Especial Semana da Mulher: Relógio biológico x Relógio de ponto

O artigo desta quinta, ainda dentro do especial Semana da Mulher, é de autoria do ginecologista Joji Ueno. Ele reflete sobre um dos principais dilemas que as mulheres atuais enfrentam, a maternidade x a carreira. Com dados consistentes sobre mercado de trabalho e a pressão que as mulheres sofrem no emprego, o especialista avalia cientificamente os pros e os contra de adiar o momento de ter o primeiro filho.

Continuem acompanhando a série de textos até este sábado!

O relógio biológico x  o relógio de ponto

A maior pressão sentida pela mulher não é a de provar sua competência, mas sim o próprio desejo de conciliar o trabalho com a família

*Joji Ueno

De cada três postos de trabalho criados no mundo, a partir da década de 70, dois são ocupados por mulheres. Em algumas economias, elas já representam mais da metade da mão-de-obra empregada. Nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, sua participação no mercado passa de 60%. No Brasil, os dados apontam que a presença feminina já equivale à dos homens. No alto escalão das empresas, elas ainda são minoria, mas as estatísticas mostram que estão ocupando mais postos na hierarquia. Um estudo do Instituto Ethos com 119 empresas no país mostrou que a participação das mulheres em cargos de gerência aumentou de 18% em 2003, para 31%, em 2005. Nos postos de diretoria, passou de 6%, em 2001, para 11%, em 2005.

O avanço feminino nas empresas vem acompanhado de uma evidente contradição: elas estão menos satisfeitas do que seus colegas do sexo masculino. No levantamento realizado pela consultoria Hay Group no qual 15% dos 1.161 profissionais entrevistados eram mulheres, as executivas afirmaram se sentir mais injustiçadas nas promoções e indicaram estar menos contentes com seus salários.

No Brasil, um levantamento realizado pela consultoria Watson Wyatt com 109 empresas mostrou que a defasagem salarial das mulheres em cargos executivos é, em média, de 5%. Nos postos de direção, a diferença chega a 7%. A insatisfação feminina é algo presente mesmo em economias mais maduras, como a americana. Um estudo feito pela Universidade Radford, nos Estados Unidos, apontou que, quanto mais alta a posição e maior o nível educacional exigido para o cargo, a mulher, mesmo tendo a mesma formação e ocupando o mesmo posto, invariavelmente ganha menos.

O ambiente de trabalho ainda não contempla as necessidades da mulher. São necessárias muitas mudanças para que a maternidade e o sucesso profissional possam caminhar lado a lado: jornadas flexíveis,  possibilidade de trabalhar à distância, oferta disseminada de benefícios, como creches.

Sucesso profissional x maternidade – A maior pressão sentida hoje pela mulher não é a de provar sua competência, mas sim o próprio desejo de conciliar o trabalho com a família. O difícil balanço entre a vida profissional e a pessoal está na raiz de grande parte da insatisfação manifestada pelas mulheres no mercado de trabalho. Estudos mostram, por exemplo, que a maternidade pode causar grandes prejuízos à carreira. A maternidade no início da carreira é o principal fator de desigualdade salarial entre homens e mulheres, segundo pesquisa do instituto inglês Women and Work Commission. O estudo aponta que as mulheres britânicas ganham, em média, 17% menos que os homens. Uma das justificativas é o fato de elas optarem por trabalhar meio período, após o nascimento do bebê. De acordo com o Institute for Fiscal Studies, a inglesa que se torna mãe aos 24 anos e decide encurtar a jornada pode deixar de ganhar 1 milhão de dólares ao longo da carreira.

No ano em que sai de licença-maternidade é praticamente certo que a executiva não receba aumento por mérito. Mulheres que decidem deixar o trabalho por mais tempo para cuidar dos bebês, por um ou dois anos, sofrem penalidades ainda maiores. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos, pelas empresas Ernst & Young, Goldman Sachs e Lehman Brothers mostrou que, nesses casos, a perda salarial é, em média, de 28%.

Não importa se homem ou mulher, quem deixa o mercado de trabalho encontra dificuldades quase intransponíveis para voltar a ocupar o mesmo posto. Isso porque, assim como o relógio biológico, o relógio de ponto também anda acelerado.

Atenção ao relógio biológico – Adiar o primeiro filho é uma tendência mundial, estimulada pelas aspirações profissionais e propiciada pela medicina, que, hoje, dá a mulheres de quase 40 anos a oportunidade de se tornarem mães. Entre as americanas, estima-se que duas, em cada dez, deixam para ter o primeiro filho depois dos 35 anos. O IBGE revela que o número de mães com mais de 40 anos no Brasil cresceu 27% entre 1991 e 2000.

Aos 40 anos, a mulher precisa saber que a natureza joga contra. Sem ela, resta a ajuda da ciência. Uma das técnicas de reprodução assistida mais simples, utilizada quando a mulher não ovula regularmente, consiste em administrar hormônios para superestimular os ovários. Normalmente, a mulher produz um óvulo por ciclo menstrual. Com o medicamento, pode liberar até cinco. O método funciona em 10% dos casos indicados.

Situações mais complicadas exigem a inseminação artificial. Os espermatozóides do marido ou de um doador são recolhidos, assim como os óvulos, e a fecundação é feita “artificialmente”, fora do corpo. A chance de sucesso é de 30%, dependendo da paciente. Após, no máximo, três tentativas, a probabilidade de gravidez para uma mulher de 35 anos pode aumentar em até 50%.

Além de difícil,  adiar o nascimento do primeiro filho pode ser arriscado. Doenças crônicas, como diabetes, obesidade e hipertensão podem provocar a interrupção da gestação. Outra preocupação é o aumento do risco de anomalias genéticas. O risco de uma mulher de 35 anos ter um filho com síndrome de Down é de um, em 360, quatro vezes mais do que uma grávida de 25 anos. Estudo da Universidade Estadual de Ohio, em Columbus, nos Estados Unidos, mostrou que mulheres com mais de 50 anos, mães depois dos 35, costumam ter taxas mais elevadas de infarto, risco de hipertensão e diabetes. O coração sofre com o encargo de ter de bombear cerca de 1 litro de sangue extra para o bebê.

Mulheres maduras, profissionais responsáveis, podem ignorar o relógio de ponto no escritório, por um tempo, mas o relógio biológico não para.

*Prof. Dr. Joji Ueno é ginecologista, doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da USP, diretor da Clínica Gera e do Instituto de Ensino e Pesquisa em Medicina Reprodutiva de São Paulo. Também é co-autor do blog medicinareprodutiva e pode ser seguido via twitter.

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Saúde e Fitness: As vantagens da caminhada para a beleza

Conversa de Menina oferece mais uma série para vocês a partir desta quinta-feira. Saúde e Fitness, com publicação semanal, reúne artigos e reportagens mais recentes, encaminhados ao blog, que refletem sobre atividade física, bem-estar e qualidade de vida, bem como problemas de saúde que são agravados justamente pela falta de exercícios, temas que estão sempre presentes nas nossas postagens. Desta vez porém, ao invés das impressões pessoais como mulheres que tentam no dia a dia conciliar o cuidado da mente e do corpo,  vamos abrir espaço para especialistas no assunto. Lógico que continuaremos contando para vocês sobre a nossa luta diária contra a preguiça e a balança, mas  por ora, abrindo a série, segue um artigo do ortopedista Fabio Ravaglia, de quem já publicamos outros textos. Desta vez, ele reflete sobre as vantagens da caminhada para manter a beleza física. É isso meninas e meninos, andar, além de fazer bem para o coração, faz bem para a auto-estima! Confiram:

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As vantagens da caminhada para a beleza do corpo

*Dr. Fabio Ravaglia

Muitos são os benefícios da caminhada para a saúde e, não à toa, andar tem sido recomendação médica constante como terapia ou prevenção para várias doenças. A lista de problemas que a caminhada ajuda a evitar é imensa: acidente vascular cerebral, depressão, ansiedade, osteoporose, artrose, obesidade, diabetes “mellitus”, câncer de intestino e intestino preguiçoso. Caminhar ajuda a reduzir o colesterol ruim e a aumentar o bom, a combater a hipertensão, a controlar o diabetes e a liberar endorfinas — os hormônios que tranquilizam e dão a sensação de bem-estar. Noto que é cada vez mais frequente as pessoas praticarem a caminhada como aliada da boa forma – não só do ponto de vista da saúde, mas dos benefícios estéticos que traz para homens e mulheres. Caminhar emagrece, embeleza as pernas, levanta o bumbum, fortalece as coxas e seca a barriga.

Por se tratar de uma atividade física aeróbica, a caminhada mexe grandes músculos dos braços e pernas, fazendo com que os batimentos cardíacos e a respiração se acelerem. A maior quantidade de ar inspirada, comum em atividades aeróbicas, permite maior oxigenação do cérebro, o que leva à intensificação dos mecanismos do metabolismo. O movimento dos membros inferiores para promover a locomoção ativa a circulação sanguínea e ajuda a tonificar a musculatura, deixando as pernas mais fortes e torneadas. Quando o sangue circula melhor, o coração fica fortalecido e evita-se o surgimento de varizes. Há melhora inclusive nos pequenos entupimentos existentes em alguns vasos sanguíneos das pernas. Andar também exige uma movimentação frequente dos glúteos, levando ao fortalecimento da musculatura e deixando-a firme por igual. Os ossos também se beneficiam com o exercício.

Quem começa a caminhar, percebe a diferença nos contornos do corpo. A queima de calorias ocorre de acordo com a intensidade da caminhada e, em poucas semanas, é possível dar adeus a alguns quilos extras. Toda a parte inferior do corpo realiza movimentos e fica responsável pela sustentação do corpo, sendo obrigada a locomover o peso da pessoa em um esforço que consome energias. O abdome bem posicionado é fundamental para se livrar da barriguinha indesejável. Por isso, é importante manter a postura ereta, com a coluna reta e o queixo perpendicular ao chão. A dica para conseguir manter a postura correta é olhar para o horizonte e prender a musculatura do umbigo, como se pudesse colocá-lo próximo às costas. Toda a melhora no funcionamento do metabolismo propicia um aumento da resistência física, da força e da flexibilidade, e com isso vem a maior eficiência do sistema imunológico. Para completar os benefícios à saúde e à estética, há ainda as vantagens sobre a mente: a caminhada ajuda no tratamento de distúrbios psicológicos ao diminuir o estresse e combater a depressão. Resumindo, muito mais saúde e vitalidade, para o corpo e para a mente.

A prática da caminhada apresenta resultados positivos surpreendentes, mesmo considerando que o metabolismo de cada um varia e reage de maneira diferente às situações. Para iniciantes, a caminhada precisa ser inserida na rotina e intensificada gradativamente, sem ultrapassar o limite físico da pessoa. Uma dica para saber qual é o limite é observar a respiração, que deve permitir que se fale uma frase completa, sem interrupção. Caso a frase seja interrompida, pare um minuto e inspire profundamente pelo nariz, abrindo os braços esticados lateralmente, e expire lentamente, soltando o ar pela boca e fechando os braços esticados à frente do corpo, repetindo o exercício até que a respiração volte ao normal. Continue caminhando, mas diminua o ritmo da caminhada.

Quando a intensidade do ritmo da caminhada está forte demais, a pessoa não consegue dizer nem uma sílaba de uma palavra. O ideal para manter o equilíbrio da respiração é inspirar em um passo e expirar em três passos, o que também evita as dores abdominais. Outro aspecto a ser observado é a frequência cardíaca. No caso de idoso, por exemplo, a intensidade do exercício deve ser de 60% a 90% da frequência cardíaca máxima (própria para a idade), que deve ser avaliada, preferencialmente, por meio de consulta médica, complementada pelo teste de esforço. Partindo de uma atividade moderada, com o tempo, o metabolismo ganhará um impulso, percebido pelo aumento da disposição física e do bem-estar. Lembro de alguns cuidados a serem tomados. Para iniciar qualquer atividade física, faça a avaliação física com um profissional para saber se está apto a exercer determinadas práticas. Isto porque há recomendações específicas para hipertensos, diabéticos, depressivos, etc. Antes e depois de caminhar, é preciso fazer um alongamento para aquecer o corpo e um relaxamento, com movimentos que vão ajudar a esfriar o corpo e a soltar a musculatura.

Tanto a caminhada moderada quanto a rápida são boas. Depende dos objetivos de cada um e também do estágio do condicionamento físico. Destaco dois parâmetros usados para se saber como a saúde está sendo cuidada. O primeiro é o da Organização Mundial da Saúde – OMS, que recomenda que a pessoa pratique qualquer atividade física durante 30 minutos, três vezes por semana. O segundo é que para não ser considerado sedentário, é preciso dar 10 mil passos por dia, o que daria cerca de 5 mil metros, contando toda a movimentação realizada desde que se sai da cama até voltar a dormir, à noite. O importante para a saúde é manter o corpo em atividade. Para a boa forma, talvez seja preciso implementar um treinamento. Comece aos poucos e aumente gradativamente o tempo e o tamanho do percurso. A caminhada bem orientada mostra-se mais eficaz tanto para a saúde quanto para a boa forma. Cuidar do corpo e sentir-se bem é saudável e a caminhada tem se mostrado um excelente exercício para ter um bom condicionamento físico e conseguir o efeito estético desejado.

*Fabio Ravaglia é médico ortopedista graduado pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) com residência médica no Hospital do Servidor Público Estadual, especialização em coluna vertebral pelo Instituto Arnaldo Vieira de Carvalho (Santa Casa de Misericórdia de São Paulo) e mestre em cirurgia pela Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Também preside o Instituto Ortopedia & Saúde, organização não-governamental que tem a missão de difundir informações sobre saúde e prevenção a doenças.

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Especial Semana da Mulher: Um ser de petálas e espinhos

A série Especial Semana da Mulher continua nesta quarta-feira, desta vez com um depoimento da empresária Amalia Sina, que viveu na pele todos os dilemas de ser mulher na sociedade contemporânea. Após ocupar altos cargos executivos em multinacionais, Amalia tornou-se responsável por gerir um negócio próprio. No texto, ela reflete sobre a própria trajetória e sobre os papeis múltiplos que nós mulheres desempenhamos na sociedade em busca, não somente de igualdade de condições, mas do direito ao respeito na diversidade. Confiram!

Mulher – Um ser de pétalas de espinhos

A ascensão da mulher e a evolução dos seus papéis na sociedade merecem especial atenção

*Amalia Sina

O Dia Internacional da Mulher é uma forma simbólica de comemorar a luta da classe feminina pela igualdade, não apenas de direitos, mas também de oportunidades. A mulher evidenciada na década de 50, como dona de casa exemplar, cuja principal, e talvez única, função fosse a dedicação ao marido e filhos já não existe mais. Em pleno século XXI, a submissão deu lugar à independência e hoje, o que as mulheres faziam há décadas atrás continua sendo feito, porém, com muitas outras atividades envolvidas, o que faz com que a mulher moderna viva em um constante conflito: o desafio de conciliar diferentes papéis na sociedade.

A necessidade tornou-se estilo de vida e foi o argumento inicial para que estas mulheres mostrassem a sua garra e começassem a sua luta, até então silenciosa, por um espaço mais digno perante a sociedade, ainda machista.

Mesmo tendo ciência das diferenças ainda impostas pelo mercado corporativo, como as diferenças salariais e cargas horárias estressantes, as mulheres têm alcançado cargos e profissões antes consideradas exclusivamente do universo masculino. E por conta disso, tem sido cada vez mais evidente mulheres ocuparem a presidência e diretoria de grandes empresas, mostrando o seu potencial para resolver problemas, unificar os prós e contras de cada decisão e tudo isso, com um olhar diferenciado que só nós conseguimos ter.

Entretanto, apesar de sermos maioria neste universo, o mundo ainda é feito para homens e para alcançar o sucesso não basta apenas investir em conhecimento, ser criativa e versátil; é preciso vencer o preconceito e, principalmente, lidar com situações adversas. Temos que ser uma profissional exímia, arrumar tempo para os eventos corporativos e familiares, estar sempre bem vestida e arrumada e ainda, chegar em casa e cuidar da família com empenho e dedicação.

Posso dizer isso com propriedade, minha jornada até a presidência de grandes multinacionais foi desgastante e ao mesmo tempo gratificante. Hoje, sou responsável pela minha empresa, voltada para o segmento de cosméticos. Sei que dei um grande passo na minha trajetória, graças à capacidade feminina para definir metas e sonhos, com objetividade e sensibilidade que somos capazes de demonstrar sem parecermos frágeis.

Sim, nós podemos! Somos capazes de enxergar além e traçar um novo caminho, para isso basta viver com garra e determinação e ter coragem de dar o próximo passo.

Por isso, eu acredito ser um exemplo destas mulheres que perseguiram e ainda perseguem um sonho, ou melhor, próximas realizações. Aprendi a manter o equilíbrio pessoal e profissional, a tratar da beleza, buscar conhecimento, lapidar idiomas, investir em roupas e treinamentos… um sem fim de atividades utilitárias, além de saber otimizar o tempo para ter momentos prazerosos de lazer, descontração e auto-conhecimento.

*Amalia Sina é reconhecida como uma das mais bem sucedidas executivas brasileiras de sua geração. Foi presidente da Philip Morris do Brasil, da  Walita do Brasil e sênior vice-presidente da Philips para a América Latina. Com MBA em Marketing pela FEA/USP e Pós-graduada em Gestão de Marketing pelo Triton College, Chicago. É membro do Conselho Superior de Economia da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e membro da Associação Brasileira de Marketing. Desde 2006, decidiu se lançar como empresária com a entrada da Sina Cosméticos no bilionário segmento da beleza, a principal marca da empresa é Amazonutry.

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Mulheres e Compras: O que as marcas e a propaganda precisam saber sobre a mulher contemporânea?

Continuando a série Mulheres e Compras, o artigo desta quarta-feira é de autoria do administrador e economista Paulo Al-Assal, diretor da Voltage. Ele analisa o padrão criado pela mídia para a “super-mulher” contemporânea, o quanto dessa imagem condiz com a realidade ou o quanto ela nos força a incorporar uma personagem que ao invés de reconhecer nossas características reais, exige muito de nós para manter o status de heroínas. Embora seja voltado para o mercado publicitário e para as campanhas de marketing das marcas conhecidas, ou seja, embora vise a mulher consumidora, o texto acaba fazendo uma boa reflexão sobre a nossa condição atual na sociedade. Confiram:

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O que as marcas e a propaganda precisam saber sobre a mulher contemporânea?

*Paulo Al-Assal

Haja fôlego para sermos tudo o que a família, o mercado e a sociedade exigem de nós, as mulheres contemporâneas. E tudo isso sem descer do saldo, descuidar da make e manter o corpão, ufaaa!!

Quando questionadas sobre qual é a principal característica do homem ideal, uma parcela considerável de mulheres vai responder à queima-roupa que é a capacidade de fazê-las rir. Se esse é um trunfo essencial para a conquista, por que ao abordar as consumidoras as marcas deixam de fora o bom humor? E que tipo de humor é valorizado pela mulher contemporânea? Uma outra questão pertinente é por que as marcas optam por descrevê-la como um ser múltiplo – a supermulher. Não que eu esteja duvidando da capacidade feminina de desempenhar inúmeros papéis, mas questiono se é por essa característica que gostariam de ser retratadas. Em uma verdadeira cruzada para por à prova esse conhecimento empírico, analisei uma série de pesquisas comportamentais, conduzidas pela Voltage, com mulheres com idade entre 20 anos e 40 anos, das classes A, B e C.

As pesquisas mostram que no imaginário contemporâneo feminino, a conquista da realização pessoal é decorrente de uma vida profissional, familiar e sexual prazerosa, ou seja, um projeto difícil de se concretizar. A decisão de não abrir mão dos papéis “convencionais” – mãe e administradora do lar perfeita – criou um padrão emergente caracterizado pela ampliação das responsabilidades femininas. Os constantes questionamentos familiares, que colocam em xeque a atuação da mulher nos diferentes papéis, são fatores de estresse e desgaste para as mães-profissionais. Ou seja, para a mulher contemporânea o padrão de excelência é tão inatingível que o rótulo de supermulher soa falso, algo distante da realidade.

A análise do significado da maternidade na vida da mulher contemporânea; os desafios, os desejos, as preocupações cotidianas e a relação com as marcas nos fornecem elementos significativos para entender a mulher contemporânea. Quando passamos a entender o modo feminino singular de se relacionar com as marcas – levando em consideração os critérios racionais e emocionais para a escolha dos produtos – concluímos que há discrepância entre a mulher real e a retratada pela publicidade. Parece redundante, mas tornar-se mãe constitui uma nova condição ôntica que, na percepção feminina, transforma completamente a vida e o perfil de consumo. Ser mãe implica em um senso de responsabilidade instintivo; a responsabilidade pelo hoje e amanhã dos filhos. Os sonhos e preocupações passam a ser ligados à família e aos filhos.

Uma tendência identificada nas pesquisas da Voltage é que as mulheres têm buscado adaptar as atividades profissionais à rotina familiar com horários e atribuições profissionais mais flexíveis; essas mulheres têm buscado o que acreditam ser a essência da feminilidade por meio da convivência mais estreita com os filhos. Há, inclusive, as que optaram por se dedicar integralmente aos filhos  durante determinado período, e que transformaram as casas em suas próprias empresas. Nelas é fácil identificar o passado corporativo, pois usam termos como “gerenciamento” e “metas” para falar sobre a lida cotidiana. Entre as que continuam em dupla jornada, a reclamação recorrente é a falta de tempo para cuidados pessoais: manicure, depilação, academia etc. Hoje, essas atividades são “encaixadas” no horário do almoço.

No tocante aos cuidados com a alimentação, a escolha da mulher contemporânea abarca os alimentos funcionais – produtos com benefícios nutricionais. Os produtos enriquecidos ganham status de auxiliar no desenvolvimento das crianças. Embora o consumo de orgânicos não seja cotidiano, esses alimentos são os mais admirados pelas consumidoras-mães por tudo que representam. Em suma, a maternidade altera drasticamente a alimentação e as escolhas de consumo. A mulher passa a ter refeições similares às dos filhos; uma forma de “dar exemplo” às crianças. Em contrapartida, se dá ao luxo de consumir itens que não considera adequados para os filhos como refrigerantes e doces.

As linhas light e diet, impróprias para crianças, entram na dieta feminina como instrumento para manter a forma, em um momento que o tempo para exercícios é escasso. Nesse universo, entre as marcas mais citadas estão Nestlé, Parmalat, Sadia, Batavo e Danone. A preferência do marido e dos filhos passa a fazer parte do dia a dia dessa consumidora. Na hora da compra, prioriza alimentos que parecem saudáveis, gostosos e com embalagens capazes de atrair as crianças. A data de validade e a procedência dos produtos passam a integrar o cotidiano, assim como conceitos gordura trans e calorias. A decepção com determinadas marcas leva muitas mulheres a um rompimento definitivo, sem piedade.

Como são mais intuitivas e detalhistas, a emoção detectada em campanhas faz com que lembrem mais de determinadas marcas. Entretanto, na visão da mulher contemporânea, a seriedade que impera nas abordagens das marcas pode ceder lugar ao humor elegante. Lembra da história do namorado bem-humorado? Pois é aqui que o conceito se encaixa.

*Paulo Al-Assal é fundador e diretor-geral da Voltage – agência de tendências e insights aplicáveis ao negócio, pioneira no Brasil na pesquisa e mapeamento do comportamento humano –. Formado em Administração de Empresas e Economia pela Colorado State University, possui pós-graduação em Marketing (Colorado State University) e em Marketing de Entretenimento e Branding (New York University).

**O texto foi encaminhado ao blog, via email, pela assessoria de comunicação da Voltage.

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Especial Semana da Mulher: A beleza de ser feminina

O terceiro artigo selecionado para o especial Semana da Mulher é de autoria da psicóloga Manuela Melo, missionária da Canção Nova. Ela faz uma reflexão sobre a feminilidade e o que considera distorções de compreensão do verdadeiro significado da luta do movimento feminista. A série foi iniciada no domingo, dia 07, e se estende até o próximo sábado, 13. Acompanhem!

A beleza de ser feminina

*Manuela Melo

O nascimento de Vênus

O Dia da Mulher é propício para refletir sobre a participação feminina na sociedade. Não são recentes as discussões dos que defendem o feminismo ou mesmo a superioridade das mulheres aos homens. O movimento feminista proporcionou importantes contribuições para nós, mulheres; trouxe reflexões à sociedade como um todo e promoveu a compreensão de que homens e mulheres são iguais no que diz respeito às oportunidades de desenvolverem plenamente suas potencialidades. No entanto, com o passar do tempo, uma compreensão equivocada da luta pela valorização da mulher motivou a “competição”, uma disputa pela igualdade plena entre homens e mulheres. Com isto, corremos o risco de perder uma pérola preciosa: a diferença e a complementaridade entre homens e mulheres que pensam, agem e se expressam de formas diferentes.

A luta pela igualdade é vã, tira de nós mulheres a dignidade, o valor e a essência própria do ser mulher, fazendo com que se busque atingir padrões sociais, que muitas vezes não refletem a natureza feminina. Para o precursor da logoterapia, Victor Frankl, a existência humana é algo único e irrepetível. Ele explica que cada pessoa tem o “caráter de algo único”. É necessária a compreensão de que homens e mulheres têm valor e dignidade próprios pelo simples fato de terem sido criados à imagem e semelhança de Deus.

A mulher tem particularidades no modo de se relacionar, de agir, de lidar com os outros, de cuidar dos que ama. E por que então tentar anulá-las ao querer igualar-se ao homem? A mulher tem reações hormonais únicas, que são belas e que não podem ser desprezadas.

Outra questão que deve ser analisada é o da beleza feminina confundida com sensualidade. É fato que todo ser humano traz dentro de si um impulso natural para o prazer. A sensualidade gera na mulher uma elevação da autoestima. Por outro lado, o comportamento sensual de uma mulher pode banalizar a sexualidade e fomentar um ramo da indústria que tem compromisso apenas com o lucro e, que muitas vezes, desvaloriza a mulher,  transformando-a em algo essencialmente externo, corporal, físico, colocando de lado a essência da alma feminina.

É certo que as qualidades físicas são as primeiras a chamarem a atenção, mas não se pode esquecer que o verdadeiro valor da pessoa está no seu “caráter de algo único”, por isso uma acentuação excessiva na beleza física pode desvalorizar a pessoa na sua essência. Cuidar do próprio corpo, da aparência é saudável, no entanto, não se pode esquecer que a verdadeira beleza vem do transbordamento do interior.

Porque, então, desvalorizar a essência feminina, algo que transcende o que é externo, que é belo e criado por Deus? Uma beleza que dispensa a apelação de saias curtas e decotes, ao exagero na valorização da dimensão física da mulher.

É preciso deixar acontecer o transbordamento do interior para que apareça a verdadeira beleza da mulher. Beleza que está na sua essência, na alma feminina, afetuosa, cuidadosa, terna, sem deixar de ser firme, batalhadora. Esta beleza se reflete no exterior, no físico, no brilho do olhar, no sorriso, no jeito de andar, de se vestir, de falar, de amar.

*Manuela Melo é missionária da Comunidade Canção Nova, formada em Psicologia, com especialização em Logoterapia e MBA em Gestão de Recursos Humanos.

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Mulheres e Compras: O segredo dos quatro “Ps” do consumo feminino

O Conversa de Menina recebeu mais artigos interessantes em alusão a Semana da Mulher. Como boa parte do material refere-se ao tema mulheres e consumo, criamos uma nova série de quatro textos sobre o assunto. Agora, além de acompanhar o Especial Semana da Mulher, até sábado, dia 13 (aguardem o terceiro artigo mais tarde), os interessados em entender essa relação “misteriosa” entre as meninas e as compras, poderão seguir também a série Mulheres e Compras. E o primeiro texto é de Stella Kochen Susskind, que reflete sobre os estereótipos atribuídos às mulheres, como o que diz que para curar uma depressão, por exemplo, lançamos mão da “comproterapia”. Confiram:

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Mulher & Compras: O segredo dos quatro “Ps” do consumo feminino

* Stella Kochen Susskind

Mulheres sempre encontram prazer em comprar; elas adoram a “comproterapia”! Será que essa máxima, repetida à exaustão pelos homens, tem algum fundo de verdade? A experiência profissional e emocional, coordenando um exército de clientes secretos no Brasil e no exterior, ensinou-me que as consumidoras, sobretudo as brasileiras, têm um conjunto de características que ultrapassam as fronteiras dos esteriótipos apregoados. Em pesquisa recente com mulheres de 35 anos a 60 anos, realizada pela Shopper Experience, colocamos em debate os motivos que determinam a compra. Embora o emocional seja extremamente relevante no consumo feminino, o elemento determinante é a presença dos quatro “Ps” – paquera, pesquisa, pechincha e prazer.

A paquera é aquele espaço no qual a sedução que o produto exerce sobre a mulher envolve elementos como apresentação da loja, abordagem de venda e adrenalina da novidade. Na pesquisa, a mulher se certifica do custo-benefício do produto; questiona se a paquera tem potencial para se tornar “algo mais”. A pechincha é o momento em que põe em xeque o “valor”, a qualidade de uma relação embrionária… No prazer, a conclusão de um ritual sedutor que envolve emoções complexas e extremamente femininas. Embora o emocional esteja presente em cada um dos “Ps”, há muito do racional em cada etapa.

Em todas as pesquisas, um axioma impera – o atendimento de excelência determina e direciona uma venda de qualidade, peça-chave para a construção de uma relação duradoura entre consumidoras e marcas. As mulheres já equivalem a 51% da população brasileira, além de influenciar e inspirar o consumo masculino. E como nada indica que o contrário seja pertinente, é essencial para o sucesso do negócio entender quais são os elementos que compõem o que as mulheres associam a um bom atendimento. É nesse contexto que entra um quinto P – o pré-atendimento.

As mulheres que participaram da pesquisa não economizaram elogios ao pré-atendimento, ou seja, aos vendedores que se apresentam com cortesia, colocando-se à disposição para ajudar. A partir dessa apresentação simples e eficaz, esse profissional cede espaço para a “paquera”, para aquele primeiro “P” que desencadeará todo o encantamento que envolve uma experiência de compra perfeita; uma experiência que envolve conquista, prazer, alegria, surpresa…

Mais do que tudo, é preciso abrir mão da lógica cartesiana para entender que o aspiracional feminino pode ser objetivo e prático, sem perder a emoção que permeia cada etapa da compra. Essa é a singularidade feminina, mostrando que o prazer não é inerente a ou um atributo de todo tipo de compra. As mulheres são mais elaboradas do que essa visão simplista. Saiba que a mulher que está paquerando a vitrine pode desistir desse “namoro” a qualquer momento se associar o atendimento ao descaso do objeto de desejo. As mulheres sabem que as paixões são efêmeras…

*Stella Kochen Susskind preside a Shopper Experience, empresa de pesquisa especializada em hábitos de consumo

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Especial Semana da Mulher: Sexo frágil e a Aids

Em 2010 o Dia Internacional da Mulher é um pouco mais especial porque a data completa 100 anos de sua criação. Não vou comentar a importância deste dia para as lutas femininas, pois já escrevi sobre isso no ano passado, no post “Por que existe Dia Internacional da Mulher?”. E também porque acredito, sinceramente, que quem questiona essa data não tem ideia do que seja história, preservação da memória, herança cultural e muito menos o que significa ser mulher nos dias de hoje ou no passado, quando a opressão machista sobre as nossas avós era muito maior. Este ano, ao invés de filosofar, reuni alguns artigos que foram enviados ao blog por especialistas de áreas diversas, – todos com autorização para publicação – que refletem sobre saúde, mercado de trabalho e comportamento das mulheres. A partir deste domingo e até o final da Semana da Mulher, cada dia publicarei um dos textos, assim, teremos muito material para reflexão e talvez desta forma, não seja mais preciso questionar a existência do 8 de Março. Espero que gostem!

E para começar a série, abaixo publico o artigo assinado por Maria Helena Vilela, do Instituto Kaplan. Confiram:

Centenário do Dia Internacional da Mulher – Sexo frágil e a Aids

*Maria Helena Vilela

As mulheres lutaram por seus direitos sexuais, pelo direito de estudar, desenvolver uma carreira profissional e conquistar sua autonomia econômica e pessoal. Não era assim até a época de minha mãe! D. Lenita, mesmo sendo uma mulher muito estudiosa, foi impedida de realizar seu sonho profissional – ser médica – porque, em Maceió, onde ela morava, ainda não havia faculdade de medicina. Para poder estudar, ela teria que ir para Salvador, e isso nem pensar! A moça só podia sair de casa, se fosse para casar. Estudar, formar-se, ganhar dinheiro e fazer escolhas era coisa de homem. Mulher tinha que ser dependente, submissa, inocente, e confiar no homem acima de qualquer coisa.

Hoje, a garota pode decidir sobre a sua vida e realizar seus sonhos. O mundo mudou bastante e a nossa realidade é outra, muito distante daquela que D. Lenita viveu. Mas, quando a questão é amor e sexo, a menina volta no tempo, e ainda se comporta submissa aos desejos do namorado e dependente da iniciativa dele para decidir, literalmente, sobre a sua vida – usar ou não a camisinha. É isto que se pode deduzir do crescente aumento da Aids nas jovens e das pesquisas que mostram a dificuldade de a garota negociar o uso da camisinha por medo de perder o namorado ou por medo de ser julgada “galinha”. Há meninas que não usam preservativo em nome do amor pelo namorado, acreditando que “quem ama confia”. Tais comportamentos fazem da mulher o verdadeiro sexo frágil.

Fragilidade – A infecção pelo HIV se dá pelo contato direto com o sangue, o sêmen e as secreções vaginais, e isto pode acontecer no sexo oral, mas principalmente, na relação vaginal e no sexo anal. O ânus e a vagina são órgãos muito vascularizados, revestidos por um tecido delgado chamado de mucosa. Na relação sexual, especialmente durante a penetração, o pênis provoca atrito na vagina ou no ânus, mesmo que a garota esteja lubrificada. Este atrito, por sua vez, causa micro-fissuras (aberturas muito pequeninas) nas paredes das mucosas, aumentando o risco de que o HIV presente no esperma entre na corrente sangüínea.

Além disso, a mulher é mais vulnerável à Aids, porque a menstruação aumenta o risco de contaminação. Quando a mulher está menstruada, o útero fica completamente desprotegido e exposto ao HIV, por causa da descamação de sua parede, característica da menstruação. Fazer sexo menstruada é “entregar o ouro para o bandido”, pois o vírus atinge a corrente sangüínea sem precisar fazer esforço.

Como se não bastasse tudo isso, o canal vaginal é um órgão interno, o que dificulta à mulher perceber qualquer alteração na vagina. Muitas vezes, ela só descobre que tem uma infecção, ou mesmo uma DST,  se consultar um ginecologista, ou quando a doença já está bastante adiantada. Uma infecção agrava ainda mais a fragilidade da parede vaginal, aumentado a vulnerabilidade da mulher à Aids.

Meninas, fiquem espertas! Se existe sexo frágil, estes são o sexo anal e o vaginal, quando o assunto é Aids. Portanto, alguns cuidados são fundamentais:

– Usar camisinha em todas as relações sexuais;
– Fazer a higiene da vulva com água e sabonete, pelo menos uma vez por dia;
– Não ter relação sexual desprotegida, enquanto estiver menstruada;
– Consultar o ginecologista pelo menos uma vez no ano, mesmo que não esteja sentindo nada.

Meninas, sejam donas de seu corpo! Estejam atentas ao que seu corpo precisa e fiquem fora desta estatística da Aids. Quem se ama, se cuida!

*Maria Helena Vilela é diretora do Instituto Kaplan de Sexualidade Humana

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Homem de Palavra: nova sessão

Inauguramos nesta sexta-feira mais uma série no blog, trata-se da Homem de Palavra, espaço que destinaremos aos meninos, para que eles escrevam artigos e comentem fatos do universo feminino e da vida em sociedade. O olhar de homens e mulheres, não importando se heteros ou homossexuais, sobre a vida, é bem diferente, porque a forma de estar e relacionar-se no mundo varia muito de pessoa para pessoa, de cada cultura, da educação recebida, de cada sexo. A ideia é mostrar um pouco do pensamento dos rapazes para quem frequenta o nosso blog. Lógico que não iremos recusar textos enviados por meninas, mas elas não terão uma sessão específica, uma vez que o blog já é feminino, ou seja, originalmente, o espaço é nosso moças! Jornalistas ou não jornalistas, amigos, conhecidos, vizinhos e até você, querido leitor, podem enviar artigos para publicação em regime colaborativo. Os interessados em participar podem enviar os textos para o nosso email: [email protected], identificando “Para a série Homem de Palavra”, que iremos avaliar o material e dar um retorno sobre a publicação. O autor, que terá seu nome ou pseudônimo no topo do artigo, poderá ainda, se essa for a sua vontade, enviar uma foto para publicarmos junto com o texto.

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Volta às aulas, as tartarugas estão à solta

Ainda em clima de volta às aulas – meu filhote encara seu primeiro dia de 6ªsérie/ 7ºano nesta segunda, dia 08 -, separei para publicação hoje no blog um artigo do ortopedista Fábio Ravaglia, que quem é leitor assíduo do Conversa já sabe que sempre recebemos ótimo material deste profissional. A mira do médico agora se volta para o peso das mochilas da criançada e eu vejo cada “tartaruguinha” encolhida nas ruas que dá até pena. Chamo de tartaruga porque eles – os estudantes – ficam mesmo parecendo uns quelônios urbanos, com aquelas mochilas gigantes e abarrotadas de livros nas costas, como se fossem cascos coloridos e muito, mas muito pesados mesmo. O problema todo é que carregar esse peso quando o corpo ainda está em processo de formação faz um mal danado para a coluna. Na minha vida de repórter de rua – ai saudades! – fiz muita pauta de volta às aulas e uma das matérias que não faltam nos jornais nesta época do ano, podem reparar, é aquela sobre o peso das mochilas. A escola do meu filho colocou armários para os estudantes guardarem seu material, como a gente vê nos filmes. Mas, como saúde é um tema em cuja tecla sempre temos de bater, mesmo que pareça chato e repetitivo, confiram o artigo:

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Tamanho da mochila deve ser proporcional ao do estudante

*Dr. Fabio Ravaglia

Mochila de campanha, equipamento essencial aos soldados

Pelos séculos, as mochilas adotaram diferentes formas e tamanhos. Há registros de que na Idade do Cobre o homem já utilizava uma bolsa rudimentar nas costas e ficava com as mãos livres para escalar montanhas nevadas da Europa. Há informações também de que, antes mesmo do nascimento de Cristo, as mochilas eram usadas pelas legiões romanas. Quase dois milênios mais tarde, exércitos ainda usam o equipamento tático para facilitar o cotidiano de seus pelotões. Passado o tempo, o couro e os tecidos de fibras naturais do acessório militar deram lugar a modernos materiais sintéticos e a múltiplas cores. Aprovada pelas novas gerações por sua utilidade e praticidade, desde a década de 1960, a mochila virou item de moda. A moçada quer determinados modelos e marcas para carregar daquele jeito despojado que a turma acha mais bacana. Entre as crianças, a preferência recai sobre estampas dos personagens favoritos. O ano letivo está por começar e sei que quase todos os estudantes desejam uma nova mochila para a volta às aulas.

Modismos à parte, a escolha da mochila certa é fundamental para a saúde da coluna. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que 85% das pessoas sentem dores nas costas decorrentes de problemas na coluna. E essa dor pode ter origem na infância e na adolescência, relacionada ao tamanho exagerado da mochila, à maneira como se carrega e ao excesso de peso.

A mochila inadequada pode acarretar problemas à saúde. Para enumerar apenas alguns “efeitos colaterais” de uma mochila errada, cito dores nas costas, postura incorreta e desvios na coluna vertebral. A curto prazo, a pessoa pode ter dorsalgia, que são dores sentidas nas costas que podem provir de músculos, nervos, ossos, articulações ou outras estruturas da coluna vertebral. Pode também ocorrer a dor cervical, na nuca ou no pescoço e a dor lombar baixa, próxima à cintura. Outras ocorrências possíveis são: cefaleia (dor de cabeça), dor nos ombros e dormência ou dores nos braços. A longo prazo, a pessoa pode desenvolver discopatias (patologias em discos intervertebrais, naturalmente sujeitos a desgastes) e cifoses (aumento da curvatura da coluna torácica, popularmente conhecida como corcunda).

O peso em excesso pode dar origem a danos vitalícios, sobretudo comprometer a qualidade de vida e a mobilidade futura. Os males mais comuns do excesso de peso são a cifose e a lordose (desvio para cima no final da coluna). Uma referência essencial é que o peso da mochila nunca deve ultrapassar o equivalente a 10% do peso da criança ou adolescente. O percentual determinado pela OMS é de 7%, mas arredondo para ficar mais fácil e também para o caso de surgir algo a mais para carregar.

Carregar a mochila com um ombro só traz riscos à saúde da coluna

O risco apresentado pelas mochilas não reside apenas no volume, mas na forma como são utilizadas. Um dos erros mais frequentes acontece quando o estudante coloca apenas uma das correias no ombro e sobrecarrega um só lado do corpo. A maneira correta é usar as duas alças, uma em cada ombro. Além disso, é preciso arrumar os objetos dentro da mochila de forma que os itens mais pesados estejam no fundo e próximos ao corpo. A moda sugere que as alças da mochila fiquem compridas, mas é preciso coibir essa posição. A mochila deve ser posicionada oito centímetros acima da cintura. Cabe lembrar que a questão é a saúde e não a moda!

A técnica para colocar e retirar a mochila das costas é vestir uma alça, apoiar a mochila  no quadril e depois passar o braço pela outra alça. Levantar a mochila do chão requer um esforço, então, cuidado para não sobrecarregar a coluna nem um dos braços apenas. Suspenda o peso com as duas mãos, para distribuir a carga entre os dois braços, mantendo a coluna reta e os joelhos flexionados o quanto for necessário.

No que se refere ao modelo mais adequado, para as crianças pequenas são recomendadas as mochilas com rodas grandes, que rolam melhor em qualquer terreno e são mais fáceis de puxar nas escadas.

Resumo a seguir o que é importante observar:

1. o tamanho da mochila deve ser adequado à estatura da criança, não ultrapassando os limites da cintura e dos ombros;

2. o peso da mochila vazia não deve superar um quilo;

3. as alças devem ter antichoques siliconados (enchimento interno de silicone) para maior conforto e cinta abdominal associada.

As formigas podem carregar até dez vezes o próprio peso, mas nós apenas 10%

Um outro ponto relevante é o uso racional do material escolar. Os estudantes tendem a levar material que não precisam pela preguiça de arrumar diariamente a mochila apenas com livros e cadernos correspondentes às aulas do dia. Nesse caso, a minha sugestão é que as escolas pensem no modelo americano, no qual há divisões especiais das matérias diárias ou armários para que os alunos guardem alguns materiais escolares. Além disso, o planejamento das aulas pode evitar que em um único dia da semana o aluno tenha que levar materiais de disciplinas diversas. A escola e pais ou responsáveis precisam ficar atentos para evitar que a criança carregue peso excessivo.

*Fabio Ravaglia é médico ortopedista graduado pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) e mestre em cirurgia pela Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Ele também preside o Instituto Ortopedia & Saúde, organização não-governamental que tem a missão de difundir informações sobre saúde e prevenção.

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Artigo: Passada a crise, é hora de mudar de emprego!

A dúvida pode trazer mais benefícios que a certeza. Quando duvidamos, tendemos a investigar e aprender mais. Quando temos certeza, nos fechamos para o conhecimento.

O artigo que publicamos nesta quinta foi escrito por Stefi Maerker, autora do livro Mulheres de Sucesso – Os segredos das mulheres que fizeram história. Embora o tom seja bem motivacional, não chega a lembrar as dinâmicas de grupo de RH, que algumas pessoas detestam. Também já tive o pé atrás com esse tipo de coisa, mas atualmente, revejo minha postura. Boa parte desse trabalho dos consultores de recursos humanos mexe com auto-estima e auto-confiança, cujas raízes estão na psicologia. Não recomendo a ninguém que se torne dependente de publicações que trazem fórmulas prontas para o sucesso, mas quem é que não gosta de ler sobre pessoas bem sucedidas? Embora condene a cultura norte-americana de loosers x winners (perdedores x vencedores), por acreditar que é excludente e desmotivadora, cada vez mais compreendo que atitude é importante, principalmente pensar positivo. Parece chavão, mas não é. No mínimo, manter a confiança ajuda a espantar o monstro da depressão. Tenho consciência de que muitas empresas aplicam estes conhecimentos de RH de forma negativa, até opressiva. Ao invés de motivar, pressionam ao limite, gerando estresse, frustração e uma geração de cardiopatas, pois levam o profissional a pensar que ele é o culpado por todos os fracassos, embora raras vezes reconheça a sua atuação nos sucessos da companhia. Mas, os conselhos de Stefi, longe de parecerem fórmulas mágicas, antes nos levam a pensar no que realmente queremos da vida e mais, no que fazemos para alcançar esses objetivos. Ninguém precisa ter como meta de vida ganhar o primeiro milhão aos 25, mas, mesmo que a sua felicidade esteja em vender coco na barraquinha da praia mais paradisíaca da sua cidade,  pegando um bronze de preferência, é preciso fazer isso com convicção e com a certeza de que mudar de caminho (seja na barraquinha ou na fábrica de doentes cardíacos) não depende necessariamente do chefe “bonzinho” ou “carrasco”, mas de nós mesmos. Sempre, em todas as circunstâncias da vida, temos escolha, nem que seja para dizer apenas: “Isso aqui eu não quero para a minha vida”. O grande problema é que, tal qual as companhias que culpam seus empregados pelos fiascos, quando elas mesmas não cumprem sua parte do trato, nós também temos de aprender a lidar com as consequências das nossas escolhas.

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PASSADA A CRISE, É HORA DE MUDAR DE EMPREGO!

* Stefi Maerker

As mudanças que ocorrem no mercado de trabalho nos ensinam a ver a vida sob uma nova perspectiva. Quando o mundo inteiro enfrentou uma forte crise financeira, quem estava incerto sobre sua carreira profissional achou melhor não arriscar; quem estava infeliz, aprendeu a gostar do seu trabalho até que a maré melhorasse. Empresas reduziram quadros e custos. Agora é hora de investir! Enxutas e com foco redirecionado, as empresas entraram em 2010 com fôlego e energia para recrutar novos colaboradores e retomar seu crescimento!

Neste momento, o mercado está bastante competitivo mas, ao mesmo tempo, oferece grande oferta de empregos. Com um importante detalhe: espera-se muito mais deste profissional.

Quais são as habilidades e as competências que deve ter o colaborador que hoje é procurado pelas empresas?

Flexibilidade: para saber lidar com mudanças rápidas e repentinas e para aceitar a volatilidade do mercado e a incerteza da rotina

Coragem: para arriscar, apesar de não existirem respostas prontas

Resiliência: para encarar uma rotina de imprevistos, pressão e obstáculos e saber superá-los, mantendo sua essência e equilíbrio

Otimismo e Equilíbrio Emocional: ter a habilidade de se manter motivado e encarar a rotina de forma positiva, transformando pequenos problemas em grandes soluções

Criatividade: para pensar diferente, encantar com novas soluções e contribuir com o ambiente de trabalho

Comprometimento: vontade de fazer a diferença e se envolver com o trabalho que faz – vale lembrar que este envolvimento vem de dentro, e não deve ser ligado apenas ao salário

Capacidade de Aprendizagem: para buscar auto-conhecimento e aprendizado, crescendo sempre

Visão Generalista e Função de Especialista: é bom conhecer um pouco sobre tudo, pois ter informação é um diferencial desde que exista foco

Quais são os principais erros que devem ser evitados durante a busca por um emprego?

Buscar um emprego, e não um trabalho
O profissional não deve apenas procurar uma função onde possa ganhar dinheiro, mas sim uma empresa para onde ele terá orgulho de levar seu talento e onde tenha prazer e crescimento na função. Caso contrário, ele estará frustrado e procurando emprego novamente dentro de um curto espaço de tempo.

Falta de networking
Enviar currículo por e-mail não é a única forma de procurar emprego. Encontre as pessoas, crie e fortaleça os vínculos já existentes, participe de eventos, circule e seja notado.

Desânimo
A fase é difícil e de grande ansiedade, por isso procure algumas válvulas de escape e faça atividades nas quais sente prazer, como ginástica, leitura, cinema ou qualquer outro hobby, e que poderão ajudá-lo a se manter resiliente.

Despreparo
Ao fazer contatos, tenha clareza do que gosta, do que quer fazer e de como pode contribuir. Tenha suas experiências, habilidades e competências na ponta da língua!

Mais do que tudo, estamos vivendo a fase de paixão pelo que se faz. O trabalho deixa de ser um castigo e passa a ser um foco de satisfação. Quem não tiver esta visão está buscando um emprego, o que é muito difícil hoje em dia. Empregos não há muitos, mas oportunidades, sim! Para quem quer desafios, para quem pensa fora da caixa e para quem quer arriscar sabendo que vai chegar lá, várias oportunidades existem!

O profissional deve rever seus próprios conceitos e escolher suas prioridades. O que é mais importante: ser feliz ou ter razão? Cabe a cada um de nós escolher – se for ter razão, fazer apenas um bom trabalho, qualquer coisa serve, mas se for para ser feliz e realizado em busca de um objetivo que terá significado para sua vida profissional e pessoal, então, vale a pena arriscar. O resto é conseqüência!

* Stefi Maerker é diretora-presidente da SEC Talentos Humanos e é também autora dos livros Secretária – Uma parceira de sucesso e Mulheres de Sucesso – Os segredos das mulheres que fizeram história.

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