Para que tantas leis?

Desde a promulgação da nossa Constituição Federal, em 5 de outubro de 1988, vimos nascer no sistema jurídico cerca de 3,7 milhões de normas. Mais umas continhas e vamos descobrir que esse número representa nada menos que 766 novas leis no ordenamento por dia útil. Hoje, de acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), alcançamos a marca recorde da edição de duas novas normas tributárias a cada duas horas. LegislaçãoAs associações não param por aí, não. No intervalo de 1989 a 2008,  foi editada uma norma para cada grupo de 50 habitantes.

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>> Veja o estudo completo da quantidade de normas publicadas no Brasil
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Os números são assustadores. Imagino como será a situação daqui a mais alguns anos. Será mesmo que precisamos de regramentos sociais para cada passo que damos? Precisamos de leis que nos digam absolutamente tudo o que não podemos fazer? (afinal tudo o que não está proibido no direito, está permitido, à excessão do que concerne à administração pública, cuja atuação é restrita ao que está exposto em lei). O tempo inteiro são colocadas em vigor novas leis, como se aqueles pedacinhos de papel riscados com palavras bonitas e de compreensão complicada fossem resolver todos os nossos problemas sociais.

Aborto? Lei. Feto anencefálico? Lei. Eutanásia? Lei. Qualquer problema social? Mais uma lei. E mais uma, e outra e mais outra. Estamos criando um amontoado de textos, muitas vezes, inclusive, incompreensíveis ou, ainda, que deixam margem  às  mais diversas formas de compreensão. Não que eu seja contrária à regulamentação de determinadas condutas sociais. Até porque precisamos de uma sociedade muito mais madura, informada e educada para deixar que os impasses cotidianos sejam decididos por cada indivíduo dentro de seu próprio contexto.

lei_do_estagio_img_interna1Quanto mais evoluída uma sociedade, tanto menos regramentos precisarão seus membros para conviver em harmonia. E quando falo em evoluída, acrescentem as questões sociais, econômicas e políticas. O que eu defendo não é a ausência das regras, mas a dedicação dos nossos representantes para fazerem com que tenhamos em nosso sistema apenas aquelas normas que nos são úteis, que tenham valor prático, que traduzam uma tentativa de se fazer justiça e de se construir uma sociedade igualitária.

No direito, o simples desuso de uma lei não a extingue. Para que seja retirada do sistema, é preciso que uma outra lei a revogue expressa ou tacitamente. Ou, então, é preciso que seja considerada inconstitucional (o que significa que contraria os preceitos da Constituição Federal). Enquanto algumas destas regras adormecidas podem ser revitalizadas em alguma situação social futura, outras simplesmente já não mais se eLegislaçãonquadram às novas exigências humanas. Mas continuam ali, fazendo pesar ainda mais os tantos códigos que operam os juristas.

Não é raro um professor da área jurídica fazer ressalva em sala de aula sobre um artigo específico, porque está ele incompatível com algum regramento superior ou novo. E não são poucos os artigos, incisos, alíneas e parágrafos que são alvos de discussão. É por essa razão que eu defendo é que o Congresso tire férias da função de fazer leis e assuma uma nova, a de analisar as leis que já estão em vigor. Poderiam todos ser levados a um lugar calmo e tranquilo para que pudessem fazer um estudo detalhado do sistema de normas que está em vigor antes de nos jogar mais uma série de novas leis na caixa dos peitos.

O que precisamos agora, antes de seguir em frente, ao meu ver, é de uma revisão minuciosa. De passar o pente fino no que está imposto e de fazer uma verdadeira limpeza geral no monte de textos que muito dizem e nada fazem de bem para a sociedade. Para mim, isso seria fundamental. Não precisamos de novas leis, neste momento. Precisamos rever as que já estão em vigor e jogar fora o que não nos serve, que deixou de ser útil. Não consigo conceber que em pleno século XXI ainda precisemos ouvir expressões do tipo “letra morta” e tentar entendê-la. Se já estão mortas as letras, vamos nos movimentar para enterrá-las. E já.

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Hora de ajustar as contas com o Leão

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Nesta segunda-feira, dia 02, a Receita Federal começa a receber as declarações anuais de Imposto de Renda. É hora de ajustar as contas com o Leão. Lápis e papel à mão, calculadora, recibos, vamos conferir direitinho todos os dados antes de preencher o formulário, para evitar a famigerada Malha Fina. Muitas vezes, caimos na dita cuja por pura falta de traquejo com a linguagem contábil. Por ignorância, deixamos de registrar alguma despesa importante. Para evitar que as moças -, rapazes também -, fiquem de cabelo em pé para decifrar esse universo tenebroso que atende pelo nome de Imposto de Renda, O Conversa de Menina reuniu alguns links úteis. Leia tudo com atenção, baixe o programa de preenchimento on-line da declaração e o Receitanet, para envio, direto do site da Receita Federal; e, não perca o prazo. Este ano, a entrega do IR será encerrada à meia-noite do dia 30 de abril. Mas não é porque a Receita nos deu quatro horinhas a mais de lambuja, que você vai deixar para a última hora! Lembre que, recebe a restituição nos primeiros lotes, quem primeiro manda a declaração.

>>Declaração deste ano tem poucas alterações nas regras

>>Saiba como evitar a Malha Fina

>>Baixe os programas para fazer sua declaração

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Música vencedora do Carnaval

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Os leitores do Conversa de Menina elegeram “Cadê Dalila?”, de Ivete Sangalo, a música do Carnaval 2009, com 131 votos (46% do total). A briga foi acirrada com “Beijar na Boca”, de Claudinha Leitte, que arrebatou 118 votos.

Para recordar a folia de Momo em Salvador, é só clicar aqui e ouvir as músicas novamente. É sua chance também de conferir a votação completa da nossa enquete, que teve a participação de 284 leitores.

Até o próximo Carnaval!!

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Desabafo: Sim, uma vítima do preconceito

PreconceitoMinha pele é clara, meu cabelo tem poucos cachos, meus olhos são castanhos escuros, mas eu sou negra. O tempo me fez perceber que raça não tem relação com cor de pele, mas com postura, com cultura, com ideologia. Meu sonho de menina era ter uma cor escura na pele. Minha mãe é negra, minhas melhores amigas são negras. E eu, droga, eu era amarelada, encardida. Ouvi de alguém recentemente que pessoas da minha cor não sabem o que é o preconceito. As lágrimas molharam meu rosto depois que saí dali, porque eu já senti na pele o preconceito.

Senti na pele o preconceito quando manifestei minha vontade de torrar no sol para ver a pele escurecer e fui advertida sobre os problemas que teria se minha cor fosse preta. Mas eu era negra e ninguém conseguia entender. E eu não conseguia entender por que as pessoas não me entendiam. Mas ali foi apenas o início da dor. Eu não sabia, mas ela haveria de piorar bastante. E piorou, quando eu comecei a namorar com um homem lindo, apaixonante, que amei verdadeiramente, e que era negro. Tive de suportar cada olhar, que metralhava as nossas mãos dadas, as nossas manifestações públicas de carinho.

Demorei a entender que as pessoas fitavam a diferença da nossa cor. Cheguei a achar, ingênua, que era admiração pelo amor entre nós. Mas não era. Eram olhares de quem não entendia, de quem não aceitava aquele casal de cores tão opostas. Cada olhar de incompreensão me fuzilava. Uma vez, caminhando pela orla da praia, não resisti e disparei um: “está olhando o quê??”. Percebi o constrangimento da pessoa. E entendi que não era coisa da minha cabeça. Para mim, o conceito de raça não cabe numa aquarela, não cabe numa tela de photoshop. Pra mim, as discussões de raça hoje perpassam essa miudeza.

E, por favor, não me venham dizer que nunca senti na pele o que é o preconceito.

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Mulher fruta: É para chupar e cuspir o bagaço?

*Texto e reflexões de Andreia Santana

Segunda-feira de Carnaval. Um espetáculo me impressiona profundamente. Sobre um trio elétrico, uma moça, necessário dizer que é afrodescendente, completamente nua, sem tapa sexo ou aquelas lantejoulas sobre o bico dos seios, requebra ao som de um pagode cuja letra diz nada menos que “rala a xana no alfalto”. Ela desce até o chão, como pede o pagode, para a lascívia dos cantores da banda e dos foliões.

deusa-do-ebano_blogMesma noite de segunda-feira de Carnaval. Documentário na TVE-BA mostra o processo de eleição da rainha do bloco afro Ilê Aiyê, entremeando com cenas da rainha eleita desfilando sobre o trio do Ilê, naquele momento, no Campo Grande, um dos circuitos mais antigos do carnaval baiano. Bela, vestida em tecidos coloridos, as amarrações do torço sobre o cabelo, a beleza de um decote apenas insinuado mostra um colo de ébano ornado de colares. É uma entidade, a deusa da beleza negra dança e também prende a atenção dos foliões, com sua sensualidade inerente à mulher, com sua delicadeza de soberana.

Com as duas cenas na cabeça, uma de desvalorização e violência contra a mulher e outra de homenagem e respeito, recorro a bell hooks, a intelectual negra norte-americana, cujos estudos sobre gênero, etnia e sexualidade tanto me esclarecem (prometo falar sobre bell hooks em outro post), tanto me ajudam a entender o contexto da sociedade onde vivo. O Brasil e a Bahia, miscigenados ambos, com status de grande democracia racial, precisam aprender a ler bell hooks e rever seus conceitos e principalmente, seus preconceitos velados e disfarçados em discursos como o mito da baianidade e da sensualidade da mulher tropical.

Enquanto assisto a moça nua requebrando ao som do pagode, um amigo, que não concorda com meu comentário sobre o fato daquela moça estar sofrendo uma violência na sua feminilidade, me questionou se é meu desejo que o Carnaval acabe. A resposta, dada com um certo atraso, é simples: para quem gosta, o carnaval deve continuar existindo, principalmente se a festa é também o palco onde desfila a majestosa rainha do Ilê, em toda a sua graça e consciência. Mas, para o Carnaval existir, não é necessário que uma mulher se submeta, seduzida com a promessa de fama, “a ralar a xana no asfalto”.

alek-wek-2_blogPois é justamente aí que repousa a minha tese de que a dançarina de pagode foi violentada nesse Carnaval, na consciência, na auto-estima, no seu encanto de mulher, tornado tão banal, descartável, para consumo rápido como um fast food. E me questiono, para que servem as mulheres fruta? Para chupar e cuspir o bagaço? Não acredito que a dançarina seja uma inocente coitada, forçada na base do chicote a subir no trio, tirar a roupa e simular o ato sexual em público. Mas creio que o senso crítico foi negado a essa moça, provavelmente pobre, visivelmente negra, quase com 100% de certeza, ansiosa em tornar-se uma celebridade e fugir da miséria, revivendo o conto da cinderela.

“A cultura de massas é a que declara publicamente e perpetua a ideia de que pode ser prazeroso reconhecer e desfrutar as diferenças raciais. Converter o outro em mercadoria tem tido muito êxito porque se oferece como um novo deleite, mais intenso e mais satisfatório que os modos comuns de fazer e sentir…A etnicidade se converte em especiaria, condimento que pode animar o prato insosso que é a cultura branca dominante”.

O trecho acima, do texto Devorar ao outro: desejo e resistência, de bell hooks, me dá no que pensar e é a base que eu buscava para continuar analisando a questão das mulheres fruta e das dançarinas de pagode, que antigamente requebravam em mini-shorts; mas, como o freak e o grotesco garantem mais audiência, agora abrem mão da pouca roupa que usavam e de restos de dignidade. E passo a comparar com a realidade local. No tédio do axé, em que músicas e cantoras se parecem -, principalmente porque para a massa, as cantoras são inacessíveis enquanto objeto de desejo -, as dançarinas de bunda grande, seios fartos e pubis à mostra suprem a lacuna, pois são objetos mais à mão.

alek-wek-_-blog1A celebridade gostosa do camarote é manjá fino, se expõe apenas naquela revista cara. A dançarina da periferia, em busca de um lugar sob os holofotes, sem perspectiva real de vencer na vida porque lhe foi negada educação de qualidade, é mais acessível. Ela pode ser a descarada, a cachorra da letra da música, pode ralar no asfalto. Dessa forma, mantém-se a ordem social das coisas. O folião dá vazão ao seu desejo, demonizando a dançarina negra, colocando-a no lugar em que seu pensamento machista acredita que ela deva estar. Fruta barata na feira, come-se a polpa, cospe-se os caroços. O ideal de beleza feminina, de sensualidade sem permissividade, o ideal asséptico, o sexo limpo, ele guarda para a namorada. O olhar de desejo, mas sem invadir o espaço individual, fica para a cantora loira do trio.

O cruel de tudo isso é ouvir de um dos homens que assistiam a performance da moça sem roupa, que a dançarina está no trio, expondo-se, porque ela quer. Ele refuta minha tese de que trata-se de uma violência, porque acredita que ato violento é só aquele praticado sem o consentimento da vítima. Pois existem formas de violência tão veladas e cruéis quanto um tapa na cara. É a violência da exclusão social, da falta de um lugar na sociedade estratificada e com papéis definidos. Essa violência, a cultura da super valorização do corpo, a cultura do descartável estão por trás do desejo desmedido de enriquecer para fugir da pobreza; de ser adorada, de conquistar, nem que seja com a bunda, um lugar de destaque, um lugar de pertencimento.

deusa-do-ebano-2_blog1Costurando essa forma de exploração sexual travestida de “arte”, afinal, a dançarina se define como artista, está o medo atávico que os homens sentem da sexualidade feminina desde o tempo das cavernas. Somos multiorgasmicas, temos um gozo interno, somos mistério e isso assusta tanto que a melhor forma de lidar com a mulher, na nossa sociedade de herança cristã, é demonizá-la, definir a sexualidade feminina como baixo instinto, animalesco e grotesco. Infelizmente, ainda somos divididas entre safadas e não-safadas, cachorras e meninas de familia, pela maioria dos homens e das próprias mulheres também.

Ao começar este post comparei as duas cenas que me surpreenderam ontem, da dançarina nua e da rainha do Ilê Aiyê, justamente para mostrar que é possível honrar a beleza, a sensualidade, o carisma e a graça de uma mulher, sem expô-la na banca da feira. O que falta na jovem nua sobre o trio, submetida ao seu desejo cego de ser respeitada e querida como a modelo famosa, mas subjugada ao papel cruel de mercadoria que a sociedade estabeleceu para ela, sobra em consciência, em auto-estima, em feminilidade, em domínio da própria sexualidade na deusa no ébano.

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As meninas do Curuzu rejeitam o papel inferior em que lhes tentam enquadrar. Rejeitam serem vistas e consumidas como uma melancia. Elas são mulheres de verdade, donas de si, donas do próprio corpo. A sedução delas, dos seus movimentos ritmados, dos braços, das pernas e do requebro, não se presta ao espetáculo de pão, circo e carne. Antes, seus movimentos são de afirmação da beleza negra, da beleza feminina, do sagrado que faz de todas as mulheres, deusas da criação.

*Andreia Santana, 37 anos, jornalista, natural de Salvador e aspirante a escritora. Fundou o blog Conversa de Menina em dezembro de 2008, junto com Alane Virgínia, e deixou o projeto em 20/09/2011, para dedicar-se aos projetos pessoais em literatura.

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Fernando Pessoa: “um enigma em pessoa”

Minha estima por Fernando Pessoa é comparada àquela que nutro por Pablo Neruda. Para mim, são dois grandes nomes da poesia do século XX, sem sombra de dúvidas. O português Pessoa, rei dos heterônimos. Sim, os personagens que criou durante a vida, todos eram carregados de personalidade forte e bem desenhada. Como não lembrar de Álvaro de Campos ou Alberto Caeiro, ou ainda de Ricardo Reis? Todos tão reais, facetas do Fernando Pessoa.

Fernando Pessoa

Sobre a vida de Pessoa, pouco sei. Recordo-me apenas de que viveu parte da adolescência na África do Sul, que perdeu o pai muito cedo, de tuberculose. Também lembro-me de ter lido em algum lugar sobre o gosto exagerado pelo álcool, vício que teria sido decisivo para a morte precoce, aos 47 anos, de cirrose hepática. E mesmo no leito de morte, Pessoa eternizou sua poesia, ao declarar “I know not what tomorrow will bring” (Não sei o que o amanhã trará).

“A tua carne calma é fria em meu querer. Os meus desejos são cansaços. Nem quero ter
nos braços meu sonho do teu ser.”

De tanto criar pessoas, Pessoa se recriou. A resposta que muitos buscavam era para a pergunta “quem é ele?”. Seus personagens tornaram sua vida mais misteriosa ainda. Muitos pensavam inclusive se não seria o próprio Pessoa mais um de seus personagens. Ele morreu sem nos esclarecer a questão. Melhor que tenha sido assim. É como a expressão usada pelo crítico brasileiro Frederico Barbosa: “Pessoa é um enigma em Pessoa”.

Fernando Pessoa

Não me canso de ler Fernando Pessoa. A cada leitura, redescubro um fascínio ainda maior por suas palavras. Fernando Pessoa me ganhou na primeira poesia que li dele, que diz: “Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia, não há nada mais simples. Tem só duas datas – a da minha nascença e a de minha morte. Entre uma e outra todos os dias são meus”. Para uma adolescente em busca de seu próprio caminho, nada podia ser mais significativo.

“Não sei, mas meu ser tornou-se-me estranho.E eu sonho
sem ver os sonhos que tenho.”

A partir dali, viramos caça e caçador. Eu, em busca de tudo e qualquer coisa que tivesse a sua assinatura por trás. Logo em seguida, descobri os personagens que havia criado, soube das biografias que instituiu para cada um deles, das diferenças tão bem delineadas. Me apaixonei de vez. A sensação era que eu estava diante de uma pessoa imaginária, de tão discreta, cheia de imaginação e possuidora de um grau de intelectualidade intangível, fora do comum.

“És melhor do que tu. Não digas nada: sê! Graça do corpo nu
Que invisível se vê.
“

Algumas coisas de Pessoa seguem abaixo. Eu simplesmente não consigo fazer uma seleção. Cada texto que releio, volto a me apaixonar perdidamente, como se estivesse diante de uma primeira leitura. Cada linha que descubro me encobre de mais admiração. Não consigo pinçar da obra de Pessoa, coisas que mais gosto, ou que mais me instigam. Eu só consigo enxergá-lo como um conjunto. Pessoa é um todo e cada trecho é apenas uma parte, um pedaço do universo que é sua poesia.

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Para inspirar
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Cancioneiro

Nota preliminar
2 – Todo o estado de alma é uma passagem. Isto é, todo o estado de alma é não só representável por uma paisagem, mas verdadeiramente uma paisagem. Há em nós um espaço interior onde a matéria da nossa vida física se agita. Assim uma tristeza é um lago morto dentro de nós, uma alegria um dia de sol no nosso espírito. E – mesmo que se não queira admitir que todo o estado de alma é uma paisagem – pode ao menos admitir-se que todo o estado de alma se pode representar por uma paisagem. Se eu disser “Há sol nos meus pensamentos”, ninguém compreenderá que os meus pensamentos são tristes.

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Tenho tanto sentimento

Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

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Entre O Sono E Sonho

Entre o sono e sonho,
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.

Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.

Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.

E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre –
Esse rio sem fim.

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Grandes mistérios habitam

Grandes mistérios habitam
O limiar do meu ser,
O limiar onde hesitam
Grandes pássaros que fitam
Meu transpor tardo de os ver.

São aves cheias de abismo,
Como nos sonhos as há.
Hesito se sondo e cismo,
E à minha alma é cataclismo
O limiar onde está.

Então desperto do sonho
E sou alegre da luz,
Inda que em dia tristonho;
Porque o limiar é medonho
E todo passo é uma cruz.

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Viajar! Perder países!

Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!

Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!

Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.

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Análise

Tão abstrata é a idéia do teu ser
Que me vem de te olhar, que, ao entreter
Os meus olhos nos teus, perço-os de vista,
E nada fica em meu olhar, e dista
Teu corpo do meu ver tão longemente,
E a idéia do teu ser fica tão rente
Ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me
Sabendo que tu és, que, só por ter-me
Consciente de ti, nem a mim sinto.
E assim, neste ignorar-me a ver-te, minto
A ilusão da sensação, e sonho,
Não te vendo, nem vendo, nem sabendo
Que te vejo, ou sequer que sou, risonho
Do interior crepúsculo tristonho
Em que sinto que sonho o que me sinto sendo.

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Para ler
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alvaro de camposPoesia Completa de Álvaro de Campos

ricardo reisPoesia Completa de Ricardo Reis

alberto caeiroPoesia Completa de Alberto Caeiro

obra poéticaObras Poéticas

desassossegoLivro do Desassossego

pessoaE tudo mais que você achar!!!

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Vencedores do Oscar 2009

Equipe de "Quem Quer Ser Um Milionário?" comemora Oscar de Melhor Filme
Equipe de "Quem Quer Ser Um Milionário?" comemora Oscar de Melhor Filme

Pois é, meninos e meninas, a 81ª edição da cerimônia de entrega do Oscar chegou ao fim com a consagração do filme “Quem quer ser um milionário?”, dirigido por Danny Boyle. A produção arrebatou nada menos que oito estatuetas, dentre elas a de melhor filme, melhor diretor e melhor fotografia.

A homenagem póstuma a Heath Ledger, pela atuação coadjuvante em “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, foi um dos pontos altos da cerimônia. A família subiu ao palco para receber o troféu em lugar do ator, que morreu em janeiro de 2008 por causa de uma overdose.

Vale lembrar que esta é a segunda vez que isso acontece na história da academia. Em 1976, o trabalho do ator Peter Finch em “Rede de Intrigas” também lhe rendeu um Oscar póstumo, na categoria melhor ator.

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>> Confira a cobertura completa do Oscar 2009 no Cineinblog
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Lista de vencedores:

Melhor filme
Quem Quer Ser Um Milionário?

Melhor diretor
Danny Boyle (Quem Quer Ser Um Milionário?)

Melhor atriz
Kate Winslet (O Leitor)

Melhor ator
Sean Penn (Milk – A Voz da Igualdade)

Melhor ator coadjuvante
Heath Ledger  (O Cavaleiro das Trevas)

Melhor atriz coadjuvante
Penelope Cruz (Vicky Cristina Barcelona)

Melhor roteiro original
Dustin Lance Black (Milk – A Voz da Igualdade)

Melhor roteiro adaptado
Simon Beaufoy (Quem Quer Ser um Milionário?)

Melhor filme em língua estrangeira
Departures / Japão

Melhor longa de animação
Wall-E

Melhor curta de animação
La Maison en Petits Cubes Kunio Kato

Melhor documentário
James Marsh e Simon Chinn (Man on Wire)

Melhor documentário em curta-metragem
Smile Pinki Megan Mylan

Melhor trilha sonora original
A. R. Rahman (Quem Quer Ser um Milionário?)

Melhor canção original
“Jai Ho” (Quem Quer Ser um Milionário?)

Melhor direção de arte
Donald Graham Burt e Victor J. Zolfo (O Curioso Caso de Benjamin Button)

Melhor fotografia
Anthony Dod Mantle (Quem Quer Ser um Milionário?)

Melhor edição
Chris Dickens (Quem Quer Ser um Milionário?)

Melhores efeitos sonoros
Ian Tapp, Richard Pryke e Resul Pookutty (Quem Quer Ser um Milionário?)

Melhor edição de som
Richard King (Batman – O Cavaleiro das Trevas)

Melhores efeitos especiais
O Curioso Caso de Benjamin Button

Melhor maquiagem
O Curioso Caso de Benjamin Button

Melhor figurino
A Duquesa

Melhor curta-metragem
Jochen Alexander Freydank (Spielzeugland – Toyland)

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Homenagem aos meus amigos

O que há de mais precioso na amizade? Fiquei algumas horas a pensar nisso e não consegui encontrar uma resposta. Tudo na amizade é precioso, absolutamente tudo. Amigo que é amigo de verdade vira parte da família. Costumo falar que, em alguns casos, vira mais família do que a própria. AmizadeA cumplicidade, a alegria, as trocas, a confiança, as discussões, os alertas, os momentos felizes, os tristes, os risos, os choros… Posso enumerar uma série de fatos e todos eles, de todas as formas, terão um significado especial quando os seus agentes são declaradamente amigos.

Amigo que é amigo ama incondicionalmente. Ama tanto que chora junto, sofre junto. Vibra junto com cada vitória. É que cada vitória dele, cada conquista, é nossa também. Amigo que é amigo não ri junto, gargalha. Porque aqueles momentos de felicidade são tão plenos, tão intensos e tão maravilhosos que rir é pouco. É preciso uma demonstração maior, mais vibrante, mais intensa. Precisa mesmo é gargalhar, para que o mundo saiba que ali, entre aqueles risos espalhafatosos e cintilantes tem um amor incomensurável, que não se consegue medir por estes sistemas de medidas que estão ao nosso alcance.

Amizade 2Nossos amigos são tão diferentes uns dos outros, não é? Nossa!!! Agora estou aqui pensando em cada um deles e é incrível como conseguimos construir laços tão fortes com pessoas tão diferentes. A resposta é fácil, é o amor. É o amor que nos une. O amor e alguma coisa a mais que não consigo encontrar uma palavra em nosso vocabulário que a descreva. É simplesmente uma coisa a mais. Essas diferenças, no entanto, são tão insignificantes, porque aprendemos a conviver com elas, a respeitá-las. E ao invés de atrapalharem a relação, elas apenas se complementam. Nas nossas diferenças nos tornamos seres completos. É como me sinto ao lado deles, um ser completo.

Temos amigos de vários tipos, para todas as ocasiões. Uns adoram festas, shows, chegar em casa de madrugada. Há os que não trocam o teatro e  o cinema por nada nesse mundo. Há aqueles que adoram “comer água” e há os que abandonaram a bebida alcoólica ou nunca nem tocaram nela. AmizadeHá os que são mais tímidos, mais sensíveis. Há os destemidos, que topam tudo e acham que viver é a coisa mais fácil do mundo. Há os que sofrem mais, os que choram mais. Há os que sofrem menos, riem mais. Há aqueles que te abraçam, te beijam e dizem eu te amo. Há aqueles que ali, discretos como são, falam o mesmo eu te amo em silêncio, nos gestos habituais, no olhar de gratidão.

Alguns estão ao nosso lado todo dia, outros estão apenas em nossos corações todo dia. Uns moram ali, pertinho, outros lá bem longe. Com alguns falamos mais, com outros conversamos menos. Não é isso que vai determinar a importância que cada um deles tem em nossa vida. Porque perto ou longe todos têm a mesma relevância. Uns são mais compreensivos, outros são mais exigentes, e todos têm defeitos. Nossos amigos são os melhores do mundo, mas são seres humanos como qualquer outro. Eles podem ter defeitos pequenos, ou defeitos imensos. Isso não importa, porque eles com certeza têm qualidades que fazem de qualquer defeito algo contornável.

O bom de ter amigos é aquela sensação maravilhosa de ter alguém com quem dividir o universo. AmizadeA gente pensa assim: não estou só. E não está mesmo. Os amigos são companheiros para a vida toda. A gente constrói uma amizade aqui e leva pra lá, pra frente, pro futuro. Os anos vão passando, a gente vai crescendo, amadurecendo, envelhecendo, e eles estão ali, passando por tudo isso com a gente. A conversa até muda com o tempo, mas as lembranças, estas serão sempre eternas… Em cada encontro, a gente vai rir com a mesma intensidade lembrando das aventuras de antigamente, lembrando das farras, das curtições. É como se o tempo tivesse parado ali, naquele momento, porque estávamos juntos. E ele para mesmo, como um retrato que fica armazenado em nosso coração.

Esse texto singelo é apenas para agradecer. Agradecer a todos os meus amigos pela existência de cada um deles em minha vida. Agradecer pelas broncas, que fizeram de mim uma pessoa melhor. Agradecer pelos conselhos, que reduziram meus erros pela metade. Agradecer pelos risos, que conservam em mim a juventude. É tanta coisa para agradecer, tanta. Pela presença, mesmo quando desapareço com a loucura do dia-a-dia. Pelos risos, que me fazem perceber o quanto o mundo pode ser belo em meio às tragédias. E, mais que qualquer coisa, agradeço por poder chamá-los de amigos. É um texto para dizer o quanto amo cada um de vocês. Um amor tão grande… Sim eu sou uma felizarda!

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Tecnologia, IBM e previsões para o futuro

A velocidade em que a tecnologia avança me intimida. Não me considero uma pessoa analógica, me adapto bem às frequentes mudanças e aprendo rápido a manusear qualquer aparelho moderninho. A questão não é essa. O que me deixa apreensiva é que em um piscar de olhos as exigências são outras, os equipamentos ficam menores, as regras do jogo mudam. TecnologiaSem falar nas consequências sociais, que nem vamos tratar aqui. Um dia, muito do que utilizamos hoje rotineiramente era desenhado em filmes futurísticos de ficção científica. Com a TV de plasma, por exemplo, foi assim. Saiu da telona para a vida real.

A razão de eu estar escrevendo este post, na verdade, é um texto que li em uma revista sobre o IBM Next Five in Five, a lista das cinco inovações com potencial para mudar a vida das pessoas nos próximos cinco anos. O autor da última relação divulgada no final do ano passado é um brasileiro, que responde pelo nome de Fábio Gandour e ocupa o cargo de cientista-chefe da empresa. Para quem está se perguntando que diabos é a IBM, posso resumir que é uma empresa que trabalha com criação e desenvolvimento de tecnologias da informação, softwares, sistema de computadores, sistemas de rede, dispositivos de armazenamento e afins.

Entre as mais recentes invenções da empresa estão um sistema sem fio que detecta a presença de um bebê em cadeiras infantis para automóveis, evitando que pais atarefados esqueçam seus filhos no banco traseiro dos veículos, e um método de localização para cegos que utiliza frequências de rádio. Tecnologia 2Pois é, minha gente, a cabecinha dos cientistas da IBM não para. Em 2008, a empresa bateu o recorde de registro de patentes e entrou na história como a primeira empresa que conseguiu bater a marca de quatro mil em um único ano, deixando para trás as gigantes Microsoft e Intel. O próximo projeto mirabolante do grupo é o desenvolvimento de circuitos eletrônicos que funcionam de maneira similar ao cérebro humano.

Pois bem, voltando às previsões, vou enumerá-las aqui e deixar a cargo de cada um de vocês imaginar como será o mundo em mais alguns anos, décadas. E, depois de se familiarizarem com as idéias da IBM, aproveitem a seção de comentários para dizer o que acharam das projeções e sugerirem as suas próprias invenções que mudarão o mundo.

 

Tecnologia solar1. As tecnologias de energia solar serão utilizadas para produzir asfalto, tintas e até janelas – Imagine o dia em que a tecnologia solar estará disponível a todos nós. Já pensou na quantidade de energia que poderia ser criada se a tecnologia solar estivesse presente nos passeios, nas estradas, nas tintas, nos telhados ou nas janelas? Nos próximos cinco anos, a tecnologia solar estará disponível a todos.

 

Bola de cristal2. Você terá uma bola de cristal para saber o seu estado de saúde – como seria se você tivesse o poder de prever seu estado de saúde e utilizar estas informações para modificar o seu estilo de vida? Seu médico será capaz de construir todo um mapa genético sobre os possíveis riscos que enfrentará e com base nele montar uma forma de preveni-los ao longo da vida.

 
Internet3. Você vai conversar com a internet e a internet vai te responder – Já pensou você não precisar das mãos para utilizar a internet? Enquanto interage na rede poderá desenvolver outras atividades, como por exempo, cozinhar! Tudo será controlado pela voz, que tomará o lugar dos textos. Assim, você será capaz de enviar e-mails sem ter de escrever.

 
Shopping4. Você terá seu próprio assistente digital de compras – As assistentes de vendas das lojas serão dispensadas, e um aparelhinho eletrônico será instalado em todos os provadores. Bastará você digitar o que precisa e a peça chegará às suas mãos. Você poderá ainda fotografar a combinação e mandar via SMS ou e-mail para um amigo opinar, que tal?

 
Memória5. Aparelho ajudará a armazenar a sua memória – Todas as informações que você precisa acessar no seu dia-a-dia serão gravadas, guardadas e colocadas à sua disposisão no momento exato em que necessite delas. Tudo isso graças a algumas aplicações inteligentes e portáteis. Isso significa que a palavra esquecer será eliminada do seu vocabulário nos próximos anos.

 

 

ASSISTA AO VÍDEO DA IBM (em inglês)

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Qual a música do Carnaval 2009?

CarnavalAproveitando a onda das músicas que marcaram os velhos carnavais, o Conversa de Menina vai abrir uma votação para que você escolha a canção que vai ficar na história da folia de Momo de 2009.

Agora é só votar na sua preferida. E se ainda estiver em dúvida, é só cçlicar logo abaixo para ouvir as músicas. Ah, no caso de alguma nova sugestão, é só mandar pra gente, que a gente acrescenta!

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ESTÁ NA DÚVIDA? OUÇA AS MÚSICAS DE NOVO
>> Beijar na Boca (Claudia Leitte)
>> Cadê Dalila? (Ivete Sangalo)
>> Chuva de Flores (Timbalada)
>> Flutuar (Chiclete com Banana)
>> Hoje é Dia do Asa (Asa de Águia)
>> Oyá por Nós (Daniela Mercury)
>> Tchau, I Have to Go Now (Jammil)
>> Uma Chance (Harmonia do Samba)

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Leia também:
>> Músicas que marcaram carnavais
>> Entrudo, festa para Dionísio, confete e serpentina
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