Seleção chata, jogo chato, resultado burocrático. Êita, Brasil!

*Texto da jornalista Giovanna Castro

Vamo lá… Duas coisas me chamaram muita atenção nesta terceira partida do Brasil na Copa, contra Portugal, que ficou no 0 X 0.  A principal delas foi o fato do goleiro Júlio César estar jogando com uma proteção para a coluna lombar. E pela aparência do dispositivo, parece que é algo para imobilizar a coluna e evitar a dor. Esquisitíssimo! Até onde todo mundo sabia, Júlio estava bem e tinha se recuperado totalmente da contusão que sofreu ainda na fase de preparação do time nos primeiros dias de África do Sul. O aparato surpreendeu a todos, sem exceção, porque o próprio jogador e a comissão técnica em nenhum momento informaram a torcida que havia necessidade disso. Para quê esconder esse tipo de coisa? Lamentável! Depois do jogo, o goleiro disse que é uma proteção “psicológica” e que não sente nada nas costas…

Seleção brasileira contraria a vibração que é a tradução do amarelo da camisa

A segunda coisa foi novamente a atuação frágil da seleção que, mais uma vez, pendeu somente para o lado direito do campo, apesar do atacante Nilmar ter se esforçado pra chamar o jogo pra si. Dunga mexeu no time, aparentemente, não para testar novas peças e sim para poupar os jogadores. Entendo fazer isso com Elano e com Kaká, por motivos óbvios – foi expulso na partida contra a Costa do Marfim e ficou impedido de jogar – mas não entendo porque Robinho foi sacado. Principalmente num time que tem dificuldade de jogar pelo lado esquerdo, área do campo onde Robinho cai melhor.

Chegou um ponto, lá pelo final do primeiro tempo, em que Portugal começou a gostar do jogo. Parou de ter medo da seleção brasileira que, afinal de contas, não tava apresentando nenhum futebol, e começou a partir para cima. O técnico mexeu no time, que assumiu maior movimentação, ameaçando muito mais a seleção brasileira. Time apoiado num meio de campo “comandado” por Júlio Batista que errou passes demais e não construiu nada na partida. Daniel Alves é outro qu, diferente de ser o amuleto da seleção como vinha sendo em outras partidas, fez mais um jogo sem apresentar bom futebol. Arriscou bolas ao gol de longa distância e não mostrou maior objetividade.

Time que depende de atuações individuais não é grupo, não é equipe. Um time que não tem opções, cujo técnico não sabe fazer substituições, não sabe mudar o esquema do jogo, não sabe adaptar as peças que leva ao tipo de adversário, só pode mesmo fazer partidas sofridíssimas. Júlio Batista entrou para não fazer nada, Josué fez o que tinha que fazer e Ramires, coitadinho, da mesma forma que Grafite, entraram faltando pouco tempo para acabar o jogo. E o que poderiam fazer lá pelos 35 minutos do segundo tempo? Nada! Não dá para querer ser hexa campeão dessa forma sofrendo com seleções pequenas e sem maiores recursos técnicos.

Daniel Alves e Júlio Batista que entraram jogando nesta partida, contribuíram para a chatice do jogo

Gostaria muito de ver o Brasil jogando contra as seleções maiores. O que aconteceria se o Brasil pegasse a Argentina? A Alemanha? A Holanda? Nenhuma delas está dando show, mas andam conseguindo resultados bem melhores do que a seleção brasileira, baseados em melhores atuações. O Brasil precisa resolver o seu meio de campo. Considerando que as peças já estão lá, não tem como convocar outros jogadores, resta torcer para que Kaká volte à sua melhor condição e tenha lampejos para abrir caminhos nas retrancas e construir resultados mais interessantes para o país. Ficou claríssimo que o time depende muito da atuação de Kaká e não há substituto no elenco para ele. Somente assim para o time conseguir dar continuidade à sua jornada até o título sem pensar no adversário das oitavas seja ele Espanha, Chile ou Suíça.

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