Maquiagem e Síndrome do Olho Seco

Maquiagem e Síndrome do Olho Seco nem sempre combinam. Em alguns casos, a aplicação incorreta de cosméticos e falhas na limpeza dos olhos após o uso podem agravar o problema. Ao falar sobre esse transtorno (relembre aqui) deixei para abordar a maquiagem em outro texto, de propósito, porque o assunto rende. Vamos a ele!

Quem tem Síndrome do Olho Seco precisa maneirar no ‘olhão’, mas pode caprichar nas sobrancelhas para levantar a expressão

Não posso usar sombra, delineador e máscara, porque meu caso é severo e meus olhos inflamam com facilidade. Mas, não quer dizer que ao abolir da rotina o ‘olhão preto’, desisti da maquiagem. Está aí uma coisa de que realmente gosto. Passei a privilegiar a preparação da pele, desde limpeza e hidratação, até aplicação de primer, base, corretivo , pó e blush. No dia a dia, uso BBs ou CC creams, que dão cobertura e uniformizam. Também gosto de batons interessantes, principalmente nos tons vermelho fechado e vinho.

Para levantar a expressão, cuido das sobrancelhas e uso iluminador no ossinho abaixo do arco. Os olhos, como diz o ditado, são a expressão da alma. Na falta das três camadas potentes de máscara ou do delineado gatinho, mantenho as pálpebras hidratadas, massageio, uso compressas para amenizar olheiras e inchaço. Truques bons – e produtos hipoalergênicos – para cuidar dessa região não faltam.

Antes de dormir, pigmentos de maquiagem devem ser removidos para evitar contaminação

Por que maquiagem não pode?

Nem todo mundo está proibido de usar, claro! Mais uma vez, aqui vale a regra de conversar com o oftalmo para ouvir as orientações do especialista. No entanto, é importante entender que maquiagem nos olhos é um corpo estranho. E para uma região que já está sensível devido ao ressecamento ocular, abusar de produtos piora o desconforto.

A regra número um é nunca usar cosméticos nos olhos que estejam fora da validade ou tenham sido expostos às contaminações do ambiente. Estojos de sombra devem ser guardados fechados e longe de umidade, pincéis precisam ser lavados. A outra regra importante é sempre remover a maquiagem. Cansaço não pode ser justificativa para dormir com os cílios pesados de máscara. Pedaços endurecidos do produto podem cair nos olhos e causar alergias.

Faxina geral

Os resíduos de máscara, delineador, glitter, pigmento, lápis, etc., se não forem retirados totalmente, entopem as glândulas que produzem a gordura que compõe a lágrima e evita a evaporação precoce. Com isso, além dos olhos secarem depressa, podem ocorrer as enjoadas inflamações. Já os cílios, blindam os olhos contra contaminações. Deixá-los grudentos de máscara, favorece a proliferação de bactérias e entope o folículo que faz os pelos crescerem.

Para deixar tudo limpo depois de  fazer sucesso com o ‘delineado arrasa-quarteirão’, vale apostar nos demaquilantes específicos para a área dos olhos e arrematar a faxina com shampoo infantil neutro.

Mulheres sofrem mais

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Síndrome do Olho Seco atinge mais às mulheres, por questões hormonais que afetam a produção e a qualidade das lágrimas. Entre o público feminino, 10% das afetadas estão na faixa dos 50 anos, período da menopausa.

A maioria daquelas que desenvolvem a síndrome, porém, são as mais jovens. E um dos fatores desses índices altos é justamente o excesso de maquiagem e a higienização incorreta dos olhos.

No período do Outono-Inverno, que o ar fica mais frio e seco, o problema se agrava, o que requer cuidados extras.

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Saúde: Como viver com a Síndrome do Olho Seco

As lágrimas lubrificam os olhos e afastam os germes

A Síndrome do Olho Seco, também conhecida como Síndrome da Disfunção Lacrimal, me acompanha desde que sofri uma alergia grave a medicamentos anti-inflamatórios, durante um tratamento de tendinite, há alguns anos. Como sequela dos problemas acarretados pela alergia, passei a conviver com um arsenal de colírio e gel ocular lubrificantes, compressas de gaze e soro fisiológico; além de precisar de visitas regulares ao oftalmologista. É chato, mas dá para manter a qualidade de vida e a acuidade da visão, se os cuidados certos forem tomados. E a ideia deste texto é falar, justamente, destes cuidados.

Representação do Sistema Lacrimal

Entenda a Síndrome do Olho Seco

A Síndrome do Olho Seco, ou da Disfunção Lacrimal, como o nome já explica, é acarretada quando uma falha no organismo prejudica a formação das lágrimas. Nossas lágrimas são feitas de moléculas de água, gordura e muco. Esse composto serve para manter os olhos lubrificados e limpos, evitando contaminações por germes. A síndrome acontece quando a lágrima passa a ser fabricada com defeito, com excesso ou falta de gordura, o que faz com que evapore depressa e sem cumprir sua função de proteger o globo ocular.

Quem sofre com o problema, geralmente, sente muita ardência, coceira e uma desagradável sensação de que jogaram vidro moído ou areia nos seus olhos. Além disso, os olhos também ficam vermelhos e incham facilmente, como se você estivesse com uma conjuntivite. Se não for tratada e mantida sob controle – a doença não tem cura -, pode ainda causar problemas mais graves, como infecções por bactérias oportunistas e diminuição da acuidade visual.

O que causa o problema?

No meu caso, a Síndrome do Olho Seco foi consequência de uma alergia a um tipo específico de medicamento, anti-inflamatório, que estou terminantemente proibida de voltar a usar para o resto da vida. O problema me afetou porque eu tinha uma condição prévia de doença autoimune que foi negligenciada pelo ortopedista que me tratou da tendinite. O processo infeccioso derivado desse descuido do médico, levou ao desenvolvimento da síndrome.

Outros problemas que acarretam esse ressecamento severo do globo ocular são:

>>Blefarite: inflamação que ataca os cílios e forma uma caspa que bloqueia a glândula lacrimal;

>>Lesões: cistos, conjuntivites, cirurgias para correção de miopia ou blefaroplastia (plástica para levantar as pálpebras) podem afetar a fabricação de lágrimas;

>>Problemas hormonais: menopausa e uso de anticoncepcionais;

>>Medicamentos: antialérgicos, anti-inflamatórios, remédios para hipertensão e psicotrópicos (como aqueles para depressão, ansiedade, etc);

>>Doenças autoimunes: lúpus, Síndrome de Sjögren, Síndrome de Stevens-Johnson;

>>Uso excessivo de computadores, tablets, smartphones, TVs: quanto mais concentrados diante dessas telas, menos piscamos. Piscar é essencial para a produção de lágrimas.

Existem dezenas de colírios lubrificantes. Seu oftalmologista ajudará na melhor escolha, de acordo com a gravidade do problema

Como é que cuida?

Quem tem Síndrome do Olho Seco precisa visitar o oftalmologista de seis em seis meses, para monitorar o problema. Só o especialista pode indicar o tipo de tratamento mais adequado. Em alguns casos, um tampão é usado para bloquear o canal lacrimal, impedindo que a lágrima escoe rápido demais.  Só oftalmologistas podem aplicar tampões.

Mais cuidados essenciais:

>Higienização correta dos olhos, principalmente por quem tem tendência a desenvolver blefarite. Existem líquidos específicos nas farmácias, mas minha oftalmo me deu uma solução simples e barata: usar Shampoo Johnson neutro. Aquele amarelinho que as blogueiras amam para remover maquiagem dos cílios. Duas vezes por dia, de manhã cedo e à noite, com as mãos previamente bem lavadas, pingo duas gotinhas do shampoo na palma da mão, faço uma espuma e com um cotonete, passo delicadamente nos cílios. Depois, enxáguo e aplico compressas de gaze embebidas em soro fisiológico gelado. Dá um alívio imediato, principalmente de manhã cedo!

>Uso de colírios ao longo do dia. Existem de várias marcas. Seu oftalmologista saberá indicar o que melhor atenderá o grau de ressecamento nos seus olhos. Ele também dirá quantas vezes é preciso aplicar. Eu preciso de duas em duas horas.

>Gel lubrificante ocular antes de dormir. Aplico sempre uma gota em cada olho. Mais uma vez, existem inúmeras marcas nas farmácias e o oftalmo saberá orientar a mais adequada ao seu caso.

>Alimentação adequada também ajuda. Beber muita água é essencial, porque ela é o principal componente da lágrima. Vale ainda investir em alimentos ricos em Ômega-3, como peixes (atum, sardinha, salmão), oleaginosas e linhaça. Vitamina A também não pode ficar de fora do prato de quem tem Síndrome do Olho Seco. Já as frituras e o fast-food, cheios de gorduras saturadas, devem ser evitados, porque pioram o problema. Eu amo sanduíches, mas prefiro as versões sem fritura, com frango desfiado ou atum, um pouco de queijo, legumes e verduras.

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De olho na saúde: canção para salvar a memória

Depois da descoberta do poder do riso contra os males do estresse, outro ditado popular encontra respaldo e comprovação científica. Uma pesquisa da Universidade de Helsinki, na Finlândia, descobriu que cantar é uma forma eficiente de preservar a memória. Esse é um dos destaques da semana na sessão De olho na saúde, que toda sexta, traz informações sobre pesquisas e descobertas científicas; além de dicas para o bem estar e a qualidade de vida.

Quem canta suas lembranças preserva

A pesquisa na Finlândia reuniu 89 pessoas com o Mal de Alzheimer e as dividiu em dois grupos, um de controle e o outro que participou de um treinamento musical durante 10 semanas. O resultado é que a turma que participou das aulas de música tiveram melhoras na memória, raciocínio e capacidade de se situar no tempo e espaço.

Para o estudo, foram selecionadas músicas entre as preferidas dos pacientes, pois a familiaridade com as letras e melodias oferece conforto emocional, o que, por sua vez, estimula o cérebro. Para os portadores do Alzheimer, a musicoterapia funciona como mecanismo de atraso no avanço da doença.

Já para quem não está doente, os cientistas recomendam a cantoria como um preventivo de problemas cognitivos futuros. Em bebês, inclusive, o poder estimulante da música é usado para turbinar a capacidade de aprendizado e como estímulo para o desenvolvimento neuromotor.

Visão além do alcance

Três jovens oftalmologistas formados na USP São Carlos criaram uma startup (empresas de tecnologia em fase iniciante) para desenvolver um aparelho portátil que realiza exames de retina.  O equipamento será usado em pacientes que moram longe dos centros urbanos e têm dificuldades para deslocar-se até os locais das consultas.

O Smart Retinal Camera (SRC) é formado por uma estrutura que pode ser acoplada aos smartphones. Os primeiros testes estão programados para 2018. Uma prova de que ainda existem médicos fiéis ao juramento de salvar vidas!

Pele de laboratório para reduzir testes em animais

A equipe do Centro de Biologia da Pele da USP (Universidade de São Paulo) pesquisa a criação em laboratório de uma pele humana que servirá para testes de cosméticos e medicamentos, reduzindo o uso de animais.

O procedimento já existe no exterior e utiliza sobras de pele de cirurgias plásticas, que servem de base para a criação de tecidos novos. Indústrias multinacionais como a L´Oréal utilizam esse recurso e mantém parcerias com centros de pesquisa no Brasil, como Instituto D´Or, do Rio de Janeiro.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibirá o uso de animais em testes de laboratório a partir de 2019. E, por isso, cientistas trabalham para que o uso de peles criadas em laboratório ofereça resultados cada vez mais precisos. O material servirá para testar potenciais alergias, queimaduras, irritação, corrosão ou outros efeitos colaterais das substâncias químicas presentes em cosméticos e produtos de limpeza.

Os consumidores, por sua vez, estão mais sensibilizados para a causa animal e exigem produtos cruelty free; além de estarem atentos aos rótulos das embalagens do que consomem, evitando xampus e outros cosméticos ricos em sulfatos, petrolatos e afins.

*Fonte de informações: revistas Saúde e Galileu 

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Mulheres têm mais problemas de visão do que homens

As mulheres, segundo pesquisa recente, são mais afetadas pelas doenças oculares do que os homens. A explicação, embora a ciência ainda esteja investigando, pode estar nos hormônios e alterações que sofremos no corpo ao longo da vida: menarca, ciclo menstrual, gravidez, menopausa. Cada um desses estágios requer doses enormes de substâncias tanto fabricadas pelo nosso corpo quanto ingeridas (pílulas anticoncepcionais, reposição hormonal e etc). As informações detalhadas sobre a pesquisa e sobre a saúde ocular feminina estão no texto que segue, elaborado pela jornalista Márcia Wirth, da MW Comunicação. Como recentemente passei por um procedimento oftalmológico, achei interessante dividir com vocês mais este aprendizado. Confiram:

Anatomia do olho humano
Anatomia do olho humano

*Mulheres sofrem mais com problemas de visão do que os homens
Se a mulher não tem as informações básicas sobre o que pode afetar a sua saúde, como pensará em prevenção?

Estima-se que há 45 milhões de cegos no mundo, sendo que dois terços – 30 milhões – são mulheres. Desse total, 80% dos casos são evitáveis ou tratáveis. “De 45 milhões de pessoas, 80% não precisariam estar cegos porque a doença ou tinha tratamento ou poderia ter sido prevenida ou evitada se a pessoa tivesse acesso adequado às informações apropriadas sobre saúde”, alerta o oftalmologista Virgilio Centurion, diretor do IMO (Instituto de Moléstias Oculares).

Um levantamento realizado pelo Healthy Sight Institute intitulado Mulheres e visão: por que elas sofrem mais?, identificou qual a percepção das pessoas em relação aos problemas de visão. A pesquisa revela que há muito desconhecimento. O estudo foi feito em oito países, com 10,5 mil entrevistados, entre homens e mulheres. No Brasil, 1.007 adultos participaram do levantamento.

As brasileiras reclamam mais frequentemente de problemas nos olhos do que os brasileiros. Entre as mulheres, 57% disseram ter algum problema de visão. Com os homens, o percentual ficou em 47%.

Já o que essas mulheres sabem sobre alguns fatores que afetam a visão feminina, mais de 55% das pesquisadas, ou não sabem ou não acreditam que fatores hormonais provocados pela menopausa ou por medicamentos podem influenciar numa alteração visual; 56% ou não sabem ou não acreditam que o cigarro pode influenciar nos problemas visuais, sendo que o cigarro é um dos fatores de risco para a catarata. E 60% não sabem ou não acreditam que a gravidez pode influenciar na qualidade visual.

Razões para que existam mais mulheres cegas – Segundo a pesquisa, dos 45 milhões de cegos, dois terços, ou seja, 30 milhões são mulheres. Existem algumas hipóteses para justificar este fato.  “A primeira delas diz respeito à longevidade. Na maioria dos casos, as mulheres vivem mais que os homens e, por causa disso, elas estão mais expostas e ficam mais suscetíveis a algumas doenças que têm maior incidência a partir de certa idade e que podem provocar a cegueira”, explica Virgilio Centurion.

Os hormônios típicos do ciclo reprodutor feminino podem ter relação com a predisposição das mulheres para certas doenças oculares

Outra é a possibilidade de o sexo feminino ter um risco maior para determinadas doenças. “A catarata, por exemplo, incide um pouco mais em mulheres, assim como algumas formas de glaucoma. Muitas vezes, não se sabe exatamente por qual motivo, pode ser simplesmente por fatores hormonais ou genéticos.

As alterações hormonais – tanto na menopausa, como a provocada pelo uso de contraceptivos – podem levar a algumas alterações oculares, como a diminuição na produção de lágrimas e, consequentemente, a síndrome do olho seco”, diz o médico.

Informação e prevenção – Um terceiro motivo, muito importante no mundo todo, é o acesso desigual aos cuidados de saúde. “Em várias regiões do mundo as mulheres não têm as mesmas facilidades para ir ao médico, para procurar um oftalmologista. Até o número de cirurgias de catarata em alguns países é bem menor no sexo feminino, em relação aos homens”, conta Virgilio Centurion.

Isso acontece por vários motivos: em parte por causa da baixa escolaridade nos locais mais pobres, do pouco conhecimento, e ainda há a questão cultural. Há locais em que os costumes são muito diferentes da cultura ocidental. “Em muitos países a verba destinada à saúde é baixa e é preciso distribuí-la entre alguns. E quem são os privilegiados? Nesses locais, geralmente são os homens”, conta o diretor do IMO.

"Alterações na visão são frequentes na gravidez"

No Brasil, as condições de acesso aos cuidados de saúde são um pouco diferentes. Não temos expressivamente o problema de acesso em relação apenas às mulheres. “No Brasil, a dificuldade é para toda a população. E a mulher é peça fundamental para a promoção da saúde na família. Ela replica o que aprende com o médico, é uma cuidadora nata da família, ela é quem busca o atendimento, toma conta da saúde dos filhos, do marido, dos pais, dos sogros”, conta o oftalmologista Virgilio Centurion.

Fatores hormonais importantes – Em relação à gravidez, é muito interessante perceber no atendimento diário, como as mulheres não conhecem as alterações visuais que ocorrem neste período. Há as fisiológicas, reversíveis ao final da gravidez, e que são comuns.

As alterações mais freqüentes acontecem na córnea e consistem em mudanças de espessura, sensibilidade, e isso pode causar intolerância na usuária de lentes de contato”, explica a oftalmologista Sandra Alice Falvo, que também integra o corpo clínico do IMO.

Uma outra queixa frequente é a mudança no índice de refração. “Aí, temos de informar que não é hora de trocar os óculos. É para esperar, porque esta variação se normaliza, após o parto. Existem também as alterações patológicas, mais associadas à gravidez de risco. Por exemplo, uma mulher com diabetes gestacional está mais sujeita a apresentar alterações de fundo de olho mais graves do que uma grávida sem esse problema. O mesmo acontece com as portadoras de hipertensão arterial”, informa Sandra Falvo.

Quando falamos de gravidez e menopausa nos referimos especificamente a condições femininas. “O fato dos homens não saberem das alterações visuais decorrentes da gravidez não é tão grave quanto 60% das mulheres não terem conhecimento das mudanças inerentes a este período”, alerta a oftalmologista do IMO.

Para saber mais:

Site: www.imo.com.br
Email: imo@imo.com.br
Rede social: twitter.com/clinicaimo

*Material elaborado e encaminhado ao blog pela MW- Consultoria de Comunicação.

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*Verão: saiba proteger os olhos adequadamente

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Doenças de pele e oculares aumentam durante o Verão devido a maior incidência dos raios solares sobre o planeta

A matéria que publicamos abaixo foi encaminhada ao blog pela equipe do Instituto de Moléstias Oculares (IMO) e preparado sob a orientação de oftalmologistas. Trata-se de uma série de dicas de como se proteger, principalmente aos olhos, durante o Verão, para evitar tanto lesões na córnea, que podem provocar cegueira, quanto para evitar longas horas de exposição da pele aos raios UVA e UVB, que causam desde envelhecimento precoce até câncer de pele. Todo ano, quando chega o Verão, multiplicam-se matérias desta natureza em estações de rádio e TV, sites e veículos impressos. Não é falta de criatividade da imprensa, é necessidade de alertar a população para doenças que poderiam ser facilmente evitadas com um pouco de precaução, mas que tornam-se problema de saúde pública. É um lembrete anual de Verão, dada a natureza humana de sempre achar que as coisas acontecem com o vizinho e não consigo. Vejo algumas cenas nas praias de Salvador, por exemplo, que são de uma irresponsabilidade enorme: mães que deixam os filhos pequenos torrando no sol a pino do meio-dia, mulheres que pela vaidade de exibir o bronzeado mais bonito da estação, abrem mão do protetor solar e ainda abusam e lambuzam-se de bronzeadores, que potencializam os efeitos do sol. Nas ruas da cidade, Salvador é uma das capitais que tem altissima incidência de raios ultra-violeta devido às suas coordenadas geográficas, quem abusa das camisetas nos dias de calor, por exemplo, esquece de proteger as partes descobertas da pele. Por isso,  meninas e meninos, atenção aos alertas do IMO:

Verão: saiba proteger os olhos adequadamente

Pterígio é uma das doenças provocadas pelo excesso de exposição ao Sol. Saiba mais vendo vídeo no final do post
Pterígio é uma das doenças causadas pelo excesso de exposição ao Sol. Veja vídeo sobre a doença, no final do post

Do envelhecimento precoce ao câncer de pele, o sol pode deixar de ser um aliado da saúde para transformar-se em vilão. Este é o alerta conjunto da Organização Mundial de Saúde (OMS), da Sociedade Brasileira de Dermatologia e do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, pois os profissionais de saúde sabem muito bem que o brasileiro cultiva o hábito de bronzear-se, e, quase sempre, expõe-se exageradamente ao sol, sem as devidas precauções, ou utilizando alternativas que trazem ainda mais danos à saúde, como o bronzeamento artificial.

“Apesar da radiação ultravioleta, UV, ter efeitos benéficos, em excesso, ela pode levar a uma variedade de problemas de saúde, incluindo câncer de pele e catarata. Ao atinigir a pele desprotegida, a radiação solar pode desencadear reações como queimaduras solares e fotoalergias. Os raios UV – devido ao efeito cumulativo da radiação durante a vida – são os responsáveis também pelo envelhecimento cutâneo e pelas alterações celulares que predispõem ao câncer da pele”, explica o oftalmologista Virgilio Centurion, diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares.

Quando o assunto é exclusivamente a saúde ocular, a exposição, sem proteção, a quantidades excessivas de radiação UV por um curto período de tempo, pode causar ceratite, uma espécie de “queimadura da córnea” que causa dor, vermelhidão, lacrimejamento, fotofobia e sensação de areia nos olhos. “O maior risco para os olhos se encontra na exposição prolongada ao sol, que por sua vez, pode ser mais perigosa. A incidência direta dos raios ultravioleta no olho humano, ocasiona lesões oculares, que gradual e cumulativamente, podem resultar na perda total da visão. As lesões oculares mais comuns causadas pelo excesso de sol são a queda da percepção de detalhes pela mácula  e a formação da catarata, problema ocular grave, de maior incidência no mundo”, destaca Centurion.

Como proteger os olhos?

Óculos de sol na piscina, na praia ou no dia-a-dia

Especialistas recomendam óculos de sol de lentes marrons, verdes ou pretas, que filtram melhor a luz e os raios UVA e UVB
Especialistas recomendam óculos de sol de lentes marrons, verdes ou pretas, que filtram melhor a luz e os raios UVA e UVB

Os efeitos da radiação UV são cumulativos. Quanto mais os olhos são expostos aos raios UV, maiores serão os riscos do desenvolvimento de uma moléstia, com o passar dos anos. “É aconselhável, portanto, o uso de óculos escuros de boa qualidade e que ofereçam proteção adequada aos olhos, não apenas durante o verão, e sim durante todo o ano”, defende a oftalmologista Fernanda Takay, que também integra o corpo clínico do IMO.

Segundo a oftalmologista, a decisão de compra dos óculos de sol deve levar em consideração, primordialmente, o nível de proteção contra a radiação ultravioleta (UVA e UVB) que as lentes oferecem. “Esta informação deve estar disponível, no momento da compra, seja no adesivo afixado aos óculos ou em livretos contendo informações técnicas sobre o produto. O comprador deve exigir esta informação”, diz a médica.

“Bons óculos escuros devem bloquear entre 99-100% as radiações UV-A e UV-B; não devem distorcer imagens ou mudar as cores. Devem ter lentes cinzas, verdes ou marrons, capazes de filtrar entre 75-90% da luz visível. Os óculos de grau também devem ter proteção UV. Bonés, viseiras e chapéus oferecem proteção adicional, quando precisamos passar muitas horas sob a luz solar”, recomenda Fernanda Takay.

Mesmo os que decidem curtir o verão na sombra não estão livres de sofrer com a radiação solar que se reflete na água, na areia e no asfalto. Portanto, o uso de filtros solares embaixo do guarda-sol também é recomendável.

Bronzeamento artificial é uma prática de risco

Câmaras de bronzeamento artificial são condenadas pelos médicos
Câmara de bronzeamento artificial é condenada pelos médicos

Muito em moda, nos dias de hoje, o bronzeamento artificial, é feito, principalmente, em clínicas de estética. “É importante esclarecer que o bronzeamento com luz artificial traz danos à pele e aos olhos desprotegidos, da mesma forma que a exposição à luz solar. O FDA (Food and Drug Administration), órgão americano que regulamenta medicamentos e alimentos, desaconselha o uso das lâmpadas de UVA com o objetivo de bronzeamento. A Sociedade Brasileira de Dermatologia também desaconselha esta prática, no Brasil”, diz a oftalmologista Fernanda Takay.

Para alcançar o mesmo efeito da luz solar, as camas ou cabines de bronzeamento têm que estimular a produção de melanina. Lâmpadas especiais, instaladas no interior dessas câmaras, emitem raios iguais aos do sol. Predominantes nos aparatos de bronzeamento artificial, os raios UVA têm um comprimento de onda mais longo (320 a 400 nm). Por isso, atingem mais profundamente a pele, penetrando na derme. Nesta camada, incidem sobre o colágeno. Assim, o usuário estará acelerando o desgaste das suas células. Resultado: envelhecimento precoce. Quanto aos raios UVB, por seu comprimento de onda (280 a 320 nm), estes não penetram tão profundamente. Mesmo assim, são os principais agentes causadores de câncer de pele e manchas.

“Os olhos também ficam expostos aos raios ultravioletas nas câmaras de bronzeamento artificial. Quando estamos sob lâmpadas de bronzeamento artificial, precisamos bloquear os raios UV. Neste caso, os óculos de sol não resolvem. Devemos, sempre, utilizar óculos especiais de proteção para o bronzeamento”, orienta a oftalmologista Fernanda Takay.

Saiba mais:

>>Veja no site do IMO um filme sobre o pterígeo, doença ocular provocada pelo excesso de exposição solar. Clique aqui para acessar o vídeo.

*Material preparado pela equipe de Oftalmologia do IMO e enviado ao blog pela MW Consultoria de Comunicação.

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Você sabe ler a receita dos seus óculos?

Conversa de Menina abre espaço para divulgar um serviço de utilidade pública. Recebi um texto da assessoria de comunicação do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB), ensinando como os leigos podem entender a receita oftalmológica antes de ir até uma ótica comprar seus óculos de grau. No texto, a médica Karla de Almeida Alexim esclarece algumas dúvidas comuns de quem precisa usar óculos para corrigir miopia, hipermetropia e astigmatismo. Como saúde é um tema muito importante nas nossas conversas, confiram as orientações do HOB:

Entenda a sua receita oftalmológica antes de fazer as lentes dos óculos

oculosBrasília – Sair do consultório do oftalmologista com um papel cheio de números e meias-luas sem a menor idéia do que está escrito ali é mais comum do que se possa imaginar. A receita oftalmológica não pode, no entanto, ser um código que somente o médico e o profissional que vai aviá-la conhece o significado. O paciente também precisa saber sobre suas dificuldades de visão para poder acompanhar o tratamento ao longo da vida.

“As pessoas não têm hábito de questionar a receita, mas é importante entender a própria dificuldade de visão e não procurar soluções alternativas como usar os óculos de terceiros”, alerta a oftalmologista Karla de Almeida Alexim, do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB).

A receita descreve o grau de correção necessário para permitir a melhor visão do paciente, tanto para identificar objetos e imagens de longe, quanto de perto. “A receita oftalmológica apresenta-se em um modelo padrão. Portanto, é possível realizar exames aqui no Brasil e apresentar os dados em outros países”, explica a especialista, que já avaliou pacientes vindos de países como a Grécia com receitas prescritas em idioma local.

Os códigos (números) contidos na receita seguem uma lógica nem tão complicada de decifrar, mas é preciso ter as informações e atenção.

Miopia e astigmatismo são chamadas doenças refrativas, pois são causadas por falhas na refração da luz sobre a retina
Miopia e astigmatismo são chamadas doenças refrativas, pois são causadas por falhas na refração da luz sobre a retina

Nomes e números

Para verificar a situação da visão para perto e para longe são analisados o OD (olho direito) e OE (olho esquerdo). Os sinais de positivo “+” e negativo “-“, indicados na coluna de nome Esférico, por exemplo, são revelados pelo exame e representam o grau da hipermetropia e da miopia, respectivamente. Assim, “+ 1” , quando aparece na receita, por exemplo, significa um grau de hipermetropia, isto é, necessita correção para enxergar perto. Quando estiver indicado “-1”, representa um grau de miopia, e o paciente precisa de ajuste para longe. A coluna chama-se Esférico, porque as lentes que corrigem a hipermetropia e a miopia são esféricas.

Astigmatismo – Para avaliar somente o astigmatismo, alteração da córnea que provoca vários pontos de foco das imagens, existe a coluna chamada Cilíndrico, porque as lentes que o corrigem são cilíndricas. Neste espaço, no caso de haver irregularidade refrativa, o especialista informará em números, com sinal negativo, conforme é convencionado.

A coluna da receita oftalmológica chamada Eixo determina a localização do astigmatismo. “A determinação do local exato do astigmatismo será útil para sua perfeita correção”, observa Karla Alexim.

A coluna identificada com a sigla D.P, que significa “distância pupilar”, representa o espaço entre uma pupila e outra. Esta medida servirá para que as pupilas estejam alinhadas ao centro ótico da lente dos óculos. De acordo com Karla Alexim, a exatidão desta prescrição em relação à confecção dos óculos é fundamental para a boa visão. Ela comenta que “quando não há exatidão, os óculos provocam desconforto e o paciente começa a mexer na armação para encontrar o ponto”.

Presbiopia – Para prescrever os óculos para perto, que é a correção da presbiopia, ou vista cansada, é realizado um cálculo na receita. Na coluna Esférico, é feita uma soma entre o grau de longe e o grau necessário à idade do paciente, conforme uma tabela convencionada. Por exemplo: para pacientes entre 40 e 45 anos de idade, soma-se entre +1 e +1,5 grau, porque é constatado que a partir desta idade, o poder de foco dos olhos para perto diminui, o cristalino vai endurecendo e não consegue focar a imagem que está próxima com a mesma facilidade”, frisa Karla.

Receitas – Os valores descritos na receita é que determinarão a lente adequada para atender a deficiência de visão do paciente. “A fabricação da lente deve atender literalmente as especificações da receita. Se o paciente apresenta alteração de grau para longe e nenhuma deficiência para perto, ele terá toda a lente com grau apenas para longe. Caso exista deficiência para perto também, a lente apresentará grau para longe na parte superior e grau para perto na parte inferior. As lentes devem ser moldadas de acordo com a deficiência apresentada”.

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