Só esqueceram de dizer à Holanda que o jogo estava ganho

*Texto da jornalista Giovanna Castro

É… Não deu… Vamos combinar que a Holanda não é o Chile, única seleção contra a qual o Brasil mostrou bom futebol nesta Copa da África. A seleção brasileira até que começou muito bem o jogo, Robinho e Kaká se movimentando bastante, explorando todos os cantos do campo, mas no momento em que veio o gol, eles acharam que a fatura estava liquidada. E esse foi o maior erro. Esqueceram de avisar aos jogadores da Holanda que o jogo estava ganho antes de terminar. Deu nisso, 2 X 1 para os holandeses, de virada que, como dizem os boleiros, é bem mais gostoso.

A Holanda não é nenhum Brasil, mas é uma seleção com jogadores que atuam com seriedade, têm talento e apostam no toque de bola e no contra-ataque.  Durante o primeiro tempo, não foi possível ver estas características, porque o Brasil dominava a partida com toques rápidos, jogadas inteligentes, concentração e ameaçando sempre o gol do adversário. Não sei o que aconteceu no intervalo do jogo, mas parece que no vestiário os canarinhos calçaram o salto alto.

Formação que entrou para jogar contra a seleção de Portugal na última partida da primeira fase

Do outro lado, era bola no chão e cabeça fria em busca de um objetivo concreto e isto fez toda a diferença. Já faz um bom tempo que não existe mais bobo no futebol. É certo que todas as seleções respeitam o Brasil pela seu histórico de vitórias, mas conquistar respeito é uma coisa, deitar nos louros da fama construída por gerações passadas é outra muito diferente. Não dá pra ganhar uma Copa do Mundo sem jogar futebol de verdade. O Brasil entrou nessa competição com o freio de mão puxado, fez somente o suficiente para conquistar o primeiro lugar do grupo na primeira fase, campanha arrematada pelo jogo insosso contra Portugal, partida que a seleção não estava muito a fim de ganhar.

Outros problemas que ficaram evidentes foram a falta de opções no banco para oferecer alternativas de jogo à seleção contra equipes que jogam de forma diversa e o completo destempero emocional dos jogadores do Brasil. O primeiro gol foi fundamental para detonar o descontrole, apesar de Robinho, mesmo tendo marcado para o Brasil, ter demonstrado irritação desde o começo da partida. Felipe Melo disse em entrevista após o jogo, cinicamente : “tenho força suficiente pra quebrar a perna dele [o jogador da Holanda], mas a jogada foi normal”. Não sabia que jogador da seleção brasileira entrava em campo com pensamentos que consideram a possibilidade de machucar seriamente o adversário. Lamentável…

Esperança agora é guardada para a Copa de 2014, que será disputada no Brasil

Como também foi lamentável a evidente comprovação de que Dunga não levou peças que pudessem substituir sua seleção titular. Ele levou a equipe dos seus sonhos e pronto. Contando que Kaká fosse ficar 100% e desconsiderando totalmente a possibilidade de seus jogadores faltarem ou por contusão ou por cartões amarelos, como acabou acontecendo, deu corda a si mesmo para se enforcar. Saiu pela porta dos fundos, se despedindo melancolicamente, dizendo: “todos sabiam desde o começo que meu tempo na seleção era de quatro anos”.

Um colega de trabalho (ah, esqueci de dizer que hoje assisti o jogo dentro da redação do jornal, por isso esta análise está sendo publicada tanto tempo após o jogo – as outras partidas vi em casa) disse: “Ronaldinho Gaúcho é quem deve estar adorando isso”. Sábias palavras, colega. Enfim, é isso mesmo. A seleção canarinho foi até onde poderia chegar. E olha que deu muita sorte ao pegar uma chave com adversários fracos e à medida que seguia adiante, enfrentaria o lado da tabela mais “fácil”. Não dá para negar que a Argentina vai ter uma pedreira bem maior ao enfrentar a Alemanha. Nos resta esperar uma atitude da CBF, sabedoria na escolha do novo treinador da seleção, e esperar pelo melhor no próximo mundial, em 2014, em verdes gramados tupiniquins.

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Seleção chata, jogo chato, resultado burocrático. Êita, Brasil!

*Texto da jornalista Giovanna Castro

Vamo lá… Duas coisas me chamaram muita atenção nesta terceira partida do Brasil na Copa, contra Portugal, que ficou no 0 X 0.  A principal delas foi o fato do goleiro Júlio César estar jogando com uma proteção para a coluna lombar. E pela aparência do dispositivo, parece que é algo para imobilizar a coluna e evitar a dor. Esquisitíssimo! Até onde todo mundo sabia, Júlio estava bem e tinha se recuperado totalmente da contusão que sofreu ainda na fase de preparação do time nos primeiros dias de África do Sul. O aparato surpreendeu a todos, sem exceção, porque o próprio jogador e a comissão técnica em nenhum momento informaram a torcida que havia necessidade disso. Para quê esconder esse tipo de coisa? Lamentável! Depois do jogo, o goleiro disse que é uma proteção “psicológica” e que não sente nada nas costas…

Seleção brasileira contraria a vibração que é a tradução do amarelo da camisa

A segunda coisa foi novamente a atuação frágil da seleção que, mais uma vez, pendeu somente para o lado direito do campo, apesar do atacante Nilmar ter se esforçado pra chamar o jogo pra si. Dunga mexeu no time, aparentemente, não para testar novas peças e sim para poupar os jogadores. Entendo fazer isso com Elano e com Kaká, por motivos óbvios – foi expulso na partida contra a Costa do Marfim e ficou impedido de jogar – mas não entendo porque Robinho foi sacado. Principalmente num time que tem dificuldade de jogar pelo lado esquerdo, área do campo onde Robinho cai melhor.

Chegou um ponto, lá pelo final do primeiro tempo, em que Portugal começou a gostar do jogo. Parou de ter medo da seleção brasileira que, afinal de contas, não tava apresentando nenhum futebol, e começou a partir para cima. O técnico mexeu no time, que assumiu maior movimentação, ameaçando muito mais a seleção brasileira. Time apoiado num meio de campo “comandado” por Júlio Batista que errou passes demais e não construiu nada na partida. Daniel Alves é outro qu, diferente de ser o amuleto da seleção como vinha sendo em outras partidas, fez mais um jogo sem apresentar bom futebol. Arriscou bolas ao gol de longa distância e não mostrou maior objetividade.

Time que depende de atuações individuais não é grupo, não é equipe. Um time que não tem opções, cujo técnico não sabe fazer substituições, não sabe mudar o esquema do jogo, não sabe adaptar as peças que leva ao tipo de adversário, só pode mesmo fazer partidas sofridíssimas. Júlio Batista entrou para não fazer nada, Josué fez o que tinha que fazer e Ramires, coitadinho, da mesma forma que Grafite, entraram faltando pouco tempo para acabar o jogo. E o que poderiam fazer lá pelos 35 minutos do segundo tempo? Nada! Não dá para querer ser hexa campeão dessa forma sofrendo com seleções pequenas e sem maiores recursos técnicos.

Daniel Alves e Júlio Batista que entraram jogando nesta partida, contribuíram para a chatice do jogo

Gostaria muito de ver o Brasil jogando contra as seleções maiores. O que aconteceria se o Brasil pegasse a Argentina? A Alemanha? A Holanda? Nenhuma delas está dando show, mas andam conseguindo resultados bem melhores do que a seleção brasileira, baseados em melhores atuações. O Brasil precisa resolver o seu meio de campo. Considerando que as peças já estão lá, não tem como convocar outros jogadores, resta torcer para que Kaká volte à sua melhor condição e tenha lampejos para abrir caminhos nas retrancas e construir resultados mais interessantes para o país. Ficou claríssimo que o time depende muito da atuação de Kaká e não há substituto no elenco para ele. Somente assim para o time conseguir dar continuidade à sua jornada até o título sem pensar no adversário das oitavas seja ele Espanha, Chile ou Suíça.

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Brasil vence seleção da Costa do Marfim mas perde Kaká

*Texto da jornalista Giovanna Castro

Ufa! O Brasil aplicou 3 gols na seleção da Costa do Marfim e levou um numa distração da defesa que fez a chamada linha burra. O atacante Drogba entrou na área brasileira em totais condições, não havia impedimento. Sim, mas como eu ia dizendo, ufa! A equipe se classificou mas voltou a dar aquela angústia na torcida ao começar jogando muito mal de maneira até sonolenta.

Durante boa parte do primeiro tempo e até o momento do gol inaugural, aos 24 minutos, o Brasil estava mesmo levando um certo calor da seleção africana. Os marfinenses estavam gostando do jogo e até surpreendendo  os jogadores brasileiros com sua rapidez e força física. Para o bem da seleção canarinho, Drogba estava sozinho lá no ataque e, afinal de contas, lutar isoladamente contra a defesa que é considerada a melhor do mundo, é uma tarefa bastante inglória.

Kaká perdeu a cabeça e desfalca a Seleção Brasileira no próximo jogo, contra Portugal

Mas aos poucos o time foi melhorando e quando Kaká deu o ar da graça, que não tinha dado na primeira partida desta copa, o resultado foi a abertura do placar pelo atacante Luís Fabiano. Ele, que havia seis jogos não marcava, fez um gol que demonstrava o quanto esse jejum estava entalado na garganta. A bomba desferida contra o gol marfinense exorcisou os meses de seca e abriu espaço para os outros gols que viriam.

É claro que o adversário fez um teatro maior do que deveria, se jogou no chão, pôs a mão na boca, mas me surpreendi ao ver que Kaká não é aquele santo todo que ele gosta de vender na mídia. Ele também sente raiva e extravasa, dá o troco.  Se você olhar o replay da jogada, vai perceber que o jogador adversário vinha sem olhar para o brasileiro e acabou levando a bordoada. Mas começo a ver sangue nas veias, sangue no olho, elementos que fazem uma equipe avançar nas competições, muito diferente do que aconteceu no primeiro jogo contra a Coreia do Norte, e nos minutos iniciais desta partida contra a Costa do Marfim. E isso é muito positivo.

Não precisava, no entanto, chegar ao ponto de provocar a própria expulsão. Neste momento da competição, em que ele começava a se recuperar e participava mais das jogadas, ele sai da equipe e após 59 dias parado e uma partida de retorno, vai ficar cerca de uma semana parado novamente, interrompendo o seu processo de recuperação. Ou aperfeiçoando, torço.

Depois de fazer o segundo gol do Brasil, Elano seria alvo da violência dos jogadores marfinenses

Agora, que alguma coisa está muito errada num jogo de futebol quando o árbitro se torna a figura principal da disputa, está. E foi o que aconteceu hoje. “Seu” Stefany Lannoy perdeu totalmente o controle da partida, deixando a pancadaria correr solta, e ainda protagonizou a cena mais esquisita que eu já vi. Logo depois do gol de Luís Fabiano com um toque de mão e um toque de braço que ele mesmo admitiu, o ábitro faz o gesto indicando com a mão o braço e pergunta a Luís Fabiano se ele havia tocado na Jabulani, o que o jogador, obviamente, nega. Nunca vi disso, juiz discutindo jogada com jogador? Daquele momento em diante, o controle do jogo e a autoridade do árbitro estavam perdidos.

Mas, tirando essa lamentável atuação do árbitro, minha maior curiosidade mesmo é saber como Dunga vai se virar sem Kaká no meio de campo. Quem vai ser o substituto do craque solitário do meio campo? Júlio Batista? Robinho? Se o time já vinha meio mal das pernas com ele, imagina sem ele. Sem falar que o próximo adversário é Portugal, muito melhor que as seleções da Coreia do Norte e da Costa do Marfim.

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