia, pois as pessoas gostam de ver e mostrar novidades. Mas não é por isso que você deve se constranger por não estar “na moda”.

Caso pense que não está adequada em seu modo de vestir, não se esqueça que nós, mulheres “normais”, também fazemos moda.  Devemos nos orgulhar em vestir o que for mais conveniente, sem se preocupar se estamos dentro dos biotipos de beleza atuais. Ditar a nossa própria moda, usando o que nos faz sentir bonitas, de acordo com nossa personalidade, é que pode e deve ser a maneira de nos vestir.

E para que isso aconteça de forma mais divertida, vão aqui algumas dicas:

1. Use sua curiosidade + sua criatividade e…voilá! Você achou sua personalidade no modo de se vestir!

2. Delicie-se com o que você tem no guarda roupa: ponha todas as suas roupas e acessórios lado a lado para ver o que há disponível, e depois os misture uns com os outros para ver o que combina melhor. Essa é uma ótima dica para você estar sempre variando e usando combinações que nunca pensou antes.

3. Use cores que façam você se sentir bem, de acordo com o seu humor ou com o dia: caso esteja chovendo, use vermelho para contrastar com a falta de luz. Ou use cinza para combinar com o clima frio, mas coloque um acessório contrastante, isso vai dar um gostinho apimentado ao vestuário.

4. Combinações divertidas de cores fazem você ser única em qualquer lugar: verde bandeira com rosa pink puxado para o lilás, azul rei com vinho, marrom com amarelo, branco com prata… Ou se inspire nas flores, que dará tudo certo. O que vale é a imaginação!

A escritora Lygya Maya não teme em ousar nos acessórios e assim mantém um estilo pessoal marcante

O importante mesmo é você saber que tem em mãos o poder de fazer sua própria moda, sem ser contestada. Aliás, quando você se conhece e sabe o que faz você se sentir bem, independente do que as lojas estão vendendo, você aparece em qualquer lugar como uma “mulher diferente”, que tem personalidade. E você já deve ter percebido que quando notam e elogiam como você está vestida, é porque está sendo única e criativa.

Espero que você tenha captado minha dica pelo seu coração e não pela lógica. Assim fazendo, você vai economizar muito dinheiro e energia também, além de viver menos estressada e com mais autoestima.

*Lygya Maya é autora do e-book Ame as Emoções que Você Odeia (2008), disponível no site da escritora: www.lygyamaya.com.br. Este artigo está sendo reproduzido no blog com a devida permissão da autora. O texto foi enviado para nós via email.

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Artigo: Reflexões sobre a ausência de privacidade

*Texto e reflexões de Andreia Santana

O espelho reflete, na maioria das vezes, o que queremos ver. Enquanto uma fotografia revela nossos ângulos bons e ruins (ao menos antes do advento do photoshop)

Faz tempo que reflito sobre privacidade e o ato de manter a própria vida longe da curiosidade alheia. Com tantas formas de interação disponíveis na internet, tais como o Orkut, facebook, MSN, twitter, comunidades disso e daquilo, sinto que a geração mais nova perdeu a referência do que seja vida privada, num sentido mais profundo da palavra. Não existe mais limite para o que pode ser compartilhado e o que não é de interesse de ninguém mais, a não ser da própria pessoa e de seu círculo mais próximo. Intimidade é artigo raro nesta rede de um milhão de amigos.

Não é uma novidade refletir sobre esse tema, visto que existe todo tipo de estudo sobre o assunto, dos mais sérios aos sensacionalistas. E nem considero hipocrisia também meter minha colher nesse angu, ainda mais que escrevo em blog, tenho twitter, Orkut, facebook, MSN e ainda integro uma rede de bibliófilos, a Skoob, que reúne colecionadores de livros e de leituras (escrevo sobre ela qualquer dia desses). Como usuária das ferramentas, membro das comunidades virtuais e como migrante digital por conta das 36 primaveras de vida, me considero no direito de opinar.

Não é para falar contra a tecnologia ou as novas formas de interação que estou aqui dividindo essa chuva de palavras com quem tiver paciência para ler até o final. Sabemos que o ser humano precisa se expressar. Está aí a arte, em todas as suas manifestações, do cinema a telenovela, do blog ao romance, da pintura a moda, para provar que interação é uma realidade tão antiga quanto o mundo. Os teóricos da comunicação, apesar de se esforçarem para soar “novidadeiros”, não criaram praticamente nenhum conceito novo. Nós, humanos, somos gregários e interativos desde sempre, só funcionamos em bando desde que o mundo é mundo, logo, qualquer ferramenta ou forma de expressão que nos ajude a manter a ideia de comunidade é sempre bem-vinda. Mas, houve um tempo em que mesmo em bando, reservávamos um espaço doméstico e quase sagrado, onde a solidão não era temida, onde a alegria e a tristeza eram divididas apenas com pessoas da maior confiança. Onde o isolamento favorecia a reflexão. Ultimamente, somos papagaios: falamos, reproduzimos outras falas, fazemos um barulho imenso, mas pouco do que é dito importa de fato. Temos medo de ficar sozinhos e em bando, nem sempre dá para refletir.

Interagir com o resto do bando faz parte da natureza humana, mas ultimamente, dizemos muito, só que com pouco significado. A foto é da capa do LP Listen Without Prejudice, de George Michael

Minha inquietação é com a incapacidade cada vez maior das pessoas em perceber limites para a privacidade. A própria e a alheia. Fui criada de uma forma moderna, em alguns aspectos, e completamente antiquada, por exemplo, quando o tema é o respeito ao espaço do outro. Nunca tive permissão para dormir na casa de amigos quando era criança e nem tinha permissão para receber amiguinhos em casa para dormir. Os que vinham brincar, ou quando eu ia brincar na casa de alguém, era sempre na sala de visitas. Abrir a geladeira da casa de outra pessoa? Acredito que seja algo inconcebível para os membros da minha geração. Pelo menos para mim, só funciona se for na casa de  alguém muito próximo, onde me sinta tão à vontade que possa ajudar  na cozinha a lavar e secar a louça. Graças a Deus tenho amigas assim, quase irmãs de tão próximas. A intimidade é tão sagrada e necessária, que não pode e nem deve ser banalizada como tem sido atualmente.

Na minha infância, existia a sala de visitas, que era separada da sala de jantar e de outros cômodos “reservados” da casa, justamente para evitar que as pessoas fossem invadindo, enfiando-se no quarto, vasculhando guarda-roupas. Pelo menos creio que a ideia era essa, manter a visita confortável, acolhida, amada, mas sem deixar que ela se espalhasse por espaços que não lhe pertenciam. A menos que fosse íntima da família.

Depois de adulta, nunca me senti à vontade em abrir o armário de uma amiga, ou de permitir que uma das minhas amigas vasculhasse minha bolsa em busca do celular que estava tocando. Vi uma cena uma vez, ocorrida com uma amiga íntima. Um conhecido em comum nosso, mas sem o mesmo grau de intimidade, sem a menor cerimônia, atendeu o celular dela, depois abriu  a bolsa da minha amiga e jogou o aparelho lá dentro, diante do olhar atônito, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Hoje em dia, as crianças na sala de aula do meu filho, por exemplo, acham que é a coisa mais normal do mundo abrir as mochilas uns dos outros para pegar lápis, esquadros, borrachas ou o que quer que estejam precisando, sem ao menos pedir licença ao dono legitimo daquelas coisas. E estranham o fato dele não fazer o mesmo!

Falta espaço para reflexão em meio a esquizofrênica necessidade de expressão da contemporaneidade

Não abro a bolsa da minha mãe ou da minha irmã até hoje, nem a das amigas, a menos que elas permitam e ainda assim, só das muito íntimas. Quando preciso abrir as gavetas de mamãe para buscar alguma coisa me sinto como se invadisse um espaço que pertence a ela. Independente de ser minha mãe, ela tem direito a um espaço único e pessoal. Tento ensinar ao meu filho o mesmo conceito, de respeito à individualidade e à privacidade alheia. Só devemos ir até onde nos é permitido, sem forçar uma intimidade que na maioria das vezes não existe e até constrange o outro.

Outro exemplo, só para ilustrar e ajudar a aclarar as ideias: Não costumo acompanhar avidamente cada atualização de perfil do Orkut dos meus amigos. Tento manter o contato por esta ferramenta ou por outras, repito, não tenho nada contra às ferramentas de interação, mas sem exageros. As comunidades virtuais, quem usa sabe, são divertidas, práticas, facilitam manter proximidade mesmo com quem está distante, ajudam na troca de conhecimento e de ideias, mas ao menos para mim, seriam melhor aproveitadas sem a obsessão de saber o que todos fazem ou dizem a cada segundo do dia. Fico conhecendo melhor as pessoas por suas ideias do que, por exemplo, se estivesse xeretando para saber se estão com o status “namorando” ou “solteiro” ativado.

Acredito que a interação atual – a forma como ela é usada – cria um falso sentimento de intimidade. Tão descartável quanto boa parte da produção cultural caça-níqueis que infesta o mundo tanto real quanto o virtual. Ficamos sabendo se determinada pessoa é casada ou não, se gosta de laranja ou azul, se bebe ou fuma, se vai ao cinema ou se é do tipo baladeira, mas não ficamos sabendo como essa pessoa é de fato, o que ela sente, o que ela acredita. Contamos quantos namorados fulano teve em um ano, de acordo com as vezes em que fulano alterou seu status de relacionamento na internet, mas no que isso nos aproxima ou afasta mais de alguém?

Suspeitamos, melhor dizendo, supomos que fulano tem tal tipo de personalidade porque gosta de tal coisa, mas saber de fato como é alguém, acredito que não sabemos nem depois de anos de convivência. E sinceramente, para mim, é bom que seja assim, fica sempre uma margem de surpresa que, no mínimo, vale para manter o interesse pelo outro. Um pouco de mistério sempre seduz. Não quero saber todos os segredos dos meus amigos, eles têm direito a manter guardadas coisas que não querem mostrar para ninguém. Não me sinto menos amiga por isso. Antes até, crio um laço invisível, como se nos aproximássemos mais pelo que não é dito do que pelo que está exposto para todo mundo ver.

Querem ver outra coisa que me incomoda nessa falta de privacidade generalizada? É quando as pessoas te cobram para manter o twitter 24 horas por dia com novidades. Um post a cada minuto, de preferência. Começam a te seguir numa espécie de desespero e frenesi e quando você não corresponde à velocidade de atualização, param de te seguir e vão atrás de outra pessoa mais “interessante” (?) Tudo bem, a ideia da ferramenta é comunicação instantânea, mas será que vale a pena dizer alguma coisa apenas por dizer, apenas para manter a legião de seguidores? Será que todo ávido seguidor lê mesmo o que o outro está tentando dizer naqueles módicos e telegráficos 140 caracteres? Não costumo blogar se não tiver algo interessante para publicar, seja escrito por mim ou por terceiros. Ou me sinto inclinada a dividir algo que realmente valha a pena ou guardo silêncio. E o conceito de silêncio, tanto no ambiente virtual quanto fora da rede, tem mais nuances do que simplesmente ausência de ruído. Guardar silêncio, quando não se tem nada que valha a pena ser dito, é uma atitude sábia e respeitosa com os demais.

O Grande Irmão, personagem onipresente é criação do escritor George Orwell no romance 1984. Vigilância constante sobre todos os invíduos

Voltando à questão da privacidade. O exemplo que a meninada segue com cada vez mais freqüência é o das celebridades que expõem as conquistas e as mazelas com o mesmo empenho em todo tipo de revista, algumas com linha editorial duvidosa. Nada mais é segredo, nada mais é pessoal, tudo é compartilhado e coletivo. A dor de alguém tem de ser a dor de muitos, a felicidade de alguém tem de ser a felicidade de muitos. Se uma pessoa é legal e é artista, tem de virar modelo de comportamento e namoradinha do Brasil. Se comete um erro e é também artista, a queda na lama e a redenção precisam ser públicas. Mas, atualmente, nem precisa ser celebridade, de fato ou instantânea, para fazer da vida um “livro aberto”. Qualquer pessoa expõe mais do que seria recomendado, apenas pelo prazer de expor ou pela necessidade de saciar a doentia curiosidade de quem lê. Nem os mortos podem ser chorados em casa, porque seus perfis permanecem eternamente cultuados como numa seita fanática, assombrando orkuts e facebooks. Pessoalmente, acho de uma morbidez assustadora.

 

A sociedade torna-se pouco a pouco tão sem identidade pessoal quanto as abelhas operárias de uma colmeia. Fala-se em diversidade, mas vejo uma homogênea massa de pessoas idênticas querendo parecer diferentes

Perdemos a identidade de individuo e vivemos a era da identidade de grupo. Angustia-me essa superexposição e a patrulha de ideias que advém de tanto interesse na vida uns dos outros. É como se vivêssemos em eterno estado de big brother (falo daquele de George Orwell e seu emblemático livro 1984 e não do programa do Pedro Bial, que aliás, fabrica celebridades instantâneas e nada discretas).

Outro dia, conversando com minha irmã, ela questionou qual é o sentido, por exemplo, de alguém se preocupar tanto com a opção ou orientação sexual de outra pessoa? Comentávamos uma reportagem que vimos, mais uma da série “fulano saiu do armário”. Para mim, tanto faz se saiu ou entrou. Pessoalmente, me interesso mais pelo caráter das pessoas do que em saber com quem elas dormem. Gostaria que os movimentos que elegem seus símbolos dessem ao escolhido o direito de optar se querem mesmo tornar-se símbolo desta ou daquela militância. Se quer virar mito e inspirar outras pessoas, incentivar ou fortacelecer o movimento, ótimo, vá lá e diga para todo mundo que escancarou a porta do armário. Mas se não quer dividir seu armário com mais ninguém, beleza também, respeito você do mesmo jeito. A cobrança para que a pessoa faça isso ou aquilo, diga isto ou aquilo, é que me tira do sério. Se a estrelinha da tv quiser manter-se virgem até casar ou se já deu para o prédio inteiro onde mora, o que é que eu tenho com isso?

Tornar a vida um grande acontecimento público é cansativo e é uma armadilha. Além de ser fake. Soa falso pelo simples fato de que ao nos mostrarmos para os outros, conscientemente, buscamos sempre exibir nosso lado mais gente boa e tendemos a esconder o chamado dark side. A falta de privacidade cria uma sociedade de espelhos de narciso. Já repararam que somos sempre mais bonitos no espelho do que numa fotografia, por exemplo? Aprendi esse conceito nos tempos da faculdade. É o seguinte, relembrando as aulas do meu velho mestre: isso acontece porque o espelho nos reflete tal qual nos imaginamos, o espelho mostra o que queremos ver, e a fotografia nos mostra tal qual somos de fato, com nossos ângulos bons e ruins.

Só que agora existe o photoshop para dar uma melhorada no que a fotografia mostra e a fotografia se converte cada vez mais em espelho.

Nem é a essência das coisas que eu busco, porque acredito que as coisas tem mais de uma essência. Na verdade, todas as coisas são formadas pela mistura dessas infinitas essências. Ainda bem, porque ansiar por pureza me lembra nazismo. Deus me livre!

Confesso é que ando em busca de um pouco de retorno ao individuo, sinto falta do ser humano, único, pessoal, intransferível, secreto, privado, íntimo. Mas tudo o que vejo é sempre multidão…

*Andreia Santana, 37 anos, jornalista, natural de Salvador e aspirante a escritora. Fundou o blog Conversa de Menina em dezembro de 2008, junto com Alane Virgínia, e deixou o projeto em 20/09/2011, para dedicar-se aos projetos pessoais em literatura.

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Artigo: Uma nova leva de mães aos 40

Os dados estatísticos mostram que aumenta gradativamente a cada ano o número de mulheres que decidem adiar a gravidez. São vários os motivos que podem levar uma mulher a tomar essa decisão. E é disso que trata o artigo abaixo. Além de trazer algumas das razões desse novo contexto social, também explica de forma bem didática por que aumenta a dificuldade de engravidar com o passar do tempo. Muito bacana para esse período de comemoração do Dia das Mães.

*Uma nova leva de mães aos 40…

Os padrões tradicionais da maternidade vêm sendo gradativamente reformulados, a experiência não implica mais em dedicação exclusiva. Mesmo em meio a tantas mudanças sociais, o desejo e o prazer de ser mãe continuam como elementos presentes e marcantes na estrutura de relevâncias femininas

O adiamento da gravidez é uma escolha muito comum das mulheres, nos dias de hoje. O número de grávidas ou mulheres tentando engravidar na faixa entre 30 e 40 anos tem aumentado nos últimos anos. Pelo menos 20% das mulheres aguardam até os 35 anos para iniciar uma nova família. São muitos os fatores envolvidos na decisão de adiar a maternidade: a estabilidade profissional, a espera por um relacionamento estável, o desejo de atingir segurança financeira, ou, ainda, a incerteza sobre o desejo de ser mãe…

“Entretanto, é importante alertar estas mulheres sobre as consequências desta decisão: a idade pode afetar a capacidade de conceber. É também importante informá-las sobre os tratamentos disponíveis que podem ajudá-las a engravidar, quando elas decidirem que o melhor momento chegou”, afirma o ginecologista e obstetra Aléssio Calil Mathias, diretor da Clínica Genesis, em São Paulo.

Segundo o IBGE, o acesso mais fácil a métodos contraceptivos,
os custos elevados necessários para a criação de uma criança
e a inserção da mulher no mercado de trabalho provocaram a redução do número de filhos.
Essa realidade se evidencia na queda da taxa de fecundidade,
que declinou de 2,7 filhos em 1992 para 2,4 filhos em 2002.

A queda na fertilidade feminina com o avanço da idade é um fator biológico. Estima-se que a chance de gravidez por mês é de aproximadamente 20% nas mulheres abaixo de 30 anos, mas de apenas 5% nas mulheres acima dos 40. Mesmo com os tratamentos, como a fertilização in vitro, a fertilidade diminui e as chances de um aborto espontâneo aumentam após os 40. “Há várias explicações para esse declínio de fertilidade: condições médicas, mudanças na função ovariana e alterações na liberação dos óvulos pelos ovários”, afirma Mathias.

A mulher de 40 anos também tem mais chances de apresentar problemas ginecológicos, como infecções pélvicas e endometriose, que podem diminuir a fertilidade. Exames de fertilidade, como a histerosalpingografia ou a laparoscopia, podem ser requisitados para diagnosticar algumas dessas condições. Embora a maioria dos esterileutas recomende que os casais tentem a gravidez por pelo menos doze meses antes de procurarem ajuda médica, mulheres acima dos 40 anos podem realizar esses exames a qualquer momento.

Por que as chances de engravidar diminuem…

A queda nas chances de engravidar, em mulheres acima de 40 anos, é mais freqüente devido às mudanças naturais que ocorrem nos ovários.

O hipotálamo e a hipófise, glândulas localizadas no cérebro, coordenam os processos que levam à ovulação e à menstruação regular. O hipotálamo estimula a hipófise a liberar o hormônio folículo-estimulante (FSH) e o hormônio luteinizante (LH). Esses hormônios são secretados na corrente sanguínea e controlam o crescimento dos óvulos (oócitos) e a produção do hormônio feminino, estrógeno, pelos ovários.

“A maioria das mulheres têm aproximadamente 300.000 óvulos em seus ovários na puberdade. Para cada óvulo que amadurece e é liberado durante o ciclo menstrual, entre 500 a 1000 não amadurecem totalmente e são reabsorvidos pelo corpo”, explica o médico.

Quando a mulher atinge a menopausa, que normalmente ocorre entre os 40 e os 56 anos de idade, há apenas alguns óvulos remanescentes. Esses óvulos restantes geralmente não respondem bem às secreções de FSH e LH da hipófise e os níveis desses hormônios na corrente sanguínea aumentam com o intuito de estimular os ovários.

Um nível elevado de FSH no sangue no terceiro dia do ciclo menstrual sugere que o ovário não está respondendo normalmente aos sinais da hipófise. “Essa falta de resposta ovariana é uma evidência indireta de baixa qualidade do óvulo. A diminuição da resposta do ovário ao FSH e ao LH da hipófise resulta em uma baixa no estrógeno e na progesterona produzidos pelo ovário”, explica o diretor da Clínica Genesis.

Aos poucos, o ciclo menstrual vai se tornando menor e, eventualmente, os ovários podem não liberar óvulos, resultando em um ciclo sem ovulação. Além disso, os hormônios – estrógeno e progesterona – são críticos para o desenvolvimento normal do endométrio, onde o embrião deve se fixar para se desenvolver. “Uma redução nos hormônios dos ovários, que acontece em decorrência da idade avançada da mãe, também contribui para diminuir as chances de gravidez”, observa Aléssio Calil Mathias.

Dados do IBGE revelam que, em 1991,
as mães que tiveram o primeiro filho na meia idade eram 7.142 (0,67%)
e, em 2000, somavam 9.063 (0,79%).
Ainda que em número absolutos este grupo de mães seja pequeno,
esse fenômeno já pode ser acompanhado, principalmente,
nos estados do Rio de Janeiro (passou de 0,91%, em 1991, para 1,09%, em 2000)
e São Paulo ( de 0,65% para 0,87%).

O relógio biológico em ação

À medida em que a mulher envelhece, os óvulos remanescentes também envelhecem, tornando-se menos capazes de serem fertilizados pelos espermatozóides. Outro fator a ser ponderado é que a fertilização desses óvulos está associada a um risco maior de alterações genéticas. “Por exemplo, alterações cromossômicas, como a Síndrome de Down, são mais comuns em crianças nascidas de mulheres mais velhas. Há um aumento contínuo no risco desses problemas cromossômicos conforme a mulher envelhece”, explica o ginecologista.

Quando os óvulos com problemas cromossômicos são fertilizados, eles têm uma possibilidade menor de sobreviver e crescer. Por essa razão, mulheres que já passaram dos 40 anos têm um risco aumentado de abortos espontâneos também.

As taxas menores de gravidez em mulheres acima de 40 são, em grande parte, devidas ao aumento de óvulos com problemas cromossômicos. Nos tratamentos de reprodução assistida, por exemplo, quando óvulos são coletados em mulheres de 20 a 30 anos, fertilizados e colocados no útero de uma mulher com mais de 40, suas chances de gravidez aumentam, são maiores do que se ela tivesse utilizado seus próprios óvulos.

“O sucesso no emprego das técnicas de doação de gametas confirma que a qualidade do óvulo é uma barreira fundamental à gravidez para as mulheres mais velhas. Embora, hoje, a idade não se constitua numa barreira intransponível à gravidez, qualquer tratamento de infertilidade, exceto a doação de gametas, terá menos sucesso, em mulheres acima de 40 anos”, diz o ginecologista Aléssio Calil Mathias.

As mães, por primeira vez, com idades entre 40 e 49 anos, fazem parte de um segmento populacional com alta escolaridade (59,1% tem oito anos ou mais de estudo) e pertencem a famílias com alto poder aquisitivo ( 25,7% com rendimento mensal familiar de mais de 10 salários mínimos).Os dados são do IBGE.

Quando a decisão é adiar a maternidade…

Quando uma mulher com a idade mais avançada decide engravidar é importante que ela procure o aconselhamento médico. Se o médico identificar qualquer problema físico que possa afetar suas chances de engravidar, ou se ela estiver tentando conceber por mais de 6/12 meses, ela deve procurar um esterileuta.

“Como as chances de gravidez diminuem com a idade é recomendado que todos os exames necessários para verificar a fertilidade desta mulher sejam prontamente realizados. A maioria dos exames podem ser realizados no período de 1 a 3 meses. O tratamento apropriado pode ser iniciado imediatamente após a avaliação da mulher”, diz Mathias.

Uma vez realizados os exames necessários e se a causa da infertilidade for diagnosticada, o médico pode discutir com o casal interessado em engravidar os tratamentos possíveis. “Atualmente, o tratamento da infertilidade encontra muitas opções terapêuticas no Brasil. Muitas vezes, a gravidez é obtida com o emprego de condutas de baixa complexidade, como o coito programado. Nem sempre é preciso recorrer à fertilização in vitro”, explica o ginecologista Aléssio Calil Mathias.

Entretanto, “na presença de infertilidade inexplicada ou quando os tratamentos convencionais fracassam, tratamentos de alta complexidade  podem ser indicados, tais como a superovulação com inseminação intra-uterina programada ou a fertilização in vitro. O importante é informar ao casal, especialmente à mulher, que, assim como em qualquer outro tratamento, a idade afeta as chances de gravidez, mesmo com o emprego de alta tecnologia”, diz Mathias.

*Texto encaminhado ao Blog pela MW Consultoria de Comunicação.

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Artigo: Mães de todas as horas

Recebemos um artigo bem singelo do escritor Eder Roberto Dias. Trata-se de uma emocionada declaração de amor às mães. E como está próxima a data em homenagem a elas, nada mais justo que abrir espaço aqui neste cantinho feminino, para a palavra de um menino sobre a maternidade. Sim, eles também entendem do assunto, e por quê não?!

*Mães de todas as horas

**Por Eder Roberto Dias

E quem é que não precisa, ou sente falta, de um colinho materno de vez em quando?

Por todas as horas é tão bom sentir que nossas mães estão junto de nós! Com o cheirinho de seus perfumes, com a tranquilidade que nos protege ou com a sabedoria que nos ajuda. Mãe é para todos os momentos, mas por vários instantes na vida esquecemos de reconhecer o seu valor. Somente quando sentimos o desejo de uma comidinha saudável e saborosa é que buscamos o aconchego do nosso verdadeiro lar.

Não percebemos a dimensão que somente quem é mãe sabe entender. Quem somos ou seremos? Essa pergunta todas as mães saberão responder! Somos filhos perfeitos, pois na visão de nossas mães não cometemos erros. Na dimensão do amor de uma mãe, somos perdoados por nossas indiferenças, somente pelo poder de quem nos gerou.

Não há como exprimir tal sentimento, tamanho cuidado e proteção. Quem é filho nunca saberá entender a virtude de ser mãe, não saberá apreciar o valor de nosso crescimento, pois não terá em seu sentir o universo que só existirá na visão da mulher mãe. Mulher que cresce entre rosas, que se torna botão e no nascimento de um filho se torna a mais bela rosa mulher. Mulher que se consagra na virtude da continuidade, na exatidão do amor unilateral, na aceitação de que é a companhia perfeita a cada filho!

Quem somos ou seremos? Pergunte à mulher que é sua mãe, a mulher que se constitui na parceira de seu pai. Não importa a nós filhos impedir a felicidade de nossas mães mulheres. Temos dentro de nós o amor eterno que representará a nossa primeira ligação entre o conhecimento e o aperfeiçoamento.

Mãe não deve ser perfeita para os outros, pois a perfeição só será adequada a nós filhos apaixonados. Apaixonados por sua presença, por sua coragem, por seu amor e por tudo que realce a luz do amanhã.

Amanhã nos tornaremos homens e mulheres que formaremos novas famílias, novos lares compostos pelos poderes das crianças do hoje que amam nossas origens e apoiados seremos quando decidirmos aprender a sermos pais. Mulher que ressalta a vida!

Um viva as nossas mães heroínas de todos os nossos dias!

*Texto encaminhado ao  blog pela Suggestiva Comunicação

**Eder Roberto Dias é autor do livro “O Amor Sempre Vence…”, publicado pela Editora Gente. Contato com o autor: [email protected]

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Artigo: A criança e o valor do dinheiro

Selecionei para esta quinta-feira um artigo muito interessante do educador Daniel Ribeiro. Como sou mãe e tenho um filho entrando na adolescência, temas ligados a educação dos jovens, como prepará-los para o mundinho cão onde vivemos, sempre me chamam atenção. E o tema do artigo, crianças e dinheiro, é muito pertinente. Aprendi a calcular as despesas de casa quanto tinha mais ou menos 10 anos. Nessa idade, já sabia ir até a mercearia da esquina comprar víveres e fazer aquela relação básica de custo x benefício. Lembro de uma situação engraçada: fui à padaria com uma tia minha e minha mãe mandou comprar manteiga. Olhei o pote de 250g e outro de 500g e vi, lógico, que o de 500g era mais caro, algo em torno de R$ 1 a mais que o pote menor (na verdade, nem lembro qual era a unidade financeira na ocasião, acho que era cruzado novo…). Mas vi também que havia uma vantagem  no pote maior e a reposição de manteiga na despensa demoraria mais para ocorrer. Minha tia chegou em casa orgulhosa, dizendo para minha mãe que eu já era uma mocinha. Exemplos prosaicos e saudades da infância à parte, depois de adulta, tento ensinar ao meu filho o valor do dinheiro e tento dar a ele apenas coisas com as quais possa lidar de acordo com sua idade.  Nada de presentes caríssimos. Na minha visão de mundo, por exemplo, uma criança na faixa dos dez anos não precisa de um celular, que na maioria das vezes só servirá para distraí-la da aula ou para colocá-la como alvo de assaltantes. Para a escola, ele leva o valor necessário para o lanche e só. A mesada, nunca é dada em mãos, mas  depositada numa conta poupança. Antes de comprar alguma coisa, nós dois conversamos muito, pesamos prós e contras de desfalcar a sua conta em prol de um capricho passageiro ou se é mais vantagem juntar dinheiro para comprar algo realmente bacana.  Lógico que não é um regime de quartel, afinal trata-se de um garoto de 12 anos e de vez em quando, permito um capricho, mas o consumo nunca serve de compensação para alegrias ou tristezas. Gosto de moda, de acompanhar novidades e tendências, como fica claro em alguns posts do blog, mas uma coisa interessante que tenho notado é que, quanto mais estudo sobre o mundo fashion e o universo geral da indústria da beleza (cosméticos e etc), mais aprendo a consumir com consciência e mais tento repassar essa lição para o rapazinho que tenho em casa.  Ficar bonita para mim é questão de estado de espírito, já disse isso outras vezes. Claro que, todo mundo quer andar na moda, dirigir um carro legal, morar num apartamento bem decorado, mas existe um limite de bom senso e existe uma coisinha chamada planejamento. Dinheiro foi feito para gastar, até porque, quando a gente morre, não leva junto nem a carne ou os ossos, que dirá os bens materiais, mas é sempre bom guardar um pouco para  velhice ou as emergências. Mas agora, confiram o artigo de Daniel Ribeiro, porque eu, já falei demais!

*A criança e o valor do dinheiro

**Por Daniel Ribeiro

Ninguém precisa virar um tio Patinhas, mas é preciso ter a noção de que economia tem relação direta com planejamento e segurança

Em março de 2008, em minha faculdade, um dos principais assuntos abordados foi “matemática financeira para crianças”. É um tema fundamental para ser debatido por pais e professores junto aos pequenos. Uma das grandes dificuldades que os pais encontram no que diz respeito à educação de seus filhos é fazer com que eles entendam o valor do dinheiro. As crianças, que dificilmente se interessam pelo assunto, podem se tornar adultos incapazes de lidar com as próprias finanças.

Diante dessa realidade, procuramos mostrar em nossas teses a importância de se estudar tal assunto e como introduzi-lo junto a nossas crianças. Notamos que a melhor metodologia seria aquela que se utilizasse do lúdico para educar, porém, deixando a criança sempre em contato com a realidade, mostrando que aquele aprendizado será útil durante toda a vida.

Há um momento, por exemplo, em que damos um salário de R$ 1.000,00 para cada aluno. Com o dinheiro, eles terão que pagar suas contas e ainda fazer sobrar para a diversão. Outra técnica para capacitar as crianças a gerir suas finanças pessoais é a divisão do dinheiro em potes. Em cada pote deve ser colocada uma quantidade de cédulas correspondente a cada interesse do aluno. Todo dinheiro que eles recebem, seja a mesada ou um presente da avó, deve ter um destino. Essa é uma maneira de eles se controlarem e não saírem gastando em besteiras das quais se arrependam depois.

Aprender a administrar o orçamento pessoal é um desafio que muitos adultos não conseguem encarar com sucesso, pois, além de responsabilidade e determinação, exige treinamento, por mais banal que uma contabilidade doméstica possa parecer.

Que tal ensinar seus filhos a como lidar com o dinheiro desde os primeiros anos da infância? É claro que não se trata de dar aulas sobre os rudimentos da matemática financeira aos dois anos de idade. Mas, bem cedo, os pais já devem começar a introduzir na vida dos filhos alguns conceitos relacionados ao valor e ao uso de cédulas e moedas, bem como à importância de poupar para o futuro. É um tema cujo interesse vem crescendo no ensino fundamental dos Estados Unidos e dos países da Europa – na Inglaterra virou até matéria obrigatória em muitas escolas. No Brasil, a educação financeira apenas engatinha, e a experiência já colhe bons resultados.

Mesmo sem a matéria no currículo, os pais podem desde já iniciar os pequenos no bê-a -bá financeiro com conceitos bem simples. O primeiro passo é ensiná-los a distinguir aquilo de que precisamos daquilo que simplesmente queremos. Quem não sabe isso se atrapalha. É o caso das pessoas que compram um carro importado antes da casa própria. Uma boa maneira de fazer com que seu filho entenda é tratar desses assuntos em situações cotidianas, deixando-o, por exemplo, responsável por checar quais produtos estão faltando em casa e que precisam ser comprados. Também é fundamental fazer com que a criança associe poupança à precaução, para que entenda que muitas vezes é importante desistir de comprar algo no presente para conseguir um benefício futuro. Quem compreender isso de verdade não terá problemas com cheque especial nem com cartão de crédito mais adiante. Além disso, repetir-lhe idéias simples, como tratar o brinquedo com cuidado para ele estar funcionando quando quiser usá-lo novamente, ou poupar um pedaço do lanche para quando tiver fome, são lembretes que podem ajudar bastante. Dessa maneira, quando essa criança ou adolescente começarem a ganhar mesada, será mais fácil convencê-los da importância de guardar uma parte do dinheiro.

A mesada é uma das principais fontes de dúvidas e equívocos dos pais. Como eles têm muito prazer em satisfazer os desejos dos filhos, acabam errando demais. Mesmo que se trate de uma família de alta renda, não é aconselhável encher o filho de dinheiro.

Também faz parte da educação financeira a dissociação entre dinheiro e afeto, o que significa muita cautela na hora de dar presentes. A recomendação dos especialistas é reservá-los somente para datas comemorativas, como aniversário ou Natal, por mais bem-sucedida que a criança seja na escola ou na atividade esportiva. Prefira outras maneiras de mostrar-lhe reconhecimento, como um passeio em família ou mesmo um abraço e palavras de elogio.

É importante que a garotada aprenda a esperar pela realização de um desejo, mesmo que se trate de algo barato. Se uma criança é acostumada a conseguir tudo o que quer imediatamente, vai se transformar em um adulto sem limites, daqueles que esbanjam, mesmo sem ter dinheiro para pagar um bom plano de previdência privada. O sacrifício dos pais para satisfazer os caprichos materiais dos filhos são pontos negativos. Isso inclui o tão esperado carro aos 18 anos. É preciso mostrar que quem não faz nenhum tipo de esforço financeiro nunca aprende a como chegar lá”.

*Texto encaminhado ao blog pela Ex-Libris Comunicação Integrada

** Daniel Ribeiro é mediador da Vitae Futurekids no Programa Matemática Descomplicada, em Caçapava (SP)

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Homem de Palavra: “Onde a dor não tem razão”

Onde a dor não tem razão

*Carlos A. Santana

De há algum tempo atrás tenho vivido uma experiência em parte dolorosa, em parte surpreendentemente, digamos, educativa, sob o ponto de vista espiritual (sem querer ou pretender ser melodramático). Tudo começou em abril do ano passado quando o meu mundinho corriqueiro se diluiu em fluidos sanguíneos e o meu mais profundo desprezo por excertos da categoria médica aflorou com violência a partir do diagnóstico de leucemia no meu filho mais novo (Gabriel, 15 anos à época). A partir daí, calvários à parte já que cada um tem o seu mais íntimo, comecei a frequentar assiduamente, ambulatórios, laboratórios, quartos hospitalares… enfim, a liturgia do cargo de ser pai. No entanto, e aí é que vem tudo de bom dessa experiência que continua dolorosa, comecei a olhar, com um olhar mais sensível – característica humana muito mais presente na mulher, a sensibilidade, a sintonia fina com o mundo em seu todo – tudo o que me cercava.

Nas minhas idas à clínica, me vi, subitamente cercado de não-dores, de não-doentes absurdamente doentes. Alguns, com pouco tempo de viver esse mundo daqui. Outros, lutando para tentar ver o amanhecer seguinte. Dramático? Não. Apenas o que via ou sentia. Via e sentia a dor das mães (onipresentes) e a perplexidade dos pais (como eu, minoria absoluta). Mas, deixei de ter uma identidade única para ser “pai”. Apenas “pai” se tornou o meu nome como o de todos os poucos outros que lá vão com os olhos marejados, vermelhos, mas secos (homem não chora!). Me tornei muitos.

Mas não se trata bem disso, o que quero falar. Afora a minha tristeza, a dor do meu filho (que também se tornou a meus olhos, muitos – todos aqueles que passam à minha frente na sala de espera, na enfermaria ou que me olham curiosos enquanto não consigo cochilar ao lado de Gabriel, como eles, meio sedados e com uma agulha levando uma mixórdia de química para suas veias – acabei surpreendido com a forte presença e, ao mesmo tempo a ausência da dor naquele ambiente onde a parca caminha com naturalidade.

Crianças cheias de dor física, brincam pintam e bordam indiferentes à própria dor e só a acusam quando se torna insuportavelmente adulta. No entanto, adultos sucumbem diante da dor infantil e perdem as forças enquanto os pequenos se superam. Nos olhos de todas as matizes, há sim, sofrimento, mas bem lá no fundo. Uma sombra fugidia. Cada novo paciente é um novo amigo, mais um parceiro para uma brincadeira que pode não mais acontecer na manhã seguinte. Fazem do agora, uma festa. Da dor, algo que simplesmente está ali. Não a ignoram. Sentem-na. Sofrem-na. Impávidos colossos, ensinam-nos a viver… enquanto, às vezes, estão à morte.

*Carlos Santana é jornalista e radialista.

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>>A série Homem de Palavra é um espaço dedicado à opinião masculina sobre o universo feminino, comportamento ou qualquer tema de interesse tanto de homens quanto de mulheres. As opiniões expressas nos artigos nem sempre coincidem com a das três autoras do blog, mas a ideia é abrir espaço para o debate e a diversidade. Acompanhe semanalmente a série Homem de Palavra. E, querendo participar, envie seu texto para [email protected].

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Especial Semana da Mulher: Cinco dicas para sua vida continuar um carnaval eterno

O texto escolhido para fechar a série Especial Semana da Mulher é de autoria da escritora e terapeuta holística Lygya Maya, que atua com motivação pessoal e autoconhecimento. Selecionei este material, também publicado no blog da própria autora e encaminhado ao Conversa via email, porque acredito que toda dica para ajudar as pessoas a se sentirem melhores consigo mesmas é válida. Independente de ser mulher ou homem, da orientação sexual, dos desafios enfrentados, do saldo da conta bancaria, o primeiro passo rumo ao nosso próprio bem-estar é sempre nosso. Adversidades, todos enfrentaremos sempre, coletivas (tragédias sociais, catástrofes naturais) e particulares. Mas é preciso encontrar motivos no nosso dia a dia para sorrir e seguir em frente, do contrário, só haverá no mundo um bando de gente doente, enriquecendo os fabricantes de anti-depressivo (que aliás, só atenuam o sofrimento, anestesiam, mas não ensinam a amadurecer e lidar com a dor). Felicidade plena é ilusão, pois somos humanos e uma dose de tristeza e desânimo são normais, senão seríamos máquinas, incapazes de sentir. Mas, momentos de felicidade, que nos dão forças para superar aqueles de aflição, são sempre possíveis e, com um pouco de vontade em encontrar equilíbrio e serenidade, podem se tornar tão constantes que pareçam eternos. A todas as mulheres – e homens – que acompanharam a série ao longo da semana e que diariamente nos brindam com visitinhas, comentários, atenção e carinho virtual ou presencial, desejamos “momentos de felicidade eterna” cada vez mais frequentes. Um beijo no coração de vocês!

Cinco dicas para sua vida continuar um carnaval eterno

*Lygya Maya

A terapeuta Lygya Maya, através de dicas simples, acredita que todos podemos transformar a alegria "fake" dos dias de Carnaval em motivação genuína para viver existências mais plenas e pontuadas de momentos de felicidade autêntica

Já pensou se todos os carnavalescos fizessem da sua alegria e felicidade durante o Carnaval uma rotina? Digamos que essa força viria do “interior” de cada um, fazendo parte do dia a dia, que fantástico seria!

Estou me referindo à alegria de um sorriso contagiante vindo das profundezas da alma.  Assim como cumprimentar um estranho sem medo de rejeição, pois nossa felicidade é contagiante. E o sentimento de gratidão por estarmos vivos e respirando, possuindo o poder de imaginar o inimaginável em qualquer momento que resolvemos assim fazer.

Está comprovado. É possível. Caso contrário, como explicar tantos pobres do Rio de Janeiro descendo o morro para se exibir na avenida, mostrando suas fantasias  caríssimas?  Sabe por quê?  Porque eles se sentem orgulhosos de serem reis e rainhas no momento em que desfilam na avenida sua alegria para os turistas e para a classe média rica. Dependendo da escola, as fantasias custam R$1.200,00, mas certas fantasias de luxo custam mais que R$30.000,00. Muitos foliões pagam prestações o ano inteiro para ter esta oportunidade no Carnaval.

Que sentimento é este, passado de geração a geração, para sentir um “algo a mais”?  Será que ele poderia ser usado para a felicidade depois do período de Carnaval?

Você por acaso já imaginou seus sonhos considerados impossíveis desfilando todos os dias na sua visão, na sua mente, até serem alcançados pela determinação de seu coração e paixão por uma vida melhor? Todos os dias, para o resto de sua vida?

Alguma vez já lhe disseram que o mesmo desejo e paixão que você devota cegamente para a sua escola ou seu bloco ganhar no Carnaval, podem ser usados para seu sucesso pessoal e profissional?

Com a mesma intensidade, o desejo do prêmio de primeiro lugar para nossa escola preferida pode e deve ser usado para que nossos sonhos pessoais sejam manifestados, depositando uma mensalidade em nossa conta bancária da poupança emocional até conquistar a vitória eterna.

Há alguns anos atrás eu pensei exatamente isso e criei a minha Escola de Samba intitulada “Unidos ao Sucesso Ilimitado”, e até hoje, todos os dias, usufruo dos resultados positivos desta decisão.  Dificilmente tenho momentos tristes em minha relação com a vida e quando um desafio pinta na trajetória do desfile como, por exemplo, um salto alto incomodando, torno-me criativa e o problema torna-se passageiro. Sabe por quê? Porque o espírito carnavalesco dentro de mim é um vencedor nato, um espírito brasileiro que sempre dá um jeitinho de alcançar a felicidade custe o que custar. Ninguém me tira o sabor da vitória por eu ter me tornado uma campeã absoluta em relação aos meus desafios.

De uma maneira ou de outra, fazemos no Carnaval o que não fazemos no dia a dia com a desculpa de que tudo é válido nesta época, concorda? Pois é, só que possuímos livre arbítrio para sermos feliz o ano inteiro.

Para os que pensam que esta é uma ideia impossível, assim será, pois tudo o que focamos, manifestamos.  Já para as pessoas que sentem uma pitadinha de curiosidade e até atrevimento em agir carnavalescamente e “sadiamente” todos os dias, aqui vão algumas dicas:

1.    Acorde pela manhã sorrindo e pensando que hoje é dia de ser feliz e agir como tal. Se pensar assim, sem dúvida seu dia vai ser positivo.

2.    Cante alto.  Quem canta seus males espanta. Certíssimo!

3.    Dance a qualquer momento. Dançar é movimento. Movimento ajuda a ação. E ação leva a emoção de alegria, saúde e bem estar. Mas em qualquer momento mesmo? Sim, até durante uma reunião de negócios, por exemplo. Eu explico: Você está numa reunião enfadonha e seus olhos estão querendo fechar. Você está desconfortável e quer sair dali de uma maneira educada. Simplesmente peça licença e vá ao banheiro. Chegando lá, olhe-se no espelho (caso tenha um, senão não há problemas) e dance o que tiver vontade de dançar, sem vergonha do que está fazendo. Depois de alguns minutos revigorantes, volte pra reunião com a cara mais lavada do mundo.

4.    Sinta-se como um rei ou uma rainha. Nada como sentir o “poder” de ser o que quiser independente da posição social, condição financeira, raça ou religião.

5.    Sorria.  Para a vida e para todos.

Caso você decida levar minhas dicas a sério, garanto que muitas surpresas boas irão aparecer e até verdadeiros milagres poderão acontecer.

Escrevo com firmeza sobre isso por que possuímos o poder de escolha, sendo oficialmente dia de Carnaval ou não.

A fórmula é feita da seguinte forma: nos autoconvencer, mentalmente, emocionalmente, espiritualmente e fisicamente, de que somos capazes de nos sentir vitoriosos em nossos sonhos, carnavalescos ou não.  Assim como conseguimos ser  felizes no Carnaval, conseguiremos isso também no dia a dia, sem dúvida.

É maravilhoso ver a alegria dos foliões no Carnaval.  Ao vê-los felizes como uma criança em um dia de domingo, escrevi este artigo, inspirada pela música Imagine de John Lennon.

*Lygya Maya é escritora, terapeuta holística e palestrante. Desenvolveu sua carreira nos Estados Unidos, onde atuou na Companhia do mestre em motivação Anthony Robbins. É autora do e-book Ame as Emoções que Você Odeia (2008), disponível em www.lygyamaya.com.br.

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Mulheres e Compras: Marketing feminino

As comemorações pelo Dia Internacional da Mulher terminam oficialmente neste sábado, embora o blog discuta o assunto o ano todo, nem tinha como ser diferente, com três mulheres blogando na página. Mas, para seguir o calendário, vamos encerrar hoje as sequências de artigos que ao longo da Semana da Mulher refletiram sobre vários aspectos da feminilidade contemporânea. Foram duas séries, Especial Semana da Mulher e Mulheres e Compras. Esta última, é encerrada agora, com o texto abaixo, de autoria do administrador e professor Marcos Morita. A série Especial Semana da Mulher também terá seu último artigo publico ainda neste sábado, aguardem! Ao falar de marketing e feminilidade, Marcos Morita traça um panorama realista da evolução das conquistas femininas na sociedade pós-moderna e não deixa de fazer o alerta: homens e mulheres são historicamente – e ainda hoje – criados de forma diferente e quase antagônica. Vale refletir se este é o modelo de sociedade que queremos legar às novas gerações.

Marketing feminino

*Marcos Morita

Aliança de casamento não é mais o bem de consumo mais cobiçado pelas mulheres

O dia 8 de março pode ser representado por uma mulher emancipada, independente, realizada e madura, completando 35 anos de vida. A data, instituída em 1975 pela ONU, teve como objetivo lembrar ao mundo suas lutas contra a violência e a discriminação. Apesar do avanço inegável, alguns países parecem ainda estar em 1857, ano em que uma fábrica de tecidos norte-americana foi incendiada para calar a voz de mais de 130 tecelãs que reivindicavam melhores condições de trabalho e equiparação de salário com os homens.

Felizmente não pertencemos mais a este grupo, assim como as discussões entre as diferenças dos sexos já não são tão acaloradas. Sabemos que os homens das cavernas partiam para caça, enquanto as mulheres guardavam e zelavam a cria e o lar. Mesmo assim, protegemos e falamos de maneira mais carinhosa com bebês vestidos de cor-de-rosa. Criamos filhos e filhas com enfoques diferenciados.

Homens têm cromossomos x e mulheres y. Competitividade, excesso de confiança e espírito de aventura no primeiro caso. Proteção, abrigo e nutrição no segundo. Talvez por isso meninos tenham brincadeiras agressivas e competitivas, gostem de filmes de aventura e vídeo games de ação, enquanto meninas brincam de papai e mamãe, adoram bonecas e se deliciam com filmes românticos.

A mulher utiliza os dois lados do cérebro ao invés do direito apenas. Há também mais conexões através dos dendritos, possibilitando maior capacidade de pensar holisticamente e expressar suas emoções. Tente discutir com sua esposa ou namorada e comprove o número de palavras por minuto, as histórias resgatadas do fundo do baú e a facilidade em transformar sentimentos em lágrimas.

Com o crescimento do poder de compra, as mulheres não mais influenciam as decisões nas unidades familiares. Preferem ir direto ao consumo. Carros e apartamentos substituíram roupas, compras de supermercado e educação dos filhos. Perdidas estão as empresas e profissionais de marketing que ainda tratam as mulheres como um mercado em ascensão. Hoje elas são o mercado.

Há ainda alguns nichos que podem ser explorados. O advento da internet, a queda brutal nos custos das comunicações e a globalização, possibilitaram que grupos anteriormente excluídos pelas empresas pudessem se tornar comercialmente interessantes. O pesquisador americano Mark Penn utilizou o termo microtendências para defini-los.

Professor Marcos Morita, autor do artigo

Segundo Penn, microtendências são pequenas forças imperceptíveis que podem envolver até 1% da população, moldando a sociedade de forma irreversível. Considerando uma população de aproximadamente 100 milhões de brasileiras, teríamos um mercado nada desprezível de um milhão de consumidoras esperando para terem suas necessidades atendidas. Vejamos algumas.

Solteiras demais: creio que já tenha discutido com sua esposa ou família, o fato de alguma prima ou conhecida ter ficado para a titia. Inteligentes, bonitas e com bons empregos, seriam partidões caso tivessem nascido com outro cromossomo. O comportamento agressivo na juventude e os casais homossexuais em maior número pendem a balança para o lado das mulheres.

Tigresas: apesar do ar de reprovação de algumas pessoas, é fato que o número de mulheres mais velhas namorando homens mais jovens vem aumentando. Artistas e socialites cujas vidas são escarafunchadas são os exemplos mais visíveis. A independência financeira e sexual conquistada pelas gerações anteriores tem feito que mulheres maduras optem pelo divórcio.

Mulheres prolixas: as mulheres têm demonstrado aptidão em áreas que exigem o uso da palavra escrita ou oral. Algumas profissões estão se tornando redutos femininos. Cursos de jornalismo, direito e propaganda são bons exemplos. Apresentadoras, advogadas, juízas, deputadas, prefeitas, governadoras e quem sabe até a próxima presidente, comprovam o sucesso feminino quando o assunto são palavras.

Utilizaria o termo oportunidade caso tivesse que resumir esta data em apenas uma palavra. Os especialistas em mulheres e seus comportamentos de compra têm hoje apenas uma foto do presente e a história escrita do passado. As microtendências provam que ainda há muito a avançar neste intrincado terreno que é o cérebro feminino. Mãos à obra, homens!

*Marcos Morita é mestre em Administração de Empresas e professor da Universidade Mackenzie. Especialista em estratégias empresariais, é colunista, palestrante e consultor de negócios. Há mais de quinze anos atua como executivo em empresas multinacionaisContato: [email protected] / www.marcosmorita.com.br

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Especial Semana da Mulher: “Nem com uma flor”

O texto desta sexta-feira, penúltimo dia da série Especial Semana da Mulher, traz um artigo da advogada Antonieta Barbosa, que milita na defesa dos direitos dos portadores de câncer e é autora do livro Câncer – Direito e Cidadania. Na semana em que se comemora o centenário do Dia Internacinal da Mulher, a especialista denuncia a dificuldade das mulheres mastectomizadas em fazer valer seu direito à isenção de IPI na compra de carros adaptados e que não conseguem o benefício devido à máquina do governo (leia-se burocracia).

Nossa série termina neste sábado, continuem acompanhando!

Nem com uma flor

*Antonieta Barbosa

É de uma comovente singeleza o verso do compositor pernambucano Capiba, que diz: “numa mulher não se bate nem com uma flor”, e que emociona os foliões durante os festejos de momo. Na sequência, temos o Dia Internacional da Mulher como uma boa oportunidade para compatibilizar o discurso com a prática, pois não são poucas as oportunidades em que na mulher se bate, sim, com outras armas, especialmente aquelas mais sutis, que deixam marcas psicológicas imperceptíveis, mas indeléveis.

O câncer de mama, segundo dados estatísticos oficiais, atinge cerca de 50 mil mulheres por ano no Brasil. Mesmo considerado curável se tratado a tempo, causa mutilações que atingem a mulher no seu aspecto mais significativo, pois como se sabe, a mama é símbolo da feminilidade, da maternidade e da sexualidade.

Uma mulher que tem suas mamas mutiladas, mesmo que reconstituídas cirurgicamente, guardará para sempre as cicatrizes emocionais e só permite tal ato cirúrgico como única forma de salvar a própria vida.

Infelizmente, o choque de realidade de receber um diagnóstico de câncer e de se sentir mutilada é apenas o início de uma longa via crucis. Salva a vida, é preciso salvar-se como cidadã e fazer valer os seus direitos.

Em alguns casos, esses direitos são atropelados pela máquina pública que, com o azeite da burocracia, lhe impinge verdadeiras chicotadas burocráticas, expondo-a a situações humilhantes e submetendo-a a peregrinações intermináveis e inúteis.

É sabido que a extirpação dos gânglios linfáticos da axila interrompe a circulação natural da linfa, retirando do braço as defesas, reduzindo a força, a mobilidade e a sensibilidade, propiciando o pesadelo de uma lesão chamada “linfedema”, quando o membro fica desproporcionalmente inchado. Um verdadeiro aleijão que cronifica e pode chegar em casos extremos à necrose com a consequente perda do braço.

Uma mulher, a que “não se bate nem com uma flor”, que agora tem uma deficiência física, vai ter que optar entre ficar aleijada ou se tornar um peso para sua família, pois não consegue mais dirigir ou manobrar um veículo convencional sem fazer um esforço além da sua capacidade física.

Como forma de atenuar essa situação, tendo em vista os preços proibitivos dos veículos adaptados, a lei federal 8.989/95, garante isenção do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, aos deficientes físicos, que, segundo o decreto federal nº 5.296/04 é “toda pessoa que apresente alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando comprometimento da função física”.

O problema é que no nosso país sempre se dá um jeitinho de atropelar a cidadania. Investindo na desinformação e na fragilidade dessas mulheres, os peritos dos Departamentos de Trânsito, incumbidos da missão de aplacar a fúria arrecadatória do estado, ignoram a sua condição de deficientes físicas, indeferem seus pedidos, obstaculizando a obtenção de um direito.

Esses peritos que prestaram juramento como médicos, atestam que elas são “aptas a dirigir veículos convencionais”, mesmo cientes dos riscos que correm essas mulheres de perder um braço ou carregarem um aleijão para o resto das suas vidas.

Como se vê, o refrão de Capiba não sensibiliza a todos.

*Antonieta Barbosa é advogada, paciente de câncer e autora do livro “Câncer – Direito e Cidadania”. Também é diretora do Instituto Cristina Tavares de Atenção Integral ao Adulto com Câncer, em Recife.

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Mulheres e Compras: Por que as mulheres, brasileiras ou francesas, leem mais que os homens?

O penúltimo artigo da série Mulheres e Compras, nesta sexta-feira, é de autoria de Lourdes Magalhães, presidente da Primavera Editorial. No texto, a autora traz dados recentes sobre o consumo de cultura praticado por homens e mulheres, no Brasil e no exterior. Escolhi este artigo para fechar a sequência iniciada na última terça-feira, porque dia desses, batendo papinho no intervalo do trabalho com Alane, ela disse uma coisa que rende reflexão: “somos intelectuais, mulheres, temos de manter a beleza por dentro, das ideias, mas também precisamos nos cuidar por fora”. Ou seja, beleza é consumo, cultura é consumo e o equilíbrio entre corpo, mente e espírito continua sendo a máxima que rege a vida de todas nós, independente de quanto tenhamos disponíveis para gastar.  Como sempre, foi um imenso prazer dividir tanto material rico com vocês, queridas (os) leitoras (res). Aos assessores e articulistas que nos permitem divulgar suas ideias no blog, nossos agradecimentos eternos. E não esqueçam que neste sábado temos o último capítulo da série Especial Semana da Mulher!

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Por que as mulheres, brasileiras ou francesas, leem mais que os homens?

*Lourdes Magalhães

“Mulher, você vai gostar, tô levando uns amigos pra conversar…” No centenário do Dia Internacional da Mulher, provavelmente a personagem de Chico Buarque, na divertida “Feijoada completa”, nem estaria em casa para recepcionar a trupe de amigos do marido. Ela estaria ocupada, desenvolvendo mil projetos no trabalho ou consumindo cultura. Brincadeiras à parte, dados estatísticos mostram os avanços e a inclusão feminina nos ambientes culturais e corporativos. As mulheres leem mais no Brasil, como demonstra a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro. Os dados revelam que 55% dos leitores brasileiros são mulheres – elas consomem, em média, 5,3 livros por ano contra os 4,7 livros anuais lidos pelos homens. Um outro estudo, conduzido pelo Instituto QualiBest, revelou que as mulheres internautas também leem mais: 55% leem pelo menos um livro por mês contra 42% dos homens. Nessa pesquisa, 65% afirmaram que leem por prazer, sendo ficção e romance os gêneros preferidos.

Mas, como não posso pecar pelo ufanismo, adianto que esse não é um fenômeno brasileiro. Pesquisas internacionais comprovam que as mulheres consomem mais cultura, ou seja, leem mais literatura de qualidade; assistem mais peças teatrais e filmes; visitam museus e exposições; e são maioria nas plateias de espetáculos de dança. Como se não bastasse, elas ocupam a maioria das cadeiras nos cursos de humanidades. Na Europa e Estados Unidos, por exemplo, superam os homens na leitura de ficção.

Em viagem recente a Paris para participar de encontros com autores, tive acesso – pela leitura de jornais e conversas informais com escritores franceses – a relatórios do governo francês que analisam dados de pesquisas realizadas entre 1973 e 2003 sobre a relação feminina com a cultura. Em 1973, por exemplo, 72% dos homens franceses leram um livro em 12 meses; em 2003 esse índice caiu para 63%. Entre as mulheres, o índice subiu de 68% (1973) para 74% (2003). Essa constância no crescimento do consumo cultural feminino ultrapassou o status de tendência para consolidar a permanência.

Um dado interessante que consta nesse compêndio de pesquisas sob o título “A fábrica sexual do gosto cultural” é que a participação feminina no consumo de cultura é mais significativo na faixa dos 40 anos – idade, na Europa, de jovens mães – que dão ênfase à educação cultural das meninas. Não à toa, uma pesquisa com três mil famílias mostrou que meninas entre seis anos e 14 anos leem mais que os meninos da mesma idade; sendo que 38% têm no cotidiano atividades culturais e artísticas como cursos de balé, teatro e pintura, contra 20% dos garotos.

No Brasil, a queda no analfabetismo indica que temos um longo caminho pela frente, mas que avançamos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que entre 1991 e 2001 a taxa de analfabetismo caiu de 20,1% para 13,6% da população. No tocante à escolaridade assistimos à ascensão feminina contínua, um processo de inclusão educacional muito relevante porque tem reflexos na participação feminina nos melhores postos de trabalho do País. Em 2007, entre os brasileiros com mais de 12 anos de estudo – inseridos, portanto, no nível superior de ensino – 57% são mulheres. A projeção do IBGE é que a cada 100 pessoas com 12 anos ou mais de estudo, 56,7% são mulheres e 43,3% homens. Em 2009, de acordo com a empresa internacional Great Place to Work, 43% dos postos de trabalho das 100 “Melhores Empresas para Trabalhar – Brasil” são ocupados por mulheres; elas estão em 36% dos postos de liderança, inclusive na presidência de empresas.

Voltando ao título que motiva este artigo – “Por que as mulheres, brasileiras ou francesas, leem mais que os homens? – antes que alguém evoque a maior sensibilidade feminina para as artes, o hipotético “tempo de sobra” ou argumentos similares, recorro novamente ao estudo francês. Quando questionados no estudo sobre o que estão fazendo nos momentos de lazer, homens e os meninos revelam: dedicam mais tempo à televisão – especialmente programas de esportes –, acessam a internet e convidam os amigos para jogar videogame.

*Lourdes Magalhães é presidente da Primavera Editorial. Executiva graduada em matemática pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com mestrado em Administração (MBA) pela Universidade de São Paulo (USP) e especialização em Desenvolvimento Organizacional pela Wharton School (Universidade da Pennsylvania, EUA)

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