Volta às aulas, as tartarugas estão à solta

Ainda em clima de volta às aulas – meu filhote encara seu primeiro dia de 6ªsérie/ 7ºano nesta segunda, dia 08 -, separei para publicação hoje no blog um artigo do ortopedista Fábio Ravaglia, que quem é leitor assíduo do Conversa já sabe que sempre recebemos ótimo material deste profissional. A mira do médico agora se volta para o peso das mochilas da criançada e eu vejo cada “tartaruguinha” encolhida nas ruas que dá até pena. Chamo de tartaruga porque eles – os estudantes – ficam mesmo parecendo uns quelônios urbanos, com aquelas mochilas gigantes e abarrotadas de livros nas costas, como se fossem cascos coloridos e muito, mas muito pesados mesmo. O problema todo é que carregar esse peso quando o corpo ainda está em processo de formação faz um mal danado para a coluna. Na minha vida de repórter de rua – ai saudades! – fiz muita pauta de volta às aulas e uma das matérias que não faltam nos jornais nesta época do ano, podem reparar, é aquela sobre o peso das mochilas. A escola do meu filho colocou armários para os estudantes guardarem seu material, como a gente vê nos filmes. Mas, como saúde é um tema em cuja tecla sempre temos de bater, mesmo que pareça chato e repetitivo, confiram o artigo:

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Tamanho da mochila deve ser proporcional ao do estudante

*Dr. Fabio Ravaglia

Mochila de campanha, equipamento essencial aos soldados

Pelos séculos, as mochilas adotaram diferentes formas e tamanhos. Há registros de que na Idade do Cobre o homem já utilizava uma bolsa rudimentar nas costas e ficava com as mãos livres para escalar montanhas nevadas da Europa. Há informações também de que, antes mesmo do nascimento de Cristo, as mochilas eram usadas pelas legiões romanas. Quase dois milênios mais tarde, exércitos ainda usam o equipamento tático para facilitar o cotidiano de seus pelotões. Passado o tempo, o couro e os tecidos de fibras naturais do acessório militar deram lugar a modernos materiais sintéticos e a múltiplas cores. Aprovada pelas novas gerações por sua utilidade e praticidade, desde a década de 1960, a mochila virou item de moda. A moçada quer determinados modelos e marcas para carregar daquele jeito despojado que a turma acha mais bacana. Entre as crianças, a preferência recai sobre estampas dos personagens favoritos. O ano letivo está por começar e sei que quase todos os estudantes desejam uma nova mochila para a volta às aulas.

Modismos à parte, a escolha da mochila certa é fundamental para a saúde da coluna. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que 85% das pessoas sentem dores nas costas decorrentes de problemas na coluna. E essa dor pode ter origem na infância e na adolescência, relacionada ao tamanho exagerado da mochila, à maneira como se carrega e ao excesso de peso.

A mochila inadequada pode acarretar problemas à saúde. Para enumerar apenas alguns “efeitos colaterais” de uma mochila errada, cito dores nas costas, postura incorreta e desvios na coluna vertebral. A curto prazo, a pessoa pode ter dorsalgia, que são dores sentidas nas costas que podem provir de músculos, nervos, ossos, articulações ou outras estruturas da coluna vertebral. Pode também ocorrer a dor cervical, na nuca ou no pescoço e a dor lombar baixa, próxima à cintura. Outras ocorrências possíveis são: cefaleia (dor de cabeça), dor nos ombros e dormência ou dores nos braços. A longo prazo, a pessoa pode desenvolver discopatias (patologias em discos intervertebrais, naturalmente sujeitos a desgastes) e cifoses (aumento da curvatura da coluna torácica, popularmente conhecida como corcunda).

O peso em excesso pode dar origem a danos vitalícios, sobretudo comprometer a qualidade de vida e a mobilidade futura. Os males mais comuns do excesso de peso são a cifose e a lordose (desvio para cima no final da coluna). Uma referência essencial é que o peso da mochila nunca deve ultrapassar o equivalente a 10% do peso da criança ou adolescente. O percentual determinado pela OMS é de 7%, mas arredondo para ficar mais fácil e também para o caso de surgir algo a mais para carregar.

Carregar a mochila com um ombro só traz riscos à saúde da coluna

O risco apresentado pelas mochilas não reside apenas no volume, mas na forma como são utilizadas. Um dos erros mais frequentes acontece quando o estudante coloca apenas uma das correias no ombro e sobrecarrega um só lado do corpo. A maneira correta é usar as duas alças, uma em cada ombro. Além disso, é preciso arrumar os objetos dentro da mochila de forma que os itens mais pesados estejam no fundo e próximos ao corpo. A moda sugere que as alças da mochila fiquem compridas, mas é preciso coibir essa posição. A mochila deve ser posicionada oito centímetros acima da cintura. Cabe lembrar que a questão é a saúde e não a moda!

A técnica para colocar e retirar a mochila das costas é vestir uma alça, apoiar a mochila  no quadril e depois passar o braço pela outra alça. Levantar a mochila do chão requer um esforço, então, cuidado para não sobrecarregar a coluna nem um dos braços apenas. Suspenda o peso com as duas mãos, para distribuir a carga entre os dois braços, mantendo a coluna reta e os joelhos flexionados o quanto for necessário.

No que se refere ao modelo mais adequado, para as crianças pequenas são recomendadas as mochilas com rodas grandes, que rolam melhor em qualquer terreno e são mais fáceis de puxar nas escadas.

Resumo a seguir o que é importante observar:

1. o tamanho da mochila deve ser adequado à estatura da criança, não ultrapassando os limites da cintura e dos ombros;

2. o peso da mochila vazia não deve superar um quilo;

3. as alças devem ter antichoques siliconados (enchimento interno de silicone) para maior conforto e cinta abdominal associada.

As formigas podem carregar até dez vezes o próprio peso, mas nós apenas 10%

Um outro ponto relevante é o uso racional do material escolar. Os estudantes tendem a levar material que não precisam pela preguiça de arrumar diariamente a mochila apenas com livros e cadernos correspondentes às aulas do dia. Nesse caso, a minha sugestão é que as escolas pensem no modelo americano, no qual há divisões especiais das matérias diárias ou armários para que os alunos guardem alguns materiais escolares. Além disso, o planejamento das aulas pode evitar que em um único dia da semana o aluno tenha que levar materiais de disciplinas diversas. A escola e pais ou responsáveis precisam ficar atentos para evitar que a criança carregue peso excessivo.

*Fabio Ravaglia é médico ortopedista graduado pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) e mestre em cirurgia pela Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Ele também preside o Instituto Ortopedia & Saúde, organização não-governamental que tem a missão de difundir informações sobre saúde e prevenção.

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Um papo sobre sexualidade, menarca e dúvidas na “gineco”

A jornalista Vera Moreira enviou ao blog um pingue-pongue com oito perguntas mais frequentes que as mães fazem no consultório ginecológico, quando precisam levar as filhas pré-adolescentes à uma consulta pela primeira vez. Quem responde às dúvidas é a ginecologista e obstetra Denise Coimbra, que tem uma experiência de atendimento em consultório de mais de 20 anos. Segundo a especialista, junto com a primeira menstruação, ou menarca, de uma menina, é preciso refletir sobre a educação sexual que ela recebe, a saúde e os cuidados que ela precisará ter ao entrar na idade reprodutiva e que garantirão qualidade de vida até ela tornar-se avó. Geralmente, a primeira menstruação acontece entre os 10 e os 13 anos. Mas há casos de meninas que menstruam pela primeira vez antes ou depois desse período.

Confiram as perguntas dos pais e as respostas da Drª Denise:

1 – Como o corpo da criança indica que a menstruação está  próxima?

R= Antes da menarca (primeira menstruação) acontece a pubarca, o aparecimento e o engrossamento dos pelos em região pubiana, com distribuição triangular que recobre o Monte de Vênus. Em seguida acontece o desenvolvimento mamário com crescimento das mamas, muitas vezes com assimetria.

2 – Qual é a idade natural para começar a menstruar?

R= Entre 12 e 15 anos, mas hoje tem meninas que menstruam aos 9 anos.

3 – Ao menstruar, o que muda no corpo da menina?

R= Muda tudo! Alterações na distribuição de gordura para coxas e quadris, que dão o formato arrendondado, e o afinamento da cintura. É comum depois de alguns ciclos anovulatórios (sem ovulação) a menina apresentar um muco cervical, que faz apresentar umidade na calcinha no período ovulatório, que se confunde com um corrimento. E as modificações psicossociais, fazendo a menina ter atitudes mais delicadas e sensuais.

4 – Quais as conseqüências da menstruação precoce?

R = Menarca precoce pode atrasar o crescimento, além de gerar conflitos com o papel social da menina.

5- Em quais casos é recomendável retardar a menarca?

R = Se a estatura não está adequada, respeitando o padrão genético dos pais, ou se ela ocorrer muito precocemente entre 5 e 9 anos.

6 – Como é feito o retardamento da menstruação?

R = Com o uso de hormônios para bloquear a ação da hipófise sobre os ovários por meio de medicação oral ou implantes subcutâneos.

7- Por que as meninas estão menstruando mais cedo?

R = A poluição e os agrotóxicos devem ter uma interferência direta nesta mudança de idade para a precocidade da menarca.

8 = Como devo deve proceder se estou preocupada com a menarca da minha filha?

R = É importante saber das mulheres da família (irmãs, tias e mãe) qual foi a idade da menarca. Não tenha preocupação se acontecer entre os 12 e 15 anos, mas a mãe deve se preocupar se: o histórico familiar apontar antecipação para 10 anos, vendo também a estatura e o desenvolvimento de caracteres secundários; bem como a menarca tardia, depois dos 16 anos. Nesses casos, deve-se procurar um ginecologista para orientação e investigação, necessitando muitas vezes de um cariótipo por causa de mosaicismo (alteração cromossômica) em algumas síndromes.

Saiba mais:

Denise Coimbra, além de ginecologista e obstetra, é especialista em fertilidade humana. Ela mantém um site com informações importantes sobre adolescência, menopausa, hpv, saúde reprodutiva e com reportagens em texto e video. Há ainda uma sessão para contato com a especialista. Para conferir: www.dradenisecoimbra.com.br

Em tempo – Quem se interessa pelo tema sexualidade na infância, como pais e educadores devem lidar com a questão, o instituto Kaplan – publicamos aqui no blog um excelente artigo da entidade sobre gravidez na adolescência -, está promovendo o curso “Sexo também é coisa de criança”, nos dias 23 e 24 de abril, em São Paulo.

O curso tem carga horária de 16 horas, apostilas e material lúdico-educativo. Os temas abordados serão: Sexualidade e suas funções; Educação sexual e cidadania; O papel do educador no desenvolvimento da criança; a construção da sexualidade na infância; a preparação da criança para a puberdade; Sexualidade e prevenção e um módulo com propostas de ações em educação sexual na infância.

Interessados em se inscrever devem entrar em contato pelo telefone (11) 5092-5854 ou email: [email protected]

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Açúcar é bom, mas em excesso faz mal

Tenho de confessar, sou viciada em doces. Desde criança também travo duelos épicos com a balança. Minha tara são os chocolates, oooh tentação. Mas, depois dos 30 anos, liguei a luzinha amarela e comecei a controlar a compulsão (gostosa compulsão) por sobremesas em geral. Na busca por qualidade de vida, descobri o prazer das frutas, são fresquinhas, suculentas, e no calorzão de Salvador, hummm, delícia! E claro, pesquisar é preciso. Todo viciado sabe que, antes de mais nada, é preciso admitir o vício para só então começar a trabalhar no seu controle. Com o açúcar não é diferente, é uma gostosura, mas é droga e causa muitos estragos no organismo, a começar pelos dentes, quando introduzidos na dieta desde cedo. E quando é mesmo que ele entra na nossa vida? Acertaram, naquelas mamadeiras tentadoras que mamãe fazia. Pesquiso muito sobre dieta, não no sentido de dieta da lua, dieta do calendário, dieta não sei de quem, essas eu nem levo a sério. Minhas pesquisas são na área de dietoterapia mesmo, terapia nutricional, equilíbrio do organismo adquirido a partir de alimentação balanceada. Outra confissão: amo nutricionistas, oooh povinho sabido! E como compartilhar também é preciso, abaixo publico mais uma daquelas materinhas esclarecedoras do CITEN (Centro Integrado de Terapia Nutricional). O tema da vez, açúcar, quem mais? Confiram:

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O poder arrebatador do açúcar

Cana-de-açúcar

Sempre nos perguntamos o porquê da esmagadora preferência das pessoas por alimentos doces… Enquanto ainda não temos respostas definitivas para tais questões, procuramos entender esta predileção. Sabemos, por exemplo, que os bebês demonstram instintivamente reações de prazer ao serem alimentados com alimentos adocicados e que se provermos uma gestante com grande quantidade de doces, seu bebê será mais predisposto a gostar das guloseimas do açúcar. Na Europa, há uma prática de se oferecer água adocicada aos bebês, quando eles vão tomar injeções, parece que o açúcar pode alterar o humor deles, além de conferir-lhes certa ação anestésica.

A intrincada via do açúcar até o cérebro

“A nossa percepção do sabor doce começa nas papilas da língua, mas os receptores cerebrais que codificam tal sabor prazeroso dos alimentos doces  são os mesmos que respondem ao álcool, ao tabaco e à cocaína. Isso poderia explicar a preferência das pessoas que comem doces compulsivamente, ou seja, que comem apenas pelo prazer de saborear determinados alimentos, ao invés de buscarem também o alimento quando sentem fome”, afirma a endocrinologista Ellen Simone Paiva, diretora do Citen.

No cérebro, os alimentos doces aumentam os nossos níveis de serotonina, um neurotransmissor que desempenha um importante papel na regulação do humor, do sono, da sexualidade e do apetite.  Assim, alimentos doces, agindo direta ou indiretamente, através da serotonina, parecem  melhorar o humor das pessoas.

As estatísticas revelam que 60% das pessoas tem preferência pelos doces e a indústria dos alimentos intuitivamente, ou talvez mais sistematicamente,  entendeu isso muito bem, tanto é que milhares de alimentos nos supermercados são enriquecidos com sacarose, para atender à demanda dos paladares.

Muitos questionam o poder deletério dessa grande quantidade de alimentos doces. Outros discutem a “dependência” ou uma grande necessidade de consumi-los, a cada dia, em maior quantidade… “Mas o que sabemos é que dentre os três macronutrientes de que dispomos no cardápio – carboidratos, gorduras e proteínas – os carboidratos (que englobam também os doces) são os alimentos de mais rápida saciedade, ou seja, voltamos a sentir fome muito rapidamente quando nossa refeição é constituída basicamente deles”, explica a médica.

As diferentes formas do açúcar

Açúcar mascavo, rico em nutrientes

A sacarose é a responsável pelo sabor adocicado dos doces e alimentos industrializados que tanto agradam nosso paladar. Não existe diferença em sua concentração no mel, açúcar refinado, açúcar cristal, açúcar mascavo ou açúcar orgânico. Todos eles têm as mesmas quantidades de calorias, logo, as mesmas chances de engordar as pessoas. Conheça as principais características de cada um deles, antes de fazer sua escolha:

· O açúcar refinado é o resultado de um processo químico que retira da garapa a sacarose branca e adiciona produtos químicos como clarificantes, antiumectantes, precipitadores e conservantes;

· Os açúcares cristal e  mascavo são mais saudáveis do que o refinado por não conterem adição de produtos químicos utilizados no refino;

· O açúcar mascavo também contém micronutrientes, enquanto o açúcar refinado não contém nutriente algum;

· O açúcar light tem o diferencial de ser menos calórico, por incorporar um adoçante não calórico no seu preparo, na proporção de 50%;

· O açúcar orgânico é extraído da cana de açúcar em cujo plantio não são usados adubos, nem fertilizantes químicos;

· O processo de industrialização do açúcar orgânico é idêntico ao do açúcar cristal comum, ou seja, livre de cal, enxofre, ácido fosfórico, folímetro e outros elementos adicionados ao produto refinado. Não há, portanto, vantagens no açúcar orgânico em relação ao açúcar cristal comum.

A importância no controle do volume de açúcar ingerido

Açúcar cristal é mais saudável que o refinado

O grande problema da ingestão dos alimentos adocicados é que geralmente acabam por estimular a ingestão de grandes volumes de alimentos. Isso não seria problema se as pessoas conseguissem ingerir um bombom, uma bola de sorvete ou um pedaço de pudim.  “Mas, geralmente, elas comem muito mais que isso, sempre estimuladas pelo grande prazer que causam esses alimentos, pois nunca é a fome o estímulo para ingerir doces, mas a atração e o fascínio pelo prazer adocicado”, diz Ellen Paiva.

Nos últimos quinze anos, o tamanho das porções de refrigerantes aumentou  assustadoramente. Servem-se copos que cabem litros  de refrigerantes, baldes de sorvetes e promoções combinadas que, individualizadas, sairiam mais caras, induzindo ao maior consumo desses alimentos. “Com as grandes porções desses alimentos, compramos mais calorias por unidade de moeda de qualquer país e acabamos, erroneamente, por achar isso vantajoso. Compramos muito mais do que comeríamos e comemos muito mais do que deveríamos”, alerta a diretora do Citen.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que o açúcar de adição não ultrapasse 10% das calorias de uma refeição. Apesar disso, nos Estados Unidos, as crianças consomem o dobro dessas recomendações. Os refrigerantes são os maiores contribuintes individuais dessa ingestão.   “O açúcar, incorporado na maioria dos alimentos industrializados, leva a um consumo expressivamente alto desse ingrediente, causando um aumento das calorias das dietas, com um poder de saciedade muito pequeno. O resultado dessa equação é sempre muito amargo e um dos responsáveis pela epidemia de obesidade e diabetes em todo o mundo, principalmente entre crianças e adolescentes”, diz a endocrinologista Ellen Paiva.

Para saber mais sobre nutrição:

CITEN – Centro Integrado de Terapia Nutricional
Site: www.citen.com.br
Contato: [email protected]
Rede social: http://twitter.com/Citensp

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A explicação para o soluço

Aqui para nós, que coisa inconveniente é o soluço. Você está no meio de uma reunião de trabalho e, de repente, começa a soluçar. Você pode até pedir licença, mas os soluços irão de perseguir. Eles parecem que não vão cessar nunca, até que, de repente, desaparecem. Pior é que o soluço mexe com todo o nosso movimento corporal, de repente seus ombros sobem involuntariamente e um barulhinho esquisito foge da boca. Não tem como disfarçar. Um horror. E nem adianta colocar a mãozinha na boca para fazer de conta que nada está acontecendo. Soluço é daquele tipo de reação que todos percebem que está acontecendo com você, quer queira, quer não.

E ele não faz cerimônia para surgir. Você pode estar no meio de uma reunião de trabalho, em um bate-papo com amigos, em casa de maresia, no meio da aula, em um encontro… não tem ambiente certo. Uma hora ele vai acabar aparecendo e nos deixando, a depender da circunstância, em uma situação bem constrangedora. Fiquei me perguntando dia desses se não haveria uma forma de evitar um soluço, ou de curá-lo em meio à crise. Repentinamente percebi que eu nem sabia muito bem o que é que provocava o tal soluço e por que às vezes é tão difícil se livrar dele. Daí o motivo deste post. Agora todos nós saberemos exatamente o que é o soluço, por que ele acontece e se há alguma forma de inibi-lo nas situações em que ele parece ser bem inconveniente.

De acordo com o Dr. Dráuzio Varela, o soluço é uma “respiração com espasmos, provocada pelo súbito fechamento da glote (abertura localizada na laringe, que serve de passagem de ar para os pulmões) simultâneo à contração do diafragma (músculo respiratório situado entre o abdômen e o tórax)”. Normalmente, o soluço passa rapidamente. Bastam alguns minutos para que ele desapareça como se nada tivesse acontecido. Algumas vezes, a duração pode ser um pouco maior, e você passar algumas horas naquela situação incômoda. E outra coisa que só descobri nas pesquisas é que pode ocorrer de  o soluço se tornar crônico e durar anos. Esta última hipótese é bastante rara, vale ressaltar. No caso de as crises durarem mais de 24 horas, é preciso procurar um médico.

Em uma pesquisa rápida, encontramos diversas explicações para as causas do soluço. A ingestão de alimentos pode fazer com que seu diafragma entre em espasmo, causando o soluço. Além disso, a indigestão e o excesso de comida também podem causá-lo. Tudo porque acabamos ingerindo um pouco de ar, que é expelido do nosso organismo por meio do soluço. Às vezes, do nada, repentinamente, começamos a soluçar. As tais inspirações rápidas e em curtos espaços de tempo, que fogem completamente do ciclo respiratório normal, não é um fator de risco, não passando de um desconforto. Como as causas são as mais variadas e podem ter relação com a deglutinação de ar,  até uma gargalhada e um acesso de tosse podem acabar levando a uma crise de soluços.

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No caso do soluço persistente, claro que a procura por um médico é indispensável. pode ser que ele esteja associado a algum outro tipo de problema. Daí que  o problema pode não ser o soluço em si. E este representar apenas um sintoma de alguma coisa maior. Várias sugestões aparecem como manobras caseiras para interromper uma crise de soluços. Optamos por reproduzir as sugestões do site do Dr. Drauzio Varella, lembrando que não há como especificar a eficácia de tais medidas. Como não são danosas, vale experimentar e ver se funciona. Tudo para acabar com o incômodo de andar com espasmos por aí. Abaixo, a listagem de “remédios” caseiros:

# Prenda a respiração;
# Engula uma porção de açúcar cristal (uma colher de chá), miolo de pão ou gelo moído;
# Curve-se e beba água do fundo de um copo;
# Chupe uma fatia de limão;
# Respire repetidamente num saco de papel;
# Faça gargarejos com água;
# Puxe sua língua para provocar reações de vômito;
# Coce o céu da boca com um cotonete de algodão;
# Usando uma colher de chá, suspenda a úvula [campainha da garganta];
# Erga os joelhos até o peito e incline-se.

>> E se você tem uma receita infalível ou já experimentou algum dos métodos acima, deixe um comentário e ajude-nos a livrar-nos mais rapidamente do desconforto.

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Luto: Morre Zilda Arns, mulher que fez a diferença

Zilda Arns em uma de suas palestras. Crédito das imagens: Agência Brasil

A médica pediatra e sanitarista Zilda Arns, criadora das pastorais da Criança e do idoso, indicada ao prêmio Nobel da Paz em 2006, foi uma das vítimas do forte terremoto que abalou o Haiti e foi sentido em boa parte do pacífico caribenho nesta terça-feira à noite. Zilda Arns viajou ao Haiti para fazer uma palestra sobre combate à desnutrição e voltaria para casa no próximo sábado, dia 16. Infelizmente, quis o destino que ela estivesse no local de uma tragédia de grandes proporções. Foram três terromotos, um deles alcançou 7 graus, o mais alto na escala Richter. Os abalos derrubaram um hospital e diversos edifícios e casas, ferindo moradores e turistas de Porto Príncipe, a capital haitiana. Também atingiu as instalações do exército brasileiro – há tropas do país, inclusive baianos, servindo nas forças de paz da ONU naquela ilha – e até a embaixada brasileira foi afetada. Enquanto os governos do Brasil e EUA tentam mitigar o sofrimento dos haitianos e descobrir informações sobre as vítimas, Conversa de Menina faz uma singela homenagem à Zilda Arns, uma mulher que sem dúvida, ao longo dos seus 76 anos de vida, fez a diferença.

Alguns anos atrás, fui uma das repórteres que entrevistou a médica durante um evento da pastoral da criança, em Salvador. Fiquei impressionada com a força de caráter e a bondade e delicadeza demonstrados por aquela senhora quase da idade da minha mãe, tão ativa e dinâmica, cheia de energia e com tanta vontade de ajudar aos outros. Incansável, ela vivia viajando, militava pela diminuição da mortalidade infantil nos países subdesenvolvidos, militava contra  a fome, era inteligentíssima e profunda conhecedora da natureza humana.

Para quem tem curiosidade em saber mais sobre quem foi Zilda Arns, abaixo uma resumida biografia:

Pediatria social era uma das especialidades da médica, incansável militante no combate a mortalidade infantil e manterna

Zilda Arns nasceu em agosto de 1934, em Santa Catarina. Era irmã do cardeal e arcebispo de São Paulo, D. Paulo Evaristo Arns.  Estudou medicina em Curitiba e escolheu a pediatria como carreira, tendo trabalhado durante anos em prol da diminuição da mortalidade infantil e materna e pelo fim da violência doméstica contra crianças. Ao longo da carreira, fez dezenas de cursos de especialização: em medicina sanitária, educação física, pediatria social, educação em saúde materno-infantil. No começo dos anos 80, ela coordenou a primeira grande campanha de vacinação contra a poliomielite em Santa Catarina e o método que ela desenvolveu foi posteriormente adotado pelo Ministério da Saúde em todo o país. Em 1983,  criou a Pastoral da Criança e desde então, percorreu diversos países no seu trabalho como médica, sanitarista e divulgando os trabalhos da pastoral. Os caminhos da solidariedade levaram Zilda Arns até a Indonésia, Angola, Estados Unidos e quase toda a Europa. Graças ao trabalho na pastoral da Criança, essa mulher que ainda encontrou tempo para criar cinco filhos sozinha – ficou viúva em 1978 – recebeu da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), a missão de criar a Pastoral da Pessoa Idosa, o que ela fez em 2004. Por sua luta em prol da infância, Zilda Arns recebeu diversos prêmios e títulos nacionais e internacionais. Além da indicação ao Nobel, um dos prêmios internacionais de destaque foi o título como “heroína da saúde pública das Américas”, concedido pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS).

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Artigo: Ditadura da Beleza x Atitudes Extremas

Estava selecionando material para o blog nesta segunda-feira, em dúvida se publicava post sobre exercícios físicos para gestantes ou pilates na terceira idade, ou ainda se escrevia sobre o divórcio – post que prometi há algum tempo para vocês – quando meu email acusou mensagem nova. Era o texto abaixo, enviado pela Accesso e de autoria do cirurgião plástico Maurício de Maio. O tema, embora já tenha sido tratado diversas vezes, por profissionais das mais diversas áreas, chamou minha atenção por ser abordado por um cirurgião plástico. Foi uma grata surpresa perceber que alguém que vive da beleza tenha um senso crítico tão apurado sobre a obsessão em ser belo que toma conta de homens e mulheres na contemporaneidade. Não que em outras épocas da história não tenha havido essa super valorização da estética, mas nunca com contornos iguais aos de agora. Os posts sobre divórcio, pilates e ginástica para grávidas vão esperar mais um pouco. Enquanto isso, confiram o artigo sobre a ditadura da beleza e pensem um pouco no assunto:

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*DITADURA DA BELEZA X ATITUDES EXTREMAS

por **Maurício de Maio

O dismórfico é aquele que não consegue se enxergar como é na realidade, mas como imagina que seja. Meninas anoréxicas, por exemplo, sempre se veem gordas diante do espelho, embora estejam esqueléticas

Muito antes de Vinícius afirmar que beleza é fundamental, a necessidade de ser belo já influenciava a sociedade no culto e na aspiração de atingir o padrão estético vigente. Há casos em que essa pressão atua de forma perversa, e leva o indivíduo a desenvolver distúrbios psicológicos sérios.

Na natureza, a beleza tem um papel importante para a evolução, pois determina a seleção dos parceiros. É por isso que, em geral, os machos são mais coloridos e vistosos, pois precisam se sobressair para seduzir as fêmeas. Com a raça humana tem acontecido justamente o oposto. Enquanto os homens são valorizados por sua capacidade intelectual e pelo sucesso profissional e financeiro, o que está diretamente relacionado à função de manter e sustentar a família, as mulheres tornaram-se objeto da beleza. Espera-se, então, que sejam eternamente jovens e atraentes.

Há sociedades que chegam a atitudes extremas. Na China Milenar, por exemplo, era costume enfaixar os pés das meninas nobres para que os pés não crescessem. Pé pequeno era sinal de delicadeza, ao mesmo tempo em que simbolicamente representava o controle masculino. É possível citar ainda as famosas Mulheres-Girafa da Ásia, que usavam argolas na adolescência para aumentar de duas a três vezes o comprimento do pescoço. Assim como no caso das meninas chinesas, a ideia aqui não era só adequá-las a um padrão estético, mas também mantê-las sob o domínio dos homens, já que não poderiam mais sobreviver sem as argolas.

Se voltarmos à era pré-histórica, quando os homens saíam para caçar e as mulheres ficavam o tempo todo em casa cuidando dos filhos, entendemos, por exemplo, o porquê de a pele clara ter se tornado sinônimo de beleza. O fato é que elas praticamente não se expunham ao sol. Isso se perpetuou até a década de 20, com o look bronzeado proposto por Channel, que passou a ser associado à saúde e sensualidade.

Com a chegada ao mercado de trabalho, cada vez mais mulheres preferem adiar o casamento em detrimento do desenvolvimento profissional. Ainda assim elas continuam a ser selecionadas pelos parceiros em função da beleza, ou seja, precisam estar sempre bem cuidadas e arrumadas.

Nem mesmo os momentos de crise impediram que as mulheres continuassem a investir em beleza. Há registros de que durante a Segunda Guerra Mundial os gastos com cosméticos chegaram a superar os com alimentos. Esse fenômeno, que recentemente voltou a se manifestar com a crise financeira internacional, foi batizado pelos especialistas econômicos de “Lipstick Effect”.

A verdade é que envelhecer e não atender ao padrão de beleza causa sofrimento a algumas pessoas. Exemplo disso é que mulheres muito belas na juventude tendem a entrar em depressão com a perda do alto padrão estético. É quando iniciam uma busca desenfreada por procedimentos rejuvenescedores e, pela falta de conhecimento, acreditam que o excesso de produtos trará de volta os anos que passaram, o que é tecnicamente impossível e nada natural.

De uns cinco anos para cá, os homens também começam a sofrer com a ditadura da beleza. Não somente os metrossexuais, indivíduos altamente focados nos cuidados pessoais e com a imagem, mas também executivos de altos cargos que se sentem impactados pelo envelhecimento, que prejudica o desenvolvimento e manutenção de seu status profissional, tornaram-se símbolo desse novo padrão de comportamento masculino que valoriza a estética.

Seja homem ou mulher, a questão é que a busca desenfreada pela juventude e beleza se torna um grande problema para aqueles que sofreram algum tipo de perda, que se acham velhos.     Pessoas que sofreram retaliação na infância e/ou adolescência, período importante do desenvolvimento psicológico, podem apresentar traumas difíceis de curar. Há casos em que mesmo após uma cirurgia plástica corretiva, o paciente continua se vendo com o nariz grande e largo, no mesmo padrão de sua adolescência.

Michael Jackson, um dos exemplos mais famosos de cirurgia plástica feita de forma obssessiva e irresponsável

Também são muito comuns situações em que o indivíduo renega seus sinais raciais. Os asiáticos vão atrás das cirurgias popularmente conhecidas como de “ocidentalização”, nas quais é possível deixar os olhos mais abertos, arredondados e com o sulco palpebral evidente. A mudança do nariz é demanda recorrente, também por parte de afrodescendentes. Enquanto os asiáticos querem aumentar a altura do perfil do nariz, os afrodescendentes buscam o afinamento da ponta e das narinas.

Chamados de distúrbios dismórficos, os casos considerados mais graves revelam pacientes extremamente preocupados e angustiados com mínimos detalhes de sua aparência e nunca se satisfazem com nenhum tratamento. Acabam se fragilizando muito quando, em especial, não atingem seu objetivo, que na maioria das vezes é irreal.

O fato de existirem técnicas que possibilitam essas modificações não significa que não haja um limite. Não se pode esquecer que após cada ato cirúrgico há um processo inflamatório e de fibrose. E quanto mais se opera uma determinada área, mais risco existe de comprometer a vascularização e a nutrição das estruturas faciais.

Recentes avanços na medicina possibilitam o uso de métodos não-cirúrgicos, promovendo resultados similares ou iguais sem o risco excessivo de fibrose, necrose parcial ou total do tecido. Entretanto, isso não isenta a responsabilidade que o médico tem de orientar seu paciente sobre os limites para não prejudicar a saúde, ainda mais quando for detectado qualquer problema psicológico.

Independente do que seja feito e de como a sociedade evolua, a beleza tende a continuar a exercer um papel de ditadora. Trata-se, como já vimos, de um instinto de sobrevivência. Mesmo assim, a busca pelo padrão estético ideal ou pela juventude pode ser vista como um estímulo à busca pelo equilíbrio e por uma vida mais saudável. Basta que, para isso, cada um tenha consciência de seus limites. Sejam médicos ou pacientes.

*Material encaminhado ao blog pela Accesso Comunicação

** Maurício de Maio é cirurgião plástico, mestre em Medicina e doutor em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Também é consultor internacional e autor dos seguintes livros: “Tratado de Medicina Estética”, Ed. Roca/ Brasil em 2004; “Fillers in Aesthetic Medicine (Substância de Preenchimento em Medicina Estética)”, Ed. Springer-Verlag/ Alemanha, em 2006; e “Botulinum Toxin in Aesthetic Medicine (Toxina Botulínica na Medicina Estética)”, Ed. Springer-Verlag/ Alemanha, em 2007, os dois últimos traduzidos para o português, espanhol e coreano.

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Ano novo, novos hábitos alimentares

Vamos fazer um trato? Não mais uma daquelas promessas vazias de ano novo, que nunca se cumprem. Mas um compromisso assumido para valer. Um daqueles pactos inquebráveis. O trato é o seguinte: vamos nos cuidar mais em 2010. Cuidar principalmente da alimentação, que nestes primeiros anos do século XXI, deixou muito a desejar em termos de qualidade. Como nas festas de fim de ano a gente sempre exagera, vale se organizar para iniciar a desintoxicação alimentar logo no comecinho de 2010. Para estimular os mais céticos, eis uma reportagem elaborada pela equipe do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional), entidade que atua na prevenção à obesidade, em São Paulo. A fonte da reportagem é a endocrinologista e nutróloga Ellen Simone Paiva, além de amplo material de pesquisa com Anvisa e FDA (Food and Drugs Assossiation) órgão americano que regula remédios e alimentos. Apesar de extensa, vale a leitura, para ajudar a compreender quanto ingerimos de porcaria no dia-a-dia. Gostosas, sem dúvida, isso ninguém nega. Mas a longo prazo, essas guloseimas cobram seu preço sobre a nossa saúde.

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Excesso de gordura, sal e açúcar são ameaças reais à saúde

No início do século 20, nossa maior preocupação em relação aos alimentos era com a contaminação e com as medidas sanitárias para garantir que eles não veiculassem doenças. Os Estados Unidos adotaram medidas sanitárias para garantir alimentos não contaminados, como a inspeção das carnes já em 1906. No Brasil, as primeiras resoluções sobre o assunto datam de 1929. Uma ênfase maior foi dada ao problema através de um decreto presidencial de 1952.

Atualmente, o maior risco alimentar, na maior parte do mundo, não são os micróbios, mas os excessos alimentares sob a forma de calorias, açúcares, sal e gorduras. Somos mais de 1,6 milhões de pessoas com sobrepeso em todo o mundo de acordo com o Dr. Barry Popkin, professor de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da Carolina do Norte nos Estados Unidos.

De acordo com Popkin, esse número assustador já ultrapassou os 800 milhões de desnutridos espalhados pelo mundo, fazendo da obesidade uma pandemia, responsável direta ou indiretamente pela maior taxa de mortalidade imposta por qualquer fator de risco existente. Nos Estados Unidos, um terço da população adulta é obesa. No Brasil, de acordo com a última Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE 2002-2003, num universo de 95,5 milhões de pessoas acima de 20 anos há 3,8 milhões de pessoas (4,0%) com déficit de peso e 38,8 milhões (40,6%) com excesso de peso, das quais 10,5 milhões são consideradas obesas.

Industrializados mais saudáveis – Um exemplo recente dos nossos equívocos na industrialização dos alimentos foi a produção da gordura hidrogenada para substituir a gordura saturada da manteiga. “Passamos a comercializar margarinas duras, ricas em gordura hidrogenada, que, grama por grama, causa um risco cardiovascular muito maior do que a gordura saturada da manteiga, uma vez que, além de aumentar o mau colesterol (LDL colesterol), a gordura hidrogenada ou trans ainda reduz o colesterol protetor (HDL colesterol), sendo duplamente prejudicial à saúde”, diz a endocrinologista e nutróloga Ellen Simone Paiva.

Atualmente, são muitas as leis que obrigam a indústria de alimentos a declarar a quantidade de gordura hidrogenada de seus produtos em seus rótulos, como é o caso do Brasil. Exemplos muito bem sucedidos, como é o caso de Nova York, que conseguiu praticamente abolir a gordura trans de seus alimentos industrializados, inclusive nos alimentos servidos em bares, lanchonetes e restaurantes. O fato mereceu destaque numa das mais importantes revistas médicas dos Estados Unidos. O artigo, publicado em julho de 2009, não é um ensaio clínico, pesquisa ou revisão de literatura. Trata-se de cinco páginas com a descrição da metodologia usada por Nova York para conseguir mudar o perfil dos cardápios da cidade. A ação atingiu todos os estabelecimentos licenciados para comercializar alimentos, incluindo restaurantes, lanchonetes, cantinas escolares, cafeterias, empresas fornecedoras de alimentos e comércio ambulante.

“O fato inédito envolveu várias estratégias adotadas pelo órgão equivalente a uma secretaria municipal de Saúde e culminou na redução, a níveis muito baixos, do consumo de gordura hidrogenada pelos restaurantes da cidade de Nova York. Esse processo só foi possível graças a uma emenda ao Código de Saúde da Cidade, pois as várias tentativas anteriores, feitas através de campanhas educacionais, não obtiveram sucesso”, conta a médica.

O amargo sabor do açúcar – Sempre nos perguntamos o porquê da esmagadora preferência das pessoas por alimentos doces. A indústria de alimentos percebeu isso bem e milhares de alimentos nos supermercados são adoçados. “Muitas vezes, nos perguntamos se esse excesso de alimentos doces induziria a um quadro de grande necessidade deles e compulsão por doces, tão freqüente nas sociedades modernas. Enquanto ainda não temos respostas definitivas para tais questões, procuramos entender a predileção da maioria das pessoas pelos doces. Sabemos, por exemplo, que se provermos uma gestante com grande quantidade de doces, seu bebê será mais predisposto a gostar das guloseimas do açúcar”, conta Ellen Paiva.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que o açúcar de adição não ultrapasse 10% das calorias de uma refeição. Apesar disso, nos Estados Unidos, as crianças consomem o dobro dessa recomendação. Os refrigerantes são os maiores contribuintes individuais dessa ingestão. “O açúcar, incorporado na maioria dos alimentos industrializados, leva a um consumo expressivamente alto desse ingrediente, causando um aumento das calorias das dietas com um poder de saciedade muito pequeno. O resultado dessa equação é sempre muito amargo e um dos responsáveis pela epidemia de obesidade e diabetes em todo o mundo, principalmente entre crianças e adolescentes”, diz a diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional).

O desafio de reduzir o sal – Esse desafio é ainda maior, mas também muito importante. Alimentos muito salgados “tomam conta do nosso paladar”, induzindo-nos a preferir comidas mais temperadas e a recusar aquelas de sabor mais natural. “Comer muito sal é um hábito e um vício que se traduz pela sensação de que qualquer comida, com menor  teor desse ingrediente, pareça sem graça e sem sabor”, diz a endocrinologista.

Os americanos consomem quase duas vezes a recomendação máxima diária de 2300mg de sódio. Estima-se que a redução de 1300mg por dia na ingestão de sódio salvaria cerca de 150 mil vidas. Tal redução seria mais eficaz do que tratar todas as pessoas com hipertensão arterial, utilizando medicamentos específicos para isso. Os alimentos processados e aqueles consumidos em restaurantes respondem por 77% do sal ingerido, tornando muito difícil a redução deste ingrediente.

O reconhecimento da necessidade de redução do consumo de sal é bem antiga. Em 1981, o FDA já havia declarado sua intenção de reduzir o sal dos alimentos processados, mas até o momento pouca coisa mudou, além da obrigatoriedade da descrição da quantidade de sódio nos rótulos dos alimentos, medida também adotada pela ANVISA, no Brasil. E quanto ao consumo, nos últimos 30 anos, a ingestão de sódio aumentou 69% entre as mulheres e 48% entre os homens nos Estados Unidos.

“As necessidades diárias de sal estão relacionadas às necessidades de sódio. Elas são facilmente alcançadas sem a adição de sal no preparo dos alimentos, pois uma dieta normal já contempla os 500mg de sódio necessários ao organismo. Não quero dizer, no entanto, que devamos comer sem sal. Sabemos do maravilhoso sabor que ele incorpora aos alimentos… Mas é preciso tomar cuidado com os excessos”, diz a nutróloga Ellen Paiva.

O brasileiro também tem exagerado na ingestão de sal. De acordo com o Ministério da Saúde, em seu Guia Alimentar de 2006, estamos ingerindo cerca de 30 gramas de sal por dia (12gramas de sódio), quando deveríamos ingerir no máximo 12 gramas (5 gramas de sódio).

Praticamente, todos os alimentos industrializados contêm sódio. Do pão integral ao refrigerante… Até mesmo os sucos artificiais em pó contêm sal. “Mas os campeões são os embutidos (presunto, salame, mortadela, salsicha) e defumados, os caldos concentrados e temperos prontos, as sopas instantâneas, os salgadinhos industrializados em pacotes, os queijos amarelos, os pratos prontos congelados e as conservas”, diz a médica.

Quem come fora de casa regularmente tem mais dificuldade para controlar o consumo de sal, mas sempre é possível fazê-lo. A melhor estratégia para conseguir isso ainda é evitar o saleiro, uma vez que os alimentos já são normalmente preparados com mais sal e as saladas podem ser consumidas utilizando apenas o azeite, fazendo com isso cair a média de ingestão de sal na refeição. “Embora todos se beneficiem com a redução do sal, pessoas com hipertensão arterial, doenças cardíacas e hepáticas que causam retenção de líquidos e insuficiência renal devem reduzir o sal como parte fundamental do seu tratamento, pois o excesso de sal causa maior retenção de água, o que pode agravar essas condições clínicas”, conta Ellen Paiva.

Políticas públicas equivocadas – Diante de um problema de tamanha proporção, a indústria de alimentos e os governos devem desenvolver ações em conjunto no sentido de produzir alimentos mais saudáveis e de menor custo. As agências reguladoras de alimentos devem se empenhar  em exigir rotulações exatas e de linguagem acessível ao público leigo. “E finalmente, os governos devem sobretaxar alimentos mais calóricos e subsidiar alimentos mais saudáveis, tornando vantajosa a compra desses, não somente do ponto de vista nutricional, mas também econômico. Todo e qualquer aumento excessivo no teor de açúcar e gordura dos alimentos deveria ser tributado e não o contrário, como ocorre na indústria de alimentos. Hoje, um litro de leite desnatado é muito mais caro do que um litro de leite integral. Chega ser ínfimo o preço de um pacote de bolachas recheadas em relação ao preço do pão integral”, sugere a endocrinologista.

De acordo com o Dr. Barry Popkin, da mesma forma que os governos têm programas de prevenção de saúde extremamente bem sucedidos, como os de uso dos cintos de segurança e de combate ao tabaco, eles também devem olhar com a mesma preocupação para o avanço da obesidade no mundo e lançar programas relacionados à prevenção da mesma. Essa política de prevenção parece ser a única forma eficaz e economicamente viável contra o avanço da obesidade no mundo, uma vez que o tratamento das comorbidades desta doença impõe intoleráveis gastos aos países em desenvolvimento.

“Enquanto nosso arsenal terapêutico tem se mostrado frágil, muitas vezes, deletério, precisamos contar com povos esclarecidos e motivados, uma indústria de alimentos engajada no mesmo esforço e governos responsáveis e interessados em declarar guerra contra a doença que vem desafiando pesquisadores e governantes”, defende Ellen Paiva.

Para saber mais sobre alimentação saudável, visite o site do Citen: www.citen.com.br
ou entre em contato com eles através do email: [email protected]. O Citen também está no Twitter: http://twitter.com/Citensp

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Outros posts sobre alimentação no blog:

>>“Você é o que você come”

>>Transtorno alimentar

>>Dieta de engorda no final de ano

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*Artigo: Caminhar na companhia de parentes e amigos

O artigo que trago para vocês hoje é mais uma das excelentes contribuições do ortopedista Fabio Ravaglia, diretor da ong Instituto de Ortopedia & Saúde, entidade que tem como missão difundir o conhecimento que incentiva o bem-estar e a qualidade de vida. No texto abaixo, vocês encontram dicas preciosas sobre como transformar o hábito da caminhada matinal, ou vespertina, em uma atividade de integração entre as gerações da família. Através de jogos e brincadeiras para a meninada e desafios para os adolescentes, além de percursos que possam ser acompanhados pelos avós, é possível criar grupos para se exercitar juntos. É uma boa forma de mandar a preguiça para longe e encontrar incentivo para manter atividade física regular.  Em época de férias e para perder os quilinhos extras após as festas de fim de ano (ai meu Deus!) o material vem em boa hora. Confiram:

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Caminhar na companhia de parentes e amigos

**Fabio Ravaglia

O homem urbano acostumou-se a dirigir e tende a deixar a caminhada cada vez mais para trás em seu dia a dia. Vejo adultos reclamarem que filhos sofrem de obesidade ou que pais idosos estão parados, isolados em casa e mesmo com depressão. A queixa de estresse também é frequente e comum em todas as faixas etárias. Embora todos saibam que atividade física faz bem para a saúde e que caminhar é a maneira mais natural de exercitar o corpo, muitas vezes falta motivação às pessoas para andar a pé. Para incentivar essa prática, que tal reunir a família para caminhadas regulares? Seria uma ótima oportunidade não só de exercitar o corpo mas de trocar ideias e pensar o futuro. Mas como mobilizar as diferentes gerações para isso? Reúno aqui algumas dicas que consegui perceber com minha experiência como caminhador e que poderão ajudar a incentivar as pessoas a terem mais qualidade de vida.

O hábito de caminhar pode ser desenvolvido na criança desde pequena. A partir do momento em que ela começa a andar com suas próprias pernas já é possível introduzir a caminhada. Comece por percursos curtos e siga em frente. Acima dos oito anos, a criança  pode acompanhar normalmente os passos tranquilos de um adulto. Para manter a vontade de andar, os adultos podem propor temas e desafios para conversas. Explorar novos percursos ou buscar por árvores, flores e pássaros também serve de entretenimento. Um mapa com a rota assinalada mantém o interesse na caminhada e é educativo. Passear com um cachorro é algo que as crianças adoram. É conveniente incluir no percurso praças, parques e parquinhos. Adultos ficam felizes se fizerem a mesma rota todos os dias, mas crianças querem ver coisas novas e descobrir o mundo. Um sorvete pode ser um excelente presente após a caminhada. Para os mais agitados, é preciso oferecer variações para que a atividade física não seja enfadonha. Os pais são os melhores exemplos para os filhos: evite lamúrias.

Os adolescentes têm outro ritmo, preferem atividades vigorosas e desafiadoras, mas um passeio bem programado poderá atrair até seus amigos. Para envolver toda a família, escolha um percurso mais fácil para começar, com áreas planas e terrenos inclinados para os jovens prosseguirem com a aventura, subindo a montanha, por exemplo. Na volta, um encontro com a turma mais lenta poderá ser prazeroso após a conclusão do trecho mais difícil.

Entre as mulheres, a caminhada é um exercício físico bastante comum. A atividade é recomendada para mulheres grávidas, que precisam ficar mais atentas para não cometer excessos e manter a boa postura, já que o centro de equilíbrio do corpo fica alterado à medida que o feto cresce. As avós também passam por mudanças físicas que podem alterar o corpo. A menopausa costuma ser um marco e é um período no qual os ossos requerem atenção por perderem a densidade com o passar do tempo. De toda forma, a caminhada raramente não é recomendada e isso só acontece quando o médico detecta algum impedimento. A atividade física é muito procurada por mulheres de todas as idades para manter a forma ou perder peso. Como as mulheres gostam de conversar, caminhar em grupo costuma ser a melhor alternativa.

Planeje caminhadas em família. A ida à praia ou um piquenique são atrativos, ou mesmo caminhadas em praças, parques ou clubes. Crie esta oportunidade de diálogo e este momento de descontração que afastam o estresse. Lembre-se que todos devem usar roupas e sapatos adequados, peças leves para enfrentar o calor e  tênis confortáveis. Não esqueça do protetor solar, mesmo assim, evite os horários de sol forte e de calor excessivo. Beba água antes, durante e depois da caminhada para manter a hidratação e ajudar a regular a temperatura do corpo. Comece e termine com exercícios de alongamento, que aliviam o cansaço e as dores musculares no dia seguinte. A caminhada em família costuma motivar crianças e idosos e garante uma maior segurança e tranquilidade.

Ao caminhar, observe a postura e lembre que a boa postura do corpo evita problemas de saúde. O corpo deve estar bem ereto, sem inclinação para frente ou para trás, o que sobrecarrega determinados músculos. A coluna vertebral em linha reta evita dores nas costas. Olhar cerca de 20 metros à frente ajuda a manter a cabeça alinhada à coluna. A posição correta da cabeça é obtida quando o queixo fica paralelo ao chão, o que reduz a tensão no pescoço e nas costas. Os ombros devem estar ligeiramente para trás, relaxados, mas não caídos. A contração da musculatura do abdômen permite que o corpo firme-se na postura.

Além de todos os benefícios emocionais sentidos na caminhada, andar é excelente para a saúde física: reduz o risco de doenças cardíacas, derrame, câncer e diabetes, e contribui para o fortalecimento dos ossos, retardando o desgaste natural. Na parte ortopédica, também é uma maneira eficaz de tonificar os músculos. Caminhar está associado a uma vida mais longa e mais saudável em diversos estudos científicos realizados em diferentes grupos populacionais. Uma hora de caminhada por dia deixa o corpo saudável enquanto jovem e, ao mesmo tempo, prepara-o para a velhice. O recomendado é andar cerca de meia hora por dia, três vezes por semana. O primeiro passo para tirar a família do sedentarismo e adotar  uma vida mais saudável pode ser dado em um passeio, no próximo final de semana ou durante as férias. Faça uma mostra de quanto pode ser divertido andar e aproveitar para estreitar os laços familiares. Muita saúde e felicidade no Ano Novo.

*Material encaminhado ao blog pela Printec comunicação

**Fabio Ravaglia é ortopedista, com especialização em coluna vertebral pelo Instituto Arnaldo Vieira de Carvalho (Santa Casa de Misericórdia de São Paulo) e mestre em cirurgia pela Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Foi o primeiro brasileiro aceito pelo programa do Royal College of Surgeons of England, onde se especializou em ortopedia reumatológica. Também preside o Instituto Ortopedia & Saúde.

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Leia outros artigos de Fabio Ravaglia já publicados no blog:

>>Artigo: Videograme incentiva atividade física

>>Saúde: saiba escolher o colchão e o travesseiro

>>Artigo: ”Aprenda a escolher um sapato masculino”

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Tire suas dúvidas sobre a meningite

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Quando falamos de doenças, a intenção não é assustar nem desesperar nossos leitores. O mais importante em tocar nestes assuntos é justamente esclarecer e mobilizar as pessoas na luta pela prevenção. Meu último post foi sobre doença, a Aids, e este é também para tratar de uma ameaça à saúde pública, a meningite. A Bahia já registrou até agora, só em 2009, 1.195 casos da doença, causadas por agentes diversos, seja vírus, bactérias, fungos ou protozoários. O agente vai fazer variar o grau de lesividade da doença. A mais grave delas é a bacteriana, que já vitimou 44 pessoas em todo o Estado. Destas, 22 mortes foram em Salvador.

A meningite é uma doença caracterizada pela inflamação das finas membranas protetoras do sistema nervoso central, as meninges, que revestem o cérebro e a medula espinhal. A meningite viral é mais amena e apresenta sintomas típicos de uma gripe. O tratamento é mais simples e a possibilidade de deixar sequelas é mínima. A meningite bacteriana, no entanto, é bem mais grave. A meningocócica, que ouvimos falar constantemente, é o tipo mais complicado. Deflagrada pela bactéria Neisseria meningitidis, ela chega a matar 10% dos pacientes. E se a infecção atingir a corrente sanguínea, o índice de óbitos atinge 50%.

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>> Veja como a bactéria da meningite age no corpo humano
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A meningite bacteriana é altamente contagiosa, podendo levar, inclusive, a uma infecção generalizada. Ela pode ser causada por meningococos, pneumococos ou hemófilos. A mais séria, como já falamos acima, é a causada pelos meningococos. O ser humano é o único hospedeiro natural deste tipo de bactéria. É muito importante a determinação da causa da inflamação, porque é isto que vai determinar o tipo de tratamento adequado, e a possibilidade de evolução da doença. Por isso, não é recomendável que a pessoa inicie qualquer tipo de automedicação, já que o uso de antibióticos por iniciativa própria pode acabar dificultando o diagnóstico.

Sintomas – Os sintomas podem variar um pouco a depender da idade. A suspeita de diagnóstico se torna mais difícil entre os recém-nascidos. Deve-se prestar bastante atenção à irritabilidade, choro em excesso, sonolência. Os pais precisam ficar alerta à moleira, que pode ficar estufada, como se houvesse um galo na cabeça da criança, já que isso pode ser mais um sinal da doença. Acima de um mês de idade, a criança pode apresentar também dificuldades em movimentar a cabeça. Outros sintomas percebidos são febre alta constante, rigidez na nuca (dificuldade de movimentar o pescoço), dor de cabeça, náuseas, manchas avermelhadas na pele e vômitos. Também há casos de confusão mental. Estes últimos atingem a pessoa em qualquer idade.

Diagnóstico – A suspeita da doença pode surgir da avaliação detalhada do estado clínico do paciente. Mas o diagnóstico só será confirmado pelo exame do liquor. Para tanto, é feita uma punção lombar, ou seja, a coleta do líquido da medula espinhal por meio de uma agulha implantada na coluna do indivíduo. Esse líquido é enviado para análise. A partir do momento em que as meninges são atacadas por micro-organismos, o corpo reage com a produção de leucócitos (nossas células de defesa). A reação entre os leucócitos e os micro-organismos gera a inflamação, caracterizada pela alta do número de leucócitos e formação de anticorpos contra os agentes. A análise do liquor, portanto, vai demonstrar o aumento dos leucócitos, o que faz aumentar a concentração de proteínas e diminuir a de glicose (açúcar consumido pelas células).

Contágio – a transmissão acontece pelo contato com as secreções respiratórias do paciente infectado. A saliva é meio transmissor da doença, por isso o contágio ocorre também por meio do beijo e do compartilhamento de talheres, da tosse e do espirro, por exemplo. Como a transmissão é pela via área, os locais fechados, onde há uma concentração maior de pessoas estão mais propícios à disseminação da meningite.Fazem parte do grupo vulnerável todos aqueles que possuem o sistema imunológico comprometido, seja pelo desenvolvimento incompleto, como é o caso das crianças, seja por qualquer outra causa. Como podem causar epidemias, todos os casos de meningite devem ser imediatamente informados à Secretaria de Saúde do local onde foi registrado.

Tratamento – A evolução da meningite meningocócica é muito rápida. Ela pode levar o indíviduo à morte em questão de 48 horas se não for tratada a tempo, no caso de sua forma mais grave. Aqui o correto diagnóstico se mostra super importante, porque o tratamento precisa ser específico para o agente que provocou a doença. No caso da meningite viral, não há um tratamento específico, pela menor gravidade. Normalmente é indicado repouso, e não é comum a necessidade de internação e uso de antibióticos. Na bacteriana, no entanto, é preciso o tratamento com antibiótico específico, com internação indispensável para o acompanhamento da evolução do quadro.

Recomendações do Ministério da Saúde aos pais e responsáveis:
– estejam atentos aos sinais e sintomas, principalmente em crianças menores de 5 anos;
– procurem imediatamente um médico para um diagnóstico seguro e tratamento eficiente;
– se seu filho tiver febre alta, não o mande para a escola. Procure um médico para saber o motivo da febre;
– avise à escola se seu filho estiver com meningite;
– após a alta do paciente não existe mais perigo de contaminação, portanto essas crianças não precisam ser evitadas ou discriminadas, voltando normalmente a frequentar a escola;
– não há necessidade de fechar escolas ou creches quando ocorre um caso de meningite entre os alunos, professores ou funcionários da escola, pois o meningococo não sobrevive no ar ou nos objetos;
– a limpeza e a higiene devem ser as habituais. Não há necessidade de inutilizar ou desinfetar objetos de uso pessoal do doente.

Vacinas, tipos e diferenças -Achei uma explicação bem interessante sobre os tipos de vacinas disponíveis no mercado e qual a indicação de cada uma delas. O texto que segue abaixo (entre aspas) foi retirado na íntegra do site da Clínica de Vacinação Vaccini. Para quem quiser ler o texto na fonte original, é só clicar aqui. É possível encontrar uma série de outros esclarecimentos sobre vacinação no mesmo endereço. Portanto, se persistirem dúvidas, cliquem no link acima e leiam mais sobre o assunto. Vale ressaltar que em muitos locais, como a Bahia, a vacina contra o tipo mais grave da meningite só está disponível nas redes particulares de vacinação. Aqui, ela custa em torno de R$ 100. Recentemente, por causa do índice de disseminação da doença, o Governo baiano anunciou que a partir de 2010 a criançada será imunizada pela rede pública.

“Hoje existem algumas vacinas disponíveis, mas com diferenças importantes entre elas.

A vacina conjugada contra o Haemophilus influenzae do tipo b faz parte do calendário básico de vacinação, estando disponível em postos de saúde, na vacina TETRA que é aplicada a partir dos dois meses de idade, com grande proteção (tornou-se uma doença rara atualmente, graças à vacinação em massa). Na rede privada, essa vacina encontra-se em combinação nas vacinas HEXA, PENTA e TETRA acelulares. Crianças com mais de cinco anos de idade em geral não necessitam tomar esta vacina. No entanto, adultos e crianças mais velhas com problemas de saúde especiais devem ser vacinados.

Contra a doença meningocócica, existem três tipos de vacina, muito diferentes entre si.

As vacinas meningocócicas polissacarídicas Combinada A+C e Combinada B+C conferem proteção por tempo limitado (cerca de três anos), não induzem memória imunológica, e não são eficazes em crianças abaixo de 2 anos (faixa etária onde a incidência da doença é maior). Além disso, o uso repetido dessa vacina acarreta uma tolerância imunológica, isto é, a cada dose aplicada, diminui ainda mais eficácia da vacina.

Mais recentemente, foi desenvolvida uma vacina conjugada contra a meningite meningocócica C, com elevada eficácia (inclusive em menores de um ano), que confere proteção prolongada (possivelmente por toda a vida). Alguns países desenvolvidos, como a Inglaterra, já adotaram esta vacina de forma rotineira no calendário vacinal infantil.

Contra a doença pneumocócica, existe a vacina conjugada pneumocócica 7-valente, que é recomendada para todas as crianças a partir dos dois meses de idade, sendo altamente indicada para aquelas sob alto risco para desenvolver doença grave ou com outras situações de risco associadas. Pode ser aplicada até os 9 anos de idade.

Outra vacina disponível contra a doença pneumocócica é a vacina pneumocócica polissacarídica 23-valente que, da mesma forma que a vacina polissacarídica contra o meningococo, não pode ser aplicada antes dos dois anos de idade (época de maior risco para doença invasiva), não tem proteção prolongada e induz à tolerância imunológica. Tem indicações mais específicas, para indivíduos de alto risco e somente pode ser usada a partir dos dois anos de idade. Crianças sob alto risco devem receber a vacina 7-valente e também a vacina 23-valente. Esta vacina é também recomendada para todas as pessoas idosas.”

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>> Mais sobre a meningite no site do Ministério da Saúde
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