Artigo: “Por que meu filho mente tanto?”

O artigo publicado abaixo foi enviado para nós por email pela assessoria de comunicação da CGC Educação (clique aqui para visitar o site). Trata-se de uma análise da psicóloga Beatriz Guimarães Otero sobre a questão da mentira na infância. Muitas vezes, ficamos chocados quando surpreendemos um filho contando mentiras, mas existe uma fase no desenvolvimento da criança em que realidade e fantasia não são tão nítidas. Leiam o texto  da especialista, é muito esclarecedor, principalmente para quem tem crianças nessa faixa etária.

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Por que meu filho mente tanto?

Beatriz Guimarães Otero*

A mentira é sempre encarada com muita preocupação por parte dos pais. Por esse motivo, é importante ter em mente que para uma criança de até cinco anos de idade, mentir é normal. Até esta fase do desenvolvimento, é tido como completamente normal que a criança invente histórias. Isto porque a realidade ainda é muito confundida com a fantasia. A imaginação e a fantasia fazem parte do mundo da criança até os cinco anos, e são bases para o pensamento lógico do adulto. Mas, à medida que a criança vai crescendo, essas funções vão dando lugar à noção de realidade, sem que sejam completamente extintas. A partir dos seis anos de idade espera-se que a criança ainda brinque com a imaginação, mas que fantasie bem menos. A mentira pode ser encarada como intencional a partir dos sete anos de idade, fase na qual a noção de realidade já está estruturada e a criança sabe diferenciar muito bem o que é mentira e o que é realidade. As crianças maiores podem mentir por vários motivos: temer castigos e repreensões, receber alguma recompensa, se isentar de culpas, fugir de responsabilidades, melhorar a auto-estima, chamar a atenção. Outro motivo que pode levar a criança a mentir é quando seus pais mentem. Os pais são os modelos mais importantes para as crianças. As crianças se espelham no comportamento de seus pais. Se os pais pedem que a criança minta ao telefone dizendo que não estão em casa, estão ensinando seu filho a mentir. Ou quando os pais deixam passar uma mentira de seu filho, também estão reforçando este comportamento, fazendo com que a criança encare a mentira como algo natural. Isto, no futuro se transforma no resfriado fictício para escapar da bronca da professora por não ter feito a lição, no automóvel de última geração que na verdade o pai não tem para chamar a atenção dos colegas etc. Percebemos que a criança aprende desde cedo a mentir quando seus pais a ensinam a não dizer quando acham a roupa da colega feia, ou quando não gostam de um presente de aniversário. Ou seja, à medida que começam a ampliar sua rede de relacionamento, as crianças são treinadas a contar algumas mentiras para não magoar o outro, inibindo sua espontaneidade. A partir daí, a criança aprende que necessita esconder o verdadeiro sentimento em algumas situações. Uma pergunta muito importante que surge é: e como os pais devem agir frente a tudo isto? Em primeiro lugar, os pais devem, sempre que perceberem uma mentira, pontuar a diferença entre a fantasia e a realidade, mesmo que a criança ainda seja pequena e não entenda essa diferença. A criança tem que saber que quando mente terá a desaprovação de quem o cerca, e que se fizer o contrário, ou seja, contar a verdade, será admirada. E que ao invés de castigar ou dar uma bronca, compete aos pais ensinarem os benefícios da verdade e os prejuízos da mentira. Isto porque as broncas e os castigos gerarão mentiras futuras com a intenção de fugirem disto. Quando a criança desenvolve um comportamento mentiroso freqüente que se estende muito além dos sete anos, os pais devem procurar ajuda profissional para compreender porque isto está acontecendo e receber as orientações necessárias. Isto porque após esta idade, o emprego freqüente de histórias fantasiosas pode revelar problemas sérios. Afinal, a fantasia neste caso pode não ser mais considerada uma mentira proposital, mas sim, uma fuga da realidade, como é o caso das psicoses em que a mentira vem em forma de delírios, devido a uma quebra de contato com a realidade. Ou ela pode surgir também na forma de uma compulsão, como se fosse uma dependência. Neste caso, a pessoa sabe que está mentindo, mas não consegue se controlar. Contudo, na maioria das vezes, a “imaginação fértil” das crianças indica um crescimento saudável, mas que exige a atenção de sempre.

Beatriz Guimarães Otero é psicóloga e psicoterapeuta junguiana*

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Economia doméstica

O A TARDE On Line publicou na última semana uma série de matérias sobre economia doméstica, que valem à pena ser conferidas. Logo abaixo, os links. Está aí uma coisa importante, aprender a equilibrar o orçamento doméstico, de forma a conseguir economizar e realizar, ainda que seja aos poucos, alguns sonhos. Ou, pelo menos, conseguir manter em dias o pagamento das contas. Com os juros altos, as dívidas multiplicam a cada mês. Espero que aproveitem!

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>> Planejar é a fórmula mágica para equilibrar o orçamento
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Larousse lança coleção que é uma “mão na colher”

cookMeninas, longe de mim querer que vocês virem “amélias” como aquelas de antigamente, que esquentavam a barriga no fogão e esfriavam no tanque, mas eu, particularmente, adoro cozinhar. Como sempre têm aqueles que mal sabem diferenciar uma frigideira de uma panela de arroz e há ainda os que nem sequer fritam um ovo, sempre surgem aqueles manuaizinhos de culinária que são literalmente uma “mão na colher”. Na medida do possível e do tempo corrido, adoro testar receitas. O lançamento mais recente na área é uma coleção em quatro volumes da Larousse do Brasil,  chamada Cozinha Passo a Passo, escrita pela americana Keda Black, que aprendeu a cozinhar com a avó. Vó é o canal quando se trata de aprender a cozinhar de forma gostosa e simples e passo a passo é o método, porque aprender a cozinhar exige uma certa dose de paciência digna de alquimista. A coleção da Larousse tem ao todo quatro títulos: Pratos Básicos, Confeitaria, Chocolate e Cozinha Italiana. O primeiro já está nas livrarias,  Pratos Básicos, que é para quem não sabe cozinhar nada, nem água fervida para dissolver nescafé, começar a experimentar a coisa pelo começo mesmo, fazendo receitinhas simples como molhos, um franguinho assado bem tenro, um arroz soltinho e coisas assim, cotidianas e deliciosas.

O volume Pratos Básicos apresenta 80 receitas indispensáveis e ilustradas, passo a passo. Sâo aqueles pratos do dia a dia que nunca saem de moda, adaptados ao gosto atual  como carne assada, frango assado, sopa de abóbora … e os  novos clássicos  como tajine de coelho, mussacá light, variações do molho pesto, entre outros. A coleção atende aos iniciantes, mas também traz umas novidades para os veteranos da gastronomia. Cozinhar é como andar de bicicleta, tem de praticar para ficar craque. As receitas são ricamente ilustradas, com textos curtos e objetivos. Não tem nada pior num livro de culinária do que autor gourmet que começa a falar difícil e deixa você completamente confusa.

Em seis capítulos você passeia pelos pratos clássicos, massas e arroz, carnes, peixes, legumes e sobremesas. Três índices ajudam o leitor na busca por tipo de prato, receita ou ingrediente. Já no glossário, há dicas de como escolher a melhor mozarela, como fazer um chantili, explica-se o que é o Tajine e que para fazer arroz-doce e risoto, por exemplo, é aconselhável escolher o arroz de grão redondo.

O caminho das panelas:

cozinhappCozinha Passo a Passo – Pratos Básicos

192 páginas

Autora: Keda Black

Fotografias: Frédéric Lucano

Tradução: Marcos Barboza

Editora: Larousse do Brasil

Preço: R$ 84,00

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Feira divulga sabedorias femininas

Aquele doce de tacho com o fio do açúcar no ponto exato. O trançado de fita ou sisal que vira tapete. Um bibelô em papel marchê,  as formas de cultivar a terra sem usar agrotóxicos, aquele xarope de agrião que cura qualquer tipo de tosse, uma cantiga, uma história…se for enumerar cada um dos conhecimentos que as mulheres “da roça” detém, precisarei de outros tantos posts só para publicar a lista. Muitas vezes, acreditamos que conhecimento é só aquele adquirido na escola, numa universidade. Mas existem práticas que passam de geração para geração, apenas através da experiência. Pensando em valorizar estas experiências que transcendem a educação formal, acontece em Salvador, neste final de semana, de 21 a 23, das 9h às 22h, no Jardim dos Namorados – orla, a I Feira Estadual de Economia Feminista e Solidária da Bahia.

Ao todo, 133 grupos produtivos de mulheres rurais e urbanas, oriundos de 50 municípios localizados no semi-árido, região do sisal, Irecê, Rio  São Francisco e Chapada Diamantina, vão expor os sabores do campo. Barracas com hortaliças orgânicas, derivados lácteos (requeijão, queijo caseiro – humm, que delícia!), compotas, doces, frutas beneficiadas, bebidas e comidas típicas, além de  artesanato em sisal e capim-dourado são algumas das atrações do evento.

Outras duas capitais já receberam a Feira Estadual da Economia Feminista e Solidária: Recife – PE, em junho de 2008, e Natal – RN, entre outubro e novembro do mesmo ano. Até 2010, serão realizadas feiras em mais quatro estados. Todas são resultado das ações do Programa de Organização Produtiva de Mulheres Rurais (POPMR)

Além de  dar visibilidade às atividades econômicas das mulheres participantes, as feiras configuram-se em rica troca de experiências produtivas e debates sobre organização do trabalho, economia solidária e desigualdade de gênero, entre outros temas. A capacitação profissional, inclusive com a realização de oficinas, também integra a programação das feiras estaduais.

A iniciativa é do Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais (MMTR/BA), Movimento de Organização Comunitária (MOC), Federação dos Trabalhadores da Agricultura (Fetag/BA) e da Rede de Produtoras da Bahia, com apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) , Incra e Companhia Nacional de Abastecimento (Conab/BA)

Serviço:
O quê: I Feira Estadual da Economia Feminista e Solidária da Bahia
Onde: Jardim dos Namorados (Pituba), em Salvador
Quando: de 21 a 23 de agosto, das 9h às 22h
A visitação é gratuita e o valor arrecadado com a venda dos produtos, além de ajudar no orçamento doméstico dessas mulheres – boa parte delas chefes de família – também possibilita que as associações rurais ampliem os cursos para outras mulheres, gerando assim uma rede cidadã.

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Crocs cria modelo Saffron para profissionais em saúde

A linha de calçados Crocs, presente em mais de 100 países, criou um exclusivo modelo feminino Saffron, ideal para profissionais da área de saúde. O calçado, que é reforçado e confortável, próprio para atividades do trabalho, será apresentado durante a Nova Equipotel 2009, considerada a maior feira de hotelaria e gastronomia da América Latina, que acontece de 14 a 17 de  setembro, em São Paulo.

A Crocs iniciou suas atividades a partir da ideia de criar modelos de calçado específicos para uso em barcos, com solados antiderrapantes e que não marcassem o deck. Só que os calçados coloridos, leves e confortáveis cairam no gosto dos fashionistas e a marca virou sinônimo de “descolado”. Veja outros modelos no site: www.crocs.com.br

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Overend chega a Salvador

Meninas,

Recebemos um e-mail bem bacana, informando sobre a chegada a Salvador da grife carioca de moda casual Overend. A franquia será inaugurada na expansão do Shopping Salvador, em setembro.  A marca já possui 21 lojas espalhadas por todo o País. Agora é a vez de brindar a capital baiana com modelos descontraídos, confortáveis, tanto para homens quanto para mulheres,  e que já foram parar inclusive em figurinos de novelas da Rede Globo.

Para dar água na boca, olha só o que vem por aí!!!


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Grupos de teatro de 10 países participam de festival na BA

Espetáculo Asterion, do grupo argentino La Fabrica Teatro, é uma das atrações do Filte / Crédito da foto: Divulgação
Asterion, do grupo argentino La Fabrica Teatro, é uma das atrações do Filte / Crédito da foto: Divulgação

A segunda edição do Festival Latino-Americano de Teatro da Bahia (Filte 2009), acontece de 4 a 13 de setembro, com a participação de grupos teatrais de dez países. Os objetivos do evento são estimular experimentações artísticas, possibilitar o intercâmbio cultural de artistas e pesquisadores,  promover a formação de plateia, além de construir um painel contemporâneo das artes cênicas na América Latina.

Os espetáculos do Filte 2009 vão acontecer no Teatro Vila Velha (Palco Adulto), Sala do Coro do Teatro Castro Alves (Palco Infantil) e Teatro Martim Gonçalves (Palco Nordestino). A programação pretende atender diversos públicos, inclusive com produções infantis. 
 
Com a participação de grupos de países como Bolívia, Colômbia, Cuba, Estados Unidos, Chile, Peru, Argentina e Equador, além dos brasileiros, o festival é composto por espetáculos inéditos em palcos baianos. 

Entre os grupos internacionais que se apresentarão no festival estão o Teatro La Candelária (Colômbia), El Ciervo Encantado (Cuba), Teatro de los Andes (Bolívia) e Teatro Malayerba (Equador), Teatro Avante (Estados Unidos), La Fábrica Teatro e Cia. El Pez Soñador (Argentina).  A participação especial ficará por conta da companhia Albanta Teatro de Cádiz (Espanha), com a peça Flores Arrancadas a La Niebla, com texto do argentino Aristides Vargas.

Dos grupos nacionais: Teatro Bagaceira do Ceará, Oco Teatro Laboratório, Groove Estúdio Teatral, Cia Rapsódia, Fraternal Companhia, Cia Finos Trapos e Mundo Miúdo.  

Discussões e oficinas – O Filte 2009 também abrigará o Núcleo de Laboratórios Teatrais do Nordeste (Nortea). Inédita, a iniciativa busca criar um circuito de discussão, estimular laboratórios sobre processos, estéticas e formas do fazer teatral entre grupos de teatro profissionais do Nordeste e de outros estados, estimulando a pesquisa e a constante procura por formas originais de expressão. Conferências, demonstrações de trabalho e apresentação de resultados artísticos irão compor as atividades do Núcleo.

Serviço:

II Festival Latino-Americano de Teatro da Bahia (Filte 2009)

Onde: Teatro Vila Velha, Sala do Coro do Teatro Castro Alves e Teatro Martin Gonçalves

Quando: 4 a 13 de setembro

Quanto: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia)

Realização: Oco Teatro Laboratório e Carranca Produções Artísticas

Visite o site da Filte: www.filte.com.br

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Marcia Ganem leva moda baiana até Paris

A estilista baiana Marcia Ganem (na foto ao lado) foi uma das 15 selecionadas para representar o Brasil na feira Prêt à Porter Paris, um dos principais eventos de moda do mundo. A edição Primavera-Verão 2010 do evento espera receber 44 mil convidados, entre os dias 4 e 7 de setembro na capital francesa.

As empresas brasileiras que participam da Prêt-à-Porter Paris representam os segmentos de beachwear (Fruto do Mar), moda feminina (Anamaria Montezano, Márcia Ganem, Doisélles, Sassafrás, Alessa e Piccolina´s), moda festa (Carmem Venzons) e fitness (CCM Sports). Algumas delas, como a Fruto do Mar, fabricante de moda praia, e a Doisélles, especializada em peças de tricô, fazem sua estréia na feira.

Outro destaque são as marcas brasileiras que integram o So Ethic, espaço dedicado às empresas sustentáveis e que tem tido cada vez mais destaque no evento. Algodão Colorido Natural, 1001 Retalhos, Tudo Bom?, Talentos do Brasil e Amparo Brasil estão entre as participantes.

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Artigo: Crianças hiperestimuladas, crianças felizes?

Recebemos um artigo muito interessante da psicoterapeuta Blenda Oliveira, doutora em psicologia clínica pela PUC – SP. Para quem tem filhos, é bastante esclarecedor. Confiram:

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Crianças hiperestimuladas, crianças felizes?

Blenda Oliveira*

O foco intenso na criança atinge seu auge por volta do século xv. Até a idade média, a infância não era valorizada. Quando desmamada, lá pelos 3 ou 4 anos, a criança passava a viver no mundo adulto. Não havia escolas formais e a família não era nuclear como agora. Na mesma casa conviviam pessoas de várias procedências.

Na idade moderna, junto com as grandes invenções, a revolução liberal e, mais tarde, com o iluminismo e a formação da burguesia, surge à infância. A criança passa a ser mais cuidada e os laços familiares se fortalecem. Pais e filhos são mais próximos e a criança passa a ser vista como um indivíduo que precisa de atenção e formação essencial.  A infância passa a se constituir como uma ideia de momento especial, uma idade de ouro. Logo se começava a perceber que valia a pena investir nesses seres tão pequenos e dependentes.

crianças brincando 2A infância surge no momento em que se decide deixar as crianças irem à escola, brincarem e serem crianças. Com a modernidade, a infância passa a ser mais estudada e vista como a época de formação.

Liliana Sulzbach (2000) em seu curta-metragem A invenção da infância retrata de uma maneira objetiva e profunda os conceitos de trabalho infantil, comparando as exigências em classes mais pobres e nas classes médias altas. As diferenças são cruciais, mas em ambas acompanhamos uma espécie de corte e de invasão nos territórios do mundo infantil. Crianças assumem funções inapropriadas à sua idade.

Uma criança do interior pobre do nordeste suspira ao dizer: “Que jeito tem? Tem que trabalhar…”. Enquanto a menina de classe media alta fala com um misto de satisfação e dúvida: “tenho hora para tudo! Tenho vida de adulto, mas é melhor assim!”, referindo-se à sua agenda lotada e, por vezes, pouco construída com base no seu desejo ou perfil, tal como o menino que suspira pela falta de alternativa e diz “tem que trabalhar!”.

Almejar para os nossos filhos o melhor dos mundos é perfeitamente compreensível, entretanto o objetivo que subjaz as práticas são questionáveis. Os pais, a pedido das escolas ou por expectativas próprias, tornam a rotina de seus filhos uma maratona desenfreada de cumprimento de tarefas. Os próprios pais não conseguem dar conta numa cidade como São Paulo de levar e trazer de um lado para outro seus filhos das mais diversas atividades.  O tempo acelera para os pequenos e passa a ser um bem de alto valor para eles.

Na ansiedade de fornecer aos filhos todos os recursos creditados como necessários ao desenvolvimento, os pais correm o risco de subverter os valores em função de ter filhos mais competitivos, mais preparados para enfrentar o futuro.

desenhos_blogNo meu dia-a-dia, como psicóloga, atendo crianças e converso com seus pais e com aqueles responsáveis pela vida escolar e ouço afirmações como: “meu filho é muito inteligente”, “é incrível a capacidade dessa criança captar todas as coisas”, “é uma criança brilhante, mas que por algum motivo não vai bem na escola”, “meu filho tem uma inteligência acima da média, mas não tem amigos e não se relaciona”, “ele é um atleta nato, tem um talento surpreendente”  ou, o contrário, “ele é lento para fazer as atividades”, “não tem noção do tempo”, “não consegue se organizar com as lições”, “se distraí com facilidade” e  tantas outras afirmações que nos fazem pensar: qual o elo dessa cadeia que se perdeu?  O que será que tem levado as crianças mais e mais a profundos estados de tristeza, insônia, hiperatividade e déficit de atenção?

Felizmente hoje temos um repertório de conhecimentos vindos da medicina, psicologia, neurociência, que faz toda diferença para conhecermos a etiologia de alguns quadros e poder tratá-los. Fato que há 50 anos era incomum e, portanto, as providências de tratamento eram precárias.

Assim, não podemos somente atribuir à vida corrida que levamos o aparecimento dos distúrbios da infância. Sem dúvida, os fatores do dia-a-dia como violência, exigências competitivas, acesso fácil aos meios de comunicação e diminuição do tempo de infância, contribuem para aumentar quadros antes mais freqüentes na idade adulta.

O custo de compor uma família também é alto. Preparar os filhos tornou-se um grande e complexo investimento. Pais trabalham incansavelmente para manter seus filhos, para assegurar que recursos não lhes faltem. Na outra ponta temos crianças exigidas e cansadas, com pouco aproveitamento do tempo para brincar e aprender na escola.

O que seria esperado? Não oferecer as possibilidades de aprendizagem? Não, absolutamente.  Talvez o elo que precisamos encontrar em nosso dia-a-dia como pais seja o cultivo pelo aprender, pelo estudar e pelo conhecimento. Aprender não é um processo de cumprimento de tarefas, mas sim um processo de descobrir coisas novas, todos os dias, das mais simples às mais complexas.

Oferecer os recursos a partir da convicção de que mais do que resultados, esperamos que pais e educadores ajudem nossas crianças a criarem ideais construtivos.  Nem sempre as crianças têm idéia do processo no qual estão envolvidas, quais são as etapas de todo e qualquer aprendizado. Empenho, dedicação, perseverança são valores pouco sublinhados nos processos de aprendizagem.

*Blenda Oliveira é diretora da Casa Movimento – www.casamovimento.com.br -, doutora em psicologia clínica pela PUC-SP, psicanalista pela Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo – SBP-SP -, além de psicoterapeuta.

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Acupuntura sem mistérios

AcupunturaVerdade é que muitos de nós nos submetemos a vários tratamentos por modismo. Hoje em dia, então, que a medicina chinesa está em voga, quantos não acabam parando em consultórios porque acham “bacana”, ou até “exótico”? É importante conhecer os métodos, ler sobre eles, até para que você possa criar a sua concepção própria, para que saiba o que está fazendo e por quê. Eu tenho passado por sessões de acupuntura há algum tempo e sinto os resultados positivos. Não preciso mentir para vocês. No início estava bastante cética quanto aos efeitos do tratamento, até começar a perceber os primeiros resultados. Foi depois do início do tratamento que nasceu a curiosidade de compreender melhor o assunto. Aqui, divido os resultados da minha pesquisa sobre a acupuntura.

Historicamente, os primeiros escritos sobre a utilização da acupuntura como tratamento terapêutico são datados de 90 a.C. A sistematização, no entanto, foi trazida pelo “Nei Ching”, que falava de pontos específicos como locais de estímulo, dos canais, e das associações entre os canais e órgãos do corpo humano. O livro, no entanto, recebe algumas críticas por apresentar contradições e conceitos antagônicos. Os estudiosos acreditam que a publicação tenha sido resultado de um trabalho de vários autores de épocas diversas. Com o “Nan Ching”, regras e procedimentos são definidos, os mesmos utilizados até hoje. No Ocidente, desde 1255 já se falava Acupunturana “forma exótica de medicina praticada pelos chineses”. De lá para cá, houve a popularização da técnica, culminando com sua utilização corriqueira em clínicas e consultórios especializados. Hoje, inclusive, já tem até plano de saúde que cobre o tratamento médico pela acupuntura.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define a acupuntura como tratamento complementar. É a aplicação de agulhas em pontos específicos do corpo, com objetivos terapêuticos. A técnica consiste no estímulo de pontos e meridianos que percorrem o corpo, e pode ser adotada simultaneamente a qualquer outro tipo de tratamento médico, homeopático, alopático, fitoterápico etc.  No Brasil, a acupuntura começou a ser utilizada em meados do século XX, trazida por imigrantes orientais. No início da década de 50, passou a ter uso geral. Através da acupuntura é possível restaurar o bom funcionamento do organismo, por meio da manipulação da energia do corpo, sem uso de medicamentos. É uma forma de equilibrar, harmonizar a energia do corpo, para tratar a doença. O estímulo é feito com as agulhas porque os pontos são bastante específicos e para alcançar os objetivos é imprescindível que este estímulo seja preciso.

Ideograma do Qi
Ideograma do Qi

O Qi, conceito fundamental da cultura tradicional chinesa, é a energia que circula por nosso corpo. Essa energia comanda todo o funcionamento do nosso corpo. As doenças são desequilíbrios dessa energia. Então, para que possamos melhorar, precisamos reaver este equilíbrio. É o que a acupuntura faz. Os pontos da acupuntura estão dispostos sobre meridianos, que são os caminhos por onde percorre a energia Qi. Cada órgão possui seu próprio meridiano, e cada meridiano tem pontos cutâneos diversos, cada um com uma função específica. Inserir uma agulha em um destes pontos significa estimular a energia ali contida, provocando reações bioquímicas no organismo.

Normalmente os acupunturistas localizam estes pontos manualmente, através do toque. A tecnologia, no entanto, já avançou a ponto de hoje termos um aparelho eletrônico que identifica estes pontos. Ao ser encostado na região da pele correspondente a um ponto da acupuntura, o aparelho emite um som agudo. Se encostado em uma região que não seja meridiano da acupuntura, não há emissão de som. Hoje em dia há até tratamento de acupuntura sem agulhas, com o uso de um laser. Neste último caso, o estímulo é feito através da absorção da radiação luminosa pelas células do ponto cutâneo trabalhado.

Sementinhas – Várias pessoas se perguntam o que são as tais sementinhas que os acupunturistas colocam na orelha dos pacientes. Para esclarecer, são sementes de mostarda, e integram a acupuntura auricular. Ela deve ser trocada uma vez por semana, também sendo colocadas em pontos estratégicos, a depender da doença a ser tratada nas sessões. Só na orelha, são mais de 200 pontos correspondentes a partes específicas do corpo. Além das sementes, o estímulo dos pontos na acupuntura auricular pode ser feito também com esferas e com as próprias agulhas.

É importante ressaltar que o tratamento não é doloroso. A gente não sente as agulhadas, apenas uma pontadinha muito fraca, e é bastante relaxante. O mais incrível de tudo é que, para mim, que entrei meio cética no processo, acabei virando uma fã de carteirinha do procedimento. Particularmente senti muita melhora nos pontos que foram tratados, principalmente em relação a uma rinite alérgica que me perseguiu por toda a vida. Agora, claro, é preciso ter muito cuidado na escolha do médico. Até porque não dá pra achar que colocar agulhas pelo corpo não traz riscos. Uma matéria publicada pela Folha Online fala justamente sobre isso, já que o procedimento envolve a inserção de agulhas em locais onde há terminações nervosas.

Portanto, é de suma importância buscar um profissional que seja gabaritado, antes de qualquer coisa. Conversar com ele sobre a técnica, tirar todas as dúvidas, e só a partir daí, dar início ao tratamento. E para quem já fez ou faz acupuntura, mandem seus relatos pra gente. Essa troca de informações acaba sendo fundamental também.

Para os mais curiosos:
>> Sobre acupuntura tradicional
>> Sobre acupuntura com raio laser
>> Medicina tradicional na OMS (em inglês)
>> Associação brasileira de acupuntura
>> Acupunturabrasil. org (blog com tudo sobre as teorias, tratamentos, diagnósticos etc)
>> Conheça os meridianos (canais de energia)

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