Escravos da beleza: quando você vai se libertar?

Uma breve observação e você vai perceber que todos estão parecendo cada dia mais iguais. A moda dita, a televisão vende e a gente compra. O culto à beleza ganhou tamanha proporção, que hoje a sensação é que todos são iguais. A começar pelo corpo, todo mundo é saradinho, graças às horas dedicadas à malhação intensa. Isso virou obrigação. Malhar agora é item indispensável aos afazeres diários. Não, você não pode mais não gostar de malhar. EstilosAté porque quando não há mais desculpas para justificar tanta dedicação aos pesos, vai ser pela saúde.

Os meninos então, nossa! Todos com ombros imensos, pernas nem tanto, e músculos estourando de toda parte do corpo. Elas de cabelos alisados à base da chapinha, de shorts, vestidos ou saias bem curtas, blusas abertas nas costas e sandálias baixas. Ah, agora sair de havaianas está na moda. E andar de saltão também. Se alguém me perguntar como ir a uma festa sem fazer feio, eu respondo sem ter receio de errar: põe um short, uma blusa com qualquer decote que valorize os seios, e uma sandália baixa. Pronto! Você vai estar igual a um monte de gente.

A maquiagem também é igual. Que coisa, né? Hoje todo mundo decidiu valorizar os olhos, com lápis forte, sombra colorida e um batom mais discreto. Ah, todas também usam base e pó compacto (é, gente, ninguém mais tem espinhas ou marcas no rosto… agora é tudo uniforme com pó compacto). E os homens também não ficam atrás. Com tanto braço, e gominhos na barriga, é só colocar qualquer bermuda e arrancar a camisa na festa, ou colocar uma camiseta que deixe os braços à mostra. Também acertarão em cheio.

Não, eu não sou contra a malhação, a geração academia, tampouco os corpos esculturais e a moda. Eu até gosto de malhar, inclusive. O que me incomoda é o fato de as pessoas aceitarem o que é vendido pela indústria do consumismo e abrir mão de seu próprio estilo para entrar no rol, ou para se sentir aceito pela sociedade. O que me faz gastar algumas linhas a escrever sobre isso é essa pressão geral que faz com que as pessoas se convençam de que estão fazendo escolhas, quando na verdade estão apenas se enquadrando num Modaperfil que é diariamente imposto pelo mercado.

Será que ninguém está percebendo? Será que vamos deixar nos roubarem o direito de ter cabelos crespos ou cacheados? Será que vamos permitir que nos arranquem o prazer de usar roupas confortáveis e tênis? A questão, como falei, não é de massacrar certos tipos de comportamentos sociais. O meu dilema aqui é outro, o de exaltar a diferença, e mostrar que não podemos permitir que nos escravizem. Não podemos ficar de braços cruzados a isso. Ao invés de vendermos nossa imagem, por que não vendermos nossa essência?

Quando vamos nos rebelar contra esse culto à imagem que descreveu um perfil de beleza e exige que todos nos enquadremos nele? A nossa beleza precisa estar justamente na nossa diferença, no que nos torna único. Mas hoje somos obrigados a ser iguais. E aceitamos isso de cabeça baixa, sem questionar, sem lutar. Precisamos destruir esse conceito que criaram antes que ele nos destrua. Porque um dia isso vai acontecer. Não é um exercício de futurismo, mas apenas a conclusão de um raciocínio lógico. E meu conselho é: se liberte enquanto ainda há tempo.

3 comentários em “Escravos da beleza: quando você vai se libertar?

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