Recebemos emails de leitoras que descobriram o blog pesquisando sobre temas de seu interesse na internet: uma professora de dança, que trabalha com inclusão social e arte-educação junto a adolescentes de Sussuarana, bairro popular de Salvador; e uma leitora que pede às autoridades que incluam Santo Amaro da Purificação e o recôncavo baiano nos roteiros turísticos da Bahia, dividiram conosco suas experiências. Ficamos felizes em ver que os textos do blog têm ajudado na reflexão tanto da condição feminina na sociedade quanto em temas que reforçam as noções de cidadania, a busca por cultura de qualidade e de acesso a todos, o combate aos preconceitos. Como dissemos no post de apresentação do Conversa de Menina, as mulheres podem discutir qualquer assunto com propriedade – não que com a isso a gente desmereça as opiniões masculinas, adoramos quando vocês participam meninos! – mas é que, historicamente, o cotidiano sempre foi o território das mulheres. Dividimos com vocês, meninas e meninos, que nos brindam diariamente com sua presença, os textos que recebemos de Tainã e de Mirela. E se você também quer entrar no debate, deixe um comentário ou mande email para [email protected]. Vamos papear!
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Olá meninas!!
Gostei muito da postagem sobre a mulher fruta. Estou ministrando oficinas de dança num projeto social no bairro de Sussuarana aqui em Salvador e um dos objetivos é a conscientização e mesmo a reflexão sobre as informações que a mídia transmite a respeito do corpo e da dança. Tal assunto surgiu da observação do próprio comportamento dos alunos e alunas, que inspirados no pagode, traziam para sala movimentações e letras que me impressionavam pelas sua conotações sexuais tão bem comunicadas em corpos tão jovens. Eu conheço o pagode, danço-o e canto-o sem preconceitos. No entanto tenho a clara noção do que cada gesto ou cada palavra cantada com dicção péssima, diga-se de passagem, quer falar. No entanto, me pergunto se esses meus alunos(as) têm essa noção, de que estão dançando por causa do ritmo ou da moda ou mesmo por resenha. Já fiz essa pergunta e o silêncio de alguns me incomodou. Eu quase não entendo o que os cantores dizem na letra, entretanto minhas alunas sabem de cor, até mesmo as partes mais emboladas e rápidas das músicas; então penso: elas têm consciencia do que estão ouvindo!
Dancei a música “Ela é dog” e pedi que me dissessem o que eu estava querendo dizer com aqueles movimentos e as meninas responderam: “Tá dizendo que tá com fogo”. Com essas palaras e sem pensar duas vezes, resposta imediata!
Apesar de todo o esforço em conscientização, dos gestos e da própria expressão corporal, ainda não consigo ver grandes mudanças a respeito do pensamento critico sobre as informações que a mídia transmite. Tenho receio de não conseguir! São tantos assuntos a tratar, tantas reflexões a fazer e tão pouco tempo. Estamos agora tentando colocar esse pensamento reflexivo que criamos durante as aulas, numa coreografia que possamos apresentar para toda a comunidade, mostrando-os que a dança também pode dizer alguma coisa e que isto que vamos dizer foi uma etapa vivida em sala de aula.
As dificuldades agora são em estimulá-los à criação da dança que comunica e não a repetição de passinhos acoplados a um ritmo.
Nunca tinha ouvido falar da festa do Bembé do Mercado. Admito estar mal informada, mas o meu desconhecimento também não seria pelo pouca divulgação que se faz das manifestações culturais que acontecem fora da capital?
Concordo quando disseram que a cidade de Santo Amaro está mal cuidada e ela não é a única do Recôncavo nessa situação. Seria bacana ver o Recôncavo como um rota de turismo tão procurada quanto a Chapada Diamantina, a Costa do Dênde, a Costa dos Coqueiros dentre outras. Para isso bastaria vontade e empenho do Governo do Estado.
Mirela, leitora preocupada em resgatar a importância turística do recôncavo
Na segunda-feira, 25 de maio, é comemorado o Dia Nacional da Adoção. A proximidade da data é uma oportunidade para que nós, sociedade, promovamos uma reflexão sobre a importância do tema. Adotar significa assumir as responsabilidades de pai e mãe. Mais do que isso, adotar significa aumentar o número de membros da família, ter mais alguém a quem dar amor, educação, saúde, respeito e dignidade. Se não é possível ganhar o afeto instantâneo da maternidade, a criança tem a chance, com a adoção, de obter o mesmo sentimento, por meio da maternidade socioafetiva. Os pais adotivos não geram aquela criança no sentido biológico da palavra. Mas já há muito tempo convivemos com a teoria de que pai e mãe são aqueles que criam, que educam.
Imagine o que deve ser viver sem o amor familiar justamente durante a infância? É a fase em que formamos o nosso intelecto, construímos nossa personalidade. Certa vez estava assistindo a uma palestra sobre a maioridade penal, quando uma das palestrantes explicou que o efeito de um ano de apreensão de um adolescente infrator em uma instituição especializada equivalia a cinco anos de prisão de um adulto. Como assim? Simples. A infância e adolescência são fases de formação, de vulnerabilidade. Os efeitos da forma com que as crianças são criadas, do ambiente social e familiar em que vivem terão reflexos lá na frente, quando tornarem-se adultos. A gente às vezes não dá muita importância a essa questão. Costumamos até nem pensar no assunto. Mas e se você começar a se preocupar com isso a partir de agora?
A Constituição Federal de 1988 merece aplausos ao colocar um ponto final na distinção entre filhos biológicos e aqueles adotados. O art. 227, § 6º, determina que “os filhos havidos ou não da relação de casamento, ou por adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação”. Ou seja, biológico ou adotado, todos são filhos, com direitos e garantias iguais. Também merece reverência o Estatuto da Criança e do Adolescente, que além de garantir de forma expressa o princípio da proteção integral da criança e do adolescente, reafirmou a igualdade de direitos entre filhos adotados e biológicos, em seu art 20. A norma também regulamentou o processo de adoção.
Em 29 de abril de 2008, o Governo Federal lançou o Cadastro Nacional de Adoção, um sistema de informações alimentado pelo Conselho Nacional de Justiça e demais órgãos autorizados, para atender o anseio social da desburocratização do processo, uniformizando os bancos de dados em todo o Brasil e racionalizando os processos de habilitação de pessoas interessadas em adotar crianças. E, para ajudar a esclarecer as dúvidas destas pessoas que sonham em dar um futuro melhor a uma criança, a Associação dos Magistrados Brasileiros lançou uma campanha há algum tempo, intitulada Mude um Destino. O mais legal é que, como medida da campanha, foi divulgada uma cartilha detalhando os passos necessários para encarar um processo de adoção no Brasil.
Mais importante neste momento não é decidir adotar alguém, mas colaborar para diminuir o preconceito que ainda permeia este ato de amor. O gesto da adoção gera temor, medo e receio em muitas pessoas, preocupadas com a “índole” da criança, com a “genética”. Esquecem estas pessoas que não há qualquer pesquisa científica que sustente tais preconceitos. Mas eles acabam disseminados por pessoas que sequer pesquisaram sobre o assunto, antes de alarmar um outro alguém sobre estes medos. Por que não procurar um especialista e conversar diretamente com ele? Por que não esclarecer as dúvidas antes de alardear aos quatro cantos afirmações que você não tem como comprovar, porque criar uma atmosfera de pavor antes de mesmo de desconstruí-la?
======================== Você sabia… >>> Que apenas 15,5% das pessoas entrevistadas em uma pesquisa feita pela Associação dos Magistrados Brasileiros em 2008 demonstraram interesse em adotar uma criança ou adolescente? Veja a pesquisa completa.
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Na dúvida, não confie apenas no seu instinto. Procure instituições especializadas, converse com pais adotivos, esclareça. Não vamos marginalizar um ato tão generoso por desconhecimento. E, se você mora em Salvador, pode começar a mudar essa concepção já nesta segunda-feira mesmo. Se você já pensou, por um segundo qualquer de sua vida – ou apenas tem curiosidade sobre o assunto – na possibilidade de adotar uma criança, que tal comparecer às 9 horas ao auditório do Isba, em Ondina, para ouvir o depoimento de pessoas que adotaram crianças fora do perfil normalmente desejado pelos pretendentes? A ideia do evento é exatamente desconstruir os preconceitos. E você pode tirar dúvidas antes de ir ao evento, por meio do telefone (71) 3203-9345.
Conversa de Menina abre espaço para divulgar um serviço de utilidade pública…
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A associação Baiana de Parkinson e Alzheimer (ABAPAZ – clique aqui para conhecer o site) oferece serviço de apoio psicológico aos familiares e pacientes do Mal de Parkinson e Mal de Alzheimer. O atendimento é gratuito e acontece mediante agendamento prévio. A responsável é a psicóloga Taya Soledade, especialista em neuropsicologia, psiconeuroimunologia e clinica psicanalítica.
Durante as sessões, acontece avaliação das dificuldades e limitações no processo da doença e as alterações emocionais, ansiedade, depressão e isolamento social tanto do paciente quanto os efeitos da doença na família. O acompanhamento psicológico é feito em parceria com o Serviço de Psicologia da Faculdade Ruy Barbosa.
O tratamento trabalha a aceitação da doença; convívio com as perdas – limitações; enfrentamento da elaboração das perdas, mudanças; assumir novos papéis, inversão de papéis – mudanças; compreender sentimentos e emoções – expressão e elaboração de sentimentos; identificação – sentir-se apoiado e compreendido (preconceito); incentivo ao não isolamento; auxilia na reestruturação: estilo de vida, escala de valores, forma de enfrentamento da nova vida; incentiva a organização da nova vida – promoção de autonomia; investimento na melhoria dos relacionamentos familiares; e aumento da auto-estima e repertório social.
Serviço:
Para marcar as sessões é preciso agendar uma entrevista inicial através dos telefones (71) 3334 2021 e (71) 3334 5925
A Faculdade Rui Barbosa fica localizada na rua Monte Conselho nº 53, Rio Vermelho – próximo ao antigo Mercado do Peixe, junto à Delegacia de Polícia do Rio Vermelho
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Outra iniciativa da ABAPAZ é a Oficina de Revitalização da Memória, atividade sócio-educacional, que previne predisposição ou desenvolvimento da depressão. A Oficina, também gratuita, é ministrada pela terapeuta Lourdinha Cardoso e tem como base o método francês Ramain, que através de exercícios, trabalha os aspectos motores, cognitivos e emocionais. O objetivo é exercitar o potencial da mente, da emoção e da estruturação das idéias. Proporciona ao participante melhoria no desempenho cognitivo e social.
As oficinas ocorrem às segundas-feiras, das 14:00h às 16:00h
As mamães ou futuras mamães que moram em Salvador ou estarão pela capital baiana no dia 05 de junho poderão se inscrever gratuitamente no curso “Mãe de Primeira Viagem”. Pois é, meninas. Recentemente, falamos aqui sobre a sensação de, repentinamente, ver uma criança sorrir e chorar em seus braços. Para tentar amenizar as surpresas desse momento tão sublime, o curso vai dar dicas de aleitamento materno, manipulação correta do recém-nascido e exercícios para gestantes. As inscrições estão abertas e podem ser feitas na sede da Faculdade Dom Pedro II, de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (71) 8848-9097 .
| Serviço |
Curso: “Mãe de Primeira Viagem”
Local: Faculdade Dom Pedro II – Av. Estados Unidos, 20, Comércio (veja como chegar, pelo google maps)
Tel: 3418-7272
Data: 05 de junho, 14h
Inscrição: gratuita, até 4 de junho, das 9hàs 18h, na sede da instituição
Para quem gosta de uma boa ficção baseada em fatos reais – e de onde é que os autores tiram inspiração senão da vida? – três lançamentos chegam às livrarias nesta sexta, 22. Dois dos livros falam de dramas femininos vividos em meio a conflitos políticos e sociais que marcaram o século XX e o terceiro, em memória dos 70 anos do início da II Guerra Mundial, narra a história do confronto pelos olhos de um menino. Confiram:
A chuva antes de cair
A chuva antes de cair, novo romance de Jonathan Coe, consagrado escritor britânico da nova geração e também autor de A casa do sono, conta a história de três gerações de mulheres de uma mesma família, cujos destinos são traçados desde o interior da Inglaterra durante a II Guerra Mundial, passando por Londres, Toronto e o sul da França na virada do novo século. O livro retrata a natureza fugaz do amor e da felicidade e traz uma interessante investigação sobre o legado de caráter passado de uma geração à outra.
À beira da morte, uma mulher de 73 anos decide deixa de herança para uma menina cega, a descrição de 20 fotos do álbum de família que quando reunidas contam a história de uma tragédia do passado que entrelaça três gerações de mulheres.
Ficha técnica:
A chuva antes de cair
Autor: Jonathan Coe
Tradução: Christian Schwartz
Editora Record
256 páginas
Preço sugerido: R$ 29,00
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Lago sem nome
Na autobiografia Lago sem nome, Diane Wei Liang dá seu testemunho dos acontecimentos históricos e pessoais vividos por ela durante o movimento pela democracia que terminou com o massacre da Praça da Paz Celestial, em Pequim, fornecendo um inestimável retrato social e político da China contemporânea. Trata-se do relato de uma jornada pessoal, uma história sobre amor e política, que vai da Revolução Cultural ao cenário definidor do país no fim da década de 1980. A autora Diane Wei Liang, que nasceu em 1966, narra sua vida antes do Massacre de Tiananmen – que completa 20 anos no dia 4 de junho –, quando precisou se mudar para os Estados Unidos. Da infância em um campo de trabalho numa região remota da China e sua ida para a universidade ao engajamento em questões políticas, que mudaram sua vida e a de seus amigos, culminando no terrível massacre de estudantes na Praça da Paz Celestial.
Biyi Bandele, um dos cinquenta maiores autores da África, apresenta a comovente história de um menino africano tentando sobreviver à II Guerra. No inverno de 1944, a Grande Guerra entra em seu estágio decisivo. Ali Banana, ex-aprendiz de ferreiro, está atrás das linhas inimigas, cruzando a selva de Burma, como soldado da Brigada Thunder. Mas a selva é um lugar traiçoeiro, dominado por atiradores japoneses, emboscadas e doenças. Quando chuvas torrenciais transformam o cenário em uma mortífera armadilha de lama, as baixas se acumulam. Exaustos e longe de casa, os homens se veem cercados…
Burma, hoje Mianmar, se tornou ponto estratégico no cenário do sudeste asiático durante a guerra. A administração britânica ruiu frente ao avanço das tropas japonesas, prisões foram abertas e a capital, evacuada — com exceção dos anglo-burmaneses e indianos que permaneceram em seus postos. Mais de 300 mil pessoas fugiram pelas selvas até a Índia. Biyi Bandele é filho de um veterano da campanha de Burma. E é nas memórias do próprio pai que buscou a inspiração para contar a história da retomada do país.
O Conversa de Menina abre espaço para divulgação da Feira Saúde da Mulher, que acontecerá na quinta-feira, dia 28, na Boca no Rio, com oferta de serviços gratuitos à população. Abaixo, material de divulgação encaminhado ao blog pelos promotores do evento.
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A Faculdade Regional da Bahia (UNIRB), em parceria com o Distrito Sanitário da Boca do Rio (DRSB) – da Secretaria Municipal de Saúde, realiza no próximo dia 28, quinta-feira, das 8 às 16h, a Feira- Saúde da Mulher. O evento, aberto à população, será realizado nas quadras de esportes da Boca do Rio, em frente ao MultiShopping.
A iniciativa irá oferecer atendimento gratuito em especial aos cuidados com a saúde e bem-estar feminino. A Feira vai integrar diversos cursos de graduação da UNIRB, entre eles, Enfermagem, Educação Física, Biomedicina, Fisioterapia, Nutrição, Serviço Social, Administração e Direito.
Dentre os serviços oferecidos estão teste de glicemia, aferição da pressão arterial, avaliação postural, eletro-cardiograma e eletro-encefalograma, avaliação do índice de massa corpórea e atividades físicas. Além desses benefícios, a comunidade ainda vai poder contar com atendimento dos profissionais de Serviço Social, assim como atendimento gratuito do Núcleo de Prática Jurídica (NPJ), realizado pelos estudantes da UNIRB sob orientação dos professores/advogados do curso de Direito, em parceria com a Delegacia das Mulheres – Superintendencia Especial de Políticas para as Mulheres.
Uma linha de ônibus sairá do Posto de Saúde da Boca do Rio até o local do evento. A comunidade será ainda orientada sobre a saúde bucal e cadastramento de cartão SUS, além do posto de vacinação.
Quem quiser também cuidar da aparência, poderá cortar os cabelos, dentre outros serviços.
No dia 1º de setembro de 2009 estaremos completando 70 anos do início da Segunda Guerra Mundial. A tentativa de Adolf Hitler de implantar uma nova ordem na Europa, baseada em princípios nazistas que defendiam, dentre outros, a superioridade germânica e a supressão de direitos individuais e das liberdades, deixou mais de 70 milhões de mortos. Bem, a história da Segunda Guerra e suas consequências deixaremos para tratar mais adiante (isso é uma promessa!!!). Por enquanto, a nossa proposta é que vocês comecem a entender melhor o assunto, a partir da leitura de algumas obras que recomendamos a seguir.
Stálin, os nazistas e o Ocidente – a Segunda Guerra Mundial entre quatro paredes (Laurence Rees)
História da Segunda Guerra Mundial (r.a. c. Parker)
Segunda Guerra Mundial: relações internacionais do século 20 (Paulo Gilberto Fagundes Vizentini) Segunda Guerra Mundial – 1931 / 1945 (Paulo Vizentini)
São apenas quatro livros, a princípio. E aí, lá para o mês de agosto, teremos bastante material para discutir!!! À leitura, meninos e meninas!
Mais dois bons lançamentos para quem pensa em presentear filhos ou sobrinhos com livros. Vale a dica ainda para professores que querem dar aquele diferencial nas aulas, incentivando seus alunos a exercitar o saudável ato de debater e respeitar ideias e opiniões divergentes. Confiram:
Entre a cruz e a estrela – uma criança e duas religiões
Max é personagem principal desta história que fala sobre como é viver numa família formada por pessoas de duas religiões: o Cristianismo e o Judaísmo. A história começa no Natal e passa por outras datas festivas, como a Páscoa, comemorada de maneiras diferentes nas duas religiões. Personagens adultos, como os pais e os avós de Max, ajudam-no a entender estas diferenças. A história explica também alguns termos específicos de cada religião e traz às crianças uma reflexão quanto a importância de saber conviver com qualquer tipo de diferença. A autora, a psicóloga Maria Taliba Chalfon se inspira na história da própria família, formada por judeus e católicos.
Ficha técnica do livro:
Entre a cruz e a estrela – Uma criança e duas religiões
Autora: Mariana Taliba Chalfon
Ilustrações: George Acohamo
26 páginas
Preço sugerido: R$ 24,90
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O Brasileiro Voador
O Brasileiro Voador foi publicado originalmente em 2001. No livro, relançado pela Record, o autor Márcio Souza reconta a história de Alberto Santos Dumont, desde a chegada em Paris até o vôo no 14-Bis. O livro acompanha a trajetória do pai da aviação, unindo momentos marcantes a acontecimentos históricos, com narrativa leve e bem-humorada. Ótima leitura para adolescentes e adultos.
Mestre em recontar a história do Brasil, Márcio Souza cria um divertido álbum de recortes que une os momentos marcantes da vida de Santos Dumont aos principais acontecimentos da época em que viveu o pai da aviação.
Sobre o personagem
Em 1893, o mineiro Alberto Santos Dumont chega a Paris. De francês, tem apenas um sobrenome e alguns parentes. Leitor voraz de Julio Verne na infância, ele renuncia a uma vida confortável como herdeiro de uma fazenda de café em Ribeirão Preto, para conquistar, na Europa, o ar. Financia seu primeiro voo de balão; mais tarde, passa a construir seus próprios dirigíveis. A bordo do No 6, contorna a Torre Eiffel, num episódio que assombra Paris, rendendo-lhe um prêmio de cem mil francos. Seu nome vira manchete de jornais e seu hangar torna-se tão concorrido quanto os ateliês de pintores da época. Ao contrário do irmãos Wright, que realizavam voos isolados, Santos Dumont fazia aparições públicas, atraindo as multidões. Em 1906, o lacônico inventor alça o voo mais alto de sua carreira. Conduzindo um aparelho motorizado mais pesado que o ar, o célebre 14-Bis, torna-se o primeiro homem a voar por seus próprios meios. Apesar da fama, Santos Dumont sentia-se um incompreendido, tanto no Brasil, quanto na França. Ao destruir seus diários, tornou sua vida pessoal ainda mais nebulosa para a posteridade. Os rumos industriais que a aviação tomou não correspondiam exatamente às suas previsões. Desiludido, o inventor morreu em 1932.
Sobre o autor
Márcio Souza nasceu em Manaus em 1946. Formado em Ciências Sociais pela USP, começou a vida profissional no cinema, como crítico, roteirista e diretor. Tem ainda uma sólida carreira de dramaturgo. Seu primeiro livro foi Galvez Imperador do Acre, de 1976. A carreira como escritor já conta com mais de vinte títulos, entre eles Mad Maria (livro que deu origem à minissérie da TV Globo).
Ficha técnica do livro:
O brasileiro voador
Autor: Márcio Souza
Editora: Record
304 páginas
Preço sugerido: R$ 42,00
Indiana Jones, vivido pelo ator Harrison Ford. Ícone que mistura o arqueólogo aventureiro e o caça tesouros das brincadeiras da infância
Tenho uma paixão declarada por casarões antigos e objetos do passado. Alma nostálgica, definiriam alguns. Não nego, sou mesmo saudosista. Mas o que me move é uma curiosidade imensa sobre a origem das coisas. Museus para mim são o que há de mais interessante. Impossibilitada de viver as aventuras de Indiana Jones, ou mesmo de escavar tumbas no Egito (quando era criança queria ser arqueóloga), resta a visita a esses pequenos templos que guardam pedaços da memória da cidade, do país, da trajetória da humanidade. E quando o museu em questão está instalado em um imponente casarão do século XVII, mas reúne obras de diversas gerações de artistas, o passeio se torna ainda mais fascinante. O Solar do Unhão é um dos casarões coloniais mais belos de Salvador. Construído no sopé de uma montanha, debruçado sobre o mar da baía de Todos os Santos. É neste cenário de filme que funciona o MAM-BA (Museu de Arte Moderna da Bahia) e é lá também que na semana de 17 a 23 de maio, uma programação cultural de tirar o fôlego comemora a Semana Nacional dos Museus. Se você é de Salvador e compartilha essa mesma paixão por entender o significado das coisas, vá ao MAM e a todos os outros museus da capital sempre que tiver oportunidade. Se não é baiano, frequente os museus da sua cidade. Você vai gostar muito do que vai ver.
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Horário extra
O MAM-Ba vai funcionar de 17 a 22 de maio até às 20h e no dia 23, até às 21h. O horário foi esticado para que dê tempo de desfrutar a rica programação elaborada para a Semana dos Museus. Além disso, o MAM vai abrir nesta segunda-feira, 18, dia em que tradicionalmente está fechado.
Palestras, visitas programadas, o circuito de arte eletrônica Zona Mundi, apresentação de Djs, a exposição Caribé – 70 anos de Bahia, a mostra fotografica Lugar de Ausência e a mostra Nuancier – em alusão ao ano da França no Brasil, são algumas das atividades programadas. Confira os detalhes, agende-se e divirta-se:
Novas atrações na mostra Caribé
Iaôs, mosaico de Caribé à mostra no MAM
Esculturas, pinturas, desenhos, gravuras, ilustrações e registros de Carybé estão presentes na exposição em cartaz até o dia 31 de maio. A mostra comemora os 70 anos da chegada de Caribé à Bahia e integra a programação de 50 anos do MAM. Carybé teve participação ativa, ao lado de Lina Bo Bardi e Mário Cravo, no projeto de implantação do museu, cujo acervo conta com importantes peças suas, a exemplo de pinturas, desenhos, gravuras, painel e serigrafia, além do gradil e portal de entrada do Parque das Esculturas, reunindo mais de 20 obras.
A mostra Carybé ocupa os dois andares do Casarão e a Galeria 1 do MAM. Além das mais de 200 obras em exposição, os visitantes podem ainda participar da Rota Caribé, um passeio cultural por pontos de Salvador onde existem obras do artista. As saídas ocorrem de terça a domingo, de 19 a 31 de maio, das 14h30min às 17h. São percorridos locais como Praça Castro Alves, Av. Carlos Gomes (Ed. Bradesco), Campo Grande, Iguatemi e Assembléia Legislativa.
Durante a Semana dos Museus, dentro da programação da exposição Caribé – 70 anos de Bahia, ocorrerá ainda o seminário “Encontro com Carybé”, em que amigos e colaboradores do artista reúnem-se para dar depoimentos ao público, abordando questões de interesse específico de estudantes de artes, história, artistas, museólogos, e demais interessados pela Bahia e sua cultura. Participam do seminário: Nancy Bernabó, Solange Bernabó, Ramiro Bernabó, Mario Cravo, Gilberto Sá e José Barrero, entre outros. Há ainda uma programação extensa de filmes dentro do Circuito de Cinema Carybé. Veja aqui no Cineinblog a programação.
Mostra Lugar de Ausência
Imagem da exposição Lugar de Ausência
Exposição individual da fotógrafa baiana Valéria Simões, até 31 de maio, na Galeria Subsolo e na Galeria 3. Traz o conjunto de 30 fotografias e um audiovisual sobre questões recorrentes da vida contemporânea. As imagens foram colhidas ao longo dos dois últimos anos, em diversas cidades do interior da Bahia e no Centro Histórico de Salvador.
Nuancier
Organizada pelo artista plástico e designer francês Pierre David, a mostra poderá ser visitada até 31 de maio. O projeto faz parte das comemorações do Ano da França no Brasil – 2009, organizado pelo Comissariado Geral Brasileiro, Ministério da Cultura e Ministério das Relações Exteriores. Montada na Capela do MAM, Nuancier é a terceira parte de uma trilogia que trata da mesma questão: o que determina a escolha de um modelo? Nesta exposição, o critério de escolha dos modelos baseou-se na cor da pele. No projeto, as peles de quarenta modelos foram fotografadas e reunidas em um clássico catálogo de cores. Um fabricante de tintas determinou industrialmente as fórmulas químicas de cada cor de pele. A exposição também é composta da série Ícones, que traz gravuras de crânios trepanados (trepanação é o processo de realizar furos no crânio com objetivo medicinal); e gravuras de catástrofes de amplitude global, a exemplo do 11 de setembro, da bomba de Hiroshima, do assassinato do presidente Kennedy, dentre outros. A idéia é abordar o tema da morte, reinterpretando imagens do sagrado. Dentro da montagem, o artista desenvolveu também trabalhos usando símbolos religiosos.
Mesa Redonda: A Memória e o Espaço Museal
No dia 19 de maio, a partir da 14h, o Núcleo de Arte e Educação do MAM realiza a mesa redonda: A Memória e o Espaço Museal, com o professor de arquitetura da UFBA, Nivaldo Vieira de Andrade Junior e com a professora de História da UNEB, Suzana Maria de Sousa Santos Severs. Os especialistas vão abordar, como tema central, o museu e sua relação com a memória, seja pelo aspecto arquitetural, seja pela sua própria história de ocupação. A entrada é gratuita.
Parque das Esculturas
O local se constitui como um espaço expositivo a céu aberto, o que propõe uma concepção de apreciação alternativa da obra de arte, sem isolamento, nem formalidades. O Parque conta com obras de grandes artistas plásticos brasileiros como Mario Cravo Júnior, Mestre Didi, Waltércio Caldas, Tunga, Carybé, Sante Scaldaferri, dentre outros, reunindo um total de 23 obras. Na Semana dos Museus, escolas, organizações não governamentais, faculdades e outros grupos interessados podem visitar o espaço através de agendamento prévio. A atividade será realizada na quinta-feira (21), das 10h às 11h da manhã. O agendamento pode ser feito através do telefone (71) 3117 6141.
Zona Mundi
Nos dias 21 e 22 de maio, o MAM abriga a terceira edição do projeto de arte eletrônica Zona Mundi – Circuito Eletrônico de Som e Imagem. A programação conta com um workshop com o DJ Lúcio K (RJ) que acontece no dia 21, das 9h às 12h e das 13h às 18h. O carioca também participa, ao lado do coletivo RadioMundi (BA), de uma performance musical promovida pelo projeto no dia 22, a partir das 20h, no estacionamento inferior do MAM. As inscrições para os workshops podem ser feitas através do envio de propostas – nome completo, RG, um breve release e currículo – para o email [email protected].
Café do MAM: Dj Munch
Integrando a programação especial do MAM para a Semana dos Museus, o Café do MAM recebe o DJ Munch na sexta-feira (22). A apresentação é aberta ao público e ocorrerá das 17h às 22h. Na ocasião, ele convida os Djs Riffis e Mangaio, que comandam sets permeados de afrobeat, dub e brazilian beats.
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Solar do Unhão / Foto: Jeanne Darc, 2000, França
Solar da história – A saga do Solar do Unhão, sede do MAM-Ba, começa com o cronista português Gabriel Soares de Souza. Ele viveu na Bahia entre o final do século XVI e parte do XVII e é autor do livro Tratado Descritivo do Brasil, um dos mais importantes registros da história colonial do país. Gabriel comprou o solar do desembargador Pedro de Unhão Castelo Branco e tentou implantar um engenho de açúcar no local. Após sua morte, a propriedade foi legada aos monges beneditinos. Na capela do solar, nasceu a devoção a Santa Luzia, depois transferida para a igreja do Pilar. Diz a lenda, que a capela foi dessacralizada porque um padre teria sido assassinado no local. No entanto, a história verdadeira é bem menos romântica. No século XIX, o Solar do Unhão foi comprado por um suiço chamado François Meron, que transformou a propriedade em uma fábrica de rapé. Como Meron era protestante, usou a capela do antigo engenho como um dos depósitos de pólvora da fábrica. Os paramentos da igreja e as imagens sacras foram doados pelo suiço para a igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia. O solar também serviu de quartel para os Fuzileiros Navais durante a II Guerra Mundial.
A historiadora baiana Wlamyra Albuquerque, professora da Universidade Federal da Bahia, lançou na última terça, dia 12, o livro O Jogo da Dissimulação – Abolição e Cidadania Negra no Brasil, em que propõe uma ressignificação do 13 de Maio. Ao invés do que dizem os livros didáticos, que a abolição da escravatura foi uma concessão da princesa Isabel e até um gesto de bondade da regente, a pesquisadora propõe uma análise mais crítica do episódio histórico, demonstrando com base em documentos e registros, que a abolição ocorreu devido a pressões sociais e, principalmente, porque os próprios negros sempre lutaram pelo reconhecimento de sua condição enquanto cidadãos livres.
Isabel de Bragança em foto tirada no exílio, na França, onde viveu após a proclamação da república, até sua mort, em 14 de novembro de 1921
Ao longo dos 300 anos de escravidão no Brasil, diversas fugas, rebeliões de escravos, escamaruças em quilombos e campanhas exerceram tal pressão sobre o governo imperial que a assinatura da Lei Áurea era inevitável. O Brasil também recebeu muita pressão externa para eliminar o trabalho servil. Wlamyra vai mais longe na sua pesquisa e revela que quando a lei foi assinada, mais de 80% da população negra já era liberta e essa liberdade foi conquistada mais por meios próprios do que por benevolência dos senhores. Os escravos, aqui na Bahia, por exemplo, uniam-se em irmandes responsáveis por juntar caixas de pecúlio e usar esse dinheiro para comprar a alforria uns dos outros. Negros de ganho, escravos que trabalhavam nas ruas como carregadores e vendedores, também juntavam o quinhão para a compra da liberdade.
Em 2000, fiz uma entrevista com Wlamyra, na época, ela lançava um livro sobre o 2 de Julho – Independência da Bahia – partindo também de estudos que resignificavam a festa maior dos baianos. Na pesquisa, a historiadora ressaltava o caráter popular da guerra da Independência. A Bahia foi o último reduto do comando português no Brasil e foi o estado onde a Independência do Brasil se consolidou, pois um levante popular permitiu que os últimos soldados portugueses fossem expulsos do país.
Quem é quem:
Wlamyra Albuquerque* – Graduada em História pela Universidade Católica do Salvador (1991), mestra em História pela Universidade Federal da Bahia (1997) e doutora em História Social da Cultura pela Universidade Estadual de Campinas (2004). É professora da Universidade Federal da Bahia. Desenvolve pesquisa e orienta trabalhos que versam sobre abolição, racialização, culturas e identidades sócio-raciais no Brasil.
*Informações retiradas do currículo lates da pesquisadora, disponível aqui.
Princesa Isabel – A filha do imperador Pedro II foi a primeira senadora brasileira, cargo a que tinha direito como herdeira do trono, segundo a Constituição do Império, promulgada pelo avô Pedro I, em 1824. Nasceu no Rio de Janeiro, em julho de 1846 e morreu em 1921, na França. Foi regente do império três vezes. A abolição foi assinada no seu último período de regência. Pelo ato, a princesa recebeu o título de “Redentora”. Essa visão é que a historiografia moderna tenta mudar, mostrando que a princesa agiu por pressões políticas e sociais e não por caridade. Com a Proclamação da República, teve de deixar o Brasil com o resto da família real.
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