*Pesquisa: 74% dos cidadãos globais não acreditam que “lugar de mulher é em casa”

Típica dona-de-casa clássica, dos anos 50, perde espaço no imaginário coletivo global

Uma notícia boa para comemorarmos nesta Semana da Mulher. Uma pesquisa recente da Reuters, conduzida pela Ipsos, mostra que em 23 países, que juntos representam 75% do PIB mundial, 74% dos adultos (entre homens e mulheres) não concordam com a velha máxima machista de que “lugar de mulher é em casa”. Infelizmente, ainda existem 26% de pessoas, em um total de 24 mil entrevistados, que acreditam que as mulheres não devem ocupar tanto espaço na sociedade!

Entre os países onde o machismo ainda impera estão Índia, Turquia, Japão, China, Rússia, Hungria e Coreia do Sul. Historicamente tem explicação, embora não se justifique mais nos dias de hoje, mas estes países possuem culturas mais fechadas, muito antigas, calcadas no patriarcalismo e um forte apego a tradições milenares que colocam a mulher em posições sociais inferiores em relação aos homens e portanto, subordinadas a eles. No entanto é bacana perceber que os chineses estão mais avançados nesse quesito do que os japoneses (comparando as duas culturas milenares). Conforme os dados da Reuters/Ipsos, enquanto 66% dos chineses já discordam desse tipo de postura, os japoneses somam apenas 52% contra a máxima machista, com 48% a favor.

Já entre os países onde acredita-se que essa herança patriarcal já devia ter sido superada há muito tempo estão Argentina, França, México, Suécia e Brasil. No entanto, nota-se uma inclinação maior no discurso do que em atitudes práticas no dia a dia. No Brasil, por exemplo, 10% dos entrevistados ainda acham que as mulheres merecem da vida apenas panelas e fraldas. Felizmente, outros 90% não concordam.

Confiram a lista dos países onde boa parte da população acredita que: “lugar de mulher é em casa”

Índia                     54% concordam /46% discordam

Turquia                52% concordam /48% discordam

Japão                   48% concordam /52% discordam

China                 34% concordam /66% discordam

Rússia                 34% concordam /66% discordam

Hungria               34% concordam /66% discordam

Coreia do Sul     33% concordam /67% discordam

Agora vejam a lista dos que discordam da pérola do machismo

Rep.Tcheca        28% concordam /72% discordam

Austrália             25% concordam /75% discordam

EUA                     25% concordam /75% discordam

Grã-Bretanha     22% concordam /78% discordam

Holanda              20% concordam /80% discordam

Canadá               20% concordam /80% discordam

Itália                     19% concordam /81% discordam

Polônia                18% concordam /82% discordam

Bélgica                16% concordam /84% discordam

Alemanha          14% concordam /86% discordam

Espanha             12% concordam /88% discordam

Brasil                  10% concordam /90% discordam

Suécia                 10% concordam /90% discordam

México                 9% concordam /91% discordam

França                 9% concordam /91% discordam

Argentina            9% concordam /91% discordam

>>Clique aqui e confira a integra da pesquisa da Reuters/Ipsos (em inglês)

*Os dados da pesquisa foram encaminhados ao blog pela assessoria da Ipsos, referência mundial em pesquisa de mercado e interpretação de dados. Criada em 1975 na França, presente no Brasil desde 1997, consolidou-se como uma das maiores empresas de pesquisa do mundo.

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GNT exibe documentário sobre violência doméstica

O canal por assinatura GNT, na faixa GNT.doc, exibirá no próximo dia 09, o documentário “Mulheres Contra a Violência”. A produção norte-americana conta a história de quatro mulheres, identificadas apenas pelo primeiro nome, que  relatam a violência que sofreram dentro de casa. De acordo com levantamento feito pela produção do documentário, a violência doméstica afeta tantas famílias nos Estados Unidos que algumas mulheres agredidas pelos maridos custam a acreditar que existe algo de errado no casamento. Nesse particular, embora a realidade retratada seja a a dos EUA, não difere tanto daquela vivida por brasileiras que sofrem o mesmo problema (Relembre os posts no blog sobre violência doméstica). Algumas americanas acham que merecem esse tipo de tratamento e, por isso, demoram a pedir ajuda!

Policiais e assistentes sociais contam no filme que têm grande dificuldade em ajudar as mulheres que, dominadas pelo medo, optam por continuar sofrendo com a violência em casa a denunciar seus companheiros. A maioria das situações retratadas envolve mulheres americanas, mas o programa também mostra casos de mulheres latinas.

Apresentado pela atriz Angie Harmon, conhecida por sua participação na série “Law & Order” e pelo marido dela, o atleta Jason Sehorn, a produção tem direção da premiada documentarista Maryann DeLeo.

Serviço:

Documentário Mulheres Contra a Violência

GNT – Canal Globosat

Terça-feira, dia 9, às 21h

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Serviço: Programa concede bolsas para TCC

O informe abaixo foi enviado ao blog pela ANDI – Agência Nacional dos Direitos da Infância – e visa divulgar a 5ª edição do programa InFormação, que está com inscrições abertas para bolsas de qualificação na área de jornalismo, que atenderá estudantes prestes a realizar o TCC (trabalho de conclusão de curso) interessados em dissertar sobre mídia e violência sexual contra crianças e adolescentes. Os interessados devem ficar atentos ao prazo, que é 10 de março. Confiram detalhes:

Últimos dias de inscrição para programa de concessão de bolsas para TCC

Encerram no dia 10 de março as inscrições para a concessão de bolsas para trabalho de conclusão de curso (TCC), promovida pelo Programa InFormação – Programa de Cooperação para a Qualificação de Estudantes de Jornalismo. Ao todo, são 15 bolsas de R$ 450,00 disponíveis durante seis meses para trabalhos que venham a ser produzidos e defendidos até 31 de agosto de 2010.

Nesta edição, os trabalhos deverão abordar a relação da comunicação com a questão da violência sexual contra meninos e meninas. Os quatro assuntos propostos são:

* Questões gerais da relação entre a mídia e a violência sexual contra crianças e adolescentes.

*As novas tecnologias de comunicação e informação no combate ao problema.

*A relação de gênero e mídia nas causas da violência sexual.

*Papel estratégico da comunicação no enfrentamento à violência sexual contra meninos e meninas.

Poderão concorrer alunos de graduação (de qualquer área) de quaisquer instituições de ensino superior sediadas nos estados da Bahia, Ceará, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Sergipe e no Distrito Federal. Os candidatos precisam realizar sua pré-inscrição gratuitamente no site www.informacao.andi.org.br, além de enviar o projeto conforme os critérios estabelecidos em edital. O resultado da seleção, com a lista dos contemplados, será divulgado até o dia 22 de março.

Essa edição do programa de apoio a projetos de Trabalhos de Conclusão de Curso é resultado de um convênio da ANDI com a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH), e faz parte do projeto “O Enfrentamento à Violência contra Crianças e Adolescentes: o Papel da Mídia”. O projeto também conta com o apoio da Rede ANDI Brasil, da Bem TV, da Revista Viração e do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ).

Serviço:
Programa de Bolsas para Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC)
Inscrições de 20/01 a 10/03 de 2010
Acesse: www.informacao.andi.org.br

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“Lobo Mau”: um crime contra a ingenuidade infantil

Roubar a ingenuidade das crianças deveria ser crime. Hediondo. Inafiançável e com pena máxima, sem direito à liberdade condicional ou qualquer outro benefício, como a progressão de regime, por exemplo. Eu não levanto a bandeira contra o pagode baiano. Respeito os estilos musicais e danço o que toca. Não tenho CDs, não é um ritmo que toca no som do meu carro, mas eu vou a um show tranquilamente. E me divirto. Não vejo qualquer problema com o fato de cada um se divertir da forma que gosta. O que eu repudio são alguma letras que, por exemplo, abusam da nossa inteligência, ou, pior ainda, “coisificam” as mulheres. E minha revolta desta vez é por causa de uma música que está estourada aqui na nossa terrinha, e que brinca com a personagem da Chapeuzinho Vermelho, infelizmente intitulada “Lobo Mau”.

Eu bem sei, como muitos de vocês, que a fábula original da Chapeuzinho Vermelho é muito diferente daquela versão que contamos às nossas crianças. Aliás, muitos dos contos de fadas não foram originariamente escritos para os pequeninos. Ao longo do tempo acabaram ganhando adaptações direcionadas a auxiliar no crescimento e desenvolvimento deles, com direito a lições de moral no fim. No livro “Os 7 pecados capitais nos contos de fadas: como os contos de fadas influenciam nossas vidas”, de Sheldon Cashdan, o autor esclarece que as edições primárias nasceram como “entretenimento para adultos… e eram contadas em reuniões sociais, nas salas de fiar, nos campos e em outros ambientes onde os adultos se reuniam”. Era inclusive muito comum encontrar temas como erotismo, voyerismo e estupro nas entrelinhas dos escritos.

Lembro bem de uma das versões da história da Chapeuzinho, a de Charles Perrault, em que a menina fazia um streaptease para o Lobo Mau, além de comer a carne e beber o sangue da avó morta pelo animal. No final, acaba ao lado do lobo na cama e é comida por ele. Então, não vamos falar de ingenuidade literária aqui. A questão é que nossos pequenos ouvem as histórias de outro modo. Os livrinhos cheios de cores e desenhos da Chapeuzinho mostram a eles que eles não devem desobedecer a mamãe. Chapeuzinho se depara com o lobo, porque não seguiu as instruções de sua mãe e seguiu para a casa da vovó pela floresta. E lá estava o lobo, de “butuca”, seguindo seus passos. Na versão infantil, um caçador tira a vovó da barriga do bicho e também salva a menina.

Quando ouvi a letra da música a que me referi no início do post, fiquei bastante incomodada. A letra, em minha opinião, tem um apelo sexual muito forte. Mas o que mais me choca é a incitação nua e crua à pedofilia. Na música, o Lobo Mau é personificado. Mas a Chapeuzinho continua uma menina. Muitos de vocês podem pensar que eu estou “viajando na maionese”, que minhas observações são exageradas. Aí cabe a cada um refletir e tirar suas próprias conclusões sobre a polêmica, e eu respeitarei todas elas. Mas acho um verdadeiro absurdo brincar com a ingenuidade das crianças desta forma. A dança é erótica, a música toca o tempo inteiro, e ainda que você tenha o maior cuidado com o que seu filho, sobrinho, etc ouve, não dá para manter tudo sob controle. Entre quatro paredes, e entre adultos, aí sim, pode até valer tudo. Mas um mínimo de pudor público é essencial.

A ingenuidade é a coisa mais bonita que pode existir em uma criança. E me preocupa o fato de tratarmos isso com descaso e negligência. Não importa se os contos surgiram em um contexto em que tentava-se controlar o comportamento humano, principalmente o feminino. O cerne do problema discorrido neste texto é outro. É impossível desconsiderar essa nova função incorporada pelos contos de fada, de encher de ludicidade e de imaginação a vida das crianças. Até que alguém tem a “brilhante” ideia de jogar todo esse processo de reconstrução literária no lixo, apenas para tentar ganhar fama a partir da exploração e do apelo sexual envolvendo o universo das fábulas.

No Carnaval de Salvador, a música já virou polêmica. A intenção era ter publicado este post antes. Mas acabou sendo bom o atraso, afinal pudemos acompanhar a atitude dos artistas. Nos blocos infantis, nem sinal da tal canção. Carla Perez, que puxa o Algodão Doce, anunciou para todos os cantos que não cantaria a música. Que bom! Eliana e Tio Paulinho, que animam o Happy, não tomaram partido da discussão, mas também não entoaram a letra de mau gosto no circuito da Barra. Quanto aos astros e estrelas do axé, Ivete Sangalo, uma das musas do ritmo baiano, fez questão de fazer ecoar o refrão pelas ruas. Logo ela, que tem um público infantil tão forte. Pior, que fez um CD para crianças e acabou de colocar no mundo uma delas. Fico pensando por onde anda a assessoria da moça, que não fez qualquer observação a respeito  do assunto. Ou será que fez? Lamentável.

Aqui, deixo meu apelo. Vamos cultivar a ingenuidade infantil. A vida adulta já nos arranca esta mesma ingenuidade a fórceps. Não deixem que façam isso com nossas crianças. A música não destrói apenas a imagem da Chapeuzinho Vermelho, destrói, aos poucos, os sonhos infantis.

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Uma conversa sobre Aids, Carnaval e juventude

Durante estes dias de cobertura carnavalesca pela mídia, ouve-se muito falar em Aids e fala-se muito da importância da camisinha, principalmente porque o Carnaval é uma festa que tem fama de mais permissiva. Toda a ênfase no beijar na boca, na “ficação”, no curtir o momento, todo o mito da máscara e do não saber como e com quem, é excitante, sem dúvida. Existe um fetiche na “festa da carne”, isso é inegável e a intenção aqui não é ser moralista. Sexo é bom sim, mas quando feito com consciência, ainda fica melhor. Quando digo consciência, quero enfatizar o conhecimento do próprio corpo, das próprias necessidades e também das necessidades da pessoa com quem compartilhamos esse momento, seja parceiro (a) fixo ou não.

Embora se divulgue mais a escalada da epidemia de Aids entre os brasileiros em datas especiais, perto do Carnaval ou no Dia Mundial dedicado a conscientização sobre a doença, por exemplo, os números não são fantasia e nem estratégia de marketing para comover. Eles refletem a condição de milhares de pessoas reais. Liberar a informação perto ou durante o Carnaval, acredito, tem intenção de aproveitar sim que as pessoas estão focadas no sexo, mas ainda assim, os fatos existem, a epidemia existe, continua a crescer silenciosamente e atinge uma faixa etária cada vez menor.

Segundo o último boletim que recebemos (via email) do Ministério da Saúde, na faixa etária de 13 a 19 anos, o número de casos de Aids é maior entre as mulheres.  Dos 20 aos 24 anos, a divisão por gênero é semelhante e atinge tanto eles quanto elas (independente da orientação sexual) em percentagens iguais. Já entre os homens jovens, ainda segundo o MS, há maior incidência de infecção nas relações homossexuais. Vê-se com isto que a Aids nunca foi uma doença restrita a um gênero ou opção sexual, mas é alarmante o fato de tanta gente jovem adquirir o vírus. É falta de campanha? Acredito que não é só isso. Ainda assim, este ano, o foco da campanha pró-camisinha do MS durante a folia de Momo tem como alvo os jovens.

Acredito que, além da necessidade de se divulgar com mais frequência os números e as estratégias de prevenção, existe também uma falta de consciência corporal, um excesso de fé no outro (principalmente daqueles que tem parceiro (a) fixo), uma grande subserviência das mulheres (que ainda não aprenderam a agir de igual para igual com seus parceiros na relação) e, diante de tantos jovens ainda em tenra idade contaminados, um desejo até meio mórbido de desafiar a morte e dizer: “comigo não acontece”. Só que pode acontecer. E, até o momento, ainda não inventaram método mais simples de prevenção do que a camisinha.

Outro dia, respondi um comentário de alguém que dizia não gostar de sexo com camisinha. Ela revelava que não conseguia sentir prazer com a camisinha, mas acredito que sentir ou não prazer em uma relação está além da camisinha, porque está além da penetração. Cada casal deve buscar nas suas preferências e práticas, fazer o joguinho de sedução, caprichar nas preliminares, descobrir outras zonas de excitação no corpo do parceiro (a), para não limitar o sexo só ao ato da penetração. Ser criativo na vida é fundamental e o sexo faz parte disso. Então, para mim, esse aumento do número de casos de Aids entre gente jovem demais, ou de HPV, ou de outras doenças sexualmente transmissíveis (e aqui vale lembrar que a Aids se transmite por outros meios que não apenas o sexo), tem um pouco também de relação com falta de maturidade para gerenciar uma vida sexualmente ativa.

Os jovens se iniciam no sexo mais cedo, mas não estão preparados para administrar a situação, negociar o uso do preservativo, ainda não possuem aquela consciência corporal que já falei acima, as meninas mais novas são ainda mais vulneráveis à vontade do parceiro, sobretudo nas relações heterossexuais, que é onde a carga machista da sociedade traz toda aquela ideia de que a iniciativa é deles e só deles e que elas devem se submeter, espera-se até que se submetam. Creio que tudo isto ocorre porque a adolescência (e são pessoas de 13 a 19 anos se contaminando), é uma idade de tantas incertezas em tantas áreas da vida, porque não seria neste fator, o sexo?

Os pais, a escola, a sociedade, todos precisam atentar para o fato de que existe um alerta (e não é dos números do Ministério da Saúde) quando tantos jovens se contaminam em tão grande proporção com o vírus da Aids. Existe um alerta que perpassa a educação recebida em casa, a educação recebida na escola, a falta de diálogo, a erotização precoce de crianças que sequer foram alfabetizadas ainda mas estão expostas a letras de música e programas na tv acima da sua capacidade de compreensão. É uma cruzada social impedir que tantas vidas precoces se comprometam com algo tão complexo quanto ser portador de HIV. Todos, de alguma forma, temos de contribuir!

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Confira a íntegra do Boletim do Ministério da Saúde divulgado em fevereiro:

*Epidemia de Aids atinge jovens entre 13 e 19 anos

Mariângela Simão, do Ministério da Saúde. Crédito da imagem: Agência Brasil

Os números mais recentes da Aids no Brasil mostram que a epidemia, na década de 2000, comporta-se de forma diferente entre os jovens. Na população geral, a maior parte dos casos está entre os homens e, entre eles, a principal forma de transmissão é a heterossexual.

Considerando somente a faixa etária dos 13 aos 24 anos, a realidade é outra. Na faixa etária de 13 a 19 anos, a maior parte dos registros da doença está entre as mulheres. Entre os jovens de 20 a 24 anos, os casos se dividem de forma equilibrada entre os dois gêneros. Para os homens dos 13 aos 24 anos, a principal forma de transmissão é a homossexual.

Diversos fatores explicam a maior vulnerabilidade dos jovens para a infecção pelo HIV. Entre as meninas, as relações desiguais de gênero e o não reconhecimento de seus direitos, incluindo a legitimidade do exercício da sexualidade, são algumas dessas razões.

No caso dos jovens gays, falar sobre a sexualidade é ainda mais difícil do que entre os heterossexuais. “Eles sofrem preconceito na escola e, muitas vezes, na família. Isso faz com que baixem a guarda na hora de se prevenir, o que os deixa mais vulneráveis ao HIV”, explica Mariângela Simão, diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.

Feminização – O aumento de casos de Aids entre as mulheres se deu em todas as faixas etárias. Em 1986, a razão era de 15 casos em homens para cada um caso em mulheres. A partir de 2002, a razão de sexo estabilizou-se em 15 casos em homens para cada 10 em mulheres. Na faixa etária de 13 a 19 anos, o número de casos de Aids é maior entre as mulheres jovens. A inversão apresenta-se desde 1998, com oito casos em meninos para cada 10 casos em meninas.

Entre 2000 e junho de 2009, foram registrados no Brasil 3.713 casos de Aids em meninas de 13 a 19 anos (60% do total), contra 2.448 em meninos. Na faixa etária seguinte (20 a 24 anos), há 13.083 (50%) de casos entre elas e 13.252 entre eles. No grupo com 25 anos e mais, há uma clara inversão – 174.070 (60%) do total  de 280.557 de casos são entre os homens.

A Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira, lançada pelo Ministério da Saúde em 2009, também ajuda a explicar a vulnerabilidade das jovens à infecção pelo HIV. De acordo com o estudo, 64,8% das entrevistadas entre 15 e 24 anos eram sexualmente ativas (haviam tido relações sexuais nos 12 meses anteriores à pesquisa). Dessas, apenas 33,6% usaram preservativos em todas as relações casuais, que são as que apresentam maior risco de infecção.

Nos homens, 69,7% dos entrevistados eram sexualmente ativos. Entre eles, porém, o uso da camisinha é maior: 57,4% afirmaram ter usado em todas as relações com parceiros ou parceiras casuais.

Homossexuais – Na faixa etária de 13 a 19 anos, entre os meninos, houve mais casos de Aids por transmissão homossexual (39,2%) do que heterossexual (22,2%), no ano de 2007. Essa tendência é diferente do que ocorre quando se observa todos os casos de Aids adquiridos por transmissão entre homens – 27,4% homossexual e 45,1% heterossexual.

Nas escolas – O carro-chefe das ações de prevenção à Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis é o programa Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE), uma iniciativa dos Ministérios da Saúde e da Educação. Criado em 2003, o SPE tem como objetivo central desenvolver estratégias para redução das vulnerabilidades de adolescentes e jovens. As ações se dão de forma articulada entre escolas e unidades básicas de saúde. Hoje, 50.214 escolas de todo o país participam do programa.

A iniciativa trabalha a inclusão, na educação de jovens das escolas públicas, dos temas saúde reprodutiva e sexual. O SPE reúne ações que envolvem a participação de adolescentes e jovens (de 13 a 24 anos), professores, diretores de escolas, pais dos alunos, e gestores municipais e estaduais de saúde e educação. É no âmbito deste programa que se disponibiliza preservativos nas escolas.

*Fonte: Assessoria de Comunicação do Ministério da Saúde – Brasília

Saiba mais:

Para ver material da campanha do MS durante o Carnaval, que este ano está focada nos adolescentes, visite: www.aids.gov.br.

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*Artigo: O crime oculto na máscara

Meninas e meninos, desculpem a ausência dos últimos dias. Mas, como postei ali ao lado, no nosso twitter, foi uma semana bem corrida para as blogueiras devido ao Festival de Verão Salvador, evento musical que funciona como pré-Carnaval aqui na capital baiana. Geralmente, neste período carnavalesco, a imprensa trabalha bastante e, diante da emergência na redação do jornal onde trabalhamos, sobra pouco tempo para os projetos pessoais, como é o nosso “Conversa”. Mas, uma vez que a banda passa, a vida segue seu curso. Nesta segunda-feira, separei para vocês um artigo muito interessante do advogado Antonio Gonçalves, sobre crimes na internet. No texto, ele reflete sobre realidade virtual e mundo real, analisando “as máscaras” que muitas pessoas usam para praticar delitos na rede e ficarem impunes. E nem precisa ser um crime grave, muita gente usa “anônimo” como pseudônimo para deixar comentários agressivos em sites e blogues. Aqui mesmo no nosso espaço, infelizmente, muitos comentários que poderiam enriquecer debates, descambam para a agressão gratuita, tudo sob a máscara do anônimato. Sempre reflito que, se a internet e, por tabela, a realidade virtual, simula a vida que levamos aqui fora e se, no mundo real fazemos tanta questão de respeito, porque não usar deste mesmo respeito nas relações on line? Fica a pergunta para pensarmos. Confiram o texto de Antonio Gonçalves:

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O crime oculto na máscara

**Antonio Gonçalves

É cada dia mais comum a convivência das pessoas com a internet. O que antigamente era tido como mera ficção ganha contornos cada vez mais reais. É preciso discernir os universos real e virtual, este último responsável pela concretização de sonhos, desenvolvimentos de personagens, etc.

Na internet e em sites de relacionamento proliferam-se cada vez mais a criação de personagens que nem sempre equivalem a seus pares reais. Ora, e qual a relação de um site com a vida cotidiana?

O cerne da questão reside no fato da falsa sensação de poder advinda com a criação dessa figura virtual, pois nada obsta criar uma “pessoa” com todas as características que uma pessoa gostaria de ter, todavia, não o tem.

Com isso, cresce o número de relações surgidas através de sites, numa nítida mistura entre real e virtual. O fato é que nem sempre a verdade é a que se apresenta, logo, a idoneidade pode estar esquecida ou corrompida, dando vazão a crimes que se imiscuem no virtual.

Os crimes afloram de relações calcadas numa tênue inocência por uma das partes que se predispõe a conhecer alguém para preencher a lacuna chamada solidão, cada vez mais atada à globalização, portanto, tudo se inicia em um despretensioso bate-papo, que evolui para trocas de e-mail ou contato via conversação instantânea.

Quando a porta de comunicação se estabelece, o criminoso desnuda suas armas e demonstra a seu alvo suas intenções. Se o autor for minimamente comedido, ainda haverá a opção de iludir seu interlocutor para obter uma passagem do virtual com um encontro no mundo real. O resultado pode ser a concretização de crimes variados: atentado violento ao pudor, estupro, roubo, etc.

As certificações e os cuidados inerentes ao processo de conhecimento na vida real são burlados pelo desenvolvimento de uma confiança virtual, com resultados que podem ser completamente desastrosos.

A solução é criar tipos penais para o mundo virtual? Endurecer as regras para a internet? Proibir as pessoas de acessarem sites de relacionamento? Na verdade, é necessário um incremento da legislação que combate os crimes digitais. Não podemos conviver pacificamente com crimes reais advindos de estratagemas do mundo virtual. Se a lei existente se mostra ineficaz, está na hora de modificá-la. O que não se pode é esconder ou mascarar a realidade delituosa por trás da falsa máscara da inocência criada pelo criminoso no mundo virtual.

Encarar o mundo virtual como uma diversão não passará de uma ilusão para proliferar as intenções criminosas de pessoas que veem a internet como meio para alcançar seus fins insidiosos. O legislador nacional deve assegurar a proteção à sociedade. O mundo virtual deve deixar de ser um local imaginário para ser penalizado de forma mais severa e garantir a diversão a que deveria se propor originalmente.

*Material encaminhado ao blog pela AZ Brasil

**Antonio Gonçalves é advogado criminalista e membro da Association Internationale de Droit Pénal – AIDP. Pós-graduado em Direito Tributário (FGV), Direito Penal Empresarial (FGV) e Direito Penal – Teoria dos Delitos (Universidade de Salamanca – Espanha). Mestre em Filosofia do Direito e Doutorando pela PUC-SP.

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Artigo: diferença entre responsabilidade social e caridade

O artigo desta quinta é de autoria da assistente social Denise Pavani Scucuglia. No texto abaixo, ela analisa a prática da responsabilidade social pelas empresas e diferencia conceitos como filantropia e caridade. O texto é um bom começo para entidades ou pessoas que pretendem iniciar algum tipo de trabalho voluntário em 2010. Hoje, no twitter de um amigo, li uma frase interessante: “A mobilização mundial pró-Haiti é um belo exemplo para todos. Imagine se isso ocorresse todo ano para ajudar uma região diferente do mundo?”. Acredito que o artigo de Denise e a frase de Rodrigo se completam e no mínimo, dão muito material sobre o qual refletir…

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Responsabilidade Social? Filantropia, caridade?  De quem? Para quem?

*Denise Pavani Scucuglia

Nada mais atual do que se falar em “responsabilidade social”…

Poucas vezes um tema foi debatido por tantas pessoas diferentes, por tantos segmentos e com tantas propostas como esse. Discute-se sobre crescimento auto-sustentável, camada de ozônio, reflorestamento, subemprego, trabalho infantil, camadas sociais abaixo do nível da pobreza, abuso moral, etc. Por mais diferentes que esses assuntos possam ser, todos, de alguma forma, remetem à responsabilidade social.

O tema possui até uma norma internacional específica chamada SA 8000 – Norma de Responsabilidade Social, da SAI (Social Accountability International), que diferentemente do que alguns leigos possam entender, refere-se única e exclusivamente às questões inerentes ao público interno das Organizações.

Sem dúvida nenhuma, trata-se de um excelente avanço, pois parametriza algumas questões bastantes polêmicas, criando padrões e regularizando questões importantes. Porém, esta Norma não pressupõe nenhum tipo de ação social que extrapole os limites de atuação dos colaboradores das empresas. Apesar de incentivar e até valorizar estas práticas, elas não têm nenhum peso no processo de certificação.

Partindo desta premissa, é que chegamos ao ponto que gostaria de trazer à reflexão: que tipo de ação social as empresas podem ou devem manter para gerar um benefício sustentável às comunidades onde atuam? Como definir a ação de responsabilidade social a ser desenvolvida e como acessar o público alvo eleito? Muitas ONGs, Fundações e Instituições Filantrópicas vêm realizando trabalhos sérios e merecidamente reconhecidos pela sociedade. Porém, percebe-se uma lacuna interessante nesta área.

Nós encontramos ações meramente assistencialistas, onde a doação de cestas-básicas, medicamentos e vestuário são essenciais para a sobrevivência de uma comunidade. Nesses casos, as necessidades básicas são tão gritantes que mais nada faria sentido, pelo menos inicialmente.

Outra ação muito comum é a multiplicação de um conhecimento que objetiva a possibilidade de ampliação da renda familiar, onde normalmente encontramos pessoas de boa vontade multiplicando suas habilidades como, por exemplo: o ensino do artesanato, crochê, pintura ou mesmo atividades mais técnicas como informática, eletricidade, serviços de pedreiro, pintor, etc.

Isto, sem contar, é claro, com as instituições mais alicerçadas que contribuem para a implantação de projetos, atendendo uma demanda de captação de recursos de comunidades que contam com uma infra-estrutura já melhor elaborada.

Porém, a lacuna a que me referi é quanto à CAPACITAÇÃO INTELECTUAL. Quando a proposta é aumentar o nível de conhecimento de um público menos favorecido e, conseqüentemente, sem condições de buscar uma reciclagem do saber, o caminho é tortuoso. A sociedade não está preparada para oferecer, nem tampouco receber, este tipo de “doação”, que difere completamente da linha assistencialista, mas que gera uma oportunidade de reflexão e crescimento pessoal, antes de tudo.

Será que um adolescente que, a duras penas, conseguiu finalizar seu curso médio e agora precisa inserir-se no mercado de trabalho para ajudar no orçamento familiar, consegue perceber o quanto pode ser importante para ele alguns cursos complementares? Normalmente, ele acredita que um curso universitário está fora de seus planos, pois não possui condições financeiras para tanto e se acomoda a repetir uma história de vida tão fragilizada, mas que já reconhece muito bem e, de alguma forma, lhe mantém em sua “zona de conforto”. Essa reciclagem de conhecimento poderia agregar a ele um potencial que lhe traria melhores oportunidades profissionais e, consequentemente, maiores proventos, dando-lhe até a real possibilidade de freqüentar a tão sonhada faculdade.

E vamos além… Tantos profissionais desempenham suas funções durante anos a fio, sem jamais almejar algo diferente (para não dizer melhor). Fazem aquilo que sabem e que têm experiência, sem poder pensar num crescimento profissional, pois, para tanto, necessitariam de uma reciclagem de conhecimento, cujo preço não lhe é acessível.

Dentro deste quadro, o que nós, empresários, estamos fazendo para alterar esse panorama? Que ações teríamos que ter para alcançar este público e, inicialmente, fazê-lo acreditar que, assim como qualquer pessoa, todos têm o direito de sonhar e buscar a realização de seus sonhos.

A experiência tem nos mostrado que não é uma missão simples atingir este público. Várias são as barreiras que separam o desejo de aprender com a vontade de ensinar.

Alguns conceitos são importantes para nos balizar, a saber:
· VOLUNTARIADO – atividade não remunerada, prestada por pessoa física à entidade pública de qualquer natureza, ou à instituição privada de fins não lucrativos, que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência social, inclusive mutualidade.
· FILANTROPIA – Originário do Grego: Philos = Amor, e Antropos = Homem. Relaciona-se ao amor do homem pelo “ser humano”, ao amor pela “humanidade”. No sentido mais amplo, pressupõe o amor ao próximo e a COMPAIXÃO. Compaixão, no sentido de TER PAIXÃO e não como se costuma pensar: ter piedade. Para se ter compaixão é necessário a EMPATIA (colocar-se no lugar do outro).
· AGENTE DE MUDANÇA: A ação voluntária deve ser facilitadora do desenvolvimento e do crescimento.
– Se for Assistencialista – cria dependência.
– Se for Autoritária – cria a baixa auto-estima.
– Se for Clientelista – cria uma cultura de adesão.
– Se for Democrática – cria CIDADANIA e AUTONOMIA.

Quando o enfoque para a elaboração de um Projeto Social for o Voluntariado e a Filantropia e obtiver um Agente de Mudança convicto de que precisa ter uma ação democrática, estaremos caminhando para a criação de seres humanos “CIDADÃOS e AUTÔNOMOS”.

Que cada um faça a sua parte!

Embora ninguém possa voltar atrás
E fazer um novo começo…
Qualquer um pode recomeçar agora
E fazer um novo fim”.
(Chico Xavier)

*Denise Pavani Scucuglia é Assistente Social e especialista em Análise Transacional, formada pela UNAT Brasil. Também é diretora administrativa financeira da Gauss Consulting.

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Luto: Morre Zilda Arns, mulher que fez a diferença

Zilda Arns em uma de suas palestras. Crédito das imagens: Agência Brasil

A médica pediatra e sanitarista Zilda Arns, criadora das pastorais da Criança e do idoso, indicada ao prêmio Nobel da Paz em 2006, foi uma das vítimas do forte terremoto que abalou o Haiti e foi sentido em boa parte do pacífico caribenho nesta terça-feira à noite. Zilda Arns viajou ao Haiti para fazer uma palestra sobre combate à desnutrição e voltaria para casa no próximo sábado, dia 16. Infelizmente, quis o destino que ela estivesse no local de uma tragédia de grandes proporções. Foram três terromotos, um deles alcançou 7 graus, o mais alto na escala Richter. Os abalos derrubaram um hospital e diversos edifícios e casas, ferindo moradores e turistas de Porto Príncipe, a capital haitiana. Também atingiu as instalações do exército brasileiro – há tropas do país, inclusive baianos, servindo nas forças de paz da ONU naquela ilha – e até a embaixada brasileira foi afetada. Enquanto os governos do Brasil e EUA tentam mitigar o sofrimento dos haitianos e descobrir informações sobre as vítimas, Conversa de Menina faz uma singela homenagem à Zilda Arns, uma mulher que sem dúvida, ao longo dos seus 76 anos de vida, fez a diferença.

Alguns anos atrás, fui uma das repórteres que entrevistou a médica durante um evento da pastoral da criança, em Salvador. Fiquei impressionada com a força de caráter e a bondade e delicadeza demonstrados por aquela senhora quase da idade da minha mãe, tão ativa e dinâmica, cheia de energia e com tanta vontade de ajudar aos outros. Incansável, ela vivia viajando, militava pela diminuição da mortalidade infantil nos países subdesenvolvidos, militava contra  a fome, era inteligentíssima e profunda conhecedora da natureza humana.

Para quem tem curiosidade em saber mais sobre quem foi Zilda Arns, abaixo uma resumida biografia:

Pediatria social era uma das especialidades da médica, incansável militante no combate a mortalidade infantil e manterna

Zilda Arns nasceu em agosto de 1934, em Santa Catarina. Era irmã do cardeal e arcebispo de São Paulo, D. Paulo Evaristo Arns.  Estudou medicina em Curitiba e escolheu a pediatria como carreira, tendo trabalhado durante anos em prol da diminuição da mortalidade infantil e materna e pelo fim da violência doméstica contra crianças. Ao longo da carreira, fez dezenas de cursos de especialização: em medicina sanitária, educação física, pediatria social, educação em saúde materno-infantil. No começo dos anos 80, ela coordenou a primeira grande campanha de vacinação contra a poliomielite em Santa Catarina e o método que ela desenvolveu foi posteriormente adotado pelo Ministério da Saúde em todo o país. Em 1983,  criou a Pastoral da Criança e desde então, percorreu diversos países no seu trabalho como médica, sanitarista e divulgando os trabalhos da pastoral. Os caminhos da solidariedade levaram Zilda Arns até a Indonésia, Angola, Estados Unidos e quase toda a Europa. Graças ao trabalho na pastoral da Criança, essa mulher que ainda encontrou tempo para criar cinco filhos sozinha – ficou viúva em 1978 – recebeu da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), a missão de criar a Pastoral da Pessoa Idosa, o que ela fez em 2004. Por sua luta em prol da infância, Zilda Arns recebeu diversos prêmios e títulos nacionais e internacionais. Além da indicação ao Nobel, um dos prêmios internacionais de destaque foi o título como “heroína da saúde pública das Américas”, concedido pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS).

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**Artigo: Violência Doméstica Contra a Mulher

Nesta quinta-feira, em que a imprensa baiana mais uma vez divulga crimes praticados contra mulheres, publicamos aqui no Conversa de Menina um artigo assinado pela advogada Gislaine Barbosa de Toledo, analisando os três anos da Lei Maria da Penha e a omissão do Estado em fazer com que este conjunto de normas de proteção às mulheres seja de fato posto em prática. Aqui em Salvador, um homem confessou o estupro e assassinato de uma menina de 13 anos, sendo que o criminoso é reincidente e já havia feito outras vítimas, sido preso, solto e preso novamente (assista aqui reportagem). Além disso, o secretário de Segurança Pública da Bahia divulgou que este ano o número de estupros aumentou 26% na capital baiana (leia aqui). Muito temos batido na tecla contra a violência e nossos leitores nos incentivam a continuar abordando o assunto. Por isso, nos ajudem a divulgar esses crimes hediondos. Denunciar os agressores, sejam estupradores ou quem se julga, errada e absurdamente, no direito de bater na mulher; além de exigir da justiça que cumpra seu papel, é nossa forma de luta. Quanto mais informações fizermos circular, mais gente será conscientizada contra essa barbaridade.

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VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA A MULHER

*Gislaine Barbosa de Toledo

Maria da Penha, que batiza lei para coibir violência contra mulheres. Crédito da imagem: Antônio Cruz - Agência Brasil

A palavra violência é originária do latim violentia tendo como significado ato de violentar alguém, exercendo constrangimento sobre determinada pessoa obrigando-a a prática de algum ato contra a sua vontade.

Na busca de coibir esta forma de violência entrou em vigência a lei n.º 11.340 de 07 de Agosto de 2006, mais conhecida como lei Maria da Penha, a referida lei criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher em conformidade com a Constituição Federal art. 226 § 8.º, alterando também o Código de Processo Penal e o Código Penal e respectiva lei de Execuções Penais.

A pertinente lei também elencou sobre a necessidade de criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a mulher com a finalidade de que os processos pudessem ter mais celeridade.

Ocorre que diversas cidades brasileiras não possuem ainda uma vara especifica para tratar deste assunto, sendo que os juizados especiais criminais estão atendendo a referida demanda.

Três anos já se passaram da implantação da lei Maria da Penha e várias denúncias foram efetuadas, todavia, no âmbito judicial pode ser verificado que apesar da elevação de processos e denúncias, muitas vítimas desistem de prosseguir com os trâmites processuais, os fatores são vários como a elevação de idade, a dependência da renda do marido para sustentar a prole, vínculo afetivo e laços entre o pai e filhos.

Conforme notícia veiculada pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, no dia 26/09/09, a Juíza Titular da Vara do 1.º Juizado de Violência Doméstica, Dra. Isabel da Silva, explica que as mulheres que mais denunciam as violências sofridas são as ex-companheiras, seguidas, estatisticamente, pelas companheiras, as ex-casadas e, por último, as casadas. As que mais se retratam e não representam contra os parceiros são as mulheres casadas e as companheiras, “justamente porque pretendem manter o vínculo com o agressor, seja pela dependência econômica, pela dependência emocional ou por ambas”, afirma a magistrada.

Continuando sua entrevista a Magistrada informa que o Tribunal possui um serviço Psicossocial Forense, serviço este que conta com uma equipe de psicólogos e assistentes sociais que orientam, esclarecem e ajudam as famílias, afirma a juíza. “Há notável mudança no comportamento das pessoas atendidas pelos grupos de apoio, após passarem por essa experiência. As mulheres mostram-se mais conscientes da necessidade de denunciar o agressor, como forma de prevenir, repelir e reprimir a violência. Os homens, por outro lado, tomam consciência de que a violência doméstica é crime, e o mais importante, que ela é prejudicial à saúde da família”.

A propagação da violência doméstica, geralmente efetuada pelo homem, está relacionada e associada a diversos fatores como problemas relativos ao alcoolismo e dependência química, falta de estrutura familiar em virtude da erradicação da pobreza, desemprego, aumento elevado de filhos e algumas vezes baixa escolaridade.

Vislumbra-se que a lei Maria da Penha é bastante severa e elencou os direitos da mulher quando esta sofre qualquer tipo de agressão, não podendo apenas sua divulgação ocorrer em data de aniversário de sua criação.

Também vislumbramos que a referida lei elenca no art. 8.º formas de prevenção da referida violência, como campanhas educativas, difusão da lei e inserção nos currículos escolares de todos os níveis de ensino sobre o problema da violência doméstica.

Infelizmente, não é isto que ocorre, pois as campanhas são insuficientes, a referida lei não é distribuída de forma gratuita às classes que não possuem acesso a internet, bem como ainda não ocorreu qualquer alteração nos currículos de ensino.

Coibir a violência doméstica vai além da punição e da denúncia, envolvendo principalmente aspectos educacionais.

Conclui-se que para dirimirmos a violência, a base começa na educação de crianças e jovens se estendendo ao seio familiar, pois a partir desta base sólida teremos a formação da personalidade e do caráter dos seres humanos, onde, através de vivências e aprendizado, os mesmos poderão modificar a triste trajetória que é a violência contra a mulher em nosso país.

Enquanto isto não ocorre compete aos órgãos públicos, conforme determinado na legislação, efetuar pesquisa de dados sobre a respectiva violência e a partir daí efetuar implementações sejam educacionais, sociais ou judiciais nas áreas que demonstrem aumento das mesmas.

Estamos vivendo a era da transparência, que a mesma sirva não só para verificação de direitos, mas, principalmente, para cobrança de deveres.

*Gislaine Barbosa de Toledo é advogada.

**Artigo encaminhado ao blog através da assessoria de comunicação do escritório Fernando Quércia Advogados Associados.

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Redes sociais contra a violência e a favor da ciência

Independente da crença de cada um, existem iniciativas que transcendem a religião e buscam um objetivo comum, um benefício para toda a sociedade, não importando o credo. Uma dessas iniciativas que acredito vale a pena divulgar aqui no blog é o site Quebrando o Silêncio, que faz parte de uma campanha da igreja Adventista do Sétimo Dia em toda a América Latina para diminuir os índices da violência doméstica praticada contra mulheres, crianças e idosos. A página, embora tenha o seu lado doutrinário – e vai depender do interesse de cada um acessar ou não essa parte mais fortemente ligada a religião -, também oferece links para todos os Conselhos Tutelares do país e para outros sites como o Observatório da Infância, Sou da Paz e para a Ong Não Bata, Eduque, que já até citamos aqui no blog em outras ocasiões. Além disso, o Quebrando o Silêncio oferece diversos artigos com análises sobre a violência doméstica e suas causas, vídeos, espaço interativo para receber material dos internautas e até material da campanha para baixar e aplicar na comunidade ou na escola. Contra a violência toda ajuda é bem-vinda, porque independente da crença que seguimos, todos somos vítimas em potencial dela e cabe a nós sairmos dessa postura de vítimas e lutarmos para dar um basta a essa prática tão perversa. Para visitar o site da campanha Quebrando o Silêncio, o link é este.

Rede pela ciência – E já que a conversa hoje é sobre participação, cidadania e engajamento, a política espacial brasileira virou tema de comunidade virtual. A rede tem o objetivo de abrir os debates sobre a política espacial brasileira para a sociedade, contribuindo desta forma para os projetos avaliados pelo Conselho de Altos Estudos da Câmara Federal. É importante lembrar que política espacial, no mundo tecnológico em que vivemos, permite por exemplo a ampliação do número de satélites brasileiros no espaço. Esses satélites, por sua vez, ajudam a monitorar o meio ambiente (avanço do desmatamento na Amazônia, por exemplo), o clima (ocorrência de catástrofes naturais), ampliam as conexões de tv, internet, celular e etc. Com a rede social, a Comissão de Altos Estudos aguarda a contribuição de segmentos organizados, institutos de pesquisa e da comunidade científica nas discussões. Já estão envolvidos no debate, consultores de várias áreas, como Ciência e Tecnologia, Educação, Orçamento, Defesa, Economia e Meio Ambiente. Para participar da comunidade virtual, basta acessar este link.

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