Artigo: A inveja corrói corações

Primeiro, um pedido de desculpas pelos dois dias sem postagens, mas enfrentamos um probleminha técnico, já resolvido. Agora, para retomar a atividade, um artigo escrito pelo Dado Moura, da Canção Nova, sobre a inveja e outros sentimentos negativos.  Esta semana andei refletindo sobre intransigência e confiança (relembre aqui). O texto de Dado veio em boa hora, pois complementa minhas reflexões pessoais a respeito do que chamo de sentimentos pequenos (mesquinhos) e o contraste com o grande e verdadeiro sentir, que tem base no amor (não apenas aquele de casal, mas o amor enquanto sentimento pleno, que pode ser demonstrado em gestos grandiosos ou prosaicos).  Confiram o texto, vale muito a pena!

A inveja corrói corações

* Dado Moura

Cena do filme Otelo, baseado em história homônima de William Shakespeare. Na cena, Kenneth Branagh encarna o pérfido Iago, que por pura inveja do sucesso de seu comandante, incita Otelo a matar a esposa Desdêmona, ao insinuar que ela estaria traindo o marido

Todos os dias fazemos uma nova experiência no que se refere a relacionamentos nas mais diversas esferas da nossa vida. Infelizmente, em muitos desses momentos acabamos por experimentar situações de desconfiança, raiva, ingratidão e ciúme. É natural, somos seres humanos e essas emoções fazem parte da nossa natureza. Mas, de todas as emoções negativas, talvez a mais tóxica seja a inveja. Similar ao ciúme, esse mal pode se instalar em todas as relações, sejam elas familiares, comerciais ou sociais.

Inveja é um sentimento traiçoeiro. Muitas pessoas acreditam que não são capazes de cobiçar até serem defrontadas por situações novas e incômodas, como por exemplo, o sucesso profissional alheio. Um fato que deveria ser comemorado por todos, passa a se tornar motivo de discórdia e tribulação para muitos que convivem naquele ambiente. O que as pessoas deveriam entender é que ninguém é melhor do que ninguém. Somos todos diferentes e complementares. Cada um tem seu espaço na sociedade. Não precisamos ter subordinados para nos sentirmos superiores.

A manifestação da inveja muitas vezes pode se confundir com um outro sentimento que também provoca instabilidade dentro das relações: o ciúme. São sentimentos muito próximos, contudo, o ciúme acontece quando nos preocupamos em perder aquilo que temos, seja o amor de uma pessoa, um bem ou uma posição social. No caso da inveja, a pessoa cobiça o objeto de conquista do amigo, do irmão, do vizinho… E nem sempre essa avidez pode significar cobiça por um bem material. Às vezes, esse sentimento se manifesta quando o invejoso percebe a maneira como alguém se veste, as amizades que determinada pessoa possa ter, a qualidade do entrosamento entre um casal ou a harmonia dentro de uma família.

O sentimento de inveja incomoda e corrói a autoestima da pessoa que o carrega. Quem tem inveja acredita que as coisas na vida do outro acontecem com maior facilidade. E por não conseguir alcançar seus objetivos ou ser reconhecido em uma área em que o colega foi bem sucedido, a pessoa invejosa se recusa a celebrar sinceramente a conquista do outro; não consegue partilhar verdadeiramente suas vitórias sem ocultar o seu desdém.

Dica de leitura: O jornalista Zuenir Ventura é autor do livro Mal Secreto, sobre a inveja. A obra integra a coleção Plenos Pecados, da editora Objetiva. Média de preço: R$ 32,90 (americanas.com). Disponível também em áudio-livro

O invejoso terá sempre alguma coisa para contradizer o colega bem-sucedido na intenção de desviar o foco da conversa ou ofuscar sua imagem com comentários que tentam tirar sua credibilidade. Como pecado capital, essa fraqueza se desdobra em outros sentimentos negativos e se multiplica em manifestações de ingratidão, raiva e destrato a alguém que nada lhe fez, nem lhe causou prejuízo algum.

Na verdade, a inveja é o resultado da falta de empenho de alguém na realização de suas próprias metas e da sua pouca consciência sobre seu valor pessoal. Como todos os outros sentimentos daninhos, se não buscarmos a correção para esse mal, podemos colocar a perder relacionamentos valorosos. Todo mau sentimento germina onde a semente do amor não foi cultivada. Então, para erradicar sentimentos nocivos, devemos nos aplicar em amar concretamente as pessoas ao nosso redor. A vivência do amor no dia-a-dia é capaz de temperar nossos laços com virtudes como a paciência, o respeito, a temperança, a generosidade. Quem ama se faz um com aqueles que se rejubilam e solidário com os que sofrem.

*Dado Moura é webwriting do portal Canção Nova (www.cancaonova.com)

Siga-o no Twitter: www.twitter.com/dadomoura

**Material enviado ao blog pela Canção Nova e publicado mediante autorização do autor

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Reflexões sobre a intransigência e as pequenas mesquinharias

*Texto e reflexões de Andreia Santana

Intransigência é a incapacidade de reconhecer um erro ou aceitar uma opinião divergente. Ao longo da vida, vez por outra, nos deparamos com pessoas intransigentes. Não que elas sejam obrigadas a aceitar nosso modo de ver a vida, mas mesmo que as suas opiniões não mudem por nossa causa (seria pretensão da nossa parte e pretensão também é defeito), ao menos que elas sejam capazes de reconhecer esse outro lado, outra forma de fazer, que aceite e que respeite. Infelizmente, não é o que acontece e na maioria dos casos, os intransigentes, os que nunca admitem ou reconhecem estar errados, são justamente os que praticam os pequenos atos mesquinhos do título do post.

Julgar alguém mesquinho pode parecer injusto e há os que sequer admitam que devamos julgar os outros. Mas, me pergunto, como saber em quem confiar se você não julga – no sentido de avaliar e não de apontar o dedo – o caráter das pessoas? Já defendi uma vez aqui mesmo no blog que julgar (avaliar), todos julgamos sempre, desde o tipo de dieta que vamos adotar até se determinada pessoa é alguém com quem vale a pena construir um relacionamento, seja a dois ou uma amizade. O que não temos o direito é de condenar, de ser intransigentes e de não tentar ao menos entender os motivos pelos quais as pessoas fazem determinadas coisas, tomam certas atitudes. Mesmo quando não concordamos com a atitude, temos ao menos de tentar entender.

No final, o que está em jogo é saber se queremos manter-nos fieis a alguém que na primeira dificuldade age como uma porta fechada ou um muro de pedra, de forma intransigente e incapaz de doar-se, de fazer a sua parte. E aí, o não condenar não significa que sejamos ingênuos e portanto, alvos fáceis para os pequenos – e os grandes – atos de mesquinharia que os intransigentes geralmente praticam. O não condenar significa apenas: “não concordo com você, aceito que você tem a sua forma de ver e fazer as coisas, mas eu não quero tomar parte nisso”. Afastarmo-nos de intransigentes e mesquinhos, ao meu ver, é muito mais nobre e saudável do que praticar a vingança e dar o troco (esse sim, ato dos mais vis e mesquinhos).

O raciocínio pode parecer meio confuso, mas é bem simples e gira em torno de uma única palavra, que por sua vez traduz um único sentimento, que por sua vez é a base de qualquer relacionamento humano: confiança. Vira e mexe estou falando nela por aqui, vai ver é porque já sofri algumas decepções ao longo da vida e, ao contrário do que muita gente pensa, quanto mais decepções sofremos com determinadas pessoas, mas a confiança naquelas que valem a pena aumenta. É uma forma de compensação. Ao ser traídos em um relacionamento, tendemos a nos jogar de cabeça no relacionamento seguinte, justamente por acreditar que dessa vez vai ser diferente. Confiança não faz rima com esperança apenas por capricho da gramática.

Isso vale também para as amizades. Quando sofremos uma decepção com alguém que trouxemos para nosso círculo íntimo, tendemos a nos curar da ferida ao lado daqueles outros amigos que temos a certeza plena, como a de respirar todos os dias, que são de extrema, máxima, ilimitada e incondicional confiança.

Esses amigos para todas as horas agem como os fãs daquele cantor da banda de rock. No palco, o cantor precisa ter uma confiança cega de que ao se jogar do palco para a plateia, de costas e de olhos fechados, seus fãs fieis vão ampará-lo e não deixá-lo estatelar-se no chão. É o que a psicologia chama de confiança básica, porque é a primordial, a que agrega o animal humano em bandos grandes como a sociedade e pequenos como a família. E a não ser nos casos de violência extrema e total retirada do alicerce desde a mais tenra infância, todos desenvolvemos o mínimo de confiança básica para permiter a vida possível e, lógico, agradável.

Nos dias de hoje não é fácil confiar como o cantor da banda de rock. As relações são fugazes e sem profundidade. As pessoas usam umas as outras sem remorsos, da mesma forma que costumam usar uma peça de roupa até gastar e depois, jogá-la fora e comprar outra. Daí para atitudes intransigentes e atos mesquinhos em quem menos esperamos é um pulo. Por ambição, as pessoas sacrificam amizades, sacrificam o próprio nome e o de outros, tornam a ética algo tão maleável e flexível, que deixa de ser ética. Reconhecemos esse tipo de pessoa de diversas formas ao longo da vida – e elas tanto podem estar dentro ou fora da família -, mas na construção de uma parceria que envolve por exemplo, benefícios como prestígio e dinheiro é que se revelam de imediato.

Mas, embora lamente essa perda da confiança básica de forma generalizada na humanidade, ainda acredito nas pessoas que valem a pena. Elas são raras, mas existem. Uma vez, inclusive, numa entrevista para o escritor e jornalista americano Norman Mailer, Sigmund Freud, ao ser questionado sobre o que o faria realmente feliz, respondeu que o que esperava era que em toda a sua vida fosse capaz de encontrar uma única pessoa que o compreendesse e a quem ele pudesse chamar de amigo, no sentido irrestrito da palavra.

Amigos assim como Freud descreve são raríssimos, quase milagrosos, mas existem. Pessoalmente, tenho pouquíssimos desses, mas eles são do tipo que, tenho certeza como a de respirar todos os dias, vão me amparar se eu me jogar do palco de costas e com os olhos fechados.

*Andreia Santana, 37 anos, jornalista, natural de Salvador e aspirante a escritora. Fundou o blog Conversa de Menina em dezembro de 2008, junto com Alane Virgínia, e deixou o projeto em 20/09/2011, para dedicar-se aos projetos pessoais em literatura.

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Artigo: Namoro virtual? É real?

Uma data como  a deste sábado, Dia dos Namorados, sensibiliza para a reflexão. Para ajudar que quer pensar no tema “os relacionamentos na contemporaneidade”, publico aqui no blog – com a devida autorização – o excelente artigo de Cristina Romualdo, psicóloga e integrante da equipe do Instituto Kaplan, entidade que atua em prol da capacitação de professores para tratar o tema sexualidade e também no atendimento aos jovens. De forma muito lúcida e didática, a autora analisa o comportamento sexual humano ao longo dos últimos 60 anos e traça paralelos entre os avanços tecnológicos e as mudanças nas formas de interação entre as pessoas. Texto mais que recomendado!

Namoro virtual? É real?

*Cristina Romualdo

Com a chegada do dia dos namorados é natural que temas envolvendo os relacionamentos afetivos venham à tona, seja entre as pessoas, comemorando tal data ou lamentando-se não ter motivo para comemorações; seja pela maior movimentação comercial que gera ou por sua ampla divulgação na mídia. Diante deste quadro, a proposta da equipe de profissionais do Instituto Kaplan é escrever uma série de artigos sobre a evolução dos relacionamentos nos últimos 30 anos.

Para tanto cabe uma breve contextualização histórica. A pós-modernidade marca uma fase de muitas mudanças ocorridas na sociedade a partir da década de 50, notadamente os avanços científicos e tecnológicos, produzindo-se cada vez mais e mais rápido, com o objetivo de facilitar a vida das pessoas.

Na era da informática, codifica-se e manipula-se o conhecimento e a informação, que invadem o cotidiano com uma infinidade de serviços a serem consumidos, descartando a necessidade do experimento físico. O que nos leva a lidar mais com dígitos e signos do que com coisas concretas.  Já parou para pensar que o dinheiro que você tem no banco não passa de números em seu extrato bancário?

Nasce, assim, a realidade virtual, nossa atual realidade social. Se nosso dia a dia muda, obviamente que nossa sexualidade também sofre mudanças. A medicina permitiu o sexo sem procriação e a procriação sem sexo, possibilitando à mulher o domínio sobre seu corpo, conferindo-lhe o direito ao prazer sem o ônus de uma gravidez não planejada e colocando-a em igualdade com o homem, ao torná-la livre para projetar seu próprio futuro.

Beleza Roubada, delicado filme sobre o primeiro amor

Na década de 80, o advento da AIDS nos leva a um novo olhar sobre a sexualidade. Incrementam-se pesquisas e estudos sobre o comportamento sexual, novos conceitos ganham popularidade: sexo seguro, vulnerabilidade, parceria de risco. A camisinha vira a grande protagonista das campanhas publicitárias. Revela-se a realidade do sexo com múltiplos parceiros e da estabilidade dos relacionamentos homossexuais.

Interessante observar que neste pequeno intervalo de 30 anos, da década de 60 para o final dos anos 80, se por um lado a mulher ganhou uma maior liberdade sexual com a contracepção, ao homem coube, em grande parte, a responsabilidade da prevenção, pois, até o momento, é o uso do preservativo masculino, a forma mais eficaz e acessível de se evitar a transmissão das DST (doenças sexualmente transmissíveis).

Neste contexto, a chegada dos anos 90 traz ao centro das atenções o papel sexual masculino. E mais uma vez se faz presente a tecnociência na manipulação da sexualidade humana. Pois agora o fantasma da impotência pode ser rapidamente afugentado com o uso da “pílula do prazer”. Se antes o homem deveria ser infalível, jamais admitir qualquer tipo de dificuldade, principalmente na esfera sexual, agora ele poderia falar de seus problemas e também buscar tratamento para os mesmos.

Nessa mesma década, em 1992, foi criado o SOSex – Serviço de Orientação Sexual,  uma das áreas de atuação do Instituto Kaplan, com o objetivo de atender pessoas que buscam esclarecimentos de questões sexuais, por meio de atendimento sigiloso e personalizado. Desde 2008 a orientação dada ao público tem sido feita através da internet, seja respondendo e-mails ou esclarecendo dúvidas através do MSN.

Em 2009 respondemos 943 e-mails e, pelo MSN, atendemos 1956 usuários, sendo que aproximadamente metade (46%) destes tinha idade inferior a 21 anos. Esse jovem público é, em sua maioria, formado por garotas (75%), e suas principais dúvidas estão relacionadas à gravidez e aos métodos contraceptivos, principalmente a pílula anticoncepcional.

Muitas vezes, nossos usuários, também pedem conselhos ou dicas para suas relações afetivas e/ou sexuais. Neste artigo, através da análise da fala de três usuários, sem qualquer identificação dos mesmos, pois garantimos o sigilo de quem nos consulta, vamos levantar alguns pontos que podem apontar para mudanças nos relacionamentos atuais ou, ao contrário, revelar que algumas atitudes persistem com o passar dos anos.

Denise está chamando, de 1995, é um filme que aborda relacionamentos virtuais. Numa época anterior à popularização da internet, do msn e das redes sociais, um grupo de amigos acompanha as vidas uns dos outros, sofrendo, alegrando-se e até começando e terminando namoros apenas pelo telefone, sem nunca interagir pessoalmente

“Estou namorando há algum tempo… e eu ainda não tive relações sexuais, e estou pensando em ter. Mas tenho um pouco de medo, em
relação à dor, queria saber se dói? algumas pessoas que falam que depois da primeira relação sexual, o corpo da mulher muda, (…)! queria saber se isso é realmente verdade”

Os sentimentos frente ao novo, a curiosidade e o medo fazem-se presente. Isso não mudou e talvez nunca mude na existência humana. A virgindade não é mais uma condição necessária, muitas meninas questionam quando e não se devem iniciar a vida sexual. Mas o que nos chama a atenção é que, apesar de todas as informações às quais os jovens têm acesso hoje em dia, há ainda dúvidas sobre temas básicos, como por exemplo, o que acontece com o próprio corpo. O que nos leva a pensar que falar sobre sexualidade é ainda algo muito difícil para as pessoas, principalmente entre pais e filhos.

“Olá, tenho 15 anos, bom não é bem uma pergunta, e sim um conselho…Tô numa situação estranha, a menina que eu gosto está namorando um rapaz só que isso pela internet (os dois nunca se viram), ela diz que gosta dele mais não sabe, ela ta meio confusa…Minha dúvida é: como posso fazer para tentar conquistá-la ?Devo chegar nela e me declarar pessoalmente ou por msn, ou sair com ela e arriscar um beijo ?”

O clássico romântico de 1980, A Lagoa Azul, conta a história de um jovem casal que descobre o amor e o sexo numa ilha deserta

Que belo exemplo de nossa realidade virtual! Nosso usuário gosta de uma garota concreta, que existe fisicamente. Mas, a mesma diz gostar de um rapaz virtual, cuja existência se dá via computador. E qual é a sua dúvida, ele permanece físico ou se torna virtual para conquistá-la! Namoro virtual? É real?

“Serviu em muito, para esclarecer minhas dúvidas, os artigos aqui do site. No entanto, ainda tem sido difícil para mim e meu namorado decidir o momento certo para ter a primeira transa. Conversamos muito sobre o assunto, (…) mas não sabemos exatamente o que estamos esperando. Talvez seja o medo, pela idade jovem demais para isso. Para mim, os principais obstáculos são meu corpo e o local para se ter a relação. Em nossas casas seria quase impossível… tudo isso é tão chato! Sinto-me mal porque temo, também, estar sendo levada pelos hormônios à flor da pele e desejar tanto ter esse momento com ele. Bom, termino mais com um pedido de conselho do que com uma pergunta. Como poderia resolver isso?”

Acho essa fala a mais emblemática dos tempos atuais, ela traz todos os conflitos que os jovens vivem no início de seu relacionamento sexual. O desejo é reconhecido e aceito naturalmente, o casal conversa sobre o mesmo, mas é o momento? E onde concretizá-lo? Ela sabe que não pode ser na casa dos pais, pois como na fala de tantas outras jovens atendidas em nosso serviço, ainda não há aceitação por parte destes. Ao contrário, muitas que já iniciaram vida sexual temem que suas mães descubram, sendo esse um dos motivos para não ir ao ginecologista, pois entendem que esta é uma forma de se exporem. Infelizmente, é aí que muitas não recebem uma orientação correta sobre os métodos contraceptivos, sobre seu corpo, sobre a primeira vez…

E aqui podemos entender o papel que a internet, ou a orientação sexual vem exercendo na atualidade. Se antes a jovem se calava em sua dúvida e esperava chegar o momento para ver o que acontecia, ou perguntava para uma amiga mais próxima, ou delegava ao parceiro a responsabilidade de lhe dar respostas, atualmente, busca a orientação de especialistas. E, sem dúvida, esperamos contribuir para que esses jovens tenham uma vida sexual mais segura, responsável, satisfatória e muito prazerosa!

*Cristina Romualdo é psicóloga, terapeuta e orientadora sexual do Instituto Kaplan: www.kaplan.org.br

**Texto encaminhado ao blog pela Vera Moreira Comunicação

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Artigo: Verdades e mitos sobre a homossexualidade

Conversa de Menina, em defesa da diversidade, coloca a colherzinha em um tema tabu: a homossexualidade. Frequentemente, discuto com amigos o porque do ser humano ter tanto interesse na sexualidade alheia, sua orientação, e as escolhas que faz na vida: se opta por assumir determinado comportamento, se o esconde, se fala ou não do assunto, com quem dorme ou deixa de dormir. Pessoalmente, creio que a sexualidade de cada um é tema de interesse próprio e privado. Mas, diante do preconceito dominante, algumas bandeiras precisam ser carregadas e estratégias de luta estabelecidas. Luta essa para que se conquiste o direito tanto à livre expressão pública quanto a manter o assunto na esfera do pessoal, se essa for a vontade de alguém. Luta para que uma pessoa não seja julgada por sua sexualidade, mas pelo caráter e postura ética na vida. Certa vez, motivada pelo comentário de um leitor do jornal onde trabalho, travei longo debate com um colega sobre se o correto é dizer “orientação” ou “opção” sexual. Minha resposta, na ocasião, acabou meio parecida com a opinião da Maria Helena Vilela, que preside o Instituto Kaplan, focado em educação e sexualidade. Orientação é o termo que define, enquanto opção é o que vai marcar a escolha do indivíduo em assumir ou não determinada orientação. No fim das contas, são termos complementares, que vêm sendo usados como sinônimos ou mesmo confundidos e reconfigurados para depreciar, ao invés de incentivar a compreensão e aceitação.

Neste domingo, dia 6, acontece a 14ª Parada do Orgulho LGBT, em São Paulo, manifestação pela diversidade sexual que é considerada a segunda no mundo em tamanho e importância. Motivada pela data, Maria Helena Vilela escreveu um artigo sensível e, em certa medida, didático, desconstruindo alguns mitos sobre a homossexualidade. A linguagem educativa tem razão de ser: o Instituto Kaplan trabalha há 18 anos com capacitação técnica de professores para abordar a educação sexual nas escolas, mas também direciona seu foco ao público jovem. Aqui no blog, por exemplo, já publicamos um artigo da Maria Helena, sobre gravidez na adolescência, que é um dos nossos posts mais lidos.

Confiram o novo texto da pesquisadora:

*Verdades e mitos sobre a homossexualidade

**Maria Helena Vilela

Quando se trata de comportamento sexual, a lógica pode significar preconceito. A probabilidade de se fazer uma avaliação errada é muito alta. Cada pessoa é única e traz consigo histórias e circunstâncias de vida, das quais nem sempre é capaz de dar conta.

Dia 6 de junho, realiza-se em São Paulo a 14ª Parada do Orgulho LGBT. Um marco nos direitos civis. No trabalho de estudo da sexualidade humana, o Instituto Kaplan defende, no desenvolvimento de metodologia para capacitar professores e técnicos de saúde, a aplicação da educação sexual nas escolas e empresas, sem preconceitos, explicando os direitos sexuais de todos cidadãos.

É preciso deixar claro que a homossexualidade é o desejo de se vincular emocional e sexualmente com alguém do mesmo sexo. Ou seja: um outro jeito de ser, no que se refere à pessoa por quem se sente tesão. Apesar de ser um fenômeno aparentemente simples, ainda há muitas idéias erradas sobre ele. Até bem pouco tempo, a homossexualidade era considerada uma doença. Hoje já se sabe que não é.

Muitas teorias tentam explicá-la, mas ainda não existe um consenso. A mais aceita das teorias é aquela que fala sobre a combinação entre uma predisposição genética e fatores psicológicos (a forma como cada pessoa registra fatos, sentimentos e impressões) e sociais (o meio em que vive, a forma como a família lida com a valorização sexual e a cumplicidade entre os sexos).

O objetivo deste texto é esclarecer alguns tabus e preconceitos que existem sobre o tema. E existem muitos: homossexualidade seria uma escolha, ou resultado da falta ou do excesso de sensibilidade, ou ainda da frustração amorosa em relação às pessoas do sexo oposto. E ainda há os que pensem que a homossexualidade é uma doença mental, ou um desvio psicológico.

Os preconceitos:

1. Uma questão de escolha?!

Ninguém é capaz de escolher por quem sentirá tesão. Não conheço nenhum trabalho que traga o depoimento de um único homossexual que faria a escolha da homossexualidade, se pudesse, porque, mais que ninguém, o homossexual sente o peso da discriminação social. Do mesmo jeito que as pessoas não escolhem suas preferências entre loiros ou morenos, “sarados” ou barrigudos, sérios ou divertidos, elas também não conseguem determinar se o desejo é por alguém do mesmo sexo, do sexo oposto ou de ambos. Apenas realizar ou não o desejo afetivo-sexual, pôr em prática o relacionamento é que é uma questão de opção que pode ser feita ou não pelo indivíduo.

2. Uma questão de sensibilidade?!

Existe uma crença popular de que um homem sensível e delicado é homossexual. A sensibilidade é a capacidade de sentir e perceber o que está acontecendo a nossa volta e não tem nada a ver com a orientação sexual de uma pessoa. A garota pode ter um jeito mais grosseiro de lidar com as pessoas e nem por isso ser lésbica, ou o garoto ter certo trejeito e não ser gay. O papel sexual, ser masculino ou feminina, não tem nada a ver com a orientação sexual (a orientação do desejo). Muitos meninos agressivos e meninas delicadas podem ser homossexuais.

3. Frustração amorosa?!

Muitas pessoas acreditam que as lésbicas são mulheres que não conseguiram arranjar namorado, ou que sofreram algum trauma com homens. Esta explicação existe, porque é difícil para as pessoas heterossexuais imaginar que o prazer sexual feminino seja possível sem a presença do pênis. Quanto aos gays, muita gente acha que a homossexualidade é decorrente de uma experiência traumática nas primeiras relações sexuais com uma mulher. Os homossexuais não são heterossexuais frustrados! São pessoas, cujo desejo sexual está no outro, que é do seu mesmo sexo.

4. Homossexualidade é doença mental ou desvio psicológico?!

Nem uma coisa e nem outra! Durante muito tempo, a homossexualidade foi interpretada pela medicina como uma doença. Mas, na década de 70, todas as associações de profissionais de saúde mental, inclusive a OMS (Organização Mundial de Saúde) concluíram que não se tratava de uma doença mental ou de distúrbio psicológico. Portanto, não existe tratamento para uma pessoa “deixar de ser homossexual”. O que a medicina ou a psicologia podem fazer é prestar ajuda para que o homossexual aprenda a lidar com o seu jeito de ser, sexualmente diferente do que a sociedade deseja para ele, sem deixar que isto atinja as outras características pessoais. Ou seja, é possível ser homossexual e ser, ao mesmo tempo, um profissional competente, um filho amoroso, um amigo corajoso, um cidadão que conhece e respeita seus direitos e deveres, uma pessoa divertida, feliz e que pode e deve conquistar o respeito de todos.

Cena do filme O Segredo de Brokeback Montain, de Ang Lee

Mudar o rumo da História

Muitas pessoas não se conformam com a existência da homossexualidade, principalmente quando o homossexual é alguém próximo e querido. Todos querem saber o que podem fazer para conseguir ajudar alguém a “não ser homossexual”. Não existe esta possibilidade. Até o momento, ainda não foi cientificamente comprovado nenhum tipo de procedimento que faça de alguém homo, bi ou heterossexual. O que nós sabemos é que, na nossa sociedade, existem jeitos sexuais diferentes de ser. E o que se pode fazer é aprender a lidar com as diferenças. Diferença não é sinônimo de deficiência! É um outro jeito de ser humano.

A sexualidade se desenvolve em contextos diversos, a partir de experiências distintas. Portanto, é inútil se ter o desejo de que todas as pessoas correspondam ou se ajustem a um único modelo para ser sexualmente feliz.

*Material encaminhado ao blog pela jornalista Vera Moreira

**Maria Helena Vilela é diretora do Instituto Kaplanwww.kaplan.org.br

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Dia dos Namorados 2: A procura do par perfeito

Mais um artigo muito bom da psicóloga Cássia Franco, dessa vez, um pouco mais reflexivo sobre o “mercado” de troca de intenções que se estabele no início e ao longo dos relacionamentos a dois. Para quem gostou do material anterior da autora, publicado aqui no Conversa, sobre as dicas para NAMORAR, vale a pena ler este também!

*A procura do par perfeito

“Ninguém é perfeito até que alguém se apaixone por esta pessoa”
(William Shakespeare)

**Cássia Aparecida Franco

Tem casal, segundo Cássia Franco, que adora brincar de detetive e acaba transformado a vida do parceiro (a) em um inferno de vigilância e desconfiança constantes

Diferentes grupos humanos criam rituais de apresentação, formas de travar contato e de sinalizar seus interesses propiciando aproximação, comunicação, transpiração de idéias e intenções. A pesquisadora Froma Walsh nos conta que entre os povos nômades do deserto, por exemplo, há séculos os grupos se reúnem para a tradicional “feira de esposas”, onde os homens vão procurar uma esposa para si.

Segundo a tradição, as mulheres disponíveis para o enlace, pintam os olhos com intensidade, usando um véu cobrindo o rosto, caso sejam virgens. As viúvas ou separadas tem o rosto descoberto, mas todas, sem exceção, levam em seus braços uma manta tecida com as próprias mãos.

Todos circulam livremente pela feira e no momento em que um homem encontra o olhar de uma mulher que o interessa, ela exibe a manta que teceu cheia de intenções. Assim, os dois se examinam por tabela, enquanto falam do precioso objeto. Conforme os argumentos, ele decide se quer comprá-lo e ela se quer vendê-lo. Se discordarem, a procura recomeça.

Se, contudo, o interesse for recíproco, os dois discutem sobre o preço da manta e, se chegarem a um consenso, dirigem-se a uma autoridade que legaliza a intenção de se casar. A partir daí, as famílias se envolvem e discutem herança, dote e moradia.

Toda vez que duas pessoas se encontram, trocam sinais que explicitam que tipo de relação está se estabelecendo. E estes sinais, muitas vezes sem palavras, têm a força de provocar emoções que afetam os comportamentos que se seguirão. A partir daí, cria-se a expectativa do que um pode esperar do outro.

Podemos por exemplo, ser detetives e estabelecer uma relação com base na vigilância e desconfiança. Neste jogo deverá sempre existir alguém que espreita na procura de alguma curiosidade ou delito. Há bastante espaço para o ciúme, a briga e conseqüente pedido de trégua e para o ritual de fazer as pazes. Há quem goste.

Podemos encontrar também o atento cuidado do jardineiro que arranca a erva daninha, prepara o terreno e afofa a terra com carinho, semeando no capricho, regando e colhendo frutos. Há quem ache muito monótono.

Outros casais, ainda segundo Cássia Franco, preferem brincar de jardineiro e construir um amor mais ameno, porém duradouro

É possível também um animado jogo de Banco Imobiliário, onde eu lhe compro e você se vende. A dívida nunca é quitada e o cartão de crédito tem juros impagáveis. Há quem se magoe muito com isto.

Há também o modelo julgamento, onde todos são avaliados e penalizados no critério do que é certo ou é errado. Esquece-se, no entanto, que o certo e o errado podem variar conforme o júri. Há quem considere muito difícil equilibrar esta balança.

A questão é que temos crenças e valores que funcionam como uma espécie de peneira seletiva na hora de interpretar os dados. Nossas crenças e valores são estados emocionais que influem em nossos pensamentos e decisões.

Quando criamos a expectativa de ter encontrado o par perfeito, estamos projetando no outro as imagens internas que temos do que seria o nosso modelo de perfeição. Encobrimos o outro em uma nuvem contaminada pelo nosso olhar. Perdemos a oportunidade de enxergar o outro e criamos expectativas difíceis de serem concretizadas.

O sucesso ou o fracasso de uma união depende muito dos acordos de colaboração existentes entre o par. Acordos esses que sabiamente precisam ser renovados periodicamente, promovendo reflexões sobre as mais altas esperanças e os medos mais profundos.

*Texto encaminhado ao blog para publicação pela  Matéria Primma Comunicação

**Cássia Aparecida Franco é psicóloga, palestrante e coach. Contato: [email protected]

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Dia dos Namorados: Dicas para adoçar o relacionamento

Love is in the air, já cantava com toda propriedade Paul Young. Pois sim, com a proximidade do Dia dos Namorados, o Conversa de Menina anda recebendo uns artigos, dicas e coisinhas bonitinhas de gente que estuda o amor. É, minha gente, taí um tema delicioso de se estudar, não é? O bacana é que os textos, como o artigo abaixo, em forma de acróstico (formas textuais em que a primeira letra de cada frase ou verso formam uma palavra ou frase) de NAMORAR, escrito pela psicóloga Cássia Franco, além de revelar os conhecimentos de quem estuda, traz é a experiência de quem vive o amor, na prática. Perfeito, como bem lembra a autora, ninguém é, mas não custa se esforçar um pouquinho. Confiram, aprendam, divirtam-se e namorem muito!

*N A M O R A R  no Dicionário Aurélio significa “procurar inspirar amor”

**Cássia Franco

Com a proximidade do Dia dos Namorados, que tal aproveitar para adotar algumas estratégias que podem lhe ajudar a melhorar o seu relacionamento amoroso. Confira algumas sugestões:

Cupido já te acertou em cheio? Então dê uma conferida nos conselhos deste post...

N – Nada melhor do que olho no olho
Não use o Orkut ou o MSN para ficar conversando horas a fio com a pessoa amada. Use a tecnologia a seu favor. Recados em código, discretamente picantes, podem reativar o clima e ser prenuncio de uma noite de romance. Além disso, quem quer fazer par com alguém que é tão desocupado? Quando a distância for invencível, use o Skype com câmera, modere no tempo, mas capriche na sensualidade e na intenção.

A- Adivinhar é para cartomante
Agimos na vida amorosa como se a telepatia fizesse parte do repertório básico de habilidades humanas, como respirar ou engolir. Essa ilusão pode se manifestar de duas formas:
1-por meio da presunção de que sabemos o que o outro está pensando;
2- através da premissa de que os outros não só podem como têm a obrigação de saber exatamente o que nós estamos pensando, sem que precisemos lhes dizer.
Fuja das viagens na maionese. Ao percebermos que estamos nos irritando com alguém por algo que acreditamos que a pessoa está pensando, antes de confrontá-la, podemos nos questionar: “Será que não estou tentando fazer telepatia? Será que eu realmente tenho condições de saber o que ela está pensando?”

M – Mas…mas…mas…
Na nossa comunicação o sim…mas, carrega de nuvens o mais azul dos horizontes. É como uma pedra de sal no meio de um beijinho de coco. Na convivência, o mas…, anula o valor de tudo o que vem antes dele. Em sua modalidade mais simples, a conjunção mas pode constituir uma obstinada determinação a encontrar um aspecto negativo em algum lugar, uma objeção, acabando por minimizar ou anular qualquer ponto positivo que por ventura exista. Tudo bem querermos o melhor. Difícil é alguém agüentar um: Eu te amo, MAS…

O – Onde foi que eu errei?
Freqüentemente no início da paixão fazemos 1002 exceções no ritmo de nossas vidas no intuito de agradar e atrair a outra pessoa. É um tal de se produzir no capricho, de conversar com bom humor, de ser bom ouvinte, de disponibilizar um tempo extra para o outro, de fazer poesia, o doce predileto, se dispor a participar de programas que nem são exatamente do seu agrado. Às vezes até deixar os amigos ou algumas tarefas de lado, buscando mostrar o seu melhor para o novo objeto de desejo. Depois de um tempo de convivência cada um tende a voltar ao seu andamento da vida, agora com o “novo anexo”.

Muitas vezes, é nesta fase que começam as críticas e reclamações. Pergunto: O quanto de nós está realmente preparado para ouvir críticas? Levar tudo para o lado pessoal significa interpretar eventuais comentários, perguntas e comportamentos de terceiros como afrontas diretas ao seu próprio valor como ser humano, à sua aparência, competência ou perícia. Ou será que com a melhor das intenções, acabamos fazendo propaganda enganosa de nós mesmos?

Lembre que amor é acima de tudo cumplicidade, parceria e compreensão

R – Relaxar e rir
Quando estamos muito tensos, agitados, fica difícil tomar qualquer atitude. Assim, quando nos sentimos estressados, ansiosos ou assustados, nossos pensamentos e ações ficam “contaminados” e fazer algo que nos ajude a relaxar, contribuirá para um alinhamento das idéias e escolhas que garantem melhores resultados. Resumindo: nada de discutir no calor da fervura. Sai todo mundo chamuscado.
Que tal experimentar respirar pelo nariz contando até 10, com o ar inflando a barriga profundamente; prender o ar contando até 10 e soltá-lo pela boca lentamente contando até 10. Pode parecer estranho num primeiro instante, mas após umas 4 repetições, você perceberá que as idéias clarearam, que o coração fica mais manso e as ações muito mais favoráveis.Experimente. Se dê este presente.
Aliás, um valioso presente é ter alguém a seu lado que consiga rir de si mesmo e que com respeito e consideração consiga ter humor para enfrentar as dificuldades inevitáveis da convivência. As questões, às vezes, podem ser bem difíceis, mas levá-las na estupidez não vai melhorá-las. Respirar juntos, abraçados, um acompanhando o ritmo respiratório do outro, por apenas 2 minutos pode ser a injeção erótica que você anda procurando. O preço é baixinho e o efeito pode levá-los às alturas.

A- Áreas de problemas e áreas de soluções
Ocasionalmente, os parceiros vêem apenas o que desejam ver e percebem o que melhor se ajusta a seu estado mental no momento. Interpretam os fatos através de uma específica e exclusiva lente de aumento.
Todos nós temos um lado sombrio e um lado iluminado e aprender a reconhecer estes aspectos pode ser um verdadeiro holofote para iluminar lados obscuros do relacionamento. Parar para fazer um balanço entre pontos fortes e fracos, principais forças e fraquezas, talentos e dificuldades, ajuda cada um a entrar no relacionamento com o que tem de melhor.
Posso até não ser capaz de modificar os outros, mas, existe alguém que pode tomar a iniciativa de fazer algo diferente, esse alguém sou eu mesmo.

R- Raciocinar

Se você observar como a inteligência o deixou na mão quando você mais precisou dela, é possível que diga algo do tipo: “não parei para pensar”, “eu já estava tão desanimado que meu cérebro virou geléia”, “fiquei tão desesperado que deu branco”. Estas frases são sinais de que baseamos nossos atos no pensamento emocional, que geralmente é um parâmetro enviesado, para tomarmos uma decisão.

Somos seres que interpretamos o mundo através dos significados que imprimimos na mente. Se passarmos a pensar de forma contaminada, os pensamentos determinarão emoções comprometidas que acabarão gerando comportamentos inadequados. Quem já se destemperou sabe que as conseqüências, às vezes, são bem amargas de engolir.

A nossa maneira de perceber determinada situação pode facilitar a tarefa de lidar com ela ou tornar praticamente impossível enfrentá-la; pode nos tranqüilizar ou nos encher de ansiedade. Basta considerar a experiência através de um outro ponto de vista para modificar até mesmo nossa sensação de dor.

Que tal enxergar uma nova luz no fim do túnel, e se sentir tentado a conferir muito mais do que as curvas da estrada de Santos?

*Texto encaminhado ao blog pela  Matéria Primma Comunicação

**Cássia Aparecida Franco é psicóloga, palestrante e coach. Contato: [email protected]

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Artigo: Leitura é peça fundamental no desenvolvimento infantil

E como o meu tema de reflexão neste fim de semana é a literatura, aproveito para publicar por aqui um artigo assinado pela Raquel Caruso, fonoaudióloga e psicopedagoga, que reflete sobre a importância da leitura ainda na primeira infância. Vale a pena conferir!

*Incentivo à leitura é importante desde os três anos de idade

**Raquel Caruso

Desde a primeira infância é fundamental que os pais leiam histórias, contos de fadas, livros e gibis para seus filhos. Este hábito pode e deve ser incentivado: dê a eles livros de presente.

Normalmente as crianças de aproximadamente três anos já solicitam a leitura para seus pais. Nestes momentos, muitas vezes, os pais não lêem, e sim contam o que está escrito, na tentativa de facilitar a linguagem, tornando esta menos formal e a compreensão mais fácil. Esses momentos podem existir, mas também deverá haver ocasiões em que os responsáveis leiam a história tal qual está escrita, pois desta forma estarão introduzindo a criança à escrita formal.

Muitas dúvidas passam na cabeça dos pais em relação a qual gibi ou livro ler. Por exemplo: devo ler para crianças menores, gibis do Cebolinha e Chico Bento? Pelo fato da fala destes personagens não ser adequada, muitos pais se preocupam em incentivar uma prática errada, e optam por ler corretamente para que seus filhos não sejam expostos a tais trocas. Normalmente a melhor orientação, caso os pais não se sintam a vontade com a fala dos personagens, é que escolham outro gibi. Pois desta forma irão descaracterizar o personagem.

Se o seu filho ainda não fala adequadamente, o melhor é estimular outras leituras, como os contos de fada. Depois da aquisição total de todos os sons da fala, a exposição pode ser total. É importante que as crianças entrem em contato com todo tipo de material, desde os mais simples aos mais refinados, não se esquecendo de adequar à idade e interesses da criança.

Quando as crianças crescem, devemos continuar o incentivo a leitura, levando-as a livrarias, que hoje disponibilizam de espaços lúdicos adaptados, sempre estimulando que elas mesmas escolham seus livros. Devemos tomar cuidado para não cair na tentação de comprar três ou quatro livros de uma vez: apenas um livro é suficiente, pois assim quando terminarem poderão comprar outro.

Há também outras formas de estimular a leitura nas crianças, como empréstimos de livros em bibliotecas, compras em sebos (podemos encontrar livros em bom estado com preços convidativos), trocas entre amigos, assinatura de gibis e revista para crianças, que pode representar um estímulo a mais, pois elas recebem em casa algo com seu nome impresso.

Como as crianças têm em seus pais modelos a serem seguidos, é importante que elas os vejam lendo, sejam jornais, revistas ou livros. O texto lido deve ser de referência pessoal, familiar, escolar e sócio-cultural. É importante que os livros estejam na altura adequada para que a criança possa manusear e pegar o livro no momento em que sentir vontade, não somente em locais que necessitem o auxílio de adultos.

A leitura estimula a imaginação, criatividade, seqüência lógico temporal, entre outros aspectos, o que irá ajudar na produção da escrita. Uma opção para os adolescentes é formarem grupos de leitura, onde irão escolher um título e discutir em grupo.

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*O artigo foi encaminhado ao blog pela CGC Comunicação em Educação

**Raquel Caruso é fonoaudióloga, psicopedagoga e psicomotricista, coordenadora da Clínica EDAC e professora da Associação Brasileira de Dislexia.

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Como decorar o quarto do casal

Que tal aproveitar para incrementar a decoração do quarto do casal? Dividir o mesmo teto não é fácil, os relacionamentos são carregados de uma rotina complicada e de problemas diários a se resolver. Então, nada melhor do que se preocupar com o local em que vocês vão descansar e aproveitar juntinhos. Recebemos as dicas abaixo em um e-mail da MW Consultoria de Comunicação. As dicas são dos arquitetos da C+A Arquitetura e Interiores, empresa sediada em São Paulo. Daí vocês terão uma inspiração para promover mudanças bem bacanas no cantinho de vocês.

1º passo: Definir um estilo
o quarto do casal é um dos cômodos mais privados da casa. Por ser compartilhado por duas pessoas, é importante refletir equilíbrio no que se refere à decoração. “O espaço deve exprimir os desejos e as aspirações de ambos. Começamos a delinear o projeto de interiores do quarto, averiguando o tipo de quarto que o casal deseja. O que se encaixa mais em cada caso em particular: um ar despojado, um estilo romântico, algo mais clássico ou um projeto mais contemporâneo?”, conta a arquiteta Ana Paula Naffah Perez, diretora de projetos da C+A Arquitetura e Interiores.

2º passo: A escolha da cama
A cama é o foco central do quarto, por ser a maior peça do ambiente. “Todos sonhamos com uma cama king size, mas ela não é a melhor opção sempre, pois pode ocupar o quarto todo. Por isto, a cama é a primeira peça da mobília a ser escolhida e é em torno dela que vamos dispor as peças restantes. É preciso assegurar que exista espaço de circulação adequado em torno da cama, em todos os sentidos. A cama também não pode obstruir a abertura de portas ou gavetas”, explica a arquiteta Ana Carolina M. Tabach, diretora de projetos da C+A Arquitetura e Interiores. Quartos pequenos são favorecidos por camas e cabeceiras baixas, que dão a impressão de um espaço mais amplo. Para os espaços maiores, camas e cabeceiras altas são mais indicadas. “Nem todas as camas necessitam de uma cabeceira, podemos utilizar a parede como cabeceira ou então optar por um modelo em couro, acolchoado ou forrado em tecido, para que possa ser facilmente alterado”, destaca.

3º passo: O colchão
Enquanto a importância da cama é revelada em termos estéticos e de espaço, a do colchão vai determinar noites de descanso ou de insônia e sono interrompido. “O colchão do quarto de casal terá sobre ele o peso de duas pessoas, durante muitas noites. Por isso mesmo, é preciso investir na compra de um bom colchão. As lojas especializadas orientam muito bem o cliente sobre os aspectos que devem ser considerados antes da aquisição do colchão”, recomenda Ana Paula Perez.

4º Passo: Mesas de cabeceira
Hoje, os criados mudos não precisam mais ser idênticos. “Iguais ou não, o importante é que o modelo escolhido acomode bem abajures, livros, despertadores, celulares, óculos e copos de água”, diz Ana Carolina Tabach.

5º Passo: Outros móveis
Os armários embutidos ganham pontos em termos de aproveitamento de espaço, organização e funcionalidade. Os móveis de gaveta mais apropriados para o quarto de casal são as cômodas (baixas e largas) e os camiseiros (altos e estreitos). Dependendo das dimensões do quarto, podemos optar por um ou outro modelo. “Um baú aos pés da cama ou puff é outra peça a se considerar, se houver espaço ou em substituição aos móveis mais clássicos. Para quartos menores, um cabideiro de pé ou cabide de parede ocupa pouco espaço e acomoda apropriadamente as roupas usadas durante o dia”, explica Perez.

6º Passo: Cores mais apropriadas
O branco total nas paredes e na roupa da cama não é a única opção. Cor é energia, a falta dela pode caracterizar um estado de falta de vigor e monotonia. “Prefira as cores neutras ou pastéis. Para ter um quarto aconchegante, opte pelos off-white, verde erva-doce, areia e rosa claro. Vermelho, amarelo e laranja são ótimos para estimular a sexualidade, mas devem ser usados apenas em detalhes”, recomenda Tabach.

7º Passo: Iluminação aconchegante
Um dos elementos mais importantes num quarto de casal é a iluminação, que deve ser sempre suave e agradável. “Uma luminária no teto é prática e indispensável, porém, como a posição mais usual no quarto é deitado, devemos ver como se comportam as lâmpadas nesta luminária para não causar ofuscamento. Os abajures podem tornar este espaço mais acolhedor. Os interruptores devem ser fáceis de operar, devem estar ao alcance das mãos, mesmo quando o casal já está deitado”, diz a arquiteta Ana Paula.

8º Passo: Detalhes nas paredes
As paredes do quarto de casal podem receber detalhes muito charmosos e afetuosos, tais como  uma cor diferente, um papel de parede, obras de arte, quadros ou fotografias artísticas ou familiares. “Há a possibilidade também de utilizar as paredes para colocar prateleiras ou uma estante até o teto para guardar livros e outros objetos. Um espelho – retangular, quadrado, oval, redondo, com ou sem moldura, pendurado ou pousado –  também pode fazer com o quarto pareça maior”, observa a arquiteta Ana Carolina.

9º Passo: Um lugar para sentar
A cama deve ser exclusivamente destinada ao casal. “Portanto, duas poltronas, pufes, um pequeno sofá, uma elegante chaise longue ou um banco de janela são um convite para uma boa conversa, no final do dia, com os filhos e, eventualmente, com visitantes”, conta Ana Paula.

10º Passo: Capriche nos detalhes
Não há nada como nos deitarmos numa cama com lençóis lavados, suaves e perfumados, por isso, dê especial atenção à roupa de cama. “Além dos habituais jogos de algodão ou flanela, invista em lençóis de seda ou de linho egípcio para noites especialmente românticas. Um bom edredom é essencial, assim como uma capa reversível, que permite ‘vestir a cama’ conforme o estado de espírito do casal. Para complementar o visual, podem ser compradas almofadas alegres e confortáveis e uma manta para os pés da cama”, diz Ana Carolina.

11º Passo: Mantenha o clima de romance
Para manter um ar romântico, mantenha o quarto organizado, a cama bem arrumada, velas, caixinhas para guardar relógios, jóias e bijouterias. Cuidar da arrumação, da limpeza, da ventilação, da decoração e da iluminação é primordial para que o quarto tenha uma energia agradável, seja aconchegante, convidativo e íntimo. “Se conseguirem resistir à tentação, não coloquem uma televisão no quarto. É possível optar apenas por um sistema de som para ouvir uma música tranquila antes de dormir. Mas, se o casal for amante de novas tecnologias, pode colocar no quarto um home theater e uma TV de Led, desde que o espaço seja suficiente para comportar esses aparelhos”, explica Ana Paula.

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Artigo: Dia dos Namorados – uma deliciosa desculpa para “namorar” as vitrines como flamingos

Começo o dia de blogagem com um artigo muito leve sobre hábitos de consumo. Apesar de ser escrito por uma analista de mercado especialista, não tem aquela afetação de consultor. O tema, claro, Dia dos Namorados. Adorei a comparação das pessoas com os flamingos, além de lúdica, faz muito sentido e dá no que pensar. Confiram:

Dia dos Namorados: uma deliciosa desculpa para “namorar” as vitrines como flamingos

*Stella Kochen Susskind

Como uma eterna romântica, adoro todos os pormenores que envolvem o Dia dos Namorados! Apaixonada pelo varejo, delicio-me especialmente com as vitrines bem-montadas, o movimento nas lojas, a magia de um atendimento bem-feito e com o namoro dos consumidores: indivíduos que mantêm vínculos racionais e emocionais com as marcas. E como a data desperta muito mais o lado emocional, temos aí uma boa desculpa para namorar as vitrines sem culpa. Em um paralelo com a faceta mais instintiva do ser humano – aquela que nos aproxima dos animais – ir ao shopping, centros comerciais e ruas nessa época é como observar flamingos no cativeiro. Para o bem-estar do grupo de flamingos, os especialistas instalam no cativeiro um espelho, oferecendo aos belos pássaros a sensação de estar em bando, portanto, protegidos.

Os apaixonados olham os seus reflexos nas vitrines, namoram os objetos aspiracionais, que podem ou não comprar, e se sentem protegidos por semelhantes que tomam parte do mesmo ritual. É comum nesta época, desconhecidos trocarem ideias em frente às vitrines, balcões e araras. Inúmeras vezes me vi como protagonista de um diálogo singular que começa repleto de perguntas:

—    Moça (adoro ser chamada assim!), que número você usa? Você usaria uma bolsa assim? E o que acha desta pulseira? Essa cor está na moda?

Ao responder a um estranho, captamos de imediato um brilho no olhar que nos é familiar. Ou seja, somos flamingos protegidos pelo bando. Mas será que com todo esse “love is in the air”, os homens se tornam tão flamingos quanto as mulheres?

Nessa época que culmina no outono, com suas manhãs e entardeceres mais frios –  remetendo ao aconchego de um colo gostoso – nos damos o direito de namorar as vitrines com o emocional a mil. É como se a loucura do dia a dia nos desse um break! Nós, mulheres, temos a sensação de passear com uma trilha sonora romântica; nesse espaço onírico, o olfato fica mais aguçado, mais sensível aos perfumes que saem das lojas, ao cheiro de chocolate… Aproveitamos ao máximo desse átimo! Olhamos as vitrines com calma, tocamos os produtos, cheiramos. É comum, inclusive, fecharmos os olhos imaginando o objeto da paixão, recebendo o presente. Nesse momento, um sorriso discreto nos escapa.

Como “pesquiseira” tenho por missão de desvendar os sentimentos dos consumidores no momento da compra. Com essa profissão, constantemente paro para refletir se o comportamento de homens e mulheres se iguala em determinadas ocasiões do consumo. Será que o Dia dos Namorados tem esse poder? Eu me divirto imensamente com a certeza que os homens são tão parte do bando de flamingos quanto as mulheres! Se indagados, claro que jamais irão admitir; contudo, é fato que transformam a data em oportunidade para namorar as vitrines. Afinal, há desculpa melhor ou algo mais acolhedor do que se sentir protegido por outros flamingos?

O desafio de empresários, lojistas e equipes é não deixar os flamingos soltos, abandonados! É aproveitar o namoro com as vitrines para namorar os clientes, para criar reciprocidade. Nada mais bonito do que um atendimento personalizado, próximo e assertivo. Como especialista e consumidora – e como flamingo, é claro! – afirmo categoricamente que isso é apaixonante! Um cliente apaixonado volta e fala sobre sua paixão para centenas de conhecidos. É claro que isso ocorre quando a paixão tem um final mágico, quando é correspondida. Ao contrário, nos finais trágicos, a falta de sintonia ganha negativamente as redes sociais; a experiência do abandono corre rapidamente entre os “flamingos”. E a minha experiência diz que há muita solidariedade entre os flamingos…

*Stella Kochen Susskind preside a Shopper Experience, empresa especializada em pesquisa e mercado.

**Material encaminhado ao blog para publicação pela Printec Comunicação.

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