Dê uma turbinada na sua biblioteca

Não é novidade para os leitores deste blog que as autoras, além de falarem feito duas vitrolas quebradas e escreverem compulsivamente, são traças de biblioteca. Mas gente, convenhamos, livro ainda custa muito caro neste nosso país que injustamente tem fama de não gerar bons leitores. E como é que alguém pode formar uma biblioteca decente com livros que custam o equivalente ao que uma família de quatro pessoas gasta na feira da semana?

A solução para não perder o bonde das letras é pesquisar. Frequentar sebos, futucar as prateleiras das livrarias e não ter vergonha de comprar aquelas edições de bolso, que geralmente custam menos. Desde que essas edições tenham qualidade editorial e tragam o texto na íntegra.

Recentemente, cinco bons livros para começar uma biblioteca de respeito foram lançados pela Edições BestBolso. Detalhe importante: todos custam menos de R$ 20,00. Conversa de Menina, que como toda mulher adora uma promoção, foi atrás saber detalhes. Confira:

Lia Luft
Lia Luft

PERDAS & GANHOS
Lya Luft
140 páginas
Preço: R$9,90
Texto integral, com Nova Ortografia

Este livro, de 2003, vendeu quase 1 milhão de exemplares. Trata-se de uma lição genial de otimismo da escritora Lya Luft. Remexendo nas próprias lembranças, ela compõe ensaios deliciosos, escritos em tom de diálogo com outras mulheres. Não tem como não se identificar.

André Malraux
André Malraux

A CONDIÇÃO HUMANA
André Malraux
Tradução de Ivo Barroso
350 páginas
Preço: R$17,90
Texto integral

China, março de 1927. Um homem corroído pela amargura. Um país sacudido por uma insurreição. Atrás de fachadas insuspeitas de cidades sufocadas por riquixás, automóveis e bondes, fumaça de carvão, excrementos e suores de brancos e amarelos, homens planejam uma revolução, muitos divididos entre a culpa e a ideologia. Publicado em 1933, este livro de André Malraux é um relato dos acontecimentos que deram início à Revolução Chinesa. Um depoimento pessoal sobre um dos momentos históricos mais dramáticos do século XX.

Mario Puzo
Mario Puzo

O ÚLTIMO CHEFÃO
Mario Puzo
Tradução de Geni Hirata
532 páginas
Preço: R$19,90
Texto integral

Quem assistiu ao memorável filme com Marlon Brando e ainda não leu o livro, taí uma oportunidade de conhecer a saga dos últimos mafiosos ítalo-americanos que viveram nos Estados Unidos e sua influência em Hollywood e Las Vegas. O chefão é Domenico Clericuzio, homem determinado a assegurar o futuro de sua família numa era de apostas legalizadas, investimentos no cinema e a constante ameaça dos informantes do governo. O velho Clericuzio está bem perto de alcançar seu objetivo quando um segredo do passado ameaça seus planos e provoca uma guerra entre dois primos de sangue.

A LOJA DE PIANOS DA RIVE GAUCHE
T. E. Carhart
Tradução de Maria Alice Máximo
294 páginas
Preço: R$17,90
Texto integral, com Nova Ortografia

Um romance de rara sensibilidade sobre a redescoberta do amor pela música. A loja de pianos da Rive Gauche é uma silenciosa e apaixonante história sobre o piano e sua importância na vida francesa e na vida do próprio autor. Enquanto caminha pelas ruas de Paris para levar seu filho à escola, o personagem Carhart, um americano que vive em Paris, passa por uma loja de reparos e vendas de pianos e faz amizade com Luc, o restaurador, líder de uma confraria parisiense que se reúne na loja de pianos. A partir desse encontro, Carhart irá reviver sua infância e uma paixão esquecida.

Agatha Christie
Agatha Christie

OS RELÓGIOS
Agatha Christie
Tradução de Carmem Prudente
280 páginas
Preço: R$14,90
Texto integral

Essa é uma das aventuras do detetive Hercule Poirot, um dos personagens mais carismáticos de Christie. Ao visitar um condomínio na pequena cidade de Crowdean, o agente secreto Colin Lamb acaba se envolvendo na investigação de um estranho assassinato ocorrido naquele lugar: um homem desconhecido foi encontrado morto na sala da casa da Sra. Pebmarsh, uma deficiente visual muito independente e peculiar. Curiosamente, na cena do crime são encontrados quatro relógios marcando todos a mesma hora. O caso parece complexo, principalmente quando outros dois crimes são cometidos em circunstâncias igualmente suspeitas. Colin Lamb desafia então o seu amigo Hercule Poirot a desvendar o caso.

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Lançamentos infanto-juvenis falam de Buda e amizade

Dois lançamentos chegam às livrarias agora em maio para atender aos públicos adolescente e infantil em idade pré-escolar. Conversa de Menina segue firme na campanha de incentivo à leitura e ajuda a divulgar as novidades. Confira:

Sidarta para Jovens

O escritor e jornalista carioca, Bruno Pacheco, autor de Histórias para se ver por outro lado e Três fábulas budistas para crianças, é praticante dos ensinamentos do Budismo há 15 anos. Através da própria experiência, ele conta para os adolescentes a vida do príncipe Sidarta Gautama, o Buda. Com linguagem de fácil compreensão, o autor revela como um príncipe indiano descobriu o caminho da paz e da compreensão universal através da iluminação espiritual. Parece papo zen, mas o bacana do texto é que a vida de Buda foi uma verdadeira aventura. Há 2.500 anos, ele deixou tudo para trás, seu palácio e seu reino, riquezas e jóias, e passou anos viajando e descobrindo o mundo, para depois aplicar os ensinamentos que adquiriu na busca da felicidade. Quem de nós, em qualquer idade, não quer ser feliz? No mundo de hoje, em que valores como solidariedade estão esquecidos, é leitura inspiradora também para os adultos.

Ficha técnica:

sidarta_blog1SIDARTA PARA JOVENS

Autor: Bruno Pacheco

Galera Record – visite o site da editora

64 páginas

Preço sugerido: R$ 24,00

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Coleção Gato Xadrez para os pequenos

Os três livrinhos da coleção são indicados para crianças a partir dos cinco anos. Através das aventuras do Gato Xadrez, a autora Bia Villela ensina sobre amizade, o tempo, os sentidos e dá dicas de alimentação saudável. Conteúdos que as crianças irão estudar quando forem mais velhas, como geometria, também são introduzidos de forma lúdica.

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Gato Xadrez no Jardim Geométrico – Em seu passio pelo jardim geométrico, o gato xadrez faz novos amigos e descobre muitas brincadeiras interessantes para compartilhar em grupo. O livro apresenta as formas geométricas para as crianças e aborda as relações de curiosidade e descobertas do univerno infantil.

Gato Xadrez no Jardim das Delícias – Dessa vez, o gatinho conhece um jardim onde acontece uma feira muito animada e colorida, cheia de coisas gostosas para ele provar. O livro aborda o ato de comer como um momento de grande diversão, ajudando as crianças a explorar a riqueza e o sabor dos alimentos.

Gato Xadrez no Jardim no Relógio – No terceiro volume da série, o Gato Xadrez é convidado a passear em um lugar engraçado, onde existe horário para tudo. Através dessa história, a autora ajuda as crianças a compreender a importância da organização e de saber administrar o tempo para que ele renda tanto para brincar quanto para estudar, dormir, comer e etc.

Ficha técnica:

COLEÇÃO GATO XADREZ

Autora: Bia Villela

Editora: Escala Educacional

24 páginas cada volume

Preço sugerido por livro: R$ 16,70

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Agatha Christie, a rainha do crime

Agatha ChristieMeu fascínio pelos livros policiais começou com a leitura de Agatha Christie. Na época, eu estava com uns 15 anos e fazia curso de inglês na Acbeu. Lá, tinha uma biblioteca vasta. Não apenas livros em inglês, mas diversos outros, muito interessantes, em português, tanto da literatura nacional, quanto internacional. Um dia, em uma das estantes, lá estava Convite para um Homicídio. Eu sempre gostei de histórias com investigações criminais e muito suspense. E na orelha no livro,  o anúncio de que ali poderia conter uma narração interessante me fez locá-lo. Não, eu não sabia quem era Agatha Christie naquele momento, e aquele livro foi o suficiente para me apaixonar pela literatura dela.

Dela, li praticamente tudo. Na época, chegava a ler um livro inteirinho por dia. Devorava as páginas enquanto tentava desvendar as histórias tão bem entrelaçadas. No final da leitura, eu já tinha acreditado que todo mundo podia ter sido o assassino. O tempo me fez compreender melhor a lógica narrativa… em alguns livros cheguei a descobrir, orgulhosa, o final da trama antes mesmo de chegar a ela. Mas na maioria dos casos, uma grande confusão se formava em minha cabeça, criava várias teorias e quando chegava aos capítulos finais, eram surpresas atrás de outras. Certa feita, ela anunciou: “Dentro de alguns anos, só quero ser lembrada como uma boa escritora de casos policiais”. Ela morreu em 1976, aos 85 anos, com o merecido título de “rainha do crime”.

Agatha ChristieReza a lenda que seus pais fizeram um esforço sobrenatural para trasnformá-la em cantora lírica e pianista. E para o nosso agrado, ainda bem que não conseguiram. Ela sempre preferia se dedicar aos contos e poemas. Sua estreia nos livros policiais foi com O Misterioso Caso de Styles, em 1920. De lá para cá, ela já vendeu nada menos que dois bilhões de livros por todo o mundo. Foi a publicação que fez nascer o detetive Hercule Poirot. Ele e a iniciante Miss Jane Marple (que estrela, inclusive, seu último livro, Um Crime Adormecido), foram os dois personagens eternizados pela escritora como as mentes investigativas mais brilhantes do mundo. Ah, e não foi só nos livros que ela brilhou, porque diversas de suas obras acabaram adaptadas para o cinema.

De onde alguém pode tirar tantas ideias criativas e inovadoras? Nem ela mesma respondia. Agatha Christie afirmava que nunca sabia onde as histórias poderiam nascer. Na sua autobiografia, ela conta que andava sempre com uma caneta em mãos. “Repentinamente, uma ideia esplêndida me ocorria”, conta ela em seu livro. Como viajou muito durante a vida e conheceu gente de todo o canto, gênero e estilo, deste universo ela retirava inspiração e referências para escrever seus livros. Em uma passagem, seu neto a descrevia como uma mulher que observava mais do que era observada e que ouvia mais do que falava.

Mas daí a se tornar a rainha do crime é um longo caminho. Mais do que vontade, observação e ouvidos atentos, precisa de muita dedicação, criatividade e um certo dom da escrita. Agatha Christie tinha dezenas de livros de anotações, onde reunia as tais ideias esplêndidas. Além disso, só começava a nova história, só colocava mesmo a trama no papel, quando já tinha em mente cada detalhe bem delineado. Só pra dimensionar, o livro O Inimigo Secreto surgiu de uma conversa em uma casa de chá; Assassinato no Campo de Golfe nasceu de um artigo sobre uma morte misteriosa na França; e uma viagem para assistir à apresentação de uma atriz levou à criação de Treze à Mesa.  É muita imaginação para uma pessoa só! E a gente agradece!

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Algumas curiosidades sobre Agatha Christie:
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>> Seu primeiro livro levou cinco anos para ser publicado e foi rejeitado por seis editoras.
>> Foi a única escritora policial que conseguiu fama e adoração para seus dois personagens (Hercule Poirot e Jane Marple).
>> Quando ela morreu, seu personagem Hercule Poirot ganhou uma página inteira no obituário do The New York Times.
>> Seus escritores favoritos eram Elizabeth Bowen e Graham Greene.
>> Uma de suas grandes paixões na vida era a música, especialmente as óperas de Wagner.
>> Ela escreveu seis romances sob o pseudônimo Mary Westmacott (ela conseguiu manter sua identidade em segredo durante 20 anos).
>> Ela levou 15 anos escrevendo sua autobiografia, entre 1950 e 1965.

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Mais informações:
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>> Site oficial (em inglês)
>> Relação de seus livros com um pequeno resumo de cada (aproveite para escolher por qual deles vai começar a ler)
>> Lista de todos os seus trabalhos (em inglês)

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Livros infantis para mudar o mundo

A leitura transforma os seres humanos. Como diz Guiomar de Grammont, no seu ensaio Ler devia ser proibido, a literatura abre portas para a imaginação, nos torna “perigosamente humanos”, nos dá visão crítica, capacidade de julgar, avaliar, escolher e, principalmente, opinar. E é com uma sociedade opinativa, crítica e imaginativa que podemos mudar o mundo, melhorá-lo e torná-lo mais justo. Por acreditar nessas premissas e para incentivar que o gosto pela leitura comece na infância, é que o Conversa de Menina apresenta para vocês a coleção Jeitos de mudar o mundo, da editora Escala Educacional. Idealizada pelo ilustrador Fernando Vilela e pela escritora Stela Barbieri, a coleção é formada por livros que se baseiam nas oito metas do milênio estabelecidas pelas Organização das Nações Unidas no ano 2000. Abaixo, uma pequena sinopse de cada livrinho da coleção e a meta do milênio ao qual ele está ligado…

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Leia também:
>>Livros que todo adulto precisa ler
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Na sombra do Baobá (mortalidade infantil)

baobaO livro conta a história de uma comunidade que vive à sombra de um imenso baobá. A árvore é o reservatório de água da aldeia em tempos de seca e a proteção da comunidade contra o terrível dragão devorador de crianças Nguma Monene. Um dia, Mafuane, uma mulher que queria muito ter filhos, reza embaixo do baobá para ter um bebê. Nasce Ilunga, uma criança minúscula, que cabia na palma da mão da sua mãe, mas era bastante forte. Certa feita, o terrível dragão ataca e rouba as crianças da aldeia, junto com elas, o pequeno Ilunga. Apesar do seu tamanho, ele demonstra que é capaz de grandes feitos…

A ponte (trabalho comunitário/ voluntariado)

ponte1Essa é a história de Guadalupe e Diego, amigos de infância que crescem e se casam.
O casal recebe um pedaço de terra de presente dos pais de Guadalupe. Com a ajuda dos homens e das mulheres da comunidade, erguem uma casa e depois preparam a terra para plantar o milho. O grande problema de todos os que moram no povoado é transportar os alimentos que produzem, por meio de canoas, até o outro lado do rio onde fica a cidade. O sonho deles é construir uma ponte…

O amigo dos animais (respeito ao meio ambiente)

amigos-dos-animaisCauã vive numa aldeia no meio da floresta dos tucanos. Todos em sua aldeia vivem felizes e só matam os animais para seu próprio sustento. Mas, os caçadores aparecem para matar milhares de animais com armas de fogo e Cauã não entende o porquê, pois aquela matança poderia alimentar seu povo por um ano; além disso, a cada dia a quantidade de animais diminui. Incomodado, Cauã pergunta ao pajé porque os caçadores matam tantos bichos e o Pajé explica que o homem branco não queria a caça, mas a riqueza que a caça trazia com a venda de sua pele. Indignado com essa situação, Cauã pensa numa forma de ajudar a floresta…

Gênio do poço encantado (combate às doenças endêmicas)

genioA Vila do Poço Encantado tem um reservatório de água limpa cuidado por um gênio generoso. Na vila, vivem os irmãos Kiri e Arun, filhos da lavadeira Sovann. Tudo vai bem na aldeia, as crianças adoram cantar e seu canto atrai reis e rainhas, até que um dia algumas pessoas da cidade começam a ficar doentes. A doença se espalha e cada dia mais e mais homens, mulheres e crianças adoecem. As ervas e os remédios disponíveis não conseguem curá-los. Arun, o filho da lavadeira Sovann também fica doente. Até que o gênio descobre que o povo está enterrando lixo perto do poço…

A menina do feijão suculento (fome e combate à miséria)

menina-e-feijaoMahura mora na roça, numa casa de barro vermelho. Seu divertimento predileto é andar pela estrada de terra e visitar os sítios vizinhos para brincar com as outras crianças.
Um dia para de chover, as plantações morrem, os animais começam a definhar e os rios a secar. As pessoas que vivem ali começam a passar fome e todos ficam desanimados, com exceção da menina. Ela encontra alguns grãos de feijão em um pote. Junto com sua mãe, resolve plantá-los. O rio é longe, mas todos os dias elas trazem um pouco de água para regar as sementes. Quando os feijões são colhidos não são suficientes para alimentar todas as pessoas, então Mahura tem uma ideia…

Radija e seus tapetes mágicos (igualdade de gênero)

radijaA narrativa mostra como Radija, estimulada pelas histórias contadas pelos mercadores de tapetes, desperta o desejo de ser livre em uma sociedade que valoriza os homens em detrimento das mulheres. Ela quer partir com as caravanas e viajar pelo mundo, mas seu pai não deixa porque ela é uma menina, até que Radija consegue mostrar o valor das mulheres na sociedade…

O reino dos mamulengos (educação)

mamulengosEssa é a história de Severino, um rapaz que resolveu sair pelo mundo em busca de sua sorte. Sua especialidade é fazer e manipular mamulengos. Ele aprendeu com o pai, que por sua vez aprendeu com o avô, que aprendeu com o bisavô, que aprendeu com o tataravô. Desse modo, faz parte de uma linhagem de bonequeiros, que criam mamulengos e interpretam histórias cheias de encanto e humor. Severino não sabe ler, o que o impede até de se defender de algumas ciladas. Mas, no Reino das Terras Altas, ele muda o seu destino…

Satiko e o vulcão (atenção à saúde da gestante)

satiko“Satiko e o vulcão” narra à história de Satiko que está grávida de sete meses e vive em uma aldeia às margens do lago de águas claras, aos pés do grande vulcão em uma pequena casa com o pai, senhor Sho, a mãe e o marido. Um dia, o pai de Satiko diz que o vulcão vai entrar em erupção e por isso todos precisam se mudar da aldeia. Mas, ninguém acredita nele. Então, o senhor Sho prepara embarcações de madeira para que todos possam fugir quando o vulcão entrar em erupção e depois da fuga, todos partem numa grande jornada em busca de outro lugar para morar…

Serviço:
Coleção Jeitos de mudar o mundo
Autora: Stela Barbieri
Ilustrador: Fernando Vilela
Editora: Escala Educacional
Preço sugerido: R$ 24,50 por livro

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Hannah Arendt: filósofa, judia e mulher

Hannah Arendt integra a minha lista pessoal das mulheres mais importantes da história da humanidade. Não apenas porque sua trajetória de vida nos apresenta uma mulher guerreira, de origem judia, nascida na Alemanha, e que sofreu na pele a perseguição do regime nazista de Hitler, mas também porque se impôs e fez-se reconhecer como pensadora, filósofa, que se dedicou a mudar as ideologias Hannah Arendtsociais de sua época, através de seus escritos sobre, por exemplo, os regimes totalitários, a política e o conceito de liberdade. Ela foi uma verdadeira cientista política, uma mulher que se empenhou nos estudos críticos e conseguiu transformar o pensamento ocidental.

Para quem quer se aprofundar nos estudos sobre a ideologia política contemporânea, é salutar acrescentar Hannah Arendt à lista de bibliografia essencial. Depois de concluir o doutorado em filosofia, na Universidade de Heidelberg (1928), ela sofreu os efeitos do racismo anti-semita e foi obrigada a se refugiar em Paris. Lá, trabalhou com refugiados judeus e teve o privilégio de estudar com Karl Jaspers e Martin Heidegger (com quem manteve um complicado relacionamento amoroso). A vida não foi das mais fáceis para ela. Já no início da década de 40, a França foi ocupada pelos nazistas e Hannah precisou novamente fugir, desta vez para os Estados Unidos, naturalizando-se cidadã norte-americana. É nessa época que ela lança sua primeira obra “Origens do Totalitarismo” (1951), que virou um clássico e entrou para o rol das grandes contribuições literárias para a compreensão do regime totalitário.

A narrativa começa com a ascenção do anti-semitismo na Europa oitocentista e segue pela análise do imperialismo colonial europeu de 1884 até a deflagração da Primeira Guerra Mundial. Um dos grandes méritos da publicação está em dissecar a Alemanha nazista e a Rússia estalinista. A escritora faz um desenho preciso da transformação por que passou as classes sociais e a formação das massas, ressaltando inclusive a função da Hannah Arendt propaganda no território não totalitário. Ela consegue, com maestria, explicar como a manipulação do terror e do medo são indispensáveis para a manutenção destes tipos de governo, e arremata com uma análise detalhada do estado de solidão dos indivíduos enquanto condição determinante para o domínio absoluto do Estado totalitário.

Novas polêmicas ancoraram com “Eichmann em Jerusalém” (1963), em que denunciava a participação das lideranças judaicas no extermínio promovido pelos nazistas na 2ª Guerra Mundial. O livro, que faz uma análise do julgamento do oficial nazista responsável pela organização dos campos de extermínio, Adolf Eichmann, fez brotar o conceito da banalidade do mal. Em linhas gerais, ela pontua que embora os atos cometidos pelos seguidores de Hitler sejam considerados monstruosos, muitos deles não eram sádicos nem pervertidos. Eles apenas cumpriam ordens. E completa: “mas eram e ainda são terrível e assustadoramente normais”. O estudo do inquérito policial, do seu comportamento durante o julgamento e do histórico de vida de Eichmann levaram-na à conclusão de que as suas atitudes derivavam de uma “curiosa e bastante autêntica incapacidade de pensar”. Esta é a essência da banalidade do mal, e, basta uma observação supercial da nossa realidade, veremos que se aplica perfeitamente aos nossos dias.

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Livros: veja a cotação dos preços e compre
>> Eichmann em Jerusalém
>> A condição Humana
>> Entre o Passado e o Futuro
>> Origens do Totalitarismo
>> Nos Passos de Hannah Arendt (biografia escrita por Laure Adler)
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Juntos, os dois livros mostram-se absolutamente indispensáveis para o entendimento do que foi o século XX. A eles, somam-se tantos outros, como “Entre o Passado e o Futuro”, no qual aborda o discurso político do século XX. Afinal, foi ela personagem de toda essa transformação por que passou a sociedade da época. E não há como esquecer de “A Condição Humana”, uma ampla reflexão sobre as práticas políticas do século passado e a teoria que as envolve. O que mais me fascina em Hannah Arendt, além de sua linguagem ousada e das críticas fundamentadas, é a forma como remonta toda uma era, adotando uma postura de enfrentamento da realidade e combate. É importante destacar que, apesar do berço judeu, Hannah Arendt não foi criada sob os dogmas religiosos e tradicionais.  

Alguns autores se referiram a Hannah Arendt como a teórica do inconformismo. Pra mim este rótulo consegue refletir a importância do pensamento dela. Inconformada, disseminou seus ideais, ganhou adeptos e contribuiu para a transformação social. Hannah Arendt é uma mulher que disse muita coisa, mas que poucas pessoas leram. Revisitar as obras de pensadores como Hannah Arendt me faz recordar uma frase de Pascal, matemático e filósofo francês. Ele dizia: “Nada é mais difícil que pensar”. Embora difícil, é uma arte que precisa de exercício contínuo. É o exercício constante da mente que nos faz adquirir elementos para a resolução dos tantos problemas. Que muitos se inspirem nela e comecem agora, porque nunca é tarde, a pensar.

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Legalização do aborto: a favor ou contra?

GrávidaA legalização do aborto é um tema que rende debates intermináveis. Os argumentos favoráveis e os contrários se multiplicam, mas não sinto que estejamos perto de chegar a um consenso sobre o assunto. A proposta aqui não é defender uma corrente, mas promover mais ferramentas ao debate, discutindo os freqüentes argumentos que são defendidos por aqueles que levantam a bandeira e por aqueles que repudiam a prática.

Há quem se posicione do lado da legalização alegando que a saúde da mulher será preservada caso ela tenha meios legais de impedir a gravidez. Hoje, sem o apoio da sociedade, os abortos são realizados de forma clandestina, colocando em risco a vida de milhares de mulheres. Mas será que a legalização vai interromper as práticas clandestinas em uma sociedade em que a balança que divide o moral do legal pode sempre pender para um lado em detrimento do outro?

Dignidade da pessoa humana
Para impedir a legalização, nasceu a justificativa do atentado à dignidade da pessoa humana. Aqui precisamos rememorar toda a discussão legal sobre o momento em que há vida. Juridicamente, a Constituição Federal do Brasil determina que o direito à vida é inviolável. O texto do Código Civil assegura os direitos do nascituro desde a concepção. E no artigo 4º do Pacto de São José está dito que a vida do ser humano deve ser preservada desde o zigoto. Assim, seria imoral tirar a vida do feto.

Início da vida 
Mas, aí eu pergunto, a partir de que momento há vida? Com base em que crenças devemos nos apoiar para definir este tempo exato? Se eu seguir os dogmas religiosos, a resposta seria que há vida desde o encontro entre o espermatozóide e o óvulo. Posso eu, no entanto, questionar este prazo com o argumento de que a fertilização é um processo que leva horas e que é difícil compreender em que momento é atribuída alma ao feto. Quem tem razão? E qual seria mesmo o conceito de razão que estamos adotando para encontrar a resposta certa? E há resposta certa?

Dona do próprio corpo 
O próximo argumento que vou levantar é um dos mais comuns. Nós mulheres somos favoráveis ao aborto, porque somos donas do nosso próprio corpo, porque precisamos ter o direito de decidir se queremos e quando queremos ter filhos. Mas aqui deixamos de lado qualquer discussão moral. Simplesmente ignoramos toda e qualquer discussão a respeito para nos limitarmos à nossa vontade, ao nosso querer. E se adotamos esta teoria estaríamos, então, nos mostrando favoráveis ao aborto no último mês de gravidez, por exemplo. E aí?

Questão social 
Como disse, as defesas e ataques são variados e não paramos por aí. Precisamos mencionar a questão social. Se não for legalizado, as pessoas que não possuem condição financeira continuarão se submetendo a condições precárias para interromper uma gestação. Mas, sejamos bem honestos, quem é que está ligando para este lado da questão? Será que estão mesmo preocupados com as mulheres de baixa renda? Honestamente, não consigo visualizar esta preocupação. Não mesmo.

Vítimas de abuso 
Podemos, ainda, conceder este direito a apenas algumas mulheres, àquelas vítimas de abuso sexual. Se o ato criminoso gerasse uma criança, teria então a mulher o direito de interromper a gestação. Afinal, seria a criança fruto de um ato violento, o que poderia provocar uma verdadeira repulsa por parte da mãe, dentre tantos outros problemas que a psicologia e a psiquiatria devem explicar. Porém, se defendemos que há alma e que a vida é um direito indisponível, não seria este um crime, também? Um homicídio?

FetoSe eu seguir com as linhas de argumentação, com certeza não vou parar por aqui. Creio que este já seja um conteúdo substancial para nos fazer analisar a questão. O que podemos perceber é que são muitas variáveis em jogo. Podemos até seguir um pensamento, mas não podemos ignorar outras formas de pensar o mesmo assunto. Tampouco podemos nos achar donos da razão, palavra tão relativa. O aborto é um assunto delicado, assim como também é delicada a discussão sobre a manutenção de uma gravidez indesejada.

O que eu acho importante sobre a discussão em torno da legalização do aborto é que essa discussão seja imposta com o propósito de esclarecer, de munir a sociedade de informações relevantes, para que a decisão sobre a descriminalização seja consciente. Os embates entre os argumentos religiosos, feministas, moralistas ou legalistas, por exemplo, não podem, a meu ver, ignorar fatores mais concretos, como os relacionados à saúde da mulher e à educação.

Alguém aí tem ouvido falar se abortos contínuos podem fazer mal à mulher? Os debates mais frequentes têm mencionado os riscos que uma mulher pode correr ao se submeter a um procedimento como esse? E as políticas públicas direcionadas ao esclarecimento, por onde andam? Eu não ouvi muito sobre isso. O que tenho visto são defesas de opiniões, muitas parciais, baseadas em crenças específicas. E o que venho defender aqui não é a legalização ou a não legalização da prática.

Este texto aqui é apenas para defender o acesso à informação, para que a construção de nossas opiniões seja baseada em fundamentos e não no que pensamos ser o melhor. É isso, meninas, a melhor forma de nos proteger é adquirindo conhecimento.

Mais sobre o assunto:
Livros:

1. Nos Limites da Vida – Aborto, Clonagem Humana e Eutanásia Sob a Perspectiva dos Direitos (Daniel Sarmento)
2. Aborto: um direito ou um crime? (Maria Tereza Verardo)
3. Sim ou não ao aborto? (Jose Gea Escolano)

Artigos na web:
1. Aborto: a quem interessa?
2. Argumentos sobre o aborto
3. Aspectos éticos das práticas abortivas clandestinas
4. Aborto: discursos filosóficos
5. A Questão do Aborto na América Latina – Os Números da Clandestinidade
6. O aborto em outros países

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O relacionamento de cada um

Você gosta de dormir no quentinho e ele adora aquele frio intenso e seco provocado pelo ar condicionado no máximo. Você não abre mão das músicas para embalarem o sono e ele não consegue dormir sem o barulho da televisão ligada. As diferenças são muitas e tudo conspira para que a relação não dê certo. O convívio fica cada dia mais difícil e em algum momento você aceita a ideia de que não tem mais jeito.

Mas pode ter um jeito: descobrir uma forma de lidar com as diferenças o mais rápido possível, antes que as tais divergências cheguem a incomodar a ponto de você preferir a distância, ainda que ame incondicionalmente o outro. Amor de casalPorque às vezes decidimos abrir mão de alguém que amamos por questões diversas. E para que isso não aconteça, você pode buscar uma maneira especial de viver junto, minimizando os tais atritos de convivência.

Uma reportagem com Wanderléia (a Ternurinha da Jovem Guarda) me fez refletir sobre isso. Uma das perguntas feitas à cantora questionava seu casamento com o produtor Lallo Califórnia. A curiosidade era justamente porque a cantora vive há 28 anos com o marido, mas em casas separadas. Pois é. No texto, ela explica que tentaram se separar várias vezes, mas sempre acabavam reatando.

O amor falou mais alto que as briguinhas e a “incompatibilidade de gênios”. E eles encontraram um jeito diferente de ficar juntos. Na entrevista, ela acha uma justificativa para levar adiante a sua relação, que se traduz mais ou menos assim: se depois de tanto tempo juntos, vocês ainda têm muito assunto a conversar, isso é um sinal de que devem mesmo ficar juntos.

Amor polêmico – Mais polêmica foi a história de amor vivida por Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir. O casal se conheceu na Sorbonne, em 1929, e manteve uma relação que perdurou por 50 anos. Até aí tudo bem, não fosse a opção de adotar um estilo curioso: a chamada relação aberta. Viviam juntos, mas não deixaram de experimentar outras possibilidades. Amantes de um lado e do outro, a dupla seguiu unida por décadas.

São apenas dois exemplos de casais que romperam com o tradicional, que quebraram o paradigma do conceito de relacionamento e encontraram uma forma de prolongar a relação que talvez tivesse tudo para dar errado. Alguns vão questionar a decisão das duas duplas. E é mesmo preciso ter uma visão crítica sobre tudo. Mas o que eu diria é que cada um sabe o caminho de sua própria felicidade.

E você não precisa adotar o jeitinho da Wanderléia ou de Beauvoir. O que você deve fazer é pensar em alternativas, tentar encontrar o seu modo de fazer com que sua relação seja duradoura pelo tempo que acha que vale a pena. Não precisam viver separados, tampouco aceitarem a relação aberta. Essas foram opções que funcionaram com outras pessoas e podem nem funcionar com você. O que precisa é descobrir o que pode dar certo no seu caso.

O que ler?
Livro de SartreLIVRO: Jean-Paul Sartre & Simone de Beauvoir – A arte da excepcional busca pela felicidade
AUTOR: Walter Van Rossun

Para o Amor dar certoLIVRO: Para o Amor dar Certo
AUTORES: Christiane Blank e Renold Blank

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Por que falar de Neruda?

Em Puerto Varas, no Chile, um grupo de turistas aguardava ansioso o início do circuito do Cruce Andino, um passeio com destino a Bariloche (Argentina), em um percurso que alterna trechos terrestres e outros por embarcações, cruzando os lagos andinos. Na fila, dois brasileiros conversam sobre turismo, viagens e afins, quando um deles retruca ao comentário do outro com um espantoso “Eu não sei quem foi Pablo Neruda”.

Pablo Neruda 2Embora eu aceite a ideia de que ninguém tem obrigação de conhecer todas as personalidades do universo, que temos o direito de ser ignorantes em uma série de assuntos, admito que fiquei chocada ao ouvir a história. Afinal de contas nós estávamos no Chile, a terra natal do brilhante poeta que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1971 e  inclusive foi cônsul de seu País na Espanha e no México. É a razão de eu estar falando de Neruda aqui. Porque, sim, ele merece ser assunto.

Claro que abaixo estão apenas algumas poucas informações sobre ele. É uma dose inicial, pra fazer nascer a curiosidade de pesquisar mais e mais, de ler sobre ele, de ler suas obras. Eu não tenho a menor dúvida do quanto será recompensador. Não há como se arrepender ao ler Neruda.

Ah, o mar – Neruda era um escritor apaixonado pelo mar. As águas do Pacífico lhe encantavam. Seu profundo amor pela imensidão azul inspirou a arquitetura de suas três casas, todas construídas no Chile, em Isla Negra, Santiago e Valparaíso. Seu fascínio, porém, era aliado ao medo das águas. E foi isso que o motivou a traduzir em suas moradas a estrutura de um grande barco. Se temia vagar pelos oceanos, trouxe-o para perto de si, através das suas construções, cercadas pelas águas.

Os assoalhos cobrem o chão. Ao serem tocado pelos pés, aceleram a sensação de que, realmente, seria possível estar em uma embarcação em alto mar. A beleza da poesia de Neruda está traduzida também ali, em cada estrutura que pensou para acomodar a sua vida, na qual coube três mulheres.

Neruda e MatildeMatilde, meu amor –  O grande amor foi Matilde, com quem manteve um tórrido romance enquanto ainda estava casado com Delia de Carril, a segunda esposa, vinte anos mais velha. Foi para esconder Matilde e dividir com ela os momentos de paixão que construiu a casa de Santiago, batizada de “La Chascona”.

E quando finalmente se separou da segunda esposa e assumiu publicamente a relação com Matilde, colocou em andamento o projeto da Sebastiana, a residência de Valparaíso. Lá em uma das estantes, uma frase nos traduz o quanto ele amava o mar. Não me recordo exatamente o trecho, mas posso tentar expressar o seu sentido: “de tão imenso o oceano, não houve onde colocá-lo, então colocaram-no defronte de minha janela”. É a visão da janela da casa de Neruda em Valparaíso. O oceano.  

Brilhantismo da caneta – Mas poesia mesmo Neruda fazia com a ponta da caneta. Os seus escritos têm uma sensibilidade singular. Alguns poucos sabem, mas o nome Pablo Neruda nasceu como um pseudônimo. Na certidão de nascimento, constava Neftalí Ricardo Reyes Basoalto. Por uma necessidade de sua vida política, acabou adotando oficialmente o nome Pablo Neruda, com direito ao registro legal da mudança. Era como ele era conhecido. E seria mais estratégico divulgar este nome em sua campanha.

Pablo Neruda 3As suas poesias sofreram influências várias ao longo do tempo. O começo de seu trabalho literário é mais voltado ao romantismo extremo, muito próximo do que escrevia o poeta norte-americano Walt Whitman. Daí, ele passa por uma fase mais surrealista, com traços da literatura de André Breton. Também passou por experiências literárias mais herméticas. Ele difundiu os problemas Espanha de 1936 e a condição dos povos latino-americanos e seus movimentos libertários.

Ele era um revolucionário. Um militante comunista, ícone da esquerda latino-americana, seguidor dos ideais de Carl Marx. Na sua roda de amigos estavam personalidades renomadas como García Lorca e Miguel Hernández. Suas casas são repletas de obras de arte, a grande maioria delas cedidas pelos amigos. Dentre eles, Pablo Picasso. Era amigo pessoal de Salvador Allende, para quem cedeu a presidência do Chile quando foi indicado ao cargo. Agora é só ler mais e mais. O caminho por onde começar segue logo abaixo.

Livros de Neruda para se aprofundar

Capa do livro Confesso que ViviConfesso que Vivi (Neruda)– é uma autobiografia, único livro de Neruda escrito em prosa. Conta sua trajetória de vida desde a infância, até a morte de Salvador Allende, assassinado pelas tropas de Pinochet. Veja a cotação de preços e compre o livro.

Capa do Livro MInha Vida com Pablo NerudaMinha Vida com Pablo Neruda (Matilde Urrutia) – Uma obra comovente em que o grande amor do poeta chileno retrata os anos de convivência. Veja a cotação de preços e compre o livro.

E MAIS:
*Vinte poemas de amor e uma canção desesperada
*Livro das perguntas (também para a criançada)
*Presente de um poeta
*Prólogos
*Cadernos de Temuco
*E todos os outros que você encontrar na livraria!!!!

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Maratona para comprar material escolar

material-escolar_blogAntes de levar o seu filho pré-adolescente para comprar a mochila nova, os cadernos e lápis de cor da volta às aulas, um conselho: entrem em acordo em casa sobre até quanto você pode gastar. A dica é válida porque o material escolar está muito caro este ano. Em Salvador, o incremento foi de mais de 10%. Basta dar uma circulada nos principais centros de venda da cidade para perceber que, em tempos de crise econômica, os comerciantes seguem a máxima popular “farinha pouca, meu pirão primeiro”. A sensação é de que em um único período de dois meses – janeiro e fevereiro são os meses em que os pais gastam mais com matrícula, fardamento e material -, as livrarias e papelarias querem garantir o lucro do ano todo. O conselho, claro, é um só: pesquise muito. Mas, faça isso antes de sair com a criança. É difícil economizar nos livros, porque os preços se equivalem na maioria das livrarias. Mas você pode reunir um grupo de mães com filhos na mesma série e pechinchar um desconto para compras à vista e para um determinado grupo de pessoas. Os comerciantes querem vender, vale a pena tentar negociar. Economizar no material de uso pessoal é mais difícil. O apelo comercial é grande. Os meninos querem a mochila do Ben Ten, que vai sair por mais de R$ 100, se for aquela de rodinhas. E as meninas, na maioria dos casos, não dispensam os acessórios da Barbie. Tire um dia da semana em que você está com mais tempo, percorra as livrarias, papelarias, faça orçamentos prévios de tudo o que o seu filho (a) vai precisar para começar o ano letivo. Anote direitinho os valores de cadernos, mochilas, estojos, lápis, caixas de hidrocor e giz de cera. Pesquise mais de uma marca, para ter opções. Depois que tiver escolhido o lugar onde vende mais barato, use o seu poder de mãe, ou pai, e direcione a compra da criança. Isso mesmo. Você é quem manda, porque você sabe exatamente quanto custa cada real que entra no seu bolso. Então, abra a mesa de negociações e explique que o caderno do herói x está custando R$ 35,00, mas o do herói y, que também é “maneiro” custa metade do preço e a partir daí, vá orientando a criança, aproveitando a escolha do material, que é um momento importante na vida dos pequenos, para ir formando um consumidor consciente. É lógico que, em se tratando de tintas e outros materias, vale ficar de olho na confiança das boas marcas. Evite aqueles itens vendidos muito abaixo da tabela, porque certamente não seguem as normas de segurança (contra toxidade) e muito menos terão uma durabilidade que compense o investimento. Além disso, vale a pena ter à mão os contatos do Procon da sua cidade, para consultar em caso de dúvidas. Algumas escolas ainda praticam abusos como exigir nas listas de material, itens de limpeza que já estão incluídos no valor da mensalidade que você paga. O Procon é taxativo, os pais devem comprar única e exclusivamente os materiais de uso pessoal da criança. Fique atento também às escolas que cobram uma taxa de material coletivo (papel ofício, cartolina, papel de seda e outras coisinhas). Se por um lado é uma mão na roda não ter de comprar tudo isso em papelarias super-lotadas de pais e crianças eufóricas. Por outro, pesquise antes se é melhor negócio pagar a taxa de R$ 200,00 que a escola cobra, em média, ou se naquele esquema de juntar vários pais você economiza bem mais que isso. O mais importante é perceber que comprar é um ato de consciência não só financeira, mas ambiental. Se a mochila do ano anterior está novinha, faça um favor ao seu bolso e ao meio ambiente, não compre outra. Fique atento para não cair na rede armada pelas campanhas de marketing das lojas. E não entre nessa de que é preciso gastar para fazer a economia girar. Essa é uma lógica puramente capitalista, mas que não favorece em nada a diminuição do seu endividamento pessoal e muito menos faz bem para a camada de ozônio. A economia precisa crescer e o país prosperar, mas você também precisa. E cá entre nós, ninguém prospera gastando mais do que recebe e pagando prestações à perder de vista.

PARA SABER MAIS:

material-2Material escolar fica 10,25% mais caro em Salvador

Clique no Portal do Consumidor para saber os contatos do Procon da sua cidade

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Justa homenagem à Zélia Gattai

A editora Companhia das Letras vai relançar a obra completa da escritora Zélia Gattai, falecida em maio do ano passado. Paulista de nascimento, esposa do escritor baiano Jorge Amado, Zélia “abaianou” depois de mais de 50 anos ao lado do autor. Ela começou a escrever na maturidade, primeiro, lembrando a história dos seus pais, depois, reunindo as deliciosas crônicas do cotidiano da família Amado. Quem não riu muito com as aventuras dos Gattai em Anarquistas Graças a Deus, que até virou minissérie? E quem não viveu a aflição dos imigrantes italianos atravessando o Atlântico em Cittá Di Roma? Zélia, que escreveu também Crônica de Uma Namorada, seu primeiro livro de ficção, tem um estilo delicioso, de uma tia muito querida ou uma delicada avó contando suas memórias mais caras. Outro livro da autora, Chão de Meninos, é ambientado na infância dos filhos. Além de usar experiências pessoais e de amigos como fonte de inspiração, Zélia Gattai buscou no dia-a-dia do brasileiro, na Bahia, no Rio de Janeiro, ou na São Paulo da sua infância, elementos para deixar um legado que se constitui em verdadeiro registro histórico do cotidiano miudinho, geralmente aquele que os historiadores relegam. Nos seus escritos, há espaço também para recordar os memoráveis encontros de Jorge Amado com artistas e pensadores como o filósofo francês Jean Paul Sartre. Zélia faz parte daquele ramo de autores que se dedica ao memorialismo, ao registro de um passado nem tão remoto, mas bastante pitoresco. Confira a sinopse dos livros da autora, atualmente disponíveis em edições da Record:

anarquistasAnarquistas, graças a Deus, 1979 – Resgata memórias da infância de Zélia, caçula de cinco irmãos. A autora passou a infância na Alameda Santos, no bairro Paraíso em São Paulo. Ernesto Gattai, seu pai, tinha mania de inventor e vivia fazendo experiências, principalmente com motores de veículos. Dona Angelina, a mãe, adorava ópera. Impagável a sequência em que Zélia conta que quebrou um dos discos preferidos de sua mãe quando era criança.

um-chapeuUm chapéu para viagem, 1982 – Este livro traz as memórias da escritora entre 1945 e 1948, quando conheceu Jorge Amado e a família do autor baiano. Os dois se conheceram durante um movimento para a libertação de presos políticos.

Passáros noturnos do abaeté, 1983 – Este livro, lançado pela editora Macunaíma, de Salvador, reúne desenhos do artista plástico Calasans Neto e texto de Zélia.

senhora-donaSenhora Dona do baile, 1984 – Resgata o período em que Jorge Amado e Zélia viveram exilados na Europa, em 1948. Os dois tiveram de sair do país porque o partido Comunista, do qual eram membros, foi considerado ilegal. Eles moraram em Paris e na atual República Tcheca, que na época ainda era Tchecoslováquia.

reportagemReportagem Incompleta, 1987 – Em todos os momentos da família Amado, lá estava Zélia com sua rolleyflex, registrando tudo. As fotos viraram este livro, que teve até edição trilíngüe: português, inglês e francês.

jardimJardim de Inverno, 1988 – Novo registro da escritora sobre o período em que viveu com Jorge Amado na França, Tchecoslováquia e Rússia, complementa as memórias iniciadas com Senhora Dona do baile.

pipistreloPipistrelo das mil cores, 1989 – Estréia de Zélia na literatura infanto-juvenil, é todo narrado em versos e fala sobre as consequências da destruição ambiental para os seres humanos.

segredoO segredo da rua 18, 1991 – Nesta nova aventura infanto-juvenil da cronista, ela conta a história de um grupo de crianças que vivem diversas situações engraçadas e estranhas em busca do tesouro do pirata Gancho de Ouro.

chaoChão de meninos, 1992 – Crônicas da família Amado que resgatam a infância dos filhos de Zélia e Jorge. Foi lançado no ano em que Jorge Amado fez 80 anos. O texto é leve, alto-astral e contagiante, quase dá para se sentir parte da família.

cronicaCrônica de uma namorada, 1995 – Através da primeira experiência amorosa de uma adolescente, contada com muita graça e leveza por Zélia, ficamos sabendo como era a vida das meninas nos anos 50, suas expectativas, seus sonhos e as cobranças sociais. Jorge Amado escreveu o prefácio e foi o principal incentivador para que Zélia entrasse no ramo da ficção.

casaA casa do Rio Vermelho, 1999 – Nestas crônicas, Zélia coloca sua casa e a de Jorge Amado, no bairro boêmio do Rio Vermelho, em Salvador, como protagonista das histórias vividas pela família. O livro celebra a amizade, pois traz histórias deliciosas dos encontros ocorridos sob as mangueiras da antiga casa.

cittaCittá di Roma, 2000 – Neste livro, Zélia mergulha fundo nas memórias de sua família e conta a história da imigração dos italianos para o Brasil, no final do século XIX, através da viagem que seus avós, os pais de Ernesto Gattai e Angelina Dacol, fizeram no navio Cittá Di Roma.

jonasJonas e a sereia, 2000 – Outra obra infanto-juvenil da escritora, que reinventa o mito das sereias e conta uma história de amor improvável, mas perfeitamente possível no mundo da literatura, a paixão entre um homem e uma sereia.

codigosCódigos de família, 2001 – Quem não gostaria de saber o que se passa entre os membros de uma família famosa? Seus casos, as piadas, apelidos, os micos que pagaram? Pois é o que Zélia divide com os leitores em mais um volume das suas deliciosas memórias.

baianoUm baiano romântico e sensual, 2002 – O último livro publicado por Zélia Gattai foi escrito por ela e pelos filhos como uma homenagem a Jorge Amado, morto em 2001. Reúne três relatos, um de Zélia, um de João Jorge e um de Paloma.

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