Reportagem: Participação da mulher na chefia das famílias

A reportagem abaixo foi enviada para mim via email pela assessoria da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e Caribe). Vale muito a pena a leitura, pois trata de uma questão interessante, o aumento do número de mulheres que chefiam famílias em países que possuem programas sociais como o bolsa família brasileiro. São citados exemplos do Brasil e do México, bem como traçado um rápido panorama da América Latina. Não faço aqui apologia aos programas sociais do governo federal e nem tampouco os critico. O interesse em divulgar o assunto é apenas convidar nossos leitores à reflexão. É no mínimo sintomático esse fenômeno. Confiram:

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*Participação da mulher como chefe de família aumenta 10 pontos  percentuais em 10 anos

Brasília – Pelo menos 17% da população da América Latina e do Caribe vivem hoje às custas de programas de transferência de renda como o Bolsa Família. Um levantamento da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), mostrou que em função destes programas, o percentual de mulheres que eram chefes de família subiu de 22% na década de 1990 para 32% no ano passado. Entre os 17 países pesquisados, o Brasil e o México são os que mais comprometem recursos orçamentários nos respectivos programas, o equivalente a 0,41% e 0,43% do PIB.

XI Conferência Regional da Mulher da América Latina e do Caribe. Crédito da imagem: Elza Fiúza / Agência Brasil

– As mulheres canalizam melhor os benefícios dos programas sociais”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no encontro que teve com as representantes da Cepal  no Centro Cultural do Banco do Brasil.

Os dados fazem parte do documento Que tipo de Estado? Que tipo de igualdade? divulgado em Brasília na XI Conferência Regional da Mulher da América Latina e do Caribe. O encontro, que começou no último dia 13, foi encerrado na sexta-feira (16) com a divulgação da Carta de Brasília. Mesmo que os governos privilegiem as mulheres para fazerem o repasse dos recursos dos programas sociais, a pobreza das mulheres em relação aos homens só tem aumentado. Na década de 1990 para cada 100 homens pobres havia 108 mulheres. Em 2008 este número saltou para 115 mulheres. As indigentes saltaram de 118 para 130.

– O aspecto mais visível da falta de autonomia econômica das mulheres é a pobreza. Ela vem acompanhada da falta de liberdade e de tempo para deslocar-se. Assim como da exclusão da proteção social, que converte as mulheres em sujeitos de assistência e com menor disponibilidade de recursos para exercer seus direitos dentro da família e da comunidade”, disse a secretária-Executiva da Cepal, Alícia Barcena.

Participantes da XI Conferência Regional da Mulher da América Latina e do Caribe, em Brasília, na semana passada. Crédito da foto: Elza Fiúza / Agência Brasil

O principal tema das discussões no último dia 14, foi o efeito “devastador” das catástrofes (terremotos) naturais ocorridas no Haiti no início deste ano. A Cepal lembrou que no desastre morreram 222 pessoas, 311 ficaram feridas e 1,5 milhão de pessoas sofreram alguns tipo de dano material. A secretária Executiva da Cepal lembrou que o Brasil e o Chile foram os países que mostraram maior solidariedade com o povo haitiano, participando ativamente da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (MINUSTAH).

“A reconstrução do Haiti e Chile requer que se coloque a mulher no centro do desenvolvimento econômico”, concluíram as participantes da XI Conferência da Mulher.

CONTRIBUIÇÃO DA MULHERES – O documento Que tipo de Estado? Que tipo de igualdade? ressalta ainda, que mesmo mais pobres que os homens, sem a contribuição da mulher na economia a pobreza nos países aumentaria em 10% no perímetro urbano e em 6% na zona rural. O documento recomenda que, a exemplo da Venezuela, o trabalho doméstico das mulheres seja de alguma forma remunerado, para reduzir o nível de pobreza na região.

Mulheres de várias etnias indígenas da América Latina também participaram do evento. Crédito da foto: Elza Fiúza / Agência Brasil

Dados de 2008 mostram que 31,6% das mulheres de 15 anos ou mais na região não tinham renda própria, enquanto que somente 10,4% dos homens estavam nessa condição. Ainda assim, as mulheres superam os homens em termos de desemprego (8,3% contra 5,7%). E, embora a brecha salarial entre os gêneros tenha diminuído – a renda média das mulheres passou de 69% da dos homens em 1990 para 79% em 2008 –, as mulheres continuam tendo maior representação em ocupações com menor nível de remuneração, sub-representadas em posições de alto nível hierárquico e ainda recebem salários menores para um trabalho de igual valor que o dos homens.

O documento da CEPAL acentua que o trabalho é a base da igualdade entre os gêneros e para isto é fundamental a conquista da autonomia econômica, física e política das mulheres. A autonomia econômica implica ter o controle sobre os bens materiais e recursos intelectuais, e a capacidade de decidir sobre a renda e os ativos familiares.

*Material encaminhado ao blog pela CDN

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Campanha “Mãe, lê pra mim?” entra no ar neste domingo

Matheus cresceu me ouvindo contar-lhe histórias – não só eu, mas a avó e a tia também contavam – e o resultado é que aos 12 anos, além de um leitor assíduo, também arrisca exercitar a imaginação criando as próprias aventuras e publicando em um blog. Corujices de mãe a parte, aproveito o exemplo doméstico para divulgar o lançamento da campanha “Mãe, lê pra mim?” do Instituto Pró-Livro, que ocorre neste domingo, dia 04.

Através de parceria com o Instituto Pró-Livro, o teaser de 30 segundos será veiculado na TV, pela Rede Globo, até o dia 31 de julho, com depoimentos de artistas, formadores de opinião e pessoas comuns, testemunhando como o incentivo à leitura dentro de casa influencia no processo de ler por prazer. O destaque é o ator Tony Ramos (protagonista de Passione) falando sobre a importância da leitura em sua vida.

O projeto do vídeo foi concebido durante a Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro. Durante os dez dias do evento, foram recolhidos depoimentos dos visitantes falando sobre quais foram seus principais incentivadores da leitura.

Pessoalmente, meu incentivo veio da minha mãe, que é do tipo que conta histórias. Na infância, fazia sombras na parede quando faltava energia elétrica, para entreter a mim e a minha irmã mais nova. E, apesar de não ser rica, gastava o que podia e o que não podia em livros e na nossa educação. Lembro com saudade da coleção dos contos de Grimm e Perrault que trouxe para casa quando eu tinha uns 8 anos. Minha irmã até hoje guarda seu exemplar de A Galinha Ruiva. O mito em torno da figura do meu avô, poeta e meio anarquista, também ajudaram e muito na minha paixão pela palavra escrita.

Voltando a falar da campanha, para ampliar a ação da “Mãe, lê pra mim?”, além de divulgação na mídia,  o IPL, com os apoios do Ministério da Cultura (MinC) e o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), distribuirá os vídeos da campanha em Pontos de Leitura do Programa Mais Cultura do Minc, juntamente com mais de quatro mil obras de literatura infantil e juvenil que beneficiarão 600 famílias.

Conheça o Instituto Pró-Livro:

Fundado por entidades do setor editorial – Abrelivros (Associação Brasileira de Editores de Livros), CBL (Câmara Brasileira do Livro) e SNEL (Sindicato Nacional dos Editores de Livros), o IPL é uma OSCIP, entidade do setor privado sem fins lucrativos, mantida por contribuições voluntárias de editoras. Criado em outubro de 2006, passou a funcionar em maio de 2007, orientando suas ações para o objetivo principal de estimular a leitura. O IPL elegeu essa missão como resposta institucional à preocupação de especialistas de diferentes segmentos dos setores público e privado com relação aos índices de leitura da população brasileira em geral e principalmente dos jovens – que são significativamente inferiores aos níveis dos países industrializados e em desenvolvimento. Em suas ações, o Instituto procura privilegiar como público alvo as crianças e os jovens, o que demanda mobilizar os principais responsáveis pela sua educação e hábitos de leitura: educadores, pais, bibliotecários, animadores e mediadores de leitura. Conheça mais sobre os projetos do IPL acessando: www.prolivro.org.br

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Leia também no blog:

>>Artigo: Leitura é peça fundamental no desenvolvimento infantil

>>Leitores virtuais, uni-vos!

>>Série Traça de Biblioteca (sobre dicas de leitura e resenhas)

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Concurso Causos do ECA prorroga inscrições até dia 30

O lembrete é da ANDI (Agência de Notícias dos Direitos da Infância). O prazo para participação no 6º Concurso Causos do ECA termina em 30 de junho.  A iniciativa visa mostrar como o Estatuto da Criança e do Adolescente impacta de forma positiva na vida de crianças e adolescentes, gerando transformação social. O concurso é aberto a todos e é promovido através do portal Pró-Menino, que atua em defesa da infância e juventude. As histórias podem ser inscritas via Internet, no site: www.promenino.org.br. Apesar do nome ser Causos do ECA, as histórias retratadas precisam ser reais e mostrar na prática a aplicação do Estatuto.

Serão selecionadas 20 histórias finalistas por um corpo de jurados formado por pessoas atuantes na área de infância e juventude. Os causos serão premiados em duas categorias: ECA como instrumento de Transformação, voltada para a divulgação de experiências gerais em que a aplicação do ECA tenha transformado a vida de crianças e adolescentes; e ECA na Escola, que prioriza a ação da escola, e é destinada a promover histórias de mudanças  na comunidade escolar devido ao Estatuto.

Os três primeiros colocados de cada categoria recebem um prêmio de R$ 15 mil (primeiros lugares); R$ 10 mil (segundos) e R$ 5 mil (terceiros). Pela primeira vez, este ano, haverá uma premiação também por Júri Popular. A votação será realizada através do Portal Pró-Menino e a história vencedora na opinião dos internautas receberá R$ 10 mil.

Ainda entre as 20 finalistas, quem não receber prêmio em dinheiro tem outras chances de reconhecimento. Quatro histórias serão escolhidas pela coordenação do concurso para servirem de roteiro para a gravação de curtas-metragens. Além disso, todos os causos finalistas serão ainda publicados nos meios impresso e digital.

*Com informações da ANDI e assessoria da Fundação Telefônica

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*Mãe Carmem recebe comenda da Unesco

A ialorixá do Terreiro do Gantois, Mãe Carmem, recebeu a medalha dos Cinco Continentes ou da Diversidade Cultural, uma homenagem da Unesco. A condecoração se dá em reconhecimento a instituições que promovem diálogo intercultural e não fazem distinção nem proselitismo com outros segmentos religiosos. Mãe Carmem foi condecorada também com as faixas da Sociedade Secreta Geledé, sendo considerada uma Iyalodê, por ser uma líder que salvaguarda a ancestralidade de matriz africana em sua comunidade religiosa.

Outra integrante do Gantois também foi reconhecida. Márcia Maria de Souza – Maié Oxum e membro do Centro de Estudos Afro-Orientais da UFBA – recebeu a Medalha Toussaint Louverture. A comenda leva o nome do libertador do Haiti e é oferecida pela Unesco às pessoas que desempenham importante papel de conscientização da afrodescendência e promoção das culturas africanas em função da diáspora.

*Com informações da assessoria da Unesco

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Artigo: Verdades e mitos sobre a homossexualidade

Conversa de Menina, em defesa da diversidade, coloca a colherzinha em um tema tabu: a homossexualidade. Frequentemente, discuto com amigos o porque do ser humano ter tanto interesse na sexualidade alheia, sua orientação, e as escolhas que faz na vida: se opta por assumir determinado comportamento, se o esconde, se fala ou não do assunto, com quem dorme ou deixa de dormir. Pessoalmente, creio que a sexualidade de cada um é tema de interesse próprio e privado. Mas, diante do preconceito dominante, algumas bandeiras precisam ser carregadas e estratégias de luta estabelecidas. Luta essa para que se conquiste o direito tanto à livre expressão pública quanto a manter o assunto na esfera do pessoal, se essa for a vontade de alguém. Luta para que uma pessoa não seja julgada por sua sexualidade, mas pelo caráter e postura ética na vida. Certa vez, motivada pelo comentário de um leitor do jornal onde trabalho, travei longo debate com um colega sobre se o correto é dizer “orientação” ou “opção” sexual. Minha resposta, na ocasião, acabou meio parecida com a opinião da Maria Helena Vilela, que preside o Instituto Kaplan, focado em educação e sexualidade. Orientação é o termo que define, enquanto opção é o que vai marcar a escolha do indivíduo em assumir ou não determinada orientação. No fim das contas, são termos complementares, que vêm sendo usados como sinônimos ou mesmo confundidos e reconfigurados para depreciar, ao invés de incentivar a compreensão e aceitação.

Neste domingo, dia 6, acontece a 14ª Parada do Orgulho LGBT, em São Paulo, manifestação pela diversidade sexual que é considerada a segunda no mundo em tamanho e importância. Motivada pela data, Maria Helena Vilela escreveu um artigo sensível e, em certa medida, didático, desconstruindo alguns mitos sobre a homossexualidade. A linguagem educativa tem razão de ser: o Instituto Kaplan trabalha há 18 anos com capacitação técnica de professores para abordar a educação sexual nas escolas, mas também direciona seu foco ao público jovem. Aqui no blog, por exemplo, já publicamos um artigo da Maria Helena, sobre gravidez na adolescência, que é um dos nossos posts mais lidos.

Confiram o novo texto da pesquisadora:

*Verdades e mitos sobre a homossexualidade

**Maria Helena Vilela

Quando se trata de comportamento sexual, a lógica pode significar preconceito. A probabilidade de se fazer uma avaliação errada é muito alta. Cada pessoa é única e traz consigo histórias e circunstâncias de vida, das quais nem sempre é capaz de dar conta.

Dia 6 de junho, realiza-se em São Paulo a 14ª Parada do Orgulho LGBT. Um marco nos direitos civis. No trabalho de estudo da sexualidade humana, o Instituto Kaplan defende, no desenvolvimento de metodologia para capacitar professores e técnicos de saúde, a aplicação da educação sexual nas escolas e empresas, sem preconceitos, explicando os direitos sexuais de todos cidadãos.

É preciso deixar claro que a homossexualidade é o desejo de se vincular emocional e sexualmente com alguém do mesmo sexo. Ou seja: um outro jeito de ser, no que se refere à pessoa por quem se sente tesão. Apesar de ser um fenômeno aparentemente simples, ainda há muitas idéias erradas sobre ele. Até bem pouco tempo, a homossexualidade era considerada uma doença. Hoje já se sabe que não é.

Muitas teorias tentam explicá-la, mas ainda não existe um consenso. A mais aceita das teorias é aquela que fala sobre a combinação entre uma predisposição genética e fatores psicológicos (a forma como cada pessoa registra fatos, sentimentos e impressões) e sociais (o meio em que vive, a forma como a família lida com a valorização sexual e a cumplicidade entre os sexos).

O objetivo deste texto é esclarecer alguns tabus e preconceitos que existem sobre o tema. E existem muitos: homossexualidade seria uma escolha, ou resultado da falta ou do excesso de sensibilidade, ou ainda da frustração amorosa em relação às pessoas do sexo oposto. E ainda há os que pensem que a homossexualidade é uma doença mental, ou um desvio psicológico.

Os preconceitos:

1. Uma questão de escolha?!

Ninguém é capaz de escolher por quem sentirá tesão. Não conheço nenhum trabalho que traga o depoimento de um único homossexual que faria a escolha da homossexualidade, se pudesse, porque, mais que ninguém, o homossexual sente o peso da discriminação social. Do mesmo jeito que as pessoas não escolhem suas preferências entre loiros ou morenos, “sarados” ou barrigudos, sérios ou divertidos, elas também não conseguem determinar se o desejo é por alguém do mesmo sexo, do sexo oposto ou de ambos. Apenas realizar ou não o desejo afetivo-sexual, pôr em prática o relacionamento é que é uma questão de opção que pode ser feita ou não pelo indivíduo.

2. Uma questão de sensibilidade?!

Existe uma crença popular de que um homem sensível e delicado é homossexual. A sensibilidade é a capacidade de sentir e perceber o que está acontecendo a nossa volta e não tem nada a ver com a orientação sexual de uma pessoa. A garota pode ter um jeito mais grosseiro de lidar com as pessoas e nem por isso ser lésbica, ou o garoto ter certo trejeito e não ser gay. O papel sexual, ser masculino ou feminina, não tem nada a ver com a orientação sexual (a orientação do desejo). Muitos meninos agressivos e meninas delicadas podem ser homossexuais.

3. Frustração amorosa?!

Muitas pessoas acreditam que as lésbicas são mulheres que não conseguiram arranjar namorado, ou que sofreram algum trauma com homens. Esta explicação existe, porque é difícil para as pessoas heterossexuais imaginar que o prazer sexual feminino seja possível sem a presença do pênis. Quanto aos gays, muita gente acha que a homossexualidade é decorrente de uma experiência traumática nas primeiras relações sexuais com uma mulher. Os homossexuais não são heterossexuais frustrados! São pessoas, cujo desejo sexual está no outro, que é do seu mesmo sexo.

4. Homossexualidade é doença mental ou desvio psicológico?!

Nem uma coisa e nem outra! Durante muito tempo, a homossexualidade foi interpretada pela medicina como uma doença. Mas, na década de 70, todas as associações de profissionais de saúde mental, inclusive a OMS (Organização Mundial de Saúde) concluíram que não se tratava de uma doença mental ou de distúrbio psicológico. Portanto, não existe tratamento para uma pessoa “deixar de ser homossexual”. O que a medicina ou a psicologia podem fazer é prestar ajuda para que o homossexual aprenda a lidar com o seu jeito de ser, sexualmente diferente do que a sociedade deseja para ele, sem deixar que isto atinja as outras características pessoais. Ou seja, é possível ser homossexual e ser, ao mesmo tempo, um profissional competente, um filho amoroso, um amigo corajoso, um cidadão que conhece e respeita seus direitos e deveres, uma pessoa divertida, feliz e que pode e deve conquistar o respeito de todos.

Cena do filme O Segredo de Brokeback Montain, de Ang Lee

Mudar o rumo da História

Muitas pessoas não se conformam com a existência da homossexualidade, principalmente quando o homossexual é alguém próximo e querido. Todos querem saber o que podem fazer para conseguir ajudar alguém a “não ser homossexual”. Não existe esta possibilidade. Até o momento, ainda não foi cientificamente comprovado nenhum tipo de procedimento que faça de alguém homo, bi ou heterossexual. O que nós sabemos é que, na nossa sociedade, existem jeitos sexuais diferentes de ser. E o que se pode fazer é aprender a lidar com as diferenças. Diferença não é sinônimo de deficiência! É um outro jeito de ser humano.

A sexualidade se desenvolve em contextos diversos, a partir de experiências distintas. Portanto, é inútil se ter o desejo de que todas as pessoas correspondam ou se ajustem a um único modelo para ser sexualmente feliz.

*Material encaminhado ao blog pela jornalista Vera Moreira

**Maria Helena Vilela é diretora do Instituto Kaplanwww.kaplan.org.br

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Campanha pelo fim da violência contra mulheres e crianças


As estatísticas mundiais da prática de violência contra mulheres e crianças mantém números alarmantes e tanto as organizações oficiais quanto as chamadas de terceiro setor (Ongs e sociedade civil organizada) têm se engajado cada vez mais na luta para por um fim a tanta barbaridade. O blog Conversa de Menina, que também milita nesta causa, abre espaço para divulgar uma iniciativa muito bacana, promovida por um grupo de organizações adventistas na América Latina. E aqui, independente da crença religiosa das blogueiras, o que vale é a união em prol de uma causa mais que nobre.

Trata-se da campanha End It Now (Diga Não à Violência Contra a Mulher), que foi lançada em Brasília, nesta quinta-feira, por representantes de diversas organizações adventistas na AL. Até o momento, cerca de 70 mil assinaturas foram recolhidas em oito países sul-americanos (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Bolívia, Peru e Equador). A previsão é que as adesões aumentem através de mobilizações em todos estes países.

Para vocês terem uma ideia do que significa uma campanha assim, dados nacionais de segurança pública dão conta de que no Brasil, em 2005, a cada oito minutos uma criança era vítima de pedofilia. Estima-se ainda que, pelo menos, 69% dos casos de abuso sexual sejam praticados contra crianças. No caso das vítimas adultas, os percentuais também escondem a ponta de um iceberg que deve ser muito maior do que aparenta (basta lembrar que nem toda vítima denuncia a agressão sofrida por diversos motivos, o medo sendo o maior deles). Em média, entre 10 e 69% das mulheres em todo o mundo alegam ter sido vítimas de abusos psicológicos por um parceiro em suas vidas. Além disso, estudos mostram que entre 12 e 25% das mulheres do planeta já passaram por violência sexual!

A campanha End It Now continua até o mês de outubro e a meta mundial inicial é arrecadar um milhão de assinaturas.

Para conhecer mais sobre a campanha ou participar, visite os sites em português (www.enditnow.org.br) ou em espanhol (www.enditnow-esp.org).

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*Instituto Avon e Unifem juntos contra a violência doméstica

O Instituto Avon e o Unifem(Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento das Mulheres) firmaram uma parceria para enfrentamento da violência doméstica. Juntas, as duas entidades vão construir dois portais voltados para prevenção da violência contra as mulheres e assistência à mulher vítima das diversas formas de violência.

A ideia é reverter os comportamentos decorrentes da permissividade e impunidade com relação à violência doméstica e familiar contra as mulheres. Denominado Educação para os direitos das mulheres: disseminação do conhecimento e uso da Lei No. 11.340/2006 – Lei Maria da Penha, o projeto recebeu propostas até o último dia 19 de abril.

O primeiro portal, voltado para operadores (as) do Direito – cerca de 600 mil bacharéis de Direito – será direcionado a advogados (as), delegados (as), promotores (as), defensores (as) públicos e juízes (as) e destacará políticas públicas e serviços de proteção e defesa dos direitos das mulheres e de assistência social e psicológica às vítimas de violência. Enquanto o segundo portal será voltado para jovens do ensino médio, na faixa dos 15 aos 18 anos, um universo de cerca de 10,2 milhões no Brasil, e incorporará formas lúdicas de transmissão de informações, como aplicativos audiovisuais, mídias interativas, jogos, passatempos, entre outros.

Pulseira da Atitude, da Avon

O projeto conjunto entre Avon e Unifem foi viabilizado com a doação de R$ 1,5 milhão ao Fundo, através da Campanha Fale Sem Medo – não à violência doméstica, de 2008. Esta quantia veio da venda da Pulseira da Atitude, primeiro produto global da empresa de cosméticos lançado para apoiar ações de combate à violência praticada contra mulheres em todo o mundo e de uma doação de mais R$ 500 mil pela Avon.

As ações terão como objetivo ampliar o conhecimento sobre a Lei Maria da Penha, em vigor desde agosto de 2006. Para a ONU (Organização das Nações Unidas) o enfrentamento da violência doméstica é uma questão que inclue tanto alterações na legislação, como a Lei Maria da Penha, como as mudanças nos comportamentos e atitudes de toda a sociedade – com destaque para os jovens e os operadores e operadoras de direito. O órgão internacional propõe ainda que cada país encontre sua própria estratégia, ajustada às suas realidades culturais, reconhecendo apenas que: “há uma única verdade universal aplicável a todos os países, culturas e comunidades: violência contra as mulheres é inaceitável, indesculpável e intolerável.”

UNIFEM – O Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM) foi criado em 1976 como resposta às demandas das organizações de mulheres presentes na Primeira Conferência Mundial das Nações Unidas sobre a Mulher, que se realizou na Cidade do México, em 1975. No Brasil desde 1992, o Escritório Regional do UNIFEM para Países do Cone Sul trabalha para promover a equidade de gênero e os direitos humanos das mulheres na Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai. O UNIFEM trabalha para a redução da feminização da pobreza e da exclusão, promoção do fim da violência contra a mulher, detenção e inversão das taxas de propagação do HIV/AIDS entre as mulheres e o alcance da equidade de gênero na gestão pública democrática em tempos de paz e em situações de pós-guerra.

INSTITUTO AVON – O Instituto Avon foi criado em 2003, com a missão de direcionar o investimento social da Avon no Brasil, mantendo como foco principal a mulher e suas necessidades. Atualmente, o trabalho do Instituto Avon se dá em duas grandes frentes: a campanha Avon contra o Câncer de Mama, que promove a disseminação de informação sobre a importância da detecção precoce do câncer de mama, e já apoiou 66 projetos com o mesmo fim; e a campanha Fale Sem Medo – não à violência doméstica, lançada em 2008 e já com resultados importantes para a causa.  A Avon e o Instituto conhecem a força da mulher como promotora de mudanças, de laços solidários, de desenvolvimento. Qualquer pessoa fortalecida, com saúde, dignidade e respeito pode ir mais longe, alçar vôo e manifestar seu potencial. Por isso é inaceitável que muitas mulheres, por falta de informação e de acesso a serviços, tenham suas potencialidades barradas. Trata-se, então, de promover ações informativas que possam mudar para melhor o cenário onde se encontram, buscando o equilíbrio e o respeito entre pessoas de todos os gêneros, origem, cor de pele, crença. Dessa forma, os direitos humanos são respeitados e a sociedade ganha.

Saiba mais:

Instituto Avon:  www.institutoavon.org.br e www.br.avon.com

UNIFEM Brasil e Cone Sul: www.UNIFEM.org.br

*Elaborado com informações das assessorias do Unifem e do Instituto Avon.

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Chuvas castigam cidades e evidenciam inação dos governantes

*Texto da jornalista Giovanna Castro

Em meio a tanta comoção por causa do desabamento de uma gigantesca quantidade de terra do Morro do Bumba, no Rio de Janeiro, esta semana, vi uma foto que me tocou de uma forma diferente da que vinha tocando, diante da “over” cobertura feita pela imprensa brasileira, em todos os canais de TV, sites, jornais impressos, revistas, blogs e outros veículos mais. A foto mostrava sob uma montanha de barro, lixo (o local era um lixão clandestino, há 25 anos) e lama, uma mulher e uma criança aos seus pés, deitada, nitidamente surpreendidas pela avalanche que avançou dentro da escuridão daquele morro em Niterói, levando tudo que encontrava pela frente. Ambos mortos.

Beleza da Cidade Maravilhosa foi ofuscada, nesta semana, pela tragédia provocada pela chuva

Imediatamente pensei sobre o sentimento que teria invadido aquele bombeiro que se inclinava sobre os dois corpos, sem mais qualquer esperança. Uma tragédia. Mas uma tragédia anunciadíssima, como tantas tragédias que poderiam ser evitadas no Brasil.  Vi inúmeros programas de TV meio que colocando a culpa da tragédia na ocupação desordenada, o que é um fato, mas atribuindo à negação dos moradores em sair do local de risco. Mas a análise é tão simplista quanto parece a displicência de seguidos governos que ignoraram a situação e permitiram que casas fossem construídas no local.

Aquelas pessoas estão ali, nitidamente, por falta de opção. Ninguém escolhe morar em cima de um terreno instável, fofo e cheio de lixo em decomposição porque quer. Essas pessoas não possuem conhecimento técnico para avaliar as condições sejam favoráveis ou desfavoráveis de determinado terreno. Na falta de uma política habitacional que contemple todos os brasileiros, na falta de ação do poder público que simplesmente ignora a parcela mais humilde da população, o que resta aos mais pobres? Construir com orgulho e sacrifíco sua morada, sua residência,  seu lar, seu refúgio, no lugar onde dá.

Não consigo admitir órgãos públicos de Defesa Civil emitindo alertas para moradores de áreas de riscos e claramente se eximindo da responsabilidade ao dizer em notas encaminhadas para a imprensa “a Defesa Civil recomenda que ao menor sinal de chuvas e rachaduras nos imóveis, as pessoas se retirem das suas casas”. Lindo! Mas e a alternativa? Para onde essas pessoas vão? Para a casa do vizinho, que está submetida ao mesmo risco, à casas de familiares, provavelmente em outros lugares da cidade que sofrem sem esperança a ação das chuvas? Vão para debaixo das pontes?

Carnaval em Salvador, assim como no Rio, é produto vendido como face mais brilhante do povo que vive nestes lugares

É preciso que os governantes comecem a atentar que os cargos que ocupam não se prestam somente a locupletação. Ao assumir um cargo na prefeitura de uma cidade, qualquer uma, ele assume o compromisso de ser um administrador. Cabe ao administrador fazer as coisas funcionarem, o que, vergonhosamente, não vem acontecendo nem no Rio de Janeiro e muito menos em Salvador, que não tem tanta visibilidade na mídia nacional como tem a cidade maravilhosa.

Pelos lados de cá, o caos é o mesmo em época de chuvas. Todo ano, as tragédias se repetem, moradores de áreas humildes perdem bens acumulados em uma vida inteira de trabalho duro, e vidas são perdidas impunemente. Foram mais de 200 mortos no Rio.

Quantos terão que morrer em Salvador para que alguma providência seja tomada? O mais leigo dos soteropolitanos e o mais distraído em questões climáticas sabe que, ano após ano, entre os meses de março e abril, as chuvas castigam a cidade e o estado. Onde estão as ações preventivas? O que é oferecido para essas pessoas? Ajuda de custo por alguns meses em valores pífios que não dão conta de um aluguel decente? É altamente frustrante perceber que as pessoas se encontram temerosas em relação ao período de chuvas e sentem que a história se repetirá com famílias chorando seus mortos e suas perdas afetivas e materiais.

E não venham afirmar que é falta de dinheiro para ações preventivas. O dinheiro chega através do governo federal como chegou a Salvador no ano passado, quando a cidade ficou em estado de emergência em decorrência dos temporais, e chegou também ao Rio de Janeiro nesta tragédia de agora. Para onde foi o dinheiro? Porque com esta verba, não foram construídos conjuntos habitacionais, com estrutura urbana, presença do poder público e saneamento básico? Agora, como antes, as pessoas sofrerão madrugadas insones esperando por uma ajuda divina que não parece chegar.

Alegria do povo e belezas naturais desviam a atenção das agruras enfrentadas pelos soteropolitanos no dia a dia

Quem morrer neste ano de 2010, por causa da chuvarada, quem perder seus bens, vai ouvir o quê do poder público? Até quando essa história vai se repetir? Até quando os governantes vão se dedicar às áreas mais nobres das cidades,
construindo belas praças para a classe média, com banquinhos e brinquedos de balanço, tapando rios, indo numa total contramão das iniciativas tomadas em outros lugares do mundo, e relegando a nenhum plano, os mais pobres, os bairros suburbanos, as pessoas que usam o ineficiente e insuficiente sistema de transporte coletivo e tem que esperar a condução embaixo de abrigos que não abrigam nada, que molham quando chove e queimam quando faz sol.

Parece lugar comum, mas é a mais pura realidade: e se os políticos morassem em áreas de risco no subúrbio, precisassem tomar ônibus para se locomover na cidade e  “fizessem uso” da cidade no seu cotidiano, coisas como essas aconteceriam? Essa postura precisa mudar, o governante precisa estar conectado com as necessidades do povo que está sob sua responsabilidade. E aqui, vem mais um lugar comum, o voto precisa ser usado com consciência. Não basta esbravejar que não há opções, que as alternativas postas na urna eletrônica são igualmente ruins. Há que se agir, exercer seu direito até que os governantes incompetentes sejam banidos das administrações públicas. Leva tempo, muito tempo, mas a mudança ainda está em nossas mãos.

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Gantois promove evento no Mês da Mulher

Mãe Carmem, ialorixá do Ilê Iyá Omi Axé Yamassê, mais conhecido como Terreiro do Gantois, junto com a Associação de São Jorge Edé Oxóssi (mantenedora da casa),  realiza no dia 20 de março (neste sábado), o evento Março Mulher Gantois, em homenagem à energia feminina, presença marcante na fundação da casa de tradição matrilinear.

Estão programadas palestras sobre saúde, higiene, DSTS, feira de beleza com dicas de penteados e cuidados para os cabelos, massoterapia e palestra sobre as histórias nagô, com D. Ceci de Oxalá. O evento começa às 15h, na sede do terreiro, no alto do Gantois, 23, bairro da Federação.

História – O Terreiro do Gantois foi fundado em 1849, por Maria Júlia da Conceição Nazaré. Em 2002, o Gantois, que é mais conhecido pelo sobrenome do antigo dono das terras onde a casa de Candomblé foi erguida, recebeu o tombamento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O terreiro tem tradição familiar e os comandantes da casa são sempre do sexo feminino e pertencentes à mesma família. Mãe Carmem é a sexta ialorixá do Gantois e é filha de Mãe Menininha, uma das sacerdotizas do Candomblé mais famosas do país, imortalizada na canção de Dorival Caymmi “Oração à Mãe Menininha”. Mãe Carmem substituiu sua irmã, Cleusa Millet, falecida em 1998.

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Especial Semana da Mulher: “Nem com uma flor”

O texto desta sexta-feira, penúltimo dia da série Especial Semana da Mulher, traz um artigo da advogada Antonieta Barbosa, que milita na defesa dos direitos dos portadores de câncer e é autora do livro Câncer – Direito e Cidadania. Na semana em que se comemora o centenário do Dia Internacinal da Mulher, a especialista denuncia a dificuldade das mulheres mastectomizadas em fazer valer seu direito à isenção de IPI na compra de carros adaptados e que não conseguem o benefício devido à máquina do governo (leia-se burocracia).

Nossa série termina neste sábado, continuem acompanhando!

Nem com uma flor

*Antonieta Barbosa

É de uma comovente singeleza o verso do compositor pernambucano Capiba, que diz: “numa mulher não se bate nem com uma flor”, e que emociona os foliões durante os festejos de momo. Na sequência, temos o Dia Internacional da Mulher como uma boa oportunidade para compatibilizar o discurso com a prática, pois não são poucas as oportunidades em que na mulher se bate, sim, com outras armas, especialmente aquelas mais sutis, que deixam marcas psicológicas imperceptíveis, mas indeléveis.

O câncer de mama, segundo dados estatísticos oficiais, atinge cerca de 50 mil mulheres por ano no Brasil. Mesmo considerado curável se tratado a tempo, causa mutilações que atingem a mulher no seu aspecto mais significativo, pois como se sabe, a mama é símbolo da feminilidade, da maternidade e da sexualidade.

Uma mulher que tem suas mamas mutiladas, mesmo que reconstituídas cirurgicamente, guardará para sempre as cicatrizes emocionais e só permite tal ato cirúrgico como única forma de salvar a própria vida.

Infelizmente, o choque de realidade de receber um diagnóstico de câncer e de se sentir mutilada é apenas o início de uma longa via crucis. Salva a vida, é preciso salvar-se como cidadã e fazer valer os seus direitos.

Em alguns casos, esses direitos são atropelados pela máquina pública que, com o azeite da burocracia, lhe impinge verdadeiras chicotadas burocráticas, expondo-a a situações humilhantes e submetendo-a a peregrinações intermináveis e inúteis.

É sabido que a extirpação dos gânglios linfáticos da axila interrompe a circulação natural da linfa, retirando do braço as defesas, reduzindo a força, a mobilidade e a sensibilidade, propiciando o pesadelo de uma lesão chamada “linfedema”, quando o membro fica desproporcionalmente inchado. Um verdadeiro aleijão que cronifica e pode chegar em casos extremos à necrose com a consequente perda do braço.

Uma mulher, a que “não se bate nem com uma flor”, que agora tem uma deficiência física, vai ter que optar entre ficar aleijada ou se tornar um peso para sua família, pois não consegue mais dirigir ou manobrar um veículo convencional sem fazer um esforço além da sua capacidade física.

Como forma de atenuar essa situação, tendo em vista os preços proibitivos dos veículos adaptados, a lei federal 8.989/95, garante isenção do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, aos deficientes físicos, que, segundo o decreto federal nº 5.296/04 é “toda pessoa que apresente alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando comprometimento da função física”.

O problema é que no nosso país sempre se dá um jeitinho de atropelar a cidadania. Investindo na desinformação e na fragilidade dessas mulheres, os peritos dos Departamentos de Trânsito, incumbidos da missão de aplacar a fúria arrecadatória do estado, ignoram a sua condição de deficientes físicas, indeferem seus pedidos, obstaculizando a obtenção de um direito.

Esses peritos que prestaram juramento como médicos, atestam que elas são “aptas a dirigir veículos convencionais”, mesmo cientes dos riscos que correm essas mulheres de perder um braço ou carregarem um aleijão para o resto das suas vidas.

Como se vê, o refrão de Capiba não sensibiliza a todos.

*Antonieta Barbosa é advogada, paciente de câncer e autora do livro “Câncer – Direito e Cidadania”. Também é diretora do Instituto Cristina Tavares de Atenção Integral ao Adulto com Câncer, em Recife.

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