Nos próximos dias, em Salvador, acontecem os lançamentos de três obras literárias, uma delas infanto-juvenil, outra ambientada no universo da capoeira e a terceira sobre a amizade do cantor e compositor Dorival Caymmi, do artista plástico Caribé e do fotógrafo Pierre Verger. Traça de Biblioteca desta sexta traz os detalhes dos eventos e das obras. Confiram:
CAPOEIRA NO FORTE
O livro Capoeira Angola: Educação Pluriétnica, Corporal e Ambiental, do professor Jorge Conceição, será lançado nesta sexta, 27, às 18hs, no Forte de Santo Antônio Além do Carmo, o Forte da Capoeira, localizado na Rua Barão do Triunfo, s/n, mais conhecida como Largo de Santo Antônio. A obra é resultado de uma pesquisa sobre a relação da Capoeira Angola com o resgate da identidade africana. O autor é participante do curso de “Educação Ambiental para a Sustentabilidade”, promovido pelo Instituto de Gestão das Águas e Climas (INGA/Secretaria do Meio Ambiente) em parceria com a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), onde pesquisa a capoeira angola em sua relação com a afroidentidade. O estudo tem como público interativo 30 jovens do Centro de Reabilitação de Portadores de Deficiência Física das Obras Sociais Irmã Dulce – OSID, meninos e meninas com paralisia cerebral, síndrome de Down e outros distúrbios, e adultos não portadores de neuro patologias.
ENTRE BICHOS E CRIANÇAS
Entre bichos e crianças, florestas e fantasias, eis que surpresas e sentimentos se resumem a uma só onomatopéia: MéméCorocócóPiupiu. Com esse nome, será lançado na próxima terça-feira, dia 1º, às 19h, na livraria Tom do Saber, o primeiro livro de contos e fábulas de Índia Torreão Herrera. A nova escritora baiana faz sua estreia com uma coletânea de nove histórias de aventuras e poesias voltadas para o público infantil. O termo ‘MéméCorocócóPiupiu’ surge de um conto homônimo, a partir da união dos ‘cantos’ de um bode, uma galinha e um pintinho que, na história, surpreendem as personagens por conseguirem superar as diferenças e cantarem juntos músicas diferentes. No decorrer do livro, a expressão ganha significados próprios, tornando-se palavra mágica e parte de todos os eventos importantes. A obra conta com ilustrações do artista plástico Chico Liberato e nela destacam-se o espírito aventureiro das personagens – crianças, em sua maioria – e, principalmente, a paixão pelos animais e florestas, que encontra nas forças da natureza o poder para transformar vidas e o mundo. Outro aspecto que chama a atenção é a preferência da autora por corajosas protagonistas femininas.
Serviço:
O quê: Lançamento do livro infantil MéméCorocócóPiupiu
Autora: Índia Torreão Herrera
Quando: 01/12, terça-feira, às 19h
Onde: Livraria Tom do Saber (Rua João Gomes, 249, Pirâmide do Rio Vermelho)
Entrada franca
Informações: (71) 3311-3300
Preço do livro: R$25,00
AMIZADE À BEIRA-MAR
Carybé, Verger & Caymmi – Mar da Bahia trata da amizade dos três artistas e suas relações com o mar, cantado e pintado por Caymmi, fotografado por Verger e desenhado e pintado por Carybé. O evento de lançamento acontece no próximo dia 02 de dezembro, às 19h, no Palacete das Artes (bairro da Graça). O livro celebra a arte e, sobretudo, a grande amizade entre esses personagens e criadores do século XX que escolheram a Bahia e o jeito de viver de sua gente como motivo e cenário para suas obras.
Em Carybé, Verger & Caymmi – Mar da Bahia, o leitor percebe a riqueza das fotos em preto e branco da velha rolleiflex do gênio Verger, bem como a singularidade dos traços de Carybé, que retratam o cotidiano da época em que as velas dos saveiros enfeitavam o azul das águas da Baía de Todos os Santos e ainda se presenciava a pesca do xaréu nas praias do litoral norte da histórica Salvador. Tudo isso embalado pelas canções praieiras de Caymmi.
O texto, de autoria do jornalista José de Jesus Barreto, se fundamenta em pesquisas do acervo da Fundação Pierre Verger, da família Carybé, entrevistas e depoimentos. O diálogo das imagens captadas pela rolleiflex de Verger e pelos traços de Carybé, produzidos entre os anos 40 e 60 do século passado, está cerzido pelos poemas de Caymmi. O pescador cantado por Caymmi é ‘o mesmo’ fotografado por Verger, desenhado por Carybé. Os saveiros que chegam e saem do cais e rasgam as águas da baía, as festas para Iemanjá, o Bom Jesus dos Navegantes e Nossa Senhora da Conceição da Praia servem de inspiração para as canções-poemas, as pinturas e as fotos dos artistas.
Serviço:
O quê: Lançamento do livro Carybé, Verger & Caymmi – Mar da Bahia
Quando: 02 de dezembro, às 19h
Onde: Palacete das Artes Rodin Bahia – Graça
Valor: No lançamento, R$ 70, e nas livrarias, R$ 90
A Safernet, ong que atua no combate aos crimes cibernéticos, ampliou o prazo de inscrição do seu concurso de vídeo Tecnologia Sim. Conecte-se com Responsabilidade, que divulgamos aqui no blog em outubro passado (relembre aqui). Professores e estudantes que quiserem enviar seus vídeos sobre como utilizar a internet de modo seguro, têm até 13 de dezembro para se inscrever. O objetivo do concurso é estimular a reflexão sobre a importância de navegar com responsabilidade na rede.
Até o momento, já se inscreveram grupos de adolescentes de 13 Estados: Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
Podem participar adolescentes de todo o país com idade entre 12 e 18 anos. É preciso se reunir em grupos de 2 a 4 participantes, escolher um educador (se desejarem) e inscrever o vídeo, com duração de 1 a 3 minutos, pelo www.tecnologiasim.org.br
Não é preciso usar equipamento profissional. Vale webcam, celular, filmadora doméstica. Os critérios levados em consideração serão: conteúdo, criatividade e originalidade. Os participantes concorrem a prêmios no Brasil. Os três vencedores da primeira etapa disputarão também premiação regional, envolvendo os sete países organizadores: Argentina, Bolívia, Brasil, Costa Rica, México, Paraguai e Venezuela.
*Com informações da assessoria de comunicação da Safernet Brasil
Recebemos um material elaborado pela equipe da ANDI (Agência de Notícias dos Direitos da Infância) sobre castigos físicos e os danos psicológico e morais na infância e adolescência. Deixar de bater em um filho porém, não significa que vamos deixar de dar-lhe limites e de, em certos momentos necessários, usarmos nossa autoridade de pais e mães para recusar alguma coisa que sabemos que naquele momento não é adequado para nossos filhos. Existem outras formas de educar que são muito eficazes e que passam longe de puxões de orelha e surras. No contexto de sociedade em que nossos avós viviam e bem antes deles, a palmatória na escola e o cinto de fivela em casa eram a norma. Ouço muita gente dizendo que naquela época os índices de criminalidade e uso de drogas eram bem menores. No entanto, não era por causa das surras nas crianças, era por todo um conjunto de fatores sociais, incluindo o tamanho da população mundial, bem menor, a quase ausência de vida urbana, resquícios de regimes autoritários que iam do colonialismo às ditaduras do começo do século XX e outras variáveis. Não significa que a violência não existisse. Existia sim, em larga escala, como hoje, contra mulheres e crianças. A diferença é que naquela época, era legitimada pelo patriarcalismo. O que não quer dizer que não estivesse errado. Mas a sociedade evoluiu e é preciso que saibamos lidar com nossos problemas, incluindo a educação infanto-juvenil, de uma forma menos bárbara que antigamente. Do contrário, a ideia de civilização cai por terra. Dizer NÃO para uma criança é uma das formas eficazes de educar, mas sempre dizer um não contextualizado, para fazer a criança entender porque não pode isso ou aquilo. O que vejo por aí são muitos pais que abominam a palmada, mas também não conseguem controlar os próprios filhos, criando verdadeiros “monstrinhos”, pequenos ditadores que desconhecem o respeito ao próximo. Vale a pena ler a reportagem da ANDI e acessar os links indicados pela Agência. Mas vale também refletir sobre o que de fato estamos fazendo para educar as futuras gerações.
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**Castigos físicos, mesmo com caráter “educativo”, causam danos à saúde de crianças e adolescentes
Estudos demonstram que crianças expostas à violência doméstica podem acabar se transformando também em agressores
A linha que separa o castigo corporal autorizado do maltrato infantil é muito tênue
Castigos podem gerar problemas de saúde mental e comportamento anti-social
O castigo físico contra a criança e o adolescente dentro do próprio lar é uma das formas mais comuns de violência familiar cometida no Brasil e no mundo, praticada há tempos e socialmente aceita como método corretivo pela maioria dos pais. Para muitos, dar uma palmada ou puxar a orelha dos filhos quando se comportam mal, entre outras formas de castigo corporal, é uma maneira eficaz de educá-los, contribuindo para o controle e a disciplina.
Segundo o relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) lançado em agosto deste ano, somente 24 países proíbem os castigos físicos legalmente, e destes, apenas três são membros da Organização dos Estados Americanos (OEA): Uruguai, Venezuela e Costa Rica. Por outro lado, países como Peru, Brasil, Canadá e Nicarágua apresentaram recentemente iniciativas legislativas para proibir o castigo corporal contra as pessoas com menos de 18 anos. Em seu documento, a CIDH pede que os Estados proíbam toda forma de violência contra a infância e adolescência e solicita políticas públicas que enfoquem integralmente os direitos da criança. Estabelece, ainda, que até 2011, os países formalizem mecanismos de prevenção contra a violência infantil, incluindo medidas que possibilitem aos meninos e meninas denunciar maus tratos e, principalmente, serem ouvidos.
O relatório Mundial sobre a Violência e a Saúde (2002) e o Relatório sobre a Violência contra as Crianças, produzido pelo especialista Paulo Sérgio Pinheiro em 2006 para a ONU, conceituam a violência como o uso deliberado da força física ou do poder contra uma criança por uma pessoa ou por um grupo, seja por uma ameaça ou de forma efetiva, que cause ou tenha muitas probabilidades de causar prejuízo efetivo ou potencial à saúde dessa criança, à sua sobrevivência, seu desenvolvimento ou sua dignidade. Uma grande proporção de crianças e adolescentes em todo o mundo sofre significativa violência em seus lares. O estudo afirma, ainda, que grande parte da violência exercida contra o público infanto-juvenil permanece, por muitas causas, acobertada, dificultando a aplicação da justiça. Uma das razões para isso é o medo: muitas crianças têm temor de denunciar os episódios de violência que sofrem. Em outros casos, pais e mães, que deveriam proteger seus filhos, também por medo preferem o silêncio, principalmente se o responsável pela violência é o cônjuge ou algum membro da família.
A aceitação social da violência é um fator fundamental. Tanto as jovens vítimas quanto os agressores podem aceitar a violência física, sexual e psicológica como algo inevitável. E a disciplina cumprida mediante castigos físicos e humilhantes, intimidação e abuso sexual, com frequência é percebida como algo normal, especialmente quando não produz danos físicos “visíveis” ou imediatos.
Na publicação Situação Mundial da Infância 2007, o Fundo das Nações Unidas para a Infância – Unicef aponta que, todos os anos, 275 milhões de meninos e meninas de todo mundo sofrem violência doméstica e padecem das consequências de uma turbulenta vida familiar. No próprio lar podem ser identificados diferentes tipos de violência como a física, gerada ao se aplicar castigos corporais; a verbal e psicológica, manifestada por palavras ofensivas, xingamentos, humilhações, gritos e insultos; e a violência sexual contra crianças e adolescentes, que consiste em praticar condutas sexuais seja por ameaças, agressão física ou chantagem emocional.
Mesmo que meninos e meninas não sejam o alvo imediato da violência familiar, as consequências para seu desenvolvimento futuro são grandes e graves. Estudos demonstram que algumas crianças que foram expostas à violência doméstica acabaram se transformando também em agressores, perpetuando o círculo vicioso durante gerações. Pesquisas realizadas em alguns dos principais países em desenvolvimento – como China, Colômbia, Egito, Filipinas, Índia, México e África do Sul – indicam que existe uma notável correlação entre a violência contra as mulheres e a violência contra a infância.
Já na maioria dos países da América Latina, segundo a organização Save the Children Suécia, a magnitude do problema do maltrato infantil não está suficientemente visível. As estatísticas que descrevem a violência física contra meninos e meninas correspondem a fontes de informação parciais, uma vez que em nenhum desses países existem dados oficiais centralizados que quantifiquem as diferentes intervenções de instituições públicas e privadas que cuidam das vítimas infanto-juvenis.
Lesões Físicas e Psicológicas – A eficácia do castigo físico diminui com o tempo e o grau de severidade tem que ser aumentado sistematicamente. O castigo corporal contra crianças e adolescentes pode lhes causar não só lesões, mas danos permanentes e até levá-los à morte. Atitudes extremas como essas constituem o maltrato infantil, forma distinta de castigo físico. Nos Estados Unidos, uma revisão de 66 casos de maltrato infantil concluiu que tanto o abuso quanto o maltrato ocorrem na maioria das vezes como “uma extensão de ações disciplinares que, em algum momento, e aos poucos, cruzam a linha que separa o castigo corporal autorizado do maltrato infantil não autorizado”.
O relatório mundial sobre Violência e Saúde da Organização Pan-americana de Saúde, divulgado em 2003, investigou provas de que enfermidades importantes da idade adulta – entre elas a cardiopatia isquêmica, o câncer, doença pulmonar crônica, a síndrome do intestino irritável e a fibromialgia – podem estar relacionadas com experiências de maltrato durante a infância. Em casos extremos, apanhar quando pequeno pode trazer, ainda, consequências mais graves para a saúde, como transtornos psiquiátricos e comportamento suicida.
De acordo com uma investigação feita pelo professor Murray Straus, da Universidade de New Hampshire, nos Estados Unidos, meninos e meninas castigados fisicamente apresentam, depois de quatro anos, um coeficiente intelectual baixo em comparação com os que nada sofreram. No grupo mais jovem, as crianças que não apanharam apresentaram 4 pontos a mais em seu coeficiente de inteligência do que as crianças que foram castigadas fisicamente. No grupo de crianças entre os 5 e 9 anos de idade, aqueles que não apanharam tiveram 2.8 pontos a mais em seu coeficiente intelectual que do os que sofreram castigos físicos, depois de quatro anos.
Já um informe elaborado por profissionais da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, destacou que o castigo físico põe em risco as crianças, gerando problemas de saúde mental e comportamento anti-social. Os castigos corporais não melhoram a conduta dos pequenos, como se pensa. Ao contrário disso, as vítimas tendem a perder a concentração nos estudos e aumentam suas possibilidades de se tornarem pessoas agressivas, competidoras e com predisposição a desenvolver, no futuro, relações violentas.
Segundo Márcia Oliveira, oficial de Programa para a América Latina e o Caribe da Save the Children Suécia, a temática dos castigos físicos no Brasil já foi vista com muita resistência. Mas foi a partir de 2005 que começou a surgir adesão de alguns grupos locais, provavelmente como reflexo do movimento internacional que estava sendo configurado. “A violência punitiva no Brasil começou com os escravos, depois com a mulher. A mulher lutou muito contra isso e nem em relacionamentos é mais permitido qualquer tipo de agressão, principalmente depois da lei Maria da Penha. Até com os animais é proibido o uso de violência, nos circos existe todo um cuidado, uma cobrança. Só com as crianças que a violência física continua sendo permitida. Temos que pular esta etapa de igual forma, ainda mais quando o que sustenta esta prática é o mito da validade do castigo com fins de educação”, defende.
Márcia lembra que muitas pessoas não percebem os castigos físicos e humilhantes como uma forma de violência. E é essa violência que pode, em alguns casos, levar a criança para a rua. “Não é tanto a questão da pobreza, mas é a violência que leva a criança e o adolescente para a exploração sexual, para as drogas, para a prática do bullying. Não é uma causa única, mas contribui para o processo. Uma criança ou um jovem que pratica o bullying contra os colegas, por exemplo, normalmente está refletindo o que vive em casa, propagando a violência para o ambiente escolar”, aponta. “Se há presença da violência no espaço de maior proteção da criança, que é a família, imagina nos outros espaços”, lamenta Márcia.
Recebemos uma carta assinada pela diretoria de mulheres da União Nacional dos Estudantes (UNE) repudiando o ato da Universidade Bandeirantes (Uniban) que decidiu, pasmem, expulsar a estudante de turismo hostilizada, humilhada e atacada pelos colegas de curso por ter ido à aula usando uma minissaia. Reproduzimos a íntegra da carta, pois o alerta da UNE nos dá muito no que pensar enquanto sociedade (incluindo o papel da imprensa, que se arvora o título de representante da população), confiram:
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*UNE repudia expulsão da estudante de Turismo da UNIBAN
Diretoria de Mulheres divulga nova nota sobre o caso de machismo da UNIBAN
Episódio de violência sexista acaba em mais uma demonstração de machismo
No dia 22 de outubro, o Brasil assistiu cenas de selvageria. Uma estudante de turismo da Universidade Bandeirante (São Paulo) foi vítima de um dos crimes mais combatidos na sociedade, a violência sexista, que é aquela cometida contra as mulheres pelo fato de serem tratadas como objetos, sob uma relação de poder desigual na qual estão subordinadas aos homens. Nesse episódio, a estudante foi perseguida e agredida pelos colegas, hipoteticamente pelo tamanho de vestido que usava, e só pôde deixar o campus escoltada pela polícia. Alguns dos alunos que a insultaram gritavam que queriam estuprá-la. Desde quando há justificativa para o estupro ou toleramos esse tipo de violência?
Pasmem, essa história absurda teve um desfecho ainda mais esdrúxulo. A Universidade, espaço de diálogo onde deveriam ser construídas relações sociais livres de opressões e preconceitos, termina por reproduzir lamentavelmente as contradições da sociedade, dando sinais de que vive na era das cavernas.
Além de não punir os estudantes envolvidos na violência sexista, responsabiliza a aluna pelo crime cometido contra ela e a expulsa da universidade de forma arbitrária, como se dissessem que, para manter a ordem, as mulheres devem continuar no lugar que estão, secundárias à história e marginalizadas do espaço do conhecimento.
É naturalizado, fruto de uma construção cultural, e não biológica, que os homens não podem controlar seus instintos sexuais e as mulheres devem se resguardar em roupas que não ponham seus corpos à mostra. Os homens podem até andar sem camisa, mas as mulheres devem seguir regras de conduta e comportamento ideais, a partir de um padrão estético que a condiciona a viver sob as rédeas da sociedade, que por sua vez é controlada pelos homens.
Esse desfecho, somado às diversas abordagens destorcidas do fato na mídia, demonstram a situação de opressão que todas nós, mulheres, vivemos em nosso cotidiano. Situação em que mulheres e tudo o que está relacionado a elas são desvalorizados e depreciados. A mulher é vista como uma mercadoria – ora utilizada para vender algum produto, ora tolhida de autonomia e direitos, ora violentada, estigmatizada e depreciada. É essa concepção que acaba por produzir e reproduzir o machismo, violência e sexismo, próprios do patriarcado. Tal concepção permitiu o desrespeito a estudante.
Nós, mulheres estudantes brasileiras, em contraposição a essa situação, estamos constantemente em luta até que todas as mulheres sejam livres do machismo, da violência, do desrespeito e da opressão que nos cerca.
Repudiamos o ato de violência dos alunos contra a estudante de turismo, repudiamos a reação da mídia que insiste em mistificar o fato e não colocar a violência de cunho sexista no centro do debate e denunciamos a atitude da universidade de punir a estudante ao invés daqueles que provocaram tal situação.
Exigimos que a matrícula da estudante seja mantida, que a Universidade se retrate publicamente e que todos os agressores sejam julgados e condenados não somente pela instituição, a Uniban, mas também pela Justiça brasileira.
Somos Mulheres e Não Mercadoria!
*Diretoria de Mulheres da UNE -União Nacional dos Estudantes
A série Traça de Biblioteca desta sexta-feira destaca quatro livros lançados pelas coleções Consciência em Debate e Retratos do Brasil Negro, ambas da Selo Negro Edições. Os livros tratam de importantes questões como a desigualdade racial existente no Brasil e traz também perfis de intectuais, homens e mulheres, que militam em prol dos direitos da população afrobrasileira. Quando diversos segmentos da sociedade civil organizada, sobretudo do movimento negro, se voltam para organizar as comemorações do Dia da Consciência Negra (em 20 de novembro próximo), vale a pena aprender os valores destes relatos. Recentemente, lendo uma revista que falava sobre o 20 de Novembro, li uma frase de Nelson Mandela (Nobel da Paz, militante pelo fim do apartheid na África do Sul) que cabe reflexão: “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da pele, o ódio é ensinado. E se o ódio pode ser ensinado, o amor também pode”. Confiram as sinopses e serviço para adquirir os títulos:
Relações raciais e desigualdade no Brasil
O livro apresenta o ponto de visto histórico das relações raciais e das desigualdades no Brasil. Para a autora, a historiadora Gevanilda Santos, a educação antirracista é uma das soluções para promover a igualdade, a consciência política e o respeito às diferenças. A ideia do brasileiro cordial supõe uma vocação nacional para a convivência harmônica diante da desigualdade racial existente no país. Esse estereótipo, contudo, apenas esconde o modo de ser preconceituoso do brasileiro. O livro integra a coleção Consciência em Debate, lançamento da Selo Negro Edições. Em Relações raciais e desigualdade no Brasil, Gevanilda Santos decifra o mito da democracia racial e denuncia o racismo que sempre permeou a sociedade brasileira. Com base na análise das bases sociais, econômicas, culturais e políticas do país, ela mostra como está estruturada essa desigualdade. O livro apresenta o ponto de vista histórico das relações raciais e das desigualdades. Da República Velha ao movimento negro contemporâneo, a autora esmiúça conceitos como “raça”, racismo e preconceito, desconstruindo ideias preestabelecidas. Ao longo da obra, destaca as diferenças existentes entre as desigualdades sociais e raciais e reafirma a necessidade de políticas públicas específicas para os negros.
Autora: Gevanilda Santos
Coordenadora da coleção: Vera Lúcia Benedito
Editora: Selo Negro Edições
Preço: R$ 19,90
Páginas: 96
Abdias Nascimento – Retratos do Brasil Negro
Abdias Nascimento é um dos maiores pensadores negros do mundo. Sua luta pela igualdade racial e sua vida marcada por desafios são fielmente registradas nesta biografia: da infância humilde à criação do Teatro Experimental do Negro, passando por sua atuação como deputado federal. Abdias pertence ao grupo dos grandes intelectuais engajados nas lutas libertárias dos negros em âmbito mundial – e também na difusão do pan-africanismo. No livro, a jornalista Sandra Almada recupera a vida e a obra desse dramaturgo, ator, acadêmico, político, artista plástico, poeta e militante reconhecido internacionalmente, resgatando as origens de sua combatividade. Admiradora do professor Abdias, a jornalista acompanha sua militância há quase vinte anos, período em que foi acumulando algumas histórias desse defensor do combate ao racismo. Para complementar a biografia, ela realizou novas entrevistas, durante quatro meses, na casa do intelectual, no Rio de Janeiro. Espirituoso e bem-humorado, ele reconstituiu sua trajetória, revelando fatos significativos de uma vida exemplar de superação e crença.
Autora: Sandra de Souza Almada
Coordenadora da coleção: Vera Lúcia Benedito
Editora: Selo Negro Edições
Preço: R$ 19,90
Páginas: 168
Sueli Carneiro – Retratos do Brasil Negro
Sueli Carneiro é ativista antirracismo do movimento social negro brasileiro. Feminista e intelectual, fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra, Sueli é uma das personalidades políticas mais instigantes da atualidade. Entender sua história de vida, suas influências e as mudanças concretas geradas por sua militância é compreender parte do cenário espacial, político e geográfico do movimento social negro contemporâneo. No livro, a jornalista Rosane da Silva Borges conta a história dessa que é uma das personalidades políticas mais instigantes da atualidade. A obra recupera experiências pessoais como eixo importante de vivências políticas. O primeiro contato da autora com Sueli foi em 2002, já com o intuito de compor a biografia dessa incansável ativista. Em 2009, o projeto foi retomado. Foram seis meses de trabalho e várias entrevistas em São Paulo. Os capítulos que compõem a biografia de Sueli Carneiro incluem fatos relevantes na vida da filha de uma ex-costureira e de um ferroviário, que herdou a tradição familiar e a certeza de que precisava investir na própria educação e lutar por condições melhores para a população negra. Em seu relato, a autora descreve o panorama brasileiro do período que envolve o nascimento e a infância da biografada, destacando uma época efervescente, com a volta de Getulio Vargas ao poder.
Autora: Rosane da Silva Borges
Coordenadora da coleção: Vera Lúcia Benedito
Editora: Selo Negro Edições
Preço: R$ 19,90
Páginas: 104
Nei Lopes – Retratos do Brasil Negro
Nei Lopes é um brasileiro comprometido com sua terra e com a cultura de seu povo. Sempre criativo, ele vem enriquecendo o panorama da cultura nacional com a singular capacidade de elaborar e interpretar a dimensão mais densa e profunda da africanidade no país. Poeta, compositor, sambista, pesquisador e escritor, Nei Lopes é uma referência da cultura e da arte no Brasil. Sua vasta obra intelectual e musical constitui um rico acervo de informações e ideias sobre a cultura afro-brasileira, além de refletir de maneira magistral a luta antirracista no país. A vida e obra de Nei Lopes é contada pelo jornalista Oswaldo Faustino, que aborda com maestria todas as facetas da vida do artista. Admirador de Nei Lopes, Faustino aceitou com entusiasmo o convite para escrever a biografia do intelectual. Foram quatro meses de trabalho, incluindo contatos por telefone, troca de e-mails e dois encontros, um no Rio de Janeiro e outro em São Paulo, para reunir as histórias que mostram os diversos talentos do homem que é hoje a grande referência no estudo da cultura afro-brasileira e na luta contra o racismo. O autor fala sobre o envolvimento de Nei Lopes com as artes plásticas e a aprovação, em primeiro lugar, no disputadíssimo concurso da Escola Técnica Visconde de Mauá. Fala sobre sua dedicação à poesia, ao desenho e ao teatro, bem como sobre sua formação como advogado na Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil (atual UFRJ), em 1962, que fez dele o primeiro universitário da família.
Autor: Oswaldo Faustino
Coordenadora da coleção: Vera Lúcia Benedito
Editora: Selo Negro Edições
Preço: R$ 19,90
Páginas: 120
Serviço:
Para adquirir os livros os contatos são o Serviço de Atendimento ao Consumidor da Selo Negro Edições, em São Paulo, pelo telefone: (11) 3865-9890.
O Natal está chegando e já é hora de começar a pensar nos presentinhos. Esse artigo chegou em boa hora e acaba esclarecendo nossas principais dúvidas quanto à escolha dos brinquedos das crianças, e inclusive sobre o que fazer no caso de a compra apresentar algum tipo de defeito. O advogado Weverton Macedo Pini traz informações valiosas, que muitas vezes nos passam despercebidas na corrida diária pela compra dos presentes natalinos.
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Faça valer os seus direitos no Natal**
Weverton Macedo Pini*
Como sabemos, o Natal está chegando e, nesse período, o movimento no comércio tem um aumento considerável. Começa a procura por presentes, principalmente para as crianças. Entretanto, devemos alertar os pais que a aquisição dos produtos não deve ser realizada de forma incondicional, pois o produto adquirido, que deveria levar alegria às crianças, pode se tornar, ao final, um risco para a segurança e a vida delas.
Digo isso porque o mercado de consumo está abarrotado de produtos (brinquedos) falsificados, que não têm origem comprovada, bem como não possuem o selo de conformidade do Inmetro. Isso quer dizer que esses produtos não passaram pelos testes do Inmetro e, por vezes, podem trazer riscos ao consumidor. Como exemplos, podemos citar os brinquedos que são fabricados com tintas tóxicas, os que têm pontas ou extremidades cortantes e os que têm peças pequenas que eventualmente possam se soltar e ser ingeridas pelas crianças.
Para fugir desses problemas, o consumidor deve realizar a compra de produtos que possuam o selo do Inmetro. Ainda, deve prestar atenção em todas as informações possíveis, entre elas a faixa etária a que se destina o produto, a identificação do fabricante e as instruções de uso e montagem. Outrossim, importante ressaltar que a compra deve ser realizada em estabelecimento comercial que possua CNPJ, sempre exigindo a nota fiscal, pois esta é garantia em caso de vício ou defeito do produto. Devemos esclarecer que a Lei Estadual nº 8.124/92 determina que as lojas mantenham amostras de jogos e brinquedos abertos para que possam ser testados; portanto, sempre que sentir necessidade, o consumidor deve pedir ao vendedor para que realize o teste do produto.
Por fim, devemos alertar que o artigo 26 Código de Defesa do Consumidor estabelece o prazo de 90 (noventa) dias, contados a partir da entrega do produto, para que o consumidor reclame por defeitos do produto. Essa reclamação deve ser efetuada diretamente no estabelecimento vendedor. A partir da reclamação efetuada, o vendedor tem o prazo máximo de 30 (trinta) dias para resolver o problema. Ultrapassado os 30 (trinta) dias sem que o problema tenha sido solucionado, o consumidor pode optar, a seu critério, pela substituição do produto por outro da mesma espécie ou pela restituição do valor pago, devidamente atualizado.
Importante alertar o consumidor para que sempre exija o recibo comprovando a data da reclamação, isto é, o momento em que o produto defeituoso foi deixado para concerto. Isso será o comprovante de que a reclamação foi realizada dentro do prazo estipulado pela lei.
Se a reclamação realizada junto ao vendedor/fornecedor do produto não surtir efeito, o consumidor deve procurar o órgão de defesa do consumidor de sua cidade ou então um advogado de sua confiança, o qual lhe orientará sobre como proceder para fazer valer os seus direitos.
* O advogado Weverton Macedo Pini é especialista em direito do consumidor, da Pini e Fernandes Advogados.
** O artigo nos foi enviado pela Entre Vistas Comunicação & Marketing.
Recebemos o artigo abaixo da assessoria da Fundação Abrinq, que milita pelos direitos da criança. O texto, escrito pelo presidente da entidade, Synésio Batista da Costa, faz uma análise otimista da escolha do Brasil como sede olímpica em 2016, mas traz também um alerta para que nossos governantes não fiquem deslumbrados com esta conquista a ponto de esquecerem que um desafio como o de montar uma Olimpíada, só é válido, se os milhões investidos se converterem em justiça social, educação e em um futuro real para nossas crianças ainda tão abandonadas e carentes de coisas básicas como saúde e educação. No final de semana que antecede o Dia da Criança, Conversa de Menina divulga o artigo de Synésio e soma esforços na torcida para que sejamos realmente um país campeão em cidadania. Confiram:
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Que Brasil desejamos para as nossas crianças em 2016?
**Synésio Batista da Costa
As Olimpíadas do Rio 2016 serão uma nova oportunidade para o Brasil olhar para o futuro. Muitos dos pequenos brasileiros de hoje virão a ser os atletas olímpicos daqui a sete anos. Eles competirão em estádios construídos por operários, muitos deles frutos de uma geração com poucas oportunidades, mas que poderão vivenciar as conquistas de seus filhos.
Do ponto de vista econômico, conseguimos inúmeros avanços, temos hoje uma economia com bases sólidas, a inflação sob controle e parâmetros financeiros de primeiro mundo, atingimos “Investment Grade” (recomendação de investimento), fomos os últimos a entrar na crise e os primeiros a sair dela. Enfim, sopram ventos favoráveis para mudanças estruturais na educação, na saúde e na qualidade de vida, especialmente para as crianças.
Por isso, com a missão de organizar o principal evento esportivo do planeta, e com indicadores econômicos tão positivos, os nossos governantes têm pela frente a chance de serem os operários na construção de uma geração campeã, vitoriosa na formação educacional, com ampla oferta de oportunidades e de um horizonte mais glorioso. Um exemplo de que os jogos poderão trazer avanços é a medida que prevê o ensino de inglês, a partir de 2010, aos adolescentes das escolas municipais cariocas. Muitas outras mudanças e inovações como essa também estão por vir.
Afinal, hoje somos uma das maiores economias do mundo e um dos principais países emergentes ao lado da Rússia, Índia e China (BRIC), também integramos o G20 e, por diversas vezes, somos reconhecidos como liderança na América Latina e no cenário mundial.
Entretanto, em relação à educação, de acordo com um ranking elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que monitora o cumprimento de metas alcançadas pelos países para melhorar o ensino, o Brasil ocupa a 80ª posição em uma lista de 129 países, ficando atrás de nações como Paraguai, Venezuela, Argentina, Kuwait e Azerbaijão.
Além disso, o Brasil é o 75º colocado no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) medida esta que compara a riqueza, alfabetização, educação, esperança de vida, natalidade e outros indicadores de 182 países do mundo. Isso se deve ao fato de milhões de crianças brasileiras serem de famílias que vivem abaixo da linha da pobreza, se encontrarem sem vagas em creches, nunca terem ido à escola, frequentarem escolas de péssima qualidade e morrerem por doenças que poderiam ser facilmente evitadas como a diarreia e a desnutrição.
Apesar de termos muitos desafios pela frente, nossa visão é otimista, vemos as Olimpíadas como marco de uma nova nação rumo ao primeiro mundo, não só nos esportes, mas em todos os aspectos. E para que esse objetivo seja atingido, será necessário um investimento de aproximadamente 30 bilhões em obras públicas que também irão beneficiar e inspirar as milhares de crianças que, em 2016, certamente serão 60 milhões* de vencedores.
Nosso desejo é o de sermos protagonistas do futuro do Brasil que terá 100% das crianças matriculadas em creches e escolas de qualidade, livres do trabalho infantil, com registro civil, bem nutridas, protegidas de qualquer forma de violência ou opressão. Enfim, que os nossos futuros campeões tenham todos os seus direitos garantidos e possam se orgulhar por fazerem parte do primeiro país da América do Sul a sediar uma Olimpíada.
Esperamos que em 12 de outubro de 2016 possamos comemorar o cumprimento dos direitos da criança e do adolescente. Que o espírito olímpico vivenciado por aqui traga consigo todo o progresso que exige. Este é o Brasil que desejamos para as nossas crianças daqui a alguns anos.
*(número de crianças e adolescentes, de acordo com a PNAD-IBGE 2007)
**Synésio Batista da Costa é presidente da Fundação Abrinq
Cartaz de campanha do grupo paisporjustica.wordpress.com
*Texto e pesquisa da jornalista Andreia Santana
Entre os meses de junho e julho, publicamos dois posts sobre o projeto de lei que criminaliza a alienação parental. O conteúdo acabou gerando mais debate do que imaginávamos e algumas histórias são bastante comoventes e demonstram o quanto essa questão de guarda dos filhos ainda é problemática na hora da separação dos casais. Infelizmente, existem pessoas que tentam usar as crianças para se vingar de ex-companheiros (as), sem se preocupar com o bem-estar dos próprios filhos. Existem também as falsas acusações de alienação que, somadas aos casos realmente comprovados, aumentam em muito a carga de responsabilidade dos juristas. Imaginem o dano para uma criança se um de seus pais é vítima de uma acusação falsa de alienação parental? Imaginem a responsabilidade do juiz, que diante de um caso real de alienação precisa decidir sempre com base no que é melhor, mais saudável, mais justo para a criança. Na era da indústria da indenização, separar verdade e mentira – um conceito já bastante árduo de se definir tanto pela filosofia quanto pelo direito – torna-se um desafio ainda maior. Principalmente porque a questão aí envolve feridas abertas, separações mal-resolvidas, mágoas, ressentimento. Existe uma carga extremamente passional envolvendo os temas divórcio, guarda dos filhos, pensão alimenticia e toda essa situação que só quem vive na pele sabe bem o que é.
Diante do interesse social desta lei, ainda em tramitação, voltamos a pesquisar o assunto da alienação parental, na tentativa de ajudar as pessoas que procuram o blog com dúvidas. Longe de nós, autoras do Conversa de Menina, querermos assumir o papel de advogados e juízes, por isso, avisamos que as linhas que seguem são fruto de pesquisa jornalistica e não jurídica. Recomendamos que as pessoas que após lerem as informações e links que iremos disponibilizar abaixo, ainda tiverem dúvidas sobre essa complexa e delicada situação, busquem ajuda especializada de um advogado ou juiz de vara de família. Casos particulares, se alguém desconfia que está sendo vítima da alienação verdadeira ou de uma falsa acusação de alienação, a recomendação é a mesma, busquem um profissional competente na área de direito de família, pois só ele poderá interpretar todos os meandros e mecanismos judiciais e saber o que se aplica a cada situação.
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Como anda a tramitação da lei de Alienação Parental?
Ilustração do site direitocivil.blogspot.com
A última informação sobre a tramitação do projeto de lei 4.053, que criminaliza a alienação parental, publicada no site da Câmara Federal, é do dia 05 de outubro, ou seja, da última segunda-feira. O projeto é de autoria do deputado federal Regis de Oliveira, do PSC-SP, e tem como relatora a deputada Maria do Rosário (PT-RS). O projeto, após ser aprovado pela Comissão de Seguridade Social e Família, por unanimidade, em julho passado, encontra-se tramitando na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC). O relatório de Maria do Rosário deverá ser concluído até o final da próxima semana.
Segundo o site da Câmara, ao invés de punição com prisão aos alienadores, a deputada irá enfatizar em seu relatório, o caráter inibitório da lei. A punição com a prisão por seis meses a dois anos foi um acréscimo ao projeto original, feito pela Comissão de Seguridade Social e Família. Sendo que, para a lei entrar em vigor é preciso ainda as aprovações da CCJC, Senado e presidente da república.
A deputada quer eliminar a punição penal da lei, pois acredita que uma medida brusca como privar a criança do convivio com um dos genitores não será o melhor caminho para impedir que a alienação continue. Maria do Rosário afirma que a proposta da lei é prevenir a violência e não punir gerando mais violência. A deputada integra uma corrente de juristas que acredita que o reconhecimento da prática pela legislação brasileira, o que ainda não ocorre oficialmente, seria suficiente para prevenir a alienação parental.
Ainda segundo esse grupo de juristas, já estão previstos na própria lei outros mecanismos de coibição da prática que vão desde advertência pelo juiz até a perda da autoridade paterna ou materna sobre a criança, passando ainda por multa financeira pesada, acompanhamento psicológico e determinação da guarda compartilhada também por um juiz. Tudo isso, na visão de Maria do Rosário, já seria suficiente para resolver o problema, sem precisar levar o alienador para a cadeia.
O maior argumento de juristas e até psicólogos que discutem o projeto de lei com a CCJC, é que na prática, o alienador é geralmente o pai ou mãe com quem a criança mora, ou seja, quem cria e educa essa criança, provendo escola, alimentação, lazer, e todo tipo de cuidado.
No caso da lei ser aprovada com a punição com prisão do genitor alienador, significaria que a criança sofreria por ficar longe desse pai ou mãe por até dois anos, sem contar com a situação humilhante envolvendo prisão. A lei, enfatiza a deputada, não pretende afastar a criança do pai ou mãe com quem ela mora, mas visa impedir que este pai ou mãe afaste a criança do outro progenitor que legalmente teria direitos de visitá-la, conviver com ela e acompanhar seu desenvolvimento.
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*O que é alienação parental?
“Síndrome de Alienação Parental (SAP), também conhecida pela sigla em inglês PAS, é o termo proposto por Richard Gardner, em 1985, para a situação em que a mãe ou o pai de uma criança a treina para romper os laços afetivos com o outro genitor, criando fortes sentimentos de ansiedade e temor em relação ao outro genitor. Os casos mais freqüentes da Síndrome da Alienação Parental estão associados a situações onde a ruptura da vida conjugal gera, em um dos genitores, uma tendência vingativa muito grande. Quando este não consegue elaborar adequadamente o luto da separação, desencadeia um processo de destruição, vingança, desmoralização e descrédito do ex-cônjuge. Neste processo vingativo, o filho é utilizado como instrumento da agressividade direcionada ao parceiro”.
Art. 1º Considera-se alienação parental a interferência promovida por um dos genitores na formação psicológica da criança para que repudie o outro, bem como atos que causem prejuízos ao estabelecimento ou à manutenção de vínculo com este.
Parágrafo único. Consideram-se formas de alienação parental, além dos atos assim declarados pelo juiz ou constatados por equipe multidisciplinar, os praticados diretamente ou com auxílio de terceiros, tais como:
I – realizar campanha de desqualificação da conduta do genitor no exercício da paternidade ou maternidade;
II – dificultar o exercício do poder familiar;
III – dificultar contato da criança com o outro genitor;
IV – dificultar o exercício do direito regulamentado de visita;
V – omitir deliberadamente ao outro genitor informações pessoais relevantes sobre a criança, inclusive escolares, médicas e alterações de endereço;
VI – apresentar falsa denúncia contra o outro genitor para obstar ou dificultar seu convívio com a criança;
VII – mudar de domicilio para locais distantes, sem justificativa, visando dificultar a convivência do outro genitor.
Art. 2º A prática de ato de alienação parental fere o direito fundamental da criança ao convívio familiar saudável, constitui abuso moral contra a criança e descumprimento dos deveres inerentes ao poder familiar ou decorrentes de tutela ou guarda.
Art. 3º Havendo indício da prática de ato de alienação parental, o juiz, se necessário, em ação autônoma ou incidental, determinará a realização de perícia psicológica ou biopsicossocial.
§ 1º O laudo pericial terá base em ampla avaliação psicológica ou biopsicossocial, conforme o caso, compreendendo, inclusive, entrevista pessoal com as partes e exame de documentos.
§ 2º A perícia será realizada por profissional ou equipe multidisciplinar habilitada, exigida, em qualquer caso, aptidão comprovada por histórico profissional ou acadêmico para diagnosticar atos de alienação parental.
§ 3º O perito ou equipe multidisciplinar designada para verificar a ocorrência de alienação parental apresentará, no prazo de trinta dias, sem prejuízo da elaboração do laudo final, avaliação preliminar com indicação das eventuais medidas provisórias necessárias para preservação da integridade psicológica da criança.
Art. 4º O processo terá tramitação prioritária e o juiz determinará, com urgência, ouvido o Ministério Público, as medidas provisórias necessárias para preservação da integridade psicológica da criança.
Art. 5º Caracterizados atos típicos de alienação parental ou qualquer conduta que dificulte o convívio de criança com genitor, o juiz poderá, de pronto, sem prejuízo da posterior responsabilização civil e criminal:
I – declarar a ocorrência de alienação parental e advertir o alienador;
II – estipular multa ao alienador;
III – ampliar o regime de visitas em favor do genitor alienado;
IV – determinar intervenção psicológica monitorada;
V – alterar as disposições relativas à guarda;
VI – declarar a suspensão ou perda do poder familiar.
Art. 6º A atribuição ou alteração da guarda dará preferência ao genitor que viabilize o efetivo convívio da criança com o outro genitor, quando inviável a guarda compartilhada.
Art. 7º As partes, por iniciativa própria ou sugestão do juiz, do Ministério Público ou do Conselho Tutelar, poderão utilizar-se do procedimento da mediação para a solução do litígio, antes ou no curso do processo judicial.
§ 1º O acordo que estabelecer a mediação indicará o prazo de eventual suspensão do processo e o correspondente regime provisório para regular as questões controvertidas, o qual não vinculará eventual decisão judicial superveniente.
§ 2º O mediador será livremente escolhido pelas partes, mas o juízo competente, o Ministério Público e o Conselho Tutelar formarão cadastros de mediadores habilitados a examinar questões relacionadas a alienação parental.
§ 3º O termo que ajustar o procedimento de mediação ou que dele resultar deverá ser submetido ao exame do Ministério Público e à homologação judicial.
Art. 8º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.
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Palavra do especialista:
Reunimos alguns links com artigos publicados no site Pai Legal, sobre a alienação parental. Acessem, pois pode ajudar a esclarecer sua dúvida:
Síndrome da Alienação Parental e a tirania do guardião
Autor: Organizado pela Apase – Associação de Pais e Mães Separados
Editora: Equilíbrio
Preço médio: R$ 34,90
*Andreia Santana, 37 anos, jornalista, natural de Salvador e aspirante a escritora. Fundou o blog Conversa de Menina em dezembro de 2008, junto com Alane Virgínia, e deixou o projeto em 20/09/2011, para dedicar-se aos projetos pessoais em literatura.
Lessie, a cadela de raça collie, fez muito sucesso na TV e simboliza o cão fiel e "eterno amigo do homem"
Neste domingo, dia 04, comemora-se O Dia Mundial do Animal. Mas, independente do Brasil ser uma terra pródiga em datas comemorativas, algumas até esdrúxulas, é louvável a existência de um dia dedicado aos cuidados com bichos de estimação, sem contar com a tentativa das Ongs em garantir a sobrevivência das espécies selvagens ameaçadas de extinção. Eu tenho a teoria de que quem não consegue se comover com um bicho indefeso é incapaz de sentir afeto por crianças, idosos, doentes ou por qualquer outra criatura mais frágil. Lógico que toda regra tem exceção, muita gente não gosta de bichos porque tem nojo, enjoa do cheiro, tem alergia, mas são excelentes pessoas. Sou contra radicalismos, então, nada de generalizar com as teorias!
Ao lembrar dos animais (como se nós, humanos, também não fossemos animais), também não podemos esquecer que Outubro é o mês das crianças, sendo que a infância no Brasil carece de muitas coisas, desde limite de família (educação) até boa escolaridade, alimentação, direito ao lazer, direito a vida e a dignidade (nossas crianças não serem violentadas ou espancadas, por exemplo). Falaremos mais detalhadamente sobre isso em outros posts.
Neste domingo, porém, o dia é destinado à conscientização sobre os direitos dos animais, proclamados pela Unesco em 1978. Em Salvador vai ter uma “Cãominhada”, entre o Morro do Cristo e o Farol da Barra (Orla da capital). Quem quiser participar pode se inscrever na Planeta Animal da Barra (Av. Oceânica, 623) ou no Salvador Shopping, mediante a doação de um pacote de ração para cães ou gatos, ou ainda uma lata de leite em pó. Os produtos recolhidos serão doados ao Nacci – Núcleo de Apoio à Criança com Câncer, à Creche André Luis, mantida pela Casa de Oração Bezerra de Menezes (Cobem) e à Ong Terra Viva e Associação Protetora de Animais (Abrigo São Francisco de Assis).
"Quem não tem cão, caça com gato". Vale levar o gatinho para o evento na Barra neste domingo e improvisar ala dos "gatominhantes"
Entre as atividades programadas para a “Cãominhada” – mas quem tem gato também pode participar – estão benção de animais, desfile de fantasias, concurso de adestramento, aulas de ginástica e alongamento, gincana, pula-pula, mini trio elétrico (afinal estamos na Bahia!), sorteios de brindes, serviços diversos e um posto de adoção de filhotes. Haverá até uma unidade móvel de primeiros socorros para os bichinhos que precisarem.
Sobre a data: O Dia Mundial do Animal foi criado em 1929, a partir de um congresso de Proteção Animal, em Viena, na Áustria. A data foi escolhida porque lembra a morte de São Francisco de Assis, amante e padroeiro dos animais. Os objetivos desse dia são: lembrar as pessoas de proteger as espécies mais vulneráveis à extinção, educar as crianças para os direitos dos animais e pensar em meios para os quais esses direitos possam ser colocados em prática.
Sobre o padroeiro: O Dia Mundial do Animal é comemorado na data provável da morte de São Francisco de Assis. Ele nasceu com o nome de Giovanni Bernardone, em uma rica família de comerciantes da cidade italiana de Assis, entre 1181 e 1182 (a data exata não é consenso entre os biógrafos do santo) e morreu em 1226, entre os dias 3 e 4 de outubro, essa data também não é consenso. Vale lembrar que muitos santos medievais nasceram em uma época em que não existiam certidões de nascimento, carteira de identidade ou atestado de óbito, daí ser complicado afirmar exatamente dia, mês e ano de nascimento e morte. Até o começo do século XIX, os registros de nascimento eram feitos via certidão de batismo e uma criança tanto podia ser batizada logo que nascia quanto alguns meses ou até anos depois, daí as diferenças de data do período. Era preciso confiar na memória dos pais, que tinham pencas de filhos. Giovanni, um jovem que tinha tudo, largou a riqueza do berço paterno para se tornar frade, fundando a ordem dos frades menores, com outros 11 religiosos. Os franciscanos faziam voto de pobreza e viviam de doações que sempre dividiam com outros mais necessitados que eles. Fernando de Bulhões (Santo Antonio de Pádua) foi um dos seguidores dos ensinamentos de Francisco de Assis. A capacidade de São Francisco de se comover com a pobreza e com os destinos dos mais fracos o torna um santo muito popular entre os fiéis católicos. Pode-se dizer também que no seu tempo, era um ecologista militante, pois defendia os direitos dos animais, daí ser considerado patrono do meio ambiente.
*Fontes das informações sobre o Dia Mundial do Animal:
A Ong Safernet Brasil, que milita em prol do uso cidadão da internet e contra a pedofolia e outros crimes praticados na web, criou um concurso para estimular os adolescentes ao uso responsável da rede mundial de computadores. Conversa de Menina, que também milita nesta causa, abre espaço para divulgar a iniciativa.
Ao todo, sete países já se inscreveram para participar do concurso internacional de videos: Brasil, Bolívia, Argentina, Costa Rica, México, Paraguai e Venezuela. O nome do concurso é “Tecnologia Sim. Conecte-se com Responsabilidade” e as inscrições vão até 15 de novembro.
Serão premiados adolescentes de 12 a 18 anos, educadores e instituições da qual os participantes façam parte. A ideia é que os inscrito criem vídeos com no mínimo um minuto e no máximo três de duração, em que dêem ideias de como fazer um uso seguro, responsável e cidadão da internet.
Não é preciso usar equipamento profissional. Vale lançar mão de recursos do celular, da câmera fotográfica ou de qualquer outra câmera filmadora. Os adolescentes podem usar personagens, entrevistar pessoas, recorrer a animações, ou o que a imaginação mandar.
Serão premiados três grupos vencedores no Brasil e esses também podem ser vencedores da etapa internacional. O Concurso “Tecnologia Sim. Conecte-se com responsabilidade” é a primeira iniciativa do gênero no Brasil.
Confira dicas para começar a fazer o vídeo, normas do concurso e ficha de inscrição no site: www.tecnologiasim.org.br
*Fonte das informações deste post: assessoria de comunicação da Safernet
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